sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

É um privilégio ser um pioneiro... O nosso dia há-de chegar.



(tradução livre)

Foi um caminho longo
para chegar de lá até aqui
demorou muito,
mas o meu tempo está a chegar

E vou ver o meu sonho tornar-se realidade
vou tocar o céu
ninguém vai segurar os meus pés à terra
ninguém vai roubar-me o vento

Tenho a fé do coração
e vou onde o coração me levar
Tenho fé e acredito
E farei o que for preciso
Tenho a força da alma
E ninguém me vai dobrar ou quebrar
Vou conseguir alcançar qualquer estrela...

sábado, 22 de maio de 2010

A única maneira didáctica de ensinar a respiração boca a boca a um homem

As palavras são... sensualidades incorporadas

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.

Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. «Fabricou Salomão um palácio...» E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais - tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não - a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico.Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

"Livro do Desassossego", por Bernardo Soares
(aka Fernando Pessoa, escrito entre 1920-1931, publicado pela primeira vez em 1982 na Ed. Ática)

Desenho de João Abel Manta (com a devida vénia)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

auto-semi-biografia (quase) autorizada

nasci e assim permaneci durante tempo indeterminado

depois, fui escriba de ur, profeta de memphis, errante da terra prometida, monge de shaolin, príncipe nirvana, buda, mandarim, amante de pítias, companheiro de ulisses em busca das maçãs de ouro, fui vizir, jogral, rei feudal, espadachim, monge de ordem secreta, cavaleiro de wavel afrontando o dragão de sawa, navegador, conquistador, fui mariana, inês, pioneiro, índio tomahawk, vaqueiro, pistoleiro, xerife, poeta romântico, condutor de locomotivas, piloto de panhards, conspirador contra os tsares, sufrageta surrealista, gangster, detective privado, marylin, rebelde motoqueiro borbulhento, fumador de erva psicadélica, punk moicano, golden boy suicida, seropositivo, mulher moderna e aeróbica, grunge deslavado, rapper sem vócabulo, soldado do golfo, astronauta marciano, robot articulado, capitão galáctico cruzando sistemas solares, viajante do tempo, criador de mundos, mostrengo imortal divertindo-se com os milénios, aborrecendo-se na dobra demorada dos eons

a minha primeira história foi uma fuga para as catacumbas de minha casa natal num verão de mil novecentos e oitenta e quatro, tinha onze anos e uma redacção para fazer, os meus stôres disseram-me que eu devia pensar em escrever e eu acreditei que sabia, a minha mão ficou orgulhosa, eu queria tudo mas faltava-me tudo, sobretudo a ousadia de querer, pensava em como escrever em vez de escrever e não escrevia, lia, lia e tudo o que eu lia parecia que não chegava para aprender a escrever. primeiro quis ser amnésico, para esquecer tudo o que lia, para poder contar as minhas histórias que no papel pareciam cópias toscas de uma história já contada mil e seiscentos anos antes e com mais mestria que as minhas prosas imperfeitas. então, nasceu-me a sede de saber, para saber escrever, pensei que para escrever era preciso ter talento e que o talento nascia connosco, não sabia que o talento se trabalha, se forja, se esculpe, se cinzela, se muscula, se sua.


depois sofri, pensei que para escrever era preciso ter sofrido, apaixonei-me então por uma impossível loira oxigenada muito mais velha do que eu, tinha ela 15 anos, a minha primeira polução involuntária, uma paixão assolapada e não correspondida, e eu dramático no fim do dia arrastava-me até à escrevaninha, mergulhava a pena no tinteiro do sangue destilado da minha alma pingando e rabiscava a minha tragédia à luz de um velho castiçal roubado no sótão da minha tia. uma noite ia pegando fogo à colcha da cama, levei um tabefe da minha mãe e decidi mandar o poe e o baudelaire à fava.

comecei a ler pessoa e percebi logo que o que eu ia fazer era exactamente o contrário do que ele fez, ou seja menos ópio e menos vinho, mais mulheres e mais viver. bom, quanto às mulheres, percebi que a coisa não dependia só de mim e pus essa prioridade entre parêntesis. mas quis viver, sobretudo não roubar tempo de escrever ao tempo de viver. porque pensei que para escrever é preciso primeiro viver, vivir para contarla, como o gabriel, tentei queimar a corda para cortar caminho, tentei atalhos que deram em desvios, adiei a vida por sucedâneos, e o primeiro beijo apareceu fora de horas, demasiado tarde, ao luar, à beira-mar.

mas agora prova-me que estive errado em desejar o caminho do oriente, em ir atrás de odaliscas ariscas, as netas do grande khan, que me sussuravam mil e uma estórias sultanas, ou as ninfas bálticas que se agarravam boreais aos meus ombros, ou a praia deserta do mar do norte que os barcos evitavam por causa dos baixios, charolas inanes e deambulatórias de pérolas de áurea em fogo, testemunhas de outros tempos.

ou a onze e meia, que foi todas as mulheres em mim, para meu gáudio, para meu gozo, e eu armado em lautrec e em diego rivera, as fodas eram sinfonias, telas surrealistas, só que eu não sabia que estava fora do tom.

tantos romances inacabados, tantos sonhos encetados, enxertados. sei que fui egoísta no sexo, mas o sexo é assim. o amor, não.

finalmente tu, tanto tempo, tanto tempo demoraste, meu amor, porque nos trocaram as décadas, porque nos trocaram os caminhos se tinhas que vir afagar-te nos meus braços finalmente? és o meu nilo, a minha rosa do deserto em flor, as minhas noites austrais, o meu corpo doce com o perfume do teu beijo, o meu desejo que se espraia num delta furioso e tranquilo ao mesmo tempo, a minha vida, o meu poema.

vês, queria escrever sobre o meu tempo e acabo a escrever sobre mim, poeira indistinta na linha estratosférica das eras, dos eons, contemporâneo e extemporâneo, escrevo entre parênteses, vá lá, não temas fornecer pedras às turbas da tua lapidação, os querubins fitam-te circunspectos e o teu caminho é por aqui. no princípio era o verbo.



JLC - 23.04-22.05.2010


Texto inspirado na minha vida e na minha escrita, depois de ler "Terra Sonora: Sonambular", de Nuno Viana (pluma branca, 2009)

sábado, 15 de maio de 2010

Agenda para hoje

Agenda para hoje:
- juntei o meu PC à equipa de investzigação do SETI (Searcg for Extraterrestrial Intelligence)
- jantar com amigos: pasta italiana e bom vinho português
- pé de dança no Magnum

Agenda para domingo:
- TPC: entrevista João Pedro Pais

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Considerações sobre a Porta do Universo: Stargate Universe

Hoje, falo enquanto fã de SGU.

SGU? Stargate Universe. Em difusão no canal Sci-fi Universal (EUA) desde Setembro. Vai no 16° episódio. Este novo spin-off da série Stargate (filme de 1994), tem muito potencial, apesar das críticas e dos detractores. Mais do que o Stargate Atlantis (SGA), de certeza. Atrevo-me a dizer até, mais do que o Stargate (SG-1).

Saibam os argumentistas tirar proveito da situação. Ou seja, humanos a bordo de uma nave lantiana (dos Antigos) perdidos algures muito além da Via Láctea e da Galáxia de Pégaso. Fantástico, não? Novas espécies, novos mundos, novas galáxias, novos paradigmas.

Único senão de todas as séries SG e que desvirtuaram do filme original, o facto de toda a gente falar inglês, em todos os quadrantes do universo.

Ao menos, os trekkies inventaram o tradutor universal, o que facilitou os "primeiros contactos" e ajudou a criar uma Federação. Está na hora de a tecnologia dos Antigos fornecer algo parecido aos humanos, não acham?

Sempre achei que a série Star Trek inventava alienígenas a torto e a direito. Para isso era apenas preciso enfiar uma máscara a um gajo, pintalgar-lhe a cara, enfiar-lhes umas lentes de contacto, e voilá!

Ao menos, as séries SG alimentaram-se do mito dos "greys", das religiões, dos nossos mitos e lendas e deram-nos os Asgaard, os Goual'd, os Nox. E de vez em quando lá aparecem umas espécies que não são nem bípedes nem humanóides.

Agora, coincidência curiosa: tanto nas séries Star Trek como nas SG, os robots escasseiam. Há uns hologramas e há, claro, o Data no Star Trek, os cyborgs mauzões, mas exceptuando isso nada tipo os bons velhos R2-D2 ou C3PO... Nas séries SG é ainda mais aflitivo. Mas concedo que a invenção do "kino" no SGU é uma excelente ideia.

A minha personagem favorita no SGU: o capitão açoriano "Louis Ferreira" e o puto, Eli Wallace.

Gosto de Star Trek, mas o problema em que a linha do tempo é num futuro longíquo. Mesmo a série Entreprise (NX-01), suposta desenrolar-se o mais próxima de nós no tempo, decorre nos anos 2150-55. A série original, com Kirk e Spock, desenrola-se em meados do séc. XXIII e vai até ao fim do século com os filmes dos anos 80 e 90; The Next Generation, Deep Space Nine e Voyager decorrem nos anos 2360-2380.

É precisamente essa, para mim, a vantagem das séries Stargate: desenrolam-se no tempo presente. E mesmo se a maior parte da Humanidade não é suposta saber que esta já começa a ter embaixadores em galáxias mais além, gosto da(s) história(s).

Para os fãs de sci-fi, aconselho a este propósito "Gravidade Zero" ("Defying Gravity", no original) que passa na Fox (Meo) em horas absurdas, mas enfim. A trama decorre em 2050 e conta a história dos primeiros passos humanos pelo sistema solar. Gosto bastante. A história é realista, as datas também. Se considerarmos que nos anos 1970 e 80, a Nasa previra criar uma base lunar em 2015 e uma em Marte em 2045, acho que esta série percebeu que a Humanidade está muito atrasada na sua agenda espacial.

Deixo-vos aqui os trailers de SGU e de Gravidade Zero.

SG 4 ever
and it's just the beginning :-)


STARGATE UNIVERSE teaser




GRAVIDADE ZERO teaser


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Hoje apetece-me... adoptar uma tempestade!

Só os alemães mesmo para inventarem uma coisa assim.
Para mais informações, consulte o site do
Institut für Meteorologie

sábado, 8 de maio de 2010

A Europa em 2030

O antigo primeiro-ministro espanhol Felipe González disse este sábado que a UE deve concluir reformas estruturais urgentemente, já que regista actualmenteá "um atraso de pelo menos dez anos".

González defendeu a urgência de reformas estruturais, coordenadas com medidas anti-crise, que deviam ter sido tomadas há uma década pela UE.

Para o ex-chefe do Executivo espanhol, o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) é uma das condições necessárias para estabilizar e harmonizar a Zona Euro, mas não chega. Segundo González, a UE tem de adoptar uma "economia social de mercado competitiva e sustentável do ponto de vista ambiental".

O Grupo dos 12 sábios

Estas reflexões fazem parte do "Projecto Europa 2030" que um grupo de 12 sábios, presidido por González, entregou hoje em Bruxelas ao presidente do Conselho Europeu, Herman Von Rompuy, na véspera dos 60 anos da "Declaração Schuman", que deu origem ao que é hoje à UE.

O "Projecto Europa 2030" divide-se em 10 capítulos que abordam temas que vão do modelo social ao envelhecimento demográfico da Europa, passando por questões energéticas e alterações climáticas.

O projecto preconiza que a UE "ao combinar múltiplos níveis de poder, do mundial ao local, tem mais capacidade que qualquer Estado-membro para enfrentar os principais desafios do século XXI".

No projecto, o grupo de sábios desafia a UE a promover a solidariedade individual e colectiva, entre indivíduos e gerações, entre localidades, regiões e Estados-membros.

O "Projecto Europa 2030" defende o aumento da eficiência económica através de novas medidas sociais, por exemplo, melhorando três condições do mercado do trabalho:
- a flexisegurança,
- a mobilidade laboral
- e a cultura da gestão empresarial

Uma Revolução Industrial "Verde"

O projecto preconiza ainda uma nova Revolução Industrial que desenvolva uma energia verde e reduza a dependência energética da UE em relação ao exterior.