sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

domingo, 11 de março de 2012

Portugal Pop, pela terceira vez no Luxemburgo

Um dos melhores momentos do 3° Portugal Pop ontem, na Kulturfabrik, em Esch/Alzette (Luxemburgo): Zé Manel "Darko" com "Define Joy". Grande voz, grande talento, um artista com muito, muito poencial ainda para dar à música portuguesa! Foi para mim uma revelação!




Adelaide Ferreira e Miguel Ângelo: grandiosos e únicos, como sempre nos habituaram. Banda In/Out, respect, grande guitarrista e grande baterista! Portugal Pop 2012, soube a pouco...

sábado, 10 de março de 2012

Cozinheiro luso-francês merece elogios da revista "Le Point"

Depois de se ter sido distinguido com o Prémio de Melhor Operário de França em 2011, o cozinheiro luso-descendente Christophe Pacheco tem vindo a destacar-se no restaurante cinco estrelas do Relais & Châteaux  (hotel-castelo) da localidade de La Clusaz (Haute Savoie, Rhône-Alpes, perto da fronteira suíça).

Pacheco formou-se com o chefe francês Joël Robuchon (18 estrelas no Guia Michelin), trabalhou no restaurante "Aux Armes de France", em Corbeil-Essones (a 30 km a sudeste de Paris) e mereceu um artigo na revista Le Point, de 28 de Fevereiro.

A revista diz que os pratos agri-doces e as "alianças maliciosas de sabores" são já uma das marcas de referência do jovem chefe luso-francês. A publicação cita como exemplos as Coxas de Rã ‘en folie’ panadas, com creme de castanhas, alho preto e ‘raviola’ de beterraba e couve verde; ou o Pregado na Brasa com Manteiga de Verbena e o seu Risotto de Fregola Sarda; ou ainda o Entrecosto « Dry Aged » com salsa, flôr de sal, pimenta aromática e croquettes.

Dá vontade de dar um saltinho até La Clusaz...

sexta-feira, 9 de março de 2012

EDITORIAL: O eixo da terra está a mudar

O eixo da Terra está a mudar


Li algures na imprensa portuguesa que, muito embora os portugueses não apreciem o epiteto de "país periférico" que Bruxelas dá a Portugal, o facto é que é isso mesmo que o nosso rectângulo é, "que fazer", resignava-se o jornalista? E acrescentava que isso explica a condição de "subúrbio" a que o nosso rectângulo está votado. Ou seja, a culpa da crise que nos caiu em cima não é nossa, é do lugar que herdámos da geografia (!?).

Como se o centro de decisões e de negócios nunca pudesse ter sido Lisboa e – inverta-se os papéis –, a Alemanha o "hinterland" europeu ou o "arrière-pays" continental. Estas duas palavras não têm infelizmente uma boa tradução em português, pois o seu equivalente "o interior" ("país real" é uma invenção da TV-reality show dos anos 90!), não comporta o significado de "afastado", "esquecido, lá para trás", que os termos alemão e francês abrangem. Felizmente, a História não dá razão aos epitetos que nos cognominam e a geografia não é uma fatalidade. Lisboa já foi dona de metade do Mundo e o seu "handicap" de hoje – a periferia –, foi na Era dos Descobrimentos a sua mais-valia. E exemplos como este abundam através dos tempos. Babilónia ou a Pérsia foram já as regiões mais civilizadas do mundo, depois em declínio e esquecidas durante milénios, foram novamente trazidas para o tabuleiro mundial graças ao petróleo. Como é que Alexandre Magno conseguiu fazer da sua encravada Macedónia o centro de um império que se estendeu através de um quarto do globo até às portas da Índia? Como é que uma cidade como Roma construiu um império que ia da África do Norte ao Médio Oriente e da Alemanha à Escócia? Também a América Central e do Sul viram proliferar as civilizações mais avançadas do seu tempo quando a Europa atravessava "os séculos escuros".

Lisboa já foi o rosto com que a Europa fitou o mundo, recorda-nos o nosso oráculo nacional Fernando Pessoa, na sua "Mensagem". Será que percebemos bem a mensagem? E se o "recado" de Pessoa fosse "Mens Ag(itat Mol)em", ou seja, que o espírito comanda o corpo, expressão repescada à "Eneida" de Virgílio. Mas se a mente comanda a matéria, Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce, então a inteligência não se deixa ditar desditas pela geografia. Até porque a geografia "acabou" e o homem hoje sabe ser ubíquo.

É armado desta sabedoria, sem ligar a fatalismos bacocos e desculpando-se com a "soi-disant" geografia, que o Dubai, por exemplo, sabendo próximo o fim do reino do ouro negro, está a fazer nascer hoje a megalópole de amanhã, das areias inóspitas do deserto e bairros inteiros em cima de ilhas artificiais. Do mesmo modo, o Luxemburgo, este improvável país que se quis independente sem que ninguém no século XIX acreditasse na sua perenidade, nem mesmo os luxemburgueses, soube antecipar o fim da siderurgia e lançar desde os anos 60 os pilares de outras economias (os serviços, a praça financeira, as telecomunicações, a logística) que asseguraram o futuro. E o Ducado agrícola das hortas de subsistência de há dois séculos soube atravessar as convulsões hegemónicas e geo-económicas do século XX, e tornar-se um país política e economicamente estável, um burgo centripeta, que atrai populações e empresas dos quatro cantos da Europa e do Mundo.

Saber governar é saber prever. Qualidade que têm tido alguns (friso alguns) governantes luxemburgueses (até agora !) e que tem faltado singularmente à maioria dos políticos portugueses.

Onde está o futuro de Portugal? Quanto a mim, acredito que a língua é nossa melhor embaixadora, que os caminhos que abrimos pelos mares e nos levaram ao achamento do Brasil, a África e até Timor, são a rota instintiva a seguir para nos projectarmos no futuro e num planeta cujo eixo está a mudar. O eixo da Terra está a mudar, mas não é o fim do Mundo.

Há muito que se previa que o centro económico do planeta iria mudar-se do Atlântico para o Pacífico. Mas era uma leitura enviesada. A China é hoje a potência mundial óbvia, mas a América do Sul (e não apenas o Brasil), a Índia e África prefilam-se. O eixo não está a girar do Atlântico para o Pacífico, antes está a mudar de hemisfério, do Norte para o Sul.

Quando entendermos isso, saberemos como sair da actual crise e criar uma nova era de prosperidade. Não só Portugal, mas a Europa. Portugal tem que, hoje mais do que nunca, fortalecer os laços que teceu graças às suas Descobertas. Talvez assim Portugal se cumpra, como sonhou Pessoa. Quanto à Europa, não se pode fechar em fortaleza, tem que abrir-se ao Mundo, ou está destinada a que esses povos um dia lhe virem as costas. E se num futuro não tão longíquo a Europa demograficamente exangue precisar dos africanos? Ou se os europeus quiserem emigrar para a África vizinha, esse gigantesco território riquíssimo, que há-de tornar-se no continente emergente, e os africanos não quiserem lá os "refugiados" do velho continente ? A Europa não pode declinar em subúrbio flatulento da nova geografia mundial. Porque a geografia não é uma fatalidade, mas uma oportunidade.

O eixo da Terra está inelutavelmente a mudar mas, e nós, saberemos acompanhar o movimento da tectónica económica ?


José Luís Correia
in CONTACTO, 07/03/2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

O eixo da Terra está a mudar

O eixo da Terra está a mudar

Li algures na imprensa portuguesa que, muito embora os portugueses não apreciem o epiteto de "país periférico" que Bruxelas dá a Portugal, o facto é que é isso mesmo que o nosso rectângulo é, "que fazer", resignava-se o jornalista? E acrescentava que isso explica a condição de "subúrbio" a que o nosso rectângulo está votado. Ou seja, a culpa da crise que nos caiu em cima não é nossa, é do lugar que herdámos da geografia (!?).

Como se o centro de decisões e de negócios nunca pudesse ter sido Lisboa e - inverta-se os papéis -, a Alemanha o "hinterland" europeu ou o "arrière-pays" continental. Estas duas palavras não têm infelizmente uma boa tradução em português, pois o seu equivalente  "o interior" ("país real" é uma invenção da TV-reality show dos anos 90!), não comporta o significado de "afastado", "esquecido, lá para trás", que os termos alemão e francês abrangem. Felizmente, a História não dá razão aos epitetos que nos cognominam e a geografia não é uma fatalidade. Lisboa já foi dona de metade do Mundo e o seu "handicap" de hoje - a periferia -, foi na Era dos Descobrimentos a sua mais-valia. E exemplos como este abundam através dos tempos. Babilónia ou a Pérsia foram já as regiões mais civilizadas do mundo, depois em declínio e esquecidas durante milénios, foram novamente trazidas para o tabuleiro mundial graças ao petróleo. Como é que Alexandre Magno conseguiu fazer da sua encravada Macedónia o centro de um império que se estendeu através de um quarto do globo até às portas da Índia? Como é que uma cidade como Roma construiu um império que ia da África do Norte ao Médio Oriente e da Alemanha à Escócia? Também a América Central e do Sul viram proliferar as civilizações mais avançadas do seu tempo quando a Europa atravessava "os séculos escuros".

Lisboa já foi o rosto com que a Europa fitou o mundo, recorda-nos o nosso oráculo nacional Fernando Pessoa, na sua "Mensagem". Será que percebemos bem a mensagem? E se o "recado" de Pessoa fosse "Mens Ag(itat Mol)em", ou seja, que o espírito comanda o corpo, expressão repescada à "Eneida" de Virgílio. Mas se a mente comanda a matéria, Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce, então a inteligência não se deixa ditar desditas pela geografia. Até porque a geografia "acabou" e o homem hoje sabe ser ubíquo.

É armado desta sabedoria, sem ligar a fatalismos bacocos e desculpando-se com a "soi-disant" geografia, que o Dubai, por exemplo, sabendo próximo o fim do reino do ouro negro, está a fazer nascer hoje a megalópole de amanhã, das areias inóspitas do deserto e bairros inteiros em cima de ilhas artificiais. Do mesmo modo, o Luxemburgo, este improvável país que se quis independente sem que ninguém no século XIX acreditasse na sua perenidade, nem mesmo os luxemburgueses, soube antecipar o fim da siderurgia e lançar desde os anos 60 os pilares de outras economias (os serviços, a praça financeira, as telecomunicações, a logística) que asseguraram o futuro. E o Ducado agrícola das hortas de subsistência de há dois séculos soube atravessar as convulsões hegemónicas e geo-económicas do século XX, e tornar-se um país política e economicamente estável, um burgo centripeta, que atrai populações e empresas dos quatro cantos da Europa e do Mundo.

Saber governar é saber prever. Qualidade que têm tido alguns (friso alguns) governantes luxemburgueses (até agora !) e que tem faltado singularmente à maioria dos políticos portugueses.

Onde está o futuro de Portugal ? Quanto a mim, acredito que a língua é nossa melhor embaixadora, que os caminhos que abrimos pelos mares e nos levaram ao achamento do Brasil, a África e até Timor, são a rota instintiva a seguir para nos projectarmos no futuro e num planeta cujo eixo está a mudar. O eixo da Terra está a mudar, mas não é o fim do Mundo.

Há muito que se previa que o centro económico do planeta iria mudar-se do Atlântico para o Pacífico. Mas era uma leitura enviesada. A China é hoje a potência mundial óbvia, mas a América do Sul (e não apenas o Brasil), a Índia e África prefilam-se. O eixo não está a girar do Atlântico para o Pacífico, antes está a mudar de hemisfério, do Norte para o Sul.
  
Quando entendermos isso, saberemos como sair da actual crise e criar uma nova era de prosperidade. Não só Portugal, mas a Europa. Portugal tem que, hoje mais do que nunca, fortalecer os laços que teceu graças às suas Descobertas. Talvez assim Portugal se cumpra, como sonhou Pessoa. Quanto à Europa, não se pode fechar em fortaleza, tem que abrir-se ao Mundo, ou está destinada a que esses povos um dia lhe virem as costas. E se num futuro não tão longíquo a Europa demograficamente exangue precisar dos africanos? Ou se os europeus quiserem emigrar para a África vizinha, esse gigantesco território riquíssimo, que há-de tornar no continente emergente, e os africanos não quiserem lá os "refugiados" do velho continente ? A Europa não pode declinar em subúrbio flatulento da nova geografia mundial. Porque a geografia não é uma fatalidade, mas uma oportunidade.

O eixo da Terra está inelutavelmente a mudar mas, e nós, saberemos acompanhar o movimento da tectónica económica ?

José Luís Correia
(in CONTACTO, 07.03.2012)

terça-feira, 6 de março de 2012

Smooth FM, a Radio Trójka portuguesa, banda sonora das minhas viagens imóveis

A Jessica, que anda sempre nas explorações musicais e em busca de novas sonoridades, descobriu há uns dias a lisboeta Smooth FM, que centra a sua programação na música smooth jazzy, soul, blues, bossa nova, e se define a si mesma como uma rádio para um auditório "adulto, sofisticado e descontraído".

A novel rádio passa desde "Count Bassie a Diana Krall, passando por Tony Bennett, Elvis Costello, Ray Charles, Miles Davis, Norah Jones e, obviamente, Frank Sinatra", exemplifica um comunicado da estação.

A nova rádio emite desde Lisboa na mesma frequência que a antiga Best Rock, em 103.0 FM (e na Região Centro em 92,8), mas pode também ser ouvida na internet aqui.


A Smooth abriu em Setembro de 2011 e faz parte do grupo Media Capital, que inclui emissoras como a Rádio Comercial, a M80 e a Cidade FM. À excepção da última, são rádios que já ouvíamos incidentalmente, a primeira porque somos fãs de Nuno Markl e Ricardo Araújo Pereira, a segunda pela música dos anos 70, 80 e 90 que passa.

Banda sonora das minhas viagens imóveis

Depois da manhã a ouvir o álbum "Swing in the films of Woody Allen", passámos a tarde de sábado ao som da Smooth e a ler. E que bem que fez.

A Smooth fez-me imediatamente pensar na saudosa Radio Trójka (Rádio Três) de Varsóvia, que descobri em Agosto de 2003 e que continuou a acompanhar-me durante vários anos.

Uma noite deixei o velho transistor ligado e passei as horas acordando e adormecendo ao som da Trójka, da voz apaziguadora dos locutores de uma língua que sempre me pareceu familiar e com semelhanças estranhas ao português (pelo menos, ao meu ouvido), mesmo se só ia percebendo uma palavra em cada três. E tudo isso misturava-se harmoniosamente aos barulhos da noite varsóvica que se espraiava lá fora.

A Trójka (que nessa altura passava só mesmo jazz, hoje inclui rock e música alternativa) tinha o dom de me acalmar e de me fazer viajar mentalmente,

janela fora,

até a torre do Palácio da Cultura e da Ciência, até à avenida do Novo Mundo (adoro esta toponímia), até à palmeira em plástico da avenida De Gaulle, até à "rynek" (praça do mercado) reconstruída pedra à pedra da velha Varsóvia, pelos jardins do palácio de Wilanów (a Versalhes polaca), sobre as águas da Vístula, seguindo a corrente para Norte, até às ruas de Gdansk, pelas praias bálticas de Gdynia. Depois, rumo a sul, até à lindíssima "rynek" colorida de Poznan, pelo jardim japonês de Wroclaw, pelas ruas de Wolsztyn onde cruzei Koch e o seu bacilo, pela auto-estrada hitleriana aos solavancos até à Alta Silésia e Katowice, pelo santuário de Czestochowa (a Fátima polaca), pelo majestoso parque florestal de Ojców, pelas minas de sal de Wieliczka, pela romântica Zakopane, no sopé dos Tatras (Cárpatos), com as suas incríveis igrejas construídas totalmente em madeira,

e, finalmente, até ao bairro judeu da lindíssima Cracóvia, onde o jazz elege lugar cativo.

Eram as minhas viagens interiores de itinerários exteriores já percorridos e pelos quais me apaixonei. Também graças à Radio Trójka, porque compôs a banda original sonora desse meu filme.
Gydnia (costa do mar Báltico)
 
Praça central de Wroclaw, uma das outras cidades pela qual me apaixonei

A lindíssima Cracóvia, que me seduziu
 
A romântica Zakopane, no sopé dos Cárpatos (Tatras)

Fotos: Wikipédia










segunda-feira, 5 de março de 2012

Contra o "imperialismo" do romance

Capa do livro "Comme un roman", de Daniel Pennac
"Fazer do romance o alfa e o ómega da criação literária é um tique, é mesmo um grande toc [traumatismo obsessivo compulsivo, n.d.T.], que nos separa de um imenso património literário. Não é uma crítica que faço ao romance, mas à nossa consciência literária desde o princípio do século XX. Estamos obnubilados pela ideia que literatura é a mesma coisa que romance", denuncia o crítico literário francês Gérard Génette.

O teórico da literatura evoca a aversão que Paul Valéry tinha pelo romance e como Albert Thibaudet criticou o "imperialismo" do romance em meados do século passado. E, como se restassem dúvidas, Génette recorda que muitos autores e não de somenos importânica - Homero, Virgílio, Shakespeare ou Racine - não eram romancistas, mas poetas ou dramaturgos.

"Aux Confins de la Littérature", 
in Télérama (22/02/2012)

Portugal bisa na Medalha de Arquitectura Alvar Aalto

Em Fevereiro, Paulo David tornou-se o segundo arquitecto português a arrecadar a Medalha Alvar Aalto pela sua contribuição para a arquitectura.

O prémio, atribuído de forma intermitente desde 1967, pelo Museu de Arquitectura da Finlândia e pela Associação Finlandesa de Arquitectos, já distinguiu 11 arquitectos, mas apenas os portugueses - Siza Vieira já vencera este prémio em 1988 - e os dinamarqueses (1982 e 2009) bisaram.

Paulo David nasceu no Funchal (1959), formou-se na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (1989), trabalhou com os arquietctos Gonçalo Byrne e João Luís Carrilho da Graça, antes de regressar ao Funchal (1996), onde estabeleceu o seu próprio gabinete (2003).

Uma das obras de Paulo David:
Casa das Mudas (Calheta, Madeira)
São obras suas o Centro de Artes Casa das Mudas (Calheta, Madeira), o Restaurante Salinas (Câmara de Lobos), o Pavilhão do Vulcanismo (São Vicente, Madeira) ou o Passeio Marítimo das Salinas (Câmara de Lobos).

Alvar Aalto (1898-1976)
Esta medalha é atribuída em honra de Alvar Hugo Henrik Aalto (1898-1976) arquitecto, desenhador, urbanista e designer finlandês, adepto do funcionalismo e da arquitectura orgânica. É responsável, entre outras obras, pela Villa Mairea (Noormarkku), Palácio Finlandia (Helsinquia) e pelo campus da Universidade Técnica da capital finlandesa.

Receberam a Medalha Alvar Aalto os seguintes arquitectos: Alvar Aalto (1967) ; Hakon Ahlberg (1973, Suécia); James Stirling (1978, Reino Unido); Jørn Utzon (1982, Dinamarca); Tadao Ando (1985, Japão); Álvaro Siza Vieira (1988, Portugal); Glenn Murcutt (1992, Austrália); Steven Holl (1998, EUA); Rogelio Salmona (2003, Colômbia); Tegnestuen Vandkunsten (2009, Dinamarca); e Paulo David (2012, Portugal). 

domingo, 4 de março de 2012

Pa-pa-pa-pa-Papageno

Fui ver no sábado à noite à Abadia de Neumünster, no Grund, "A Flauta Mágica" de Wolfgang Amadeus Mozart.

Adorei a performance vocal da soprano portuguesa Rita Matos Alves no papel de Pamina, que está a fazer carreira em Bruxelas e em boa hora participou neste projecto. Achei-a comovente, viva, engraçada, uma verdadeira intérprete em suma e dona de uma portentosa e bonita voz.

E foi graças à Rita que Pamina brilhou mais que Tamino, interpretado pelo tenor Paul Feitler. Achei-o demasiado imóvel, formal, apagado. Preferi-o quando fez de Anás no musical "Jesus-Christ Superstar", que passou pelo palco do Kinneksbond, em Mamer, em Janeiro.

Gostei também da voz cristalina da soprano coloratura Noémie Sunnen como Rainha da Noite. Mas, penso que o desempenho do barítono Alexandre Poulis como Papageno arrebatou o público.

Uma palavra ainda para as três damas, Helen Smith (soprano), Anne Weishar (soprano) e Magali Weber (mezzo-soprano). Boas vozes, mas fiquei com a impressão que não sabiam mexer-se em palco, apesar do esforço do encenador que, penso, quis ser mais airoso que as encenações mais clássicas do género.

Um elogio ainda para a direcção musical e de cena dos três génios, interpretados aqui por Frances McDonald (soprano), Myriam Muller (soprano) e Irene Broz (mezzo-soprano). Gostei também da Papagena, a soprano Julie Calbete, apesar do seu aparecimento fugaz.

Achei as interpretações muito desiguais em geral, algumas muito boas vozes ao lado de outras menos boas, que destoavam e desequilibravam o conjunto.Infelizmente, penso que a acústica demasiado seca da Sala Robert Krieps foi madrasta com alguns artistas. Por exemplo, penso que Sarastro (o baixo Jean Bermes) é um bom cantor mas que a sala não lhe fez justiça. Em contrapartida, achei deplorável a interpretação do baixo Johannes Gülich, que fez de padre. Má voz, má interpretação e presença em palco divagante.

No entanto, acho que são excelentes estas iniciativas. Pela multiplicação se chegará à exclência. Parabéns ao Studio d'Opera do Luxemburgo, com direcção musical de Radu Pantea, encenação de Ionel Pantea e que contou na organização com outra portuguesa, Filomena Domingues.

 Uma experiência a repetir, com certeza. A ópera, não a sala!

Deixo-vos aqui dois excertos da mesma ópera, não com a companhia do Studio d'Opera do Luxemburgo (não encontrei vídeo na internet), mas com a Ópera de Paris, numa das encenações mais fabulosas da obra de Mozart, em 2001. Dois dos meus momentos preferidos

sexta-feira, 2 de março de 2012

Ler

Lire LER (2 Março 2012) Foto: JL
Foire du Livre de Bruxelles Foto: JLC

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Leituras


Quando me aborreço de um, viajo para outro. Sou um leitor infiel, uma vadia literária. Mas assumo.

"Portugal a pé", de Nuno Ferreira: Incursão no país profundo ou Também isto é Portugal no século XXI

Acabo de ler o "Portugal a pé" (Ed. Vertimag, Novembro 2011) do jornalista Nuno Ferreira (ex-Expresso e ex-Público) e adorei.

Gosto de livros de viagens em geral, de Gonçalo Cadilhe (deu duas vezes a volta ao Mundo) a Miguel Sousa Tavares (viagens pelo deserto), passando por Bruce Chatwin e Paul Theroux (que adora viagens em comboio). Nuno Ferreira passará a ser o novo autor com quem deverei contar na minha prateleira das viagens.

"Portugal a pé" conta a sua aventura pela província profunda, de Sagres a Cevide, a aldeia mais a Norte de Portugal, calcorreando o Barrocal algarvio, subindo pela raia alentejana, deambulando pelas Beiras, vencendo a neve na Serra da Estrela, puxando até Trás-os-Montes, desbravando o Minho. Um incursão no país real, como agora se diz. Entre Fevereiro de 2008 e Novembro de 2010.
Primeiro há a coragem de um homem em enfrentar a estrada, a geografia, a natureza e os elementos. Depois, a vontade de um jornalista de escrever sobre o que também é Portugal neste princípio de século XXI. 

Uma das primeiras pedradas no charco que o autor dá, e bem, é desmistificar a tal hospitalidade que dizem que é "natural" nos portugueses. Afinal, como eu próprio já o vivi, os portugueses tanto sabem ser acolhedores e hospitaleiros como provincialmente carrancudos e desconfiados.  Esta é uma característica que o autor vai, infelizmente, encontrar em todos os cantos do país. Passou por ladrão, pedinte, drogado, vagabundo e até contrabandista.
Gostei deste mapa do país, longe das grandes urbes, porque há mais Portugal do que o do Terreiro do Paço, há um Portugal a agonizar longe da capital, mas também a encontrar soluções geniais para (sobre)viver, com bibliotecas ambulantes, ecomuseus, turismo rural e televisões regionais.  

Neste retrato fiel de Portugal no princípio do século, numa mesma aldeia coexistem os cibercafés e as carroças de burros. Num momento, o jornalista escreve no seu laptop num castro recuado no Minho, no outro conversa com velhos que só já têm como ocupação ver passar a vida inexorável, sentados na soleira da porta de casa, encostados ao balcão em pedra de uma taberna, disfrutando de um bagaço, de um café e de um cigarro, ou maldizendo a vida porque têm de tratar da horta sozinhos, porque os filhos emigraram todos para Lisboa ou para França. 
Nuno Ferreira cruza-se com ciganos, dos que pedem dinheiro, mas também dos que o convidam para dormir a sesta junto ao acampamento, dos que têm uma carroça, mas também dos que vão de automóvel à cidade, cruza-se com gente tacanha, provinciana, que corre a esconder-se em casa quando o viajante forasteiro assoma à entrada da aldeia, mas também conhece pessoas afáveis que o convidam naturalmente a partilhar uma sopa, um borrego ou uma lampreia em convívio fraternal, em espírito familiar até. Tudo isso também é Portugal hoje.
Gostei de como o autor conta as situações que viveu, da radiografia às gentes, dos bons momentos e das situações extremas, como aquela em que se perdeu no Marão, ficou pendurado numa falésia e teve de ser resgatado pelos bombeiros de Baião. E de como um dos jovens soldados da paz arriscou a própria vida para o salvar. 
Este é o Portugal que existe, que vive, que sofre, que vibra, que é abnegado e não resignado...
Nuno Ferreira fala-nos in loco das mazelas da desertificação do país rural, das vivendas de emigrantes - amarelas, roxas, com torreões germânicos e telhados suíços, fechadas o ano inteiro - que descaracterizam as aldeias típicas, do envelhecimento demográfico da província, entregue a si mesma, esquecida pelo poder central, de horizontes inteiros desolados que hoje são apenas cinza, dizimados pelos incêndios do Verão português. 
Com este testemunho de Nuno Ferreira, essas realidades, que todos conhecemos mas das quais não temos verdadeiramente a noção (não, não temos, acreditem!), deixam de ser apenas uma estatística e uma banal reportagem de 2 minutos no final de um telejornal, que esquecemos coniventes entre o jantar e a telenovela.
Mas o autor também nos recorda e nos faz (re)descobrir as belezas esquecidas e escondidas do nosso país, as praias fluviais naturais, as cascatas majestosas, a pureza de muitos rios portugueses, a magnificência dos montes, das matas e das florestas nacionais, das praias algarvias (ainda) não devastadas ou dos montados alentejanos sumptuosos no seu sossego.
Gostaria que o autor tivesse falado mais de coisas pessoais, ou melhor, de como viveu certas coisas interiormente. Diz às tantas que leva livros na mochila, eu gostaria que tivesse falado mais dessas leituras e das suas viagens interiores. Gostaria que todo o livro fosse mais pessoal, à semelhança do "capítulo-confissão", em que se entrega ao leitor, admitindo que voltou a cair no alcoolismo nesta sua viagem por Portugal. Um país onde alcoolismo rima com hospitalidade. "Vai mais uma Aldeia Velha? Um café com cheirinho?", todos conhecemos esta "hospitalidade" de café. Como recusar um último bagaço, um "medronho amigo" a quem nos recebeu calorosamente? Foi um dos capitulos que mais gostei. Acho que é preciso muita coragem para se ser sincero com quem nos lê.
O autor confia neste seu diário de viagem que é muitas vezes interpelado com a pergunta de porque está a fazer esta jornada a pé, se é promessa, se é peregrinação a Fátima, perguntam se não tem carro, "atão, mas nem uma bicicleta tem?...". 
Eu acredito que esta viagem ao país verdadeiro só podia mesmo ser a pé, o que lhe permitiu ter o tempo e o vagar de parar e conversar, observar, ver acontecer, viver e conviver, e partilhar o pulsar de cada povoação. Parabéns ao Nuno Ferreira por este trabalho que ainda ninguém tinha feito, uma incursão feita na primeira pessoa no país profundo. Um livro pioneiro.
Nuno Ferreira prepara-se para regressar à estrada e fazer "Os Açores a pé". Eu aguardo pacientemente pelo seu segundo livro desta colecção, que poderá vir a ser um tríptico e que passará a ser obrigatório em cada biblioteca portuguesa.
José Luís Correia

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

NASA descobre planeta-oceano na Constelação de Ophiuchus (Serpente)


A NASA descobriu na terça-feira um novo tipo de planeta, composto em grande parte por água e com uma leve atmosfera de vapor, podendo assim ser considerado um planeta-oceano.

O exoplaneta, denominado GJ1214b, foi descoberto em 2009 pelo telescópio espacial Hubble, está situado a 40 anos luz da Terra, tem um órbita de 38 horas em volta de uma anã vermelha (Gliese-Jarheiss 1214), e desde a Terra pode ser avistado na Constelação de Ophiuchus (Serpente ou Serpentário). O planeta tem uma temperatura estimada de 232 graus Celsius, tem 2,7 vezes o tamanho do nosso planeta e sete vezes o seu peso, sendo assim considerado uma "super-Terra". É, no entanto, mais pequeno que Neptuno, por exemplo (ver imagem).

As medições e observações da passagem de Gliese J1214b diante do seu sol permitiram mostrar que a luz da estrela era filtrada através da atmosfera do planeta, composta de vapor. Na realidade, uma nuvem de gases envolve totalmente o planeta. 

Os cientistas calcularam depois a densidade do planeta a partir de sua massa e tamanho, e concluiram que este dever ter "muito mais água do que a Terra e muito menos rocha", no que pode ser considerado um planeta-oceano.

Um planeta com estas características é algo há muito imaginado pelos autores de ficção-científica mas até agora nunca avistado.

No nosso sistema solar existem apenas três tipos de planetas: 

- rochosos (telúricos): Mercúrio, Vénus, Terra e Marte
- gigantes gasosos: Júpiter e Saturno
- gigantes gelados: Urano e Netuno

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Excerto da versão actualizada dos Lusíadas

I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

Luiz Vaz Sem Tostões


Não sei quem é o autor, retirei da página de uma amiga no Facebook. Acho admirável que haja quem, no meio da crise e da hora trágica que o país vive, consiga encontrar verve e talento para este pequeno momento de humor

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Restam-nos hoje, no silêncio hostil, 

o mar universal e a saudade


Conquistemos a distância!

Resta-nos o mar universal. Conquistemos a distância!

image by Larry Landolfi (image will be removed if author asks so)
PRECE

Senhor, a noite veio e a alma é vil. 
Tanta foi a tormenta e a vontade! 
Restam-nos hoje, no silêncio hostil, 
O mar universal e a saudade. 

Mas a chama, que a vida em nós criou, 
Se ainda há vida ainda não é finda. 
O frio morto em cinzas a ocultou: 
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —  
Com que a chama do esforço se remoça, 
E outra vez conquistaremos a Distância — 
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Fernando Pessoa
("Mensagem", 1934)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dois terços das estrelas têm Super-Terras ou Estrelas com planetas são a regra e não a excepção

Uma equipa internacional, que inclui três astrónomos do Observatório Europeu do Sul (ESO), utilizou a técnica de microlente gravitacional para determinar quão comuns são os planetas na Via Láctea. Após uma busca que durou seis anos e onde observaram milhões de estrelas, a equipa concluiu que os planetas em torno de estrelas são a regra e não a excepção. 

Durante os últimos 16 anos, os astrónomos detectaram mais de 700 exoplanetas(*1) (planetas fora do sistema solar) e começaram a estudar os espectros e as atmosferas desses mundos. Embora o estudo das propriedades dos exoplanetas individuais seja extremamente importante, uma questão básica permanece: quão comuns são os planetas na Via Láctea?

A maioria dos exoplanetas conhecidos foram encontrados ou pelo efeito gravitacional que exercem sobre a sua estrela ou por passagem em frente da estrela diminuindo-lhe ligeiramente o brilho. Ambas as técnicas são muito mais sensíveis a planetas que ou são de grande massa ou se encontram próximo das suas estrelas. Por consequência, muitos planetas terão escapado a estes métodos de detecção.

Uma equipa internacional de astrónomos procurou exoplanetas utilizando um método totalmente diferente - as microlentes gravitacionais - o qual permite detectar planetas num grande intervalo de massas e também os que se encontram muito mais afastados das suas estrelas.

Arnaud Cassan (Institut d’Astrophysique de Paris), autor principal do artigo na Nature explica: “Durante seis anos procurámos evidências de exoplanetas a partir de observações de microlentes. Curiosamente, os dados mostram que os planetas são mais comuns na nossa galáxia do que as estrelas. Descobrimos também que os planetas mais leves, tais como as Super-Terras ou Neptunos frios, são mais comuns do que os planetas mais pesados.”

Os astrónomos utilizaram observações, fornecidas pelas equipas PLANET e OGLE (*2) ,  nas quais os exoplanetas são detectados pelo modo como o campo gravitacional das suas estrelas, combinado com o de possíveis planetas, actua como uma lente, ampliando a luz de uma estrela de campo de fundo. Se a estrela que actua como uma lente tem um planeta em órbita, esse planeta pode contribuir de forma detectável ao efeito de brilho provocado na estrela de fundo.

Jean-Philippe Beaulieu (Institut d’Astrophysique de Paris), líder da rede PLANET acrescenta: ”A rede PLANET foi fundada para seguir os efeitos de microlente que se mostravam promissores, com uma rede de telescópios em todo o mundo, situados no hemisfério sul, desde a Austrália e África do Sul até ao Chile. Os telescópios do ESO contribuíram de forma significativa para estes rastreios.”

As microlentes gravitacionais  são uma ferramenta poderosa, com o potencial de conseguirem detectar exoplanetas que não poderiam ser descobertos de outro modo. No entanto, é necessário o alinhamento, bastante raro, entre a estrela de fundo e a estrela que actua como lente para que possamos observar este evento. E para descobrir um planeta é preciso ainda que a órbita do planeta se encontre igualmente alinhada com a das estrelas, o que é ainda mais raro.

Embora encontrar um planeta por meio de microlente esteja longe de ser uma tarefa fácil, nos seis anos de procura utilizando dados de microlente para a análise, três exoplanetas foram efectivamente detectados nas buscas PLANET e OGLE: uma Super-Terra (planeta com uma massa entre duas a dez vezes a da Terra) e planetas com massas comparáveis à de Neptuno e de Júpiter. Em termos de microlente este é um resultado excepcional. Ao detectar três planetas, ou os astrónomos tiveram imensa sorte e acertaram no jackpot apesar da baixa probabilidade, ou os planetas são tão abundantes na Via Láctea que este resultado era praticamente inevitável

Os astrónomos combinaram seguidamente a informação sobre os três exoplanetas detectados com sete anteriores detecções e com um enorme número de não-detecções durante os seis anos do trabalho. A conclusão foi que uma em cada seis estrelas estudadas possui um planeta com massa semelhante à de Júpiter, metade têm planetas com a massa de Neptuno e dois terços têm Super-Terras. O rastreio era muito sensível a planetas situados entre 75 milhões de quilómetros e 1.5 mil milhões de quilómetros de distância às suas estrelas (no Sistema Solar estes valores correspondem a todos os planetas entre Vénus e Saturno) e com massas que vão desde cinco massas terrestres até dez massas de Júpiter.

A combinação destes resultados sugere que o número médio de planetas em torno de uma estrela seja maior que um. Ou seja, os planetas serão a regra e não a excepção.

“Anteriormente pensava-se que a Terra seria única na nossa Galáxia. Mas agora parece que literalmente milhares de milhões de planetas com massas semelhantes à da Terra orbitam estrelas da Via Láctea,” conclui Daniel Kubas, co-autor do artigo científico.

Comunicado de imprensa da ESO

Este trabalho foi apresentado no artigo científico, “One or more bound planets per Milky Way star from microlensing observations”, por A. Cassan et al., no número de 12 de Janeiro de 2012 da revista Nature.

[*1] A missão Kepler está a descobrir um número enorme de candidatos a exoplanetas, os quais não se encontram incluídos neste  número.
[*2] Sigla do inglês “Probing Lensing Anomalies NETwork”. Mais de metade dos dados do rastreio PLANET utilizados neste estudo foram obtidos com o telescópio dinamarquês de 1.54 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO./ OGLE: Sigla do inglês “Optical Gravitational Lensing Experiment”.

Foto: ESO

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

3 meses

In Memoriam Jorge
Jorge, il restera de toi, mon ami
tout ce que tu nous as donné,
ta joie, ton rire, ta vie,
ton cœur et ton amitié.

Oú tes pas t’on guidé ta vie durant

il restera de toi les traces de ton courage
et de ta générosité, comme des fleurs qui jamais ne fanerons,
comme le soleil qui renait à chaque nouveau jour sur la plage.

Rien de ce que tu as vécu n’a été vain

et tout l’ amour que tu as semé,
et toutes les passions que tu partageais
- Ines, ta famille, tes amis, U2, la vie et le vin -

Germeront et fleurirons en nous et en d’autres vies.

Et l’absence cruelle qui tu laisse
n’est rien à côté de tout ce que tu nous a appris.

Et avec cette amitié que tu nous as offert

nous aussi nous tendrons les bras aux mendiants du bonheur
pour partager avec eux les secrets de ton cœur.


José Luís Correia

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pessoa: As ideias, as sensações, a sociedade e arte

(...) As sociedades são conduzidas por agitadores de sentimentos, não por agitadores de ideias. Nenhum filósofo fez caminho senão porque serviu, em todo ou em parte, uma religião, uma política ou outro qualquer modo social do sentimento.

Se a obra de investigação, em matéria social, é portanto socialmente inútil, salvo como arte e no que contiver de arte, mais vale empregar o que em nós haja de esforço em fazer arte, do que em fazer meia arte.  (...)"
 
Fernando Pessoa, 
(Notas Autobiográficas e de Autognose)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

E se o Luxemburgo desaparecesse?

Nos seus novos romances, dois autores luxemburgueses imaginam o desaparecimento do Grão-Ducado nas tribulações económicas mundiais que vão assolar o mundo nos próximos anos e décadas.Em "La Troisième Crise" (Ed. Phi), de Jean-Louis Schlesser, a acção decorre no Verão de 2012 e activistas luxemburgueses fazem explodir uma bomba nos Jogos Olímpicos de Londres.

Tudo porque as instituições europeias desertaram o Luxemburgo, o que provocou a eclosão da bolha imobiliária e o aumento do desemprego para mais de 25 % no país. A única salvação do Grão-Ducado, acreditam estes activistas, é o Luxemburgo tornar-se a capital de um novo território, a Grande Região, numa espécie de "Império Europeu do Meio", que é um velho sonho medieval de uma grande Borgonha unida.

No romance "2129-Chasse à l'homme de l'art" (Éditions de l'officine), Enrico Lunghi imagina, no séc. XXII, um Grão-Ducado desmembrado, fazendo parte da província SarreLorLux.

Na capital grã-ducal, a Gëlle Fra foi substituída por uma estátua de Juncker, e apenas os funcionários públicos ainda falam luxemburguês. O centro da capital tornou-se uma kasbah multirracial, onde se fala mandarim, hindi e ... português. No Kirchberg, Pedro, um milionário ermita português, transformou o Mudam em palácio privado, de onde observa e manda na cidade, como se fosse o seu feudo reservado.


José Luís Correia
(in Point24-edição portuguesa, de 06/01/2012)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A década de euro, e agora ?

Há exactamente 10 anos guardei os francos luxemburgueses, franceses, belgas, os marcos, as pesetas e os escudos numa gaveta, saí eufórico e fui atestar o meu carro com euros pela primeira vez. O gasóleo custava então 0,7 euros. Dez anos volvidos, vale a pena eu continuar a ser um euro-optimista?

Quando hoje criticamos o euro pela subida dos preços, um aumento atestado por todos os estudos feitos sobre o assunto, esquecemos o positivo que a moeda única trouxe.

Nunca mais tivemos que transportar meia-dúzia de porta-moedas com diferentes divisas ao viajar pela Europa, nem nunca mais fomos « roubados »  no câmbio. Câmbio, aí está uma palavra que não digo há muito. Fazer parte da união económica e monetária protegeu-nos também da onda de choque da crise financeira de 2008, que chegou até nós, sim, mas muito mais tarde e já menos devastadora. Pertencermos ao euro permitiu também manter as taxas de juro baixas até 2010 e 2011, em certos países da zona euro, e isto apesar da crise.

Não esqueçamos também o prestígio que a nossa moeda comum adquiriu nos mercados internacionais, graças ao seu equilíbrio e ao peso político da Europa. Hoje o euro está ligado a 42 países do mundo : os 17 países da zona euro ;  os seis estados europeus não-comunitários que adoptaram o euro como moeda principal ou segunda moeda nacional ; e 19 países africanos (entre eles, Cabo Verde) e do Pacífico, que ligaram a sua moeda ao euro. O sucesso do euro fez até com que seis países do Golfo Pérsico se pusessem a pensar em criar uma moeda comum, que os libertasse do « dólar ».

Mas, passada a década de e(o)uro dos anos dois mil, a nossa moeda enfrenta agora, no início dos anos dez, uma grande crise, a « Grande Recessão », como lhe chamam já alguns economistas. A forma como vai ser resolvida esta crise, nos próximos meses e anos, vai reforçar ou fragilizar irremediavelmente a UE. O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, bem o clama : « A crise não é do euro, é de países como Portugal e Grécia », e é para esse problema que é preciso encontrar uma solução. 

Há os que são apologistas da « solução islandesa ». A Islândia, que viveu a falência do Estado em 2008, conseguiu reerguer-se, após três anos de rigor. Num momento em que a UE enfrenta 2012 ainda em recessão, a pequena ilha aponta para um crescimento económico de 3%. Qual é o milagre de Reykjavik ? O Estado islandês decidiu não salvar os bancos em crise, exactamente o contrário do que fez a UE. Melhor, o Estado islandês decidiu não salvar os accionistas, mas proteger os clientes. Mas fazer isso a nível europeu teria um efeito de contágio entre bancos, o que só contribuiria para alastrar ainda mais a crise.

Para escapar à crise da zona euro, há países que já equacionaram abandonar o euro e voltar às suas antigas moedas fortes nacionais, para se protegerem das turbulências dentro da eurozona . Outros falam em expulsar do grupo os maus alunos, como Atenas e Lisboa, e os que se seguirem. É a proposta Merkozy. Economistas como Barry Eichengreen (“The Breakup of the Euro Area », 2007), da Universidade de Berkeley, ou Michel Dévoluy (« L’euro est-il un échec ? », 2011), da Universidade de Estrasburgo, imaginaram o que poderia suceder se isso viesse a acontecer e ambos afirmam que a saída forçada do euro teria consequências nefastas para um estado-membro, mas também para a UE.
Foto:Anouk Antony/LW

Quer seja a Grécia, Portugal ou outro país, regressar, neste contexto de crise, à moeda nacional significaria forçosamente desvalorizar a divisa, e viver-se-ia uma corrida desenfreada aos bancos por parte dos clientes,  que não quereriam perder poder de compra. O que poderia conduzir à fragilização ou mesmo à falência de alguns bancos. Acrescente-se a isso uma forte inflação, fuga dos investidores, aumento das taxas de juro. Se a dívida fosse reestruturada (como fez a Argentina em 2002), por forma a que 1 euro passasse a valer, por exemplo, 20 escudos, em vez de 200 (fosse isso sequer possível !), a medida poderia parecer benéfica para o país, num primeiro tempo, porque diminuiria artificialmente a dívida, mas custar-lhe-ia a credibilidade junto dos mercados financeiros, e a economia sofreria uma forte travagem.  O regresso à divisa nacional custaria também extremamente caro em: fabrico da nova moeda fiduciária, a sua colocação em circulação, reconversão de todo o sistema monetário e financeiro, a redefinição de uma política monetária nacional. Recordemos o tempo e o dinheiro que custou a introdução do euro. A conversão de todos os preços e salários, só por si, poderia levar a tensões sociais ainda mais graves do que as que o país enfrenta hoje. E o élan nacional pretendido não aconteceria.

Nas relações exteriores, entre o estado « expulso » da zona euro e os que o teriam deixado à sua sorte, poderiam mesmo nascer tensões e novos nacionalismos, desaparecidos desde o séc. XIX e XX. O país expulso poderia mostrar-se cada vez mais reticente também em aceitar o controlo da UE e , in fine,  poderia até decidir sair da UE. É verdade que hoje há estados-membros dentro da UE e fora do euro, mas são-no por opção e sem contenciosos pelo meio. A saída forçada ou voluntária do euro seria profundamente negativa para a imagem da moeda única e da UE. A força e o prestígio da UE e da sua divisa vêm-lhe sobretudo da imagem de equilíbrio económico, geopolítico e de ajuda mútua que os seus estados-membros devem uns aos outros.

Para Dévoluy pode vir a ser decidida uma divisão da Eurozona em dois grupos. Por um lado, estados que optassem por uma governância económica comum e mais federalismo. Por outro, estados que regressassem às suas moedas nacionais. Mas esta Europa a duas velocidades, decidida em época de crise, poderia ser vista como a tentativa de salvar os bons alunos e de ostracizar os maus, o que descredibilizaria a UE.
Dévoluy considera que uma das soluções à crise do euro é mais federalismo, mas isso implica um novo paradigma político para a UE, mais do que propriamente económico. Dévoluy preconiza a troca da doutrina néoliberal da UE por uma « ordoliberal » , i.e., uma doutrina económica baseada na estabilidade dos preços e na « virtude orçamental ». Ou seja, liberal, mas com ordem, com regras, que evitem as derivas dos mercados. Foi esta « terceira via », situada a meio caminho entre o socialismo e o capitalismo, que permitiu “o milagre económico alemão » após a Segunda Guerra Mundial.

Mas a actual posição do Reino Unido, que bloqueou a possibilidade de uma maior governância económica comum, parece ter deixado o euro num impasse.

Tanto Eichengreen como Dévoluy alertam: é preciso salvar o euro, porque o seu fim provocaria a maior de todas as crises, e até conduzir ao fim da UE.

José Luís Correia
in CONTACTO, 04/01/2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Duas actrizes que sigo com muito interesse

Emma Stone, 23 anos, vista em "Easy A" (2010) e "Friends with Benefits" (2011)

Jayma Mays , 32 anos, vista em "Heroes" (2006-2010) e "Glee" (2009-)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal 1979, Luxemburgo

Um manto alvo cobre generosamente Rodange, e os moradores desbastaram a neve do chão criando grandes montes sujos de branco e negro entre o passeio e a estrada. Avisto a escola ao longe, mas estou feliz por estar de férias, e imagino que aqueles montes são os Himalaias gélidos e eu um intrépido explorador. Subo ao tecto do mundo e avisto o fundo da rua, onde moro, e calculo que a jornada vai demorar pelos menos mais algumas semanas. Escorrego numa ravina traiçoeira abaixo e a luta pela sobrevivência começa. Chego a casa sujo e molhado, com o nariz empendernido e vermelho, com medo da tareia que adivinho. Mas assim que entro em casa paira um agradável odor a filhozes, a leite quente com noz moscada.

Quando era criança, a época natalícia em minha casa começava muitas semanas antes da data festiva. A minha mãe cozinhava dias inteiros para fazer filhoses e outros doces. Fazia travessas e travessas. Dava para partilhar com os vizinhos, com os primos e cheguei até a levar para a escola, num dia em que tivemos que apresentar as tradições natalícias dos países de onde éramos originários. Os meus colegas de turma luxemburgueses faziam caretas ao pronunciarem a palavra “fi-lô-séch”, mas só à primeira, porque depois de provarem a pronúncia vinha-lhes com mais naturalidade.

Mais tarde, descobri que essas nuvens retorcidas, estaladiças e generosamente polvilhadas de açúcar em pó, que no Alentejo de onde a minha mãe é originária, se chamam filhoses, têm noutras terras portuguesas o nome de coscorõese, e podem ter as mais variadas formas e ingredientes.

Eu gostava de ver a minha mãe a cozinhar longas horas. Em casa, durante semanas pairavam aromas adocicados, que tornavam o Inverno luxemburguês lá fora menos frio.

Na noite da consoada, a casa enchia-se de família e amigos, risos e conversas soltas. Havia lombo assado e batatas no forno, sonhos, coscorões, Dom Rodrigos e pastéis de batata doce algarvios, e o meu pai servia o seu melhor Medronho, trazido secretamente no Verão anterior, escondido no fundo falso de uma mala de cartão para escapar aos agentes das alfândegas.

in "Diário Incidental"
Weimeriskirch, 24.12.2011
(foto: JLC)

Ho, ho, ho... Feliz Natal a todos! E Paz na Terra aos Homens e às Mulheres de boa vontade!


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Le Monde designa artista chinês Ai Weiwei como personalidade de 2011

O jornal francês Le Monde elegeu hoje o artista dissidente chinês Ai Weiwei a personalidade de 2011, num ano em que os protagonistas foram “as revoltas”.

O Le Monde destacou que mais do que ser uma “estrela da arte contemporânea, como Damien Hirst, Jeff Koons ou Maurizio Cattelan”, o artista chinês converteu-se no “arauto de uma nova dissidência que se expressa, sobretudo, através da Internet”.

“Como os anónimos de Tunis e do Cairo, os ‘indignados’ de Madrid ou Wall Street, Ai Weiwei representa, à sua maneira, lúdica e rebelde, o impulso que leva um homem sem qualidade a converter-se no sujeito da sua própria história”, resumiu o jornal.

O artista chinês realizou este ano uma exposição na Modern Tate de Londres e em abril foi detido quando se preparava para deixar a China, tendo ficado preso durante três meses, o que desencadeou uma onda de indignação e de solidariedade por todo o mundo.

Depois de libertado, foi acusado de fraude fiscal e intimado pelo fisco chinês a pagar 1,7 milhões de euros, mas conseguiu recorrer pagando cerca de metade do valor através de milhares de doações. O artista tem afirmado que o imposto foi uma forma de o silenciar.

Em outubro, Ai Weiwei, 54 anos, foi eleito a personalidade do ano mais influente do mundo da arte pela revista britânica Art Review.

Em 2010, o Le Monde elegeu o australiano Julian Assange, fundador do portal Wikileaks, como figura do ano. Um ano antes, em 2009, foi o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva quem inaugurou a distinção anual do diário francês.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Aníbal Coimbra, um campeão do mundo ignorado na Gala da Sportpress


Aníbal Coimbra coloca bem alto as cores da bandeira luxemburguesa e do seu clube, o Hamm, cada vez que compete no estrangeiro, que arrecada uma medalha, que bate um record, que brilha nos rankings internacionais. O nome é português, mas o hino que soa nos pódios dos quatro cantos do Mundo é luxemburguês.

O tondelense venceu já 14 títulos de campeão do Luxemburgo. 14! Seguiram-se os de campeão da Grande Região, e de campeão da Europa em 2007 e 2010. Em Novembro conseguiu, entre a elite mundial da modalidade, o título de campeão do Mundo.

No entanto, os seus feitos continuam a ser ignorados pelos responsáveis que dizem representar e dignificar o mundo do desporto no Luxemburgo.

O exemplo mais gritante foi a gala promovida pelos jornalistas da imprensa desportiva luxemburguesa "Sportpress", que teve lugar a 8 de Dezembro, em Mondorf (ver edição do CONTACTO de 14/12/2011), na qual estes distinguem anualmente os "melhores desportistas do ano no Luxemburgo". Em anos anteriores, ignoraram o palmarés nacional e europeu de Aníbal Coimbra. Este ano, o título de campeão mundial parece também não ter pesado!?...

Sem desprimor para os galardoados deste ano da Sportpress – entre os quais Andy Schleck (2° na Volta à França em Bicicleta em 2011), a tenista Mandy Minella (n°110 mundial) e a Selecção Luxemburguesa de Futebol (n°127 mundial) –, penso que não deviam ter esquecido Aníbal Coimbra. Afinal trata-se de um campeão mundial. A não ser que os prémios sejam apenas para "os melhores luxemburgueses do ano". Nuance difícil de entender para quem tanto prestígio traz ao Grão-Ducado. Ou foi esquecimento? O que é pior?

Talvez para reparar a injustiça, a Federação Luxemburguesa de Powerlifting resolveu homenagear o atleta português, uma semana depois da gala da Sportpress. Mas o ministro dos Desportos não se deslocou, como o fizera para a Sportpress, enviou um representante. Na gala da Sportpress estiveram presentes 700 convidados. Na discreta cerimónia de Aníbal, cerca de 30.

Em Novembro, a CCPL não esqueceu Aníbal Coimbra e distinguiu-o com um merecido Prémio Personalidade. Da comunidade, o atleta já tem o reconhecimento. Falta agora recebê-la das instâncias nacionais do Luxemburgo.  

José Luís Correia 
Foto: Á. Cruz
in CONTACTO, 21/12/2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Descobertos os dois mais pequenos planetas fora do Sistema Solar, em Kepler 20

Astrónomos descobriram os dois mais pequenos planetas fora do Sistema Solar, com dimensões semelhantes às da Terra e a orbitar uma estrela parecida com o Sol, revela esta semana a revista científica Nature, citada pelas agências internacionais.

O método de precisão usado permitiu à sonda norte-americana Kepler, da NASA, detectar os pequenos exoplanetas [planetas fora do sistema solar], que orbitam uma estrela baptizada Kepler 20.

O diâmetro de um dos pequenos planetas ultrapassa pouco mais (três por cento) o da Terra e o do outro é ligeiramente mais pequeno (três por cento) que o do ‘planeta azul’.

Bem mais próximos da sua estrela do que a Terra do Sol, os dois novos exoplanetas percorrem a sua órbita em menos de uma semana ou um mês. São rochosos como a Terra, mas as suas temperaturas à superfície são demasiado elevadas para permitir vida como a conhecemos.

O sistema extra-solar da estrela Kepler 20, situado a mil anos-luz da Terra, inclui mais três planetas, maiores, com tamanho similar ao de Neptuno.

Mais de 500 exoplanetas descobertos e confirmados desde 1995, mas a vida é apenas possível em... 3

De acordo com os astrónomos, actualmente apenas três exoplanetas se encontram na “zona habitável” (goldilock zone), onde a água pode ser detectada em estado líquido e, desta forma, a vida, como a conhecemos, ser possível: Kepler 22, a cerca de 600 anos-luz da Terra, e Gliese 581d e HD 85512b, a dezenas de anos-luz da Terra.

Lançada em Março de 2009, a sonda Kepler tem por missão observar mais de cem mil estrelas semelhantes ao Sol, visando a detecção de "exoplanetas-irmãos" da Terra susceptíveis de acolher vida.

A sonda já descobriu 28 exoplanetas e recenseou 3.326 “planetas candidatos”, que continuam por confirmar por outros métodos.

Fontes: NASA e LUSA

sábado, 17 de dezembro de 2011

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

As últimas revelações sobre as Pirâmides do Egipto - um filme de Patrice Pooyard



Este filme de 2011, de uma equipa francesa, narrado em inglês, fala das novas revelações matemáticas descobertas nas Grande Piramide de Khéops (construida há + de 4 mil anos) e de uma possível mensagem que esta pode incluir. Além de Pi e do número de ouro, a pirâmide integraria o valor da velocidade da luz, o valor do metro (invenção do séc. XVIII) entre outras revelações ... A ver, e depois cada um tira as suas conclusões. 
Um filme de Patrice Pooyard, baseado num livro de Jacques Grimault.
 



sábado, 10 de dezembro de 2011

Elisabeth Cardoso fala com vinte personalidades francesas sobre a morte


Personalidades francesas da televisão, das letras, das ciências, tão conhecidas como Philippe Bouvard, Jacques Duquesne, Albert Jacquard ou Claude Sarraute, falam do sensível tema da morte. Quem os entrevista é uma luxemburguesa de origem portuguesa, Elisabeth Cardoso, no seu livro "Espérance de Vie".

Em "Espérance de Vie" (Esperança de Vida), editado em Novembro pelas "Presses du Châtelet", Elisabeth Cardoso conversou com 20 individualidades francesas sobre a morte: Raymond Aubrac, Etienne-Emile Baulieu, Philippe Bouvard, Christian Cabrol, Gisèle Casadesus, Thérèse Clerc, François de Closets, Alain Decaux, Danièle Delorme, Jacques Duquesne, Josy Eisenberg, Albert Jacquard, Bernard Joinet, Amadou-Mahtar M'Bow, René de Obaldia, Monique Pelletier, Rémy Robinet-Duffo, Claude Sarraute, Frédérick Tristan e Michel Wagner. O mais "jovem" tem 78 anos, a mais idosa, 98. Todos já ultrapassaram a "esperança média de vida".

Elisabeth Cardoso Jordão nasceu em Esch/Alzette há 38 anos, de pais alentejanos. Fez os estudos universitários em França, depois ingressou na carreira diplomática luxemburguesa, primeiro na Direcção da Cooperação ao Desenvolvimento (responsável por Cabo Verde e pelas relações multilaterais) e depois como n°2 da Embaixada do Luxemburgo em Paris. Desde Setembro, trabalha na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos), em Paris, como "policy analyst".

Quando lhe perguntamos porque razão optou por escrever um livro sobre a morte, algo tão longe do seu universo profissional, e logo no seu livro de estreia, responde: "É a primeira pergunta que todos me fazem, como se fosse uma coisa estranha falar da morte. Ninguém pode dizer que nunca pensa nela, sem que isso queira dizer que está obcecado pelo tema. Quis fazer um livro com questões simples, mas que fale do medo da morte e do sentido da vida. Quando ouço falar em 'esperança média de vida', pergunto-me como se sentirão as pessoas que atingiram essa idade, e que, estatisticamente, deveriam estar a morrer? Como conseguem viver com a ideia que chegaram ao fim da vida, que vai acabar? Têm medo? E se têm, como fazem? Partiu daí a ideia do livro", conta.

O painel de entrevistados surgiu naturalmente. "O conceito era entrevistar pessoas de horizontes diversos que atingiram ou ultrapassaram a idade da esperança média de vida. Eu vivo em França e pareceu-me mais prático entrevistar personalidades francesas. A ideia inicial era misturar anónimos e famosos, mas por razões comerciais o editor achou que o livro devia conter só famosos. No final, consegui mesmo assim introduzir uma ou outra pessoa que não é conhecida do grande público."

Elisabeth diz ter escrito a uma centena de personalidades e estas 20 foram as que lhe responderam. São actores, políticos, intelectuais, artistas, jornalistas, cientistas. Alguns são ateus, outros agnósticos, há católicos praticantes e não praticantes, judeus (entre eles, um rabino) e muçulmanos. "Eu queria saber se com a idade a vida assume um certo sentido, e perguntar quais são as lições que as pessoas tiraram da vida, o que as fez feliz. Era essencial ter o maior número possível de pontos de vista: homens, mulheres, ateus e crentes, de religiões diferentes e das profissões mais diversas."

E a autora, pensa frequentemente na morte?, queremos saber. "Regularmente pergunto-me a mim mesma: estás a agir e a viver de maneira a não te arrependeres de nada quando morreres, ou quando as pessoas de quem gostas morrerem? Hoje, tenho menos medo da minha morte do que da dos meus próximos. Mas penso que quando chegar o momento de morrer, vou estar aterrorizada. O Albert Jacquard [ um dos entrevistados no livro, n.d.R. ] fala do 'prazer da lucidez'. Não gosto nada da ideia de ter que morrer, mas também não quero mentir-me a mim mesma. Sei que não vou escapar, então prefiro enfrentar a ideia e preparar-me para as coisas que posso prever (enterro, doação de órgãos, etc.), para depois já não precisar de pensar nelas. Falo sobre a minha morte com facilidade se penso nela, ou se me vejo confrontada com a morte dos outros. Mas, por vezes, o mais difícil não é falar, é encontrar uma pessoa que esteja à vontade para ouvir, dialogar. Até posso rir da morte. Mas francamente, a maior parte do tempo, penso e faço mil outras coisas. Vivo, simplesmente."

Este livro não foi, diz Elisabeth, uma busca existencial, mas admite que as suas próprias convicções saíram reforçadas. "A expressão 'busca existencial' tem uma conotação quase filosófica e um pouco grandíloqua. O meu objectivo não era encontrar respostas. Era mais curiosidade por ver como pensam os outros. Nesse sentido, foi um exercício muito interessante. Eu tenho a minha própria visão e as minhas convicções sobre a morte em geral, e a minha em particular. As respostas dos entrevistados, de uma certa maneira, fortaleceram nas minhas convicções. E talvez esteja um pouco mais serena por ver que se pode ser muito velho sem se estar desesperado, e que não vale a pena passar muito tempo a angustiar-se porque isso não muda nada."

Das entrevistas percebeu ainda que se a morte ainda é um tabu, também o é porque há medo e sofrimento ligados a esta.

"Ninguém sabe muito bem o que dizer a um adulto que tem medo ou que sofre além de 'deixa lá, isso vai arranjar-se', ou 'é a vida!'. Como não sabemos como reagir, sentimo-nos desconfortáveis e preferimos fugir à conversa, virar as costas, não pensar mais nisso. E isso, é tabu. É humano. Penso que confessar que se tem medo não é uma fraqueza, pelo contrário. E acho que aqueles que têm medo devem poder encontrar um ouvido que os ouça."

Stéphane Hessel, que assina o prefácio do livro de Elisabeth, conclui que a diversidade destas entrevistas mostra que "a morte não é uma, mas múltipla". "E o que pode a morte trazer-nos?", questiona Hessel. E responde, citando Goethe: "Mehr Licht!" (Mais luz!).

No Luxemburgo, o livro faz parte do catálogo da Livraria Ernster.

José Luís Correia
in CONTACTO, 07/11/2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Paulo Lobo lança hoje livro sobre arquitectura luxembuirguesa


O fotógrafo português residente no Luxemburgo Paulo Lobo lança hoje um novo livro, intitulado "12 bâtiments remarquables au Luxembourg" (12 edifícios de excepção no Luxemburgo).

Com o prefácio do historiador Robert Philippart, o livro apresenta uma selecção de 12 edifícios de excepção, castelos, cidades burguesas, fábricas e outros edifícios emblemáticos do Grão-Ducado do Luxemburgo. Um olhar fotográfico original, atento tanto às formas como aos materiais presentes na história. Um livro agradável que vai deliciar todos os amantes da história e da arquitectura.

Os 12 edifícios são o castelo de Vianden, o Liceu Clássico de Echternach, o castelo de Bourglinster, o castelo de Beggen, a Gare da cidade do Luxemburgo, a Villa Pauly, a Villa Louvigny, o castelo de Ansembourg, o castelo de Hollenfels, os "Rackés Millen", o moinho de Asselborn e a abadia de Saint-Maurice.

O Grão-Ducado está repleto de edifícios históricos que carregam consigo o testemunho de uma época, de um génio construtivo e de um estilo de vida que se perde no tempo. O livro "12 bâtiments remarquables au Luxembourg" é um reflexo de 12 manifestações vivas do património arquitectónico que se oferecem a uma revisita original, com um olhar fotográfico e contemplativo.

Os leitores são convidados a uma verdadeira passeata através de imagens reais em torno desses edifícios emblemáticos. Do majestático castelo de Vianden até aos recônditos da Villa Pauly, passando pela trepidação diária da estação central da capital, estes edifícios, públicos ou privados, industriais ou sagrados, fazem indubitavelmente parte da memória colectiva do país. Construídos para durar, foram postos à prova durante séculos e transmitidos de geração em geração, com maior ou menor respeito, maior ou menor integridade.

Hoje, os edifícios antigos são um legado de valor inestimável. A sua salvaguarda é certamente um investimento para o futuro, mas não basta preservar estas construções em termos materiais: é necessário também saber ver e ouvi-las. Este livro é tanto uma homenagem aos construtores do passado, como uma redescoberta poética de edifícios carregados de significado e vida.

Paulo Lobo nasceu em Portugal em 1964 mas vive no Luxemburgo desde os seis anos. Fascinado desde sempre pela fotografia, Lobo desenvolveu o seu olhar fotográfico principalmente como um autodidacta. Conta já com uma série de exposições individuais e colectivas. Desde 2007 trabalha como repórter e fotógrafo para a empresa LuxEdit.

"12 bâtiments remarquables au Luxembourg" está escrito em francês, alemão e inglês e encontra-se disponível a partir desta sexta-feira em qualquer livraria do Luxemburgo.  

Henrique de Burgo
in CONTACTO
07/11/2011