sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

6° Congresso da CCPL: Lutar por uma reforma do ensino e promover a participação política

Coimbra de Matos deverá ser reconduzido à frente da CCPL Foto: Guy Wolff
Foi sob estes lemas que decorreu o sexto congresso da Confederação da Comunidade Portuguesa do Luxemburgo (CCPL, criada em 1991 e que reúne mais de metade das associações portuguesas do país), que contou com a presença de representantes das autoridades luxemburguesas e portuguesas, representantes de partidos políticos, além de uma meia centena de participantes.

Um dos cavalos de batalha da CCPL tem sido lutar por uma reforma do ensino luxemburguês de modo a que este favoreça a igualdade de oportunidades para todos, diminuindo as desigualdades de base, sejam elas sociais ou culturais. Durante o congresso foi ainda reafirmada a vontade de abrir o acesso à função pública por parte dos residentes estrangeiros comunitários.

A CCPL quer também continuar a promover o reconhecimento das associações lusas para que estas usufruam do acesso aos mesmo subsídios, apoios e infra-estruturas que são facultados a todas as outras colectividades luxemburguesas. Da mesma forma, a organização quer fomentar o reforço de relações entre a comunidade portuguesa e as outras comunidades e a sociedade luxemburguesa, sensibilizando simultaneamente os portugueses para uma maior participação cívica e política.

A CCPL mostrou ainda uma posição forte em relação à questão da recente exoneração do director do Instituto Camões considerando-a „incomprensível e absurda“ e exigindo uma resposta do governo português quanto ao futuro daquele centro.

O papel da CCPL foi definido, hoje mais do que nunca, como preponderante, face ao crescimento da comunidade portuguesa nos últimos anos, passando de 60.000 no fim dos anos 90 para os 80.000 em 2005 e diante do surto migratório contínuo e crescente proveniente de Portugal em direcção ao Grão-Ducado.

O presidente e a nova direcção serão eleitos nos próximos dias pelos 26 conselheiros eleitos durante o congresso.

José Luís Correia 
in CONTACTO, 13/12/2006

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

V Congresso da CCPL dominado pelo debate em torno da participação política e cívica

Participaram cerca de 80 pessoas neste Congresso, entre representantes do movimento associativo e convidados Foto: M. Dias 

Nada mais, nada menos que nove mulheres, das quais metade são jovens com menos de 25 anos, fazem parte dos 30 membros eleitos para o Conselho da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), num facto inédito na história deste organismo.

Esta votação foi a grande novidade que marcou o V Congresso da CCPL, que decorreu, no passado domingo, dia 15 de Dezembro, em Strassen.

Para José António Coimbra de Matos, Presidente cessante da CCPL, "este congresso e consequente votação foi um dos poucos actos cívicos e verdadeiramente democráticos que ainda se vêm no mundo associativo no Luxemburgo".

Outra das suspresas deveu-se aos resultados das eleições mostrarem que o candidato mais votado não foi o Presidente cessante, como se poderia prever, mas Maria Joaquina Carvalho, membro da Associação de Pais de Schifflange, bastante activa da CCPL, nomeadamente no Grupo de Ensino.

Para quem "agoirava" o Congresso da dissolução e a falta de interesse de muitos representantes do mundo associativo por este organismo, os resultados vieram provar que as mulheres e a nova geração, em particular, estão apostados em dar continuação a este projecto.

Participaram neste Congresso cerca de 80 pessoas. Além das Autoridades Portuguesas no Luxemburgo, faziam parte dos convidados, Marcel Sauber, Presidente do Conselho de Estado, Christiane Martin, Comissária para os Estrangeiros, Carlos Correia, Chefe de Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades (em representação de José Cesário), os deputados portugueses Carlos Gonçalves (PSD) e Carlos Luís (PS), os Burgomestres de Strassen e da Cidade do Luxemburgo, Gaby Leytem e Paul Helminger respectivamente, os Deputados luxemburgueses Claude Wiseler (CSV) e Xavier Bettel (DP), bem como 46 representantes (inscritos) do Movimento Associativo, entre outros.

Na sua intervenção, Helminger defendeu que a CCPL deve continuar a ser o interlocutor privilegiado da Comunidade Portuguesa, não só a nível nacional mas comunal, porque é importante que esta fale a "uma só voz".

O Burgomestre da capital lamentou ainda que muitos não-luxemburgueses não se inscrevam nas listas eleitorais e que, sem isso, nunca conseguirão sensibilizar os partidos luxemburgueses. "Ou então estão tão satisfeitos do país onde vivem que nos deixam decidir tudo sozinhos?", gracejou.

Também o Cônsul-Geral disse considerar que a "Comunidade Portuguesa deve tornar-se parte inteira e integrante da sociedade luxemburguesa, participando não só na vida económica, mas também social e política do país".

O Presidente do Comité de Ligação e de Acção dos Estrangeiros (CLAE), Diogo Quintela, considerou este Congresso o começo de uma "redinamização de um organismo que o CLAE considera muito importante".

Este responsável evocou ainda a possibilidade das duas associações colaborarem juntas, em 2003, numa campanha de sensibilização para a inscrição nas listas eleitorais, já que "é impensável que 30% da população do Luxemburgo continue a ser excluída das decisões do Governo".

Para o Presidente cessante da CCPL, a integração "é o nosso principal objectivo". Na sua alocução, Coimbra de Matos revindicou que o Estado português assuma as suas responsabilidades em relação ao Movimento Associativo e à Juventude, defendeu a inscrição automática nas listas eleitorais e a dupla-nacionalidade.

"Recusamos o paternalismo do Estado Português e os favores do Estado luxemburguês. Queremos apenas aquilo a que temos direito enquanto cidadãos europeus", frisou. Mas, a par da questão da participação política, foram discutidas e abordadas outras de não menos importância, como: o papel das Associações de Pais de Alunos Portugueses, nomeadamente em relação às Associações de Pais luxemburguesas; o Ensino do Português no Luxemburgo; o Sistema Educativo do Grão-Ducado, questão onde Coimbra de Matos insistiu em frisar que considera "inaceitável que a Escola continue a ser um local de segregação e de exclusão!"; bem como a participação das mulheres e jovens na vida associativa, social e política.

Todos os temas discutidos fazem parte de um vasto Projecto de Programa de Acção, aprovado por maioria, neste Congresso e que abrange ainda questões como as estruturas da Comunidade Portuguesa, a representação da Comunidade em Órgãos Consultivos, as relações com as Autoridades Portuguesas, a Formação e questões sociais que preocupam a Comunidade no Grão-Ducado. Este Programa de Acção traça as grandes linhas de orientação da CCPL para os próximos dois anos. O Conselho deverá reunir em Janeiro, para decidir da constituição da Direcção e nomeação de um Presidente.

José Luís Correia, 
in CONTACTO, 20/12/2002

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Serviço Voluntário Europeu: "Uma experiência única"

Carla Sofia Sousa Miranda em entrevista com o nosso redactor José Luís Correia 
Foto: Tessy Hansen 

Carla Sofia Sousa Miranda tem 22 anos, mora no Bairro da Ameixoeira, em Lisboa, e esteve durante dez meses a fazer o "Serviço Voluntário Europeu" (SVE) no Luxemburgo, no seio da Confederação da Comunidade Portuguesa do Luxemburgo (CCPL).

É formada em Estudos Europeus pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Antes de fazer o programa SVE já fizera o programa "Leonardo da Vinci" em 1998, ficando interessada pelo SVE desde essa altura, mas só se viria a decidir a seguir este programa depois de terminado o curso.

Porquê a CCPL? Carla diz ter-se candidatado a vários projectos do SVE para a França, Inglaterra e Luxemburgo. A motivação das suas escolhas fizeram-se pelo tema do projecto, mas também pela língua do país que a iria acolher. Estabeleceu contactos com outros projectos no Luxemburgo, mas optou pelo da CCPL.

"A maior parte dos outros projectos neste país tinham um âmbito mais social e cultural, com jovens e crianças das 'Maison de Jeunes' e 'Foyers de Jour'. Eu preferi a CCPL porque, além de poder vir a trabalhar com jovens, o projecto era mais abrangente e não se resumia apenas a isso", explica.

A decisão também foi influenciada pelo seu currículo académico. "Este projecto enquadrava-se melhor nos meus projectos futuros e no curso que eu tinha feito. Formei-me em Estudos Europeus, onde abordámos, inclusive, a emigração portuguesa no Mundo. Eu tinha também curiosidade em conhecer essa realidade", conta-nos.

Um país de várias comunidades 

O primeiro contacto com a comunidade portuguesa no Grão-Ducado correspondeu positivamente às suas expectativas.

"O que estudei em termos teóricos adapta-se perfeitamente ao Luxemburgo, embora na prática as coisas se revelassem diferentes. Os portugueses neste país tem características bem específicas e são um caso completamente à parte do resto da emigração portuguesa. Nunca imaginei vir encontrar uma comunidade tão fechada sobre si própria. Pensava que existia uma maior homogeneidade entre a comunidade portuguesa e a sociedade luxemburguesa. O Luxemburgo é um país de várias comunidades, de várias sociedades e é pena que assim seja, porque perde muito!"

"Mas o balanço do estágio é positivo", afiança, "foi bom trabalhar com a comunidade portuguesa, não conhecê-la apenas na teoria, mas saber quais são as suas necessidades, problemas e lutas".

Em termos culturais, profissionais e até pessoais revela-nos que sente que cresceu e evoluiu.

"Este estágio permitiu-me ter as primeiras experiências com o mundo do trabalho. Como se trata de um serviço de voluntariado não tinha um trabalho rígido, tinha flexibilidade horária. Como a CCPL é uma associação onde só colaboram voluntários, por vezes senti que pesavam demasiadas responsabilidades sobre mim, mas, simultaneamente, sentia que me atribuíam crédito para poder trabalhar livremente; que o meu trabalho era útil e que as pessoas confiavam em mim. Graças a isso, hoje tenho mais certezas sobre o que quero fazer, sei o que sei fazer melhor e as formas como gosto de trabalhar. Aprende-se muita coisa a viver num país do centro da Europa, tão parecido com a Alemanha, onde as pessoas são mais frias que em Portugal, mas mais metódicas e rigorosas. Os portugueses tendem a ser mais desorganizados, mas, face a um problema são mais inventivos e improvisam".

Carla admite que nem todos os SVE são como este, mas acredita que constituem sempre "uma experiência única". "É sempre positivo deixar o país, conhecer outras coisas, alargar horizontes", defende.

Segundo Carla, em Portugal uma experiência como estas, no estrangeiro, é considerada uma mais-valia no mercado do trabalho. E ficou tão entusiasmada que, entretanto, conseguiu convencer mais dois jovens do seu curso a trabalharem, este ano, para o projecto da CCPL, integrados no SVE.

Os dois jovens, Filipe Santos e Miriam Mateus já chegaram ao Luxemburgo, onde deverão permanecer até Julho de 2004.

Quanto à Carla, e depois deste projecto, procura algo que se enquadre no curso que fez, seja no âmbito dos assuntos europeus ou no do património e gestão cultural, em Portugal ou no estrangeiro, equacionando, inclusive, voltar para o Luxemburgo ou ir viver para França. Para mais informações sobre o SVE pode consultar, na net o site www.injep.fr/prog/SVE/jeunes.html ou a Agence National luxembourgeoise du Programme Jeunesse, tel. 4786477 (Myriam Putzeys).

José Luís Correia
in CONTACTO, 26/09/2003

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

CCPL: Uma equipa renovada e com um novo fôlego

Foto: CCPL
"Dado o ânimo em que decorreram o congresso e o início dos trabalhos do conselho, e por proposta da Direcção, achei que devia aceitar a responsabilidade de um segundo mandato". Foi com estas palavras que José António Coimbra de Matos explicou a sua recondução à presidência da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), decisão tomada por unanimidade dos membros da direcção, realizada a 16 do corrente, em Gasperich.

Os membros da direcção foram nomeados, aquando da primeira reunião do Conselho da CCPL, no passado dia 10 de Janeiro.

Nessa primeira reunião do Conselho estavam presentes a maioria dos conselheiros eleitos no Congresso. Estes começaram por se congratular pelo facto do congresso ter sido, acima de tudo, um "acto político", que provou aos políticos e representantes das autoridades portuguesas e luxemburguesas convidados, que o movimento associativo português no Luxemburgo, não está em degenerescência.

Foi unânime a constatação de que o Programa de Acção é ambicioso para os próximos dois anos, mas que o importante é a definição de linhas directrizes prioritárias.

Um dos objectivos principais, desta nova equipa, deverá ser a mobilização da Comunidade Portuguesa para a sua unidade e, simultaneamente, a sua melhor integração na sociedade luxemburguesa. Este último objectivo passa pela sensibilização e informação dos cidadãos portugueses quanto à importância da sua participação na vida cívica e política do país de acolhimento.

A persistência na continuação do trabalho iniciado com os jovens (segunda e terceira geração) e as mulheres foram outro dos objectivos delimitados para o mandato que agora começa.

A CCPL dispõe agora, tanto ao nível da direcção como do Conselho, de uma equipa renovada, com um número representativo de senhoras e jovens, que contam bem levar a bom porto a sua missão nestas matérias. Ao mesmo tempo que a CCPL deve lutar por ser a voz da Comunidade Portuguesa, junto das autoridades do Grão-Ducado, deve também multiplicar a colaboração com outras associações e comunidades em presença.

A questão de se encontrar uma sede própria é outro dos assuntos que preocupa alguns conselheiros. Lembre-se que as instalações onde funciona a CCPL actualmente, foram gentilmente cedidas pelo CLAE.

A direcção da CCPL ficou composta da seguinte forma: Presidente, Coimbra de Matos; Vice-Presidentes, Joaquina Carvalho e, por inerência, António Silva e Carlos Costa (respectivamente Presidentes da APIL e da Liga Portuguesa de Futebol no Luxemburgo); Relações Públicas, Acácio Pinheiro e Fausto Cardoso; Tesoureiros, Sérgio Cordeiro e Rogério de Oliveira; Grupo de Ensino, Joaquim Prazeres; Grupo de Acção Jovem, José Luís Correia e Manuela Lages; Patrícia Luz; Secretariado, Albina Nogueira, Augusta Camacho e Sandra Jacinto.

in CONTACTO, 24/01/2003