sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
-
cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Insouciante Insomnie

Insouciante Insomnie
fille bâtarde de Morphée
qui vient sans même être invitée
c'est sur ton sein que je me confie
quand le marchand de sable n'est point passé...

Luxembourg, 23 novembre 2010, 3h54

domingo, 14 de novembro de 2010

José e Pilar - Retrato de uma relação



Trailer do filme "José e Pilar. Retrato de uma relação", realizado por Miguel Gonçalves Mendes, co-produzido por Pedro Almodóvar e que retrata a relação de José Saramago e Pilar del Río.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um café e um croissant

- Aqui fazemos o melhor café da Europa!

- Pois, nós em Portugal também dizemos isso, eh eh...

- Mas fomos nós que introduzimos o café na Europa, sabias?

- Foram os turcos, queres tu dizer...

- Sim, mas foi graças a um polaco!

- Como assim?...

- Quando os otomanos foram derrotados às portas de Viena em 1683 e fugiram, deixando para trás acampamentos militares inteiros montados, uma das coisas que lá foi encontrado foram sacos de café, que um polaco que ali morava logo comprou, para vender na sua taberna. E foi a partir de Viena que o café chegou ao resto da Europa. E é por isso que ainda hoje café em polaco se chama kawa, uma palavra muito próxima do árabe qahvah e do turco khave.

Mariusz, o empregado da café onde me refugiei do frio e da neve de Novembro, em Cracóvia, contou-me então como o rei polaco Jan Sobieski e 30 mil homens tinham ajudado o Império Austro-Húngaro e a Europa contra a segunda invasão turca. O que é um facto histórico. Já quanto à história do café, fiquei com as minhas dúvidas, mas achei curiosa a convicção.

Eram três e meia da tarde, a noite tinha já descido sobre Cracóvia, quando me assolou um intenso desejo de café com xarope de avelãs. Tentando encontrar o meu caminho entre a neblina fina, nem sequer me detive diante dos quadros dos artistas expostos na Porta de São Floriano, e enfiei-me na primeira kawiarnia que encontrei. Os cracovitas gostam de dizer que a sua cidade é conhecida por ter mais igrejas do que dias tem o ano e que só o número de cafés se equipara ao dos templos. Mas enquanto os primeiros são procurados para aquecer a alma, os segundos são-no para acalentarem os corpos.

E com esta conversa, Mariusz conseguiu convencer-me a provar o "café à turca", que os polacos ainda hoje costumam servir, e que é bardzo melhor que essas invenções starbuckianas de café com... avelãs.

A kawiarnia estava instalada numa cave, com paredes em tijolos, e eu tinha escolhido uma mesa num canto, tão pequena que não conseguia arrumar os jornais e os braços em cima do tampo de mogno quadrado. Na parede estavam suspensos velhos capacetes de bombeiros que alguém teve a luminosa ideia de adaptar com uma lâmpada para serem utilizados como candeeiros.

- E foi também graças a essa vitória que nasceram os croissants, ainda hoje chamados viennoiserie. Um pasteleiro de Viena achou graça pôr os viennenses a comerem o símbolo da lua crescente dos turcos, interrompeu Mariusz os meus pensamentos, servindo-me o café e um croissant, "oferta da casa".

- Então é isto a famosa hospitalidade polaca?

- Pois, porque não são só vocês portugueses que têm a fama de serem hospitaleiros.

Alexandre Weytjens
(foto e texto)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Deolinda ou "quando o fado é cantado a rir"

Ana Bacalhau entra em palco com o seu vestido rosa choque, com folhos e rendilhados, cabelo apanhado, brincos grandes, ar gingão, sorriso aberto e generoso. Os que que só conhecem as canções de as ouvir passar na rádio confundem Ana Bacalhau com Deolinda, mas o projecto é um quarteto composto pelos seus primos – os irmãos Pedro Silva Martins (viola) e Luís José Martins (viola) –, e o seu marido, Zé Pedro Leitão (contrabaixo).

Para o concerto de estreia no Luxemburgo, a 26 de Outubro, no Centro Opderschmelz, em Dudelange, os Deolinda fizeram viajar o público durante mais de hora e meia pelos seus dois álbuns, com momentos que alternaram entre o espírito mais tradicional do fado e as canções mais marialvas e boémias. Desde "Fado Toninho", dedicado aos machões, a "Mal por Mal", "Canção ao Lado", "Ai Rapaz", e o obrigatório "Fon-Fon-Fon", o público acompanhava os Deolinda com palmas, reconhecendo os sucessos cheios de humor que fizeram a fama da banda.

Ana Bacalhau bamboleia, dança, mete-se com o público, canta com gestos largos de varina e palavras debitadas à pressa, conta histórias de amores, desamores, namoricos e mexericos. Intercala canções dos dois álbuns e o público rende-se a "Um Contra o Outro", sorri com "Não Tenho Mais Razões", diverte-se com o "Fado Notário". Ana Bacalhau consegue mesmo pôr a sala toda a cantar "o maior mastro do mundo é português", na marcha popular "A Problemática Colocação De Um Mastro", no que foi um dos momentos mais hilariantes da noite.

Canções como "Não Sei Falar De Amor", "Há Dias Que Não São Dias" e "Clandestino" revelam o lado mais intimista da banda. E é curiosamente na letra de "Passou Por Mim E Sorriu", uma das canções mais belas do segundo álbum, que os Deolinda revelam a sua essência: para eles "o fado é cantado a rir", como se face ao destino ou às fatalidades da vida, devêssemos apenas... gingar.

O público não os deixa ir sem um "encore", e eles fecham com o divertido "Movimento Perpétuo Associativo", canção que critica a tendência dos portugueses em serem grandiloquentes em palavras e parcos em acções. Na internet, circula aliás uma petição para que a canção substitua "A Portuguesa" como hino nacional. "Porque o tempo dos 'heróis do mar' já lá vai, porque na nação reina o conformismo e não é possível fingir que está tudo bem, acenar a bandeirinha e o cravo, enquanto no dia-a-dia nada fazemos para que as coisas melhorem", lê-se na petição.
Uma iniciativa que também revela que o grande sucesso dos Deolinda reside no facto de cantarem a realidade de forma autocrítica e caricatural, na melhor tradição portuguesa.

No final, os Deolinda prestaram-se com agrado a uma sessão de autógrafos e conversa com os muitos fãs que os tinham vindo ver. Mercê de uma agenda muito carregada, foi a caminho da Holanda que responderam, via e-mail, às perguntas do nosso jornal.CONTACTO: Como surgiu o convite para vir ao Luxemburgo?
Deolinda: A oportunidade de tocar pela primeira vez no Luxemburgo surgiu através da nossa agência para o Benelux, a World Connection.

C.: Como viveram a vossa estreia no Grão-Ducado?
D.: Com uma enorme expectativa em ver como iria o público reagir. Ficámos muito felizes por ver que a comunidade portuguesa lá estava em peso e por sentir o seu apoio durante e após o concerto (já que costumamos sempre fazer uma pequena sessão de autógrafos após os concertos). Pudemos falar melhor com as pessoas e saber o que tinham achado e sentimos que tínhamos agradado ao público que nos foi ver.

C.: A banda é um projecto em família. Mas, afinal... quem é o pai da Deolinda? E como nasceu?
D.: Provavelmente, o tocarmos juntos era uma ideia que tínhamos desde que começámos a trabalhar a música de uma forma mais profissional. Todos tínhamos outros projectos e só em 2005 é que decidimos finalmente juntar-nos, uma tarde, para experimentar umas músicas que o Pedro havia escrito. Assim foi o início de uma banda, que depois se viria a chamar Deolinda.

C.: Como estão a viver este sucesso repentino, que "deflagrou" assim que lançaram o primeiro tema, "Fon-Fon-Fon", em 2008? Quando é que sentiram que tinham um sucesso entre mãos?
D.: Penso que a primeira vez que percebemos que havia muita gente a conhecer as nossas músicas foi no Festival Sudoeste de 2008. Esse concerto ficará nas nossas memórias como um dos melhores concertos das nossas vidas e aquele em que vimos pela primeira vez as pessoas a cantar em coro canção atrás de canção. No entanto, podemos dizer que sentimos que este sucesso não foi tão repentino quanto isso, na medida em que tivemos de trabalhar muito para que as coisas nos acontecessem. E ainda há muita coisa para fazer e muito caminho a trilhar.

C.: Quando lançaram o projecto Deolinda, que revisita e reinventa o fado e a música portuguesa em geral, a adesão do público foi imediata. Mas houve resistência por parte da indústria discográfica em apostar num novo estilo musical ou mesmo por parte das rádios em passarem as vossas canções?
D.: Da nossa experiência com as outras bandas que tivemos, aquilo que é mais importante é defendermos o nosso projecto e teimarmos naquilo que achamos ser o melhor para o mesmo. Obviamente, no início, tivemos de lutar bastante para convencer algumas pessoas de que tínhamos um projecto válido e com pernas para andar. Mas com bastante trabalho e determinação fomos mostrando que este era um projecto que acreditava em si e que chamava a si muita gente. Nós gostamos de desafios e somos bastante persistentes, por isso, quando nos dizem "Não", não descansamos até ouvirmos um "Sim", ou até provarmos que aquele "Não" estava completamente errado.

C.: O segundo álbum "Dois Selos e Um Carimbo" deixa-nos a impressão de um trabalho mais intimista e introspectivo. Foi a Deolinda que amadureceu ou a Deolinda é uma romântica que se ignora?
D.: Este segundo álbum continua algumas das soluções do "Canção ao Lado", mas, no entanto, também se impõe procurar novos caminhos, novos arranjos para um "ensemble" de duas guitarras, um contrabaixo e voz. Gostamos de experimentar e foi isso que tentámos fazer. O resultado final foi um trabalho mais maduro, mais complexo, mas que sela definitivamente aquilo ao que vimos: na soma dos dois álbuns se encontra a essência da Deolinda.

C.: A digressão que passou pelo Luxemburgo vai levar-vos ainda até onde?
D.: Esta digressão, para além do Luxemburgo, tem-nos levado à Bélgica, à Holanda e ir-nos-á levar ainda à Suécia, Áustria e França.

C.: Um álbum de dois em dois anos, a Deolinda é uma rapariga com genica! Mas é um ritmo para manter, quer dizer, vamos ter direito a novo álbum em 2012? E para quando um regresso ao Luxemburgo?

D.:
Ainda não estamos a pensar gravar novo álbum, o "dois selos e um carimbo" é ainda muito recente e tem muitos palcos a pisar. No entanto, o Pedro tem trazido canções novas e entre um "soundcheck" e outro, lá vamos trabalhando novo material. Quando sentirmos que as canções já nos estão a pedir para serem gravadas, voltaremos ao estúdio.

Quanto ao regresso ao Luxemburgo, pensamos voltar para o ano, se cá nos quiserem, claro está!

Texto:José Luís Correia/JNL
Fotos: Laurent Blum
in CONTACTO, 03.11.2010

domingo, 31 de outubro de 2010

Em Mamer, Cultura escreve-se com K



"Pompa e cirscuntância, marcha n°1 ", de Edgar Elgar foi uma das músicas que me fez viajar ontem até um serão dos anos 80 em que aterrorizado descobri esse ovni que é a "Laranja Mecânica" de Kubrik.

Já não ia a um concerto de música clássica desde Maio de 2008, quando estive na Beethovenhalle, em Bona, para assistir à actuação da West-Eastern Divan Orchestra, dirigida por Daniel Barenboim, projecto composto por judeus e árabes e que visa promover a paz no Médio Oriente, através da música clássica.

Ontem, no novo Centro Cultural de Mamer, o Kinneksbond, para a inauguração oficial, a lotação estava esgotada para ouvir a Harmonie Gemeng Mamer (HGM), que teve as honras de estrear a sala.

Além da famosa composição de Elgar (com arranjos de Henk von Lijnschooten), a HGM viajou pela "Finlandia" de Sibelius, o concerto para trompete, 1°movimento de Johann N. Hummel, a Thaïs, de Massenet, e pela "Viúva Alegre", de Lehar, entre outros.

Os meus momentos preferidos

Gostei de descobrir o "Japanese Tune" de Soichi Konagaya, dos arranjos (de Somadossi) que fizeram à música "Innuendo" dos Queen, e da composição original de um jovem músico local, Marco Batistella Jr, feito especialmente para a orquestra HGM e que se intitula "HGM", pegando nas notas que as letras representam. A HGM desvendou ainda uma das canções de um dos projectos que anda a preparar para 2011, a ópera rock "Jesus Christ Superstar" (1971), de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber.

Gostei também que cedessem um lugar à coral de crianças da cidade, que interpretaram "Another Brick in The Wall", dos Pink Floyd. Embora com um arranjo a meu ver péssimo, de R. Fienga (whoever he is!), que detestei, o empenho e a dedicação com que os miúdos cantavam o "Hey, teacher, leave the kids alone", salvou a canção.

Mas para mim, os dois pontos altos da noite foram a canção "Ich gehör nur mir" do musical "Elisabeth" (sobre a imperatriz Sissi), magnificamente interpretada pela jovem soprano luxemburguesa Patricia Freres, dona de uma lindíssima voz; e o momento em que um escocês, de kilt a rigor e de gaita de foles ao ombro, invadiu a sala e se fez acompanhar pela orquestra, num "grande finale" à altura da inauguração da sala de espectáculos a que assistíamos.

Uma sala com uma acústica invejável e que respondeu às expectativas e aos desafios da estreia. O centro é líndissimo, com linhas simples e despojadas, um hall (foyer) amplo e de cores quentes e acolhedoras. O adro dianteiro é amplo e declina-se em escadaria e fonte luminosa, onde imaguino bem uma esplanada agradável no Verão. Por falar em Verão, o palco abre-se nas traseiras sobre um anfiteatro a céu aberto para uma centena de pessoas. Uma bela ideia, que fica à mercê da caprichosa e imprevisível meteorologia luxemburguesa.

Foi uma excelente noite. Não estava nada à espera de gostar tanto..., sei lá, quando me disseram que quem ia fazer a abertura era a fanfarra lá da terrazinha.

Afinal, é caso para dizer que em Mamer Cultura também se escreve com K. De "Kinneksbond", um centro de cultura que não teme fazer "a espargata cultural" entre a arte mais clássica (teatro, concertos clássicos, óperas, operetas, etc.) e alternativas menos consensuais, como composições orientais e óperas rock.

O concerto de ontem à noite mostrou acima de tudo, a meu ver, o que os responsáveis querem fazer deste novo pólo: um lugar onde os estilos se cruzam e mesclam, com uma única preocupação, a re-criação, a re-invenção permanente da(s) arte(s), como uma das disciplinas por excelência que sublimam a existência e o próprio homem.

José Luís Correia, aka, A.G. Weytjens
11h24, 31 de Outubro de 2010

Bem-vindo à hora de Inverno!

Os relógios recuaram uma hora na madrugada deste domingo, dando início ao horário de Inverno, que se prolonga até Março de 2011, altura em que regressamos à hora de Verão.

O dia de hoje é o dia mais longo do ano, com 25 horas, uma vez que a hora legal é atrasada em 60 minutos: quando eram 3h da manhã no Luxemburgo os ponteiros recuaram para as 2h.

Os três fusos horários que atravessam a Europa colocam Portugal, Grã-Bretanha e Irlanda na mesma hora do meridiano de Greenwich (GMT 0), enquanto a maioria dos restantes países europeus, como o Luxemburgo, se regulam pelo meridiano de Berlim (GMT +1), com um avanço de 60 minutos.

A mudança de hora deve-se a uma directiva que determina que os países da UE devem entrar na hora de Verão no último domingo de Março e adoptar a hora de Inverno no último domingo de Outubro, independentemente do fuso horário em que se encontrem.

Atenção às "depressões de Inverno"!


Durante cinco meses, as noites vão começar mais cedo, os dias vão ser mais curtos, o que pode trazer alguns distúrbios a muitos europeus. Padecem da chamada "depressão de Inverno" sobretudo os povos escandinavos e do Leste Europeu, em cujos países o crepúsculo no Inverno, a partir de Novembro, pode chegar entre as 14 e as 15h.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Kinneksbond - há algo de novo a oeste do Luxemburgo

"Kinneksbond" é o nome do novo Centro Cultural de Mamer, que abre neste fim-de-semana de 30 e 31 de Outubro oficialmente ao público.

Um novo centro cultural com um programa e uma equipa ambiciosos, já que da agenda 2010/2011 fazem parte operetas, ballets, concertos sinfónicos e até uma peça de teatro em português e alemão: a "A Tempestade", de William Shakespeare, numa co-produção com A Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), de Faro, a estrear em Fevereiro e sobre a qual já aqui escrevemos na edição anterior.

"Os espectáculos agendados são co-produções ou foram comprados, mas no futuro queremos ter as nossas próprias produções. Temos de encontrar a nossa identidade e saber mostrar o que nos diferencia dos outros centros", diz a directora Sylvie Martin, que quer tornar o Kinneksbond num lugar não só de cultura, mas de inovação e criação. É nesse sentido que o centro vai ter, além de salas de ensaio e exposições, grupos residentes como a fanfarra "Harmonie Gemeng Mamer", uma escola de música da UGDA (Union Grand-Duc-Adolphe, federação luxemburguesa dos conjuntos de música), e a orquestra de câmara "Les Musiciens". Outro dos objectivos do novo centro é atrair o público tanto da capital como da região circundante e zonas fronteiriças, aproveitando a sua localização: Mamer fica logo a seguir a Strassen, a uma dezena de quilómetros da capital e de Arlon (Bélgica). Ao mesmo tempo, "o Kinneksbond pretende assumir-se como o grande centro cultural da região oeste do país", diz o burgomestre Gilles Roth.

Depois do liceu Josy Barthel e da nova Escola Europeia, ainda em construção, o Kinneksbond é a nova jóia da coroa da cidade. O centro custou 20 milhões de euros e foi concebido pelo arquitecto Jim Clemes, o mesmo que assinou a Gare de Belval e o novo Tribunal de Contas da UE, no Kirchberg. O centro cultural tem 2.300m2, linhas simples, amplas e modernas, grande vidraças, um foyer com cores quentes e acolhedoras, e um adro que dá directamente sobre a route d'Arlon. A acústica da sala esteve ao cuidado de Albert Yaying Xu, o mesmo que trabalhou na Rockhal e na Philharmonie. A sala tem capacidade para 434 pessoas, é modulável para espectáculos ou jantares de gala, dispõe de um fosso para orquestra, um dos únicos do país podendo acolher 62 músicos, e o palco pode abrir nas traseiras sobre um anfiteatro onde podem ser apresentados espectáculos ao ar livre, no Verão, por exemplo.

Para já, "o único senão é o orçamento anual de 250 mil euros anuais, metade dos quais vão para salários, e isto apesar de a equipa contar, por ora, apenas com três pessoas", admite o presidente do centro, Jean Morby, acrescentando que já escreveu à ministra da Cultura para pedir uma subvenção, como as que recebem outros centros culturais do país.

A directora mostra-se optimista. "Temos muitas ideias que queremos concretizar e para isso temos também que encontrar mais parceiros e patrocinadores", lança Sylvie Martin, como um repto.

Para apresentar ao público o centro, são organizados dois dias de "portas abertas" neste fim-de-semana. No cardápio, um programa ecléctico e variado, à imagem do que o centro se quer tornar, com concertos, teatro, dança, ateliês e sessões de leitura para os mais pequenos, entre outras atracções. Entre as actuações estão convidados de prestígio da cena artística nacional: a cantora Sasha Ley e o seu trio de jazz Kalima, o trompetista Ernie Hammes, o cabaretista Jay Schiltz, o quarteto de Greg Lamy, a bailarina Sylvia Camarda, o escritor Josy Braun, o único romancista luxemburguês a ter um livro publicado em Portugal, entre outros. O programa completo do fim-de-semana está disponível no site do centro cultural (em www.kinneksbond.lu ).

O centro dispõe também de um "Kinnekskaart", cartão anual que dá direito a descontos de 10 % em muitos espectáculos. Mais informações pelo tel. 26 39 51 00 ou no Kinneksbond, n°42, route d'Arlon, em Mamer.

José Luís Correia,
in CONTACTO de 27.10.10
Foto: Guy Jallay/LW

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Descoberto planeta semelhante à Terra, a 20 anos-luz de distância

Um exoplaneta (planeta exterior ao nosso sistema solar) com cerca de três vezes a massa da Terra e semelhante ao nosso mundo foi descoberto quarta-feira, por cientistas da Universidade da Califórnia e da Carnegie Institution de Washington.

Situado a 20 anos-luz (distância percorrida pela luz num ano; a luz desloca-se à velocidade de aprox. 300 mil kms por segundo) da Terra, na órbita da estrela Gliese 581, uma anã vermelha na constelação da Balança (ou Libra), os astrónomos dizem que a distância do planeta em relação à sua estrela (sol) faz com que este seja o primeiro exoplaneta descoberto a apresentar condições semelhantes às da Terra para acolher vida, mesmo se eventuais seres vivos ali existentes possam em nada ser semelhantes aos que conhecemos.

O planeta, baptizado Gliese 581g, pode conter água líquida, oceanos, rios, lagos e gozar de um clima ameno, com uma temperatura média na superfície a variar entre os 31 e os 12 graus Celsius negativos. A sua órbita dura um pouco mais de um mês terrestre, com as mesmas estações de ano que as nossas, mas estas devem durar apenas alguns dias, conjecturam os astrónomos.

Este não é o primeiro astro a ser descoberto na "zona habitável" da estrela Gliese 581. Há três anos, um outro planeta, com possibilidade de acolher vida havia sido detectado, mas não com condições tão semelhantes às da Terra.

Quase meio milhar de planetas descobertos desde 1990

O primeiro planeta exterior ao nosso sistema solar foi detectado em Setembro de 1990 por Aleksander Wolszczan, no rádiotelescópio de Arecibo (em Porto Rico), e situa-se em torno do pulsar PSR B1257+12.

Até hoje foram descobertos 490 exoplanetas, mas apenas alguns reúnem condições para acolher vida.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Lei do Efeito Borboleta Temporal

Teoricamente falando, muitos físicos quânticos consideram que a viagem no tempo não é possível devido ao célebre "paradoxo do avô", ou seja, não é possível viajar no tempo porque alguém que fosse visitar o seu avô quando criança e o matasse, isso implicaria que ele próprio nunca teria existido. Paradoxo, portanto!

No entanto, muitos outros cientistas e teóricos consideram que essa questão fica resolvida com a eventualidade da existência de realidades paralelas (universos paralelos ou multiverso). A viagem no tempo seria possível então. Teoricamente.

Reflexão minha de hoje em torno desta questão:

A ser possível na prática, qualquer viagem no tempo significaria uma alteração do passado e a criação de uma realidade paralela. Pelo menos, para o viajante. O restante universo continuaria a viver na linha temporal que o viajante deixou.

O que torna, portanto, a viagem no tempo perigosa é a dificuldade ou mesmo a impossibilidade de o viajante regressar ao seu presente, devido ao que resolvi chamar de "efeito borboleta temporal", e que ficaria formulado assim: "Os efeitos da viagem no tempo e a simples chegada e presença do viajante a um momento determinado no passado, mesmo se for apenas enquanto simples espectador, podem afectar a integridade e a continuidade da linha temporal".

Resolvi chamar a esta teoria, modéstia à parte, a Lei Correia ou a Lei do Efeito Borboleta Temporal.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"J'aurais préférais que le Luxembourg n'existe pas!"



Outrageantes les déclarations du sénateur Phillippe Marini sur France Culture, samedi dernier. Lundi, François Fillon s'est excusé au-prés de son homologue luxembourgeois en se démarcant des propos de Marini.

sábado, 18 de setembro de 2010

Fermer les bourses, la solution à la crise! - Frédéric Lordon sur France Inter



La version intégrale de l'entretien avec Frédéric Lordon sur France Inter ou lire son article dans le Monde diplomatique de février 2010,"Et si on fermait la Bourse ?"

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Horda anti-carros reconquista parques de estacionamento na cidade do Luxemburgo

Uma das iniciativas desenvolvidas pela autarquia da cidade do Luxemburgo no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade acontece hoje, sexta-feira, dia 17.

O projecto chama-se "Park(ing) Day" e visa literalmente "reconquistar" os parques de estacionamento ao ar livre (n.d.R.: estão vedados do projecto os parques de estacionamento subterrâneos que pertencem a empresas privadas) aos automobilistas.

Uma "horda" de anti-automóveis vai investir vários parques de estacionamento na cidade do Luxembrgo e utilizá-los durante o dia de hoje para actividades ao ar livre para os habitantes da cidade.

A ideia nasceu em San Francisco e estendeu-se rapidamente a outras cidades do globo.

Até ao momento em escrevo estas linhas não haviam sido descobertos os planos das invasões previstas, pelo que os automobilistas vão ter que contar com algumas supresas desgradáveis quando hoje chegarem aos parques onde costumam estacionar os seus automóveis. Reacção aconselhada: faça um sorriso e siga caminho, os activistas conseguiram a autorização da autarquia para o bloqueio. E pense no seguinte: é por uma boa causa e é só hoje.

José Luís Correia

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O (des)interesse do Luxemburgo pelo mundo lusófono

Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e o Luxemburgo vão participar num projecto tripartido em diversas áreas, mas particularmente nas ambientais, agrícolas e de desenvolvimento rural, e que também abrangerá a educação e a formação profissional.

A este propósito tenho reparado que o Grão-Ducado tem demonstrado cada vez mais interesse em alargar as suas relações com os países lusófonos, nomeadamente os africanos.

Cabo Verde figura desde 1993 num lugar de topo na lista dos países que beneficiam da ajuda financeira do Luxemburgo na cooperação ao desenvolvimento.

Mas recentemente o Luxemburgo abriu os seus horizontes.

Em Fevereiro último, dois responsáveis do Ministério da Economia luxemburguês – Jean-Claude Knebeler, director do Comércio Exterior, e André Kemmer, analista financeiro do mesmo ministério – deslocaram-se a Luanda para se encontrar com dirigentes angolanos. O objectivo, confiaram na altura os dois responsáveis em exclusivo ao CONTACTO, era "investir em Angola".

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros de São Tomé, Carlos Alberto Pires Tiny, esteve no Luxemburgo a 9 de Junho último, para uma primeira reunião de trabalho com o seu homólogo luxemburguês, Jean Asselborn. Um primeiro passo de aproximação entre os dois países e que dois meses depois resultaria no projecto tripartido já referido.

Outro indicador e não de somenos importância foi quando o Luxemburgo pediu para participar, em 23 de Julho, na cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP – a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa –, que teve lugar em Luanda. O Grão-Ducado enviou inclusive um representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros à dita cimeira. Na altura, os responsáveis desse ministério resguardaram-se de confirmar ao CONTACTO se o Luxemburgo pensava pedir ou não a adesão ao grupo de países associados (observadores) da CPLP.

Como se ainda houvesse dúvidas, o ministro da Economia luxemburguês, Jeannot Krecké, disse na semana passada, durante a visita de Estado dos grão-duques a Portugal, que "o Luxemburgo está interessado em investir em África", utilizando Portugal como uma ponte priviligiada para o fazer (ver também artigo sobre a visita de Estado, nas páginas centrais).



Além do óbvio interesse económico do Grão-Ducado nesses países, refira-se a facilidade para o Luxemburgo de penetrar nesses mercados emergentes recorrendo a uma mão-de-obra residente que é uma verdadeira mais-valia e cujas potencialidades ainda não foram utilizadas a cem por cento: os seus residentes lusófonos e o seu "know-how" inato, a Língua Portuguesa.

Residentes que representam quase um quarto da população. Senão vejamos: vivem actualmente no Grão-Ducado entre 95 e 100 mil portugueses (dados do Consulado de Portugal), que constituem cerca de 18 % da população total e 37 % dos residentes estrangeiros. A esses devem ainda ser adicionados os cidadãos dos países de língua portuguesa: cerca de nove mil cabo-verdianos, cerca de cinco mil brasileiros, 500 a mil guineenses e mais algumas centenas de outros lusófonos provenientes de países como Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, como apurou o CONTACTO no seu Suplemento Especial "Imigração Lusófona do Luxemburgo", que publicámos em 17 de Março último. Se ainda forem contabilizados os cidadãos de nacionalidade luxemburguesa mas lusodescendentes, estima-se que entre um quarto e um quinto da população do Luxemburgo fale português, ou seja, cerca de 110 a 115 mil pessoas num total de 506 mil. Números que, mesmo assim, devem estar aquém da realidade.

Que o número de lusofalantes no Luxemburgo era importante já se sabia, mas, na semana passada, foi a primeira vez que um alto representante do Estado luxemburguês – neste o caso o seu representante máximo, o chefe de Estado – falou sobre os 20 % da população que no Luxemburgo falam português, durante a sua visita a Coimbra (ver páginas centrais sobre a visita de Estado a Portugal).

Na véspera, o ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês, Jean Asselborn, reiterara em Lisboa, aos jornalistas que acompanhavam a visita de Estado dos grão-duques a Portugal, que o Luxemburgo não precisa de uma Escola Portuguesa.

Uma no cravo, outra na ferradura?

E por isso pergunto: quando um quarto a um quinto da população de um país fala português, pode-se falar em "país lusófono"?

Em Julho de 2007 a Guiné Equatorial adoptou o português como língua oficial, que se veio juntar ao espanhol, ao francês e ao "fang", mesmo se esta última é a língua nacional e a mais falada no país. Na Guiné Equatorial, esta medida foi claramente uma decisão económica, para uma aproximação aos países da CPLP.

E no Luxemburgo, que tem com certeza uma proporção maior de lusofalantes do que aquele país africano, que estatuto merece a língua portuguesa?


José Luís Correia
in CONTACTO, 15.09.2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Champions/Esta noite: Trio luxemburguês arbitra jogo Arsenal-Braga

O luxemburguês Alain Hamer vai arbitrar o encontro de estreia do Sporting de Braga na Liga dos Campeões frente ao Arsenal. O jogo (grupo H) tem lugar esta noite às 20h45, no Emirates Stadium, em Londres.

Hamer vai ser secundado pelos seus compatriotas François Manger e Christian Holtgen, como fiscais de linha.

Hamer tem 44 anos e este é já o sétimo jogo com equipas portuguesas que arbitra, contando-se entres estas o FC Porto, Boavista, Sporting e a Selecção Nacional. Nos seis encontros anteriores abritrados por Hamer, as equipas portuguesas perderam apenas um: quando o Sporting foi derrotado pelo Spartak de Moscovo por 1-3, na Liga dos Campeões (2000/2001). Nos outros jogos arbitrados pelo luxemburguês, o Sporting venceu duas vezes na Champions, frente ao Inter de Milão (2006/2007) e contra o Shakhtar Donetsk (2008/2009), ambas as vezes por 1-0; o Porto derrotou o Hamburgo por 4-1, também na Liga dos Campões (2006/2007); o Boavista venceu o Hertha de Berlim por 1-0, na Taça UEFA (2002/2003); e a Selecção Nacional levou a melhor sobre a Hungria por três tentos sem resposta, na fase de apuramento para o Mundial 2010.

Resultados que auguram um bom jogo para o Braga logo à noite.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Rentrée: agitar antes de usar!

A rentrée promete ser agitada. E não só a rentrée política.

1- Há algo de podre no reino do Luxemburgo! Muitos querem perceber que história é essa de investir o dinheiro das reformas dos cidadãos do Grão-Ducado em empresas da indústria militar americana! Hã?... Importa-se de repetir?

Leu bem. Em plena quietude de um tranquilo Agosto luxemburguês, o deputado André Hoffman, da "Déi Lénk", foi descobrir esta maçã podre nos pratos habitualmente limpos do Luxemburgo. Numa questão parlamentar, Hoffmann interpela os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Segurança Social recordando-lhes que o Estado luxemburguês ratificou em 2009 a convenção internacional contra o fabrico e uso de bombas de fragmentação que essas empresas produzem. O presidente do Fundo de Compensação da Segurança Social, organismo ao qual as acções nessas empresas pertencem, veio afirmar ao diário "Le Quotidien" desconhecer qualquer ligação da instituição com esses fabricantes de bombas e prometeu "corrigir" o investimento.

O facto de a questão ter surgido na pausa estival fez com que poucos jornais pegassem (ou ousassem pegar) no assunto. As reacções não se fizeram (ainda) sentir. Em qualquer outro país teria havido imediatas consequências políticas. No mínimo, os cidadãos teriam questionado: será que o presidente do Fundo podia não saber onde eram investidas as acções? Podia! Podia, mas não devia.

2- A França expulsou em 15 dias quase um milhar de ciganos ilegais para a Roménia, sob duras críticas nacionais e internacionais. O Vaticano considerou a atitude francesa "uma espécie de novo holocausto”. O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner, ameaçou demitir-se face às expulsões, mas acabou por dizer que, afinal, fica "para não desertar". Antes de se "sarkozizar", Kouchner foi um respeitável defensor dos direitos humanos. E eu que pensava que ele tinha aceite fazer parte do governo francês como um cavalo de Tróia para agir, precisamente, quando o menino Nicolas fosse assolado por este tipo de "xenófobices". E se a França tivesse expulsado nos anos 1950 o pai de Sarkozy de volta para a Hungria?

Bruxelas lavou daí as mãos, sacando de um "isso são assuntos da exclusiva competência das autoridades nacionais". Cláusulas destas dão sempre jeito num casamento a 27, que já esteve mais longe do divórcio. A luxemburguesa Viviane Reding, comissária europeia da justiça, dos direitos fundamentais e da cidadania, veio recordar a Paris o direito à livre circulação de pessoas na UE, espaço onde não se expulsam pessoas só por serem de certas etnias. Indignou-se, mas a coisa ficou por aí.

Em casa de ferreiro, espeto de pau! Nunca até agora Vivane Reding teve nada a apontar às expulsões perpetradas pelo Luxemburgo, cerca de três dezenas desde o princípio do ano. Será por se tratarem de cidadãos de países terceiros? Alguns têm aqui uma vida estabelecida, um trabalho, as crianças escolarizadas, como é o caso de uma família sérvia, que após sete anos no país se arrisca a ser expulsa esta semana com os filhos. O caso foi denunciado na segunda-feira pela ASTI.

O Luxemburgo age alheio à "polémica cigana" em França, até porque não tem que se preocupar com esse assunto até 2012. No ano passado, o Governo luxemburguês decidiu alargar por mais três anos o prazo para que romenos e húngaros possam residir no país.

3- Os alunos e os professores de Português chegam ao Luxemburgo, refeitos após umas merecidas férias, para descobrir que há uma nova coordenadora do Ensino. A anterior não teve tempo para aquecer o lugar. Fontes oficiais desmentem que a decisão esteja relacionada com os desentendimentos que Ana Costa teve com alguns docentes e até com o sindicato dos professores. A verdade é que a medida foi decidida por Lisboa e afecta os coordenadores de toda a Europa. A nova coordenadora entra hoje em funções, mas ainda não chegou. Nem se sabe quando e se chegará. Porque uma das novidades é que a coordenadora passará a ser responsável pelo ensino em todo o Benelux, não se sabendo se virá ou não para o Grão-Ducado.

Com o regresso às aulas mesmo à porta, tanta coisa por organizar e decidir, professores por colocar... Quem resolve? Perguntem a Lisboa.

Mas há outros assuntos fracturantes que vão agitar as águas. No Luxemburgo: a reforma da segurança social, a indexação automática dos salários, a mega-manifestação marcada para 16 de Setembro para protestar contra as restrições dos abonos de família aos trabalhadores fronteiriços por parte do Governo luxemburguês. Em Portugal: a desnecessária reforma da constituição, desejada pelo PSD, e, claro, a corrida para as presidenciais. Dar cavaco a Cavaco?

José Luís Correia
(in Contacto, 01.09.2010)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010