sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
-
cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

domingo, 19 de julho de 2009

Portugal dissecado

Nas férias aproveitei ainda para ler "Em busca da identidade-o desnorte" (Abril/2009) do nosso filósofo nacional, José Gil.

Nesta obra, o autor farta-se de desancar no Sócrates, analisando não só a sua maneira de governar, como a forma como este comunica e fala ao país, numa atitude sobranceira e quase "messiânica".

O livro retoma onde Gil nos tinha deixado em "Portugal hoje: o medo de existir" (2004). Gil volta a dissecar os comportamentos, as atitudes e as mentalidades do povo português neste princípio de século XXI. Além de considerar que temos identidade a mais, acha-nos neuróticos. E isso impede-nos de avançar, defende.

Gil põe também o dedo numa das maiores feridas abertas de Portugal: o "chico-espertismo".

Esta maneira muito portuguesa de viver pelas regras do sistema D (desenrasca), o cada um por si, o salve-se quem puder, condenada por alguns, praticada por um número cada vez maior, socialmente aceite pela maioria por ser, entretanto, considerada como a única forma de sobrevivência num país à deriva, e que chega ao paroxismo de ser adoptada até pelos governantes, é o verdadeiro "cancro português".

Este "pathos" (paixão/sofrimento) português mina qualquer esperança de um futuro melhor.
Enquanto o individual prevalecer sobre o geral (a sociedade), enquanto o indivíduo pensar que a sociedade (e o poder) só o quer prejudicar e que só lutando contra tudo e contra todos se safará, a sociedade e a(s) mentalidade(s) não poderão progredir em direcção a um futuro comum melhor.

Porque para avançar num determinado sentido, é preciso acreditar que este nos leva a algum lado. Ora os portugueses já não acreditam... desenganados que estão dos sucessivos governos incapazes, corruptos, trapaceiros e cuja gota que fez transbordar o copo foi o sebastianismo oco e roto que depositaram (alguns ainda depositam!) em Sócrates.

Sem perdermos a esperança, verdadeiro motor da vida, não devemos é, enquanto indivíduos, continuar a ser sebastianistas e esperar o profético "Falta cumprir-se Portugal!" pessoano.

Enquanto nação, sim! Como indivíduos, não! Como nação sim, porque só acreditando num amanhã glorioso isso nos galvanizará nas piores horas. Como indíviduo, ser profético significa ficar à espera do que está previsto acontecer, que a mudança vem dos outros, e paralisa por isso qualquer acção.

É preciso que cada um cumpra o seu sonho, o seu projecto de vida... mas sem que seja em detrimento dos outros. E assim, como nas ondas circulares da água, que transmitem movimento umas às outras, o país acabará por cumprir-se.

Enquanto esperamos, a caravana passa. E se ninguém se mexer, o país adormece, amolece, pára e o século passa. É juntos que podemos alcançar uma vida melhor, uma sociedade mais justa, um Portugal melhor.

sábado, 18 de julho de 2009

Gripe mexicana? - excertos de uma conversa surreal com um médico

Hoje fiquei surpreendido, para não dizer chocado, quando consultei um médico (pelo sotaque era alemão!), por me sentir ligeiramente engripado, e este me perguntar se eu tinha estado "em contacto com alguém que tivesse a 'gripe mexicana'".

- "Quer dizer a gripe A?", retorqui eu. "Sabe que Os Estados Unidos já têm mais casos do que o México e que até o Reino Unido e o Canadá têm quase tantos casos como o México", insisti em precisar.

- "Sim, sim, hum, hum...!", remoeu. E encadeou logo perguntando "que profissão é que 'faz'?" (dixit)

- "Sou jornalista!"

- "Ah!, hum... isso faz com que esteja em contacto com muita gente, não é? Tem tido tosse, febre, dores de estômago, viajou para algum país infectado?"

- "Nem por isso, depende dos dias..., não! ...não!,... apenas dores no corpo, um mal-estar físico e perda do apetite desde ontem!, ...se viajei?....O Norte do Luxemburgo conta?"

- "Desculpe, eu estou apenas a fazer-lhe as perguntas obrigatórias que temos que fazer a todos os pacientes que aqui chegam com sintomas gripais!..."

- "Desculpe, e eu estou apenas a responder à sua pergunta. Só que actualmente, todos os países já contam tantos infectados que eu fiquei sem perceber a sua pergunta ...."

- "Pronto, pronto, estou a ver que é mesmo só um princípio de gripe. Vou receitar-lhe quatro Aspégic por dia, durante cinco dias, um spray Strepsils a tomar oito vezes por dia, se lhe vier tosse, e um spray para o nariz Ratiopharm, a usar três vezes por dia, se a gripe piorar e..."

- "Não vai ver se tenho febre?..."

- "Você não tem febre! está a suar porque está calor e tem esse pólo grosso vestido..."

- "Heu...", e enquanto me certifiquei que lá fora estava a chuviscar, como sempre no Luxemburgo, ele rematou a conversa.

- "São 35, 10 euros! Paga com cartão ou em numerário?"

E depois praticamente me empurrou dali para fora, sem me indicar a farmácia de serviço.

Surreal!

Canção inédita de Michael Jackson



Um pequeno excerto de uma canção inédita de Michael Jackson, intitulada " A place with no name" foi hoje revelado pelo site TMZ.com, três semanas depois da morte do "rei do pop".

Segundo o sítio especialista em celebridades, que desconhece a época em que a canção foi gravada, "A place with no name" (Um lugar sem nome), apresenta forte semelhanças com "A Horse with no name" (Um cavalo sem nome), uma canção de 1971 do grupo folk-rock "America".

Mas segundo o agente dos America, citado pelo TMZ.com, a banda estava ao corrente do "plágio " de Michael Jackson e tinha concordado com a gravação.

"O grupo sentiu-se honrado que Michael Jackson escolhesse uma das suas canções e espera agora que todos os seus fãs [de Jackson] a possam entender ", declarou o agente da banda à TMZ.com.

Michael Jackson morreu a 25 de Junho em Los Angeles. As causas da morte, que poderão estar ligadas ao abuso de medicamentos, estão a ser investigadas pela polícia de Los Angeles.

Porque não um álbum póstumo ?

Sugestão às editoras: fico à espera de um "álbum branco" com canções não editadas de Jacko, músicas que nunca sairam da gaveta, remixes que foram postos de lado e outras pérolas que tais. Pelo que conheço de MJ, ainda deve haver aí material para, pelo menos , um álbum póstumo.

Concerto de Marc Demuth com Sofia Ribeiro

O concerto do Quarteto de Marc Demuth com Sofia Ribeiro foi fantástico. Ainda não conhecia os temas do seu último álbum "Orik" e gostei. Gostei eu, a minha doce metade e os quatro amigos que lá encontrámos. Esta aventura luso-luxemburguesa começou quando os dois músicos se encontraram em Barcelona e resolveram começar a trabalhar juntos, jnuma inédita ponte intercultural entre o Luxemburgo e o Porto, onde Sofia vive.
O quadro do concetro - o café-club Ancien Cinéma, em Vianden - prestava-se magnificamente, numa sala de um antigo cinema, com holofotes e cadeirões a condizer
.
Foto: JLC

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Jazz luso-luxemburguês num lounge polaco


Esta noite, o Quarteto do contra-baixista luxemburguês Marc Demuth e da cantora portuense Sofia Ribeiro actua pelas 21h, num sarau cultural no café-club "Ancien Cinema", em Vianden (23, Grand-rue).

A entrada custa 10 euros, 8 euros em pré-venda (no café).

O serão começa com a vernissage da exposição "Transit", do fotógrafo José Paulo Rombo, pelas 18h (entrada livre).

A exposição trata de mobilidade, da roda à bicicleta, meio de transporte pelo qual o artista se diz fascinado.

José Paulo Rombo tem 35 anos, nasceu em Vila Velha de Rodão, é membro do Fotoclube de Diekirch e do grupo "Com entusiasmo" de Trier (Alemanha). Com este grupo participou na exposição "24 Stunden-Ein Tag" (24 horas-Um dia), que esteve patente no Amusem de
Saarburgo, em 2006, e no centro cultural Tufa, em Trier, em 2007.

As obras de José Paulo Rombo estão patentes ao público até 30 de Julho naquele café.
Após décadas dedicadas ao cinema, o local fechou e esteve em obras durante muito tempo. Em Dezembro de 2007 reabriu transformado num moderno café-concerto, lounge, que guardou alguns cadeirões, holofotes do velho cinema e até uma nova tela, onde passam telediscos.

O café é um projecto de dois polacos, Maciej Karczewski (Mac para os amigos), e mulher, Hanna, que após muitos saraus culturais e outros dedicados à música electrónica e dance com DJs convidados, resolveram dedicar um serão a jovens artistas portugueses.



Primeira imagem: Foto do bar, com vista sobre o ecrã, ao fundo/ Segunda imagem: logo do café "Ancien Cinema"

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Livros e leituras de Verão

Comecei a ler a revista "Ler" de Julho (n°82) nas férias e ainda não acabei. O Verão vai ser calmo, por isso vou ter tempo. A "Ler" está cada vez melhor. Gostei da entrevista que Vasco Pulido Valente deu à revista.

Ri-me que me fartei com a descontração com que VPV fala sobre a falta de talento de Saramago (que chama quase de sub-produto latino-americano), Lobo Antunes (que anda a mastigar há demasiado tempo os mesmos repetidos assuntos e deveria era ter publicado menos livros) e até de Agustina (o que ela escreve é "uma pasta"). Segundo VPV, a litertura deste trio (que são, afinal, os grandes escritores portugueses da actualidade) carece de domínio técnico, de filosofia moral, ética e estéca. E "acabrunha"! Lapidar, este VPV.

Mas o que vamos descobrindo ao longo da entrevista é que VPV coloca a faixa do talento tão alta que considera muito poucos como escritores de talento. Sobre si próprio é ainda mais castrador. Diz que é "apenas uma vozinha" e que para escrever romances, grandes romances, sonho que chegou a ter (como todos nós!) em adolescente, é preciso ser-se "um tenor". E assim justifica o seu próprio auto-aniquilamento e imobilismo na literatura.

Sobre o seu recente "Portugal-ensaios de história e de política", que já encetei, VPV aborda a história política portuguesa desde o liberalismo até aos anos 80. Confessa-se amante de alguns períodos em especial, como a Revolução Francesa, a Segunda Guerra Mundial, o nazismo. Mas até como historiador diz que se Portugal não fosse "um país periférico", quiçá, poderia ter sido uma voz maior da disciplina. E mais, que se pertencesse a algum dos países da Europa Central (Ocidental, quererá ele dizer!), então falaria cinco ou seis línguas, condição considerada por ele como sine qua non para dominar os acontecimentos e fenómenos históricos, se não in loco, pelo menos a partir da língua de origem, e assim poderia ter sido realmente um grande historiador. E é assim que justifica a sua "vozinha".

Quem mora no Luxemburgo (onde realmente é fácil um aluno falar cinco ou seis línguas, graças ao trilinguismo inicial que a escola imprime) e conhece minimamente o resto da Europa, sabe que fora destas estreitas fronteiras grã-ducais em muitos poucos países as pessoas, e até os mais jovens, dominam mais do que duas, no máximo três, línguas.

Não se sente porém amargura na "vozinha" de VPV, antes uma resignação dissimulada e que é extraordinariamente compensada por rasgos de arrogância e auto-derisão. E desculpa-se com a sua condição humana. Mas até isso é uma opção que respeito e entendo. É que, ao contrário de Pessoa, VPV sempre preferiu a vida à escrita. Excerto: quando Carlos Vaz Marques (CVM) lhe pergunta se ele sente que passou ao lado de alguma coisa, VPV atira (irritado?, hilariante?, o entrevistador não o precisa!): "Por amor de Deus, isso é uma pergunta extraordinária. Se eu fosse capado e rico é possível que tivesse escrito melhor História". "Capado, porquê?", inquire CVM. "Para não ter tido distracções com mulheres. Se eu fosse capado e rico ou se fosse um monge. Se calhar, sei lá...".

Hilariante, esta entrevista. Excelente. Quase tão épica como a que CVM fez há tempos à Margarida Rebelo Pinto, em que, a dada altura, quando o entrevistador lhe pergunta se a sua literatura é "light" (cor-de-rosa), a entrevistada ameaça dar à sola. CVM tem esse talento raro dos grandes entrevistadores: de a entrevista fluir como uma boa conversa e de, palavra puxa palavra (e as palavras são como as cerejas!), conseguir levar os seus interlocutores para terrenos onde se teriam até, por ventura, previamente prometido, não ir. Excelente!

Na "Ler", a minha predilecção vai para os textos do Rogério Casanova, que aposto ser o alter-ego de de Francisco José Viegas; do Jorge Reis-Sá, para além do bem e do mal; do Pedro Mexia, no estilo a que me habituou nos seus livros de crónicas através dos quais o conheci, que eu não era leitor dos jornais em que escrevia; do José Eduardo Águalusa, convertido em necro(ro)mântico literário; das entrevistas do Carlos Vaz Marques; do sofá vermelho da "Ler"; do "turismo de biblioteca" à casa dos escritores.

Neste, gostei também particularmente da entrevista ao valter hugo mãe. Depois dos amores e desventuras de duas mulheres de limpeza em "o apocalipse dos trabalhadores" (2008), valter revela que está a preparar um livro que conta a história do sr. silva, de 84 anos, cuja esposa acabou de falecer após 50 anos de vida comum.

Outras leituras

O "Ulisses" do James Joyce é actualmente o meu livro de cabeceira e ando a lê-lo esporadicamente, antes de deitar, quase em doses terapêuticas.

Estou ainda a ler, intercalarmente, "À Espera de Godinho: Quando o Futuro existia". Quatro iminentes portugueses (personagens reais), uns cientistas fora de Portugal, outros que ocupam ou ocuparam altos postos na Comissão Europeia, reúnem-se em Bruxelas para jantar com um tal Godinho, "português de Portugal", que se faz esperar e nunca mais aparece. O tempo de espera é usado para que cada um deles conte a sua história: de como ali chegaram depois de nascerem num Portugal ainda mergulhado em pleno salazarismo. Podem ler um excerto, aqui

Por fim, ando ainda a ler um romance histórico delicioso: "A Lenda de Martim Regos" de Pedro Canais. Aventuras de um português nas quatro partes do mundo no séc. XV, contado à maneira de Quinhentos, mas numa ortografia moderna. A alma gémea de Fernão Mendes Minto! Martim Regos ou Pedro Canais, perguntam-me? Os dois.

Ah, e aproveitei para trazer de Portugal o meu carregamento habitual de livros.

- "Meninos de Ninguém", de Ana Cristina Pereira; amiga minha, jornalista do Público, as reportagens sobre os dramas humanos que vivem os meninos e adolescentes nas ruas de Portugal, que a jornalista escreveu para aquele jornal, agora reunidos em livro
- "O que faço eu aqui", de Bruce Chatwin, brilhante jornalista e escritor de viagens do séc. XX
- "Aprender a rezar na Era da Técnica", de Gonçalo M. Tavares, mais um para a colecção dos "livros pretos"
- "Os sofrimentos do jovem Werther", de J.W. Goethe, que ainda não tinha em versão portuguesa
- "Um Outro-Crónica de uma metamorfose", de Imre Kertész, porque quero conhecer melhor o autor
- "Contos", de Virgílio Ferreira, que ainda não tinha na minha colecção VF
- "Onde crescem limas não nascem laranjas", de Amanda Smyth, para descobrir uma nova autora com origens irlandesas e portuguesas
- "O caderno do algoz", de Sandro William Junqueira; mais um jovem autor algarvio por descobrir
- "No bosque do espelho: uma viagem fantástica ao mundo dos livros", de Alberto Manguel, por gostar de perder-me no universo paralelo do autor e admirar a sua adoração (quase orgásmica, que partilho) pelos livros
- "O livro das citações", de Eduardo Giannetti, porque gosto de livros de citações
- "Citações e pensamentos de Fernando Pessoa", org. por Paulo Neves da Silva, para a minha colecção pessoana
- "Reduto quase final", de Dinis Machado, porque quero conhecer melhor o autor
- "Vocabulário: as palavras que mudam com o Acordo Ortográfico", porque é necessário e porque a contagem decrescente afunila-se
- "Barroco Tropical", de José Eduardo Águalusa, porque me apeteceu!
- "História da Primeira República Portuguesa", de Fernando Rosas e Maria Fernanda Rollo, como obra de consulta

Bons livros e bom Verão!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Álbum de férias I - Porto

Manhã de domingo num Porto ensolarado (21.06.09): ponto de encontro, a esplanada da Casa da Música. Planeamos uma visita a Serralves e uma francesinha no Rest. Ricardo em Leça

Primeira paragem obrigatória: Livraria Lello, na rua das Carmelitas, uma das mais bonitas em que já estive e que segundo o The Guardian é a terceira mais bela do mundo. Compro a minha primeira remessa de livros, tento conter-me, mas sinto-me como um guloso à solta numa pastelaria.

A melhor maneira de descobrir uma cidade é a pé. Todas as vezes que lá vou, descubro um novo Porto.

Descansamos no Majestic, na rua de Santa Catarina, um dos cafés mais emblemáticos da Invicta. Dizem que JK Rawling teria começado a escrever o Harry Potter nestas mesas. À nossa volta sentam-se turistas, idosos abastados ou artistas locais, mas cujos rostos não me dizem nada. À noite, levam-nos até ao Piolho, tasca estudantina que acaba de celebrar os seus cem anos. Jantamos por ali, numa das tascas da Cordoaria. O último copo é tomado entre o "Era uma vez" e o mar de gente em que alegremente mergulhamos na rua Galerias de Paris madrugada fora.

Álbum de férias II - Algarve

Praia do Barril, 26.06.09. Uma das minhas praias preferidas, pela tranquilidade do mar. E por ser uma praia onde, após duzentos ou trezentos metros ficamos com o areal deserto só para nós. Chega-se lá num pequeno comboio, depois de passar uma ponte flutuante sobre a ria Formosa, a partir do aldeamento de Pedras d'el Rei, perto de Santa Luzia (Tavira).

Marina de Vilamoura, 28.06.09, 9h da manhã. Os turistas ainda não invadiram o local, o arzinho fresco que sopra do barlavento é agradável. Reservamos um barco.

Passeio pela costa algarvia, até Portimão. Desembarcamos para almoçar na praia do Ferragudo, 28.06.09

Farniente na praia do Garrão, 30.06.09, entre as Dunas Douradas, Ancão e Vale do Lobo. Almoço: Espetada de Camarão e Salada de Frango no Izzy's. Em vez de molhar os pés, aposto tudo no bronze. No acto, aprovieto para devorar as últimas páginas da "Ler" de Junho e enceto "A Lenda de Martim Regos", de Pedro Canais. Férias, afinal, é fazer aquilo que me apetecer!

Pôr-do-sol na Ilha de Faro, 01.07.09. O crepúsculo é lindo, visto daqui. Quase que se ouve o sol quando toca finalmente o oceano. A noite cai, as luzes dos barcos dos pescadores começam a piscar desde o alto mar, o farol da ilha vizinha bate o compasso ao embate das ondas, a Via Láctea espreguiça-se no comprimento de todo o arco celeste.
Jantar no bar O Forte, junto ao parque de campismo: tosta mista gigante de galinha com alho, a nossa preferida. Faríamos quilómetros para vir comer esta bomba de calorias. Felizmente, moramos aqui ao lado. Ou tragicamente... para mal dos nossos quilos extras.

III - Alentejo

Praça do Giraldo, Évora, 02.07.09, 12h10. Sol a pino, calor abrasador. Para desmoer damos uma volta à cidade, desde a Sé, passando pelo Templo de Diana, até à Universidade, onde nos levam até ao centro do Mundo.

IV- Costa Azul

São Pedro de Moel, 03.07.09. O lugar é majestoso, lindo. O mar aumenta tamanho ao país.


A Nazaré, vista desde O Sítio, 03.07.09. Vista de cortar a respiração. As pessoas lá em baixo com os seus fatos de banho e guarda-sóis coloridos parecem confettis.

Praia de Vieira de Leiria, ao crepúsculo, 03.07.09. No mesmo lugar em que os pescadores várias vezes ao dia desembarcaram a pesca da faina, as gaivotas vêm, quase antes da noitinha, em busca de uma derradeira sobremesa. A não ser que..."Gaivotas em terra,..."

terça-feira, 7 de julho de 2009

Michael Jackson Memorial

Teve hoje lugar no Staples Center, em Los Angeles, às 10h locais (19h no Luxemburgo), uma homenagem (memorial) a Michael Jackson, falecido a 25 de Junho.
Aproveito para publicar aqui o artigo que escrevi na edição de 1 de Julho do jornal CONTACTO.
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Morre o Rei, nasce o mito

Como não falar de Michael Jackson (MJ) nesta rubrica musical apenas alguns dias após a sua morte, quando a passagem desta super-estrela pela constelação da cultura pop no último meio-século tantos artistas influenciou, deixando uma marca indelével na história da música, só comparável a vultos como Elvis Presley e The Beatles.

Tentarei não repetir o que todas as emissões especiais e reportagens já disseram ou escreveram nos últimos dias, mas uma coisa é certa: quer se gostasse ou não da pessoa ou da sua música, MJ não deixava ninguém indiferente. Pela forma como cantava, dançava e vivia a sua vida. Deixo as polémicas que o rodearam de parte, desde a sua despigmentação às acusações de pedofilia, temas exaustivamente explorados pela imprensa sensacionalista, até porque havia dois MJ. A sua timidez, delicadeza e amabilidade na vida privada, o que testemunham todos os que o conheceram, davam lugar a um animal de palco indomável nos espectáculos, que eram puro «entretainement», mais do que simples concertos. Mais do que um artista, ele era um «showman». Influenciou nisso estrelas como Britney Spears, Rhianna, Puff Daddy ou Justin Timberlake, e dezenas de outros, não só na maneira como hoje compõem e cantam, mas sobretudo na forma como «habitam» o palco.

Dono de uma voz singular, era um exímio dançarino, coreógrafo , compositor, letrista, artista ímpar e completo, viajou por quase todos os géneros musicais (disco, pop, funk, soul, r&b, rock, dance, heavy-metal, new-jack), além de ser um homem de negócios, um benfeitor e um perfeccionista persistente em tudo o que fazia. Poucos artistas viram singles seguidos dos seus álbuns chegarem em catadupa aos tops, como aconteceu com «Thriller» (1982), «Bad» (1987), «Dangerous» (1991) e «HIStory» (1995), quatro dos seis álbuns que marcaram a sua carreira pós-«Jackson 5».

Se não inventou o «moonwalk», atribuído a Bill Bailey, que já o usava em 1955 (ou, segundo outros, aos «break-dancers» dos anos 80), popularizou-o mundialmente. O mesmo fez com a formação em pirâmide na dança, usada em «Thriller» e que posteriormente foi adoptada por muitos grupos. Estava sempre à tentar inovar e sobretudo ultrapassar-se. Muitos dos passos de dança que conhecia de estilos como o sapateado, o music-hall (venerava Fred Astaire!), o swing, a música negra, o break-dance, adaptou-os à pop. No clip «Black &White» (1991) dança ao estilo indiano de «bollywood» encandeando logo de seguida dança
s africanas e russas. Nesse mesmo clip é o primeiro artista a investir no «morphing», técnica de televisão que consiste em diluir um rosto noutro.

MJ gostava acima de tudo de ser o primeiro em tudo. É o primeiro músico negro a passar na MTV com o mega-sucesso «Billie Jean» (1982). Foi graças a MJ que os músicos afro-americanos começaram a merecer «airplay» na MTV. O mais curioso é que o próprio sucesso do canal de televisão musical, que anteriormente se fechava a artistas negros, s
e ficou a dever a «Thriller» (1984), expoente máximo da era dos telediscos que então começava. Quando o clip foi lançado, o público da MTV exigia que este fosse passado duas vezes por hora! O clip de «Thriller» tinha 14 minutos (a canção pouco mais de cinco minutos) e os contornos de um mini-filme de terror. Os seus produtores não acreditavam sequer que as televisões passassem o teledisco, considerado «gore». Tornar-se-á a sua canção mais emblemática e o álbum venderá cem milhões de cópias, record que o Guinness regista como nunca igualado por nenhum artista desde então. No total, MJ vendeu mais de 750 milhões de álbuns. Depois de morrer na quinta-feira, a corrida às lojas de discos recomeçou e os descarregamentos online também. O Guinness vai ter que rever as suas contas.

Em 1995, autoproclama-se «Rei da Pop». E se alguns denunciaram na altura a apropriação, uma década mais tarde já ninguém a contestava. Preparava um regresso q
ue lhe foi negado. Quem sabe o que tinha ainda para dar ao mundo da música.

MJ desaparece aos 50 anos, 45 dos quais dedicados à música. Pisou um palco pela primeira vez em 1963. Nos «Jackson 5» (1969-1984), ao lado dos irmãos, são a sua voz e presença que fazem a diferença. Em 1971, lança-se a solo, interpretando «covers» e canções dos Jacksons. Oito anos mais tarde lança o primeiro álbum com temas escritos e compostos por si próprio: «Off the Wall» marca a separação do estilo «Jackson 5». É a partir daí q
ue deixa de ser uma estrela para passar a brilhar num firmamento que poucos alcançaram. A lenda começava. Eu era fã!

Agradeço à Jessica Lobo ter-me cedido este espaço nesta ocasião especial.


José Luís Correia
publicado in Contacto (01.07.2009) na rubrica musical Expresso Musical de Jessica Lobo e no blogue do mesmo nome


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson (1958-2009) - In Memoriam




O rei da música pop, Michael Jackson, morreu às 12h47 desta quinta-feira (hora de Los Angeles), vítima de uma paragem cardio-respiratória, começaram a relatar os sites de notícias e canais de televisão norte-americanos pouco antes da meia-noite (hora do Luxemburgo).

O cantor Michael Jackson, de 50 anos, morreu há duas horas, após ter dado entrada nas urgências de um hospital de Los Angeles, na Califórnia, em paragem cardíaca às 12h21, de quinta-feira, 25 de Junho. A sua morte oficial foi anunciada 26 minutos depois.

O cantor norte-americano recebeu reanimação cardio-respiratória antes de ser transportado para o hospital, ao início da tarde (noite no Luxemburgo), e não respirava quando deu entrada nos serviços de urgência.

Assim que a notícia se soube espalhou-se primeiro via internet. Apenas alguns canais de televisão na Europa dedicaram um bloco especial para divulgar a notícia, como a Sic, em Portugal, ou a BBC, no Reino Unido. Os canais franceses e alemães, devido à hora tardia (mais uma hora do que em Portugal e na Inglaterra) não mudaram a sua programação.

O jornal Público mudou in extremis a sua primeira página e a manchete de amanhã será "A pop perdeu o seu rei", dedicando duas páginas ao artista que mais marcou a música nos anos 80 e contava já com 45 anos de carreira.

A notícia tem vindo a chocar o mundo inteiro, já que o artista preparava uma digressão de 50 concertos ("This is it Tour") para breve e um come-back há muito esperado pelos milhares de fãs.

Uma multidão crescente, formada inicialmente por fãs, concentrou-se às portas do hospital onde morreu Michael Jackson.

Os fãs começaram a chegar ao Hospital da Universidade da Califórnia assim que souberam que o cantor tinha entrado na unidade com uma paragem cardio-respiratória.

A morte de Jackson foi também chorada na Times Square, em Nova Iorque.

Os serviços de emergência receberam uma chamada às 21h26 (hora do Luxemburgo) alertando para a necessidade de uma ambulância para a residência do artista, em Holmby Hills, em Los Angeles.

Michael Jackson já não respirava quando chegou a equipa médica, tendo entrado no hospital em coma profundo, segundo o jornal Los Angeles Times, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.


PERFIL DO REI DA POP


Michael Jackson, génio da música pop que faleceu esta quinta-feira na sequência de um ataque cardíaco, num hospital de Los Angeles, Estados Unidos, era uma das estrelas do mundo da música mais adoradas e mais controversas.

Depois de ter praticamente desaparecido em 2005 por causa do julgamento em que era acusado de ter abusado sexualmente de uma adolescente, apesar de ter sido absolvido, o cantor cinquentenário tinha anunciado em Março o seu regresso aos palcos, num concerto em Londres, no Verão.

No fim de Maio, os organizadores anunciaram que os concertos de Julho tinham sido adiados alguns dias, assegurando, no entanto, que isso "nada tem que ver com a saúde" do cantor.

Dotado de uma voz inconfundível, Jackson actuou pela primeira vez em palco com os irmãos aos 5 anos de idade, em 1963, era um exímio bailarino e aos 10 anos o seu talento era reconhecido, tendo mais tarde conquistado o estatuto de estrela mundial.

No entanto, desde os anos 1980 que o enigmático Michael Jackson mostrava sinais físicos e comportamentais estranhos, pelo que, além de ser um fenómeno musical, o cantor passa a ser também um fenómeno humano.

Michael Jackson nasceu a 29 de Agosto de 1958 numa família negra de origem pobre, em Gary, no estado do Indiana, no norte dos Estados Unidos.

O seu pai era mineiro e a mãe trabalhava numa revista. O casal tinha nove filhos.

Em 1979, o produtor Quincy Jones supervisiona o seu primeiro disco a solo, "Off the Wall", em que participa Stevie Wonder e Paul McCartney, um disco que continuava a ter sucesso mesmo depois de 15 anos.

Michael Jackson bateu o recorde mundial de vendas com o seu álbum "Thriller", em 1982, com mais de 50 milhões de exemplares vendidos. Graças ao primeiro single do disco, "Billie Jean", em que torna famoso o "moonwalk", Michael Jackson torna-se o primeiro afro-americano a passar na MTV. Seguem-se outros dois sucessos musicais: "Bad" (1987) e "Dangerous" (1991).

É nesta altura que o físico do cantor começa também a transforma-se, com a sua pele a ficar cada vez mais clara e o seu nariz cada vez mais fino.

No entanto, Jackson nega qualquer cirurgia, explicando a brancura da sua pele com a sua doença, vitiligo.

Michael Jackson transforma um rancho californiano em residência e parque de atracções a que deu o nome de "Neverland", em homenagem ao seu ídolo, Peter Pan, a criança que não se torna adulta.

Em 1993, esta imagem excêntrica passa para segundo plano quando vem a público uma denúncia de um jovem de 13 anos que afirma ter sido vítima de abuso sexual por Jackson.

O cantor foi considerado inocente e recebeu uma indemnização de cerca de 23,3 milhões de dólares, uma quantia pouco significativa em relação à sua fortuna estimada em cerca de 600 milhões de dólares.

Em 1994, Michael Jackson casa com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie Presley, o que foi uma surpresa.

No ano seguinte é editado "HIStory", um disco anunciado como o regresso da estrela da pop mas que se revelou um fracasso.

Jackson e Lisa Presley divorciam-se e, em 1996, o cantor volta a casar com Debbie Rowe, enfermeira australiana com a qual teve dois filhos, Prince Michael Jr e Paris Michael Katherine, divorciando-se novamente em 1999.

Em 2002, nasce o seu terceiro filho, Prince Michael II.

O álbum "Invincible", que sai em Outubro de 2001, revela-se também um sucesso.

Em 2003, num documentário britânico, o cantor afirma que gostava de dormir com rapazes jovens, com "toda a inocência", um escândalo que mancha a sua imagem, mesmo com a sua absolvição em Junho de 2005 pela acusação de abuso sexual de menores.

Entretanto, a fortuna da estrela musical emagrece em 2006, altura em Michael Jackson oferece à Sony a oportunidade de comprar metade do seu catálogo musical para pagar uma dívida de cerca de 170 milhões de dólares.

Depois desta desgraça financeira, Jackson tinha conseguido recentemente a anulação da venda dos seus objectos pessoais que devia ser organizada pela leiloeira Julien's, na Califórnia.

Michael Jackson tinha anunciado que estava a trabalhar num novo álbum que não chegou a materializar-se.


...Eu era fã.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

horas mândrias

horas mândrias

férias, D-7
mais um dossier, mais um mail, mais um frete
mil papéis, mil babéis,
na minha secretária se amontoam,
me atordoam

Nestas horas vespertinas
seduzem-me as nuvens anilinas
lambo a vidraça do meu
aquário côncavo, anatemático,
observo o mundo a acontecer lá fora, sorumbático
resta-me apenas riscar o muro do meu escritório
frustrante, castrante, exíguo consistório

Eu quero é sábados
feriados

eu quero é férias
um exílio, nem que seja nas sortérias
quero um fim-de-semana de nove dias
sem correrias nem atrofias
o que eu quero são dez anos sabáticos

estáticos, socráticos
numa ilha perdida, cândida
da nova zelândia

Weytjens 13.06.09

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Jornal Contacto na blogosfera, internet e twitter


O jornal semanário Contacto, o primeiro jornal de língua portuguesa no Luxemburgo já está na blogosfera

http://semanariocontacto.blogspot.com/


O CONTACTO fornece ainda notícias curtas e informações breves no Twitter 24/24h:
http://twitter.com/JornalContacto


O site (em construção):
www.jornal-contacto.lu




Contacto no TWITTER

A partir de hoje o jornal Contacto está no Twitter

http://twitter.com/JornalContacto

Notícias curtas e informações breves do Luxemburgo em contínuo 24/24h. Basta inscrever-se e ser seguidor.


Dia de Portugal no Luxemburgo

No próximo fim-de-semana
10 de Junho comemorado em Kockelscheuer e na capital

No próximo fim-de-semana, 6 e 7 de Junho, decorrem no Luxemburgo as comemorações do 10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Este ano, o Centro de Apoio Social e Associativo (CASA), a que se associaram um grande número de associações e ranchos, decidiu festejar a efeméride no parque de Kockelscheuer e na place d'Armes, na cidade do Luxemburgo.
No sábado, em Kockelscheuer, a animação começa a partir das 14h com a actuação dos grupos de dança Estrelas Lusas, Love Dance e 100 % Tugas, os conjuntos Amigos das Concertinas, Grupo Etnográfico da Casa do Pessoal dos Hospitais da Universidade de Coimbra e Grupo da Região de Lafões, além dos artistas Carlos Santos e Carlos Daniel. A cerimónia de abertura está marcada para as 18h30. A partir das 19h30, há baile abrilhantado pelo conjunto musical Toc-Toc.
Nesse mesmo dia, os Antigos Alunos da Tuna Académica de Coimbra actuam na place d'Armes, na capital, às 14h.

Domingo, em Kockelscheuer, o dia começa com actividades desportivas: um concurso de pesca, às 7h, seguindo-se pelas 9h, uma corrida dos 5 mil metros. A animação musical volta a ser assegurada pelos Toc-Toc, a partir das 9h30, estando prevista a actuação dos Bombos de Differdange por volta das 14h e uma tarde de folclore com o Grupo da Região de Lafões, Grupo Etnográfico da Casa do Pessoal dos Hospitais da Universidade de Coimbra e os ranchos Aldeias de Portugal, Os Lusíadas, Mocidade Portuguesa, Grupo Etnográfico do Alto Minho, Luso-Luxemburguês, Ranchos de Remich, de Gilsdorf e da Nazaré. Os Love Dance e os Antigos Alunos da Tuna Académica de Coimbra que voltam a actuar cerca das 18h.

Ainda no domingo, a place d'Armes, na capital, volta a acolher um grupo português, desta feita, o Grupo Etnográfico da Casa do Pessoal dos Hospitais da Universidade de Coimbra, que actuam às 13h30.
A nível oficial e para comemorar o Dia de Portugal, o embaixador José Pessanha Viegas, organiza na quarta-feira, 10 de Junho, às 18h, uma recepção para a qual estão convidados representantes do movimento associativo português e da comunidade lusa no Grão-Ducado. A recepção decorre na residência do Embaixada, no n°11, rue des Foyers, na capital.

JLC
, in Contacto, 3 de Junho de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Legitimidade democrática adiada

Legitimidade democrática adiada

Domingo têm lugar as eleições europeias nos 27 estados-membros da União Europeia, e no Luxemburgo decorrem, simultaneamente, eleições legislativas.
Os estrangeiros que residem há mais de dois anos no Grão-Ducado, podem votar nos candidatos do seu país de origem, na representação diplomática respectiva ou, se assim tiverem optado, nos seis candidatos luxemburgueses para o Parlamento Europeu, caso se tenham inscrito nos cadernos eleitorais até final de Março.
Para o parlamento nacional a história já é outra. Apenas 54 % dos habitantes do país podem votar, i.e., os que possuem a nacionalidade luxemburguesa.
Como todos os parlamentos de estados democráticos, também a Câmara dos Deputados luxemburguesa deve representar os cidadãos. Todos os cidadãos. Numa democracia esse mesmo parlamento deve exprimir a vontade colectiva dos cidadãos. De todos os cidadãos. Mas se no Grão-Ducado apenas uma parte da população – ligeiramente mais do que metade – vota para eleger o Parlamento e o Governo, concluo que há uns que são mais cidadãos do que outros.
Alguns defendem que é legítimo que esse direito esteja apenas nas mãos dos nacionais, caso contrário a soberania do país poderia um dia ser posta em causa por “interesses estrangeiros”. Nesta Europa das Nações em plena construção, questiono-me sobre esse patriotismo serôdio. Porque até nesta paranóia, há dois pesos e duas medidas.
Será que os recrutas estrangeiros que o exército grão-ducal não hesita em seduzir para as suas fileiras (para alistar-se basta ser europeu e residir no Luxemburgo há três anos!) não constituem uma ameaça potencialmente maior do que... um boletim de voto numa urna?
Em Portugal, ainda não há muito tempo, bastou um grupo de jovens capitães para levar a cabo um golpe de Estado...
Desculpem, não queria agudizar o estado febril dos nacionalistas "paranoicozinhos"!
Mas aproveito para recordar que soberania não significa apenas o direito de um povo à auto-determinação e a se auto-governar, mas de forma mais abrangente, como a definia Rousseau, esta deve ser exercida pela “vontade geral”, ou seja, por todos os membros da sociedade ou pelos seus representantes. Caso contrário, é a legitimidade democrática do poder eleito que está em causa. A democracia é o poder (krátos) do povo (dêmos), entenda-se “o poder eleito pelo povo”.
No Luxemburgo, uma das perguntas que me coloco é, quem e, sobretudo, quantos elegem o poder? Uma outra questão: uma democracia não devia prever privilégios ou exclusões, pois não?, sobretudo quando o que está em causa é o acto democrático, ele próprio.
A dupla nacionalidade reivindicada por muitos residentes estrangeiros desde os anos 90, foi anunciada como prioridade, no início desta década, pelo primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker. O desígnio era “fazer participar o maior número”. Um maior número que daria ao Governo e ao Parlamento luxemburguês a tal legitimidade democrática de que carece. A dupla nacionalidade foi uma das soluções avançadas para alcançar essa legitimidade.
Depois de ter sido tema eleitoral nas legislativas de 2004, prometida pelo Governo para 2006, após mil hesitações, atrasos e adiamentos, a dupla nacionalidade viria finalmente a ser aprovada em Outubro de 2008 e a entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2009.
Infelizmente, e por mais expeditos e céleres que fossem a partir dessa data os requerentes à naturalização ao abrigo das novas condições, (sem terem que abdicar da nacionalidade de origem), temo que poucos ou nenhuns tenham ido a tempo de serem luxemburgueses de pleno direito, para poderem participar nas eleições de domingo.
A não ser que essas tergiversações tenham sido deliberadas.
Estes “novos” luxemburgueses vão assim poder apenas votar nas próximas legislativas, em 2014. Terão assim mais cinco
anos
para provar a sua lealdade ao leão vermelho, depois dos sete que a lei já lhes exige para poderem pedir a dupla nacionalidade. Será que um estágio de mais de 12 anos de “luxemburguesidade” tranquilizará até o mais conservador e patriota dos autóctones?

José Luís Correia, in Contacto, 3 de Junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Revista "Retrovirology": Portugal é principal exportador de vírus da sida para o Luxemburgo

Estudo científico publicado na revista "Retrovirology" revela
Portugal é principal exportador de vírus da sida para o Luxemburgo

Um estudo científico, publicado na revista "Retrovirology" a 20 de Maio e divulgado pelos jornais Público e i, revela que Portugal é o principal exportador do vírus da sida para o Luxemburgo.

O Luxemburgo surge no estudo como o país com maior incidência de infecções por via externa. Os investigadores sugerem que a taxa de incidência no país estará directamente relacionada com a grande percentagem da população de origem portuguesa radicada no pais.

O coordenador nacional da infecção HIV/Sida em Portugal, Henrique Barros, alertou para a mistura de "conceitos perigosos" nesse estudo. Em declarações à agência Lusa, o epidemiologista Henrique Barros afirmou que no estudo se misturam "conceitos perigosos de migração do vírus com o conceito tradicional de migração de pessoas". "Fazem-se algumas inferências na discussão que podem ser mal interpretadas porque dá a ideia de que os imigrantes é que são responsáveis pela transferência da infecção. Ao mesmo tempo diz-se que são países que têm muitos viajantes, muitos turistas, e pode haver aqui uma espécie de mistura que, obviamente, não é fácil de mostrar". Henrique Barros ressalvou que a infecção por HIV é muito prevalente em Portugal e é "aceitável que haja esses cruzamentos". "As pessoas movimentam-se e os vírus movem-se com as pessoas, mas todas estas técnicas laboratoriais e estatísticas são extremamente complexas e muito falíveis. Não se pode tirar daqui ilações de natureza de política de saúde", avisou.

Para o responsável, o próprio artigo tem algumas cautelas, afirmando que "não se pode inferir as vias migratórias através destas análises de filogenia". Para Henrique Barros isso "são técnicas extremamente complexas, de difícil análise e muito sujeitas a erros variados".

Henrique Barros manifestou-se ainda preocupado com o impacto que o estudo poderá ter. "Preocupa-me especialmente se começamos a imaginar que são os turistas, as pessoas que viajam ou os imigrantes que andam a propagar o vírus", quando é um problema de educação e de medidas de preparação adequadas, sustentou.

Entrevistado pelo Público, Ricardo Camacho, virologista da Universidade Nova de Lisboa e co-autor do estudo, dizia que "a transmissão de Portugal para o Luxemburgo é o que menos me surpreende, tendo em conta o tamanho da comunidade portuguesa no Luxemburgo".

"Já sabíamos há muito tempo que era assim", salienta. "Houve um ano desta década em que 86 % das pessoas diagnosticadas como seropositivas no Luxemburgo eram portugueses", disse Camacho ao Público.

Esse ano foi 2004. Jean-Claude Schmit, responsável pelo departamento de doenças infecto-contagiosas do Centro Hospitalar do Luxemburgo (CHL), declarava ao CONTACTO que os novos infectados portugueses no Grão-Ducado eram, na sua maioria, homens entre os 30 e os 40 anos, recém-chegados ao país. A maioria das transmissões do vírus verificadas nessa altura davam-se junto de toxicodependentes, mas também em relações heterosexuais.

Até à hora do fecho desta edição não foi possível contactar o responsável pelo departamento de doenças infecto-contagiosas do CHL para que este responsável comentasse o estudo. Desde 2004 e sempre que foram divulgadas novos dados de infectados no Luxemburgo, aquele responsável confiou ao CONTACTO que era necessário "não estigmatizar a comunidade portuguesa, já que a doença não afectava apenas os portugueses, mas também os autóctones e outras nacionalidades".

O estudo da "Retrovirology" partiu de uma análise filogenética molecular, que permite detectar a evolução do vírus conforme se vai mutando por transferência ou dentro do próprio organismo. Do projecto, patrocinado pela Comissão Europeia, resulta uma cartografia com os principais caminhos de propagação do subtipo B do HIV-1, o mais comum no espaço europeu, em 17 países da UE e Israel.

JLC/com agências , in Contacto, 27 de Maio de 2009

Schrassig e Givenich: Portugueses são 8,7 % dos reclusos

Centros Penitenciários de Schrassig e Givenich
Portugueses são 8,7 % dos reclusos no país

Segundo o Ministério da Justiça, em Setembro estavam presos 59 portugueses, mas estes dados não incluem os reclusos que sendo de origem portuguesa têm nacionalidade luxemburguesa Foto: Anouk AntonyOs portugueses constituem 8,7 % do total dos 674 reclusos nos centros penitenciários do Grão-Ducado e 12,6 % dos 470 detidos de origem estrangeira. Entre Janeiro e Setembro de 2008 voltaram a aumentar. No início do ano passado estavam presos 55 portugueses e oito meses depois eram já 59. A maioria foi condenada por ligação ao mundo da droga.
Com base nestes números, os portugueses continuam a ser a nacionalidade mais representada entre os 470 reclusos estrangeiros detidos nos centros penitenciários de Schrassig e Givenich, segundo o relatório 2008 do Ministério da Justiça, datado de Março, mas só agora divulgado.
A maioria destes portugueses, 34 detidos, o que representa cerca de 57 % do total, cumprem pena pela sua ligação ao mundo da toxicodependência e ao tráfico de estupefacientes, cinco foram condenados por violação ou atentados ao pudor, quatro por crimes de sangue, quatro por roubo, três por roubo envolvendo violência, três por agressão e ferimentos, dois por uso de documentos falsos, um por sequestro, outro por destruição de propriedade privada, um estava a cumprir uma pena disciplinar e outro ainda aguardava ordem de expulsão.
Mas os detidos de origem lusa são até ligeiramente mais do que estes números revelam. É que estes dados não incluem os reclusos que sendo de origem portuguesa têm nacionalidade luxemburguesa.
A título de exemplo, no início de 2008 e segundo dados do Centro Penitenciário de Schrassig e do Centro de Apoio Social e Associativo (CASA) – que efectua visitas regulares aos reclusos portugueses –, havia cerca de 80 detidos lusos ou de origem portuguesa, quando os dados oficiais do Ministério da Justiça luxemburguês contabilizavam 55 nos dois centros.
Os luxemburgueses permanecem, no entanto, a nacionalidade mais representada, se for considerada a totalidade dos reclusos. Em Setembro de 2008 estavam detidos nestes dois centros penitenciários 674 reclusos, dos quais 204 eram luxemburgueses (oito meses antes, o número ascendia a 207).
No conjunto dos dois centros penitenciários havia em Setembro 470 reclusos estrangeiros, dos quais 74 oriundos do continente africano (entre os quais 22 cabo-verdianos, segundos dados do CASA, de Abril de 2008), 34 eram franceses e 16 italianos.
Em Schrassig estão detidos 570 homens e 27 mulheres, enquanto no Centro Penitenciário de Givenich 78 homens cumpriam pena em regime semi-aberto.
Se é verdade que o número de reclusos portugueses aumentou, o número total de detidos diminuiu de 762 para 674 entre Janeiro e Setembro de 2008, ainda segundo o relatório do Ministério da Justiça.
É a primeira vez que se regista um recuo do número de reclusos nos últimos seis anos por causa da aplicaçâo de um memor número de "detenções preventivas, que passaram nesse período de 369 para 253", segundo Jérôme Wallendorf, relator do documento e delegado do procurador de Estado, responsável para o regime penitenciário.
Apesar deste recuo, em 2008 a tendência voltou a inverter-se e o número dos detidos preventivos voltou a aumentar entre Setembro e Março e 300 detidos aguardam actualmente julgamento.

Cristina Casimiro e José Luís Correia, in Contacto, 3 de Junho de 2009