"Muitas vezes esperamos, ansiamos, que a vida se concretize, aconteça.
Não nos damos conta que a vida é tudo o que acontece, e tudo o que
acontece é a vida."
JLC, 21.07.2015
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terça-feira, 21 de julho de 2015
terça-feira, 30 de junho de 2015
Passeio por Lausanne, Morges, Vidy
30.06.2015
Um calor insuportável. Pequeno-almoço no Hôtel des Pierrettes, em Saint-Suplice. Passeio até ao centro de Lausanne, e depois pelas margens de Vidy e o Parque Olímpico, com muitas paragens à sombra.
Lausanne não é uma cidade bonita nem feia, há algumas casas históricas interessantes, um centro banal, ruas que sobem e que descem, sente-se que os tempos áureos já passaram. A beira-rio é o lugar mais interessante, ou cómodo, pelo menos no Verão. O parque olímpico é muito sujo, vínhamos com ideias preconcebidas sobre a imaculada Suíça, o Luxemburgo faz melhor neste campo.
Sente-se a miscigenação de culturas variadas, passamos ao lado da sede da Associação Portuguesa de Morges e numa rua onde as hortas se sucedem, as bandeiras das quinas não deixam dúvidas, os portugueses estão em todo o lado.
M. não resiste a ir molhar os pés na praia de Vidy. A. estranha e choraminga no seu primeiro contacto com a areia de praia. Do outro lado do lago, as silhuetas ténues das montanhas, tornadas quase azul-translúcidas pela luz da manhã, parecem nuvens sobre um oceano sem ondas. Faço duas, três fotos, posto no Facebook e meto ao desafio quem descobrir onde estou.
A Suíça é um país caro. Um café expresso custa 3,70 francos à beira-rio. No Luxemburgo varia entre 1,80 e 2,50 euros. Um almoço para dois, 70 euros, sem vinho. No Luxemburgo, 40 euros chegavam. Uma pizza, 24 euros, no Luxemburgo, máximo 16. O franco suiço está actualmente em valores muito semelhantes ao euro.
Ao almoço num restaurante-snack de Vidy temos vista sobre o maior lago de água doce da Europa, imenso, brilhante, um espelho que abarca o olhar e tranquiliza a vista. Nesta margem, uma caloraça, lá, na outra, os Alpes e as suas neves permanentes.
Um calor insuportável. Pequeno-almoço no Hôtel des Pierrettes, em Saint-Suplice. Passeio até ao centro de Lausanne, e depois pelas margens de Vidy e o Parque Olímpico, com muitas paragens à sombra.
Lausanne não é uma cidade bonita nem feia, há algumas casas históricas interessantes, um centro banal, ruas que sobem e que descem, sente-se que os tempos áureos já passaram. A beira-rio é o lugar mais interessante, ou cómodo, pelo menos no Verão. O parque olímpico é muito sujo, vínhamos com ideias preconcebidas sobre a imaculada Suíça, o Luxemburgo faz melhor neste campo.
Sente-se a miscigenação de culturas variadas, passamos ao lado da sede da Associação Portuguesa de Morges e numa rua onde as hortas se sucedem, as bandeiras das quinas não deixam dúvidas, os portugueses estão em todo o lado.
M. não resiste a ir molhar os pés na praia de Vidy. A. estranha e choraminga no seu primeiro contacto com a areia de praia. Do outro lado do lago, as silhuetas ténues das montanhas, tornadas quase azul-translúcidas pela luz da manhã, parecem nuvens sobre um oceano sem ondas. Faço duas, três fotos, posto no Facebook e meto ao desafio quem descobrir onde estou.
A Suíça é um país caro. Um café expresso custa 3,70 francos à beira-rio. No Luxemburgo varia entre 1,80 e 2,50 euros. Um almoço para dois, 70 euros, sem vinho. No Luxemburgo, 40 euros chegavam. Uma pizza, 24 euros, no Luxemburgo, máximo 16. O franco suiço está actualmente em valores muito semelhantes ao euro.
Ao almoço num restaurante-snack de Vidy temos vista sobre o maior lago de água doce da Europa, imenso, brilhante, um espelho que abarca o olhar e tranquiliza a vista. Nesta margem, uma caloraça, lá, na outra, os Alpes e as suas neves permanentes.
Rótulo :
caderno de itinerários,
roteiro de vida,
Suíça,
viagens
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Lausanne
29.06.15
Chegamos ao hotel pour volta das 18h. O caminho foi rápido e sem stress. Mas com muito calor. Junho numa auto-estrada rumo ao sul, mercúrio perto dos 40, M. estica os pés descalços no tablier. A. dorme, brinca com os dois brinquedos que lhe comprámos para a viagem, zanga-se, atira-os fora, chora, fica rabugento, pede água, pede pão, bolachas, queixa-se do sol, paro o carro, instalo um protector com duas ventosas na janela para tapar o sol, quilómetros mais à frente ele continua a queixar-se, volto a parar, mas desta vez opto por prender uma toalha na janela do carro, como a minha mãe fazia nos anos 1970, por vezes os truques mais antigos são os melhores.
Luxemburgo, Metz, Estrasburgo, Basileia, Lausana. Para nós Basileia, Basel, Bâle significa fronteira, e uma teia emaranhada de auto-estradas, tunéis, nós rodoviários, vias de entrada e de saída, placas de direcção com todos os nomes das poucas cidades suíças que conhecemos, Berna, Genebra, Zurique, Montreux, Luzerna,..
Espalhamos as coisas pelo quarto, tomamos um duche frio, o corpo acorda da dormência das sete horas da posição sentada, entreabro a janela de sacada, espojamo-nos na cama de lençóis frescos.
Vou até à pequena varanda, onde M. fuma um cigarro reparador. Sento-me numa das duas cadeiras em metal velho e rabisco estas linhas num caderno tosco, para mais tarde transcrever para um blogue, que já nem eu leio. No quarto, A. brinca com um gancho de papel que diz "Ne pas deranger, svp!" de um lado e do outro "Nettoyez ma chambre, svp!". Torce e retorce o gancho, como o afinco de quem está a fazer uma coisa muito séria. O gancho não cede, é de papel plastificado. Mas A. não desiste.
Pelas 19h30 temos encontro combinado com R. e a mulher no restaurante do parque de campismo de Morges, ao lado de Lausana. Estamos cansados mas sem muito fome, pedimos ambos uma salada. Os velhotes pedem um gratinado de queijo e vinho tinto. Pesado. Têm apetite e estômago. Estimo a idade do R. nos 70 e tal, pergunto-lhe se tem filhos. Ri-se com uma gargalhada franca. Nasceu no início dos anos 1930, casou em 1952, tem três filhos, seis netos e não sei quantos bisnetos... Engulo em seco, enquanto ele devora o gratinado como se fosse uma nesga de pão.
Atravessou um dos piores séculos no melhor país do mundo, não sofreu guerras nem crises, foi ferroviário, viajou, trabalhou, amou, viveu, está há mais tempo na reforma que alguns de nós na vida. Eu olho-o com respeito e já alguma admiração. Como resolveu retribuir o bem que a vida lhe deu? No fim dos anos 1970 resolveu ajudar as crianças de um dos países mais pobres da Europa da então. Hoje, uma inteira geração deve-lhe o ter tido uma quase infância e adolescência normais, não ter passado frio ou fome, estar simplesmente viva.
Como comparar este grande homem, que apesar de tudo o que fez não ficará na História da Roménia, com o medíocre e cruel Ceaucescu. Dou-me conta que um ferroviário da classe média suiça com o pouco que fez, fez mais por muitas crianças romenas do que o líder máximo que prometeu ser o guia do seu povo, mas que só o agrilhoou e arruinou ainda mais, de Bucareste a Piatr Niamt, de Sibiu a Constança, para ele e a mulher poderem viver numa opulência nojenta, e enquanto as crianças do seu povo morriam à fome, ele e a sua puta cagavam em retretes banhadas a ouro.
O restaurante do parque de campismo é de um português de Bragança e a empregada fica surpreendida com o falarmos português. Há mais portugueses na Suíça do que no Luxemburgo, mas não estão tão concentrados, o que me faz concluir que não se fale abertamente a língua de Camões como no Grão-Ducado.
Anoiteceu depressa, nem demos pelo pôr-do-sol. Depois do jantar, os velhotes voltam para casa, moram em Tolochenaz, a poucos quilómetros dali. Nós regressamos ao hotel, mas não resistimos a fazer uma caminhada nocturna pelas margens do lago Léman. A. ainda está bem desperto e o passeio também lhe vai fazer bem a ele.
As lâmpadas dos barcos ao longe criam caminhos de luz na superfície do lago, a lua deixa-se ondular nas águas, o massiço majestuoso na outra margem recorta-se na escuridão. Uma tranquilidade apaziguadora. Já sentimos saudades deste lugar que acabámos de descobrir...
Chegamos ao hotel pour volta das 18h. O caminho foi rápido e sem stress. Mas com muito calor. Junho numa auto-estrada rumo ao sul, mercúrio perto dos 40, M. estica os pés descalços no tablier. A. dorme, brinca com os dois brinquedos que lhe comprámos para a viagem, zanga-se, atira-os fora, chora, fica rabugento, pede água, pede pão, bolachas, queixa-se do sol, paro o carro, instalo um protector com duas ventosas na janela para tapar o sol, quilómetros mais à frente ele continua a queixar-se, volto a parar, mas desta vez opto por prender uma toalha na janela do carro, como a minha mãe fazia nos anos 1970, por vezes os truques mais antigos são os melhores.
Luxemburgo, Metz, Estrasburgo, Basileia, Lausana. Para nós Basileia, Basel, Bâle significa fronteira, e uma teia emaranhada de auto-estradas, tunéis, nós rodoviários, vias de entrada e de saída, placas de direcção com todos os nomes das poucas cidades suíças que conhecemos, Berna, Genebra, Zurique, Montreux, Luzerna,..
Espalhamos as coisas pelo quarto, tomamos um duche frio, o corpo acorda da dormência das sete horas da posição sentada, entreabro a janela de sacada, espojamo-nos na cama de lençóis frescos.
Vou até à pequena varanda, onde M. fuma um cigarro reparador. Sento-me numa das duas cadeiras em metal velho e rabisco estas linhas num caderno tosco, para mais tarde transcrever para um blogue, que já nem eu leio. No quarto, A. brinca com um gancho de papel que diz "Ne pas deranger, svp!" de um lado e do outro "Nettoyez ma chambre, svp!". Torce e retorce o gancho, como o afinco de quem está a fazer uma coisa muito séria. O gancho não cede, é de papel plastificado. Mas A. não desiste.
Pelas 19h30 temos encontro combinado com R. e a mulher no restaurante do parque de campismo de Morges, ao lado de Lausana. Estamos cansados mas sem muito fome, pedimos ambos uma salada. Os velhotes pedem um gratinado de queijo e vinho tinto. Pesado. Têm apetite e estômago. Estimo a idade do R. nos 70 e tal, pergunto-lhe se tem filhos. Ri-se com uma gargalhada franca. Nasceu no início dos anos 1930, casou em 1952, tem três filhos, seis netos e não sei quantos bisnetos... Engulo em seco, enquanto ele devora o gratinado como se fosse uma nesga de pão.
Atravessou um dos piores séculos no melhor país do mundo, não sofreu guerras nem crises, foi ferroviário, viajou, trabalhou, amou, viveu, está há mais tempo na reforma que alguns de nós na vida. Eu olho-o com respeito e já alguma admiração. Como resolveu retribuir o bem que a vida lhe deu? No fim dos anos 1970 resolveu ajudar as crianças de um dos países mais pobres da Europa da então. Hoje, uma inteira geração deve-lhe o ter tido uma quase infância e adolescência normais, não ter passado frio ou fome, estar simplesmente viva.
Como comparar este grande homem, que apesar de tudo o que fez não ficará na História da Roménia, com o medíocre e cruel Ceaucescu. Dou-me conta que um ferroviário da classe média suiça com o pouco que fez, fez mais por muitas crianças romenas do que o líder máximo que prometeu ser o guia do seu povo, mas que só o agrilhoou e arruinou ainda mais, de Bucareste a Piatr Niamt, de Sibiu a Constança, para ele e a mulher poderem viver numa opulência nojenta, e enquanto as crianças do seu povo morriam à fome, ele e a sua puta cagavam em retretes banhadas a ouro.
O restaurante do parque de campismo é de um português de Bragança e a empregada fica surpreendida com o falarmos português. Há mais portugueses na Suíça do que no Luxemburgo, mas não estão tão concentrados, o que me faz concluir que não se fale abertamente a língua de Camões como no Grão-Ducado.
Anoiteceu depressa, nem demos pelo pôr-do-sol. Depois do jantar, os velhotes voltam para casa, moram em Tolochenaz, a poucos quilómetros dali. Nós regressamos ao hotel, mas não resistimos a fazer uma caminhada nocturna pelas margens do lago Léman. A. ainda está bem desperto e o passeio também lhe vai fazer bem a ele.
As lâmpadas dos barcos ao longe criam caminhos de luz na superfície do lago, a lua deixa-se ondular nas águas, o massiço majestuoso na outra margem recorta-se na escuridão. Uma tranquilidade apaziguadora. Já sentimos saudades deste lugar que acabámos de descobrir...
Rótulo :
caderno de itinerários,
roteiro de vida,
Suíça,
viagens
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Do Ser
"Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!",
Fernando Pessoa (Ode Triunfal)
Dia mágico. Há dias assim. O dia 28 de Julho. A vida não pergunta se estás preparado, não te diz que é certo ou errado, se é o momento propício ou não. É e pronto. E tu, ou apanhas boleia da vida ou ficas para trás. E, como prefiro viver com remorsos do que com pesares, atirei-me à água.
E, de repente, o universo inteiro entrou-me pelos olhos adentro, era como se estivesse no meu corpo e em toda a parte ao mesmo tempo, um tempo único, um só instante, como se todo o tempo desde o Big Bang e bem antes tivesse sido apenas um segundo, esse segundo que ali eu sentia em mim, era como se o universo fosse infinito mas eu conseguisse ver exactamente o ponto em que ele era finito e como uma membrana se desmultiplicava noutros, não um universo, um multiverso, como nós, que ainda não sabemos, mas somos múltiplos, como dizia Pessoa, somos tudo e todos, e não sabemos ainda
Era como se tudo de repente fizesse sentido, o movimento das partículas, o enigma quântico, a transmutação dos neutrinos, o paradeiro do bosão, as órbitas dos átomos, a ordem das moléculas, a tabela dos elementos, a corrida dos rios rasgando leito até ao mar, as erupções dos vulcões rompendo a geografia, a força dos ciclones e dos tsunamis devastando as civilizações, o trilho invisível dos insectos, o voo aleatório das aves, o percurso dos invertebrados aos mamíferos, a origem do Homem, o destino da Humanidade, a rotação da Terra, a inclinação da Lua, a explosão do Sol, a cintura de asteróides, os eclipses de Saturno, os semi-anéis de Neptuno, o braço menor de Orion, o enigma dos nativos de Sirius, a íris negra da via láctea, a colisão com Andrómeda, a dobra no tecido do espaço, a deriva galáctica, a variante cósmica, o fim do cosmos, o big bang.
E eu estava em toda a parte e em cada instante. Melhor, eu era tudo e todos os instantes. As explosões em mim, as estrelas em mim, os buracos negros rasgando-me por dentro, o universo todo em mim, dilatando o tempo que não existe.
E tudo isto porque conheci um outro ser. Tu!
Fernando Pessoa (Ode Triunfal)
Dia mágico. Há dias assim. O dia 28 de Julho. A vida não pergunta se estás preparado, não te diz que é certo ou errado, se é o momento propício ou não. É e pronto. E tu, ou apanhas boleia da vida ou ficas para trás. E, como prefiro viver com remorsos do que com pesares, atirei-me à água.
E, de repente, o universo inteiro entrou-me pelos olhos adentro, era como se estivesse no meu corpo e em toda a parte ao mesmo tempo, um tempo único, um só instante, como se todo o tempo desde o Big Bang e bem antes tivesse sido apenas um segundo, esse segundo que ali eu sentia em mim, era como se o universo fosse infinito mas eu conseguisse ver exactamente o ponto em que ele era finito e como uma membrana se desmultiplicava noutros, não um universo, um multiverso, como nós, que ainda não sabemos, mas somos múltiplos, como dizia Pessoa, somos tudo e todos, e não sabemos ainda
Era como se tudo de repente fizesse sentido, o movimento das partículas, o enigma quântico, a transmutação dos neutrinos, o paradeiro do bosão, as órbitas dos átomos, a ordem das moléculas, a tabela dos elementos, a corrida dos rios rasgando leito até ao mar, as erupções dos vulcões rompendo a geografia, a força dos ciclones e dos tsunamis devastando as civilizações, o trilho invisível dos insectos, o voo aleatório das aves, o percurso dos invertebrados aos mamíferos, a origem do Homem, o destino da Humanidade, a rotação da Terra, a inclinação da Lua, a explosão do Sol, a cintura de asteróides, os eclipses de Saturno, os semi-anéis de Neptuno, o braço menor de Orion, o enigma dos nativos de Sirius, a íris negra da via láctea, a colisão com Andrómeda, a dobra no tecido do espaço, a deriva galáctica, a variante cósmica, o fim do cosmos, o big bang.
E eu estava em toda a parte e em cada instante. Melhor, eu era tudo e todos os instantes. As explosões em mim, as estrelas em mim, os buracos negros rasgando-me por dentro, o universo todo em mim, dilatando o tempo que não existe.
E tudo isto porque conheci um outro ser. Tu!
Rótulo :
diário incidental,
roteiro de vida
sábado, 15 de maio de 2010
Agenda para hoje
Agenda para hoje:
- juntei o meu PC à equipa de investzigação do SETI (Searcg for Extraterrestrial Intelligence)
- jantar com amigos: pasta italiana e bom vinho português
- pé de dança no Magnum
Agenda para domingo:
- TPC: entrevista João Pedro Pais
- juntei o meu PC à equipa de investzigação do SETI (Searcg for Extraterrestrial Intelligence)
- jantar com amigos: pasta italiana e bom vinho português
- pé de dança no Magnum
Agenda para domingo:
- TPC: entrevista João Pedro Pais
Rótulo :
roteiro de vida
segunda-feira, 1 de março de 2010
Onde me situo na bússula política...
Desconfio sempre deste tipo de testes, mas aqui fica anyway o resultado desta bússola política.
Ao resultado publicado, devo precisar que as questões foram todas colocadas em inglês e foram concebidas para um residente nos Estados Unidos, o que exacerbou, na minha opinião, o resultado.
O quero dizer com isto? Que este resultado a ser verdadeiro, eu sou mais de esquerda do que Ghandi, e que tenho tendências comunistas com laivos de liberto-anarca.
Quem me conhece bem - e eu acho que faço parte dos que me conhecem melhor - sabe que me situo bastante mais ao centro desta bússula política:
- seduz-me alguma luta política de esquerda, mas nem o comunismo bacoco nem a esquerda caviar
- adiro a certas decisões da política de direita, quando se trata de relançar uma economia engripada, dinamizando o livre empreendedorismo como motor da criação de novos postos de trabalho, incentivando novos talentos e ideias para a evolução social, mas apenas no pleno respeito dos direitos humanos e sociais (já adquiridos)
- democrata, na acepção original do termo, "o poder do povo" (dêmos + krátos); acredito que o exercício do poder não é nem pode ser hereditário nem individual, antes rotativo e o mais plural possível, mas tendo sempre, como condição primeira e sine qua non, a legitimade pelo povo
- a anarquia nunca me cativou como fim político, tão somente e apenas como mal necessário e contestatário para combater um poder estabelecido quando opressivo, como as ditaduras, autocracias, oligarquias e outros regimes déspotas, em suma, todos os tipo de "cracias", i.e., poder/es (krátos) e de "garquias" (arkhê), i.e. comando/s; anarco-liberal talvez, mas sem aspirar a que a sociedade chegue a todas as consequências da ideologia hippie
- liberal q.b., mas na acepção social da palavra, não económica; i.e. contra a pena de morte e a favor da escolha pessoal, intransmissível e inalienável de cada ser humano em questões que dizem apenas respeito ao próprio
...entre outras coisas na minha radiografia psicopolítica..., mas confiando isto já estou a revelar mais do que esta bússola.
Cada um pode fazer o teste em : http://www.politicalcompass.org/test
Rótulo :
POLITIKA,
roteiro de vida
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Se eu soubesse o que sei hoje...
Eu: Se eu soubesse o que sei hoje...
Lis: O que farias? :-)
Eu: Tenho um amigo brasileiro que diz: 'A vida dá sempre um jeito'. O que eu acho é que às vezes também temos que ser nós a dar um jeito à vida. Caso contrário, ela limita-se a acontecer. Nós é que temos que decidir as curvas a tomar nessa linha recta e que contornos dar a cada uma dessas curvas. Porque nessa vadiagem para escapar ao destino há outros horizontes para ver. Outras viagens. Claro que depois também há as curvas inesperadas, as curvas e as contra-curvas, as estradas esburacadas, as estradas cortadas, as ruas manhosas, as vielas escuras, os becos sem saída, os desfiladeiros, os precipícios, os dias de tempestade. Se eu soubesse o que sei hoje aproveitava mais cada instante, faria acontecer, deixava de ser tão inseguro, tão ponderado. Por vezes, um desvio ensina-nos muito. Quer tenha sido desejado ou não. E prefiro mil vezes que a minha vida seja feita de inúmeros desvios do que a linha recta, correcta e insípida do que pensa a gente certa.
Lis: O que farias? :-)
Eu: Tenho um amigo brasileiro que diz: 'A vida dá sempre um jeito'. O que eu acho é que às vezes também temos que ser nós a dar um jeito à vida. Caso contrário, ela limita-se a acontecer. Nós é que temos que decidir as curvas a tomar nessa linha recta e que contornos dar a cada uma dessas curvas. Porque nessa vadiagem para escapar ao destino há outros horizontes para ver. Outras viagens. Claro que depois também há as curvas inesperadas, as curvas e as contra-curvas, as estradas esburacadas, as estradas cortadas, as ruas manhosas, as vielas escuras, os becos sem saída, os desfiladeiros, os precipícios, os dias de tempestade. Se eu soubesse o que sei hoje aproveitava mais cada instante, faria acontecer, deixava de ser tão inseguro, tão ponderado. Por vezes, um desvio ensina-nos muito. Quer tenha sido desejado ou não. E prefiro mil vezes que a minha vida seja feita de inúmeros desvios do que a linha recta, correcta e insípida do que pensa a gente certa.
Rótulo :
Reflexão,
roteiro de vida
domingo, 27 de dezembro de 2009
sábado, 26 de dezembro de 2009
Flanando por Estrasburgo


sábado, flanando pelas ruas de estrasburgo. tomamos um café creme numa brasserie da place kléber, maravilhados como putos diante das luzinhas da maior árvore de natal da europa (é o que aqui dizem!) a acenderem-se ao cair do crepúsculo, as famílias passeando, os gorros e quispos coloridos das crianças rindo, passagem pela magnífica livraria kléber, subimos até à place gutenberg, percorremos os standes dos livros de segundo mão, não resisto a levar para a minha colecção uma edição de 1868 das oeuvres de alfred de musset, passamos pelo homem das castanhas, tão velho como estas arcadas que tanto me fazem lembrar as da praça do giraldo em évora, contornamos o carrossel, os corcéis em madeira, a árvore azul-eléctrica, engolfamo-nos com a turba pela rua da catedral, levados pelo cheiro bom a vinho quente com canela, mordendo um bretzel salgado, chegam-me fragrâncias de outros tempos, revejo-me a correr por aqui debaixo de uma chuva de novembro, com tantas incertezas, inseguro no meu futuro, se eu soubesse o que sei agora.
Rótulo :
livro de imagens,
roteiro de vida
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
domingo, 1 de novembro de 2009
dos oráculos, dos tempos e outros mistérios
Nunca fui de consultar pítias e oráculos, mas eles sempre souberam fazer chegar até mim as suas mensagens mais ou menos absconsas.
Assim, e segundo esses leitores das inúmeras linhas temporais que se vão desenhando, o rio Lethes devia ter-me levado na sua corrente do olvídio várias vezes antes de eu sequer poder chegar aos quatro anos de idade. Mas, com duas mães super-protectores em casa, passei a viver quase dentro de uma redoma. Talvez seja por isso que ainda hoje sinto que passei pela meninice quase sem dar por isso, como se flutuasse em algodão, como se fosse algo indistinto e impalpável. Mas feliz, com muito amor.
Depois, por um tempo o tempo pareceu ter-se esquecido de mim.
Aos treze anos fui eu que me persuadi a mim próprio que não chegaria aos quinze. Tinha-me identificado de tal maneira com o diário de Anne Frank, que andava a ler, que passei a acreditar intimamente que era a sua reincarnação. As nossas linhas do tempo teriam inefavelmente a mesma duração. Forcei as coincidências e encontrei tantos pontos comuns com a sua vida que era inegável que só podia ser isso. A conclusão era evidente: o meu tempo estava contado. Comecei a ter pensamentos negros e pintei a minha vida da mesma cor.
Por uns tempos, pelo menos. Nunca fui um pessimista. E é isso que tem sido a minha sorte.
Quando cheguei aos 16, a adolescência tornou-se mais prometedora e pensei que tinha escapado ao destino. Era um sovbrevivente.
Tinha eu 28 anos, os velhos vates voltaram a prevenir-me: afinal, eu não escapara, estava simplesmente a monte, do destino. A minha liberdade condicional duraria no máximo cinco anos.
Fiz o que me ordenavam os médicos e voltei a sobreviver.
Ontem, mais uma vez sem que fosse eu que fizesse apelo a eles, veio novo aviso. Como se o destino fosse duas forças opostas em constante batalha: a linha primária e as linhas secundárias.
Mas, escapei-lhe tantas vezes que já deixei de acreditar há muito tempo na providência.
Passei a acreditar no tempo, como uma coisa desdobrável, flexível, uma corda na dobra do universo. E eu um mero viajante. Preciso saber é agarrar a boa corda. Ou enganar-me, cair com o cu no chão e voltar a tentar.
Acredito hoje também que sou eu que desbravo os meus próprios trilhos com as forças e as fraquezas da minha energia vital. Decido eu por onde ir. Não ir por aí, mas por aqui, mesmo que seja um caminho errado. Mas é o meu caminho errado. E se for, hei-de corrigir a rota na próxima encruzilhada. Espanto as vozes, quebro as bolas de cristal no chão, com fracasso e estrondo. E mantenho-me fiel aos meus próprios astrolábios. Só sei viver assim.
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
(...)
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
(...)
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
"Cântico Negro", de José Régio
(in "Poemas de Deus e do Diabo", 1925)
Assim, e segundo esses leitores das inúmeras linhas temporais que se vão desenhando, o rio Lethes devia ter-me levado na sua corrente do olvídio várias vezes antes de eu sequer poder chegar aos quatro anos de idade. Mas, com duas mães super-protectores em casa, passei a viver quase dentro de uma redoma. Talvez seja por isso que ainda hoje sinto que passei pela meninice quase sem dar por isso, como se flutuasse em algodão, como se fosse algo indistinto e impalpável. Mas feliz, com muito amor.
Depois, por um tempo o tempo pareceu ter-se esquecido de mim.
Aos treze anos fui eu que me persuadi a mim próprio que não chegaria aos quinze. Tinha-me identificado de tal maneira com o diário de Anne Frank, que andava a ler, que passei a acreditar intimamente que era a sua reincarnação. As nossas linhas do tempo teriam inefavelmente a mesma duração. Forcei as coincidências e encontrei tantos pontos comuns com a sua vida que era inegável que só podia ser isso. A conclusão era evidente: o meu tempo estava contado. Comecei a ter pensamentos negros e pintei a minha vida da mesma cor.
Por uns tempos, pelo menos. Nunca fui um pessimista. E é isso que tem sido a minha sorte.
Quando cheguei aos 16, a adolescência tornou-se mais prometedora e pensei que tinha escapado ao destino. Era um sovbrevivente.
Tinha eu 28 anos, os velhos vates voltaram a prevenir-me: afinal, eu não escapara, estava simplesmente a monte, do destino. A minha liberdade condicional duraria no máximo cinco anos.
Fiz o que me ordenavam os médicos e voltei a sobreviver.
Ontem, mais uma vez sem que fosse eu que fizesse apelo a eles, veio novo aviso. Como se o destino fosse duas forças opostas em constante batalha: a linha primária e as linhas secundárias.
Mas, escapei-lhe tantas vezes que já deixei de acreditar há muito tempo na providência.
Passei a acreditar no tempo, como uma coisa desdobrável, flexível, uma corda na dobra do universo. E eu um mero viajante. Preciso saber é agarrar a boa corda. Ou enganar-me, cair com o cu no chão e voltar a tentar.
Acredito hoje também que sou eu que desbravo os meus próprios trilhos com as forças e as fraquezas da minha energia vital. Decido eu por onde ir. Não ir por aí, mas por aqui, mesmo que seja um caminho errado. Mas é o meu caminho errado. E se for, hei-de corrigir a rota na próxima encruzilhada. Espanto as vozes, quebro as bolas de cristal no chão, com fracasso e estrondo. E mantenho-me fiel aos meus próprios astrolábios. Só sei viver assim.
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
(...)
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
(...)
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
"Cântico Negro", de José Régio
(in "Poemas de Deus e do Diabo", 1925)
Rótulo :
Reflexão,
roteiro de vida
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
da diarística e do asseio da alma
A minha diarística
- encetada nos meus idos adolescentes de 1989 e que durante mais de quinze anos foi uma catarse regular obrigatória e saudável de como quem passa a esfregona pela alma para a deixar a cheirar menos a mofo -
sofreu em 2005 uma esquizofrenia bizarra. Desde que o primeiro volume destes cadernos começou a ser redigido em linha.
A verdade é que assim que estes meus cadernos passaram a expôr-se publicamente, logo tive que trocar os nomes aos bois e as voltas ao enredo. Por pudor. Por instinto de auto-preservação da minha intimidade. Quase naturalmente, passei de Zé a Weytjens, e de Alex a Gaspar e por aí fora.
E de trocas travessas em baldrocas avessas a realidade do meu dia-a-dia ficava escarrapachada na teia global, sujeita aos mirones, mas, vá lá, ia codificada. E assim me habituei a escrever torto por linhas direitas.
Da disciplina auto-imposta de escrever todos os dias resultou um primeiro romance "pulp", ainda à procura de editor. Consegui ao menos esse desafio que me lançara. (Também já plantei uma árvore. Só me falta ter um filho.)
Mas os sete volumes do meu verdadeiro diário tinham ficado órfãos e esquecidos na gaveta. Pública, impúdica por exaberação, a minha diarística tinha-se tornado adulterada, travestida de ficção, e já não era o caderno confidente, receptáculo imparcial e isento de minhas ansiedades e mágoas, esperanças e projectos, paixonetas, amores e infortúnios.
E neste segundo volume, é o que se tem visto. Poemazinhos ranhosos, fotografias-instantâneos pouco expontâneos da minha vida, pensamentos ociosos & reflexões de pacotilha... Como um estaleiro-in-progress perpétuo, uma sebenta cibernética prolixa, uma dialética masturbatória, mas, demasiado frequentemente, inane.
E a higiene da alma ia ficando para segundo, terceiro, último plano. Que nojo!
Torga escreveu um dia no seu diário que um poeta anda em constante desquilíbrio enquanto a magia das palavras não dá sentido à torrente confusa das emoções - ou algo assim, ele há-de perdoar-me a adaptação aproximada.
É esse equilíbrio que hoje quero voltar a invocar.
Há meses que andava para dizer isto. Aqui.
Porque doravante quero voltar a este promontório mais vezes, sentar-me neste balcão, mirar-me no espelho do bar e reconhecer-me, ver rostos familiares, acenar aos conhecidos sentados nas mesas e desabafar com o barman.
- "Long time, no see! The same as usual, Joe?"
E não temer a vertigem após o primeiro trago. Afogar as mágoas, mas desembebedar-me das minhas folias, sorver todos os cálices, purgar os ventrículos e as aurículas, expiar os pecados do dia. Virar-me, finalmente, para o pianista e para a sua odalisca, como sempre fatal, vestida de encarnado e semi-curvada lânguida em cima do tampo do piano e pedir-lhes, em jeito de salvação:
- "Play it again, Sam!"
- encetada nos meus idos adolescentes de 1989 e que durante mais de quinze anos foi uma catarse regular obrigatória e saudável de como quem passa a esfregona pela alma para a deixar a cheirar menos a mofo -
sofreu em 2005 uma esquizofrenia bizarra. Desde que o primeiro volume destes cadernos começou a ser redigido em linha.
A verdade é que assim que estes meus cadernos passaram a expôr-se publicamente, logo tive que trocar os nomes aos bois e as voltas ao enredo. Por pudor. Por instinto de auto-preservação da minha intimidade. Quase naturalmente, passei de Zé a Weytjens, e de Alex a Gaspar e por aí fora.
E de trocas travessas em baldrocas avessas a realidade do meu dia-a-dia ficava escarrapachada na teia global, sujeita aos mirones, mas, vá lá, ia codificada. E assim me habituei a escrever torto por linhas direitas.
Da disciplina auto-imposta de escrever todos os dias resultou um primeiro romance "pulp", ainda à procura de editor. Consegui ao menos esse desafio que me lançara. (Também já plantei uma árvore. Só me falta ter um filho.)
Mas os sete volumes do meu verdadeiro diário tinham ficado órfãos e esquecidos na gaveta. Pública, impúdica por exaberação, a minha diarística tinha-se tornado adulterada, travestida de ficção, e já não era o caderno confidente, receptáculo imparcial e isento de minhas ansiedades e mágoas, esperanças e projectos, paixonetas, amores e infortúnios.
E neste segundo volume, é o que se tem visto. Poemazinhos ranhosos, fotografias-instantâneos pouco expontâneos da minha vida, pensamentos ociosos & reflexões de pacotilha... Como um estaleiro-in-progress perpétuo, uma sebenta cibernética prolixa, uma dialética masturbatória, mas, demasiado frequentemente, inane.
E a higiene da alma ia ficando para segundo, terceiro, último plano. Que nojo!
Torga escreveu um dia no seu diário que um poeta anda em constante desquilíbrio enquanto a magia das palavras não dá sentido à torrente confusa das emoções - ou algo assim, ele há-de perdoar-me a adaptação aproximada.
É esse equilíbrio que hoje quero voltar a invocar.
Há meses que andava para dizer isto. Aqui.
Porque doravante quero voltar a este promontório mais vezes, sentar-me neste balcão, mirar-me no espelho do bar e reconhecer-me, ver rostos familiares, acenar aos conhecidos sentados nas mesas e desabafar com o barman.
- "Long time, no see! The same as usual, Joe?"
E não temer a vertigem após o primeiro trago. Afogar as mágoas, mas desembebedar-me das minhas folias, sorver todos os cálices, purgar os ventrículos e as aurículas, expiar os pecados do dia. Virar-me, finalmente, para o pianista e para a sua odalisca, como sempre fatal, vestida de encarnado e semi-curvada lânguida em cima do tampo do piano e pedir-lhes, em jeito de salvação:
- "Play it again, Sam!"
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roteiro de vida
sábado, 22 de agosto de 2009
Caminhos
"Perder-me para melhor me reencontrar..." , esta frase tem andado a atormentar-me nestes últimos dias.
Tenho feito como Thoreau, sem pretensões de reescrever o seu "Walden", nos meus tempos perdidos tenho andado deambulando pelas florestas, campos, pradarias, estradas, caminhos e trilhos deste burgo. Para melhor me compreender e compreender tudo o que gira à minha volta. Para tentar encontrar a ideia original, saber quem sou, donde venho, onde quero ir, o que quero contar, o que quero deixar de mim aqui, ir ao fundo de mim e saber o que significa a palavra escrever e o próprio acto em si.

Andar pela floresta é como perder o olhar no céu de estrelas à noite: o espectáculo que se me oferece deixa-me tão maravilhado que as geografias e as dimensões das coisas e dos objectos se alteram, acabo por diluir-me nesse todo que parece infinito e fico reduzido perante mim próprio à (in)significância do meu tamanho cósmico e do impacto que poderei ter ou terei de facto no espaço e no tempo.

Mas reduzir tudo à fracção mais infinitesimal possível, ao mais pequeno denominador comum, no meio do nada, em mim, obriga-me também a reposicionar-me no mundo e em mim mesmo.
Posso até nem ter revelações extácticas, epifanias arrebatadas ou chegar a conclusão alguma, mas sei, tenho essa íntima convicção - e essa é das poucas coisas que realmente sei saber - , que o caminho é por aí, dentro de mim, por mais que erre ou divague, e que, mais cedo ou mais tarde, há-de haver nem que seja uma tímida clareira!
Tenho feito como Thoreau, sem pretensões de reescrever o seu "Walden", nos meus tempos perdidos tenho andado deambulando pelas florestas, campos, pradarias, estradas, caminhos e trilhos deste burgo. Para melhor me compreender e compreender tudo o que gira à minha volta. Para tentar encontrar a ideia original, saber quem sou, donde venho, onde quero ir, o que quero contar, o que quero deixar de mim aqui, ir ao fundo de mim e saber o que significa a palavra escrever e o próprio acto em si.
Andar pela floresta é como perder o olhar no céu de estrelas à noite: o espectáculo que se me oferece deixa-me tão maravilhado que as geografias e as dimensões das coisas e dos objectos se alteram, acabo por diluir-me nesse todo que parece infinito e fico reduzido perante mim próprio à (in)significância do meu tamanho cósmico e do impacto que poderei ter ou terei de facto no espaço e no tempo.
Mas reduzir tudo à fracção mais infinitesimal possível, ao mais pequeno denominador comum, no meio do nada, em mim, obriga-me também a reposicionar-me no mundo e em mim mesmo.
Posso até nem ter revelações extácticas, epifanias arrebatadas ou chegar a conclusão alguma, mas sei, tenho essa íntima convicção - e essa é das poucas coisas que realmente sei saber - , que o caminho é por aí, dentro de mim, por mais que erre ou divague, e que, mais cedo ou mais tarde, há-de haver nem que seja uma tímida clareira!
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domingo, 9 de agosto de 2009
Petite escapade

Fuga romântica até Paris. Vista do quarto onde dormimos. Cinco para a meia-noite e nós extasiados a bebricar champanhe, a partilhar entre lábios beijos doces e bonbons de chocolate numa varanda, com uma vista espectacular, disfrutando do ar ameno da noite parisiense.
E de repente, a torre do Gustavo, começou a cintilar, como animada de mil pirilampos ou estrelas caídas do céu naquele momento. Ouviu-se um enorme "ohhhhhh..." dos visitantes do primeiro andar da torre, que inusitadamente começaram a disparar flashes na nossa direcção. E nós... fizemos o nosso melhor sorriso-colgate :-))))
Thanx Beta! (ela sabe quem!) ;-)
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roteiro de vida
sábado, 18 de julho de 2009
Gripe mexicana? - excertos de uma conversa surreal com um médico
Hoje fiquei surpreendido, para não dizer chocado, quando consultei um médico (pelo sotaque era alemão!), por me sentir ligeiramente engripado, e este me perguntar se eu tinha estado "em contacto com alguém que tivesse a 'gripe mexicana'".
- "Quer dizer a gripe A?", retorqui eu. "Sabe que Os Estados Unidos já têm mais casos do que o México e que até o Reino Unido e o Canadá têm quase tantos casos como o México", insisti em precisar.
- "Sim, sim, hum, hum...!", remoeu. E encadeou logo perguntando "que profissão é que 'faz'?" (dixit)
- "Sou jornalista!"
- "Ah!, hum... isso faz com que esteja em contacto com muita gente, não é? Tem tido tosse, febre, dores de estômago, viajou para algum país infectado?"
- "Nem por isso, depende dos dias..., não! ...não!,... apenas dores no corpo, um mal-estar físico e perda do apetite desde ontem!, ...se viajei?....O Norte do Luxemburgo conta?"
- "Desculpe, eu estou apenas a fazer-lhe as perguntas obrigatórias que temos que fazer a todos os pacientes que aqui chegam com sintomas gripais!..."
- "Desculpe, e eu estou apenas a responder à sua pergunta. Só que actualmente, todos os países já contam tantos infectados que eu fiquei sem perceber a sua pergunta ...."
- "Pronto, pronto, estou a ver que é mesmo só um princípio de gripe. Vou receitar-lhe quatro Aspégic por dia, durante cinco dias, um spray Strepsils a tomar oito vezes por dia, se lhe vier tosse, e um spray para o nariz Ratiopharm, a usar três vezes por dia, se a gripe piorar e..."
- "Não vai ver se tenho febre?..."
- "Você não tem febre! está a suar porque está calor e tem esse pólo grosso vestido..."
- "Heu...", e enquanto me certifiquei que lá fora estava a chuviscar, como sempre no Luxemburgo, ele rematou a conversa.
- "São 35, 10 euros! Paga com cartão ou em numerário?"
E depois praticamente me empurrou dali para fora, sem me indicar a farmácia de serviço.
Surreal!
- "Quer dizer a gripe A?", retorqui eu. "Sabe que Os Estados Unidos já têm mais casos do que o México e que até o Reino Unido e o Canadá têm quase tantos casos como o México", insisti em precisar.
- "Sim, sim, hum, hum...!", remoeu. E encadeou logo perguntando "que profissão é que 'faz'?" (dixit)
- "Sou jornalista!"
- "Ah!, hum... isso faz com que esteja em contacto com muita gente, não é? Tem tido tosse, febre, dores de estômago, viajou para algum país infectado?"
- "Nem por isso, depende dos dias..., não! ...não!,... apenas dores no corpo, um mal-estar físico e perda do apetite desde ontem!, ...se viajei?....O Norte do Luxemburgo conta?"
- "Desculpe, eu estou apenas a fazer-lhe as perguntas obrigatórias que temos que fazer a todos os pacientes que aqui chegam com sintomas gripais!..."
- "Desculpe, e eu estou apenas a responder à sua pergunta. Só que actualmente, todos os países já contam tantos infectados que eu fiquei sem perceber a sua pergunta ...."
- "Pronto, pronto, estou a ver que é mesmo só um princípio de gripe. Vou receitar-lhe quatro Aspégic por dia, durante cinco dias, um spray Strepsils a tomar oito vezes por dia, se lhe vier tosse, e um spray para o nariz Ratiopharm, a usar três vezes por dia, se a gripe piorar e..."
- "Não vai ver se tenho febre?..."
- "Você não tem febre! está a suar porque está calor e tem esse pólo grosso vestido..."
- "Heu...", e enquanto me certifiquei que lá fora estava a chuviscar, como sempre no Luxemburgo, ele rematou a conversa.
- "São 35, 10 euros! Paga com cartão ou em numerário?"
E depois praticamente me empurrou dali para fora, sem me indicar a farmácia de serviço.
Surreal!
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roteiro de vida
Concerto de Marc Demuth com Sofia Ribeiro
O concerto do Quarteto de Marc Demuth com Sofia Ribeiro foi fantástico. Ainda não conhecia os temas do seu último álbum "Orik" e gostei. Gostei eu, a minha doce metade e os quatro amigos que lá encontrámos. Esta aventura luso-luxemburguesa começou quando os dois músicos se encontraram em Barcelona e resolveram começar a trabalhar juntos, jnuma inédita ponte intercultural entre o Luxemburgo e o Porto, onde Sofia vive.O quadro do concetro - o café-club Ancien Cinéma, em Vianden - prestava-se magnificamente, numa sala de um antigo cinema, com holofotes e cadeirões a condizer.
Foto: JLC
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quarta-feira, 8 de julho de 2009
Álbum de férias I - Porto
Manhã de domingo num Porto ensolarado (21.06.09): ponto de encontro, a esplanada da Casa da Música. Planeamos uma visita a Serralves e uma francesinha no Rest. Ricardo em Leça
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livro de imagens,
porto,
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Álbum de férias II - Algarve
Praia do Barril, 26.06.09. Uma das minhas praias preferidas, pela tranquilidade do mar. E por ser uma praia onde, após duzentos ou trezentos metros ficamos com o areal deserto só para nós. Chega-se lá num pequeno comboio, depois de passar uma ponte flutuante sobre a ria Formosa, a partir do aldeamento de Pedras d'el Rei, perto de Santa Luzia (Tavira).
Farniente na praia do Garrão, 30.06.09, entre as Dunas Douradas, Ancão e Vale do Lobo. Almoço: Espetada de Camarão e Salada de Frango no Izzy's. Em vez de molhar os pés, aposto tudo no bronze. No acto, aprovieto para devorar as últimas páginas da "Ler" de Junho e enceto "A Lenda de Martim Regos", de Pedro Canais. Férias, afinal, é fazer aquilo que me apetecer!Jantar no bar O Forte, junto ao parque de campismo: tosta mista gigante de galinha com alho, a nossa preferida. Faríamos quilómetros para vir comer esta bomba de calorias. Felizmente, moramos aqui ao lado. Ou tragicamente... para mal dos nossos quilos extras.
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