sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

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sábado, 20 de dezembro de 2008

Quem melhor o diz que Oscar Wilde?


Sobre a arte:

"Quando uma obra é considerada incompreensível, foi que o artista disse ou fez qualquer coisa de magnífico e de novo. Quando é considerada imoral, foi que o artista disse ou fez algo de magnífico ou verdadeiro."

Sobre a literatura e o jornalismo:
"A diferença entre literatura e jornalismo, é que o jornalismo é ilegível e que a literatura ninguém a lê."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

magazine XXI

Revista XXI

A XXI é uma revista trimestral francesa fundada no início de 2008 por Laurent Beccaria e Patrick de Saint-Exupéry.

O subtítulo da revista dá o tom: "A Informação em Grande Formato", i.e., destaque para as grandes reportagens, as fotoreportagens, as entrevistas "fleuve" e o jornalismo de investigação, tão à míngua na imprensa em França (já nem digo no Luxemburgo, porque era como tentar encontrar um eufemismo balofo e inane para dizer que no deserto não há água!).

As capas são um elegante e savant mélange entre banda desenhada, manchetes dos jornais tradicionais e grafismo design ultra-garrido. Fórmula que se volta a encontrar nas páginas interiores. As edições em capa dura e dimensão meia-tablóide (práticas de desfolhar e passear debaixo do braço) rondam quase sempre as 200 páginas. Duzentas páginas de artigos bem escritos, sabiamente construídos e documentados, em formato de coluna de jornal, que se lê gulosamente como um álbum de Corto Maltese. Há aliás - ideia de génio - sempre uma reportagem em forma de banda desenhada.

I- O primeiro número tinha um excelente dossier sobre a Rússia desde que Putin subiu ao poder, incluindo o assassinato da jornalista Anna Politkovskaja e uma entrevista com o (ainda vivo) eurodeputado polaco Bronislaw Geremek.
II - O número da Primavera era dedicado à Economia e incluia uma BD sobre a actualidade cubana.
III - O número de Verão fazia uma viagem de Kansas City ao Cairo passando por Toulouse, num périplo vertiginoso ao mundo das "religiões mutantes". E passava ainda pela cidade dos Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez.
IV- O último número entrevistava o escritor Marek Halter e debruçava-se sobre o destino a que está votado o continente negro. E mergulhava no Império do Meio.

Outra das modernices do XXI é ter todo o conteúdo disponível no blog. Percebo bem que a Redacção não tema que os fãs se detenham na página fria de um ecrã se podem optar por ter entre as mãos uma obra de arte que são todas as edições. Preço de capa: 15 euros.

O São Nicolau trouxe-me a colecção 2008, que já devorei por metade. Deixei sem remorsos os pais natais em chocolate de lado a mirarem-me circunspectos. Por isso, hoje, para suprir a alguma eventual carência nos próximos meses (porque esta cara revistinha cara, não é de encontrar-se em todos os quiosques) ...tornei-me assinante para a remessa 2009 :-))))))

Edição n°1 /Inverno 2008


Edição n°3, Verão 2008

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Quer mesmo, senhor primeiro-ministro?

O Governo luxemburguês anuncia que quer promover a inscrição dos não luxemburgueses nas listas eleitorais. Mas não adianta nada relativamente ao alargamento do prazo de inscrição para os não luxemburgueses que, recordo, continua a ser de um ano e meio (18 meses!) antes dos escrutínios.

Ou seja, os estrangeiros que desejem participar nas eleições europeias de Junho de 2009 devem inscrever-se até Dezembro de 2007!!! O que deixa, na prática, pouco mais de quatro meses de campanha ao Governo luxemburguês, se esta for lançada, na melhor das hipóteses, até Maio, a acrescer ao facto de nos dois meses de Verão os estrangeiros se ausentarem do país.

Será que até o cidadão estrangeiro mais bem informado, mais atento e interessado na "coisa política", sabe que já só tem até ao fim do ano para se inscrever?

Será que o Governo já boicotou o sucesso da campanha ao lançá-la tão tardiamente? Teremos direito depois ao habitual desfile dos políticos benevolentes, lamentando, lacrimosos, que tão poucos estrangeiros tenham aderido a tão generosa oferta?

E mesmo se Jean-Claude Juncker se diz a favor da "participação do maior número", mais uma vez "não bate a bota com a perdigota". O primeiro-ministro anuncia uma coisa, mas o Governo não mostra indícios de vontade de deixar os estrangeiros participarem nas eleições legislativas, como propuseram deputados socialistas e as juventudes partidárias socialistas e liberais.

As legislativas acontecem na mesma data das europeias, o que deveria ser a oportunidade ideal para colmatar a lacuna de democracia de que o país padece! Um país onde apenas 60% da população elege os membros do Parlamento.

José Luís Correia (in Contacto, 11.04.07)

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Combustível ecológico

Automóveis a todo o gás!

O despertar ecológico dos anos 80 com as marés negras, a catástrofe nuclear de Chernóbil, o buraco na camada de ozono, o sobreaquecimento global, levou a que cada vez mais pessoas se sentissem pessoalmente empenhadas em contribuir para que se faça marcha atrás na poluição "sustentada" do planeta desde a revolução industrial e acelerada no século XX.

Mas ainda antes do Protocolo de Quioto (1997), os construtores automóveis começaram a fabricar veículos com outras energias que não as poluentes tradicionais, inspirados quiçá por uma genuína preocupação ecológica, para responder à fibra verde dos automobilistas ou lançando já as bases de tecnologias energéticas às quais terão de qualquer forma que recorrer quando o petróleo se extinguir.

O gás natural foi uma das alternativas consideradas viáveis a curto prazo, porque os motores eram fáceis de construir e a energia era mais limpa do que a gasolina ou o gasóleo, com menos cerca de 25% de emissões de dióxido de carbono.

Recalcitrantes de início, mais por desconhecimento do que por resistência a uma novidade, os automobilistas foram percebendo que além de mais barato, menos poluente, o gás era também o mais seguro dos combustíveis e que o risco de explosão era até menor do que nos veículos com outros combustíveis líquidos.

Nos automóveis a gás não existe perigo de explosão, pois além do gás natural ser mais leve do que o ar, o sistema de armazenagem e compressão é dotado de válvulas de segurança que se fecham em caso de rompimento, além de este possuir um sistema de exaustão caso ocorra um vazamento. Outro factor de segurança na utilização do gás é que, no momento do abastecimento do veículo na bomba, a operação é feita sem contacto com o ar, o que impede qualquer possibilidade de combustão.

Como incentivo à utilização deste tipo de veículos, a empresa luxemburguesa Soteg (www.soteg.lu ) oferece um prémio de mil euros aos 100 primeiros compradores de um automóvel a gás no Luxemburgo. Os automóveis a gás começaram a ganhar terreno nos anos 90. Não só cada vez mais marcas apostam em modelos com esta tecnologia ecológica, mas as próprias bombas de gasolina com instalações preparadas para abastecer automóveis com gás natural multiplicam-se a grande velocidade pelo Mundo e pela Europa. E o Luxemburgo não é excepção.

EXPLOSÃO DAS VENDAS

A associação "Lëtzebuerg gëtt Gas" ("O Luxemburgo dá gás!") anunciou a 15 de Janeiro que a rede de estações de serviço públicas com estas instalações especiais vai ser alargada a breve prazo de duas para sete. Actualmente, existem quatro estações de serviço deste tipo no país – duas públicas, em Merl e no Findel, e duas de empresas privadas. Entretanto, está em estudo a implantação de mais duas em Bascharage e Schifflange, estando igualmente em projecto as de Schengen, Grevenmacher e Mersch. Os veículos a gás foram introduzidos no Grão-Ducado em 1994. Eram então quatro e abasteciam-se na estação da Sudgaz em Esch/Alzette.

O primeiro autocarro a gás da companhia de transportes públicos TICE, também de Esch, começou a circular em 1995. Hoje, a companhia possui 37 veículos com este combustível limpo.

Em 2001, começaram a ser comercializados no país os primeiros modelos em série de automóveis a gás. Mas apenas uma marca importava esse género de veículos para o Grão-Ducado, o que explica que no início do ano passado circulassem no país apenas 24 automóveis a gás. A "explosão" das vendas destes veículos deu-se precisamente em 2006, tendo actualmente o número duplicado. Duas dezenas de automóveis deste tipo foram já entretanto encomendados por particulares.

Década e meia após a introdução destes veículos no mercado, circulam no planeta cerca de 5,5 milhões de automóveis a gás, dos quais uma grande maioria na Argentina (1,4 milhões de veículos), Brasil (1,2 milhões) e no Paquistão (um milhão).

A nível europeu, é incontestavelmente a Alemanha que lidera o pelotão da frente ecológico, com 720 estações de serviço onde este combustível pode ser encontrado para 50 mil carros a gás na via pública. Seguem-se-lhe a Itália, com 571 estações (e 402 mil carros), a Rússia com 206, a Ucrânia com 125, a Suíça com 71 (e 3 mil carros), a Suécia com 67, a França com apenas 15 e a Bélgica com quatro (o mesmo número que no Grão-Ducado), isto segundo dados recolhidos no site www.gibgas.de, na internet.


José Luís Correia (in Contacto, 31.01.07)
Photo: O Honda Civic GX Sedan foi considerado um dos veículos mais amigos do ambiente em 2008 pela
ACEEE - American Council for an Energy Efficient Economy

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Juncker quer fazer omoletes sem ovos

Apesar de o primeiro-ministro, Jean-Claude Juncker, ter declarado no seu discurso sobre o Estado da Nação, em 2 de Maio de 2006, que pretende que o Grão-Ducado se torne, a breve trecho, o pólo comercial principal da Grande Região, mais uma vez foi pródigo em grandes ideias, mas revela-se parco em acções na hora de dar forma às promessas, como acontece há anos com a questão da penúria de alojamentos e a consequente inflação dos preços da habitação (!).

Juncker partilha da mesma opinião do ministro das Classes Médias, Fernand Boden (ver artigo principal), ou seja, que para que o Luxemburgo se torne um centro de passagem obrigatório para os onze milhões de consumidores que vivem no país e regiões fronteiriças, não é necessário alargar as horas de abertura do comércio (!).

Não será o mesmo que pedir para fazer omeletes sem ovos?

Enquanto se discute "abre? não abre?" e o lobby das lojas familiares e tradicionais impede a implantação de grandes multinacionais, como a FNAC e outras, as megastores de grandes marcas e as galerias comerciais crescem como cogumelos do outro lado da fronteira luxemburguesa, sitiando de olho guloso o poder de compra abastado do pequeno burgo.

E os consumidores luxemburgueses não se fazem rogados ao embater na porta de uma loja luxemburguesa encerrada depois das 18h ou ao domingo. Rumam cada vez mais frequentemente aos shoppings da periferia do país, com horários mais flexíveis e cosmopolitas.

Face a isso, Juncker – durante um dos seus habituais encontros com a imprensa, após o Conselho de Governo de 8 de Dezembro último – dizia que o Grão-Ducado dispõe de outros argumentos para se diferenciar dos seus concorrentes, avançando como exemplos o IVA, mais baixo no Luxemburgo do que nos países vizinhos. E supondo o alargamento de horários, avisava que este não deverá acontecer em detrimento das condições de trabalho dos empregados.

Mas horários mais flexíveis e menos provincianos não permitiriam criar mais postos de trabalho e combater o desemprego que tantas dores de cabeça tem dado ao ministro Biltgen, além de tornar a capital e o país mais atraentes para os consumidores da Grande Região e os turistas?

José Luís Correia, in Contacto, 03.01.2007