sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Crónica de antecipação: Uma voltinha de carro no ano 2054 - por Joseph Koch-Héa *(1)

São sete da manhã e o Sam ainda está na cama. O colchão de despertar induzido vibrou às 6h30 e uma luz ténue acendeu-se nos cantos do quarto. Dez minutos depois, Bob Marley paira sobre o seu corpo dormente, "Get up, stand up", o volume sobe, mas ele continua a resistir. "Maldito colchão inteligente", resmunga e dá meia-volta na cama. Às dez para as sete, o toque de trompete da cavalaria yankee abate-se sobre ele sem piedade. Histérico, vocifera contra o computador doméstico e ordena-lhe que anule imediatamente o programa de despertar. Amodorra-se na almofada, aninha-se, mas volvidos alguns minutos rende-se à evidência... é impossível voltar a adormecer. Sam arrasta-se então até ao duche e às apalpadelas liga o vaporizador. Desde que os racionamentos dos recursos hídricos foram impostos na Europa há 15 anos, é impossível tomar um duche com água, excepto em alguns centros termais e apenas sob receita médica.

Enquanto os seus poros se abrem, desperta finalmente. Lembra-se que hoje vai ter que testar um novo carro. Foi escolhido por uma agência de estudos de mercado para testar um novo automóvel antes de este ser comercializado e tenciona aproveitar a ocasião. Desconhece qual o modelo que deverá conduzir, mas palpita-lhe que a grande novidade automóvel deste mês de Janeiro de 2054 é o novo Lexus CS (na imagem supra) de que todos falam, um bólide de linhas incríveis e que pode atingir 410 quilómetros nas hiperauto-estradas de oito faixas, como a A6, que liga Bridel ao Kirchberg pelo túnel do Bambësch, ou a E7, entre a cidade do Luxemburgo e Maastricht via Wemperhardt. Foi graças, aliás, ao alargamento da E7 e aos eléctricos-expresso que o Luxemburgo começou a receber há uns dez anos novos transfronteiriços, vindos desta vez da Holanda. Pudera, o caminho até à capital luxemburguesa demora agora entre 30 a 45 minutos. Alguns preferem trabalhar na Tech-Valley da Nordstad, mas outros não se importam de ir até Belval para encontrar emprego. É preciso dizer que apesar de a população do Grão-Ducado ter chegado aos 800 mil habitantes, continua a necessitar de mão-de-obra qualificada estrangeira. Depois de esgotado o reservatório da Grande Região, foi preciso atrair outras forças de trabalho. A chegada dos holandeses, bem qualificados, sobretudo nos sectores das nanobiotecnologias e da finança, dominando o inglês e o alemão, foi considerada providencial.

Sam não é um passageiro dos transportes públicos por opção. Poder conduzir um meio de transporte individual é tão raro que um sorriso desenha-se em êxtase no seu rosto.

Enquanto se deixa barbear pelo sistema Gillette Lasertouch, pede ao espelho táctil para visionar a meteorologia do dia, as cinco notícias locais mais lidas e as três notícias nacionais e internacionais mais consultadas. A agência de imprensa real informa que está tudo pronto para a grande cerimónia da abdicação do grão-duque Guillaume V a favor do filho Henri II. A segundo notícia mais consultada diz respeito à marcha silenciosa dos republicanos luxemburgueses pelo boulevard Jean-Claude Juncker, no Kirchberg. A terceira headline é o início do Salão Automóvel na LuxExpo, em Cessange.

Mas Sam já nem ouve, sonha com altas velocidades e sensações fortes. Até pediu o dia de folga para o grande acontecimento. Ter carro individual é coisa de gente abastada e ele já não conduz um verdadeiro automóvel desde os 16 anos, a única vez em que pegou no carro do pai, um velho híbrido Seat Barça Llobregat. Hoje, nas cidades, as pessoas deslocam-se em eléctrico, metro e tapete urbano. Para as grandes viagens utilizam o comboio magnético ou o avião.

Sam apanha o eléctrico-expresso em Echternach, mesmo à frente da sua casa. Assim que entra na carruagem, já cheia àquela hora, a sua retina é "scaneada", o passageiro é identificado e este pode, então, anunciar o seu destino: "Helfenterbruck". O computador de bordo regista: Sam Nunes, viagem extra-urbana, bilhete 5 eurodólares. No mesmo instante, esse montante é debitado da sua conta bancária. Na carruagem, há três ou quatro pessoas a falar ao telefone por auricular e micro colado à boca, outros conversam alto entre si e um grupo de putos de capuzes enfiados nas cabeças jogam em linha uns contra os outros no ecrã das lentes interactivas dos seus óculos Ray-Ban. Parecem uma seita epiléptica, só se adivinha o que estão a fazer pelos sobressaltos do corpo e dos dedos teclando no interface da ganga das calças. Sam tenta abstrair-se e enfia também ele um auricular para escutar o concerto ao vivo de Paris K. Jackson revisitando Madredeus.

Nove minutos depois, Sam está na estação intermodal do Kirchberg e corre para apanhar a correspondência em metro para Luxembourg-ville-Ouest, acotovelando a turba, no que mais parece uma corrida de obstáculos. Ofegante, chega ao cais no preciso momento em que o metro está a sair. Retém uma injúria quando vê que se trata da linha 5-Place Luc Frieden via Glacis. Trinta segundos depois chega o seu: Bertrange-Leudelange via Gare Central. O mais impressionante daquela troço da linha 2 é a paisagem de cortar a respiração que se pode vislumbrar quando o metro se liberta do rochoso planalto do Kirchberg e atravessa a 70 metros de altura, através de uma ponte tubular transparente com 500 metros de comprimento, todo o vale do Pfaffenthal, numa diagonal vertiginosa que em dois minutos põe o passageiro na place Aldringen. Os japoneses que vão a bordo aproveitam para disparar os flashes dos seus telemóveis. Dois minutos mais tarde, o metro chega à gare central, onde a maioria dos passageiros sai. Apesar da existência de oito gares periféricas em torno da capital luxemburguesa, que servem para redistribuir os passageiros do resto do país e da Grande Região pela rede de transportes interurbana da cidade, a estação central continua a ser a que vê passar mais passageiros. Sam deixa-se ficar e três minutos depois sai mesmo em frente ao autódromo de Helfenterbruck.

Na recepção, uma loira biónica acolhe-o em cinco línguas e encaminha-o com uma dezena de outras pessoas para a pista onde os esperam uma equipa técnica. Junto ao anel da pista há cinco Lexus CS, vermelhos platinados, majestosos, brilhando ao sol sobre a relva, exactamente como os que Sam viu nas revistas online. Os técnicos bombardeiam-nos com perguntas para estabelecer o perfil-consumidor de cada participante. Finalmente, Sam e os outros são convidados a vestir uniformes de piloto. Um nervoso miudinho percorre-lhe a espinha. Os primeiros Lexus arrancam num zunir maravilhoso para os ouvidos de Sam.

Mas quando chega a sua vez, apresentam-lhe o MagmaLux, o primeiro carro geo-eléctrico fabricado por um conglomerado luxemburguês entre a Goodyear, a Genii e a Du Pont de Nemours. A desilusão é total. Sam vê-se perante uma amostra de carro, uma espécie de casca de ovo metálica e que só muito vagamente se aparenta a um veículo. Desiludido, sobe a bordo. As portas fecham-se. Só depois repara que "aquela coisa" nem volante tem. O carro arranca e uma doce voz feminina ressoa pelo habitáculo: "Bem-vindo a bordo do MagmaLux, veículo urbano de pilotagem automática. Equipado com todas as comodidades das mais modernas tecnologias induzidas e de controlo de voz, este é o veículo ideal para aqueles que detestam conduzir no tráfego denso das cidades, uma das principais causas de stress actuais. Graças ao MagmaLux, os passageiros, até um máximo de seis pessoas, podem apreciar a paisagem, relaxar nos confortáveis bancos ergonómicos reclináveis ou até trabalhar nos três computadores instalados a bordo."

Enquanto os Lexus o ultrapassam pela esquerda e pela direita na pista, Sam consegue adivinhar os sorrisos orgásticos dos que os conduzem, enquanto ele se deixa levar à estonteante velocidade de 50 km/hora.

A voz continua: "Antes da viagem, os passageiros devem dizer ao sistema de condução inteligente inteldrive qual o destino pretendido. Este calculará o itinerário mais rápido e a rota mais segura, segundo a densidade do tráfego a essa hora, de modo a evitar os desagradáveis engarrafamentos e acidentes, bem como as estradas e ruas em obras. MagmaLux conjuga a eficácia dos transportes públicos ao conforto do carro privado. Magma Lux, bem-vindo ao futuro do automóvel."

"É lindo o futuro do automóvel, é!...", exclama Sam, de si para si.

"A sua crítica foi registada. O MagmaLux agradece-lhe a sua crítica construtiva e espera mais comentários!", responde-lhe a doce voz automática.
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Advertência: Esta crónica é uma obra de ficção. Todas e quaisquer semelhanças com personagens e factos reais ou imaginários são, evidentemente, pura coincidência.

(*1) a.k.a. José Luís Correia
(*2) O Lexus CS 2054 é um carro imaginado pela Lexus para o filme "Minority Report" (2002) de Steven Spielberg
(*3) O fictício "Magma Lux" que é suposto a foto representar é na realidade o "Ultra Light Transport", um projecto de viatura com piloto automático concebida pela Universidade de Bristol em 2002


O Magma Lux que Sam foi convidado a testar (*3) Fonte: Universidade de Bristol

(in CONTACTO, 03.02.2010, pág. 13, Suplemento Festival Automóvel)

sábado, 30 de Janeiro de 2010

Hoje aprendi que...

"Na arte não
é como no futebol:
é quando estamos fora de jogo
que marcámos melhor os golos."

Salvador Dali





A Tentação de Santo António (Salvador Dali, 1946)

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

40 ° aniversário do jornal CONTACTO - Entre o passado e o futuro

Neste ano jubilar em que o CONTACTO celebra 40 anos de existência, o nosso jornal – o vosso – encontra-se mais do que nunca num patamar decisivo entre o passado e o futuro. Os sinais dos tempos indicam que a imprensa tradicional tem os dias contados. Enquanto tal. Mas, se como acredito, a imprensa não está num declínio inelutável, mas antes a passar por uma longa fase de transformação, que passa primeiro por aceitar que a mudança é inevitável e até desejável, então o futuro passa, sem falsas modéstias, pela multiplicação de jornais como o CONTACTO.

Onde o nosso jornal soube ser visionário desde a sua criação – e isso deve-se sobretudo ao que os seus fundadores e dinamizadores fizeram dele ao longo destes 40 anos – foi na conjugação indispensável entre proximidade e rigor, aos quais aliou depois qualidade e gratuitidade, quando este último termo nem estava ainda na moda. Quando ainda nem se sonhava em imprensa gratuita no Grão-Ducado e a sua simples menção era repudiada, já o CONTACTO se assumia como tablóide e gratuito. Mas tão somente no "formato", porque o espírito e a linha editorial continuavam a ser de inspiração cristã e o jornalismo consciencioso e profissional.

Apesar de a equipa redacional dos anos 70 e 80 não ser constituída por profissionais, esta cuidou sempre, atenta, em ser rigorosa e isenta nas notícias apuradas e publicadas. Valores pelos quais também nós, os que humildemente continuamos a obra desses pioneiros, nos regemos.

Simultaneamente, quando muitas publicações nas últimas décadas foram perdendo o seu público, sem entenderem porquê, ao mesmo tempo que continuavam a insistir em charolas elitistas e autistas, o CONTACTO, ontem como hoje, preocupou-se sempre em seguir e ir ao encontro dos seus leitores. Não só dos almejos da comunidade portuguesa e lusófona, como dos problemas e desafios que esta enfrenta. E assim criou a proximidade. Soube tornar-se popular sem cair no popularucho, abordando todo o tipo de assuntos, dos mais espinhosos e tabus, que se esforçou por destrinçar e explicar, aos mais ligeiros, da política à economia, da cultura ao desporto, da vida associativa à intercomunitária. Lutamos pela integração e contra a assimilação preconizada por outros.

O resultado foi ganharmos a confiança e a fidelidade dos leitores, que aumentam de ano para ano a olhos vistos, como o bem demonstram as sondagens. Sabemos também que isso não se deve apenas ao nosso trabalho, mas a uma real necessidade dos que aqui vivem em procurarem conhecer cada vez melhor o país de acolhimento.

Mas não somos infalíveis, "errare humanum est", por isso almejamos a sabedoria de conseguir corrigir os erros a tempo. E para isso queremos contar com a compreensão e a colaboração dos que nos lêem.

Próximos dos leitores e da comunidade, emanando desta, fomos e queremos continuar a ser também o seu espelho mais fiel, caleidoscópio rico em diversidade, mas não anamorfizado.

Pretendemos igualmente ser protagonistas, uma mais-valia na reflexão da actualidade que nos rodeia e um valor intelectual acrescentado para a comunidade. É nessa perspectiva, por exemplo, que lançamos com esta edição a rubrica quinzenal "Por outros caminhos... Encontros com a História", assinada por António de Vasconcelos Nogueira, e que pretende abordar as relações históricas existentes há séculos entre o Luxemburgo e Portugal, mas também historiar a imigração lusa para o Grão-Ducado, que começou há quase meio século, mas que ainda permanece, infelizmente, relativamente desconhecida.

Outras iniciativas seguir-se-ão no decurso do ano, inseridas no âmbito do nosso aniversário.

Nos últimos anos demos também o passo tecnológico, e de uma simples presença na net passámos a actores da blogosfera. E até aprendemos a "twittar".

Por todas estas razões, a que acrescem o empenho e o trabalho esmerado que a Redacção leva a cabo diariamente – assistida preciosamente pelos nossos correspondentes, as equipas técnicas e outros serviços do grupo saint-paul, bem como da nossa direcção, todos sem os quais este jornal não seria possível –, acredito que apesar de um nascimento modesto, um futuro que esteve algumas vezes em perigo, podemos ser merecedores da herança valiosa que nos deixaram Carlos de Pina e Lucien Huss. E continuar a trabalhar para que os seus sonhos, que são afinal os de toda uma comunidade, possam ir muito mais longe.

José Luís Correia
Chefe de Redacção do CONTACTO
(in CONTACTO de 20.01.2010)

OGB-L quer Portugal a investir na formação profissional de emigrantes

Representantes da central sindical luxemburguesa OGB-L pediram na passada segunda-feira à ministra do Trabalho e da Solidariedade Social portuguesa, Helena André, a colaboração de Portugal na formação profissional dos emigrantes portugueses naquele país.

"Temos um problema muito concreto: os portugueses falam a língua portuguesa, mas não falam as outras. Os professores (da formação profissional) são todos de língua luxemburguesa, francesa ou alemã. Como é que vão comunicar?", questionou Carlos Pereira, dirigente da OGB-L.

"Porque não fazer uma colaboração mais forte com Portugal para levar técnicos que possam dar formação profissional em português", acrescentou. O responsável falava à agência Lusa à saída da reunião com a ministra do Trabalho, que decorreu segunda-feira em Lisboa.

Na base da preocupação da OGB-L em dar formação profissional aos imigrantes portugueses está a taxa de desemprego que afecta a comunidade no Grão-Ducado. De acordo com Carlos Pereira, um em cada três desempregados no Luxemburgo é português. "Dos 20 mil desempregados (no Luxemburgo), uma terça parte é de nacionalidade portuguesa", indicou. Actualmente estão cerca de 3.700 portugueses desempregados, segundo dados da Administração do Emprego (ADEM).

O sindicalista disse ainda que encontrou uma "receptividade positiva" por parte da ministra Helena André para colaborar na questão da formação profissional e sublinhou que, do lado luxemburguês, "todas as portas estão abertas" para que seja encontrada uma solução com Portugal. Também presente na reunião esteve o secretário-geral da CGTP-IN, Carvalho da Silva, que defendeu que a formação profissional é necessária para dar "resposta a uma nova geração de trabalhadores" migrantes. "A nova geração chega ao Luxemburgo com trabalho imediato, mas muitas vezes acaba no desemprego e a formação que têm é insuficiente", afirmou. Referindo-se aos esforços do Luxemburgo para tentar resolver o desemprego entre a comunidade portuguesa, Carvalho da Silva disse que pode ser "usado como um exemplo" para outras comunidades.

Na reunião foram também debatidas questões ligadas à segurança social, às reformas dos emigrantes portugueses e à aprendizagem da língua.

Helena André e Nicolas Schmit reúnem-se hoje em Barcelona

Para resolver estas questões, a ministra do Trabalho, Helena André, vai reunir-se hoje, quinta-feira, em Barcelona (à margem da reunião informal dos ministros europeus do Emprego) com o seu homólogo luxemburguês, Nicolas Schmit.

JLC/com Lusa

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Almoço de despedida a Léo Zeches que vai para a reforma depois de 42 anos de Wort

Foto com Léo Zeches, que esteve 42 anos ao serviço de Saint-Paul Luxembourg, foi chefe de Redacção do Luxemburger Wort desde 1986, membro do conselho de administração desde os anos 90 (posto que continuará a manter), tendo sido ainda director-geral do grupo nos últimos anos.

Almoço de despedida ao Léo, este sábado, na cantina do Wort, em Gasperich: Fila da esquerda- Didier Hiégel, chefe de Redacção adjunto de La Voix du Luxembourg; eu (myself); Fern Mochbach, chefe da Redacção do wort.lu; e Marc Glesener, novo chefe de Redacção do Luxemburger Wort, sucedendo assim a Léo Zeches; Fila da direita- Jean-Marc Sturm, gerente da rádio DNR; (oculto, porque recostado para trás) Jean-Marie Denninger, chefe de Redacção do Point 24; Claude François, chefe de Redacção da revista Télécran; Roland Arens, responsável pelo Dep. Novos Médias, entre muitos outros.

Na festa compareceram ainda o primeiro-ministro, Jean-Claude Juncker (avista-se atrás de mim, de fato cinzento); a comissária europeia dos Media, Viviane Reding, antiga jornalista do Luxemburger Wort; o presidente do conselho de administração do SPL, o cónego monsenhor Mathias Schiltz; o abade André Heiderscheid, membro do conselho de administração do SPL e antigo director-geral do jornal; o presidente da Câmara dos Deputados (Parlamento luxemburguês), Laurent Mosar; o chefe da bancada parlamentar cristã-social, Jean-Louis Schiltz; Alvin Sold e Danièle Fonck, da direcção do Tageblatt; Claude Karger, chefe de Redacção do Journal; entre muitos outros, além de todos os responsáveis de departamentos do SPL.

Fotos: Anouk Antony/LW

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Bairro do Oriente



Rui Veloso no seu melhor, nos bons velhos tempos.

domingo, 17 de Janeiro de 2010

Biafra, a guerra que inspirou o "direito de ingerência" a Bernard Kouchner

A guerra do Biafra marcou a estreia de Bernard Kouchner, actual chefe da diplomacia francesa, na arena humanitária e política internacional, como principal paladino do conceito de “direito de ingerência”.

Bernard Kouchner, jovem médico francês em missão para a Cruz Vermelha francesa, insurgiu-se no Biafra contra o código de neutralidade das agências humanitárias, preconizando o direito, e o dever, de ingerência de outros países em protecção de populações civis.

Kouchner esteve no Biafra em três missões, em 1968 e 1969. A 28 de Outubro de 1968, rompendo a reserva imposta pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha, Kouchner e o chefe da missão, Max Récamier, escreveram uma coluna no jornal “Le Monde”, assumindo o partido dos rebeldes ibo do Biafra.

No “Nouvel Observateur” de 17 de Janeiro de 1970, Bernard Kouchner escreveu outro artigo, sob o título “Um Médico Acusa”, em que interroga “como é que se pode ser de esquerda e deixar massacrar dois milhões de indivíduos?”

“O massacre dos biafrenses é o maior massacre da história moderna depois do massacre dos judeus, não o esqueçamos. Isso quer dizer que o massacre de milhões de homens não tem dimensão política?”, perguntava também o médico francês.

“A esquerda, se ainda existe uma, fechou os olhos. A sua preocupação é simples: as pessoas que morrem são de esquerda?”, concluía Bernard Kouchner.

“O Biafra não foi a primeira guerra ideológica, mas é um exemplo muito recuado da teoria de que Kouchner se tornou mais tarde campeão”, afirmou John Laughland, director do Instituto de Democracia e Cooperação, uma fundação de estudos internacionais com centros em Paris e Nova Iorque.

“Kouchner e a teoria do direito de ingerência tiveram grande influência na posição da França na Guerra da Bósnia, em 1992-1994, e também, logo a seguir à primeira Guerra do Iraque, em 1991, no estabelecimento de zonas de interdição aérea e no bombardeamento pelos EUA e Reino Unido”, acrescentou John Laughland, entrevistado pela Lusa em Paris, quando se assinalam 40 anos após o fim da crise do Biafra.

Resultado directo da posição de Bernard Kouchner no conflito do Biafra e da crítica da neutralidade em situações de agressão a civis, Kouchner fundou a organização Médicos Sem Fronteiras, em 1971. Uma década depois, e em divergência com os MSF, fundou outra organização humanitária, os Médicos do Mundo.

A carta dos MSF incluiu, com a oposição de Kouchner, um princípio inspirado na Cruz Vermelha, sobre a obrigação de o pessoal médico “respeitar o segredo profissional e abster-se de emitir julgamento ou de exprimir uma opinião (…) sobre os acontecimentos, as forças e os dirigentes que aceitaram a sua ajuda”.

O direito de ingerência, rapidamente identificado como “ingerência humanitária”, viria a ser objecto do livro “Devoir d’Ingérence”, de Bernard Kouchner, em 1987, secundado, em termos académicos, pelo especialista de direito internacional Mario Bettati, da Universidade Paris II.

“Para Kouchner, o humanitarismo neutral é uma charada. Ele tornou-se o campeão da guerra justa, de que o melhor exemplo é o Kosovo” e os bombardeamentos da NATO sobre a Jugoslávia, em 1999, nota John Laughland, que cita também o envolvimento do actual chefe da diplomacia francesa na questão curda.

O direito de ingerência, nota John Laughland, “não tem nenhuma base em termos de direito internacional” e “veio, pelo discurso político, derrogar princípios de intervenção humanitária que existem há 150 anos”.

O especialista recorda outra das críticas recorrentes à “ingerência humanitária”: “Introduz conceitos supranacionais para justificar actos unilaterais, como a segunda invasão do Iraque”.

Pedro Rosa Mendes,
para a Agência Lusa

sábado, 16 de Janeiro de 2010

Banda sonora do meu fim-de-semana



Jornal de Letras já tem site

O quinzenário Jornal de Letras, Artes & Ideias (JL) dispõe a partir desta semana de uma página na Internet - www.jornaldeletras.pt - no âmbito de uma política de renovação por ocasião do 30.º aniversário, que se celebra em Março.

"O jornal tinha já um blogue, mas uma gestão de meios e infra-estruturas permite alojarmo-nos no sítio da revista Visão", explicou o jornalista Manuel Halpern, coordenador da edição on-line.

"Uma das apostas fortes do sítio na Internet são os blogues, tendo sido convidados alguns nomes como Tiago Torres da Silva, o do Dr. Bakali, que é o pseudónimo do António Saraiva, José Bragança de Miranda, e um de homenagem a José Rodrigues da Silva", que foi chefe de redacção do JL e faleceu há um ano, entre outros.

Manuel Halpern, que terá também o seu blogue associado ao jornal, afirmou à Lusa que, "apesar de Rodrigues da Silva ser muito avesso às novas tecnologias, tinha um blogue de parede na redacção, e este blogue será feito com os seus textos, designadamente as críticas de cinema".

Para o coordenador da edição on-line, este "será mais do que um sítio de notícias, mas fundamentalmente um espaço complementar de opiniões, debate de ideias e permitirá maior interactividade com os leitores, sabendo as suas opiniões".

O novo sítio incluirá as notícias diárias de cultura da Agência Lusa.

"A opção por uma página própria na Internet - prosseguiu Halpern - surgiu até pelo êxito do jornal na rede social www.facebook.com, onde em pouco tempo alcançámos os 5000 subscritores, um facto tanto mais significativo que ao contrário de outras publicações não tivemos uma política activa nesse sentido".

O jornalista considera que "o público, de uma forma geral, está mais atento às questões do foro cultural".

Manuel Halpern adiantou que "este é o primeiro passo de uma remodelação do jornal, que completa 30 anos no próximo mês de Março".

Com uma tiragem de 11 mil exemplares, o JL "não irá esquecer a sua missão lusófona, tanto mais que em algumas comunidades somos o único jornal português que lá chega", realçou.

quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Tragédia abate-se sobre o Haiti - agora é preciso cuidar dos vivos!



Não se sabe ainda quantas vítimas mortais o forte sismo que abalou o Haiti na terça-feira fez, mas é, desde já, preciso juntar esforços e enviar toda a ajuda que podermos.

O sismo da magnitude 7 na escala aberta de Richter foi sentido também em Cuba, na Jamaica e Bahamas.

A Cruz Vermelha Internacional calcula em três milhões o número de pessoas afectadas pelo sismo e a possibilidade de centenas de milhares de mortos no país mais pobre do continente americano.

terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Leituras obrigatórias de cabeceira, demasiado esporádicas mas essenciais para se refugiar dos barulhos do Mundo




quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

2010, ano charneira

O ano de 2010 começa com grandes expectativas. Como todos os novos anos. Mas um ano que poderia ser charneira para a segunda década do século, pode vir a brilhar pela perplexidade e hesitação dos que devem tomar decisões que há muito se esperam e impõem.

Os olhos do Mundo continuam a depositar a audácia da esperança num messiânico Obama, que conseguiu fazer passar na véspera de Natal a lei da cobertura médica universal. Ganhou a solidariedade no país dos egóticos self-made men. A lei passou, arrancada a ferros, mas a que preço. Quem pagará a factura? A garantia de que os contratos assinados por Bush com a indústria do armamento vão continuar vigentes? Só assim se entenderia o envio de mais armas e homens para o Afeganistão pelo Nobel da Paz. Dizem os cínicos (que gostam de se auto-apelidar de realistas) que a política é hoje feita destes compromissos. Será que Obama consegue outro compromisso destes na política ambientalista depois do desaire de Copenhaga?

O Mundo aspira também que 2010 veja a retirada das tropas do Iraque, a confirmação da revolução verde em prol da democracia no Irão, a paz no Médio Oriente, um maior empenho na luta contra a pobreza nos países do Sul, e a saída da crise económica global, entre outros desideratos mais locais ou regionais.

Por cá, a velha Europa quer dar o exemplo, mas falta-lhe, como sempre nos últimos tempos, audácia e união, apesar da designação que lhe conferiu há 18 anos o Tratado de Maastricht. Começou por seleccionar marionetas articuladas para novos postos de chefia, altos títulos balofos de sentido, e afastou do ringue um peso pesado da política europeia como Juncker. A audácia e sobretudo o pragmatismo do grande estadista faziam falta a uma UE que se quer afirmar internacionalmente. Evitava-se que as ideias de Bruxelas fossem recebidas como anedotas pela aldeia global. Como aquela em que a UE propôs que Jerusalém passasse a ser a capital de dois estados. Recorde-se que nem Berlim resistiu a essa geopolítica forçada e implosiva. Comunistas e federalistas não partilharam uma capital, como pedi-lo a judeus e muçulmanos? Poderia a religião conseguir consenso onde a política falhou ? O presidente da UE deveria ter aprendido primeiro a arrumar a sua própria casa. É que Bruxelas já esteve mais longe de se tornar uma cidade dividida.

A Comissão Europeia declarou 2010 Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão Social. Mas ao mesmo tempo que lutamos contra a pobreza em África, atentemos que ainda há milhares de pobres e outros a viverem no limiar da pobreza no nosso continente, um dos mais ricos do globo.

Ao decretar em Dezembro o fim da recessão na zona euro, a UE aposta numa retoma rápida da confiança dos europeus na economia interna, por que é de confiança afinal que se trata e de esquecer a crise financeira o mais depressa possível. A não ser que certos efeitos secundários sistémicos se comecem a sentir apenas em 2010.

Países como o Luxemburgo e Portugal optaram por orçamentos de estado apertados. O Grão-Ducado vai investir em obras públicas, mas conquistas sociais do século XX como a indexação salarial parecem ter passado definitivamente à história. Em Portugal, espera-se apenas que os impostos não subam, que a crise se desvaneça mesmo, que as politiquices mesquinhas cessem e que o Governo faça o que foi eleito para fazer – governar.

Dossiês como o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa não parecem assim ser uma prioridade do Governo português neste ano de reequilíbrio das contas públicas. Apesar de este ter entrado oficialmente em vigor a 1 de Janeiro, o país não parece pronto – nem financeiramente nem logisticamente - a aplicá-lo. A ministra portuguesa da Educação anunciou que antes de tudo é necessário preparar docentes e prever manuais, e que isso não acontecerá no próximo ano lectivo. Datas realistas parecem ser 2013 ou 2015. No Brasil, o acordo está em vigor há já um ano. Em Portugal, a maioria da imprensa resiste à mutação. O jornal Público anunciou mesmo que não a adoptaria. O CONTACTO, por seu lado, vai aguardar até que o acordo seja adoptado pelas instituições nacionais e se torne realmente a regra. Até porque não seria avisado adaptar, adoptar e adquirir sistemas de uma nova ortografia que no fim de contas não vingasse. Revelar-se-ia um investimento inútil, além de lançar uma confusão babeliana desnecessária entre os nossos leitores, com artigos a surgirem em várias ortografias possíveis. Porque o novo Português agora forjado, com todas as excepções que inclui, mais parece uma "novlíngua" orwelliana à la carte.

Mas 2010 é também o ano em que o CONTACTO celebra o seu 40° aniversário. Vamos assinalar as nossas bodas de esmeralda com várias iniciativas. A primeira são crónicas quinzenais sobre as relações que existem há séculos entre o Luxemburgo e Portugal, mas que poucos de nós conhecem. Os artigos são assinados pelo historiador António de Vasconcelos Nogueira, que o CONTACTO convidou para este projecto, a lançar na edição de 20 de Janeiro. Nessa mesma data, publicamos um suplemento especial aniversário, a lembrar que foi em finais de Janeiro de 1970 que saiu o primeiro número do CONTACTO pelas mãos de alguns pioneiros da associação Amizade Portugal-Luxemburgo. Outros projectos, dossiês e reportagens especiais seguir-se-ão durante o ano.

A esmeralda é a pedra da inteligência, do coração e do renascimento acreditavam os antigos egípcios. E é precisamente com inteligência, mas sobretudo com o coração e num espírito de constante renovação e evolução que queremos celebrar as nossas quatro décadas de existência.

José Luís Correia
(Editorial, in "CONTACTO", de 06.01.2010)

domingo, 3 de Janeiro de 2010

Este é o meu corpo

sábado, 2 de Janeiro de 2010

Melhor que inventar mal é revisitar bem



Elementos de várias bandas juntaram-se e criaram o projecto "Amália Hoje". Outro grande projecto da recente MMP (música moderna portuguesa). Neste clip cantam "Gaivota", canção imortalizada por Amália, mas também tantas vezes interpretada por Carlos do Carmo. Mas nem quando a diva a cantava nem quando era o grande mestre do Fado que o fazia a canção me tocou. Dei por mim surpreendido a redescobri-la na voz de Sónia Tavares. Para ser mesmo honesto, nem nunca fui particular apreciador dos The Gift, banda em que Sónia quando em inglês. Foi preciso esta roupagem, este cocktail especial para que apreciasse a letra linda deste poema.


quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

Feliz e Próspero Ano Novo 2010

terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Se eu soubesse o que sei hoje...

Eu: Se eu soubesse o que sei hoje...
Lis: O que farias? :-)
Eu: Tenho um amigo brasileiro que diz: 'A vida dá sempre um jeito'. O que eu acho é que às vezes também temos que ser nós a dar um jeito à vida. Caso contrário, ela limita-se a acontecer. Nós é que temos que decidir as curvas a tomar nessa linha recta e que contornos dar a cada uma dessas curvas. Porque nessa vadiagem para escapar ao destino há outros horizontes para ver. Outras viagens. Claro que depois também há as curvas inesperadas, as curvas e as contra-curvas, as estradas esburacadas, as estradas cortadas, as ruas manhosas, as vielas escuras, os becos sem saída, os desfiladeiros, os precipícios, os dias de tempestade. Se eu soubesse o que sei hoje aproveitava mais cada instante, faria acontecer, deixava de ser tão inseguro, tão ponderado. Por vezes, um desvio ensina-nos muito. Quer tenha sido desejado ou não. E prefiro mil vezes que a minha vida seja feita de inúmeros desvios do que a linha recta, correcta e insípida do que pensa a gente certa.

segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Meu amor sereno


meu amor sereno
meu porto de abrigo
meu mar da tranquilidade