sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Tempo de férias, tempo de pôr a leitura em dia :-)

O que ando a ler (não obrigatoriamente por esta ordem):















- "A Viagem do Elefante", de José Saramago (Out./2008): A história romanceada da viagem de um elefante que D. João III resolveu oferecer em 1551 ao seu primo Maximiliano da Áustria. O Solimão tinha vindo da Índia há dois anos e depois da curiosidade inicial do Paço e dos lisboetas em torno de tão fabuloso animal, já ninguém ligava ao pobre paquiderme, que com o seu cornaca levava uma existência passiva e pacífica algures num cercado em Belém, quando El-Rei decide lançá-lo num périplo através meia-Europa.

- "Gödel, Escher, Bach: an Eternal Golden Braid", de Douglas R. Hofstadter
(1979): Nesta obra que recebeu o Prémio Pulitzer em 1980, o autor estabelece ligações entre as gravuras de M.C. Escher, a música de Johann Sebastian Bach e a lógica matemática de Kurt Gödel. O livro não é de todo sobre estes três génios, mas parte destes para abordar temas e disciplinas que vão da física à informática, passando pela biologia, psicologia, genética, geometria, gramática, para, no final, o autor tentar responder a uma das questões filosóficas fundamentais da Humanidade: a nossa aparente incapacidade em compreender a Natureza que nos rodeia unicamente pelos nossos próprios processos mentais.
Construído em vários registos, um dos mais lúdicos é, sem dúvida, a parte dos diálogos entre o semi-deus grego Aquiles e a tartaruga, num piscar de olhos ao filósofo Zenão de Eleia (que está na origem da técnica lógica da "redução ao absurdo") e ao romancista inglês Lewis Carroll (autor de "Alice no País das Maravilhas"), que utilizaram estes mesmos personagens.

- "Dreams from My Father, A Story of Race an Inheritance", de Barack Obama (1995): Relato na primeira pessoa do singular feita pelo primeiro presidente afro-americano dos Estados Unidos quando ainda nem sonhava ser eleito para o Congresso. Desde o seu nascimento no Havai às ruas de Chicago, passando pelos bancos da Universidade de Columbia e pelo Quénia paterno. E da sua decisão de, depois de licenciar-se em Direito, optar por ser um trabalhador social até à sua eleição para o Senado em 2004.

- "Une brève histoire de l'avenir", de Jacques Attali (2006)- A "provável" história do próximo meio-século contada por um escritor, economista e ensaísta, que foi também um dos mais próximos conselheiros do presidente francês François Mitterand. O autor parte dos conhecimentos actuais da ciência, da tecnologia, das preocupações climáticas, das emergências fundamentalistas, das agitações e conflitos entre nações e evoluções na política internacional, para tentar desenhar o mapa europeu e mundial no horizonte de 2060.
Attali estabelece o conceito de que o mundo evoluirá em três fases possíveis e distintas: a nível económico, bélico e político. Primeiro aventa o aparecimento de um "hiperimpério", já hoje em plena construção, um mercado global extremo em que a única lei será o dinheiro e que estará acima de qualquer país, estado ou potência política.
Se esta globalização extrema for interrompida pela violência desencadeará, segundo Attali, a segunda fase, o "hiperconfito", guerra última entre estados e/ou grupos religiosos e/ou grupos terroristas e/ou piratas informáticos, em que serão utilizados novos métodos e armas hoje impensáveis e que podem evar ao desaparecimento da civilização como a conhecemos.
Finalmente, se a Humanidade conseguir o frágil equilíbrio entre conter esta globalização sem a refutar completamente, a democracia poderá tornar-se planetária e dar origem a um governo ou entidade governativa mundial, época a que o autor apelida de "hiperdemocracia".


Como é bem de ver, percebem em qual dos livros vou com a leitura mais avançada ;-)

Para ler um excerto do livro do Attali que traduzi para o blogue, clique aqui

1 comentário:

Pedro C. disse...

Também gostava de ter esse tempo para ler!