sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O ódio de Norbert Jacques pelo Luxemburgo ou Os Ignorados pelo Burgo


"Tenho por vezes a impressão que o ódio que sinto é tão forte que poderia abafar este maldito pequeno país [o Luxemburgo ] entre as minhas mãos"

Citação de Norbert Jacques (1880-1954) sobre o Luxemburgo. Ignorado no Grão-Ducado, para vingar teve que emigrar para a Alemanha, onde mais tarde se tornou defensor da causa nazi. Jornalista e escritor luxemburguês que escreveu, entre outras, a obra "Dr. Mabuse, der Spieler" (1921), que Fritz Lang viria a adaptar para o cinema. Durante muito tempo, nem foi sequer tido em conta como contribuidor para as letras luxemburguesas.


Relembro aqui o caso de dois outros emigrantes luxemburgueses que só lá fora tiveram sucesso: Edward Steichen e Hugo Gernsback. Ambos granjearam fama e sucesso na terra do Tio Sam.

O primeiro tornou-se um fotógrafo famoso das estrelas de Hollywood de então, como Greta Garbo e outras, tendo sido publicado em revistas das celebridades. Foi o grande conceptor da mega-exposição sobre a humanidade "The Family of Man", que viria a doar ao Luxemburgo nos anos 60 (e que o Luxemburgo começou por recusar!) e que está em exposição permanente no Castelo de Clervaux.

O segundo é considerado o pai da ficção-científica moderna, e que a baptizou, inclusive, inventando o termo "ficção-científica". Ainda estudante, inventou uma pilha que ninguém quis comercializar no Luxemburgo. Emigrou para os EUA, onde lançou a sua pilha e uma revista sobre electricidade, máquinas eléctricas e historias e contos sobre como essas invenções poderiam um dia mudar o nosso futuro. Depressa a revista evoluiu de "Modern Electrics" para a "Amazing Stories" e lançou autores como Robert Heinlein, Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e outros não menos famosos. Os Prémios Hugo, que anualmente distinguem na Califórnia os melhores filmes e livros de ficção-científica, são uma homenagem à sua memória.
Só em 2004, é que Hugo Gernsback teve direito a uma rua em seu nome
no Luxemburgo (atrás do complexo cinematográfico Utopolis), mas permanece um ilustre desconhecido para 95% dos luxemburgueses.


MANIFESTO
Para que não voltem a acontecer episódios destes que em nada engrandecem a história e a memória luxemburguesas, está mais do que na altura de alguns autóctones perderem as palas que os tornam ceguetas em relação às potencialidades do país e sobretudo da matéria humana que o país hoje dispõe. Está, na altura, de deixarem de "pensar pequenino". É necessário, para isso, que deixem de querer continuar a ser o que são ("Mir wëlle bleiwen wéi mir sinn", lema nacional adoptado por oposição ao ocupante nazi, mas que hoje, retirado do contexto histórico é redutor e tem vindo a significar vontade doentia de status quo da sociedade e lançado como oposição/diferenciação em relação aos estrangeiros) para ambicionarem ser melhor do que são ("Mir wëlle besser ginn!"). Yes, we can!

Proposta minha, sei lá. É alarve?

2 comentários:

Sweet Temptation disse...

Como eu te entendo...

Paulo lobo disse...

belo ideal ... vamos todos dar o nosso contributo ...