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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Portugal sagt "Ich bin ein Berliner"
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Vídeo sobre Portugal proposto por Marcelo Rebelo de Sousa foi recusado na Alemanha
O filme sobre Portugal que as autoridades alemãs recusaram apresentar em Berlim vai ser exibido na segunda-feira nos painéis do Turismo de Lisboa, acompanhando a visita da chanceler alemã, Angela Merkel, à capital portuguesa, disse hoje o autor. O filme, intitulado "Eu sou um berlinense" ("Ich bin ein Berliner") pretendia apresentar aos alemães alguns dados sobre a realidade portuguesa das últimas quatro décadas, num resumo de quase cinco minutos. Os autores tinham comprado espaço em locais na Alemanha para a exibição do filme durante este fim de semana, antes da visita de Merkel a Portugal, mas a sua difusão não foi autorizada porque as autoridades alemãs consideraram que a mensagem "era politizada". O 'bloguer' Rodrigo Moita de Deus, autor do filme, afirmou que a intenção não é ofender os alemães, mas fazê-los compreender um pouco mais a realidade em que vivem os portugueses. "Como está no filme, trabalhamos mais horas, pagamos mais impostos, temos menos férias", disse, considerando que a recusa do filme "é uma situação insólita, até porque os princípios e os valores da União Europeia falam de solidariedade". Os autores vão ainda insistir para que a mensagem chegue aos destinatários, encontrando outras formas de exibição na Alemanha, nomeadamente através das redes sociais. Para já, "Eu sou um berlinense" vai ser exibido na segunda-feira em Lisboa, nos painéis do Turismo da cidade, enquanto Angela Merkel a visita. Rodrigo Moita de Deus manifestou também o seu protesto numa carta ao embaixador alemão em Portugal, na qual salienta que "todos os dados referidos no filme são factos históricos facilmente comprováveis e dados estatísticos de fontes oficiais". A realização de um filme que informasse os alemães sobre Portugal e os Portugueses foi sugerida há duas semanas por Marcelo Rebelo de Sousa, na sua crónica na TVI. A ideia era projectar o vídeo numa das principais praças de Berlim. Esta recusa levou já os colaboradores de Marcelo Rebelo de Sousa a enviarem um protesto para a embaixada da Alemanha em Portugal. O vídeo de 5 minutos pretendia mostrar a realidade portuguesa ao povo alemão, os sacrifícios que o país está a fazer e as conquistas que o país fez nas últimas décadas.
Lusa
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Horários laborais no comércio luxemburguês voltam "à baila": Déi Gréng defendem abolição do dia de encerramento das bombas de gasolina
O partido luxemburguês Os Verdes ("Déi Gréng") quer acabar com o dia de encerramento das bombas de gasolina.
Por lei e com algumas excepções à regra (por exemplo: as estações de serviço das auto-estradas), as bombas de gasolina devem encerrar, no mínimo, um dia por semana no Luxemburgo, o que acontece, normalmente, ao domingo.
Mas a actual situação pode vir a mudar, já que os Verdes luxemburgueses defendem que as estações de serviço deveriam estar abertas sete dias sobre sete e pediram já que este assunto fosse discutido na próxima reunião da comissão parlamentar das Classes Médias.
Porque razão as lojas não ficam abertas até mais tarde no Luxemburgo?
Adivinha-se já uma contra-ofensiva por parte dos sindicatos, que no Luxemburgo têm lutado afincadamente nos últimos anos contra todo o tipo de alargamento de horários laborais nos estabelecimentos comerciais.
Nesta luta, os sindicatos têm-se confrontado com os sindicatos do patronato, com várias uniões de comerciantes locais, com a Câmara Luxemburguesa do Comércio e até contra os pareceres e as indicações do Governo.
O executivo e os comerciantes preconizam mais flexibilidade e alargamento dos horários de abertura dos comércios no Luxemburgo, sobretudo depois das 18h e aos fins-de-semana, por forma a não deixar "fugir" o poder de compra dos residentes para as zonas comerciais que se têm vindo a instalar nas zonas fronteiriças alemã, francesa e belga, onde as lojas ficam abertas até muito mais tarde, sábados e domingos, inclusive. Têm igualmente alertado para a situação de crise económica e para essa concorrência desleal contra a qual não podem lutar.
O Governo luxemburguês lançou até uma campanha que visa promover o Grão-Ducado como "principal pólo comercial da Grande Região" (zona que inclui a Valónia, a Lorena, o Luxemburgo, a Sarre e a Renânia Palatinato), mas a realidade é que na última década o país foi sendo literalmente "cercado" por parques comerciais, grandes superfícies e zonas de outlets (lojas de fábrica com venda directa ao público) que se têm instalado e concentrado do outro lado da fronteira luxemburguesa e à qual acorrem residentes luxemburgueses e transfronteiriços, atraídos pelos horários mais compatíveis com a sua vida profissional e familiar, bem como pelos preços praticados.
Os sindicatos luxemburgueses, por seu lado, de cada vez que os horários laborais no comércio vêm "à baila" sobem o tom e denunciam o facto de o patronato querer avançar com essas "flexibilidades" em detrimento das condições de trabalho e dos direitos dos trabalhadores.
JLC
Por lei e com algumas excepções à regra (por exemplo: as estações de serviço das auto-estradas), as bombas de gasolina devem encerrar, no mínimo, um dia por semana no Luxemburgo, o que acontece, normalmente, ao domingo.
Mas a actual situação pode vir a mudar, já que os Verdes luxemburgueses defendem que as estações de serviço deveriam estar abertas sete dias sobre sete e pediram já que este assunto fosse discutido na próxima reunião da comissão parlamentar das Classes Médias.
Porque razão as lojas não ficam abertas até mais tarde no Luxemburgo?
Adivinha-se já uma contra-ofensiva por parte dos sindicatos, que no Luxemburgo têm lutado afincadamente nos últimos anos contra todo o tipo de alargamento de horários laborais nos estabelecimentos comerciais.
Nesta luta, os sindicatos têm-se confrontado com os sindicatos do patronato, com várias uniões de comerciantes locais, com a Câmara Luxemburguesa do Comércio e até contra os pareceres e as indicações do Governo.
O executivo e os comerciantes preconizam mais flexibilidade e alargamento dos horários de abertura dos comércios no Luxemburgo, sobretudo depois das 18h e aos fins-de-semana, por forma a não deixar "fugir" o poder de compra dos residentes para as zonas comerciais que se têm vindo a instalar nas zonas fronteiriças alemã, francesa e belga, onde as lojas ficam abertas até muito mais tarde, sábados e domingos, inclusive. Têm igualmente alertado para a situação de crise económica e para essa concorrência desleal contra a qual não podem lutar.
O Governo luxemburguês lançou até uma campanha que visa promover o Grão-Ducado como "principal pólo comercial da Grande Região" (zona que inclui a Valónia, a Lorena, o Luxemburgo, a Sarre e a Renânia Palatinato), mas a realidade é que na última década o país foi sendo literalmente "cercado" por parques comerciais, grandes superfícies e zonas de outlets (lojas de fábrica com venda directa ao público) que se têm instalado e concentrado do outro lado da fronteira luxemburguesa e à qual acorrem residentes luxemburgueses e transfronteiriços, atraídos pelos horários mais compatíveis com a sua vida profissional e familiar, bem como pelos preços praticados.
Os sindicatos luxemburgueses, por seu lado, de cada vez que os horários laborais no comércio vêm "à baila" sobem o tom e denunciam o facto de o patronato querer avançar com essas "flexibilidades" em detrimento das condições de trabalho e dos direitos dos trabalhadores.
JLC
terça-feira, 17 de novembro de 2009
À procura do "delfim" de Juncker
Ainda é apenas uma eventualidade, mas a possibilidade de o primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker poder vir a ser nomeado esta quinta-feira para presidir a UE faz com que nos bastidores da política luxemburguesa, se perfilem já dois sucessores ao seu cargo: François Biltgen e Luc Frieden.
O assunto será oficialmente discutido na direcção do partido cristão-social CSV a partir de quinta-feira. É nesse dia que os chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados-membros da UE decidem em Bruxelas quem querem como primeiro presidente do Conselho da UE. Um presidente que pode assumir funções em Janeiro de 2010, caso assim os líderes europeus o decidam.
Se Juncker for o escolhido pelos 27 - e o chefe de Governo luxemburguês já disse que aceitaria o convite se este lhe fosse dirigido - o Luxemburgo fica sem o seu carismático primeiro-ministro dentro de pouco menos de mês e meio.
Enquanto alguns analistas consideram a nomeação de François Biltgen (à direita, na imagem) para chefe do Governo luxemburguês pouco provável e vêem Luc Frieden (à esquerda) como o favorito da população e de Juncker, outros pensam precisamente o contrário.
Aceitam-se apostas!
Mas quem se perfila desde já como provável delfim de Juncker?
Biltgen, de 51 anos, assume de momento pastas tão importantes como a Justiça, as Comunicações, o Ensino Superior e Investigação, e a Função Pública. Com pastas que são verdadeiros estaleiros de obras, Biltgen é um super-ministro difícil de substituir. Fosse ele nomeado para chefiar o Executivo, isso implicaria uma remodelação no Governo, uma redistribuição das pastas ou mesmo novas nomeações.
Biltgen entrou um ano depois de Frieden no Governo, em 1999, e tem sido um ministro com uma carreira linear e autor de políticas mais ou menos consensuais. Um dos seus (únicos) sucessos políticos foi, enquanto ministro do Trabalho, decidir tornar a ADEM – claramente ultrapassada pelo número crescente de desempregados –, numa agência com mais meios e outro tipo de gestão. Mas essa agência só será uma realidade, na melhor das hipóteses, no Verão de 2010, e o sucesso desta restruturação ainda está para provar.
Outro sucesso seu foi conseguir renovar a lei da imprensa em 2004 (datava de 1869!), enquanto ministro das Comunicações. Mas, em contrapartida, com o caso das buscas no CONTACTO que a Justiça luxemburguesa não considerou ilegais, é de questionar a sua autoridade como ministro da Tutela, na aplicação dessa mesma lei.
Biltgen é um ministro bem visto pelos estrangeiros e sobretudo pelos portugueses, simpatia granjeada durante o tempo em que foi presidente da associação Amizade Portugal-Luxemburgo (APL).
Mas junto dos luxemburgueses, Luc Frieden é bem mais popular. Cinco anos mais novo do que Biltgen, Frieden, a quem Juncker atribuiu apenas dois ministérios, mas dos mais importantes, o do Tesouro e o das Finanças, pode vir perfeitamente a cumular essas pastas com o cargo de chefe do Governo, sem que seja necessária uma remodelação governamental. O que seria do agrado dos eleitores luxemburgueses, diz quem conhece as idiossincrasias deste povo.
A seu favor, Frieden tem o facto de a opinião pública luxemburguesa o ver como um bom governante e um gestor sábio das contas públicas. Foi alvo de duras críticas por cumular, na última legislatura (2004-2009), a pasta da Justiça e a tutela da Polícia. Sobretudo quando se tratou de lidar com o famoso "Caso Boomeleeër" (bombista que assolou o Luxemburgo nos anos 80), em que polícias eram suspeitos de estar directamente envolvidos nos atentados bombistas.
Mesmo assim, a sua popularidade não baixou. No último inquérito sobre o político mais popular do país ("Politmonitor", publicado no "Luxemburger Wort", em Maio), Frieden foi o terceiro preferido dos luxemburgueses e o segundo do seu partido, logo depois de Juncker. Biltgen era sétimo na sondagem.
Outro dos sinais de que Frieden pode ser o "delfim" de Juncker é o facto de as carreiras políticas dos dois homens serem muito semelhantes. Frieden foi nomeado ministro muito cedo, aos 34 anos (Juncker aos 30 e Biltgen aos 40), e viu-se logo confiar uma pasta tão importante como a do Tesouro, pasta que Juncker também ocupou. Daí foi para as Finanças, seguindo as pisadas de Juncker. E como Juncker o fora antes (1989-1995), Frieden assume desde 1998 o cargo de governador do Banco Mundial.
Juncker e Biltgen têm em comum o facto de terem sido ministros do Trabalho, presidentes do CSV e de terem um temperamento popular e comunicativo. Frieden é um político mais reservado e grave.
Mas parece muito mais óbvio que a carreira de Frieden foi de certa forma "pilotada" por Juncker, numa intenção nada dissimulada de o preparar para a sucessão.
Sábado, o presidente cessante do CSV, Biltgen, disse apenas que, como a questão da sucessão de Juncker ainda não se coloca, não deve ser discutida. "Mas o partido dispõe de candidatos suficientes", ironizou.
José Luís Correia
O assunto será oficialmente discutido na direcção do partido cristão-social CSV a partir de quinta-feira. É nesse dia que os chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados-membros da UE decidem em Bruxelas quem querem como primeiro presidente do Conselho da UE. Um presidente que pode assumir funções em Janeiro de 2010, caso assim os líderes europeus o decidam.
Se Juncker for o escolhido pelos 27 - e o chefe de Governo luxemburguês já disse que aceitaria o convite se este lhe fosse dirigido - o Luxemburgo fica sem o seu carismático primeiro-ministro dentro de pouco menos de mês e meio.
Enquanto alguns analistas consideram a nomeação de François Biltgen (à direita, na imagem) para chefe do Governo luxemburguês pouco provável e vêem Luc Frieden (à esquerda) como o favorito da população e de Juncker, outros pensam precisamente o contrário.
Aceitam-se apostas!
Mas quem se perfila desde já como provável delfim de Juncker?
Biltgen, de 51 anos, assume de momento pastas tão importantes como a Justiça, as Comunicações, o Ensino Superior e Investigação, e a Função Pública. Com pastas que são verdadeiros estaleiros de obras, Biltgen é um super-ministro difícil de substituir. Fosse ele nomeado para chefiar o Executivo, isso implicaria uma remodelação no Governo, uma redistribuição das pastas ou mesmo novas nomeações.
Biltgen entrou um ano depois de Frieden no Governo, em 1999, e tem sido um ministro com uma carreira linear e autor de políticas mais ou menos consensuais. Um dos seus (únicos) sucessos políticos foi, enquanto ministro do Trabalho, decidir tornar a ADEM – claramente ultrapassada pelo número crescente de desempregados –, numa agência com mais meios e outro tipo de gestão. Mas essa agência só será uma realidade, na melhor das hipóteses, no Verão de 2010, e o sucesso desta restruturação ainda está para provar.
Outro sucesso seu foi conseguir renovar a lei da imprensa em 2004 (datava de 1869!), enquanto ministro das Comunicações. Mas, em contrapartida, com o caso das buscas no CONTACTO que a Justiça luxemburguesa não considerou ilegais, é de questionar a sua autoridade como ministro da Tutela, na aplicação dessa mesma lei.
Biltgen é um ministro bem visto pelos estrangeiros e sobretudo pelos portugueses, simpatia granjeada durante o tempo em que foi presidente da associação Amizade Portugal-Luxemburgo (APL).
Mas junto dos luxemburgueses, Luc Frieden é bem mais popular. Cinco anos mais novo do que Biltgen, Frieden, a quem Juncker atribuiu apenas dois ministérios, mas dos mais importantes, o do Tesouro e o das Finanças, pode vir perfeitamente a cumular essas pastas com o cargo de chefe do Governo, sem que seja necessária uma remodelação governamental. O que seria do agrado dos eleitores luxemburgueses, diz quem conhece as idiossincrasias deste povo.
A seu favor, Frieden tem o facto de a opinião pública luxemburguesa o ver como um bom governante e um gestor sábio das contas públicas. Foi alvo de duras críticas por cumular, na última legislatura (2004-2009), a pasta da Justiça e a tutela da Polícia. Sobretudo quando se tratou de lidar com o famoso "Caso Boomeleeër" (bombista que assolou o Luxemburgo nos anos 80), em que polícias eram suspeitos de estar directamente envolvidos nos atentados bombistas.
Mesmo assim, a sua popularidade não baixou. No último inquérito sobre o político mais popular do país ("Politmonitor", publicado no "Luxemburger Wort", em Maio), Frieden foi o terceiro preferido dos luxemburgueses e o segundo do seu partido, logo depois de Juncker. Biltgen era sétimo na sondagem.
Outro dos sinais de que Frieden pode ser o "delfim" de Juncker é o facto de as carreiras políticas dos dois homens serem muito semelhantes. Frieden foi nomeado ministro muito cedo, aos 34 anos (Juncker aos 30 e Biltgen aos 40), e viu-se logo confiar uma pasta tão importante como a do Tesouro, pasta que Juncker também ocupou. Daí foi para as Finanças, seguindo as pisadas de Juncker. E como Juncker o fora antes (1989-1995), Frieden assume desde 1998 o cargo de governador do Banco Mundial.
Juncker e Biltgen têm em comum o facto de terem sido ministros do Trabalho, presidentes do CSV e de terem um temperamento popular e comunicativo. Frieden é um político mais reservado e grave.
Mas parece muito mais óbvio que a carreira de Frieden foi de certa forma "pilotada" por Juncker, numa intenção nada dissimulada de o preparar para a sucessão.
Sábado, o presidente cessante do CSV, Biltgen, disse apenas que, como a questão da sucessão de Juncker ainda não se coloca, não deve ser discutida. "Mas o partido dispõe de candidatos suficientes", ironizou.
José Luís Correia
Juncker, o candidato perfeito para presidir os destinos da UE?
O primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, diz-se pronto para ser o primeiro presidente do Conselho da União Europeia. Uma ambição conhecida há muito, mas que pode estar prestes a tornar-se concreta, quando o Tratado de Lisboa, que institui a função, entrar em vigor, o que deverá acontecer a 1 de Dezembro.
O Tratado de Lisboa, que prevê a criação do cargo de presidente permanente do Conselho da União Europeia (UE), pode entrar em vigor no primeiro dia do mês seguinte à ratificação por todos os Estados-membros. O último país a ratificar o tratado foi a República Checa. O que marca como data possível para a entrada em vigor do tratado o dia 1 de Dezembro, se os líderes dos 27 Estados-membros assim o decidirem esta quinta-feira, em Bruxelas.
A criação desta função vai acabar com as presidências rotativas da UE, consideradas muito dispendiosas. A função passa a ser ocupada durante dois anos e meio por um candidato permanente a ser nomeado pelos líderes dos 27.
O Tratado de Lisboa prevê que o primeiro presidente do Conselho da UE pode entrar em funções a partir de Janeiro de 2010. Se realmente esse homem for Juncker, então o Luxemburgo vai perder o seu primeiro-ministro dentro em Janeiro. Nesse caso, a questão vai ser saber quem sucederá a Juncker.
Até quinta-feira, é necessário que os 27 se concertem e decidam sobre quem querem para este lugar.
Juncker, o europeu convicto
O primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker afirmou que não declinaria o convite para se tornar o primeiro presidente permanente do Conselho da União Europeia (UE), em entrevista ao jornal francês "Le Monde", na sua edição de 27 de Outubro.
"Se fosse convocado, não teria razão para recusar, com a condição de ser apoiado por ideias ambiciosas para este cargo", declarou Juncker na entrevista.
Há algum tempo que o nome de Juncker era citado como possível candidato para a função.
Embora seja facto notório no Luxemburgo que Juncker há muito ambiciona e se prepara para este cargo, esta foi a primeira vez que o chefe de Governo luxemburguês manifestou claramente a nível internacional o seu interesse.
"Aprendi que não é necessário apresentar-se como candidato para um cargo destes. É preciso deixar que chegue a chamada dos outros", pode ler-se no "Le Monde".
Entrevistado dois dias depois pelo "Luxemburger Wort", Juncker explicou que "não é candidato", mas que "não recusaria o convite dos chefes de Estado e de Governo europeus".
“Ao contrário de 2004, não prometi aos eleitores luxemburgueses que ficaria até ao fim do meu mandato no Luxemburgo. Por isso, não teria nenhum motivo para recusar esse convite", disse, manifestando, no entanto, dúvidas sobre as possibilidades da sua nomeação, face aos outros nomes que circulam.
Juncker aproveitou para recordar as qualidades da pessoa que deveria aceder a essa função.
“Num documento sobre as expectativas do Benelux, dizemos claramente que o presidente permanente do Conselho da UE tem de ser um homem que estabeleça métodos de comunidade confirmados. Além do tratado, não podemos aceitar que alguns aspectos políticos sejam discutidos por apenas alguns países membros. O presidente do Conselho tem de ser o primeiro defensor da União Europeia. O cargo não deverá servir para aumentar a sua glória pessoal. É uma função de responsabilidade, que supõe que se consiga encontrar acordos internos no conselho europeu”, declarou ao Wort.
Quanto à questão da ratificação do Tratado de Lisboa, Juncker considerava na semana passada (e antes que se soubesse que a República Checa pudesse vir a ratificar o tratado) que este podia vir a entrar em vigor ainda antes do fim do ano, "quando todas as questões (...) com a República Checa estiverem resolvidas".
Juncker é considerado por muitos líderes da UE como alguém de fortes convicções europeias. Enquanto veterano dos chefes de Governo europeus em exercício (desde 1995, mas integrando o Executivo desde 1981), os seus pares reconhecem-lhe como qualidades, além de longevidade política, a de este ter trabalhado ao longo das últimas duas décadas com afinco em prol da construção e da coesão europeias. Ainda antes de chefiar o Executivo grão-ducal, já Juncker demonstrava o seu empenho pela causa europeia.
Enquanto ministro das Finanças de Jacques Santer, foi um dos mestres-arquitectos do Tratado de Maastricht (1992). Este tratado transformou a CEE em UE, reforçou a colaboração entre Estados-membros, graças a uma política estrangeira e de segurança comum, instituindo ainda a cooperação policial e judiciária em matéria penal nos estados-membros.
Um dos arquitectos da Europa social e económica
O papel de Juncker foi sobretudo determinante na criação da União Económica e Monetária (UEM), que esse tratado também instituiu, e que viria a criar o "euro".
Em 1991, ao presidir o Conselho "Assuntos Económicos e Financeiros", Juncker redigiu ele mesmo algumas largas passagens no Tratado de Maastricht para a criação da UEM. E quando as negociações estavam comprometidas pela recusa de adesão do Reino Unido, foi o luxemburguês que sugeriu o conceito do "opting-out", o que desbloqueou a situação.
Em 1996, é mais uma vez um negociador bem sucedido ao deslindar a delicada situação que se tinha criado entre Helmut Kohl e Jacques Chirac sobre o Pacto de Estabilidade da UEM. A imprensa internacional chama-lhe nessa ocasião o "Herói de Dublim".
Durante a presidência luxemburguesa do Conselho da UE de 1997, Juncker apela a "uma Europa mais social", que responda às aspirações dos cidadãos comunitários. No conselho extraordinário europeu sobre o Emprego, em Novembro desse ano, Juncker, que além de chefe do Executivo luxemburguês, cumulava então a pasta das Finanças e do Emprego, propõe o Plano de Acção a favor do Emprego, que estipula que cada Estado-membro deve submeter-se a um plano anual nacional com critérios quantitativos e verificáveis de modo a lutar mais eficazmente contra o desemprego.
Um mês depois, é durante o Conselho Europeu do Luxemburgo que a UE abre as suas portas aos países do Leste Europeu (a adesão viria a dar-se em 2004). Na mesma cimeira, Juncker é um dos grandes incentivadores da criação do Euro 11, grupo de países membros da UEM (futura Zona Euro), entretanto rebaptizado Eurogrupo. Foi também por isso que quando tiveram que nomear um presidente permanente para o Eurogrupo, em Janeiro de 2005, a escolha dos ministros das Finanças da Zona Euro recaiu naturalmente sobre o luxemburguês. Políticos e analistas não têm poupado elogios à mestria com que tem chefiado este grupo de trabalho.
Aquando da presidência luxemburguesa de 2005, no Conselho Europeu de Março, Juncker consegue obter um acordo que reforma o Pacto de Estabilidade, sem alterar os princípios fundamentais do texto. Nessa cimeira, consegue ainda mobilizar os líderes europeus para relançar a Estratégia de Lisboa, adormecida desde 2000. Esta Estratégia visa fazer evoluir a sociedade e a economia europeias em matéria do conhecimento através de políticas que apostem nas novas tecnologias da informação, da investigação e do desenvolvimento, assim como acelerar as reformas estruturais para reforçar a competitividade e a inovação.
Juncker foi também governador do Banco Mundial entre 1989 e 1995, cargo em que ficaram conhecidas as suas posições em defesa da economia europeia. Desde então é também governador do Fundo Monetário Internacional (FMI) e governador do Banco Europeu para a Reconstrução e o desenvolvimento (BERD).
Juncker granjeou para si, pessoalmente, os louros por o Grão-Ducado ter votado em 2005 (com 56,52% dos votos) a favor da Constituição Europeia. O que veio apenas reforçar a nível internacional a ideia de que os luxemburgueses e o Luxemburgo são europeus convictos da primeira hora.
Recorde-se a este propósito o célebre episódio em que Juncker lançou o "ultimato" aos eleitores luxemburgueses de que se não votassem em favor da Constituição, ele se demitiria. Argumentou então dizendo que se os eleitores votassem contra a Constituição Europeia, era como se votassem contra o trabalho que ele próprio desenvolvera durante 10 anos. E o que poderia ter sido para muitos um suicídio político, foi para Juncker apenas a maneira de afirmar as suas convicções profundas, em nome e defesa da UE.
Frequentemente tem explicado esta sua convicção na UE, declarando que "é a construção europeia que tem garantido a paz e a estabilidade na Europa desde a II Guerra Mundial." Para Juncker, não se trata apenas de uma União económica e social, trata-se de assegurar um futuro comum.
Timothy Garton Ash, famoso jornalista do "The Guardian", no seu último livro "Facts are subversive", vê a coisa da mesma forma: "O que a Europa era há 60 anos continua a ser o argumento mais forte para a construção da UE".
A partir de 2001, foi sob o impulso de Juncker que o Grão-Ducado se tornou um dos países que mais investe na cooperação ao desenvolvimento (cerca de 0,8 % do PIB) em países-alvo de África (como Cabo Verde), Ásia e da América Latina. Porque Juncker sempre preconizou que é desse modo que se trava a imigração ilegal para a Europa e se fomenta a paz social com os imigrantes já radicados no Grão-Ducado, ele que sempre repudiou uma "Europa-muralha".
Os outros candidatos
Há outros candidatos em liça para o cargo, mas o que pode vir a determinar a preferência em favor de Juncker é o facto de a maioria dos Estados-membros dos 27 desejar como primeiro presidente da UE um representante de um pequeno país e que já tenha dado provas de integração europeia, ou seja, que faça parte do Espaço Schengen e/ou da Zona Euro. O Luxemburgo responde aos três critérios. Além de ser um país-fundador da UE.
A corrida dos potenciais presidenciáveis para um cargo que ainda nem existe à frente do Conselho da UE provoca tonturas, tal as reviravoltas de nomes que vão sendo atirados e tidos como "preferidos" por este ou aquele lóbi europeu.
O chefe do Governo belga, Herman Van Rompuy, é um dos últimos que se perfila. Segundo fontes diplomáticas europeias, Van Rompuy, de 62 anos, viu-lhe serem dirigidos convites insistentes por parte de vários chefes de Estado e de Governo europeus.
"O seu nome é alvo de consenso junto dos líderes europeus e mesmo de unanimidade", chegavam a assegurar recentemente fontes diplomáticas europeias, citadas por várias agências de imprensa e jornais internacionais.
A imprensa belga entrou no jogo e não lhe poupa elogios. Segundo o diário flamengo "De Standaard", Van Rompuy "não é candidato, mas é o favorito". Sobretudo se o assunto vier a ser decidido pelo eixo Paris-Berlim, lê-se no jornal, que cita um analista do britânico "The Guardian".
Para o diário francófono belga "La Dernière Heure", Van Rompuy alcança o consenso que os seus dois homólogos do Benelux, o holandês Jan Peter Balkenende e o luxemburguês Jean-Claude Juncker, não conseguem.
Outros lóbis belgas e europeus que vêem Van Rompuy como um candidato do eixo Paris-Berlim preferiam ver Jan Peter Balkenende, antigo primeiro-ministro da Bélgica, passar à frente de Van Rompuy.
Entretanto, nos corredores do Parlamento Europeu em Bruxelas sibila-se que os europeus gostariam até de ver, quiçá, uma mulher no posto de presidente da UE.
Os lóbis europeus anti-Juncker, que o acusam de ser um aguerrido defensor do sigilo bancário, lançaram entretanto o nome de Vaira Vika-Freiberga, ex-presidente da Letónia, que cumula as vantagens de ser oriunda de um pequeno Estado-membro e um dos mais recentes a ter aderido à UE.
Blair, caído em desgraça... ou ainda na corrida?
Ainda há pouco tempo, o nome mais badalado era o do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, agora relegado para último. Blair foi vítima do tradicional eurocepticismo inglês – o Reino Unido não faz parte da Zona Euro nem do Espaço Schengen –, algo que os demais europeus nunca entenderam. Mas Blair foi também vítima da sua política no Iraque.
E assim, foi debalde que Blair tentou obter o apoio dos líderes europeus ns últimas semanas. Bélgica, Holanda e Luxemburgo opuseram-se publicamente à sua candidatura. A França e a Alemanha mostraram muitas reticências.
Numa recente sondagem divulgado no Reino Unido, nem os apoios dos seus próprios concidadãos Blair mereceu como candidato a este cargo.
José Luís Correia
O Tratado de Lisboa, que prevê a criação do cargo de presidente permanente do Conselho da União Europeia (UE), pode entrar em vigor no primeiro dia do mês seguinte à ratificação por todos os Estados-membros. O último país a ratificar o tratado foi a República Checa. O que marca como data possível para a entrada em vigor do tratado o dia 1 de Dezembro, se os líderes dos 27 Estados-membros assim o decidirem esta quinta-feira, em Bruxelas.
A criação desta função vai acabar com as presidências rotativas da UE, consideradas muito dispendiosas. A função passa a ser ocupada durante dois anos e meio por um candidato permanente a ser nomeado pelos líderes dos 27.
O Tratado de Lisboa prevê que o primeiro presidente do Conselho da UE pode entrar em funções a partir de Janeiro de 2010. Se realmente esse homem for Juncker, então o Luxemburgo vai perder o seu primeiro-ministro dentro em Janeiro. Nesse caso, a questão vai ser saber quem sucederá a Juncker.
Até quinta-feira, é necessário que os 27 se concertem e decidam sobre quem querem para este lugar.
Juncker, o europeu convicto
O primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker afirmou que não declinaria o convite para se tornar o primeiro presidente permanente do Conselho da União Europeia (UE), em entrevista ao jornal francês "Le Monde", na sua edição de 27 de Outubro.
"Se fosse convocado, não teria razão para recusar, com a condição de ser apoiado por ideias ambiciosas para este cargo", declarou Juncker na entrevista.
Há algum tempo que o nome de Juncker era citado como possível candidato para a função.
Embora seja facto notório no Luxemburgo que Juncker há muito ambiciona e se prepara para este cargo, esta foi a primeira vez que o chefe de Governo luxemburguês manifestou claramente a nível internacional o seu interesse.
"Aprendi que não é necessário apresentar-se como candidato para um cargo destes. É preciso deixar que chegue a chamada dos outros", pode ler-se no "Le Monde".
Entrevistado dois dias depois pelo "Luxemburger Wort", Juncker explicou que "não é candidato", mas que "não recusaria o convite dos chefes de Estado e de Governo europeus".
“Ao contrário de 2004, não prometi aos eleitores luxemburgueses que ficaria até ao fim do meu mandato no Luxemburgo. Por isso, não teria nenhum motivo para recusar esse convite", disse, manifestando, no entanto, dúvidas sobre as possibilidades da sua nomeação, face aos outros nomes que circulam.
Juncker aproveitou para recordar as qualidades da pessoa que deveria aceder a essa função.
“Num documento sobre as expectativas do Benelux, dizemos claramente que o presidente permanente do Conselho da UE tem de ser um homem que estabeleça métodos de comunidade confirmados. Além do tratado, não podemos aceitar que alguns aspectos políticos sejam discutidos por apenas alguns países membros. O presidente do Conselho tem de ser o primeiro defensor da União Europeia. O cargo não deverá servir para aumentar a sua glória pessoal. É uma função de responsabilidade, que supõe que se consiga encontrar acordos internos no conselho europeu”, declarou ao Wort.
Quanto à questão da ratificação do Tratado de Lisboa, Juncker considerava na semana passada (e antes que se soubesse que a República Checa pudesse vir a ratificar o tratado) que este podia vir a entrar em vigor ainda antes do fim do ano, "quando todas as questões (...) com a República Checa estiverem resolvidas".
Juncker é considerado por muitos líderes da UE como alguém de fortes convicções europeias. Enquanto veterano dos chefes de Governo europeus em exercício (desde 1995, mas integrando o Executivo desde 1981), os seus pares reconhecem-lhe como qualidades, além de longevidade política, a de este ter trabalhado ao longo das últimas duas décadas com afinco em prol da construção e da coesão europeias. Ainda antes de chefiar o Executivo grão-ducal, já Juncker demonstrava o seu empenho pela causa europeia.
Enquanto ministro das Finanças de Jacques Santer, foi um dos mestres-arquitectos do Tratado de Maastricht (1992). Este tratado transformou a CEE em UE, reforçou a colaboração entre Estados-membros, graças a uma política estrangeira e de segurança comum, instituindo ainda a cooperação policial e judiciária em matéria penal nos estados-membros.
Um dos arquitectos da Europa social e económica
O papel de Juncker foi sobretudo determinante na criação da União Económica e Monetária (UEM), que esse tratado também instituiu, e que viria a criar o "euro".
Em 1991, ao presidir o Conselho "Assuntos Económicos e Financeiros", Juncker redigiu ele mesmo algumas largas passagens no Tratado de Maastricht para a criação da UEM. E quando as negociações estavam comprometidas pela recusa de adesão do Reino Unido, foi o luxemburguês que sugeriu o conceito do "opting-out", o que desbloqueou a situação.
Em 1996, é mais uma vez um negociador bem sucedido ao deslindar a delicada situação que se tinha criado entre Helmut Kohl e Jacques Chirac sobre o Pacto de Estabilidade da UEM. A imprensa internacional chama-lhe nessa ocasião o "Herói de Dublim".
Durante a presidência luxemburguesa do Conselho da UE de 1997, Juncker apela a "uma Europa mais social", que responda às aspirações dos cidadãos comunitários. No conselho extraordinário europeu sobre o Emprego, em Novembro desse ano, Juncker, que além de chefe do Executivo luxemburguês, cumulava então a pasta das Finanças e do Emprego, propõe o Plano de Acção a favor do Emprego, que estipula que cada Estado-membro deve submeter-se a um plano anual nacional com critérios quantitativos e verificáveis de modo a lutar mais eficazmente contra o desemprego.
Um mês depois, é durante o Conselho Europeu do Luxemburgo que a UE abre as suas portas aos países do Leste Europeu (a adesão viria a dar-se em 2004). Na mesma cimeira, Juncker é um dos grandes incentivadores da criação do Euro 11, grupo de países membros da UEM (futura Zona Euro), entretanto rebaptizado Eurogrupo. Foi também por isso que quando tiveram que nomear um presidente permanente para o Eurogrupo, em Janeiro de 2005, a escolha dos ministros das Finanças da Zona Euro recaiu naturalmente sobre o luxemburguês. Políticos e analistas não têm poupado elogios à mestria com que tem chefiado este grupo de trabalho.
Aquando da presidência luxemburguesa de 2005, no Conselho Europeu de Março, Juncker consegue obter um acordo que reforma o Pacto de Estabilidade, sem alterar os princípios fundamentais do texto. Nessa cimeira, consegue ainda mobilizar os líderes europeus para relançar a Estratégia de Lisboa, adormecida desde 2000. Esta Estratégia visa fazer evoluir a sociedade e a economia europeias em matéria do conhecimento através de políticas que apostem nas novas tecnologias da informação, da investigação e do desenvolvimento, assim como acelerar as reformas estruturais para reforçar a competitividade e a inovação.
Juncker foi também governador do Banco Mundial entre 1989 e 1995, cargo em que ficaram conhecidas as suas posições em defesa da economia europeia. Desde então é também governador do Fundo Monetário Internacional (FMI) e governador do Banco Europeu para a Reconstrução e o desenvolvimento (BERD).
Juncker granjeou para si, pessoalmente, os louros por o Grão-Ducado ter votado em 2005 (com 56,52% dos votos) a favor da Constituição Europeia. O que veio apenas reforçar a nível internacional a ideia de que os luxemburgueses e o Luxemburgo são europeus convictos da primeira hora.
Recorde-se a este propósito o célebre episódio em que Juncker lançou o "ultimato" aos eleitores luxemburgueses de que se não votassem em favor da Constituição, ele se demitiria. Argumentou então dizendo que se os eleitores votassem contra a Constituição Europeia, era como se votassem contra o trabalho que ele próprio desenvolvera durante 10 anos. E o que poderia ter sido para muitos um suicídio político, foi para Juncker apenas a maneira de afirmar as suas convicções profundas, em nome e defesa da UE.
Frequentemente tem explicado esta sua convicção na UE, declarando que "é a construção europeia que tem garantido a paz e a estabilidade na Europa desde a II Guerra Mundial." Para Juncker, não se trata apenas de uma União económica e social, trata-se de assegurar um futuro comum.
Timothy Garton Ash, famoso jornalista do "The Guardian", no seu último livro "Facts are subversive", vê a coisa da mesma forma: "O que a Europa era há 60 anos continua a ser o argumento mais forte para a construção da UE".
A partir de 2001, foi sob o impulso de Juncker que o Grão-Ducado se tornou um dos países que mais investe na cooperação ao desenvolvimento (cerca de 0,8 % do PIB) em países-alvo de África (como Cabo Verde), Ásia e da América Latina. Porque Juncker sempre preconizou que é desse modo que se trava a imigração ilegal para a Europa e se fomenta a paz social com os imigrantes já radicados no Grão-Ducado, ele que sempre repudiou uma "Europa-muralha".
Os outros candidatos
Há outros candidatos em liça para o cargo, mas o que pode vir a determinar a preferência em favor de Juncker é o facto de a maioria dos Estados-membros dos 27 desejar como primeiro presidente da UE um representante de um pequeno país e que já tenha dado provas de integração europeia, ou seja, que faça parte do Espaço Schengen e/ou da Zona Euro. O Luxemburgo responde aos três critérios. Além de ser um país-fundador da UE.
A corrida dos potenciais presidenciáveis para um cargo que ainda nem existe à frente do Conselho da UE provoca tonturas, tal as reviravoltas de nomes que vão sendo atirados e tidos como "preferidos" por este ou aquele lóbi europeu.
O chefe do Governo belga, Herman Van Rompuy, é um dos últimos que se perfila. Segundo fontes diplomáticas europeias, Van Rompuy, de 62 anos, viu-lhe serem dirigidos convites insistentes por parte de vários chefes de Estado e de Governo europeus.
"O seu nome é alvo de consenso junto dos líderes europeus e mesmo de unanimidade", chegavam a assegurar recentemente fontes diplomáticas europeias, citadas por várias agências de imprensa e jornais internacionais.
A imprensa belga entrou no jogo e não lhe poupa elogios. Segundo o diário flamengo "De Standaard", Van Rompuy "não é candidato, mas é o favorito". Sobretudo se o assunto vier a ser decidido pelo eixo Paris-Berlim, lê-se no jornal, que cita um analista do britânico "The Guardian".
Para o diário francófono belga "La Dernière Heure", Van Rompuy alcança o consenso que os seus dois homólogos do Benelux, o holandês Jan Peter Balkenende e o luxemburguês Jean-Claude Juncker, não conseguem.
Outros lóbis belgas e europeus que vêem Van Rompuy como um candidato do eixo Paris-Berlim preferiam ver Jan Peter Balkenende, antigo primeiro-ministro da Bélgica, passar à frente de Van Rompuy.
Entretanto, nos corredores do Parlamento Europeu em Bruxelas sibila-se que os europeus gostariam até de ver, quiçá, uma mulher no posto de presidente da UE.
Os lóbis europeus anti-Juncker, que o acusam de ser um aguerrido defensor do sigilo bancário, lançaram entretanto o nome de Vaira Vika-Freiberga, ex-presidente da Letónia, que cumula as vantagens de ser oriunda de um pequeno Estado-membro e um dos mais recentes a ter aderido à UE.
Blair, caído em desgraça... ou ainda na corrida?
Ainda há pouco tempo, o nome mais badalado era o do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, agora relegado para último. Blair foi vítima do tradicional eurocepticismo inglês – o Reino Unido não faz parte da Zona Euro nem do Espaço Schengen –, algo que os demais europeus nunca entenderam. Mas Blair foi também vítima da sua política no Iraque.
E assim, foi debalde que Blair tentou obter o apoio dos líderes europeus ns últimas semanas. Bélgica, Holanda e Luxemburgo opuseram-se publicamente à sua candidatura. A França e a Alemanha mostraram muitas reticências.
Numa recente sondagem divulgado no Reino Unido, nem os apoios dos seus próprios concidadãos Blair mereceu como candidato a este cargo.
José Luís Correia
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
E se Obama fosse africano? - texto de Mia Couto
E se Obama fosse africano?
Por Mia Couto
Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.
Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.
E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.
Inconclusivas conclusões
Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.
No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.
Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.
Mia Couto
escritor moçambicano
(artigo publicado a 14 de Novembro no jornal "Savana" de Maputo, mas que pensei devia ser amplamente divulgado. Mais vale tarde do que nunca, não é? Obrigado à Beta por ter-me enviado o texto, que penso já deverá circular há quase uma semana pela net numa cadeia de forwards electrónicos)

Por Mia Couto
Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.
Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.
E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.
Inconclusivas conclusões
Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.
No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.
Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.
Mia Couto
escritor moçambicano
(artigo publicado a 14 de Novembro no jornal "Savana" de Maputo, mas que pensei devia ser amplamente divulgado. Mais vale tarde do que nunca, não é? Obrigado à Beta por ter-me enviado o texto, que penso já deverá circular há quase uma semana pela net numa cadeia de forwards electrónicos)
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livros e leituras,
política
terça-feira, 15 de julho de 2008
In memoriam: Bronislaw Geremek
Bronislaw Geremek morreu domingo num trágico acidente de viação, a oeste da Polónia, perto de Lubień. Tinha 76 anos. A Polónia e a Europa perderam um democrata.Para perceber quem foi Geremek, é preciso fazer uma breve leitura aos últimos anos da história política daquele país.
O universo político polaco: da direita liberal à extrema direita
Depois do despertar difícil nos anos 90-pós muro de Berlim, a Polónia começou a dividir-se em duas alas ditas da direita, embora politicamente tenha surgido uma multiplicidade de partidos políticos das mais variadas sensibilidades, num cenário idêntico e por vezes mais multifacetado até do que em alguns dos paises da Europa Ocidental. Mas, em traços largos, há sobretudo duas grandes tendências políticas. De um lado, os "progressistas", da direita liberal, distribuídos por vários partidos, onde militam jovens, população urbana e alguns ex-Solidarność, ávidos de fazer avançar o país nos passos da democracia, de Bruxelas, do capitalismo, da inovação tecnológica. Exemplo disso foi o boom dos media e da tecnologia da informação que o país viveu. Algumas etapas foram inclusive queimadas nesta fuga para a frente e grande parte da população teve dificuldades em aprender a lidar com a mentalidade e as liberdades de uma economia de mercado.
Do outro lado, o mundo rural, que naquele imenso país ainda é parte substancial da população e que se tem deixado ingenuamente levar nas "cantigas" dos conservadores, muitos deles ex-comunistas, nomes inclusive conhecidos do antigo apparatchik polaco, mas que, de um súbito, assim como antes defendiam com unhas e dentes a velha senhora comunista (oficialmente, já não há comunistas na Polónia!), com a mesma ferocidade advogam hoje políticas ditas da "direita dura", quando não são descaradamente de extrema direita: desde a "defesa da moral patriótica" ao proteccionismo, passando por atitudes totalmente anti-UE. Exemplo disso, são os irmãos Lech e Jarosław Kaczyński, do partido ironicamente apelidado de "Direito e Justiça" ("Prawo i Sprawiedliwość"- PiS). O primeiro é o actual presidente da Polónia e tem-se pronunciado publicamente contra: a Constituição Europeia, o Tratado de Lisboa, os direitos dos homossexuais, o aborto, a eutanásia, etc. Em 2006, chegou mesmo a nomear como primeiro-ministro o seu próprio irmão gémeo, Jarosław, num exemplo de democracia vergonhoso para Varsóvia.
Na ala da direita, ainda mais à direita (sim, é possível!), é preciso não descurar demogogos "perigosos" como Andrzej Lepper, do partido "Samobroona" (literalmente: auto-defesa), populista, nacionalista e extremista que chegou a fazer parte do Governo Kaczyński, felizmente não o tempo suficiente para fazer demasiados estragos.
A "consciência" da Polónia
E Geremek nisto tudo? Geremek situava-se no justo meio que caracteriza o bom senso e o equilíbrio que a Polónia necessita há muito. Membro do partido liberal de centro-direita "União das Liberdades" ("Unia Wolnosci "-UW, que nasceu como uma das variantes do movimento operário Solidarność, nos anos 90), Geremek era assim eurodeputado do partido mais pró-europeu da esfera política polaca, o que era simplesmente a continuação natural de todo o seu percurso político no seu país.
Geremek foi um dos sobreviventes do gueto de Varsóvia durante a II Guerra Mundial. Militante comunista desde cedo, entrou em dissidência com Moscovo quando a URSS decidiu endurecer a sua linha política a partir de 1968. Foi um dos fundadores de um dos primeiros partidos "democráticos" polacos em 1976. Em 1980, juntou-se à luta de Lech Wałęsa no Solidarność, chegando a ser preso por Jaruzelski em 1981. Depois da queda do muro de Berlim, fez parte do Parlamento polaco (Sejm), foi ministro dos Negócios Estrangeiros entre 1997 e 2000, tendo sido a pessoa que negociou a entrada da Polónia na NATO. Foi eleito em 2004 para o Parlamento Europeu. No mesmo ano, quase derrotou Josep Borrell na eleição para a presidência daquela instituição.
Licenciado em História, escreveu diversas obras sobre a história cultural do seu país ou sobre a história social francesa, entre muitos outros livros e artigos publicados na imprensa internacional (Washington Post, Le Monde Diplomatique, Gazeta Wyborcza, etc). Foi ainda docente na Sorbonne e no Colégio da Europa de Bruges.
Foi acima de tudo um grande defensor da democracia antes e depois da queda do muro de Berlim, dentro e fora do seu país, um humanista e um intelectual de grande vulto, e um europeísta convicto. Houve quem chegasse a apelidá-lo de "a consciência da Polónia".
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
Ingrid Betancourt proposta para o Prémio Sakharov
Libertada a 2 de Julho das mãos dos guerrilheiros das FARC
Ingrid Betancourt proposta para o Prémio Sakharov
Ingrid Betancourt, antiga candidata presidencial dos Verdes colombianos, foi libertada a 2 de Julho na sequência de uma operação militar contra a guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), ao fim de mais de seis anos de cativeiro. Já foi, entretanto, proposta para ser candidata ao Prémio Sakharov.

A mais famosa refém de sempre, como chegou a ser chamada pela imprensa, a senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt, foi libertada pelo exército colombiano a 2 de Julho, em conjunto com o luso-americano Marc Gonçalves, dois norte-americanos e 11 militares colombianos sequestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). A operação militar sem precedentes foi minuciosamente preparada ao longo de quatro meses e contou com a colaboração, pelo menos logística, do exército israelita e norte-americano, embora ainda se desconheçam todos os pormenores do envolvimento dos dois países nesta libertação.
"Quero primeiro dar graças a Deus e aos soldados da Colômbia", declarou Ingrid à rádio Caracol, algumas horas depois da sua libertação, acrescentando que "a operação foi absolutamente impecável".
"Acredito (que estas libertações) são um sinal de paz para a Colômbia", afirmou ainda.
Ingrid Betancourt, 46 anos, estava refém da guerrilha marxista das FARC desde 23 de Fevereiro de 2002. A então candidata ecologista pelo partido Oxigénio Verde à presidência da Colômbia aventurara-se no território da guerrilha para tentar conversações com esta, mas acabou sequestrada durante mais de seis anos.
Ingrid foi deputada, depois senadora, tendo-se destacado por ser um líder político sem cedências. Lutando pela democracia na Colômbia, activa defensora da ecologia, demonstrou desde sempre a sua feroz oposição contra as FARC, a corrupção política e o narcotráfico, e era já, antes de ser raptada, um símbolo de resistência e luta no seu país. Tentou escapar por cinco vezes, e apesar de, nos últimos tempos, estar fisicamente debilitada, nunca baixou os braços durante os 2.321 dias de penoso cativeiro.
Comovente foi o encontro de Ingrid Betancourt, na quinta-feira, com as mãe e os filhos, que não via há mais de seis anos. Mélanie (21 anos) e Lorenzo (19 anos) chegaram a Bogotá, vindos de Paris, acompanhados pelo pai, num avião especialmente fretado pelo Eliseu, a pedido do presidente francês Nicolas Sarkozy.
Ao longo de mais de seis anos, Mélanie e Lorenzo revelaram-se verdadeiros "Filhos Coragem". Sensibilizando incansavelmente políticos e a opinião pública para o rapto da mãe e para os sequestros das FARC, casos que até aí haviam sido marginalizados pela imprensa europeia e internacional, multiplicaram-se em conferências, marchas e comités de apoio. Foram várias vezes recebidos por Sarkozy, enquanto ministro, no anterior Executivo francês, e depois, já como presidente.
Sarkozy, que se comprometera pessoalmente aquando da sua eleição em fazer tudo pela libertação da franco-colombiana, tentara um salvamento da refém, através de uma certa "diplomacia à força", em Abril, após notícias de que Betancourt estaria tão debilitada fisicamente que se temia pela sua vida. A operação viria a fracassar.
Finalmente reunida com os seus filhos, Ingrid demonstrou vontade de vir para França, onde chegou no sábado. A família foi acolhida por Sarkozy, a quem a ex-refém agradeceu "tudo o que o presidente francês fez" por ela e a quem chamou de "homem extraordinário". Ainda em Bogotá, Betancourt tinha declarado dever muito à sua "douce France" (querida França), o seu país de adopção (Ingrid adquiriu a nacionalidade francesa quando casou em 1981 com Fabrice Delloye, pai dos seus dois filhos, tendo-se divorciado deste em 1990).
A 4 de Julho, a delegação do PSD ao Parlamento Europeu propôs Ingrid Betancourt como candidata ao Prémio Sakharov 2008, considerando que a ex-refém franco-colombiana é daqui para a frente "uma das faces mais visíveis do combate pela liberdade de expressão".
Por seu lado, a Amnistia Internacional (AI) congratulou-se com o resgate dos 15 reféns, mas exigiu a libertação "imediata e incondicional" dos restantes sequestrados na posse das FARC, que se estimam em cerca de três mil, segundo várias organizações humanitárias internacionais.
José Luís Correia (com agências)
in Contacto, 09.07.08
Fonte da foto: wikipedia
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quinta-feira, 3 de julho de 2008
Ingrid Betancourt LIBERTADA

A senadora franco-columbiana Ingrid Betancourt (hoje com 46 anos) foi libertada ontem à noite. Após quase seis anos e meio sequestrada pelas FARC colombianas (desde 23 de Fevereiro de 2002, dias antes de se apresentar como candidata presidencial pelo partido que fundara, Oxigénio Verde!). O exército colombiano e o presidente Alvaro Uribe planearam assim uma inteligente e bem sucedida operação militar de salvamento, nas barbas das FARC enfraquecidas (morreram recentemente alguns dos líderes que encabeçavam o movimento guerrilheiro marxista-leninista), e sem efusão de sangue, provando assim que a subtileza política e militar é por vezes mais eficiente do que a "diplomacia à força, façon Sarkozy".
Ingrid foi deputada, depois senadora na Colômbia, destacando-se por ser um líder político sem cedências. Lutando pela democracia, activa defensora da ecologia, demonstrou desde sempre a sua feroz oposição contra as FARC, a corrupção política e o narcotráfico, e era já, antes de ser raptada, um símbolo de resistência e luta no seu país. Tentou escapar por cinco vezes, e apesar de fisicamente debilitada nunca baixou os braços durante o penoso cativeiro (como atesta a carta que escreveu à mãe em 2007).
Volta agora à liberdade e à família. E, como nunca desiste de lutar, quem sabe se tornará a ser candidata presidencial. E, nesse caso, adiantemo-nos no marcador: o povo preferirá quem entre a Mãe Coragem e Uribe, que esta libertação transformou em Presidente-herói? O futuro de Betancourt e das FARC são as cenas do próximo capítulo que o público aguarda...
Os rebentos desta nova Mãe Coragem, Mélanie e Lorenzo, revelaram-se também Filhos Coragem. Lutaram ao longo de mais de seis difíceis anos pela libertação da mãe, pela sensibilização da opinião pública para o caso dos sequestros das FARC até aí marginalizado pela imprensa internacional, multiplicaram-se em conferências, marchas, comités de apoio. Eles, que na altura, tinha apenas entrado na adolescência, tiverem de crescer à força.
É raro que as notícias do dia sejam ... boas notícias. Inter-pares, alguns jornalistas "de craveira" costumam até dizer, na galhofa "No news, good news!", o que para eles significa cinicamente "boas notícias não são notícias!"
É em dias destes que me regozijo de ser jornalista e poder escrever sobre este tipo de assuntos.

Luso-americano faz parte dos reféns libertados
Foram ainda libertados pelo exército colombiano dois norte-americanos, 11 militares colombianos e o luso-americano Marc Gonçalves, descendente de emigrantes madeirenses por parte do avô e de açorianos por parte da avó, que havia sido sequestrado em 13 de Fevereiro de 2003, depois de o avião em que viajava se ter despenhado na selva colombiana e de os sobreviventes terem sido cercados pelas FARC. Os guerrilheiros executaram os tripulantes
e fizeram reféns Marc Gonçalves, Keith Stansell e Thomas Howes. Gonçalves estava em missão de vigilância do cultivo de droga na selva colombiana ao serviço de uma companhia privada contratada pelo governo norte-americano.
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sábado, 17 de maio de 2008
A lógica simplista norte-americana do "Good guys, bad Guys !"

As declarações de quinta-feira, diante do Knesset (parlamento israelita), de George W. Bush sobre Barack Obama, lamentando que este candidato democrata à presidência tivesse dito que era necessário negociar com o governo iraniano para tentar evitar uma nova guerra, comparando-o aqueles que pactuaram com Hitler durante a II Guerra Mundial (ver post anterior), são reveladores da unilateralidade de pensamento e acção da Administração Bush.Para esta Administração
- prefiro dizer "Administração" porque, além de ser a tradução literal do termo norte-americano para Governo (administration), assenta que nem uma luva a um Executivo que tem mais preocupações económico-financeiras e comerciais com os parceiros que o colocaram no poder e a quem tem essa factura para pagar (leia-se os grandes conglomerados industriais do petróleo e das armas), do que propriamente sociais, ou senão vejamos como o comum dos fellow citizens é tratado nos Estados Unidos a nível de protecção social (who cares!, é o cada um por si, como mostrou o filme de Michael Moore, "Sicko"!) ou como a Casa Branca geriu a tragédia das cheias na Nova Orleans (2005), mais alerta aos furtos nas vivendas afortunadas do que nas condições que os sobreviventes (a maioria oriunda das classes pobres) tinham que enfrentar -,
(desculpem-me o longo intróito!
para a Administração Bush, dizia eu, as coisas definem-se sempre assim: ou é branco ou preto!
Nem estou a (mas até poderia!) fazer referência ao segragacionismo, mas reparem como desde sempre os governos norte-americanos optaram por explicar aos seus cidadãos que só existem dois lados para uma questão: a boa, que é forçosamente aquela que o "nós, colectivo americano" defende, e a deles, "a má", a dos bad guys. Como os índios e os cobóis. Se uns são os bons, os outros só podem ser os vilões. E assim foram durante muito tempo retratados no cinema. A mensagem era simples e o público engolia estupidez às colheradas.
Quando, logo em 2001, a Administração Bush optou pelo termo "eixo do mal" para definir as "forças malignas" que haviam estado na origem dos atentados do 11 de Setembro e designou um "mau da fita", que, por acaso se chama Osama Ben Laden (este até foi treinado pela CIA, mas bem podia ser outro!), não o fez inocentemente! Entendeu e bem que era a maneira mais fácil de reunir à sua volta o maior consenso possível e obter "carta branca" para tudo o que viesse a decidir para erradicar esse "mal". Para a opinião pública norte-americana, nas iris dos quais ainda fumegavam as cinzas das torres gémeas, a solução estava encontrada. Os corações amargurados nem podiam ser um dia acusados de vendetta porque, neste caso, era mesmo justiça que se iria fazer.

E foi com o mesmo "espírito" que os EUA "alegremente" decidiram a invasão do Iraque em 2003. Supostamente para encontrar armas de destruição massiça e derrubar um ditador sanguinário. Recordo que as temíveis armas não foram descobertas e ditaduras duras, infelizmente, há outras. Embora reconhecendo a repressão e a barbárie que Saddam Hussein exercia contra o seu povo, considero que esta intervenção se fez da forma errada e que cabia às Nações Unidas executar o que fosse decidido pela maioria dos países com assento na instituição. O policiamento não cabe aos EUA. Nem eles são a cavalaria que chega de trompete em riste, nem os iraquianos são os índios.
Isto faz-me pensar num interssante diálogo no filme "Good Morning Vietnam" (Barry Levinson, 1987) quando Robin Williams, que interpreta o locutor de rádio Adrian Cronauer, das forças militares norte-americanas, descobre que o jovem amigo vietnamita Tuan (o actor Tung Thanh Tran), com quem tinha travado amizade (e que o faz escapar, inclusive, a dois atentados) é afinal um viet-cong. O diálogo foi mais ou menos este:
Locutor: Fiz-te confiança e descubro que fazes parte da porra do inimigo?
Vietnamita: Inimigo, inimigo, quem eu? Tu, que vens de tão longe para matar o meu povo, chamas-me de inimigo?
(diálogo completo aqui, nos últimos dez minutos do filme)
Não vos faz lembrar nada? (Does this ring a bell to you?)
A Guerra do Vietname, em que os Estados Unidos tinham embarcado supostamente para libertar o país do jugo comunista que pairava, transformou-se num lodaçal onde morreram cerca de um milhão e meio de vietnamitas e quase 60 mil soldados americanos. Um guerra que durou 15 anos.
Hoje, quando oiço o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, dizer que, segundo as suas previsões "a Guerra no Iraque pode ser ganha até 2013", fico deveras preocupado com um Vietname bis, seja no Iraque ou no Irão, e a consequente onda de choque económica e securitária a nível mundial que a todos já nos afecta mas pode vir a ser reforçada. E tudo se vai decidir nas futuras eleições presidenciais norte-americanas a 4 de Novembro. Daí a importância que se fale, se discuta e reflicta sobre estas eleições, que não são apenas "domésticas", como os americanos gostam de defender, mas dizem respeito a todos nós, apesar de nós.
Foto: Ali Yussef/AFP
Autor desconhecido (foto encontrada aqui)Fotografias, com a devida vénia: "mão ensanguentada", foto de Ahmeed Rasheed (Associated Press); "snipers iraquianos atacam soldados americanos", foto de João Silva / New York Times.
N.B.: As fotos serão retiradas se os autores assim o exigirem.
N.B.: As fotos serão retiradas se os autores assim o exigirem.
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Bush Calls Obama A Nazi Appeaser - a última asneirada de Bush (e McCain subscreveu!)
May, 15 / in Israel
OBAMA'S ANSWER:
May 16 / in South Dakota
AND THE ANALYST'S COMMENTS...
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segunda-feira, 14 de abril de 2008
Autor do "Arrastão" passou pelo Grund
(foto do site Fórum Nacional)
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Foi a este país que demos os Jogos Olimpicos?
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sexta-feira, 21 de março de 2008
O talão de Aquiles das Olimpíadas chinesas ou como restabelecer tréguas olímpicas pelo Tibete
Tanto que a China lutou por estas Olimpiadas e nem o seu genuino valor ideológico percebe ou quer entender. Até que ponto o Comité Olímpico Internacional se deixou prostituir, violou a ideologia original do que os Jogos pretendem ser e é conivente com essas ambições puramente comerciais e de propaganda política do governo central de Pequim?Quando foram instituídos pelos Gregos, na Antiguidade, os Jogos Olimpicos eram tempo de tréguas nas sempiternas guerras fractricidas entre Esparta, Atenas e outras cidades-estado gregas. As tréguas eram respeitadas porque todos acreditavam que valores mais altos se alevantavam: a sublimação do Homem enquanto ser que almeja a perfeição. Ir mais longe, mais alto, ser mais forte, "sitius, altius, fortius", como os romanos mais tarde viriam a dizer.
Hoje, perdeu-se esse espírito.
É inadmissível a opressão militar que a China, na sua ambição imperalista e dominadora, impõe a um Tibete que era independente há muito e recusa teimosa em negociar com o Dalai Lama, que trata de terrorista separatista.
Eu era inicialmente contra a atribuição dos JO à China. Mas talvez estes sirvam para encontrar uma solução à crise no Tibete e às violações dos direitos do Homem de que aquele regime é regularmente protagonista. É utópico sonhar que estes JO sejam o rastilho de uma China democrática? Uma China que viola diariamente os direitos fundamentais do ser humano, da liberdade de imprensa e abafa com um punho de ferro todos os contestatários. A mesma China que atacou uma manifestação de estudantes na praça de Tien An Men em 1989 com tanques. Uma sui generis ditadura opressora de extrema esquerda que consegue fazer a espargata com o capitalismo selvagem.
Exposta nessa vitrine mundial privilegiada que os JO oferecem, a China terá percebido tarde demais que essa glória não tolera posições ditatoriais e autistas e custa o preço de certas cedências políticas. A não ser que o Império do Meio queira definitivamente dar
um tiro no pé (de barro?), arriscar um boicote maior do que os que afectaram os JO de Moscovo (1980) e de Los Angeles (1984), no que se tornaria um desaire financeiro e comercial para o país e a pior Olímpiada de que a Era Moderna teria memória. A questão é infelizmente apenas económica. Pode a China pagar essa factura de má publicidade?Para os que acreditam que estes JO podem fazer avançar as coisas e que todos nós podemos fazer a diferença, deixo aqui uma petição a assinar por um Tibete independente.
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segunda-feira, 3 de março de 2008
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Ainda o caso " Bommeleeër"
Romper a lei da omerta
Depois de muitos anos amodorrado, o caso Bommeleeër – o bombista que perpetrou 18 atentados com explosivos entre 1984 e 1986 no Grão-Ducado – tem vindo a avançar com novas revelações desde 2005, em solavancos parcos, mas sucessivos.
Os anos vão passando, velhos rumores vão-se desfazendo e dando lugar a novos boatos, os vultos que ocupavam cargos na época vão sendo substituídos nos seus postos, as testemunhas vão perdendo o temor em falar e as línguas vão-se soltando.
Refutando toda e qualquer teoria do "complot" ou lei da omerta (lei do silêncio) que pesasse sobre este caso e que o interditasse de agir livremente, o ministro da Justiça já insistiu, visivelmente agastado, que na altura dos atentados era um jovem estudante em Paris e que não tem assim qualquer interesse em impedir que se aplique o maior rigor e a mais completa transparência na conclusão destas investigações. Muito pelo contrário, Luc Frieden parece mesmo estar a cansar-se das meias-medidas tomadas ao longo de 22 anos de investigações mornas.
É que o que está em causa é mais do que uns "meros" (desculpe-se o eufemismo!) atentados terroristas: é a confiança dos cidadãos em duas das mais importantes instituições nacionais, que são a polícia e a justiça luxemburguesas.
Na quarta-feira, numa decisão sem precedentes na história do país, o mais recente episódio da saga Bommeleeër levou Frieden a demitir os dois mais altos responsáveis da hierarquia policial. Em causa, a decisão tomada por estes em 27 de Maio de 1985 de interromper a investigação que estava a ser efectuada ao principal suspeito da altura, horas antes de uma nova bomba eclodir, o que pareceu mais do que uma coincidência suspeita ao ministro e ao procurador de Estado.
E agora?, o que nos aguarda nas cenas dos próximos capítulos?, está ou não a polícia envolvida nos atentados?, quem ou em nome de que interesses foram cometidos estes actos de terrorismo?
Assim como os Estados Unidos da América arrastam atrás de si há décadas a sempiterna polémica sobre quem assassinou/mandou assassinar o presidente John Fitzgerald Kennedy, em 1963, e Portugal deixa pairar há quase 28 anos o caso nunca completamente elucidado da trágica morte de avião (acidental/criminosa?) em Camarate do primeiro-ministro Francisco Sá-Carneiro (1980), o Luxemburgo tem a sua "novela" Bommeleeër .
Resta saber se também este é um enigma que nunca virá a ser esclarecido, em que a lei do silêncio resistirá às pressões da opinião pública e da justiça, que exigem que a verdade seja descortinada.
A subsistirem, as teias obscuras deste mistério nacional apenas contribuirão para alimentar, entre a população e os media , o descrédito das instituições nacionais e as mais diferentes teorias de uma conspiração que protege vultos poderosos ou interesses que ainda hoje permanecem na sombra.
José Luís Correia (in Contacto, 06.02.2008)
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Deputados pela Emigração interpelam Ministro dos Negócios Estrangeiros
Sem-abrigo portugueses no Luxemburgo?
Carta enviada recentemente por Carlos Gonçalves, José Cesário e Carlos Páscoa, deputados do PSD pela Emigração ao Ministro dos Negócios Estrangeiros português:
"Através de um órgão de comunicação social de língua portuguesa publicado no Luxemburgo, o Jornal Contacto – tivemos agora conhecimento de que neste país, onde a nossa comunidade foi sempre um exemplo de integração, coexistem com os casos de sucesso, portugueses em total indigência que estão a merecer a atenção e o apoio de associações luxemburguesas de ajuda aos sem abrigo.
Com efeito, segundo a responsável do Centro de Apoio aos sem-abrigo de Bonnevoie – Stëem vun der Strooss – passaram pelas suas instalações no ano transacto 127 portugueses, o que corresponde a 12,65 % do número total de indivíduos que recorreram àquela instituição.
Acresce que estes números referem-se apenas ao Centro de Bonnevoie, admitindo a sua responsável que o número de portugueses residentes no Luxemburgo nesta situação pode ser bem mais elevado, dado que existem outros Centros semelhantes no Grão-Ducado.
Infelizmente, também fica claro no mesmo artigo que as autoridades portuguesas não têm meios para acompanhar esta realidade e prestar o apoio adequado, o que levou a responsável da estrutura de apoio luxemburguesa a tecer algumas considerações negativas sobre o papel do nosso Consulado nesta questão.
Assim, ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis vimos uma vez mais requerer, através de V.Exa, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que nos sejam dadas as seguintes informações:
1. Como justifica o Governo que exista no Luxemburgo um universo significativo de cidadãos portugueses em situação de total indigência e que não tenham merecido por parte das autoridades consulares portuguesas o acompanhamento e apoio que mereciam?
2. Está o Governo a ponderar alguma intervenção para pôr fim a esta situação?".
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
Rentrée parlamentar: Educação e política social são a preocupação dos socialistas do LSAP
| Alex Bodry, presidente do partido socialista luxemburguês, e Ben Fayot, presidente do grupo parlamentar do LSAP Foto: Guy Wolff |
O presidente do grupo parlamentar do Partido Operário Socialista Luxemburguês (LSAP), Ben Fayot, aproveitou a oportunidade para relembrar os desafios que se apresentam aos membros do Governo e da Câmara dos Deputados (Parlamento) na rentrée parlamentar, marcada para 11 de Outubro próximo.
No encontro, que decorreu em 26 de Setembro, Fayot começou por recordar o repto que o presidente de partido, Alex Bodry, lançara a algumas semanas: o LSAP tem como objectivo desafiar o Executivo a dar provas de que tem uma vontade real de efectuar as reformas que se impõem no país. Reformar aS leiS da nacionalidade, escola e imigração.
Para os socialistas, os projectos-lei mais importantes terão que ser entregues à Câmara dos Deputados o mais tardar até ao final do ano. É o caso dos diplomas sobre a reforma da lei da nacionalidade (que permitirá o acesso à dupla nacionalidade, ver artigo anexo), a reforma da lei de 1912 sobre a escola, a revisão da lei da imigração de 1972 e a lei sobre a formação contínua.
Neste âmbito, Fayot apelou o Executivo a "preparar de forma organizada e conscienciosa" os textos legislativos, de modo a permitir a aprovação mais rapidamente, dentro dos prazos exigidos no Parlamento. O presidente do grupo parlamentar socialista voltou a reiterar o apoio do partido ao projecto-lei sobre a reforma da nacionalidade, tal como esboçado pelo ministro da Justiça, Luc Frieden. Único senão: segundo Fayot, o LSAP gostaria que o Governo também pensasse em promover as vantagens do multilinguismo.
E exemplificou: "Um cidadão chinês que além da sua língua apenas falasse o Luxemburguês, teria dificuldades em viver no nosso país". Uma lei da imigração adaptada às novas realidades sociais e migratórias é uma das etapas no caminho para um Estado moderno, considerou aquele responsável. Em matéria de política educativa, Fayot defendeu a actual ministra da Educação, Mady Delvaux-Stehres, do LSAP, e lembrou que esta herdou muitos problemas da sua antecessora liberal, Anne Brasseur (DP).
O LSAP exige que, neste campo, o grande objectivo continue a ser a igualdade de oportunidades para todos os alunos, independentemente da sua origem nacional ou social. A luta contra o insucesso escolar é outra das prioridades. Fayot exortou ainda o ministro das Obras Públicas, Claude Wiseler, a realizar as construções de escolas previstas no plano director sectorial.
MAIS POLÍTICA SOCIAL
A transposição das medidas da Tripartida é igualmente prioritária aos olhos dos socialistas e um dos cavalos de batalha nas sessões parlamentares que se aproximam. O LSAP anuncia, desde já, que recusará que as decisões tomadas em matéria de política das pensões e reformas seja posta em causa nas discussões sobre o Orçamento de Estado.
Os socialistas também esperam avanços do Governo, em conjunto com os parceiros sociais, na questão do crédito fiscal, bem como na luta contra o desemprego. ...E EUROPEIA Trabalhar por forma a vencer os atrasos de que o país padece na transposição das directivas europeias será outra das preocupações dos socialistas. Fayot solicitou ainda que os deputados se interessem mais pela política europeia. Para o LSAP, os parlamentares deveriam contribuir para converter a política comunitária em tema de discussão no seio da sociedade civil. Sobretudo depois do resultado do referendo sobre a Constituição Europeia, os responsáveis do LSAP consideram que a população espera um maior empenho do Parlamento luxemburguês nas questões comunitárias.
José Luís Correia,
in CONTACTO, 04/10/2006
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