sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Álbum de férias II - Algarve

Praia do Barril, 26.06.09. Uma das minhas praias preferidas, pela tranquilidade do mar. E por ser uma praia onde, após duzentos ou trezentos metros ficamos com o areal deserto só para nós. Chega-se lá num pequeno comboio, depois de passar uma ponte flutuante sobre a ria Formosa, a partir do aldeamento de Pedras d'el Rei, perto de Santa Luzia (Tavira).

Marina de Vilamoura, 28.06.09, 9h da manhã. Os turistas ainda não invadiram o local, o arzinho fresco que sopra do barlavento é agradável. Reservamos um barco.

Passeio pela costa algarvia, até Portimão. Desembarcamos para almoçar na praia do Ferragudo, 28.06.09

Farniente na praia do Garrão, 30.06.09, entre as Dunas Douradas, Ancão e Vale do Lobo. Almoço: Espetada de Camarão e Salada de Frango no Izzy's. Em vez de molhar os pés, aposto tudo no bronze. No acto, aprovieto para devorar as últimas páginas da "Ler" de Junho e enceto "A Lenda de Martim Regos", de Pedro Canais. Férias, afinal, é fazer aquilo que me apetecer!

Pôr-do-sol na Ilha de Faro, 01.07.09. O crepúsculo é lindo, visto daqui. Quase que se ouve o sol quando toca finalmente o oceano. A noite cai, as luzes dos barcos dos pescadores começam a piscar desde o alto mar, o farol da ilha vizinha bate o compasso ao embate das ondas, a Via Láctea espreguiça-se no comprimento de todo o arco celeste.
Jantar no bar O Forte, junto ao parque de campismo: tosta mista gigante de galinha com alho, a nossa preferida. Faríamos quilómetros para vir comer esta bomba de calorias. Felizmente, moramos aqui ao lado. Ou tragicamente... para mal dos nossos quilos extras.

III - Alentejo

Praça do Giraldo, Évora, 02.07.09, 12h10. Sol a pino, calor abrasador. Para desmoer damos uma volta à cidade, desde a Sé, passando pelo Templo de Diana, até à Universidade, onde nos levam até ao centro do Mundo.

IV- Costa Azul

São Pedro de Moel, 03.07.09. O lugar é majestoso, lindo. O mar aumenta tamanho ao país.


A Nazaré, vista desde O Sítio, 03.07.09. Vista de cortar a respiração. As pessoas lá em baixo com os seus fatos de banho e guarda-sóis coloridos parecem confettis.

Praia de Vieira de Leiria, ao crepúsculo, 03.07.09. No mesmo lugar em que os pescadores várias vezes ao dia desembarcaram a pesca da faina, as gaivotas vêm, quase antes da noitinha, em busca de uma derradeira sobremesa. A não ser que..."Gaivotas em terra,..."

terça-feira, 7 de julho de 2009

Michael Jackson Memorial

Teve hoje lugar no Staples Center, em Los Angeles, às 10h locais (19h no Luxemburgo), uma homenagem (memorial) a Michael Jackson, falecido a 25 de Junho.
Aproveito para publicar aqui o artigo que escrevi na edição de 1 de Julho do jornal CONTACTO.
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Morre o Rei, nasce o mito

Como não falar de Michael Jackson (MJ) nesta rubrica musical apenas alguns dias após a sua morte, quando a passagem desta super-estrela pela constelação da cultura pop no último meio-século tantos artistas influenciou, deixando uma marca indelével na história da música, só comparável a vultos como Elvis Presley e The Beatles.

Tentarei não repetir o que todas as emissões especiais e reportagens já disseram ou escreveram nos últimos dias, mas uma coisa é certa: quer se gostasse ou não da pessoa ou da sua música, MJ não deixava ninguém indiferente. Pela forma como cantava, dançava e vivia a sua vida. Deixo as polémicas que o rodearam de parte, desde a sua despigmentação às acusações de pedofilia, temas exaustivamente explorados pela imprensa sensacionalista, até porque havia dois MJ. A sua timidez, delicadeza e amabilidade na vida privada, o que testemunham todos os que o conheceram, davam lugar a um animal de palco indomável nos espectáculos, que eram puro «entretainement», mais do que simples concertos. Mais do que um artista, ele era um «showman». Influenciou nisso estrelas como Britney Spears, Rhianna, Puff Daddy ou Justin Timberlake, e dezenas de outros, não só na maneira como hoje compõem e cantam, mas sobretudo na forma como «habitam» o palco.

Dono de uma voz singular, era um exímio dançarino, coreógrafo , compositor, letrista, artista ímpar e completo, viajou por quase todos os géneros musicais (disco, pop, funk, soul, r&b, rock, dance, heavy-metal, new-jack), além de ser um homem de negócios, um benfeitor e um perfeccionista persistente em tudo o que fazia. Poucos artistas viram singles seguidos dos seus álbuns chegarem em catadupa aos tops, como aconteceu com «Thriller» (1982), «Bad» (1987), «Dangerous» (1991) e «HIStory» (1995), quatro dos seis álbuns que marcaram a sua carreira pós-«Jackson 5».

Se não inventou o «moonwalk», atribuído a Bill Bailey, que já o usava em 1955 (ou, segundo outros, aos «break-dancers» dos anos 80), popularizou-o mundialmente. O mesmo fez com a formação em pirâmide na dança, usada em «Thriller» e que posteriormente foi adoptada por muitos grupos. Estava sempre à tentar inovar e sobretudo ultrapassar-se. Muitos dos passos de dança que conhecia de estilos como o sapateado, o music-hall (venerava Fred Astaire!), o swing, a música negra, o break-dance, adaptou-os à pop. No clip «Black &White» (1991) dança ao estilo indiano de «bollywood» encandeando logo de seguida dança
s africanas e russas. Nesse mesmo clip é o primeiro artista a investir no «morphing», técnica de televisão que consiste em diluir um rosto noutro.

MJ gostava acima de tudo de ser o primeiro em tudo. É o primeiro músico negro a passar na MTV com o mega-sucesso «Billie Jean» (1982). Foi graças a MJ que os músicos afro-americanos começaram a merecer «airplay» na MTV. O mais curioso é que o próprio sucesso do canal de televisão musical, que anteriormente se fechava a artistas negros, s
e ficou a dever a «Thriller» (1984), expoente máximo da era dos telediscos que então começava. Quando o clip foi lançado, o público da MTV exigia que este fosse passado duas vezes por hora! O clip de «Thriller» tinha 14 minutos (a canção pouco mais de cinco minutos) e os contornos de um mini-filme de terror. Os seus produtores não acreditavam sequer que as televisões passassem o teledisco, considerado «gore». Tornar-se-á a sua canção mais emblemática e o álbum venderá cem milhões de cópias, record que o Guinness regista como nunca igualado por nenhum artista desde então. No total, MJ vendeu mais de 750 milhões de álbuns. Depois de morrer na quinta-feira, a corrida às lojas de discos recomeçou e os descarregamentos online também. O Guinness vai ter que rever as suas contas.

Em 1995, autoproclama-se «Rei da Pop». E se alguns denunciaram na altura a apropriação, uma década mais tarde já ninguém a contestava. Preparava um regresso q
ue lhe foi negado. Quem sabe o que tinha ainda para dar ao mundo da música.

MJ desaparece aos 50 anos, 45 dos quais dedicados à música. Pisou um palco pela primeira vez em 1963. Nos «Jackson 5» (1969-1984), ao lado dos irmãos, são a sua voz e presença que fazem a diferença. Em 1971, lança-se a solo, interpretando «covers» e canções dos Jacksons. Oito anos mais tarde lança o primeiro álbum com temas escritos e compostos por si próprio: «Off the Wall» marca a separação do estilo «Jackson 5». É a partir daí q
ue deixa de ser uma estrela para passar a brilhar num firmamento que poucos alcançaram. A lenda começava. Eu era fã!

Agradeço à Jessica Lobo ter-me cedido este espaço nesta ocasião especial.


José Luís Correia
publicado in Contacto (01.07.2009) na rubrica musical Expresso Musical de Jessica Lobo e no blogue do mesmo nome


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson (1958-2009) - In Memoriam




O rei da música pop, Michael Jackson, morreu às 12h47 desta quinta-feira (hora de Los Angeles), vítima de uma paragem cardio-respiratória, começaram a relatar os sites de notícias e canais de televisão norte-americanos pouco antes da meia-noite (hora do Luxemburgo).

O cantor Michael Jackson, de 50 anos, morreu há duas horas, após ter dado entrada nas urgências de um hospital de Los Angeles, na Califórnia, em paragem cardíaca às 12h21, de quinta-feira, 25 de Junho. A sua morte oficial foi anunciada 26 minutos depois.

O cantor norte-americano recebeu reanimação cardio-respiratória antes de ser transportado para o hospital, ao início da tarde (noite no Luxemburgo), e não respirava quando deu entrada nos serviços de urgência.

Assim que a notícia se soube espalhou-se primeiro via internet. Apenas alguns canais de televisão na Europa dedicaram um bloco especial para divulgar a notícia, como a Sic, em Portugal, ou a BBC, no Reino Unido. Os canais franceses e alemães, devido à hora tardia (mais uma hora do que em Portugal e na Inglaterra) não mudaram a sua programação.

O jornal Público mudou in extremis a sua primeira página e a manchete de amanhã será "A pop perdeu o seu rei", dedicando duas páginas ao artista que mais marcou a música nos anos 80 e contava já com 45 anos de carreira.

A notícia tem vindo a chocar o mundo inteiro, já que o artista preparava uma digressão de 50 concertos ("This is it Tour") para breve e um come-back há muito esperado pelos milhares de fãs.

Uma multidão crescente, formada inicialmente por fãs, concentrou-se às portas do hospital onde morreu Michael Jackson.

Os fãs começaram a chegar ao Hospital da Universidade da Califórnia assim que souberam que o cantor tinha entrado na unidade com uma paragem cardio-respiratória.

A morte de Jackson foi também chorada na Times Square, em Nova Iorque.

Os serviços de emergência receberam uma chamada às 21h26 (hora do Luxemburgo) alertando para a necessidade de uma ambulância para a residência do artista, em Holmby Hills, em Los Angeles.

Michael Jackson já não respirava quando chegou a equipa médica, tendo entrado no hospital em coma profundo, segundo o jornal Los Angeles Times, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.


PERFIL DO REI DA POP


Michael Jackson, génio da música pop que faleceu esta quinta-feira na sequência de um ataque cardíaco, num hospital de Los Angeles, Estados Unidos, era uma das estrelas do mundo da música mais adoradas e mais controversas.

Depois de ter praticamente desaparecido em 2005 por causa do julgamento em que era acusado de ter abusado sexualmente de uma adolescente, apesar de ter sido absolvido, o cantor cinquentenário tinha anunciado em Março o seu regresso aos palcos, num concerto em Londres, no Verão.

No fim de Maio, os organizadores anunciaram que os concertos de Julho tinham sido adiados alguns dias, assegurando, no entanto, que isso "nada tem que ver com a saúde" do cantor.

Dotado de uma voz inconfundível, Jackson actuou pela primeira vez em palco com os irmãos aos 5 anos de idade, em 1963, era um exímio bailarino e aos 10 anos o seu talento era reconhecido, tendo mais tarde conquistado o estatuto de estrela mundial.

No entanto, desde os anos 1980 que o enigmático Michael Jackson mostrava sinais físicos e comportamentais estranhos, pelo que, além de ser um fenómeno musical, o cantor passa a ser também um fenómeno humano.

Michael Jackson nasceu a 29 de Agosto de 1958 numa família negra de origem pobre, em Gary, no estado do Indiana, no norte dos Estados Unidos.

O seu pai era mineiro e a mãe trabalhava numa revista. O casal tinha nove filhos.

Em 1979, o produtor Quincy Jones supervisiona o seu primeiro disco a solo, "Off the Wall", em que participa Stevie Wonder e Paul McCartney, um disco que continuava a ter sucesso mesmo depois de 15 anos.

Michael Jackson bateu o recorde mundial de vendas com o seu álbum "Thriller", em 1982, com mais de 50 milhões de exemplares vendidos. Graças ao primeiro single do disco, "Billie Jean", em que torna famoso o "moonwalk", Michael Jackson torna-se o primeiro afro-americano a passar na MTV. Seguem-se outros dois sucessos musicais: "Bad" (1987) e "Dangerous" (1991).

É nesta altura que o físico do cantor começa também a transforma-se, com a sua pele a ficar cada vez mais clara e o seu nariz cada vez mais fino.

No entanto, Jackson nega qualquer cirurgia, explicando a brancura da sua pele com a sua doença, vitiligo.

Michael Jackson transforma um rancho californiano em residência e parque de atracções a que deu o nome de "Neverland", em homenagem ao seu ídolo, Peter Pan, a criança que não se torna adulta.

Em 1993, esta imagem excêntrica passa para segundo plano quando vem a público uma denúncia de um jovem de 13 anos que afirma ter sido vítima de abuso sexual por Jackson.

O cantor foi considerado inocente e recebeu uma indemnização de cerca de 23,3 milhões de dólares, uma quantia pouco significativa em relação à sua fortuna estimada em cerca de 600 milhões de dólares.

Em 1994, Michael Jackson casa com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie Presley, o que foi uma surpresa.

No ano seguinte é editado "HIStory", um disco anunciado como o regresso da estrela da pop mas que se revelou um fracasso.

Jackson e Lisa Presley divorciam-se e, em 1996, o cantor volta a casar com Debbie Rowe, enfermeira australiana com a qual teve dois filhos, Prince Michael Jr e Paris Michael Katherine, divorciando-se novamente em 1999.

Em 2002, nasce o seu terceiro filho, Prince Michael II.

O álbum "Invincible", que sai em Outubro de 2001, revela-se também um sucesso.

Em 2003, num documentário britânico, o cantor afirma que gostava de dormir com rapazes jovens, com "toda a inocência", um escândalo que mancha a sua imagem, mesmo com a sua absolvição em Junho de 2005 pela acusação de abuso sexual de menores.

Entretanto, a fortuna da estrela musical emagrece em 2006, altura em Michael Jackson oferece à Sony a oportunidade de comprar metade do seu catálogo musical para pagar uma dívida de cerca de 170 milhões de dólares.

Depois desta desgraça financeira, Jackson tinha conseguido recentemente a anulação da venda dos seus objectos pessoais que devia ser organizada pela leiloeira Julien's, na Califórnia.

Michael Jackson tinha anunciado que estava a trabalhar num novo álbum que não chegou a materializar-se.


...Eu era fã.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

horas mândrias

horas mândrias

férias, D-7
mais um dossier, mais um mail, mais um frete
mil papéis, mil babéis,
na minha secretária se amontoam,
me atordoam

Nestas horas vespertinas
seduzem-me as nuvens anilinas
lambo a vidraça do meu
aquário côncavo, anatemático,
observo o mundo a acontecer lá fora, sorumbático
resta-me apenas riscar o muro do meu escritório
frustrante, castrante, exíguo consistório

Eu quero é sábados
feriados

eu quero é férias
um exílio, nem que seja nas sortérias
quero um fim-de-semana de nove dias
sem correrias nem atrofias
o que eu quero são dez anos sabáticos

estáticos, socráticos
numa ilha perdida, cândida
da nova zelândia

Weytjens 13.06.09

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Jornal Contacto na blogosfera, internet e twitter


O jornal semanário Contacto, o primeiro jornal de língua portuguesa no Luxemburgo já está na blogosfera

http://semanariocontacto.blogspot.com/


O CONTACTO fornece ainda notícias curtas e informações breves no Twitter 24/24h:
http://twitter.com/JornalContacto


O site (em construção):
www.jornal-contacto.lu




Contacto no TWITTER

A partir de hoje o jornal Contacto está no Twitter

http://twitter.com/JornalContacto

Notícias curtas e informações breves do Luxemburgo em contínuo 24/24h. Basta inscrever-se e ser seguidor.


Dia de Portugal no Luxemburgo

No próximo fim-de-semana
10 de Junho comemorado em Kockelscheuer e na capital

No próximo fim-de-semana, 6 e 7 de Junho, decorrem no Luxemburgo as comemorações do 10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Este ano, o Centro de Apoio Social e Associativo (CASA), a que se associaram um grande número de associações e ranchos, decidiu festejar a efeméride no parque de Kockelscheuer e na place d'Armes, na cidade do Luxemburgo.
No sábado, em Kockelscheuer, a animação começa a partir das 14h com a actuação dos grupos de dança Estrelas Lusas, Love Dance e 100 % Tugas, os conjuntos Amigos das Concertinas, Grupo Etnográfico da Casa do Pessoal dos Hospitais da Universidade de Coimbra e Grupo da Região de Lafões, além dos artistas Carlos Santos e Carlos Daniel. A cerimónia de abertura está marcada para as 18h30. A partir das 19h30, há baile abrilhantado pelo conjunto musical Toc-Toc.
Nesse mesmo dia, os Antigos Alunos da Tuna Académica de Coimbra actuam na place d'Armes, na capital, às 14h.

Domingo, em Kockelscheuer, o dia começa com actividades desportivas: um concurso de pesca, às 7h, seguindo-se pelas 9h, uma corrida dos 5 mil metros. A animação musical volta a ser assegurada pelos Toc-Toc, a partir das 9h30, estando prevista a actuação dos Bombos de Differdange por volta das 14h e uma tarde de folclore com o Grupo da Região de Lafões, Grupo Etnográfico da Casa do Pessoal dos Hospitais da Universidade de Coimbra e os ranchos Aldeias de Portugal, Os Lusíadas, Mocidade Portuguesa, Grupo Etnográfico do Alto Minho, Luso-Luxemburguês, Ranchos de Remich, de Gilsdorf e da Nazaré. Os Love Dance e os Antigos Alunos da Tuna Académica de Coimbra que voltam a actuar cerca das 18h.

Ainda no domingo, a place d'Armes, na capital, volta a acolher um grupo português, desta feita, o Grupo Etnográfico da Casa do Pessoal dos Hospitais da Universidade de Coimbra, que actuam às 13h30.
A nível oficial e para comemorar o Dia de Portugal, o embaixador José Pessanha Viegas, organiza na quarta-feira, 10 de Junho, às 18h, uma recepção para a qual estão convidados representantes do movimento associativo português e da comunidade lusa no Grão-Ducado. A recepção decorre na residência do Embaixada, no n°11, rue des Foyers, na capital.

JLC
, in Contacto, 3 de Junho de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Legitimidade democrática adiada

Legitimidade democrática adiada

Domingo têm lugar as eleições europeias nos 27 estados-membros da União Europeia, e no Luxemburgo decorrem, simultaneamente, eleições legislativas.
Os estrangeiros que residem há mais de dois anos no Grão-Ducado, podem votar nos candidatos do seu país de origem, na representação diplomática respectiva ou, se assim tiverem optado, nos seis candidatos luxemburgueses para o Parlamento Europeu, caso se tenham inscrito nos cadernos eleitorais até final de Março.
Para o parlamento nacional a história já é outra. Apenas 54 % dos habitantes do país podem votar, i.e., os que possuem a nacionalidade luxemburguesa.
Como todos os parlamentos de estados democráticos, também a Câmara dos Deputados luxemburguesa deve representar os cidadãos. Todos os cidadãos. Numa democracia esse mesmo parlamento deve exprimir a vontade colectiva dos cidadãos. De todos os cidadãos. Mas se no Grão-Ducado apenas uma parte da população – ligeiramente mais do que metade – vota para eleger o Parlamento e o Governo, concluo que há uns que são mais cidadãos do que outros.
Alguns defendem que é legítimo que esse direito esteja apenas nas mãos dos nacionais, caso contrário a soberania do país poderia um dia ser posta em causa por “interesses estrangeiros”. Nesta Europa das Nações em plena construção, questiono-me sobre esse patriotismo serôdio. Porque até nesta paranóia, há dois pesos e duas medidas.
Será que os recrutas estrangeiros que o exército grão-ducal não hesita em seduzir para as suas fileiras (para alistar-se basta ser europeu e residir no Luxemburgo há três anos!) não constituem uma ameaça potencialmente maior do que... um boletim de voto numa urna?
Em Portugal, ainda não há muito tempo, bastou um grupo de jovens capitães para levar a cabo um golpe de Estado...
Desculpem, não queria agudizar o estado febril dos nacionalistas "paranoicozinhos"!
Mas aproveito para recordar que soberania não significa apenas o direito de um povo à auto-determinação e a se auto-governar, mas de forma mais abrangente, como a definia Rousseau, esta deve ser exercida pela “vontade geral”, ou seja, por todos os membros da sociedade ou pelos seus representantes. Caso contrário, é a legitimidade democrática do poder eleito que está em causa. A democracia é o poder (krátos) do povo (dêmos), entenda-se “o poder eleito pelo povo”.
No Luxemburgo, uma das perguntas que me coloco é, quem e, sobretudo, quantos elegem o poder? Uma outra questão: uma democracia não devia prever privilégios ou exclusões, pois não?, sobretudo quando o que está em causa é o acto democrático, ele próprio.
A dupla nacionalidade reivindicada por muitos residentes estrangeiros desde os anos 90, foi anunciada como prioridade, no início desta década, pelo primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker. O desígnio era “fazer participar o maior número”. Um maior número que daria ao Governo e ao Parlamento luxemburguês a tal legitimidade democrática de que carece. A dupla nacionalidade foi uma das soluções avançadas para alcançar essa legitimidade.
Depois de ter sido tema eleitoral nas legislativas de 2004, prometida pelo Governo para 2006, após mil hesitações, atrasos e adiamentos, a dupla nacionalidade viria finalmente a ser aprovada em Outubro de 2008 e a entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2009.
Infelizmente, e por mais expeditos e céleres que fossem a partir dessa data os requerentes à naturalização ao abrigo das novas condições, (sem terem que abdicar da nacionalidade de origem), temo que poucos ou nenhuns tenham ido a tempo de serem luxemburgueses de pleno direito, para poderem participar nas eleições de domingo.
A não ser que essas tergiversações tenham sido deliberadas.
Estes “novos” luxemburgueses vão assim poder apenas votar nas próximas legislativas, em 2014. Terão assim mais cinco
anos
para provar a sua lealdade ao leão vermelho, depois dos sete que a lei já lhes exige para poderem pedir a dupla nacionalidade. Será que um estágio de mais de 12 anos de “luxemburguesidade” tranquilizará até o mais conservador e patriota dos autóctones?

José Luís Correia, in Contacto, 3 de Junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Revista "Retrovirology": Portugal é principal exportador de vírus da sida para o Luxemburgo

Estudo científico publicado na revista "Retrovirology" revela
Portugal é principal exportador de vírus da sida para o Luxemburgo

Um estudo científico, publicado na revista "Retrovirology" a 20 de Maio e divulgado pelos jornais Público e i, revela que Portugal é o principal exportador do vírus da sida para o Luxemburgo.

O Luxemburgo surge no estudo como o país com maior incidência de infecções por via externa. Os investigadores sugerem que a taxa de incidência no país estará directamente relacionada com a grande percentagem da população de origem portuguesa radicada no pais.

O coordenador nacional da infecção HIV/Sida em Portugal, Henrique Barros, alertou para a mistura de "conceitos perigosos" nesse estudo. Em declarações à agência Lusa, o epidemiologista Henrique Barros afirmou que no estudo se misturam "conceitos perigosos de migração do vírus com o conceito tradicional de migração de pessoas". "Fazem-se algumas inferências na discussão que podem ser mal interpretadas porque dá a ideia de que os imigrantes é que são responsáveis pela transferência da infecção. Ao mesmo tempo diz-se que são países que têm muitos viajantes, muitos turistas, e pode haver aqui uma espécie de mistura que, obviamente, não é fácil de mostrar". Henrique Barros ressalvou que a infecção por HIV é muito prevalente em Portugal e é "aceitável que haja esses cruzamentos". "As pessoas movimentam-se e os vírus movem-se com as pessoas, mas todas estas técnicas laboratoriais e estatísticas são extremamente complexas e muito falíveis. Não se pode tirar daqui ilações de natureza de política de saúde", avisou.

Para o responsável, o próprio artigo tem algumas cautelas, afirmando que "não se pode inferir as vias migratórias através destas análises de filogenia". Para Henrique Barros isso "são técnicas extremamente complexas, de difícil análise e muito sujeitas a erros variados".

Henrique Barros manifestou-se ainda preocupado com o impacto que o estudo poderá ter. "Preocupa-me especialmente se começamos a imaginar que são os turistas, as pessoas que viajam ou os imigrantes que andam a propagar o vírus", quando é um problema de educação e de medidas de preparação adequadas, sustentou.

Entrevistado pelo Público, Ricardo Camacho, virologista da Universidade Nova de Lisboa e co-autor do estudo, dizia que "a transmissão de Portugal para o Luxemburgo é o que menos me surpreende, tendo em conta o tamanho da comunidade portuguesa no Luxemburgo".

"Já sabíamos há muito tempo que era assim", salienta. "Houve um ano desta década em que 86 % das pessoas diagnosticadas como seropositivas no Luxemburgo eram portugueses", disse Camacho ao Público.

Esse ano foi 2004. Jean-Claude Schmit, responsável pelo departamento de doenças infecto-contagiosas do Centro Hospitalar do Luxemburgo (CHL), declarava ao CONTACTO que os novos infectados portugueses no Grão-Ducado eram, na sua maioria, homens entre os 30 e os 40 anos, recém-chegados ao país. A maioria das transmissões do vírus verificadas nessa altura davam-se junto de toxicodependentes, mas também em relações heterosexuais.

Até à hora do fecho desta edição não foi possível contactar o responsável pelo departamento de doenças infecto-contagiosas do CHL para que este responsável comentasse o estudo. Desde 2004 e sempre que foram divulgadas novos dados de infectados no Luxemburgo, aquele responsável confiou ao CONTACTO que era necessário "não estigmatizar a comunidade portuguesa, já que a doença não afectava apenas os portugueses, mas também os autóctones e outras nacionalidades".

O estudo da "Retrovirology" partiu de uma análise filogenética molecular, que permite detectar a evolução do vírus conforme se vai mutando por transferência ou dentro do próprio organismo. Do projecto, patrocinado pela Comissão Europeia, resulta uma cartografia com os principais caminhos de propagação do subtipo B do HIV-1, o mais comum no espaço europeu, em 17 países da UE e Israel.

JLC/com agências , in Contacto, 27 de Maio de 2009

Schrassig e Givenich: Portugueses são 8,7 % dos reclusos

Centros Penitenciários de Schrassig e Givenich
Portugueses são 8,7 % dos reclusos no país

Segundo o Ministério da Justiça, em Setembro estavam presos 59 portugueses, mas estes dados não incluem os reclusos que sendo de origem portuguesa têm nacionalidade luxemburguesa Foto: Anouk AntonyOs portugueses constituem 8,7 % do total dos 674 reclusos nos centros penitenciários do Grão-Ducado e 12,6 % dos 470 detidos de origem estrangeira. Entre Janeiro e Setembro de 2008 voltaram a aumentar. No início do ano passado estavam presos 55 portugueses e oito meses depois eram já 59. A maioria foi condenada por ligação ao mundo da droga.
Com base nestes números, os portugueses continuam a ser a nacionalidade mais representada entre os 470 reclusos estrangeiros detidos nos centros penitenciários de Schrassig e Givenich, segundo o relatório 2008 do Ministério da Justiça, datado de Março, mas só agora divulgado.
A maioria destes portugueses, 34 detidos, o que representa cerca de 57 % do total, cumprem pena pela sua ligação ao mundo da toxicodependência e ao tráfico de estupefacientes, cinco foram condenados por violação ou atentados ao pudor, quatro por crimes de sangue, quatro por roubo, três por roubo envolvendo violência, três por agressão e ferimentos, dois por uso de documentos falsos, um por sequestro, outro por destruição de propriedade privada, um estava a cumprir uma pena disciplinar e outro ainda aguardava ordem de expulsão.
Mas os detidos de origem lusa são até ligeiramente mais do que estes números revelam. É que estes dados não incluem os reclusos que sendo de origem portuguesa têm nacionalidade luxemburguesa.
A título de exemplo, no início de 2008 e segundo dados do Centro Penitenciário de Schrassig e do Centro de Apoio Social e Associativo (CASA) – que efectua visitas regulares aos reclusos portugueses –, havia cerca de 80 detidos lusos ou de origem portuguesa, quando os dados oficiais do Ministério da Justiça luxemburguês contabilizavam 55 nos dois centros.
Os luxemburgueses permanecem, no entanto, a nacionalidade mais representada, se for considerada a totalidade dos reclusos. Em Setembro de 2008 estavam detidos nestes dois centros penitenciários 674 reclusos, dos quais 204 eram luxemburgueses (oito meses antes, o número ascendia a 207).
No conjunto dos dois centros penitenciários havia em Setembro 470 reclusos estrangeiros, dos quais 74 oriundos do continente africano (entre os quais 22 cabo-verdianos, segundos dados do CASA, de Abril de 2008), 34 eram franceses e 16 italianos.
Em Schrassig estão detidos 570 homens e 27 mulheres, enquanto no Centro Penitenciário de Givenich 78 homens cumpriam pena em regime semi-aberto.
Se é verdade que o número de reclusos portugueses aumentou, o número total de detidos diminuiu de 762 para 674 entre Janeiro e Setembro de 2008, ainda segundo o relatório do Ministério da Justiça.
É a primeira vez que se regista um recuo do número de reclusos nos últimos seis anos por causa da aplicaçâo de um memor número de "detenções preventivas, que passaram nesse período de 369 para 253", segundo Jérôme Wallendorf, relator do documento e delegado do procurador de Estado, responsável para o regime penitenciário.
Apesar deste recuo, em 2008 a tendência voltou a inverter-se e o número dos detidos preventivos voltou a aumentar entre Setembro e Março e 300 detidos aguardam actualmente julgamento.

Cristina Casimiro e José Luís Correia, in Contacto, 3 de Junho de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Luxemburgo: Portugueses aderem a manif de 16 de Maio

Contra a crise

Luxemburgo: Portugueses aderem a manifestação

Os portugueses desempregados no Luxemburgo, que representam actualmente 30 por cento dos desempregados naquele país, vão participar sábado numa manifestação nacional contra a crise económica.

O Luxemburgo tem 480 mil habitantes e conta com 14 mil desempregados, dos quais 30 por cento são portugueses, afirma Eduardo Dias, membro do Conselho das Comunidades Portuguesas (CPP) e líder sindical no Luxemburgo, acrescentando que a comunidade portuguesa é a mais afectada pela crise económica naquele país.

Eduardo Dias referiu ainda que actualmente há 80 mil portugueses residentes no país dos quais 35 mil são trabalhadores activos.

A manifestação de sábado servirá para protestar contra a crise financeira, confrontar as organizações patronais e exigir junto dos partidos políticos um compromisso para lutar contra os efeitos da crise financeira no país.

Correio da Manhã
, 15.05.2009

Polémica: Astrid Lulling critica Edite Estrela

UE: por causa da nova lei de maternidade

Polémica: Astrid Lulling critica Edite Estrela

O alargamento da licença de parto na União Europeia (UE) esteve dia 6 de Maio na origem de uma controvérsia entre a eurodeputada socialista portuguesa Edite Estrela (PS) e a eurodeputada luxemburguesa Astrid Lulling, do Partido Popular Europeu (PPE, e em representação do Partido Cristão-Social luxemburguês, CSV).

Quando o Parlamento Europeu (PE), reunido em Estrasburgo, se preparava para votar o relatório sobre esta matéria apresentado por Edite Estrela, Astrid Lulling propôs que o documento voltasse a ser discutido em comissão parlamentar antes de ser sujeito a votação do hemiciclo, tendo a sua proposta sido aprovada com 347 votos a favor, 256 contra e 10 abstenções. Edite Estrela lamentou a decisão da maioria de direita no PE, considerando-a "retrógrada". "Houve aqui uma posição muito conservadora, inaceitável, e lamento que o Grupo Liberal tivesse ido atrás da proposta da senhora Lulling e que tudo tenha de voltar à estaca zero", afirmou Edite Estrela à saída da votação.

A actual líder da delegação do PS no PE sublinhou que a lei actual "tem 17 anos, está obsoleta, desactualizada", e a posição adoptada pelo PE representa "aguentar" mais uma série de anos "sem se alterar a legislação".

Ao CONTACTO, Astrid Lulling explicou a sua decisão de adiar a votação do relatório de Edite Estrela.

"O documento é tudo menos coerente, contém 89 emendas contraditórias e ultrapassa largamente o assunto. O que se pretendia da senhora Estrela era que ela fizesse um relatório sobre a reforma da directiva", explicou a eurodeputada luxemburguesa, lamentando que Edite Estrela tivesse aproveitado este relatório para introduzir items que não têm nada a ver com o assunto.

"O documento continha pontos sobre a licença parental, a licença de paternidade, até sobre a co-maternidade para casais homossexuais. São coisas que serão discutidas no seu devido tempo e se o PE assim o decidir. Um texto legislativo não é uma lista de compras nem de desejos", disse Lulling. Este adiamento faz com que o relatório venha ser votado na próxima legislatura, o que constitui segundo Estrela, um atraso lamentável. Lulling relativiza: "De qualquer forma, a lei não entraria em vigor antes de 2010. Por isso, temos ainda tempo de votar uma lei coerente na matéria e de esta entrar em vigor no próximo ano".

O relatório elaborado pela líder da delegação do PS no PE, vice-presidente da Comissão dos Direitos da Mulher da assembleia, defendia o aumento do prazo mínimo de licença da maternidade das actuais 14 para 20 semanas (a Comissão Europeia propunha 18) e uma licença de paternidade vinculativa de duas semanas, entre outras alterações à actual legislação comunitária.

José Luís Correia
in Contacto, 13.05.2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Agência Lusa: Luxemburgo: Anuladas buscas em jornal português, jornalista ouvido sexta-feira em tribunal

Luxemburgo: Anuladas buscas em jornal português, jornalista ouvido sexta-feira em tribunal

Lisboa, 14 Mai (Lusa) - As buscas realizadas pela polícia na redacção do Contacto, semanário português do Luxemburgo, foram anuladas, mas um dos jornalistas irá sexta-feira a tribunal devido a duas queixas que foram apresentadas, disse hoje à Lusa fonte do jornal.

"As buscas foram anuladas na segunda-feira pelo mesmo juiz de instrução que permitiu que estas fossem realizadas e, neste mesmo dia à tarde, um agente da polícia judiciária veio devolver o material que havia sido apreendido, mas entretanto, não sabemos se foi feito alguma cópia deste material", disse à Agência Lusa o chefe de redacção do jornal Contacto, José Luís Correia.

Dois polícias, acompanhados por um técnico em informática, estiveram na quinta-feira passada na redacção do Contacto, de onde levaram um bloco com notas de reportagem e o ficheiro de um computador.

Segundo José Luís Correia, inicialmente os dois agentes informaram que o Contacto tinha violado a Lei de Imprensa ao divulgar nomes de dois menores numa reportagem publicada em Dezembro, relativamente aos casos de uma rapariga e um rapaz retirados à respectivas famílias e colocados num internato.

"Nós pedimos a intervenção do conselho de imprensa, que é o órgão regulador dos jornalistas aqui no Luxemburgo e eles intervieram na sexta-feira passada junto do Procurador do Estado e junto do Ministério da Justiça sobre a ilegalidade das buscas", referiu o chefe de redacção.

"Entre quinta e segunda-feira houve uma grande mobilização da opinião pública, a nível europeu houve uma reacção dos Repórteres Sem Fronteiras, houve uma reacção da Federação Internacional dos Jornalistas. Não sei se foi pela pressão da opinião pública ou dos seus superiores o que levou o juiz de instrução a anular as buscas", disse.

Segundo José Luís Correia, o jornalista Domingos Martins - que escreveu a reportagem - vai apresentar-se ao tribunal na sexta-feira, pois ainda há duas queixas sobre o caso.

As queixas são do assistente social envolvido no caso - por alegada "difamação e calúnia" - e outra, que ainda não ficou claro por quem foi interposta, por violar a Lei de Imprensa ao divulgar nomes de dois menores.

"Ainda iremos decidir se vamos exigir que as responsabilidades sejam apuradas sobre a busca ilegal que ocorreu na nossa redacção", disse José Luís Correia.

O chefe de redacção disse à Lusa que esta acção da polícia luxemburguesa, além de pôr em causa a protecção das fontes, é "desproporcionada" face à reportagem em causa.

O chefe de redacção do Contacto alegou que a lei de imprensa luxemburguesa proíbe buscas em redacções e no domicílio dos jornalistas, excepto em caso de tráfico de estupefacientes, terrorismo, branqueamento de dinheiro ou risco para a segurança do Estado, assuntos que nada têm a ver com a reportagem.

in Lusa

Leitartikel Contacto: Jornalismo amordaçado

Jornalismo amordaçado

A 17 de Dezembro, o CONTACTO publicava uma reportagem contando a história de dois menores portugueses que haviam sido retirados à custódia dos pais. Estes últimos confiavam-nos a sua indignação com uma decisão de justiça que consideravam injusta e tinha devastado as suas vidas e a dos seus filhos.

Contámos apenas dois casos, embora saibamos que muitos mais existam, mas que os familiares se calam por medo ou por desconhecerem como podem lutar pelos seus direitos.

Foi esta reportagem – que nos mereceu os mais rasgados elogios por parte de muitos leitores e da qual nos sentimos extremamente orgulhosos – que suscitou duas queixas: uma por difamação e calúnia por parte do assistente social mencionado na reportagem; outra, do Ministério Público por termos revelado a identidade do menor, o que a lei da imprensa proíbe, no art°18. Se decidimos avançar com a publicação da mesma foi por considerarmos que esta era uma questão de sociedade que tocava a comunidade portuguesa e porque ao abrigo do art°19 dessa mesma lei, é permitido revelar a identidade do menor "quando isso é feito no interesse do menor e com o consentimento dos pais". Era esse o caso. O jornalista fez assim o seu trabalho no respeito pela lei e de acordo com a sua consciência e honestidade intelectual.

Mas independentemente das queixas, que devem ser discutidas em sede própria – no Tribunal –, o que denunciamos de forma veemente são as buscas ilegais e a apreensão de material jornalístico, inadmissíveis numa democracia, efectuadas pela Polícia Judiciária nas instalações do CONTACTO na mais pura ilegalidade e com manifesta desproporção de meios, como se com criminosos estivesse a lidar.

Afinal o Luxemburgo é um Estado de Direito ou alguma república bananeira disfarçada de país? Como pode um juiz emitir um mandado que sabe – ou devia saber – ser ilegal e violar uma das pedras angulares da lei da imprensa, a da protecção das fontes, consagrada não só pela legislação luxemburguesa como pela Convenção dos Direitos do Homem, e sem a qual trabalho jornalístico algum seria possível? Tudo isso foi aqui violado quinta-feira pela polícia.

A lei luxemburguesa proíbe buscas nas redacções ou no domícilio do jornalista, excepto em caso de crimes graves contra as pessoas, terrorismo, tráfico de droga, branqueamento de capitais ou ameaça à segurança do Estado. A nossa reportagem não configurava nenhuma das excepções previstas na lei. E o que não está na lei, está forçosamente fora dela.

O que levou então um juiz a emitir um mandado deste teor e a enviar três agentes da polícia (incluindo um perito em informática) ao nosso jornal? O que procuravam quando confiscaram o bloco-notas do jornalista e enfiaram, à nossa revelia, um stick USB num dos computadores da Redacção, alegadamente para descarregar o dito artigo em formato digital? Aparentemente, nada.

É que as informações que constavam dos documentos apreendidos – como o nome dos entrevistados, o que disseram ao jornalista, etc. –, foram publicados na reportagem, como a própria polícia admitiu segunda-feira ao devolver o material apreendido. Sim, porque, por iniciativa própria ou por pressão da opinião pública – recorde-se que o procurador de Estado foi entretanto instado a explicar-se ao Conselho de Imprensa –, o mesmo juiz que assinara o mandado anulou-o três dias depois.

A pergunta permanece: o que pretendia os agentes da polícia judiciária? Teria procedido da mesma forma se a queixa não viesse de um assistente social que trabalha lado a lado com o Tribunal de Menores e é pois próximo da administração judicial? Tratou-se de um faux pas , de uma tentativa de intimidação, ou pior, da incompetência de um juiz que desconhece a lei?

Mais do que tudo isto, coloca-se a questão da missão do jornalista se num Estado de Direito o trabalho de um funcionário estatal ou da justiça deixa de poder ser questionado pelos jornalistas. A imprensa é um dos pilares fundamentais da democracia, o seu “cão de guarda”, como preconiza o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Mas até que ponto isso é verdade no Luxemburgo?

O artigo de opinião que denunciava o “jornalismo-conferências de imprensa” praticado no Grão-Ducado, publicado na página 3 na nossa edição da semana passada, era estranhamente premonitório. As buscas de quinta-feira, as queixas do assistente social e do Ministério Público mostram que, neste país, todo o jornalista que, por idealismo ou imprudência, ouse afastar-se do perímetro protegido das conferências de imprensa ou da verdade anunciada por comunicado interposto, arrisca-se a sarilhos, enquanto outros levam uma vidinha sossegada e pacata de repórter-relator dos poderosos. Para nós, estas duas definições estão em contradição. Pelo menos, na nossa concepção do jornalismo.

As buscas ilegais perpetradas pela polícia ao CONTACTO, as queixas dirigidas contra nós deixam-nos indignados e revoltados. Mas não amordaçados.

José Luís Correia
in
Contacto de 13.05.2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

Journalisme muselé: première page du CONTACTO de demain



Primeira página do jornal CONTACTO de amanhã
Première page du journal Contacto de demain
Tomorrow's Contacto first page

Jornal Público: Anuladas buscas feitas em jornal português no Luxemburgo

Anuladas buscas feitas em jornal português no Luxemburgo

12.05.2009, Ana Cristina Pereira, jornal Público

As autoridades luxemburguesas voltaram atrás no caso que envolve o Contacto, o maior jornal de língua portuguesa no Luxemburgo. "O juiz mandou anular o mandado de buscas [executado na quinta-feira] e pediu aos polícias para devolverem o material apreendido: o bloco de notas, o CD-Rom e o ficheiro [digital]", revelou o chefe de redacção, José Luís Correia.
Na origem da polémica está uma reportagem publicada a 17 de Dezembro. Nela o jornalista Domingos Martins relata a história de um rapaz de 16 anos e a história de uma rapariga agora com 18 anos, ambos retirados aos familiares e internados em instituições belgas.
O Ministério Público acusa o semanário de identificar o rapaz. Contra o jornal há também uma queixa de difamação apresentada por um assistente social.
O Conselho de Imprensa e a organização Repórteres sem Fronteiras reagiram de imediato ao mandado. Um fala em abuso à liberdade de imprensa. A outra questiona "a desproporção dos meios empregues". Confiscar o material de reportagem parece-lhe "totalmente inaceitável".

Ler o artigo aqui

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Buscas ilegais no jornal Contacto: posição da CCPL

Aos jornalistas do Jornal "Contacto"

Caros amigos,

Pelo presente gostaria de vos expressar a minha solidariedade pelo acto de que foram vitimas.

O combate que juntos temos travado, só prova que queremos uma sociedade mais justa, mas alguns teimam em utilizar o poder e a força para subjugarem os que eles pensam mais desprotegidos.
Felizmente que ainda existem "Homens" que de forma desinteressada e com muita coragem, protegem aqueles que infelizmente tiveram o azar (ou a sorte) de terem nascido noutras paragens, ou foram menos bafejados pela sorte. Os cidadãos deste país devem ser tratados de igual forma, e as leis respeitadas sem preferências nem atropelos.

O trabalho notável feito pela equipa do Jornal "Contacto", merece mais respeito e gratidão, quer pela comunidade portuguesa, quer pelo país de acolhimento, pois sem este contributo, nada estaria igual.

Estes actos só provam a necessidade de uma maior participação no processo democrático, e de uma mobilização na defesa dos interesses dos nossos concidadãos.

Em meu nome pessoal e na minha qualidade de dirigente associativo, a minha incondicional solidariedade, e espero que justiça seja feita, para que actos destes deixem de ser praticados em sociedades democráticas.

Um abraço para todos,

José Antonio Coimbra de Matos
presidente da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo
9 de Maio de 2009

Buscas ilegais no jornal CONTACTO: posição do conselheiro CCP do Luxemburgo

A todos os jornalistas e colaboradores do Jornal “Contacto”

Enquanto Conselheiro da Comunidade Portuguesa do Luxemburgo, quero exprimir a minha total solidariedade com os jornalistas e colaboradores deste jornal que, quotidianamente, fazem um trabalho notável com o objectivo de informarem e formarem a comunidade portuguesa residente no Luxemburgo.
As buscas efectuadas não são dignas de um país que proclama o princípio da Liberdade de Imprensa.
Os jornalistas só podem efectuar correctamente o seu trabalho se estiverem protegidos, bem como as suas fontes, contra acções policiais ou outras que ponham em causa o direito à investigação e à informação.

Estas buscas são a prova de que as liberdades fundamentais têm que ser afirmada e defendidas todos os dias.

Comunicado de
Eduardo Dias

Conselheiro CCP
9 de Maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009

Quellenschutz ade? Angriff auf die Pressefreiheit!

Pressemitteilung / Syndicat des journalistes – Luxembourg
Quellenschutz ade? Angriff auf die Pressefreiheit!

Der Syndicat des journalistes – Luxembourg verurteilt auf Schärfste die Durchsuchung der Redaktionsräume der portugiesischen Wochenzeitung contacto am vergangenen Donnerstag durch die Kriminalpolizei. Wie es scheint, kennt der Untersuchungsrichter, der den Durchsuchungsbefehl erteilt hat, das Presserecht nicht: Die Hausdurchsuchung und die daraus resultierende Beschlagnahmung redaktioneller Notizen und digitaler Dokumente stellt einen nicht zu tolerierenden Angriff auf den Quellenschutz und somit auf die Pressefreiheit dar.

Hintergrund des untersuchungsrichterlichen Vorgangs ist eine am 17. Dezember im Contacto veröffentlichte Reportage über zwei Sorgerechtsfälle. Ein Sozialassistent hatte unter Berufung auf das Jugendschutzgesetz gegen besagten Zeitungsartikel geklagt.

Der SJ-L erinnert in diesem Zusammenhang seine Mitglieder daran, dass für Journalisten der Quellenschutz gilt. Laut Artikel 7 des Pressegesetzes vom 8. Juni 2004 hat jeder Journalist, jede Journalistin, der oder die durch eine Verwaltungs- oder Justizbehörde im Rahmen eines Verwaltungs- oder Gerichtsverfahrens als Zeuge angehört wird, das Recht, quellenidentifizierende Informationen sowie die Preisgabe von erhaltenen oder gesammelten Informationen zu verweigern. Polizei-, Justiz- oder Verwaltungsbehörden dürfen überdies keine Maßnahmen anordnen oder ergreifen, die darauf abzielen, dieses Recht zu umgehen, insbesondere durch eine Durchsuchung oder Beschlagnahme am Arbeitsplatz oder in der Wohnung des betreffenden Journalisten.

Syndicat des Journalistes - Luxembourg

Ines Kurschat Jean-Claude Wolff

Präsidentin Generalsekretär

08.05.2009

sábado, 9 de maio de 2009

Gilt der Quellenschutz im Pressegesetz nicht mehr?

Gilt der Quellenschutz im Pressegesetz nicht mehr?

Kriminalpolizei Luxemburg amtierte gestern mit Hausdurchsuchungsbefehl in der Contacto-Redaktion

VON JOSEPH LORENT

Als eine große, in internationalen Medienkreisen hoch anerkannte Errungenschaft des Gesetzes vom 8. Juni 2004 über die Freiheit der Meinungsäußerung in den Medien gilt der Quellenschutz für Journalisten.

Zum besseren Verständnis – auch der Gerichtsinstanzen – sei daher Artikel 7 des vorgenannten Gesetzes kurz in Erinnerung gerufen. Im ersten Ansatz heißt es, dass jeder Journalist, der durch eine Verwaltungs- oder Justizbehörde im Rahmen eines Verwaltungs-oder Gerichtsverfahrens als Zeuge angehört wird, das Recht hat, quellenidentifizierende Informationen sowie den Inhalt von Informationen, die er erhalten oder gesammelt hat, zu verweigern. Weiter besagt das Gesetz, dass Polizei-, Justiz- oder Verwaltungsbehörden keine Maßnahmen anordnen oder ergreifen dürfen, die darauf abzielen oder dazu führen, dieses Recht zu umgehen, insbesondere durch eine Durchsuchung oder Beschlagnahme am Arbeitsplatz oder in der Wohnung des betreffenden Journalisten oder von bestimmten anderen Personen.

Zudem bestimmt das Gesetz in Artikel 7.4, dass selbst wenn die quellenidentifizierenden Informationen auf rechtmäßige Weise erlangt wurden, die nicht der Feststellung der Identität einer Quelle zum Gegenstand oder Ziel hatte, diese Informationen nicht als Beweis im Rahmen eines weiteren Gerichtsverfahrens verwendet werden dürfen. Abweichend von den vorgenannten Bestimmungen kann weder der Journalist noch eine andere Person, die durch ihre beruflichen Beziehungen mit einem Journalisten Kenntnis von quellenidentifizierenden Informationen erhalten hat, den Quellenschutz in Anspruch nehmen, wenn die Maßnahme der Polizei-, Justiz- oder Verwaltungsbehörden die Verhütung, Verfolgung und Bestrafung von Verbrechen gegen Personen, von Drogenhandel, Geldwäsche, Terrorismus oder Gefährdung der Staatssicherheit betrifft.

Weiß man um diese demnächst seit fünf Jahren geltenden eindeutigen Gesetzesbestimmungen, dann darf und muss man sich unweigerlich die Frage stellen, wieso es möglich ist, dass gestern Donnerstag gegen 10 Uhr ein Hauptkommissar und ein Kommissar der Kriminalpolizei Luxemburg, begleitet von einem Computerspezialisten der Abteilung „Nouvelles Technologies“, in unserem Verlagsgebäude in Gasperich mit einem untersuchungsrichterlichen Hausdurchsuchungsbefehl in Gasperich vorstellig wurden. Laut Ordonnanz vom 30. März 2009 sollten sie in der Redaktion der in portugiesischer Sprache erscheinenden Wochenzeitung Contacto eine Hausdurchsuchung, Beschlagnahme und Notifizierung vornehmen.

Am Ursprung dieses untersuchungsrichterlichen Intermezzos steht eine am 17. Dezember 2008 imContactoveröffentlichte Reportage über zwei Fälle von Sorgerecht über Kinder. Wegen dieses Artikels hatte am 28. Januar 2009 ein Sozialassistent bei der Staatsanwaltschaft Luxemburg wegen Verstoßes gegen Artikel 38 des Jugendschutzgesetzes vom 10. August 1992 und wegen Verleumdung geklagt. Quellenschutz hin, Quellenschutz her: Nach rund 40 Minuten zogen die Kriminalbeamten von dannen mit dem Notizblock des Journalisten und 18 Seiten redaktionellen Unterlagen, einer Informatikkartei und einer CD mit dem Artikel in Pdf-Format.

Läuft es so im Rechtsstaat Luxemburg?

Luxemburger Wort
, 08.05.2009 (seite 26)

Jornal Público: Polícia invade jornal português no Luxemburgo

Polícia invade jornal português no Luxemburgo
08.05.2009 - 23h01 Ana Cristina Pereira / Jornal Público

A polícia invadiu ontem a redacção do "Contacto", o maior jornal de língua portuguesa no Luxemburgo, e confiscou material relacionado com uma reportagem publicada a 17 de Dezembro sobre menores retirados às famílias e internados em instituições. O Conselho de Imprensa do Luxemburgo está “estupefacto”.

A lei de imprensa luxemburguesa proíbe a identificação de crianças desprotegidas e/ou delinquentes. “A menos que esteja em causa o interesse do menor ou que haja autorização dele ou de um dos pais”, explica José Luís Correia, chefe de redacção do jornal. Ora, o jornalista falou com o rapaz e com o pai.

O Ministério Público acusa o semanário de identificar um menor em risco.

Três polícias entraram com um mandado de busca. O jornalista prontificou-se a tirar fotocópias, mas “eles exigiram o bloco de notas”. José Luís prontificou-se a entregar-lhe um CD-Rom com a versão digital do artigo, mas “um deles enfiou uma USB no computador do jornalista: não sabemos que ficheiros copiou”.

O Conselho de Imprensa fala em “flagrante abuso à liberdade de imprensa e à protecção das fontes”. Os Repórteres sem Fronteiras dizem-se “escandalizados”. Questionam “a desproporção dos meios empregues”. Confiscar o bloco de notas do jornalista parece-lhes “totalmente inaceitável”.


sexta-feira, 8 de maio de 2009

buscas ilegais

Buscas ilegais

Lisboa, 08 Mai (Lusa) - Dois polícias, acompanhados por um técnico em informática, estiveram na quinta-feira na redacção do Contacto, semanário português publicado no Luxemburgo, de onde levaram um bloco com notas de reportagem e o ficheiro de um computador.

Segundo disse à Agência Lusa, em contacto telefónico, o chefe de redacção do jornal, José Correia, inicialmente os dois agentes informaram que o Contacto tinha violado a Lei de Imprensa ao divulgar nomes de dois menores numa reportagem publicada em Dezembro, relativamente aos casos de uma rapariga e um rapaz retirados à respectivas famílias e colocados num internato.

Pediram uma cópia do referido artigo em suporte informático e daí a pouco apresentaram um mandado passado por um juiz para uma busca à redacção e a apreensão do bloco de notas da reportagem.

Já na sala de redacção, o técnico que acompanhava os agentes descarregou para uma "pen" ficheiros do computador do jornalista que fez a reportagem, a quem foi também exigida a entrega do bloco de notas.

José Correia disse à Lusa que esta acção da polícia luxemburguesa, além de pôr em causa a protecção das fontes é "desproporcionada" face à reportagem em causa, de que resultou uma queixa do assistente social envolvido no caso dos dois menores por alegada "difamação e calúnia".

O chefe de redacção do Contacto alegou que a lei de imprensa luxemburguesa proíbe buscas em redacções e no domicílio dos jornalistas, excepto em caso de tráfico de estupefacientes, terrorismo, branqueamento de dinheiro ou risco para a segurança do Estado, assuntos que nada têm a ver com a reportagem em causa.

Na segunda-feira, os advogados do jornal irão solicitar à Justiça a anulação do mandato e a devolução do bloco de notas e dos ficheiros retirados do computador.

"O caso deverá ser objecto de investigação para evitar a sua repetição", afirmou ainda José Correia, considerando que estas actuações da polícia "são raras, senão inéditas" no Luxemburgo e devem ser travadas quanto antes.

Os Repórteres Sem Fronteiras, a Federação Europeia de Jornalistas e três sindicatos luxemburgueses já se solidarizaram com os jornalistas do semanário Contacto e condenaram a acção policial, que atenta contra o direito daqueles profissionais de protegerem as suas fontes.

Reporters Sans Frontières: Perquisition inacceptable au sein de l’hebdomadaire Contacto

Perquisition inacceptable au sein de l’hebdomadaire Contacto

Reporters sans frontières est scandalisée par les perquisitions qui ont eu lieu, le 7 mai 2009, dans les bureaux de l’hebdomadaire Contacto, très populaire auprès de la communauté lusophone à Luxembourg. La perquisition, ordonnée par le juge Christian Scheer, fait suite à une plainte en diffamation déposée le 5 janvier 2009 par Igance Kapitene, assistant social, cité dans un article sur le droit de garde par des personnes interviewées.

« Nous ne contestons pas le droit des personnes citées dans l’article à se défendre et nous ne nous prononçons pas sur le fond du dossier. Nous dénonçons cependant avec la plus grande fermeté la disproportion des moyens employés dans cette affaire. La saisie du carnet de note d’un des journalistes de Contacto est totalement inacceptable. Le cahier contient en effet un ensemble d’informations totalement étrangères à l’affaire, et qui n’ont pas à être communiquées à la justice », a déclaré Reporters sans frontières.

« D’après nos informations, les trois officiers qui procédaient à la perquisition ont réclamé un CD Rom pour graver une version électronique de l’article. Ils ont par ailleurs introduit une clé USB dans l’ordinateur, effectuant au passage la copie de plusieurs fichiers. Au-delà des méthodes contestables employées durant la perquisition, le recours au support informatique était totalement inutile et injustifié, dans la mesure où l’article qui constitue l’objet de la plainte avait déjà été publié dans Contacto. Le support papier, également saisi dans le cadre de la perquisition, suffisait amplement. Les autres démarches dépassent de loin le seul cadre de l’affaire, et constituent une sérieuse atteinte à la protection des sources garantie par la loi du 8 juin 2004 », a ajouté l’organisation.

« Nous demandons aux autorités judiciaires de remettre dans les plus brefs délais le cahier de notes saisi et d’ouvrir une enquête approfondie pour déterminer les diverses responsabilités dans ce dossier », a conclu Reporters sans frontières


Lire l'article directement sur la page de RSF

Luxembourg : La FEJ outrée par une atteinte flagrante à la protection des sources

Communiqué de presse
8 mai 2009

Luxembourg : La FEJ outrée par une atteinte flagrante à la protection des sources



Aujourd’hui la Fédération européenne des journalistes (FEJ), le groupe européen de la Fédération européenne des journalistes, a condamné la perquisition de la police criminelle du Luxembourg à l’hebdomadaire Contacto.

« Alors que la protection des sources est un droit garanti par la Convention européenne des droits de l’Homme et par la loi Luxembourgeoise du 8 juin 2004 sur la liberté d'expression, nous sommes outrés pas une violation aussi flagrante de ce principe par les autorités grand-ducales», a déclaré le Président de la FEJ Arne König.

Hier, 7 mai, trois officiers de la police criminelle ont fait irruption, munis d'un mandat de perquisition, dans les locaux de l’hebdomadaire Contacto, très populaire au sein de la vaste communauté lusophone du Luxembourg. La descente faisait suite à la plainte pour « diffamation et calomnie » d’un assistant social responsable du placement des mineurs à Luxembourg contre l'auteur d’un article portant sur le droit de garde d’enfants. La police a fait main basse sur un carnet de notes, 18 pages de documentation, un fichier informatique ainsi qu'un CD appartenant au journaliste qui avait publié le reportage.

Selon la FEJ, le juge d'instruction et les officiers de police ont agi de façon totalement erronée dans cette affaire : non seulement ils n’ont pas averti le Conseil de Presse de leur décision de faire des recherches à propos de l’article, mais les moyens déployés sont disproportionnés et tout simplement illégaux. Il s’agit d’une atteinte grave aux principes de l’article 10 de la Convention européenne des droits de l’Homme et à la jurisprudence constante de la Cour des droits de l’Homme.

En soutien à l’Association luxembourgeoise des journalistes et au Conseil de Presse du Luxembourg, la FEJ met en garde les instances judiciaires, policières et administratives contre une atteinte flagrante à liberté de la presse. La FEJ appelle les autorités à respecter leurs engagements nationaux et internationaux envers la protection des sources journalistiques.

La FEJ rappelle également qu’elle a récemment publié une note sur la protection des sources en Europe :
http://europe.ifj.org/fr/articles/note-politique-de-la-fej-sur-la-protection-des-sources

Pour plus d’information, contacter la FEJ au +32 2 235 2200
La FEJ représente plus de 250,000 journalistes dans plus de 30 pays d’Europe

Presserat: Protest gegen Redaktionsdurchsuchung

Presserat: Protest gegen Redaktionsdurchsuchung

Mit Befremden nimmt der Presserat Kenntnis von einem Vorfall, der sich am Donnerstag in der Redaktion der Wochenzeitschrift Contacto (saint-paul) in Gasperich zugetragen hat. Drei Beamte der Kriminalpolizei wurden dort mit einem Hausdurchsuchungsbefehl vorstellig, um eine Beschlagnahme und Notifizierung vorzunehmen. Sie ließen sich vom Journalisten, der eine Reportage über zwei Fälle von Sorgerecht über Kinder veröffentlicht hatte, dessen Notizblock und 18 Seiten redaktionelle Unterlagen aushändigen und nahmen außerdem eine Informatikkartei und einen Datenträger mit dem Artikel mit. Gegen das Vorgehen des Untersuchungsrichters und der Polizeibeamten protestiert der Presserat vehement, weil es sich hierbei um einen flagranten Verstoß gegen den gesetzlich verankerten Quellenschutz handelt. Außerdem wurde von der Staatsanwaltschaft der offiziell anerkannte Deontologiekodex der Luxemburger Presse nicht berücksichtigt, der festhält, dass der Präsident des Presserates im Vorfeld über eine Hausdurchsuchung in einer Redaktion zu informieren ist, um präsent zu sein und formal den ordnungsgemäßen Ablauf der Operation festzustellen. Zugleich warnt der Presserat die Justiz-, Polizei- und Verwaltungsbehörden vor einem Rückgriff auf derartige Methoden, die einen Angriff auf die Pressefreiheit darstellen. (C.)

Luxemburger Wort, 08.05.2009 (seite 26)

Le Conseil de presse dénonce une perquisition au Contacto

Protection des sources des journalistes
Le Conseil de presse dénonce une perquisition au Contacto


Des officiers de la police judiciaire ont effectué une perquisition, hier matin, dans la rédaction de nos confrères du Contacto.

Objectif, selon eux: mettre la main sur des documents relatifs à un reportage publié en décembre 2008 par l'hebdomadaire portugais et traitant de deux affaires judiciaires relatives à des problèmes de garde d'enfant.

Au cours de cette perquisition, les policiers ont saisi le carnet de notes du journaliste qui avait couvert ces deux dossiers ainsi que des fichiers informatiques.

Selon Joseph Lorent, secrétaire général du Conseil de presse, «cette perquisition est contraire au principe de la protection des sources des journalistes», même si les policiers détenaient un mandat délivré par un juge d'instruction.

Et de demander, dans un article publié dans le Luxemburger Wort de ce vendredi: «Le Luxembourg est-il bien un Etat de droit?»

La Voix du Luxembourg, 08.05.2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Kriminalpolizei Luxemburg: Zeitungsredaktion durchsucht

Zeitungsredaktion durchsucht

Kriminalpolizei sichert Beweise bei "Contacto"

Die Kriminalpolizei hat am Donnerstag die Redaktionsräume der Wochenzeitung "Contacto" durchsucht. Die Beamten stellten bei dieser umstrittenen Aktion Beweismaterial in einer Verleumdungsklage sicher.

Geklagt hatte ein Sozialassistent gegen die Redaktion der Zeitung, die im Verlagshaus saint-paul luxembourg ("Luxemburger Wort") erscheint. Er bezieht sich auf eine Reportage über zwei Fälle von Sorgerechts-Streitigkeiten über Kinder. Der Sozialassistent hatte die Zeitungsredakteure wegen Verstoß gegen das Jugendschutzgesetz und Verleumdung angezeigt.

Die Kriminalpolizisten durchsuchten Redaktionsräume und Computer von "Contacto" und nahmen handschriftliche Notizen und digitale Dokumente mit.

Nach Ansicht von Joseph Lorent, Generalsekretär des Presserats, war die Hausdurchsuchung nicht zulässig. Sie verstoße gegen das Recht der Journalisten auf Zeugenschutz. Journalisten müssen laut Pressegesetz die Namen ihrer Gesprächspartner gegenüber der Justiz nicht preisgeben. "Läuft es so im Rechtsstaat Luxemburg?", fragt Joseph Lorent in einem Artikel im "Luxemburger Wort" (Freitagsausgabe).


wort.lu 07.05.2009 19h12

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Der Himmel in Bonn

(Excertos do meu Caderno de Itinerários)

23h37 / 26 de Abril de 2009

Petersberg, Königswinter, Bona

(...)
Estou instalado no histórico Hotel do Petersberg, hoje Steigenberger Grandhotel. Vista altaneira sobre Bona e o Reno que serpenteia em direcção a Colónia mesmo ao passar pela cidade de Beethoven. É a partir daqui que para sul se encrespam as montanhas que levam à Eiffel. Para norte, a Renânia-Norte Vestfália. Colónia avista-se a 25 quilómetros, quando as neblinas e as névoas o permitem. O parque verdejante que envolve o hotel convida a um passeio matinal. Defronte do hotel, a capela onde casou Schumi, o corredor de Fórmula 1 mais famoso do Mundo. O gerente do hotel, um trintão de origem mexicana cujos pais emigraram há duas décadas para a Alemanha, conta-nos que o Hotel tentou durante anos publicitar os charmes da pequena igreja e da mata do Petersberg, em vão. Depois de Schumacher ali ter casado, não dão vazão à agenda, ri-se.

Nas traseiras do hotel, o embaraço é escolher em qual das magníficas esplanadas-miradouro sentarmo-nos, para disfrutar a vista sobre todo o Siebengebirge, literalmente "as sete montanhas", embora todo o maciço conte mais de 40 montanhas e colinas. Daqui avistam-se o castelo neogótico de Drachenburg, a estância de Könisgwinter com o seu o cais fluvial, o Reno calmo e sereno, e, mais adiante, Bona que se estende, rejuvenescida.

Bona foi quase completamente destruída durante a II Guerra Mundial e depois reconstruída. Um ou dois obeliscos furam a altura mediana dos prédios baixos da cidade: a torre da Deutsche Post e um outro edifício vizinho. É uma cidade rasa, pequena. 300 mil moradores. Colónia, em comparação, tem mais de um milhão. No meu luxem-burguesismo pacato, de cidadão de país que não chega ao meio-milhão de habitantes, hesito na definição de "cidade pequena".

O hotel é quatro estrelas. As instalações sim, o serviço nem sempre. A comida podia ser melhor. Tive disto o dia todo no Egipto e em Maiorca e em todos os outros enclaves turísticos para germânicos por onde passei. Mas gostei da imensa galeria branca, imperial, de grande janelas de sacada, que deixam entrar muita luz, permitindo assim almoçar agradavelmente. Muito Sissi! Era aqui o lugar de estadia dos chefes de Estado em visita quando Bona era capital e Adenauer, também oriundo da região, chanceler.

Depois do almoço tardio (14h), descemos até ao centro de exposições e arte da cidade para ver uma mostra emprestada por Winterthur (Suíça) a Bona, até Agosto. O edifício data do fim dos anos 80, faz lembrar traços do Centro Cultural de Belém, que abriu meio-lustro depois. Fica na "Museemeile". Ora aí está uma ideia para o Luxemburgo. Estão expostas obras dos modernistas. O que são "pissenlits"? Adorei o quadro do Van Gogh. E o carteiro. Kandinsky, Klee, Monet, Picasso, Rodin, Hans Arp, os cubistas e os órficos. Sou definitivamente fã de todo o movimento dada. Traduzi há uns anos um Dicionário de Citações Dadaistas e Surrealistas. Assim, só por prazer. E hoje, mais do que nunca, assino e persisto.

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17h. Concerto na Beethovenhalle onde tive o privilégio de aplaudir Daniel Berenboim que dirigiu a "Staatskapelle" na 9a Sinfonia de Gustavo Mahler. Digo privilégio porque Berenboim é o paradigma do cidadão planetário do séc. XXI: nasceu argentino, mas tem origens russas e judaicas, e é hoje israelita. Mas acima de tudo, acredita no diálogo intercultural e intercomunitário como condição sine qua non para o futuro da Humanidade. No virar do século, acreditando que o principal problema do conflito israelo-árabe era um ódio baseado no desconhecimento do outro, promoveu um sui generis diálogo cultural ao criar uma orquestra israelo-palestiniana, a West-East Divan, que é hoje um exemplo mundial de tolerância.

Mahler... Quem foi exactamente Mahler. Em que século situá-lo? Perco-me nos meus pensamentos e fico a cismar na minha ignorância musical clássica. Tenho que consultar uma Enciclopédia da História da Música. Quem inventou a clave de sol, a pauta, os valores das notas?... E tem que haver uma explicação para todas aqueles termos italianos: piano, adagio, allegro?...

Bona hesita entre promover-se como cidade das Nações Unidas ou como a cidade de Beethoven. Mas parece que, nos últimos anos, resolveu optar por esta última. O "Beethovenfest", no Outono, que Viena nunca teve (até agora) a ideia de oragnizar é, mais do que uma ideia, um orgulho consensual de todos os habitantes. Para promover melhor ainda a capital do grande mestre da música, esta já caduca Beethovenhalle deverá ser substituída nos anos vindouros por uma nova sala. A concurso estão vários projectos, alguns calatrávicos, como "A Nuvem" e "outros mais conservadores, e há até um projecto luxemburguês do arquitecto grão-ducal Valentiny.


19h. No gasthaus (casa de repasto, mas que literalmente significa "casa de convivas") "Im Stiefel", na Bonnegasse (avenida de Bona; na realidade é uma artéria estreita pedonal, no centro da cidade) onde Beethoven jovem passava algum tempo, já que morava numa casa vizinha, mesmo ali junto às muralhas que delimitavam os confins da então vila. Porquê ali? Porque era ali que as rendas eram mais baratas. O músico provinha de uma família modesta que podia apenas pagar uns aposentos nas traseiras da casa. Na altura, explica-nos a nossa guia, os impostos pagos por cada família baseavam-se "no número de janelas que davam para o lado da frente da casa" (dixit).

Servem-nos cerveja preta da Alemanha de Leste e sopa dentro de um pequeno pão desmiolado. É uma sopa passada, cremosa com bocados de bacon e vegetais. É delicioso. Depois trazem-nos uma espécie de bolas de batata com couve vermelha, guisado de vaca e compota de maçã. Provo a couve, espenico, afasto a compota com o garfo, molho a carne no puré consistente, mas deixo o resto no prato. Sobremesa: bola de gelado frita. Nada de novo.
Regresso ao hotel. Antes de subir para o quarto, vou até ao bar beber uma última cerveja. Nas paredes há caricaturas de políticos alemães. Recosto-me numa poltrona e reconheço Merkel, Adenauer, Kohl, poucos mais. Algumas palavras trocadas num alemão aproximado e descubro que o barman é português. O senhor Brito é além disso algarvio. Está cá há 30 anos, diz, mas já falta pouco para regressar com a bem merecida pensão para Portugal.
Onde há um português, há sempre dois ou três.

15h42, 27 de Abril de 2009

Navegando no Reno, Bona-Königswinter

De manhã, visitámos a casa onde terá nascido Beethoven, ao lado do "Im Stiefel". Mas o mais interessante é a loja defronte, uma espécie de antro de um pintor tresloucado e dilletante, com telas expostas por toda a loja até à rua. Deambulamos até ao largo central, o Rathaus (Câmara Municipal). onde está montado o mercado, com bancadas de frutas e legumes. Dois luxemburgueses do grupo aproveitam para comprar ...endivas, porque, explicam, "são maiores, mais saborosas e mais baratas do que no Luxemburgo". Hã...?

Almoçamos no "Em Höttche", uma taberna do séc. XIV no canto do largo, junto à Câmara, como o epiteto indica numa das traves de madeira da fachada : "Das historische Gasthaus am Rathaus, Anno 1389". Na realidade, o café foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido depois reconstruído com a traça medieval original. Beethoven terá sido um dos clientes habituais e, como na altura também se dançava nas tabernas, é para aqui que terá trazido várias namoradas. Depois do almoço, passeio pela cidade, até aos antigos Correios, onde foi erigida nos tempos da Prússia, uma estátua de Beethoven. Passamos pelo adro de uma igreja, onde rolaram duas cabeças gigantes em pedra. Não oiço a explicação da guia e fico a imaginar um improvável duelo de titãs que ali terá ocorrido em tempos mitológicos... Atravessamos o parque da Universidade e descemos até às margens do Reno. Apanhamos o barco para Köngiswinter. Está nebulado, mas daqui a tarde parece mais bonita. Enquanto os outros se refugiam na popa, eu sento-me na proa e deixo o vento fustigar-me o rosto. Não resisto a provar uma Apfeltorte e um "Café mit Sahne" (imitação de cappuccino). Todas as tardes do mundo deveriam ser assim...

Willkommen bei der Kunstrepublik



Fotos: JLC (Centro de Arte e Exposições de Bona)

Bonn e Beethoven (Bona, aqui tão perto...)



Bona, 27.04.2009

Caderno de Itinerários



Gizé, 18.03.2009

Pure Identity?


Affiche vue à Bruxelles
/ Cartaz visto em Bruxelas
/ Poster seen in Brussels
12.04.2009
QUERO

quero desfazer os teus cabelos de ouro e âmbar
por sobre os teus tímidos seios de renda e cetim
forrar o teu peito sedento dos meus beijos molhados
explorar com os meus dedos o teu corpo de baunilha e jasmim

quero que te deites nas minhas mãos
e lamber o sal do teu corpo até à última gota de suor
devorar a tua língua e os teus lábios de menina
mergulhar os teus olhos de desejo no meu ventre em fogo
descobrir no eixo dos teus quadris
a nascente da tua vontade
onde tudo nasce e sempre recomeça
e desaguar nesse rio louco até ao teu coração

quero penetrar-te docemente como um pôr-do-sol
que fende o mar em fogo e se deixa fecundar pela luz
como labaredas a derramarem-se por todo um oceano
quero morder os teus ombros alvos de tanto te querer
em mim.
quero que as tuas unhas desenhem a minha pele porque sou teu
quero pegar em ti e elevar-te até ao mais alto altar do meu ser
e no momento final
deixar-te dançar nos meus braços e no meu colo
e oferecer-te a minha alma nua como a nenhuma outra mulher.

JLC210209

sábado, 7 de março de 2009

2009 March 7 , Sandweiler Church


One fire with two flames.
Four wings free to be able to fly together.

Foto: Paulo Lobo