sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

terça-feira, 27 de maio de 2008

UE: Luxemburgueses são os que mais andam a pé, portugueses no fim do pelotão

UE: Luxemburgueses são os que mais andam a pé, portugueses no fim do pelotão

É comum vermos no Luxemburgo pessoas, na maioria das vezes luxemburgueses, a usufruírem aos domingos dos inúmeros trilhos pedestres e veredas florestais que abundam num país que deixa de repente de parecer tão pequeno.

Um estudo da Agência Europeia do Ambiente vem agora quantificar esses passeios e posicionar os habitantes do Luxemburgo como aqueles que mais andam a em toda a União Europeia (UE): cerca de 457 km por pessoa e por ano. A média europeia fica-se pelos 382 km/ano.

Portugal é, em contrapartida, o país da Europa onde menos se anda a , percorrendo cada português, em média, por ano, 342 km, segundo o mesmo estudo, citado a 5 de Março pela organização ambientalista portuguesa Quercus.

"Portugal apresenta o quinto pior resultado da Europa dos 27 no que diz respeito ao aumento das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) associadas ao sector do transporte, com um aumento de 96 % (entre 1990 e 2005), só ultrapassado por países como a República Checa, Chipre, Irlanda e Luxemburgo", adianta a Quercus, citando o relatório.

"Quanto ao uso da bicicleta, Portugal ocupa o terceiro pior lugar com uma média baixíssima de apenas 29 km por pessoa / ano (cerca de 1 % da população), ao passo que nos países que apresentam melhores resultados neste indicador, os seus cidadãos usam a bicicleta para percorrer, em média, 936 km na Dinamarca ou 848 km na Holanda. A média comunitária é de 188 km por pessoa/ano", refere ainda organização ambientalista portuguesa.

Paradoxalmente, o Luxemburgo é, com 654 automóveis por cada mil habitantes, o país mais motorizado da UE.

Talvez o grande número de automóveis ou a falta de verdadeiras pistas cicláveis nos centros da maioria das cidades (a capital só há pouco tempo se dotou de algumas pistas) explique que os luxemburgueses sejam também os europeus que menos usam a bicicleta (apenas 0,6 %).

"Nós vamos passear, os outros têm de estudar..."

Os resultados estatísticos que apontam os habitantes do Luxemburgo como os europeus que mais andam a (ver artigo principal) surpreendem menos quando se sabe que os amantes da caminhada dispõem no Luxemburgo de 5.000 km e mais de 500 trilhos e caminhos balizados, fazendo do pequeno Grão-Ducado um dos países com uma das redes de passeios mais densas de toda a Europa.

A par dos 171 circuitos auto-pedestres que o Gabinete Nacional do Turismo (ONT) propõe, há também os trilhos das Pousadas de Juventude, os roteiros CFL (dos Caminhos de Ferro Luxemburgueses), os passeios transfronteiriços, sem esquecer os itinerários temáticos. Só na cidade do Luxemburgo, existem três: Wenzel, City Safari e o recém-inaugurado "Mil anos de História das Mulheres no Luxemburgo" (ver também artigo na pág. 4).

O Ministério do Turismo apresenta no seu site internet (em www.mdt.public.lu/action/infrastructure/sentiers/index.html#1 ) todo o arsenal de guias e brochuras com informações práticas sobre esses 5 mil km de caminhos.

Mas a caminhada no seio da Natureza abundante e verdejante é no Luxemburgo sobretudo um traço cultural, algo que se inculca desde cedo nas crianças como uma prática que não só faz bem à saúde como desperta nos mais novos o primeiro reflexo ecológico. É sobretudo nas escolas primárias luxemburguesas que os professores habituam os alunos desde tenra idade a passeios frequentes pelas matas e florestas que o Estado soube tão inteligentemente preservar até hoje. Tão frequentemente que inspirou a estes a conhecida cantilena infantil luxemburguesa "Mir gi spazéieren, déi aner musse léieren..." ("Nós vamos passear, os outros têm de estudar!"), que alegremente entoam quando o docente tem a boa ideia de trocar a tradicional aula por uma caminhada ("e Spazéiergang").


José Luís Correia (In Contacto, 12.03.08)

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