sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
-
cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Juncker quer fazer omoletes sem ovos

Apesar de o primeiro-ministro, Jean-Claude Juncker, ter declarado no seu discurso sobre o Estado da Nação, em 2 de Maio de 2006, que pretende que o Grão-Ducado se torne, a breve trecho, o pólo comercial principal da Grande Região, mais uma vez foi pródigo em grandes ideias, mas revela-se parco em acções na hora de dar forma às promessas, como acontece há anos com a questão da penúria de alojamentos e a consequente inflação dos preços da habitação (!).

Juncker partilha da mesma opinião do ministro das Classes Médias, Fernand Boden (ver artigo principal), ou seja, que para que o Luxemburgo se torne um centro de passagem obrigatório para os onze milhões de consumidores que vivem no país e regiões fronteiriças, não é necessário alargar as horas de abertura do comércio (!).

Não será o mesmo que pedir para fazer omeletes sem ovos?

Enquanto se discute "abre? não abre?" e o lobby das lojas familiares e tradicionais impede a implantação de grandes multinacionais, como a FNAC e outras, as megastores de grandes marcas e as galerias comerciais crescem como cogumelos do outro lado da fronteira luxemburguesa, sitiando de olho guloso o poder de compra abastado do pequeno burgo.

E os consumidores luxemburgueses não se fazem rogados ao embater na porta de uma loja luxemburguesa encerrada depois das 18h ou ao domingo. Rumam cada vez mais frequentemente aos shoppings da periferia do país, com horários mais flexíveis e cosmopolitas.

Face a isso, Juncker – durante um dos seus habituais encontros com a imprensa, após o Conselho de Governo de 8 de Dezembro último – dizia que o Grão-Ducado dispõe de outros argumentos para se diferenciar dos seus concorrentes, avançando como exemplos o IVA, mais baixo no Luxemburgo do que nos países vizinhos. E supondo o alargamento de horários, avisava que este não deverá acontecer em detrimento das condições de trabalho dos empregados.

Mas horários mais flexíveis e menos provincianos não permitiriam criar mais postos de trabalho e combater o desemprego que tantas dores de cabeça tem dado ao ministro Biltgen, além de tornar a capital e o país mais atraentes para os consumidores da Grande Região e os turistas?

José Luís Correia, in Contacto, 03.01.2007

Sem comentários: