nasci e assim permaneci durante tempo indeterminado
depois, fui escriba de ur, profeta de memphis, errante da terra prometida, monge de shaolin, príncipe nirvana, buda, mandarim, amante de pítias, companheiro de ulisses em busca das maçãs de ouro, fui vizir, jogral, rei feudal, espadachim, monge de ordem secreta, cavaleiro de wavel afrontando o dragão de sawa, navegador, conquistador, fui mariana, inês, pioneiro, índio tomahawk, vaqueiro, pistoleiro, xerife, poeta romântico, condutor de locomotivas, piloto de panhards, conspirador contra os tsares, sufrageta surrealista, gangster, detective privado, marylin, rebelde motoqueiro borbulhento, fumador de erva psicadélica, punk moicano, golden boy suicida, seropositivo, mulher moderna e aeróbica, grunge deslavado, rapper sem vócabulo, soldado do golfo, astronauta marciano, robot articulado, capitão galáctico cruzando sistemas solares, viajante do tempo, criador de mundos, mostrengo imortal divertindo-se com os milénios, aborrecendo-se na dobra demorada dos eons
a minha primeira história foi uma fuga para as catacumbas de minha casa natal num verão de mil novecentos e oitenta e quatro, tinha onze anos e uma redacção para fazer, os meus stôres disseram-me que eu devia pensar em escrever e eu acreditei que sabia, a minha mão ficou orgulhosa, eu queria tudo mas faltava-me tudo, sobretudo a ousadia de querer, pensava em como escrever em vez de escrever e não escrevia, lia, lia e tudo o que eu lia parecia que não chegava para aprender a escrever. primeiro quis ser amnésico, para esquecer tudo o que lia, para poder contar as minhas histórias que no papel pareciam cópias toscas de uma história já contada mil e seiscentos anos antes e com mais mestria que as minhas prosas imperfeitas. então, nasceu-me a sede de saber, para saber escrever, pensei que para escrever era preciso ter talento e que o talento nascia connosco, não sabia que o talento se trabalha, se forja, se esculpe, se cinzela, se muscula, se sua.
depois sofri, pensei que para escrever era preciso ter sofrido, apaixonei-me então por uma impossível loira oxigenada muito mais velha do que eu, tinha ela 15 anos, a minha primeira polução involuntária, uma paixão assolapada e não correspondida, e eu dramático no fim do dia arrastava-me até à escrevaninha, mergulhava a pena no tinteiro do sangue destilado da minha alma pingando e rabiscava a minha tragédia à luz de um velho castiçal roubado no sótão da minha tia. uma noite ia pegando fogo à colcha da cama, levei um tabefe da minha mãe e decidi mandar o poe e o baudelaire à fava.
comecei a ler pessoa e percebi logo que o que eu ia fazer era exactamente o contrário do que ele fez, ou seja menos ópio e menos vinho, mais mulheres e mais viver. bom, quanto às mulheres, percebi que a coisa não dependia só de mim e pus essa prioridade entre parêntesis. mas quis viver, sobretudo não roubar tempo de escrever ao tempo de viver. porque pensei que para escrever é preciso primeiro viver, vivir para contarla, como o gabriel, tentei queimar a corda para cortar caminho, tentei atalhos que deram em desvios, adiei a vida por sucedâneos, e o primeiro beijo apareceu fora de horas, demasiado tarde, ao luar, à beira-mar.
mas agora prova-me que estive errado em desejar o caminho do oriente, em ir atrás de odaliscas ariscas, as netas do grande khan, que me sussuravam mil e uma estórias sultanas, ou as ninfas bálticas que se agarravam boreais aos meus ombros, ou a praia deserta do mar do norte que os barcos evitavam por causa dos baixios, charolas inanes e deambulatórias de pérolas de áurea em fogo, testemunhas de outros tempos.
ou a onze e meia, que foi todas as mulheres em mim, para meu gáudio, para meu gozo, e eu armado em lautrec e em diego rivera, as fodas eram sinfonias, telas surrealistas, só que eu não sabia que estava fora do tom.
tantos romances inacabados, tantos sonhos encetados, enxertados. sei que fui egoísta no sexo, mas o sexo é assim. o amor, não.
finalmente tu, tanto tempo, tanto tempo demoraste, meu amor, porque nos trocaram as décadas, porque nos trocaram os caminhos se tinhas que vir afagar-te nos meus braços finalmente? és o meu nilo, a minha rosa do deserto em flor, as minhas noites austrais, o meu corpo doce com o perfume do teu beijo, o meu desejo que se espraia num delta furioso e tranquilo ao mesmo tempo, a minha vida, o meu poema.
vês, queria escrever sobre o meu tempo e acabo a escrever sobre mim, poeira indistinta na linha estratosférica das eras, dos eons, contemporâneo e extemporâneo, escrevo entre parênteses, vá lá, não temas fornecer pedras às turbas da tua lapidação, os querubins fitam-te circunspectos e o teu caminho é por aqui. no princípio era o verbo.
JLC - 23.04-22.05.2010
Texto inspirado na minha vida e na minha escrita, depois de ler "Terra Sonora: Sonambular", de Nuno Viana (pluma branca, 2009)
sexta-feira, 21 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
Agenda para hoje
Agenda para hoje:
- juntei o meu PC à equipa de investzigação do SETI (Searcg for Extraterrestrial Intelligence)
- jantar com amigos: pasta italiana e bom vinho português
- pé de dança no Magnum
Agenda para domingo:
- TPC: entrevista João Pedro Pais
- juntei o meu PC à equipa de investzigação do SETI (Searcg for Extraterrestrial Intelligence)
- jantar com amigos: pasta italiana e bom vinho português
- pé de dança no Magnum
Agenda para domingo:
- TPC: entrevista João Pedro Pais
Rótulo :
roteiro de vida
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Considerações sobre a Porta do Universo: Stargate Universe
Hoje, falo enquanto fã de SGU.
SGU? Stargate Universe. Em difusão no canal Sci-fi Universal (EUA) desde Setembro. Vai no 16° episódio. Este novo spin-off da série Stargate (filme de 1994), tem muito potencial, apesar das críticas e dos detractores. Mais do que o Stargate Atlantis (SGA), de certeza. Atrevo-me a dizer até, mais do que o Stargate (SG-1).
Saibam os argumentistas tirar proveito da situação. Ou seja, humanos a bordo de uma nave lantiana (dos Antigos) perdidos algures muito além da Via Láctea e da Galáxia de Pégaso. Fantástico, não? Novas espécies, novos mundos, novas galáxias, novos paradigmas.
Único senão de todas as séries SG e que desvirtuaram do filme original, o facto de toda a gente falar inglês, em todos os quadrantes do universo.
Ao menos, os trekkies inventaram o tradutor universal, o que facilitou os "primeiros contactos" e ajudou a criar uma Federação. Está na hora de a tecnologia dos Antigos fornecer algo parecido aos humanos, não acham?
Sempre achei que a série Star Trek inventava alienígenas a torto e a direito. Para isso era apenas preciso enfiar uma máscara a um gajo, pintalgar-lhe a cara, enfiar-lhes umas lentes de contacto, e voilá!
Ao menos, as séries SG alimentaram-se do mito dos "greys", das religiões, dos nossos mitos e lendas e deram-nos os Asgaard, os Goual'd, os Nox. E de vez em quando lá aparecem umas espécies que não são nem bípedes nem humanóides.
Agora, coincidência curiosa: tanto nas séries Star Trek como nas SG, os robots escasseiam. Há uns hologramas e há, claro, o Data no Star Trek, os cyborgs mauzões, mas exceptuando isso nada tipo os bons velhos R2-D2 ou C3PO... Nas séries SG é ainda mais aflitivo. Mas concedo que a invenção do "kino" no SGU é uma excelente ideia.
A minha personagem favorita no SGU: o capitão açoriano "Louis Ferreira" e o puto, Eli Wallace.
Gosto de Star Trek, mas o problema em que a linha do tempo é num futuro longíquo. Mesmo a série Entreprise (NX-01), suposta desenrolar-se o mais próxima de nós no tempo, decorre nos anos 2150-55. A série original, com Kirk e Spock, desenrola-se em meados do séc. XXIII e vai até ao fim do século com os filmes dos anos 80 e 90; The Next Generation, Deep Space Nine e Voyager decorrem nos anos 2360-2380.
É precisamente essa, para mim, a vantagem das séries Stargate: desenrolam-se no tempo presente. E mesmo se a maior parte da Humanidade não é suposta saber que esta já começa a ter embaixadores em galáxias mais além, gosto da(s) história(s).
Para os fãs de sci-fi, aconselho a este propósito "Gravidade Zero" ("Defying Gravity", no original) que passa na Fox (Meo) em horas absurdas, mas enfim. A trama decorre em 2050 e conta a história dos primeiros passos humanos pelo sistema solar. Gosto bastante. A história é realista, as datas também. Se considerarmos que nos anos 1970 e 80, a Nasa previra criar uma base lunar em 2015 e uma em Marte em 2045, acho que esta série percebeu que a Humanidade está muito atrasada na sua agenda espacial.
Deixo-vos aqui os trailers de SGU e de Gravidade Zero.
SG 4 ever
and it's just the beginning :-)
STARGATE UNIVERSE teaser
GRAVIDADE ZERO teaser
SGU? Stargate Universe. Em difusão no canal Sci-fi Universal (EUA) desde Setembro. Vai no 16° episódio. Este novo spin-off da série Stargate (filme de 1994), tem muito potencial, apesar das críticas e dos detractores. Mais do que o Stargate Atlantis (SGA), de certeza. Atrevo-me a dizer até, mais do que o Stargate (SG-1).
Saibam os argumentistas tirar proveito da situação. Ou seja, humanos a bordo de uma nave lantiana (dos Antigos) perdidos algures muito além da Via Láctea e da Galáxia de Pégaso. Fantástico, não? Novas espécies, novos mundos, novas galáxias, novos paradigmas.
Único senão de todas as séries SG e que desvirtuaram do filme original, o facto de toda a gente falar inglês, em todos os quadrantes do universo.
Ao menos, os trekkies inventaram o tradutor universal, o que facilitou os "primeiros contactos" e ajudou a criar uma Federação. Está na hora de a tecnologia dos Antigos fornecer algo parecido aos humanos, não acham?
Sempre achei que a série Star Trek inventava alienígenas a torto e a direito. Para isso era apenas preciso enfiar uma máscara a um gajo, pintalgar-lhe a cara, enfiar-lhes umas lentes de contacto, e voilá!
Ao menos, as séries SG alimentaram-se do mito dos "greys", das religiões, dos nossos mitos e lendas e deram-nos os Asgaard, os Goual'd, os Nox. E de vez em quando lá aparecem umas espécies que não são nem bípedes nem humanóides.
Agora, coincidência curiosa: tanto nas séries Star Trek como nas SG, os robots escasseiam. Há uns hologramas e há, claro, o Data no Star Trek, os cyborgs mauzões, mas exceptuando isso nada tipo os bons velhos R2-D2 ou C3PO... Nas séries SG é ainda mais aflitivo. Mas concedo que a invenção do "kino" no SGU é uma excelente ideia.
A minha personagem favorita no SGU: o capitão açoriano "Louis Ferreira" e o puto, Eli Wallace.
Gosto de Star Trek, mas o problema em que a linha do tempo é num futuro longíquo. Mesmo a série Entreprise (NX-01), suposta desenrolar-se o mais próxima de nós no tempo, decorre nos anos 2150-55. A série original, com Kirk e Spock, desenrola-se em meados do séc. XXIII e vai até ao fim do século com os filmes dos anos 80 e 90; The Next Generation, Deep Space Nine e Voyager decorrem nos anos 2360-2380.
É precisamente essa, para mim, a vantagem das séries Stargate: desenrolam-se no tempo presente. E mesmo se a maior parte da Humanidade não é suposta saber que esta já começa a ter embaixadores em galáxias mais além, gosto da(s) história(s).
Para os fãs de sci-fi, aconselho a este propósito "Gravidade Zero" ("Defying Gravity", no original) que passa na Fox (Meo) em horas absurdas, mas enfim. A trama decorre em 2050 e conta a história dos primeiros passos humanos pelo sistema solar. Gosto bastante. A história é realista, as datas também. Se considerarmos que nos anos 1970 e 80, a Nasa previra criar uma base lunar em 2015 e uma em Marte em 2045, acho que esta série percebeu que a Humanidade está muito atrasada na sua agenda espacial.
Deixo-vos aqui os trailers de SGU e de Gravidade Zero.
SG 4 ever
and it's just the beginning :-)
STARGATE UNIVERSE teaser
GRAVIDADE ZERO teaser
Rótulo :
ciências,
Midgard Book,
VIDEO
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Hoje apetece-me... adoptar uma tempestade!
Só os alemães mesmo para inventarem uma coisa assim.
Para mais informações, consulte o site do
Institut für Meteorologie
Para mais informações, consulte o site do
Institut für Meteorologie
Rótulo :
actu_mundo
sábado, 8 de maio de 2010
A Europa em 2030
O antigo primeiro-ministro espanhol Felipe González disse este sábado que a UE deve concluir reformas estruturais urgentemente, já que regista actualmenteá "um atraso de pelo menos dez anos".
González defendeu a urgência de reformas estruturais, coordenadas com medidas anti-crise, que deviam ter sido tomadas há uma década pela UE.
Para o ex-chefe do Executivo espanhol, o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) é uma das condições necessárias para estabilizar e harmonizar a Zona Euro, mas não chega. Segundo González, a UE tem de adoptar uma "economia social de mercado competitiva e sustentável do ponto de vista ambiental".
O Grupo dos 12 sábios
Estas reflexões fazem parte do "Projecto Europa 2030" que um grupo de 12 sábios, presidido por González, entregou hoje em Bruxelas ao presidente do Conselho Europeu, Herman Von Rompuy, na véspera dos 60 anos da "Declaração Schuman", que deu origem ao que é hoje à UE.
O "Projecto Europa 2030" divide-se em 10 capítulos que abordam temas que vão do modelo social ao envelhecimento demográfico da Europa, passando por questões energéticas e alterações climáticas.
O projecto preconiza que a UE "ao combinar múltiplos níveis de poder, do mundial ao local, tem mais capacidade que qualquer Estado-membro para enfrentar os principais desafios do século XXI".
No projecto, o grupo de sábios desafia a UE a promover a solidariedade individual e colectiva, entre indivíduos e gerações, entre localidades, regiões e Estados-membros.
O "Projecto Europa 2030" defende o aumento da eficiência económica através de novas medidas sociais, por exemplo, melhorando três condições do mercado do trabalho:
- a flexisegurança,
- a mobilidade laboral
- e a cultura da gestão empresarial
Uma Revolução Industrial "Verde"
O projecto preconiza ainda uma nova Revolução Industrial que desenvolva uma energia verde e reduza a dependência energética da UE em relação ao exterior.
González defendeu a urgência de reformas estruturais, coordenadas com medidas anti-crise, que deviam ter sido tomadas há uma década pela UE.
Para o ex-chefe do Executivo espanhol, o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) é uma das condições necessárias para estabilizar e harmonizar a Zona Euro, mas não chega. Segundo González, a UE tem de adoptar uma "economia social de mercado competitiva e sustentável do ponto de vista ambiental".
O Grupo dos 12 sábios
Estas reflexões fazem parte do "Projecto Europa 2030" que um grupo de 12 sábios, presidido por González, entregou hoje em Bruxelas ao presidente do Conselho Europeu, Herman Von Rompuy, na véspera dos 60 anos da "Declaração Schuman", que deu origem ao que é hoje à UE.
O "Projecto Europa 2030" divide-se em 10 capítulos que abordam temas que vão do modelo social ao envelhecimento demográfico da Europa, passando por questões energéticas e alterações climáticas.
O projecto preconiza que a UE "ao combinar múltiplos níveis de poder, do mundial ao local, tem mais capacidade que qualquer Estado-membro para enfrentar os principais desafios do século XXI".
No projecto, o grupo de sábios desafia a UE a promover a solidariedade individual e colectiva, entre indivíduos e gerações, entre localidades, regiões e Estados-membros.
O "Projecto Europa 2030" defende o aumento da eficiência económica através de novas medidas sociais, por exemplo, melhorando três condições do mercado do trabalho:
- a flexisegurança,
- a mobilidade laboral
- e a cultura da gestão empresarial
Uma Revolução Industrial "Verde"
O projecto preconiza ainda uma nova Revolução Industrial que desenvolva uma energia verde e reduza a dependência energética da UE em relação ao exterior.
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actu_mundo
quarta-feira, 5 de maio de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Nuvem 2
Depois da vaga de gripe A...
a nuvem paralisadora!
P.S. Muito gostam estes humanos de entrar em pânico! Overreacting? Nooooooooooooooo!.....
a nuvem paralisadora!
P.S. Muito gostam estes humanos de entrar em pânico! Overreacting? Nooooooooooooooo!.....
Nuvem 1
Sopra leve, levemente
como quem cinza sobre mim
será fumo, será pluma?
Fumo não é certamente
e a Europa não ofega assim!
Fui ver...
Era a nuvem!
P.S. O Augusto Gil há-de perdoar-me a paráfrase.
como quem cinza sobre mim
será fumo, será pluma?
Fumo não é certamente
e a Europa não ofega assim!
Fui ver...
Era a nuvem!
P.S. O Augusto Gil há-de perdoar-me a paráfrase.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Europa, primeira lição
Portugal vai emprestar 770 milhões de euros à Grécia para salvar aquele país da crise orçamental em que este se encontra. O Luxemburgo anunciou, por seu lado, o envio de 100 milhões de euros. Os montantes representam a dimensão económica e financeira de cada país, bem como o seu peso no capital do Banco Central Europeu e fazem parte do envelope global de 30 mil milhões que o Eurogrupo decidiu, no domingo, enviar ao governo de Atenas.
Quando Teixeira dos Santos disse em 16 de Março que afastava a hipótese de Portugal "acudir" à Grécia porque o nosso país já estava a braços com uma crise, fiquei surpreendido e lamentei a declaração. Felizmente, Sócrates, mais consciente dos deveres europeus de Portugal (ou terá recebido um lembrete de alguém?), veio desmentir o seu ministro das Finanças alguns dias mais tarde. Este foi mais um lamentável episódio (passou quase despercebido) na telenovela tragicómica de um governo que se ignora moribundo e a quem nada mais resta do que usar como armas de arremesso contra a oposição submarinos comprados por um governo da mesma cor 12 anos antes. Mais que dessintonia, trata-se de acefalite aguda.
Um homem de esquerda (mas que esquerda, afinal?) como Teixeira dos Santos esqueceu (ou, pior, nunca o soube? ignorância, portanto!) um dos preceitos que estiveram na base da construção europeia: a solidariedade, a cooperação e a entreajuda entre estados. Como bem resumiu o ministro das Finanças luxemburguês, Luc Frieden, em 26 de Fevereiro: "a Europa é uma comunidade solidária!" Frieden lembrou aos mais esquecidos que a UE e o euro têm sido um dos garantes para que algumas economias europeias não tivessem sofrido ainda mais com a onda de choque financeira que abalou o mundo e levou à bancarrota da Islândia.
Pensemos apenas nisto: e se Portugal estivesse na mesma situação da Grécia? Com os ignaros que governam o país, já estivemos mais longe, não?
Mas não se trata apenas de solidariedade e Frieden também explicou isso. Agora que estamos todos no mesmo barco, "não podemos deixar que a Grécia se torne um risco para a zona euro", explicou.
Vem-nos à memória a velha máxima de "a união faz a força", mas é muito mais do que isso: pertencer à UE encerra direitos mas também deveres, oportunidades mas igualmente responsabilidades. Foi o que permitiu no pós-Segunda Guerra Mundial criar uma "comunidade" (CECA, CEE e depois UE) com inimigos ancestrais, o que fomentou até hoje uma paz duradoura no nosso velho continente, algo nunca antes conseguido. E o mesmo preceito leva a que os estados-membros da UE continuem ainda hoje a apoiar, através dos fundos estruturais, de coesão e de outras ajudas, os novos países que aderem à União, de modo a que estes possam elevar-se aos mesmos patamares de desenvolvimento comunitários. É o que faz da UE a UE. É a sua força, a sua essência, a sua dinâmica.
Também a Hungria foi salva da falência em Outubro de 2008 por um empréstimo cedido pelo FMI, Banco Mundial e União Europeia. Mas, no domingo, os húngaros "ejectaram" do poder o governo pró-europeu do MSzP, preferindo-lhes os eurocépticos do Fidesz e o partido de extrema-direita Jobbik, que vai, pela primeira vez, ter assento no parlamento. É a reacção dos eleitores húngaros à política de austeridade imposta a Budapeste por Bruxelas e pelas instâncias financeiras internacionais. Medidas necessárias e preferíveis a uma situação de eventual bancarrota e caos. Mas a democracia é assim mesmo, o povo é quem mais ordena. Mesmo quando se engana.
Esperemos que os gregos não bebam do mesmo rio Lethes do olvido que, como já acreditavam os seus antepassados, conduz apenas ao Hades. E escrevo isto sem arrogâncias de pítia. É que a Europa não é um destino, mas uma oportunidade.
José Luís Correia
in CONTACTO, 14.04.2010
Quando Teixeira dos Santos disse em 16 de Março que afastava a hipótese de Portugal "acudir" à Grécia porque o nosso país já estava a braços com uma crise, fiquei surpreendido e lamentei a declaração. Felizmente, Sócrates, mais consciente dos deveres europeus de Portugal (ou terá recebido um lembrete de alguém?), veio desmentir o seu ministro das Finanças alguns dias mais tarde. Este foi mais um lamentável episódio (passou quase despercebido) na telenovela tragicómica de um governo que se ignora moribundo e a quem nada mais resta do que usar como armas de arremesso contra a oposição submarinos comprados por um governo da mesma cor 12 anos antes. Mais que dessintonia, trata-se de acefalite aguda.
Um homem de esquerda (mas que esquerda, afinal?) como Teixeira dos Santos esqueceu (ou, pior, nunca o soube? ignorância, portanto!) um dos preceitos que estiveram na base da construção europeia: a solidariedade, a cooperação e a entreajuda entre estados. Como bem resumiu o ministro das Finanças luxemburguês, Luc Frieden, em 26 de Fevereiro: "a Europa é uma comunidade solidária!" Frieden lembrou aos mais esquecidos que a UE e o euro têm sido um dos garantes para que algumas economias europeias não tivessem sofrido ainda mais com a onda de choque financeira que abalou o mundo e levou à bancarrota da Islândia.
Pensemos apenas nisto: e se Portugal estivesse na mesma situação da Grécia? Com os ignaros que governam o país, já estivemos mais longe, não?
Mas não se trata apenas de solidariedade e Frieden também explicou isso. Agora que estamos todos no mesmo barco, "não podemos deixar que a Grécia se torne um risco para a zona euro", explicou.
Vem-nos à memória a velha máxima de "a união faz a força", mas é muito mais do que isso: pertencer à UE encerra direitos mas também deveres, oportunidades mas igualmente responsabilidades. Foi o que permitiu no pós-Segunda Guerra Mundial criar uma "comunidade" (CECA, CEE e depois UE) com inimigos ancestrais, o que fomentou até hoje uma paz duradoura no nosso velho continente, algo nunca antes conseguido. E o mesmo preceito leva a que os estados-membros da UE continuem ainda hoje a apoiar, através dos fundos estruturais, de coesão e de outras ajudas, os novos países que aderem à União, de modo a que estes possam elevar-se aos mesmos patamares de desenvolvimento comunitários. É o que faz da UE a UE. É a sua força, a sua essência, a sua dinâmica.
Também a Hungria foi salva da falência em Outubro de 2008 por um empréstimo cedido pelo FMI, Banco Mundial e União Europeia. Mas, no domingo, os húngaros "ejectaram" do poder o governo pró-europeu do MSzP, preferindo-lhes os eurocépticos do Fidesz e o partido de extrema-direita Jobbik, que vai, pela primeira vez, ter assento no parlamento. É a reacção dos eleitores húngaros à política de austeridade imposta a Budapeste por Bruxelas e pelas instâncias financeiras internacionais. Medidas necessárias e preferíveis a uma situação de eventual bancarrota e caos. Mas a democracia é assim mesmo, o povo é quem mais ordena. Mesmo quando se engana.
Esperemos que os gregos não bebam do mesmo rio Lethes do olvido que, como já acreditavam os seus antepassados, conduz apenas ao Hades. E escrevo isto sem arrogâncias de pítia. É que a Europa não é um destino, mas uma oportunidade.
José Luís Correia
in CONTACTO, 14.04.2010
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na imprensa,
Reflexão
terça-feira, 13 de abril de 2010
Estrangeiros vão poder ocupar postos de burgomestre e vereador no Luxemburgo
O Conselho de Governo do Luxemburgo aprovou sábado um projecto-lei que vai permitir aos estrangeiros residentes no Grão-Ducado de se tornarem burgomestres e vereadores.
Reivindicado há muitos pelas associações de defesa dos direitos dos estrangeiros, como a ASTI (Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes), e anunicado em Março pelo primeiro-ministro Jean-Claude Juncker, o diploma visa alterar a lei municipal que impedia os cidadãos não-luxemburgueses de acederem aos mais elevados cargos autárquicos.
Outra das alterações previstas neste projecto-lei é o alargamento do direito de voto nas eleições comunais (autárquicas) a todos os estrangeiros e não apenas aos comunitários, como é actualmente o caso (e apenas após cinco anos de residência).
O projecto-lei deverá agora ser discutido no Parlamento, não se sabendo quando será aprovado.
O Governo fez já saber que deseja que a nova lei entre em vigor antes das próximas eleições comunais, marcadas para 9 de Outubro de 2011.
Reivindicado há muitos pelas associações de defesa dos direitos dos estrangeiros, como a ASTI (Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes), e anunicado em Março pelo primeiro-ministro Jean-Claude Juncker, o diploma visa alterar a lei municipal que impedia os cidadãos não-luxemburgueses de acederem aos mais elevados cargos autárquicos.
Outra das alterações previstas neste projecto-lei é o alargamento do direito de voto nas eleições comunais (autárquicas) a todos os estrangeiros e não apenas aos comunitários, como é actualmente o caso (e apenas após cinco anos de residência).
O projecto-lei deverá agora ser discutido no Parlamento, não se sabendo quando será aprovado.
O Governo fez já saber que deseja que a nova lei entre em vigor antes das próximas eleições comunais, marcadas para 9 de Outubro de 2011.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Regresso às origens - Cavaco designa Faro para comemorações oficiais do 10 de Junho
O Presidente da República designou esta semana a cidade de Faro como sede das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas deste ano e nomeou António Barreto como presidente da comissão organizadora.
“O Presidente da República assinou hoje um despacho designando a cidade de Faro como sede, no ano de 2010, das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, lê-se numa nota publicada ontem no "site" da Presidência da República.
Na mesma ocasião, é ainda acrescentado, o chefe de Estado nomeou António Barreto como presidente da “Comissão Organizadora das Comemorações”.
Ao longo de todo o seu mandato como Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva tem escolhido diferentes cidades como sede das comemorações do Dia de Portugal.
Assim, em 2006 a cidade escolhida foi o Porto e no ano seguinte Setúbal.
Em 2008, foi Viana do Castelo a ser a sede das comemorações do 10 de Junho e no ano passado a cidade escolhida foi Santarém.
“O Presidente da República assinou hoje um despacho designando a cidade de Faro como sede, no ano de 2010, das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, lê-se numa nota publicada ontem no "site" da Presidência da República.
Na mesma ocasião, é ainda acrescentado, o chefe de Estado nomeou António Barreto como presidente da “Comissão Organizadora das Comemorações”.
Ao longo de todo o seu mandato como Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva tem escolhido diferentes cidades como sede das comemorações do Dia de Portugal.
Assim, em 2006 a cidade escolhida foi o Porto e no ano seguinte Setúbal.
Em 2008, foi Viana do Castelo a ser a sede das comemorações do 10 de Junho e no ano passado a cidade escolhida foi Santarém.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Novos Talentos: Jovem turco numa impressionante imitação de Jacko
Performance impressionante a ver absolutamente até ao minuto 4'24. O resto é conversa do júri ...em turco.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Onde me situo na bússula política...
Desconfio sempre deste tipo de testes, mas aqui fica anyway o resultado desta bússola política.
Ao resultado publicado, devo precisar que as questões foram todas colocadas em inglês e foram concebidas para um residente nos Estados Unidos, o que exacerbou, na minha opinião, o resultado.
O quero dizer com isto? Que este resultado a ser verdadeiro, eu sou mais de esquerda do que Ghandi, e que tenho tendências comunistas com laivos de liberto-anarca.
Quem me conhece bem - e eu acho que faço parte dos que me conhecem melhor - sabe que me situo bastante mais ao centro desta bússula política:
- seduz-me alguma luta política de esquerda, mas nem o comunismo bacoco nem a esquerda caviar
- adiro a certas decisões da política de direita, quando se trata de relançar uma economia engripada, dinamizando o livre empreendedorismo como motor da criação de novos postos de trabalho, incentivando novos talentos e ideias para a evolução social, mas apenas no pleno respeito dos direitos humanos e sociais (já adquiridos)
- democrata, na acepção original do termo, "o poder do povo" (dêmos + krátos); acredito que o exercício do poder não é nem pode ser hereditário nem individual, antes rotativo e o mais plural possível, mas tendo sempre, como condição primeira e sine qua non, a legitimade pelo povo
- a anarquia nunca me cativou como fim político, tão somente e apenas como mal necessário e contestatário para combater um poder estabelecido quando opressivo, como as ditaduras, autocracias, oligarquias e outros regimes déspotas, em suma, todos os tipo de "cracias", i.e., poder/es (krátos) e de "garquias" (arkhê), i.e. comando/s; anarco-liberal talvez, mas sem aspirar a que a sociedade chegue a todas as consequências da ideologia hippie
- liberal q.b., mas na acepção social da palavra, não económica; i.e. contra a pena de morte e a favor da escolha pessoal, intransmissível e inalienável de cada ser humano em questões que dizem apenas respeito ao próprio
...entre outras coisas na minha radiografia psicopolítica..., mas confiando isto já estou a revelar mais do que esta bússola.
Cada um pode fazer o teste em : http://www.politicalcompass.org/test
Rótulo :
POLITIKA,
roteiro de vida
domingo, 28 de fevereiro de 2010
geografia físico-química
CORPO CADENTE
Daqui desta nascente
que é o princípio e o fim de tudo
o alfa e o ómega dos meus sorrisos e do meu sopro
ponto cardeal que me guia e desnorteia
rosa-dos-ventos dos meus sentidos
rosa que desabrocha quando a beijo com a boca
onde sorvo o orvalho doce da manhã que nasce
Vejo matas mansas, dunas erguidas, colinas oprimidas, vulcões em convulsão
e rios desenfreados procurando o mar na minha mão
avisto terras prometidas e rotas de sedas e especiarias
equadores e hemisférios e os paralelos do teu corpo
latitudes latentes que aguardam os meus gestos
E as estrelas eclipsando velhos mundos mortos
a via láctea deleitando-se na almofada branca
as clepsidras segurando o tempo infinito
e tu nos meus braços, encorajando o meu rosto.
Todo o céu se abre num estrondoso vacarme
e o mar desencadeado quer levar-me
sem que eu peça
Para onde tudo acaba e sempre recomeça.
José Luís Correia
Daqui desta nascente
que é o princípio e o fim de tudo
o alfa e o ómega dos meus sorrisos e do meu sopro
ponto cardeal que me guia e desnorteia
rosa-dos-ventos dos meus sentidos
rosa que desabrocha quando a beijo com a boca
onde sorvo o orvalho doce da manhã que nasce
Vejo matas mansas, dunas erguidas, colinas oprimidas, vulcões em convulsão
e rios desenfreados procurando o mar na minha mão
avisto terras prometidas e rotas de sedas e especiarias
equadores e hemisférios e os paralelos do teu corpo
latitudes latentes que aguardam os meus gestos
E as estrelas eclipsando velhos mundos mortos
a via láctea deleitando-se na almofada branca
as clepsidras segurando o tempo infinito
e tu nos meus braços, encorajando o meu rosto.
Todo o céu se abre num estrondoso vacarme
e o mar desencadeado quer levar-me
sem que eu peça
Para onde tudo acaba e sempre recomeça.
José Luís Correia
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Horários laborais no comércio luxemburguês voltam "à baila": Déi Gréng defendem abolição do dia de encerramento das bombas de gasolina
O partido luxemburguês Os Verdes ("Déi Gréng") quer acabar com o dia de encerramento das bombas de gasolina.
Por lei e com algumas excepções à regra (por exemplo: as estações de serviço das auto-estradas), as bombas de gasolina devem encerrar, no mínimo, um dia por semana no Luxemburgo, o que acontece, normalmente, ao domingo.
Mas a actual situação pode vir a mudar, já que os Verdes luxemburgueses defendem que as estações de serviço deveriam estar abertas sete dias sobre sete e pediram já que este assunto fosse discutido na próxima reunião da comissão parlamentar das Classes Médias.
Porque razão as lojas não ficam abertas até mais tarde no Luxemburgo?
Adivinha-se já uma contra-ofensiva por parte dos sindicatos, que no Luxemburgo têm lutado afincadamente nos últimos anos contra todo o tipo de alargamento de horários laborais nos estabelecimentos comerciais.
Nesta luta, os sindicatos têm-se confrontado com os sindicatos do patronato, com várias uniões de comerciantes locais, com a Câmara Luxemburguesa do Comércio e até contra os pareceres e as indicações do Governo.
O executivo e os comerciantes preconizam mais flexibilidade e alargamento dos horários de abertura dos comércios no Luxemburgo, sobretudo depois das 18h e aos fins-de-semana, por forma a não deixar "fugir" o poder de compra dos residentes para as zonas comerciais que se têm vindo a instalar nas zonas fronteiriças alemã, francesa e belga, onde as lojas ficam abertas até muito mais tarde, sábados e domingos, inclusive. Têm igualmente alertado para a situação de crise económica e para essa concorrência desleal contra a qual não podem lutar.
O Governo luxemburguês lançou até uma campanha que visa promover o Grão-Ducado como "principal pólo comercial da Grande Região" (zona que inclui a Valónia, a Lorena, o Luxemburgo, a Sarre e a Renânia Palatinato), mas a realidade é que na última década o país foi sendo literalmente "cercado" por parques comerciais, grandes superfícies e zonas de outlets (lojas de fábrica com venda directa ao público) que se têm instalado e concentrado do outro lado da fronteira luxemburguesa e à qual acorrem residentes luxemburgueses e transfronteiriços, atraídos pelos horários mais compatíveis com a sua vida profissional e familiar, bem como pelos preços praticados.
Os sindicatos luxemburgueses, por seu lado, de cada vez que os horários laborais no comércio vêm "à baila" sobem o tom e denunciam o facto de o patronato querer avançar com essas "flexibilidades" em detrimento das condições de trabalho e dos direitos dos trabalhadores.
JLC
Por lei e com algumas excepções à regra (por exemplo: as estações de serviço das auto-estradas), as bombas de gasolina devem encerrar, no mínimo, um dia por semana no Luxemburgo, o que acontece, normalmente, ao domingo.
Mas a actual situação pode vir a mudar, já que os Verdes luxemburgueses defendem que as estações de serviço deveriam estar abertas sete dias sobre sete e pediram já que este assunto fosse discutido na próxima reunião da comissão parlamentar das Classes Médias.
Porque razão as lojas não ficam abertas até mais tarde no Luxemburgo?
Adivinha-se já uma contra-ofensiva por parte dos sindicatos, que no Luxemburgo têm lutado afincadamente nos últimos anos contra todo o tipo de alargamento de horários laborais nos estabelecimentos comerciais.
Nesta luta, os sindicatos têm-se confrontado com os sindicatos do patronato, com várias uniões de comerciantes locais, com a Câmara Luxemburguesa do Comércio e até contra os pareceres e as indicações do Governo.
O executivo e os comerciantes preconizam mais flexibilidade e alargamento dos horários de abertura dos comércios no Luxemburgo, sobretudo depois das 18h e aos fins-de-semana, por forma a não deixar "fugir" o poder de compra dos residentes para as zonas comerciais que se têm vindo a instalar nas zonas fronteiriças alemã, francesa e belga, onde as lojas ficam abertas até muito mais tarde, sábados e domingos, inclusive. Têm igualmente alertado para a situação de crise económica e para essa concorrência desleal contra a qual não podem lutar.
O Governo luxemburguês lançou até uma campanha que visa promover o Grão-Ducado como "principal pólo comercial da Grande Região" (zona que inclui a Valónia, a Lorena, o Luxemburgo, a Sarre e a Renânia Palatinato), mas a realidade é que na última década o país foi sendo literalmente "cercado" por parques comerciais, grandes superfícies e zonas de outlets (lojas de fábrica com venda directa ao público) que se têm instalado e concentrado do outro lado da fronteira luxemburguesa e à qual acorrem residentes luxemburgueses e transfronteiriços, atraídos pelos horários mais compatíveis com a sua vida profissional e familiar, bem como pelos preços praticados.
Os sindicatos luxemburgueses, por seu lado, de cada vez que os horários laborais no comércio vêm "à baila" sobem o tom e denunciam o facto de o patronato querer avançar com essas "flexibilidades" em detrimento das condições de trabalho e dos direitos dos trabalhadores.
JLC
Cidadãos ibéricos chamados a colaborar no desenvolvimento de grandes projectos científicos
Qualquer cidadão pode ajudar no desenvolvimento de grandes projectos científicos. Basta ter um computador em casa e ligá-lo a uma plataforma de computação voluntária, o Ibercivis, para que realize alguns dos cálculos da investigação.Através do Ibercivis, uma iniciativa ibérica, o equipamento pessoal é ligado à plataforma e fica a trabalhar durante a noite, realizando cálculos, depois enviados para a central.
O Ibercivis nasceu de uma colaboração ibérica, envolvendo várias instituições científicas dos dois países, e procura o apoio dos cidadãos para desenvolver investigação em áreas tão diferentes como o tratamento da paramiloidose, conhecida como a doença dos pezinhos, a fusão nuclear ou o desenvolvimento de nanomateriais.
Numerosas escolas dos dois países vão estar envolvidas no Ibercivis através da ligação dos seus computadores, o que permitirá a alunos e professores contribuir para o avanço científico e contactar com a investigação que está a ser feita nos laboratórios nacionais e estrangeiros.
Para presidente da Ciência Viva - Agência portuguesa para a Cultura Científica e Tecnológica, Rosália Vargas, esta "é uma oportunidade de envolver o cidadão, todas as pessoas, de todas as idades e de todas as formações". E acrescentou: "Basta que tenha um computador e que queiram colocá-lo ao serviço da ciência".
Trata-se de "pôr os computadores a fazer cálculos imensos, necessários em vários projetos de investigação. É uma forma de participação que parece passiva, mas é activa", realçou a responsável.
Rosália Vargas frisou ainda que o projecto, que agora se inicia em Portugal, permite "fazer a ligação entre a comunidade científica e as escolas e entre a comunidade científica e a comunidade em geral".
A forma de aderir a este "movimento social de cidadania científica" está descrita na página na internet do projecto: www.oseucomputadorfazciencia.pt.
Neste portal é possível ver, no mapa de Portugal, rastos de luz que mostram como os computadores estão a ser activados e a passar a informação dos cálculos para os grandes computadores centrais.
O Ibercivis foi apresentado esta semana em Lisboa por responsáveis de instituições que participam no projecto, como o presidente do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIB), Gaspar Barreira, Rui Brito, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, Fermín Serrano Sanz, da Ibercivis Communications and Outreach e Victor Castelo, do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC).
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
"Nous c'est le monde" - pour Haiti (We are the World 2010)
Maestros: Quincy Jones e Lionel Richie (este último compôs, com Michael Jackson, a versão original da canção "We are the World", do projecto "USA for Africa" - United Support of Artists for Africa, em 1985).
Cantores: (pela ordem em que vão aparecendo no clip): Justin Bieber, Nicole Scherzinger (Pussycat Dolls), Jennifer Hudson, Jennifer Nettles, Josh Groban, Tony Bennett, Mary J. Blige, Michael Jackson (material vídeo da teledisco de 1985), Janet Jackson, Barbra Streisand, Miley Cyrus (aka Hannah Montana), Enrique Iglesias (filho de Julio Iglesias), Jamie Foxx, Wyclef Jean (músico de origem haitiana, ex-Fugees), Adam Levine, Pink, BeBe Winans, Usher, Celine Dion, Orianthi (à guitarra), Fergie (Black Eyed Peas), Nick Jonas (Jonas Brothers), Toni Braxton, Mary Mary, Isaac Slade, Lil Wayne, Carlos Santana (à guitarra), Akon, T-Pain; Rap: LL Cool J, Will.i.am (Black Eyed Peas), Snoop Dogg, Busta Rhymes, Swizz Beatz, Iyaz, Nipsey Hussle; e Kanye West.
Coro: Patti Austin, Philip Bailey, Fonzworth Bentley, Bizzy Bone, Ethan Bortnick, Jeff Bridges, Zac Brown, Brandy, Kristian Bush, Natalie Cole, Harry Connick Jr., Nikka Costa, Kid Cudi, Faith Evans, Melanie Fiona, Sean Garrett, Tyrese Gibson, Anthony Hamilton, Rick Hendrix, Keri Hilson, Julianne Hough, Nipsey Hussle, India Arie, Randy Jackson, Taj Jackson, Taryll Jackson, TJ Jackson (os três formavam os 3T), Al Jardine, Jimmy Jean-Louis, Ralph Johnson, Joe Jonas , Kevin Jonas, Nick Jonas (os três formam os Jonas Brothers), Rashida Jones, Gladys Knight, Benji Madden, Harlow Madden, Joel Madden, Katharine McPhee, Jason Mraz, Mýa, Freda Payne, A.R.Rahman, RedOne, Nicole Richie (filha de Lionel Richie), Raphael Saadiq, Trey Songz, Musiq Soulchild, Jordin Sparks, Thicke (aka Robin Thicke), Rob Thomas, Vince Vaughn, Verdine White, Ann Wilson e Nancy Wilson (ambas ex-Heart) e Brian Wilson (ex- Beach Boys).
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Frases da Semana
Nigel Farage: "Senhor Rompuy, você tem o carisma de uma esfregona húmida"
"Disseram-nos que quando tivéssemos um presidente, veríamos uma figura gigante, um homem que seria o líder político de 500 milhões de pessoas. Lamento, mas tivemo-lo a si. (...) E desculpe, mas depois da sua prestação – não quero ser mal-educado – mas, para ser sincero, o senhor tem o carisma de uma esfregona húmida e a aparência de um pequeno empregado de banco. (...) O senhor não tem nenhuma legitimidade para este trabalho e posso afirmar com certeza de que falo em nome da maioria dos britânicos ao dizer que não o conhecemos, que não o queremos e quanto mais cedo sair de cena melhor.”
- Nigel Farage, eurodeputado britânico pelo Partido para a Independência do Reino Unido,, dirigindo-se ao presidente do Conselho da UE, Herman Van Rompuy, depois da sua primeira intervenção diante do Parlamento Europeu (24.02.2010, Bruxelas)
------------------------------------------
"Portugal está no mesmo caminho que a Grécia"
"(...) Não tendo nós os mesmos números da Grécia, estamos rigorosamente no mesmo caminho. E, portanto, a evolução do nosso endividamento, a evolução do nosso défice das contas públicas está exactamente no mesmo caminho que está a Grécia. (...) Isto é: não façamos nada e daqui a dois anos estamos com estatísticas tão más ou piores do que a Grécia", acrescentou."
- Manuela Ferreira Leite, presidente do PSD e ex-ministra das Finanças (24.02.2010)
-----------------------------------------------------
"O Governo está fora da realidade"
"Aquilo que eu disse sobre a Grécia foi uma verdade, que era que nós estaríamos num caminho semelhante que, se não fosse travado, se não fosse alterado, chegaríamos exactamente ao mesmo ponto. (...) Se o Governo não entendeu nesse sentido, quer dizer que está absolutamente fora da realidade, absolutamente fora daquilo que o país necessita, e mais uma vez a não ser capaz de pedir aos portugueses os sacrifícios que lhes vão ser impostos, porque continua a não lhes passar o que é a realidade."
- idem, depois de o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, lhe ter pedido para que se retractasse pelas declarações que fez sobre a Grécia (25.02.2010)
"Disseram-nos que quando tivéssemos um presidente, veríamos uma figura gigante, um homem que seria o líder político de 500 milhões de pessoas. Lamento, mas tivemo-lo a si. (...) E desculpe, mas depois da sua prestação – não quero ser mal-educado – mas, para ser sincero, o senhor tem o carisma de uma esfregona húmida e a aparência de um pequeno empregado de banco. (...) O senhor não tem nenhuma legitimidade para este trabalho e posso afirmar com certeza de que falo em nome da maioria dos britânicos ao dizer que não o conhecemos, que não o queremos e quanto mais cedo sair de cena melhor.”
- Nigel Farage, eurodeputado britânico pelo Partido para a Independência do Reino Unido,, dirigindo-se ao presidente do Conselho da UE, Herman Van Rompuy, depois da sua primeira intervenção diante do Parlamento Europeu (24.02.2010, Bruxelas)
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"Portugal está no mesmo caminho que a Grécia"
"(...) Não tendo nós os mesmos números da Grécia, estamos rigorosamente no mesmo caminho. E, portanto, a evolução do nosso endividamento, a evolução do nosso défice das contas públicas está exactamente no mesmo caminho que está a Grécia. (...) Isto é: não façamos nada e daqui a dois anos estamos com estatísticas tão más ou piores do que a Grécia", acrescentou."
- Manuela Ferreira Leite, presidente do PSD e ex-ministra das Finanças (24.02.2010)
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"O Governo está fora da realidade"
"Aquilo que eu disse sobre a Grécia foi uma verdade, que era que nós estaríamos num caminho semelhante que, se não fosse travado, se não fosse alterado, chegaríamos exactamente ao mesmo ponto. (...) Se o Governo não entendeu nesse sentido, quer dizer que está absolutamente fora da realidade, absolutamente fora daquilo que o país necessita, e mais uma vez a não ser capaz de pedir aos portugueses os sacrifícios que lhes vão ser impostos, porque continua a não lhes passar o que é a realidade."
- idem, depois de o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, lhe ter pedido para que se retractasse pelas declarações que fez sobre a Grécia (25.02.2010)
Rótulo :
na imprensa
Escritor Urbano Tavares Rodrigues acredita que futuro vai trazer "movimentos de revolta" e "uma sociedade mais igualitária"
O escritor Urbano Tavares Rodrigues defendeu recentemete que virão movimentos de revolta e surgirá uma nova sociedade mais igualitária e ecológica.O escritor falava durante a apresentação do seu mais recente livro, "Assim se esvai a vida", que reúne além desta novela ainda os textos, "O cornetim encarnado" e "Os olhos do demónio e Outros contos".
"Assim se esvai a vida" é uma narrativa que começa antes do 25 de Abril de 1974 e se estende até à actualidade.
Tavares Rodrigues, que fez parte da resistência ao Estado Novo e foi preso por três vezes, disse acreditar que "novos tempos" surgirão em breve.
"O capitalismo neo-liberal atravessa uma crise estrutural que é uma espécie de suicídio, vai autodestruir-se e vão surgir movimentos de revolta e sociedades novas que têm de ter uma feição ecológica e uma divisão mais igualitária dos bens", vaticina o escritor.
"Vivemos problemas gravíssimos de destruição do meio ambiente, da natureza, do mundo em que vivemos".
No futuro "a divisão dos bens terá de ser equilibrada, terá de haver uma grande liberdade de expressão e de crenças religiosas, e será tendencialmente mais igualitária".
"Assim se esvai a vida"
A novela "Assim se esvai a vida" foi escrita "num impulso, apaixonadamente, quase sem pensar, num mês apenas", disse, reconhecendo "haver perigo" no convívio narrativo entre personagens ficcionais e reais.
Natália Correia, Nikias Skapinakis, Francisco Sousa Tavares são algumas personagens aludidas, tal como o próprio escritor que na "conjura da Sé" estava destinado a dirigir o jornal O Século.
"O Nikias substituiu o Vasco Gonçalves no comando da brigada de assalto. Isto é História de Portugal", sublinhou.
Outras personagens reais acabaram por se autonomizar e tornar-se ficcionais, como "é o caso de Pedro Manuel de Athaíde pensado no início como sendo o Luís de Sttau Monteiro, mas que no fim evolui de outra maneira”. Já Augusto Mozart “é claramente o Augusto Abelaira", disse.
Urbano Tavares Rodrigues reconhece "muito de autobiográfico" na personagem do escritor Felisberto Roxo, até pelos seus rompantes amorosos.
"Gosto muito de mulheres, em tudo, como namoradas, amantes, amigas, e fiz das mulheres as personagens dos meus romances e dei-lhes uma visão do mundo", disse.
"O cornetim vermelho"
"O cornetim vermelho" é claramente autobiográfico, são apontamentos do dia-a-dia, reflexões do escritor.
"É o ver o mundo para lá do meu terraço, a partir de acontecimentos a que assisti ou que me chegam através da televisão", explicou.
Tavares Rodrigues sempre registou apontamentos, reflexões e, mesmo preso sem direito a ler e escrever, arranjou forma de o fazer.
"Pedi para ler a Bíblia, já que me recusavam tudo, e o director veio ter comigo dizendo que sabia que eu não era católico, mas talvez me fizesse bem", recordou.
Conseguiu uma carga de esferográfica e escreveu em papel higiénico duro. Estes escritos fê-los "passar" quando saiu da cadeia e deram origem a três títulos, entre eles "A estrada de morrer".
Em "O cornetim vermelho", afirmou, "há algo de combativo, até pelos poemas que tem e que são vozes de combate".
"Os olhos do demónio e outros contos"
O terceiro título reúne contos, a que o autor chama "micro narrativas".
"Através de um grande poder de síntese consigo contar uma história ou definir uma personagem", explicou. "Alguns podem ser mote para um romance, não sei, a ver vamos", confiou.
Ainda longe de pensar no próximo romance, Urbano Tavares Rodrigues editará no Outono o terceiro volume das obras completas, um ensaio - "A natureza do acto criador", um livro de contos e a poesia completa.
Rótulo :
futuro,
literatura
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Unesco 2010 - Ano Internacional de Aproximação entre Culturas
"Acredito na força das ideias", declarou a directora geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a búlgara Irina Bokova, durante a apresentação da iniciativa.
Para a responsável "o intercâmbio e o diálogo entre culturas são a melhor arma para construir a paz" e, para levar a cabo esta iniciativa, reuniu "um painel de alto nível", com personalidades do mundo da cultura, da religião, das artes e da comunicação social, de forma a "fazer ressoar internacionalmente a mensagem de paz da Unesco".
Entre essas personalidades contam-se o ex primeiro ministro da Noruega, Magne Bondevik, a jornalistas mexicana Lydia Cacho, Premio Mundial da Liberdade de Imprensa 2008, o ex-presidente do Mali e da Comissão da União Africana, Alpha Oumar Konaré, convidados a fazer recomendações para favorecer o diálogo intercultural.
Será uma "reflexão livre, sem limites", disse Irina Bokova sobre a missão do grupo.
A Unesco propôs três grandes temas: "O poder da diversidade cultural e do diálogo", "O lugar dos valores partilhados na era da globalização", e "Construir a paz".
A iniciativa da agência onusiana pretende fortalecer os vínculos entre as pessoas, as nações e as culturas à escala global, já que a ligação entre desenvolvimento e cultura "é tão forte que o primeiro não se consegue alcançar sem a segunda".
Para isso, uma das primeiras ações que vai levar a cabo passa por reforçar a educação de qualidade no mundo, o que implica o ensino das grandes civilizações estrangeiras para fomentar "o diálogo e a tolerância", acrescentou a responsável.
Como prioridades, apontou o desenvolvimento cultural do continente africano, e estabeleceu as mulheres como grupo particularmente importante para ter acesso ao conhecimento e ao poder, disse Irina Bokova, primeira mulher a liderar a Unesco.
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onu,
unesco
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
O Futuro hoje: hologramas e hidro-comunicação
A CNN fez há já mais de um ano uma pimeira experiência televisiva com um holograma
Hidrologotipos : manipulação de gotas de água sobre um têxtil hidroreplente
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Filme anónimo do You Tube distinguido com prémio de jornalismo
Um prémio de jornalismo foi atribuído hoje a um anónimo que filmou e publicou no You Tube as imagens de uma iraniana (na foto) agonizante numa rua de Teerão, depois de esta ter participado numa manifestação contra o regime em Junho de 2009.A universidade de Long Island, no estado de Nova Iorque, atribuiu o prémio George Polk 2009 ao autor das imagens da morte de Neda Agha-Soltan (na foto), uma jovem de 26 anos que morreu na rua em Junho do ano passado, atingida a tiro durante uma manifestação contra o regime de Mahmoud Ahmadinejad.
Estas imagens deram à volta ao mundo depois de terem sido colocadas no You Tube.
Segundo o júri do Prémio George Polk, o vídeo foi visto por milhões de pessoas e "tornou-se um ícone da resistência iraniana". O júri admitiu desconhecer o autor do filme mas assegura que este "tem valor jornalístico".
Para os dinamizadores deste prémio esta distinção prova que "hoje em dia, um espectador corajoso com um telemóvel com câmara pode utilizar os sites de partilha de vídeos e as redes sociais para difundir informação”.
O vídeo foi mostrado na CNN, mas aviso as pessoas mais sensíveis de que as imagens podem chocar: ver filme aqui
Rótulo :
actu_mundo
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Séisme médiathique et politique au Portugal: Un reportage du journal Sol révèle que le premier-ministre a essayé de controler et museler la presse
Malgré une mesure judiciaire demandée par un des inculpés dans l'investigation judiciaire "Face oculta" (visage couvert, à propos d'affaires louches entre des enreprises privés et des organismes de l'Etat) pour que l'hebdomadaire portugais SOL ne publient plus d'extraits des écoutes dans le quadre de cette investigation, le journal invoque "le droit supérieur de la liberté d'expression et du droit à l'information" du publique et publie dans son édition d'aujourd'hui des extraits qui mettent directement en question le premier-ministre portugais José Sócrates.Intitulé "La Pieuvre", le reportage du journal révèle un complot avec des contours internationaux (des contacts avec le groupe médiathique Prisa à Madrid et des capitaux de Londres) lancé par des proches du premier-ministre et du chef du Gouvernement lui-même au mois de juin 2009 et qui avait comme objectif l'écartement de journalistes considérés dérangeants pour le Gouvernement (comme José Eduardo Moniz, Manuela Moura Guedes et Mário Crespo), mais également le contrôle de plusieurs grands médias du Portugal: la chaîne de télévision TVI, les journaux Diário de Notícias, Correio da Manhã, Jornal de Notícias et la rádio d'information continue TSF ou bien (c'était un des autres plan, selon le Sol), le journal Expresso et la chaîne SIC.
Ceci avait pour objectif créer une "bonne presse" au Gouvernement dans les mois juste avant les éléctions législatives (27 septembre 2009).
L'édition de ce matin du journal Sol s'est vendu intégralement dans tous les coins du pays - 130.000 exemplaires - et a annoncé qu'il lancerait une deuxième édition spéciale cet après-midi, avec des ajouts sur les écoutes de l'investigation "Face Oculta": encore une fois 130.000 exemplaires.
Pendant que plusieurs magistrats regrette la violation du secret de justice par la presse, tous les partis de l'opposition ont demandé aujourd'hui des éclaircissements au Gouvernement. António Capucho (PSD, social-democrate), membre du Conseil d'Etat, considère même que "le premier-ministre n'a plus de condition pour gouverner et devrait s'effacer", et que le PS devrait demander au Président de la République de nommer un nouveau premier-ministre socialiste.
Le Gouvernement a convoqué une conférence de presse pour réfuter les accusations du reportage du journal Sol. Pedro Silva Pereira, ministre de la présidence du Gouvernement nie que quiconque écoute ces enregistrements en tirent les mêmes conclusions. Il va même plus loin et pour répondre à Capucho lance: "Je comprends qu'il y ait des personnes qui ne veuillent pas de premier-ministre ou de gouvernement socialistes au pouvoir, mais cela ce décide lors des éléctions. Il y a ds gens qui n'on pas réussi à battre le PS lors des éléctions et qui essaye aujourd'hui de le faire par d'autres moyens".
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Info AFP:
Premier ministre du Portugal suspecté de vouloir museler la presse
Les relations notoirement tendues entre le Premier ministre socialiste José Socrates et la presse au Portugal se sont encore dégradées cette semaine avec la multiplication de révélations sur des tentatives du pouvoir de museler les médias jugés hostiles.
Déjà mis à mal à l'automne dernier par le scandale qu'avait provoqué, en pleine campagne électorale, la suppression du journal télévisé de la TVI dont il avait publiquement critiqué la présentatrice, José Socrates est désormais accusé d'avoir fomenté "un plan pour contrôler les médias".
L'accusation, lancée le 5 février par l'hebdomadaire Sol et reprise depuis par plusieurs médias, s'appuie sur des rapports d'écoutes téléphoniques, enregistrées dans le cadre d'une enquête pour corruption mais classées sans suite par la justice fin novembre.
La publication, par Sol puis par le quotidien Correio da Manha, d'extraits d'écoutes et de comptes-rendus judiciaires dénonçant de "forts indices de l'existence d'un plan impliquant directement le gouvernement" a été qualifiée d'"infâmie" par José Socrates qui a mis en cause un "journalisme de trou de serrure".
L'affaire a toutefois été jugée suffisamment grave pour que le parlement s'en saisisse et convoque la semaine prochaine, dans le cadre de sa Commission d'éthique, une série d'auditions consacrées à la liberté de la presse.
De son côté, le syndicat des journalistes a appelé jeudi "à combattre la censure", rappelant avoir dénoncé depuis un an plusieurs "tentatives de conditionnement des journalistes". Le dernier d'entre eux, Mario Crespo, présentateur de la télévision privée SIC, a accusé au début du mois José Socrates de l'avoir présenté comme "un problème à régler" lors d'un déjeûner avec des membres de son gouvernement.
Selon Sol, qui publie vendredi de nouvelles révélations, le "plan" du gouvernement consistait à prendre le contrôle, via l'entreprise Portugal Telecom, de la télévision TVI, très critique du Premier ministre, et d'acquérir un des principaux groupes de presse du pays.
Le projet de rachat de TVI par Portugal Telecom, rendu public en juin 2009, avait suscité un tollé dans l'opposition avant d'être finalement abandonné, sur ordre du gouvernement "pour éviter le moindre soupçon", avait alors expliqué M. Socrates.
Jeudi, toute la journée, un véritable jeu de cache-cache avait mis aux prises la direction de l'hebdomadaire Sol et un huissier de justice, chargé de faire appliquer un référé judiciaire interdisant la publication de nouvelles écoutes à la demande d'un administrateur de Portugal Telecom, par ailleurs conseiller municipal socialiste de Lisbonne.
En vain. Sous le titre "La Pieuvre" barrant le profil de José Socrates, Sol a assuré vendredi qu'il continuerait à "exercer la mission la plus noble du journalisme: mettre en lumière ce que le pouvoir prétend camoufler", annonçant à la mi-journée le tirage d'une deuxième édition.
L'hebdomadaire a reçu le soutien unanime de la presse portugaise qui a dénoncé une "tentative de censure préalable", "une première en trente ans", selon le quotidien Publico.
Pour Joao Marcelino, directeur du Diario de Noticias, pourtant réputé proche des cercles du pouvoir, cette affaire "exige la rapide mise en place d'une commission d'enquête parlementaire".
Selon le journal, "l'après-Socrates est déjà un thème de discussion au Parti socialiste", qui a perdu sa majorité aux dernières législatives. "Plusieurs dirigeants se demandent si Socrates est encore la solution ou s'il est déjà devenu un problème", affirme Diario de Noticias.
Portugal: le syndicat des journalistes "inquiet" de la multiplication des "pressions"
e syndicat des journalistes portugais s'est dit "inquiet" jeudi face aux "pressions et tentatives de contrôle" de la presse au Portugal, après que plusieurs médias eurent dénoncé des cas de "censure" de la part du gouvernement socialiste.
Dans un communiqué, le syndicat des journalistes dit "voir avec appréhension les pressions et les tentatives de contrôle de l'exercice professionnel du journalisme" au Portugal et appelle les journalistes à "combattre la censure".
Cette déclaration du syndicat fait suite à plusieurs polémiques ayant impliqué ces derniers mois le Premier ministre José Socrates, accusé par des journalistes d'avoir obtenu leur mise à l'écart.
La plus importante affaire, liée à la suppression d'un journal de la télévision privée TVI, avait surgi en pleine campagne des législatives en septembre dernier. Le Premier ministre avait alors été accusé d'avoir obtenu la tête de la présentatrice du journal, Manuela Moura Guedes, avec laquelle il était en conflit ouvert.
La semaine dernière, un autre journaliste, Mario Crespo, présentateur sur la télévision privée SIC, avait lui aussi "dénoncé le désir exprimé par le Premier ministre de le voir éloigner", rappelle le syndicat des journalistes.
Quelques jours plus tard, l'hebdomadaire Sol avait accusé José Socrates, sur la foi d'extraits d'écoutes judiciaires, d'avoir mis en place "un plan pour contrôler les médias".
Ces écoutes, réalisées dans le cadre d'une enquête pour corruption, avaient été classées fin novembre par le ministère public qui avait alors jugé qu'elles ne contenaient "pas d'éléments probatoires qui justifient l'ouverture d'une enquête à l'encontre du Premier ministre".
Au lendemain de leur publication, José Socrates avait dénoncé une "infamie" et critiqué "un journalisme de trou de serrure, qui se base sur des écoutes téléphoniques et des conversations privées".
in Le Monde, 11.02.2010
Dans un communiqué, le syndicat des journalistes dit "voir avec appréhension les pressions et les tentatives de contrôle de l'exercice professionnel du journalisme" au Portugal et appelle les journalistes à "combattre la censure".
Cette déclaration du syndicat fait suite à plusieurs polémiques ayant impliqué ces derniers mois le Premier ministre José Socrates, accusé par des journalistes d'avoir obtenu leur mise à l'écart.
La plus importante affaire, liée à la suppression d'un journal de la télévision privée TVI, avait surgi en pleine campagne des législatives en septembre dernier. Le Premier ministre avait alors été accusé d'avoir obtenu la tête de la présentatrice du journal, Manuela Moura Guedes, avec laquelle il était en conflit ouvert.
La semaine dernière, un autre journaliste, Mario Crespo, présentateur sur la télévision privée SIC, avait lui aussi "dénoncé le désir exprimé par le Premier ministre de le voir éloigner", rappelle le syndicat des journalistes.
Quelques jours plus tard, l'hebdomadaire Sol avait accusé José Socrates, sur la foi d'extraits d'écoutes judiciaires, d'avoir mis en place "un plan pour contrôler les médias".
Ces écoutes, réalisées dans le cadre d'une enquête pour corruption, avaient été classées fin novembre par le ministère public qui avait alors jugé qu'elles ne contenaient "pas d'éléments probatoires qui justifient l'ouverture d'une enquête à l'encontre du Premier ministre".
Au lendemain de leur publication, José Socrates avait dénoncé une "infamie" et critiqué "un journalisme de trou de serrure, qui se base sur des écoutes téléphoniques et des conversations privées".
in Le Monde, 11.02.2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Crónica de antecipação: Uma voltinha de carro no ano 2054 - por Joseph Koch-Héa *(1)
Enquanto os seus poros se abrem, desperta finalmente. Lembra-se que hoje vai ter que testar um novo carro. Foi escolhido por uma agência de estudos de mercado para testar um novo automóvel antes de este ser comercializado e tenciona aproveitar a ocasião. Desconhece qual o modelo que deverá conduzir, mas palpita-lhe que a grande novidade automóvel deste mês de Janeiro de 2054 é o novo Lexus CS (na imagem supra) de que todos falam, um bólide de linhas incríveis e que pode atingir 410 quilómetros nas hiperauto-estradas de oito faixas, como a A6, que liga Bridel ao Kirchberg pelo túnel do Bambësch, ou a E7, entre a cidade do Luxemburgo e Maastricht via Wemperhardt. Foi graças, aliás, ao alargamento da E7 e aos eléctricos-expresso que o Luxemburgo começou a receber há uns dez anos novos transfronteiriços, vindos desta vez da Holanda. Pudera, o caminho até à capital luxemburguesa demora agora entre 30 a 45 minutos. Alguns preferem trabalhar na Tech-Valley da Nordstad, mas outros não se importam de ir até Belval para encontrar emprego. É preciso dizer que apesar de a população do Grão-Ducado ter chegado aos 800 mil habitantes, continua a necessitar de mão-de-obra qualificada estrangeira. Depois de esgotado o reservatório da Grande Região, foi preciso atrair outras forças de trabalho. A chegada dos holandeses, bem qualificados, sobretudo nos sectores das nanobiotecnologias e da finança, dominando o inglês e o alemão, foi considerada providencial.
Sam não é um passageiro dos transportes públicos por opção. Poder conduzir um meio de transporte individual é tão raro que um sorriso desenha-se em êxtase no seu rosto.
Enquanto se deixa barbear pelo sistema Gillette Lasertouch, pede ao espelho táctil para visionar a meteorologia do dia, as cinco notícias locais mais lidas e as três notícias nacionais e internacionais mais consultadas. A agência de imprensa real informa que está tudo pronto para a grande cerimónia da abdicação do grão-duque Guillaume V a favor do filho Henri II. A segundo notícia mais consultada diz respeito à marcha silenciosa dos republicanos luxemburgueses pelo boulevard Jean-Claude Juncker, no Kirchberg. A terceira headline é o início do Salão Automóvel na LuxExpo, em Cessange.
Mas Sam já nem ouve, sonha com altas velocidades e sensações fortes. Até pediu o dia de folga para o grande acontecimento. Ter carro individual é coisa de gente abastada e ele já não conduz um verdadeiro automóvel desde os 16 anos, a única vez em que pegou no carro do pai, um velho híbrido Seat Barça Llobregat. Hoje, nas cidades, as pessoas deslocam-se em eléctrico, metro e tapete urbano. Para as grandes viagens utilizam o comboio magnético ou o avião.
Sam apanha o eléctrico-expresso em Echternach, mesmo à frente da sua casa. Assim que entra na carruagem, já cheia àquela hora, a sua retina é "scaneada", o passageiro é identificado e este pode, então, anunciar o seu destino: "Helfenterbruck". O computador de bordo regista: Sam Nunes, viagem extra-urbana, bilhete 5 eurodólares. No mesmo instante, esse montante é debitado da sua conta bancária. Na carruagem, há três ou quatro pessoas a falar ao telefone por auricular e micro colado à boca, outros conversam alto entre si e um grupo de putos de capuzes enfiados nas cabeças jogam em linha uns contra os outros no ecrã das lentes interactivas dos seus óculos Ray-Ban. Parecem uma seita epiléptica, só se adivinha o que estão a fazer pelos sobressaltos do corpo e dos dedos teclando no interface da ganga das calças. Sam tenta abstrair-se e enfia também ele um auricular para escutar o concerto ao vivo de Paris K. Jackson revisitando Madredeus.
Nove minutos depois, Sam está na estação intermodal do Kirchberg e corre para apanhar a correspondência em metro para Luxembourg-ville-Ouest, acotovelando a turba, no que mais parece uma corrida de obstáculos. Ofegante, chega ao cais no preciso momento em que o metro está a sair. Retém uma injúria quando vê que se trata da linha 5-Place Luc Frieden via Glacis. Trinta segundos depois chega o seu: Bertrange-Leudelange via Gare Central. O mais impressionante daquela troço da linha 2 é a paisagem de cortar a respiração que se pode vislumbrar quando o metro se liberta do rochoso planalto do Kirchberg e atravessa a 70 metros de altura, através de uma ponte tubular transparente com 500 metros de comprimento, todo o vale do Pfaffenthal, numa diagonal vertiginosa que em dois minutos põe o passageiro na place Aldringen. Os japoneses que vão a bordo aproveitam para disparar os flashes dos seus telemóveis. Dois minutos mais tarde, o metro chega à gare central, onde a maioria dos passageiros sai. Apesar da existência de oito gares periféricas em torno da capital luxemburguesa, que servem para redistribuir os passageiros do resto do país e da Grande Região pela rede de transportes interurbana da cidade, a estação central continua a ser a que vê passar mais passageiros. Sam deixa-se ficar e três minutos depois sai mesmo em frente ao autódromo de Helfenterbruck.
Na recepção, uma loira biónica acolhe-o em cinco línguas e encaminha-o com uma dezena de outras pessoas para a pista onde os esperam uma equipa técnica. Junto ao anel da pista há cinco Lexus CS, vermelhos platinados, majestosos, brilhando ao sol sobre a relva, exactamente como os que Sam viu nas revistas online. Os técnicos bombardeiam-nos com perguntas para estabelecer o perfil-consumidor de cada participante. Finalmente, Sam e os outros são convidados a vestir uniformes de piloto. Um nervoso miudinho percorre-lhe a espinha. Os primeiros Lexus arrancam num zunir maravilhoso para os ouvidos de Sam.
Mas quando chega a sua vez, apresentam-lhe o MagmaLux, o primeiro carro geo-eléctrico fabricado por um conglomerado luxemburguês entre a Goodyear, a Genii e a Du Pont de Nemours. A desilusão é total. Sam vê-se perante uma amostra de carro, uma espécie de casca de ovo metálica e que só muito vagamente se aparenta a um veículo. Desiludido, sobe a bordo. As portas fecham-se. Só depois repara que "aquela coisa" nem volante tem. O carro arranca e uma doce voz feminina ressoa pelo habitáculo: "Bem-vindo a bordo do MagmaLux, veículo urbano de pilotagem automática. Equipado com todas as comodidades das mais modernas tecnologias induzidas e de controlo de voz, este é o veículo ideal para aqueles que detestam conduzir no tráfego denso das cidades, uma das principais causas de stress actuais. Graças ao MagmaLux, os passageiros, até um máximo de seis pessoas, podem apreciar a paisagem, relaxar nos confortáveis bancos ergonómicos reclináveis ou até trabalhar nos três computadores instalados a bordo."
Enquanto os Lexus o ultrapassam pela esquerda e pela direita na pista, Sam consegue adivinhar os sorrisos orgásticos dos que os conduzem, enquanto ele se deixa levar à estonteante velocidade de 50 km/hora.
A voz continua: "Antes da viagem, os passageiros devem dizer ao sistema de condução inteligente inteldrive qual o destino pretendido. Este calculará o itinerário mais rápido e a rota mais segura, segundo a densidade do tráfego a essa hora, de modo a evitar os desagradáveis engarrafamentos e acidentes, bem como as estradas e ruas em obras. MagmaLux conjuga a eficácia dos transportes públicos ao conforto do carro privado. Magma Lux, bem-vindo ao futuro do automóvel."
"É lindo o futuro do automóvel, é!...", exclama Sam, de si para si.
"A sua crítica foi registada. O MagmaLux agradece-lhe a sua crítica construtiva e espera mais comentários!", responde-lhe a doce voz automática.
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Advertência: Esta crónica é uma obra de ficção. Todas e quaisquer semelhanças com personagens e factos reais ou imaginários são, evidentemente, pura coincidência.
(*1) a.k.a. José Luís Correia
(*2) O Lexus CS 2054 é um carro imaginado pela Lexus para o filme "Minority Report" (2002) de Steven Spielberg
(*3) O fictício "Magma Lux" que é suposto a foto representar é na realidade o "Ultra Light Transport", um projecto de viatura com piloto automático concebida pela Universidade de Bristol em 2002
(in CONTACTO, 03.02.2010, pág. 13, Suplemento Festival Automóvel)
sábado, 30 de janeiro de 2010
Hoje aprendi que...
"Na arte não é como no futebol:
é quando estamos fora de jogo
que marcámos melhor os golos."
Salvador Dali

A Tentação de Santo António (Salvador Dali, 1946)
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Reflexão
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
40 ° aniversário do jornal CONTACTO - Entre o passado e o futuro
Onde o nosso jornal soube ser visionário desde a sua criação – e isso deve-se sobretudo ao que os seus fundadores e dinamizadores fizeram dele ao longo destes 40 anos – foi na conjugação indispensável entre proximidade e rigor, aos quais aliou depois qualidade e gratuitidade, quando este último termo nem estava ainda na moda. Quando ainda nem se sonhava em imprensa gratuita no Grão-Ducado e a sua simples menção era repudiada, já o CONTACTO se assumia como tablóide e gratuito. Mas tão somente no "formato", porque o espírito e a linha editorial continuavam a ser de inspiração cristã e o jornalismo consciencioso e profissional.
Apesar de a equipa redacional dos anos 70 e 80 não ser constituída por profissionais, esta cuidou sempre, atenta, em ser rigorosa e isenta nas notícias apuradas e publicadas. Valores pelos quais também nós, os que humildemente continuamos a obra desses pioneiros, nos regemos.
Simultaneamente, quando muitas publicações nas últimas décadas foram perdendo o seu público, sem entenderem porquê, ao mesmo tempo que continuavam a insistir em charolas elitistas e autistas, o CONTACTO, ontem como hoje, preocupou-se sempre em seguir e ir ao encontro dos seus leitores. Não só dos almejos da comunidade portuguesa e lusófona, como dos problemas e desafios que esta enfrenta. E assim criou a proximidade. Soube tornar-se popular sem cair no popularucho, abordando todo o tipo de assuntos, dos mais espinhosos e tabus, que se esforçou por destrinçar e explicar, aos mais ligeiros, da política à economia, da cultura ao desporto, da vida associativa à intercomunitária. Lutamos pela integração e contra a assimilação preconizada por outros.
O resultado foi ganharmos a confiança e a fidelidade dos leitores, que aumentam de ano para ano a olhos vistos, como o bem demonstram as sondagens. Sabemos também que isso não se deve apenas ao nosso trabalho, mas a uma real necessidade dos que aqui vivem em procurarem conhecer cada vez melhor o país de acolhimento.
Mas não somos infalíveis, "errare humanum est", por isso almejamos a sabedoria de conseguir corrigir os erros a tempo. E para isso queremos contar com a compreensão e a colaboração dos que nos lêem.
Próximos dos leitores e da comunidade, emanando desta, fomos e queremos continuar a ser também o seu espelho mais fiel, caleidoscópio rico em diversidade, mas não anamorfizado.
Pretendemos igualmente ser protagonistas, uma mais-valia na reflexão da actualidade que nos rodeia e um valor intelectual acrescentado para a comunidade. É nessa perspectiva, por exemplo, que lançamos com esta edição a rubrica quinzenal "Por outros caminhos... Encontros com a História", assinada por António de Vasconcelos Nogueira, e que pretende abordar as relações históricas existentes há séculos entre o Luxemburgo e Portugal, mas também historiar a imigração lusa para o Grão-Ducado, que começou há quase meio século, mas que ainda permanece, infelizmente, relativamente desconhecida.
Outras iniciativas seguir-se-ão no decurso do ano, inseridas no âmbito do nosso aniversário.
Nos últimos anos demos também o passo tecnológico, e de uma simples presença na net passámos a actores da blogosfera. E até aprendemos a "twittar".
Por todas estas razões, a que acrescem o empenho e o trabalho esmerado que a Redacção leva a cabo diariamente – assistida preciosamente pelos nossos correspondentes, as equipas técnicas e outros serviços do grupo saint-paul, bem como da nossa direcção, todos sem os quais este jornal não seria possível –, acredito que apesar de um nascimento modesto, um futuro que esteve algumas vezes em perigo, podemos ser merecedores da herança valiosa que nos deixaram Carlos de Pina e Lucien Huss. E continuar a trabalhar para que os seus sonhos, que são afinal os de toda uma comunidade, possam ir muito mais longe.
José Luís Correia
Chefe de Redacção do CONTACTO
(in CONTACTO de 20.01.2010)
OGB-L quer Portugal a investir na formação profissional de emigrantes
Representantes da central sindical luxemburguesa OGB-L pediram na passada segunda-feira à ministra do Trabalho e da Solidariedade Social portuguesa, Helena André, a colaboração de Portugal na formação profissional dos emigrantes portugueses naquele país.
"Temos um problema muito concreto: os portugueses falam a língua portuguesa, mas não falam as outras. Os professores (da formação profissional) são todos de língua luxemburguesa, francesa ou alemã. Como é que vão comunicar?", questionou Carlos Pereira, dirigente da OGB-L.
"Porque não fazer uma colaboração mais forte com Portugal para levar técnicos que possam dar formação profissional em português", acrescentou. O responsável falava à agência Lusa à saída da reunião com a ministra do Trabalho, que decorreu segunda-feira em Lisboa.
Na base da preocupação da OGB-L em dar formação profissional aos imigrantes portugueses está a taxa de desemprego que afecta a comunidade no Grão-Ducado. De acordo com Carlos Pereira, um em cada três desempregados no Luxemburgo é português. "Dos 20 mil desempregados (no Luxemburgo), uma terça parte é de nacionalidade portuguesa", indicou. Actualmente estão cerca de 3.700 portugueses desempregados, segundo dados da Administração do Emprego (ADEM).
O sindicalista disse ainda que encontrou uma "receptividade positiva" por parte da ministra Helena André para colaborar na questão da formação profissional e sublinhou que, do lado luxemburguês, "todas as portas estão abertas" para que seja encontrada uma solução com Portugal. Também presente na reunião esteve o secretário-geral da CGTP-IN, Carvalho da Silva, que defendeu que a formação profissional é necessária para dar "resposta a uma nova geração de trabalhadores" migrantes. "A nova geração chega ao Luxemburgo com trabalho imediato, mas muitas vezes acaba no desemprego e a formação que têm é insuficiente", afirmou. Referindo-se aos esforços do Luxemburgo para tentar resolver o desemprego entre a comunidade portuguesa, Carvalho da Silva disse que pode ser "usado como um exemplo" para outras comunidades.
Na reunião foram também debatidas questões ligadas à segurança social, às reformas dos emigrantes portugueses e à aprendizagem da língua.
Helena André e Nicolas Schmit reúnem-se hoje em Barcelona
Para resolver estas questões, a ministra do Trabalho, Helena André, vai reunir-se hoje, quinta-feira, em Barcelona (à margem da reunião informal dos ministros europeus do Emprego) com o seu homólogo luxemburguês, Nicolas Schmit.
JLC/com Lusa
"Temos um problema muito concreto: os portugueses falam a língua portuguesa, mas não falam as outras. Os professores (da formação profissional) são todos de língua luxemburguesa, francesa ou alemã. Como é que vão comunicar?", questionou Carlos Pereira, dirigente da OGB-L.
"Porque não fazer uma colaboração mais forte com Portugal para levar técnicos que possam dar formação profissional em português", acrescentou. O responsável falava à agência Lusa à saída da reunião com a ministra do Trabalho, que decorreu segunda-feira em Lisboa.
Na base da preocupação da OGB-L em dar formação profissional aos imigrantes portugueses está a taxa de desemprego que afecta a comunidade no Grão-Ducado. De acordo com Carlos Pereira, um em cada três desempregados no Luxemburgo é português. "Dos 20 mil desempregados (no Luxemburgo), uma terça parte é de nacionalidade portuguesa", indicou. Actualmente estão cerca de 3.700 portugueses desempregados, segundo dados da Administração do Emprego (ADEM).
O sindicalista disse ainda que encontrou uma "receptividade positiva" por parte da ministra Helena André para colaborar na questão da formação profissional e sublinhou que, do lado luxemburguês, "todas as portas estão abertas" para que seja encontrada uma solução com Portugal. Também presente na reunião esteve o secretário-geral da CGTP-IN, Carvalho da Silva, que defendeu que a formação profissional é necessária para dar "resposta a uma nova geração de trabalhadores" migrantes. "A nova geração chega ao Luxemburgo com trabalho imediato, mas muitas vezes acaba no desemprego e a formação que têm é insuficiente", afirmou. Referindo-se aos esforços do Luxemburgo para tentar resolver o desemprego entre a comunidade portuguesa, Carvalho da Silva disse que pode ser "usado como um exemplo" para outras comunidades.
Na reunião foram também debatidas questões ligadas à segurança social, às reformas dos emigrantes portugueses e à aprendizagem da língua.
Helena André e Nicolas Schmit reúnem-se hoje em Barcelona
Para resolver estas questões, a ministra do Trabalho, Helena André, vai reunir-se hoje, quinta-feira, em Barcelona (à margem da reunião informal dos ministros europeus do Emprego) com o seu homólogo luxemburguês, Nicolas Schmit.
JLC/com Lusa
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Almoço de despedida a Léo Zeches que vai para a reforma depois de 42 anos de Wort
Na festa compareceram ainda o primeiro-ministro, Jean-Claude Juncker (avista-se atrás de mim, de fato cinzento); a comissária europeia dos Media, Viviane Reding, antiga jornalista do Luxemburger Wort; o presidente do conselho de administração do SPL, o cónego monsenhor Mathias Schiltz; o abade André Heiderscheid, membro do conselho de administração do SPL e antigo director-geral do jornal; o presidente da Câmara dos Deputados (Parlamento luxemburguês), Laurent Mosar; o chefe da bancada parlamentar cristã-social, Jean-Louis Schiltz; Alvin Sold e Danièle Fonck, da direcção do Tageblatt; Claude Karger, chefe de Redacção do Journal; entre muitos outros, além de todos os responsáveis de departamentos do SPL.
Fotos: Anouk Antony/LW
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
Biafra, a guerra que inspirou o "direito de ingerência" a Bernard Kouchner
A guerra do Biafra marcou a estreia de Bernard Kouchner, actual chefe da diplomacia francesa, na arena humanitária e política internacional, como principal paladino do conceito de “direito de ingerência”.Bernard Kouchner, jovem médico francês em missão para a Cruz Vermelha francesa, insurgiu-se no Biafra contra o código de neutralidade das agências humanitárias, preconizando o direito, e o dever, de ingerência de outros países em protecção de populações civis.
Kouchner esteve no Biafra em três missões, em 1968 e 1969. A 28 de Outubro de 1968, rompendo a reserva imposta pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha, Kouchner e o chefe da missão, Max Récamier, escreveram uma coluna no jornal “Le Monde”, assumindo o partido dos rebeldes ibo do Biafra.
No “Nouvel Observateur” de 17 de Janeiro de 1970, Bernard Kouchner escreveu outro artigo, sob o título “Um Médico Acusa”, em que interroga “como é que se pode ser de esquerda e deixar massacrar dois milhões de indivíduos?”
“O massacre dos biafrenses é o maior massacre da história moderna depois do massacre dos judeus, não o esqueçamos. Isso quer dizer que o massacre de milhões de homens não tem dimensão política?”, perguntava também o médico francês.
“A esquerda, se ainda existe uma, fechou os olhos. A sua preocupação é simples: as pessoas que morrem são de esquerda?”, concluía Bernard Kouchner.
“O Biafra não foi a primeira guerra ideológica, mas é um exemplo muito recuado da teoria de que Kouchner se tornou mais tarde campeão”, afirmou John Laughland, director do Instituto de Democracia e Cooperação, uma fundação de estudos internacionais com centros em Paris e Nova Iorque.
“Kouchner e a teoria do direito de ingerência tiveram grande influência na posição da França na Guerra da Bósnia, em 1992-1994, e também, logo a seguir à primeira Guerra do Iraque, em 1991, no estabelecimento de zonas de interdição aérea e no bombardeamento pelos EUA e Reino Unido”, acrescentou John Laughland, entrevistado pela Lusa em Paris, quando se assinalam 40 anos após o fim da crise do Biafra.
Resultado directo da posição de Bernard Kouchner no conflito do Biafra e da crítica da neutralidade em situações de agressão a civis, Kouchner fundou a organização Médicos Sem Fronteiras, em 1971. Uma década depois, e em divergência com os MSF, fundou outra organização humanitária, os Médicos do Mundo.
A carta dos MSF incluiu, com a oposição de Kouchner, um princípio inspirado na Cruz Vermelha, sobre a obrigação de o pessoal médico “respeitar o segredo profissional e abster-se de emitir julgamento ou de exprimir uma opinião (…) sobre os acontecimentos, as forças e os dirigentes que aceitaram a sua ajuda”.
O direito de ingerência, rapidamente identificado como “ingerência humanitária”, viria a ser objecto do livro “Devoir d’Ingérence”, de Bernard Kouchner, em 1987, secundado, em termos académicos, pelo especialista de direito internacional Mario Bettati, da Universidade Paris II.
“Para Kouchner, o humanitarismo neutral é uma charada. Ele tornou-se o campeão da guerra justa, de que o melhor exemplo é o Kosovo” e os bombardeamentos da NATO sobre a Jugoslávia, em 1999, nota John Laughland, que cita também o envolvimento do actual chefe da diplomacia francesa na questão curda.
O direito de ingerência, nota John Laughland, “não tem nenhuma base em termos de direito internacional” e “veio, pelo discurso político, derrogar princípios de intervenção humanitária que existem há 150 anos”.
O especialista recorda outra das críticas recorrentes à “ingerência humanitária”: “Introduz conceitos supranacionais para justificar actos unilaterais, como a segunda invasão do Iraque”.
Pedro Rosa Mendes,
para a Agência Lusa
sábado, 16 de janeiro de 2010
Jornal de Letras já tem site
O quinzenário Jornal de Letras, Artes & Ideias (JL) dispõe a partir desta semana de uma página na Internet - www.jornaldeletras.pt - no âmbito de uma política de renovação por ocasião do 30.º aniversário, que se celebra em Março."O jornal tinha já um blogue, mas uma gestão de meios e infra-estruturas permite alojarmo-nos no sítio da revista Visão", explicou o jornalista Manuel Halpern, coordenador da edição on-line.
"Uma das apostas fortes do sítio na Internet são os blogues, tendo sido convidados alguns nomes como Tiago Torres da Silva, o do Dr. Bakali, que é o pseudónimo do António Saraiva, José Bragança de Miranda, e um de homenagem a José Rodrigues da Silva", que foi chefe de redacção do JL e faleceu há um ano, entre outros.
Manuel Halpern, que terá também o seu blogue associado ao jornal, afirmou à Lusa que, "apesar de Rodrigues da Silva ser muito avesso às novas tecnologias, tinha um blogue de parede na redacção, e este blogue será feito com os seus textos, designadamente as críticas de cinema".
Para o coordenador da edição on-line, este "será mais do que um sítio de notícias, mas fundamentalmente um espaço complementar de opiniões, debate de ideias e permitirá maior interactividade com os leitores, sabendo as suas opiniões".
O novo sítio incluirá as notícias diárias de cultura da Agência Lusa.
"A opção por uma página própria na Internet - prosseguiu Halpern - surgiu até pelo êxito do jornal na rede social www.facebook.com, onde em pouco tempo alcançámos os 5000 subscritores, um facto tanto mais significativo que ao contrário de outras publicações não tivemos uma política activa nesse sentido".
O jornalista considera que "o público, de uma forma geral, está mais atento às questões do foro cultural".
Manuel Halpern adiantou que "este é o primeiro passo de uma remodelação do jornal, que completa 30 anos no próximo mês de Março".
Com uma tiragem de 11 mil exemplares, o JL "não irá esquecer a sua missão lusófona, tanto mais que em algumas comunidades somos o único jornal português que lá chega", realçou.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Tragédia abate-se sobre o Haiti - agora é preciso cuidar dos vivos!
Não se sabe ainda quantas vítimas mortais o forte sismo que abalou o Haiti na terça-feira fez, mas é, desde já, preciso juntar esforços e enviar toda a ajuda que podermos.
O sismo da magnitude 7 na escala aberta de Richter foi sentido também em Cuba, na Jamaica e Bahamas.
A Cruz Vermelha Internacional calcula em três milhões o número de pessoas afectadas pelo sismo e a possibilidade de centenas de milhares de mortos no país mais pobre do continente americano.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
2010, ano charneira
O ano de 2010 começa com grandes expectativas. Como todos os novos anos. Mas um ano que poderia ser charneira para a segunda década do século, pode vir a brilhar pela perplexidade e hesitação dos que devem tomar decisões que há muito se esperam e impõem.
Os olhos do Mundo continuam a depositar a audácia da esperança num messiânico Obama, que conseguiu fazer passar na véspera de Natal a lei da cobertura médica universal. Ganhou a solidariedade no país dos egóticos self-made men. A lei passou, arrancada a ferros, mas a que preço. Quem pagará a factura? A garantia de que os contratos assinados por Bush com a indústria do armamento vão continuar vigentes? Só assim se entenderia o envio de mais armas e homens para o Afeganistão pelo Nobel da Paz. Dizem os cínicos (que gostam de se auto-apelidar de realistas) que a política é hoje feita destes compromissos. Será que Obama consegue outro compromisso destes na política ambientalista depois do desaire de Copenhaga?
O Mundo aspira também que 2010 veja a retirada das tropas do Iraque, a confirmação da revolução verde em prol da democracia no Irão, a paz no Médio Oriente, um maior empenho na luta contra a pobreza nos países do Sul, e a saída da crise económica global, entre outros desideratos mais locais ou regionais.
Por cá, a velha Europa quer dar o exemplo, mas falta-lhe, como sempre nos últimos tempos, audácia e união, apesar da designação que lhe conferiu há 18 anos o Tratado de Maastricht. Começou por seleccionar marionetas articuladas para novos postos de chefia, altos títulos balofos de sentido, e afastou do ringue um peso pesado da política europeia como Juncker. A audácia e sobretudo o pragmatismo do grande estadista faziam falta a uma UE que se quer afirmar internacionalmente. Evitava-se que as ideias de Bruxelas fossem recebidas como anedotas pela aldeia global. Como aquela em que a UE propôs que Jerusalém passasse a ser a capital de dois estados. Recorde-se que nem Berlim resistiu a essa geopolítica forçada e implosiva. Comunistas e federalistas não partilharam uma capital, como pedi-lo a judeus e muçulmanos? Poderia a religião conseguir consenso onde a política falhou ? O presidente da UE deveria ter aprendido primeiro a arrumar a sua própria casa. É que Bruxelas já esteve mais longe de se tornar uma cidade dividida.
A Comissão Europeia declarou 2010 Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão Social. Mas ao mesmo tempo que lutamos contra a pobreza em África, atentemos que ainda há milhares de pobres e outros a viverem no limiar da pobreza no nosso continente, um dos mais ricos do globo.
Ao decretar em Dezembro o fim da recessão na zona euro, a UE aposta numa retoma rápida da confiança dos europeus na economia interna, por que é de confiança afinal que se trata e de esquecer a crise financeira o mais depressa possível. A não ser que certos efeitos secundários sistémicos se comecem a sentir apenas em 2010.
Países como o Luxemburgo e Portugal optaram por orçamentos de estado apertados. O Grão-Ducado vai investir em obras públicas, mas conquistas sociais do século XX como a indexação salarial parecem ter passado definitivamente à história. Em Portugal, espera-se apenas que os impostos não subam, que a crise se desvaneça mesmo, que as politiquices mesquinhas cessem e que o Governo faça o que foi eleito para fazer – governar.
Dossiês como o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa não parecem assim ser uma prioridade do Governo português neste ano de reequilíbrio das contas públicas. Apesar de este ter entrado oficialmente em vigor a 1 de Janeiro, o país não parece pronto – nem financeiramente nem logisticamente - a aplicá-lo. A ministra portuguesa da Educação anunciou que antes de tudo é necessário preparar docentes e prever manuais, e que isso não acontecerá no próximo ano lectivo. Datas realistas parecem ser 2013 ou 2015. No Brasil, o acordo está em vigor há já um ano. Em Portugal, a maioria da imprensa resiste à mutação. O jornal Público anunciou mesmo que não a adoptaria. O CONTACTO, por seu lado, vai aguardar até que o acordo seja adoptado pelas instituições nacionais e se torne realmente a regra. Até porque não seria avisado adaptar, adoptar e adquirir sistemas de uma nova ortografia que no fim de contas não vingasse. Revelar-se-ia um investimento inútil, além de lançar uma confusão babeliana desnecessária entre os nossos leitores, com artigos a surgirem em várias ortografias possíveis. Porque o novo Português agora forjado, com todas as excepções que inclui, mais parece uma "novlíngua" orwelliana à la carte.
Mas 2010 é também o ano em que o CONTACTO celebra o seu 40° aniversário. Vamos assinalar as nossas bodas de esmeralda com várias iniciativas. A primeira são crónicas quinzenais sobre as relações que existem há séculos entre o Luxemburgo e Portugal, mas que poucos de nós conhecem. Os artigos são assinados pelo historiador António de Vasconcelos Nogueira, que o CONTACTO convidou para este projecto, a lançar na edição de 20 de Janeiro. Nessa mesma data, publicamos um suplemento especial aniversário, a lembrar que foi em finais de Janeiro de 1970 que saiu o primeiro número do CONTACTO pelas mãos de alguns pioneiros da associação Amizade Portugal-Luxemburgo. Outros projectos, dossiês e reportagens especiais seguir-se-ão durante o ano.
A esmeralda é a pedra da inteligência, do coração e do renascimento acreditavam os antigos egípcios. E é precisamente com inteligência, mas sobretudo com o coração e num espírito de constante renovação e evolução que queremos celebrar as nossas quatro décadas de existência.
José Luís Correia
(Editorial, in "CONTACTO", de 06.01.2010)
Os olhos do Mundo continuam a depositar a audácia da esperança num messiânico Obama, que conseguiu fazer passar na véspera de Natal a lei da cobertura médica universal. Ganhou a solidariedade no país dos egóticos self-made men. A lei passou, arrancada a ferros, mas a que preço. Quem pagará a factura? A garantia de que os contratos assinados por Bush com a indústria do armamento vão continuar vigentes? Só assim se entenderia o envio de mais armas e homens para o Afeganistão pelo Nobel da Paz. Dizem os cínicos (que gostam de se auto-apelidar de realistas) que a política é hoje feita destes compromissos. Será que Obama consegue outro compromisso destes na política ambientalista depois do desaire de Copenhaga?
O Mundo aspira também que 2010 veja a retirada das tropas do Iraque, a confirmação da revolução verde em prol da democracia no Irão, a paz no Médio Oriente, um maior empenho na luta contra a pobreza nos países do Sul, e a saída da crise económica global, entre outros desideratos mais locais ou regionais.
Por cá, a velha Europa quer dar o exemplo, mas falta-lhe, como sempre nos últimos tempos, audácia e união, apesar da designação que lhe conferiu há 18 anos o Tratado de Maastricht. Começou por seleccionar marionetas articuladas para novos postos de chefia, altos títulos balofos de sentido, e afastou do ringue um peso pesado da política europeia como Juncker. A audácia e sobretudo o pragmatismo do grande estadista faziam falta a uma UE que se quer afirmar internacionalmente. Evitava-se que as ideias de Bruxelas fossem recebidas como anedotas pela aldeia global. Como aquela em que a UE propôs que Jerusalém passasse a ser a capital de dois estados. Recorde-se que nem Berlim resistiu a essa geopolítica forçada e implosiva. Comunistas e federalistas não partilharam uma capital, como pedi-lo a judeus e muçulmanos? Poderia a religião conseguir consenso onde a política falhou ? O presidente da UE deveria ter aprendido primeiro a arrumar a sua própria casa. É que Bruxelas já esteve mais longe de se tornar uma cidade dividida.
A Comissão Europeia declarou 2010 Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão Social. Mas ao mesmo tempo que lutamos contra a pobreza em África, atentemos que ainda há milhares de pobres e outros a viverem no limiar da pobreza no nosso continente, um dos mais ricos do globo.
Ao decretar em Dezembro o fim da recessão na zona euro, a UE aposta numa retoma rápida da confiança dos europeus na economia interna, por que é de confiança afinal que se trata e de esquecer a crise financeira o mais depressa possível. A não ser que certos efeitos secundários sistémicos se comecem a sentir apenas em 2010.
Países como o Luxemburgo e Portugal optaram por orçamentos de estado apertados. O Grão-Ducado vai investir em obras públicas, mas conquistas sociais do século XX como a indexação salarial parecem ter passado definitivamente à história. Em Portugal, espera-se apenas que os impostos não subam, que a crise se desvaneça mesmo, que as politiquices mesquinhas cessem e que o Governo faça o que foi eleito para fazer – governar.
Dossiês como o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa não parecem assim ser uma prioridade do Governo português neste ano de reequilíbrio das contas públicas. Apesar de este ter entrado oficialmente em vigor a 1 de Janeiro, o país não parece pronto – nem financeiramente nem logisticamente - a aplicá-lo. A ministra portuguesa da Educação anunciou que antes de tudo é necessário preparar docentes e prever manuais, e que isso não acontecerá no próximo ano lectivo. Datas realistas parecem ser 2013 ou 2015. No Brasil, o acordo está em vigor há já um ano. Em Portugal, a maioria da imprensa resiste à mutação. O jornal Público anunciou mesmo que não a adoptaria. O CONTACTO, por seu lado, vai aguardar até que o acordo seja adoptado pelas instituições nacionais e se torne realmente a regra. Até porque não seria avisado adaptar, adoptar e adquirir sistemas de uma nova ortografia que no fim de contas não vingasse. Revelar-se-ia um investimento inútil, além de lançar uma confusão babeliana desnecessária entre os nossos leitores, com artigos a surgirem em várias ortografias possíveis. Porque o novo Português agora forjado, com todas as excepções que inclui, mais parece uma "novlíngua" orwelliana à la carte.
Mas 2010 é também o ano em que o CONTACTO celebra o seu 40° aniversário. Vamos assinalar as nossas bodas de esmeralda com várias iniciativas. A primeira são crónicas quinzenais sobre as relações que existem há séculos entre o Luxemburgo e Portugal, mas que poucos de nós conhecem. Os artigos são assinados pelo historiador António de Vasconcelos Nogueira, que o CONTACTO convidou para este projecto, a lançar na edição de 20 de Janeiro. Nessa mesma data, publicamos um suplemento especial aniversário, a lembrar que foi em finais de Janeiro de 1970 que saiu o primeiro número do CONTACTO pelas mãos de alguns pioneiros da associação Amizade Portugal-Luxemburgo. Outros projectos, dossiês e reportagens especiais seguir-se-ão durante o ano.
A esmeralda é a pedra da inteligência, do coração e do renascimento acreditavam os antigos egípcios. E é precisamente com inteligência, mas sobretudo com o coração e num espírito de constante renovação e evolução que queremos celebrar as nossas quatro décadas de existência.
José Luís Correia
(Editorial, in "CONTACTO", de 06.01.2010)
domingo, 3 de janeiro de 2010
sábado, 2 de janeiro de 2010
Melhor que inventar mal é revisitar bem
Elementos de várias bandas juntaram-se e criaram o projecto "Amália Hoje". Outro grande projecto da recente MMP (música moderna portuguesa). Neste clip cantam "Gaivota", canção imortalizada por Amália, mas também tantas vezes interpretada por Carlos do Carmo. Mas nem quando a diva a cantava nem quando era o grande mestre do Fado que o fazia a canção me tocou. Dei por mim surpreendido a redescobri-la na voz de Sónia Tavares. Para ser mesmo honesto, nem nunca fui particular apreciador dos The Gift, banda em que Sónia quando em inglês. Foi preciso esta roupagem, este cocktail especial para que apreciasse a letra linda deste poema.
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