sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dois terços das estrelas têm Super-Terras ou Estrelas com planetas são a regra e não a excepção

Uma equipa internacional, que inclui três astrónomos do Observatório Europeu do Sul (ESO), utilizou a técnica de microlente gravitacional para determinar quão comuns são os planetas na Via Láctea. Após uma busca que durou seis anos e onde observaram milhões de estrelas, a equipa concluiu que os planetas em torno de estrelas são a regra e não a excepção. 

Durante os últimos 16 anos, os astrónomos detectaram mais de 700 exoplanetas(*1) (planetas fora do sistema solar) e começaram a estudar os espectros e as atmosferas desses mundos. Embora o estudo das propriedades dos exoplanetas individuais seja extremamente importante, uma questão básica permanece: quão comuns são os planetas na Via Láctea?

A maioria dos exoplanetas conhecidos foram encontrados ou pelo efeito gravitacional que exercem sobre a sua estrela ou por passagem em frente da estrela diminuindo-lhe ligeiramente o brilho. Ambas as técnicas são muito mais sensíveis a planetas que ou são de grande massa ou se encontram próximo das suas estrelas. Por consequência, muitos planetas terão escapado a estes métodos de detecção.

Uma equipa internacional de astrónomos procurou exoplanetas utilizando um método totalmente diferente - as microlentes gravitacionais - o qual permite detectar planetas num grande intervalo de massas e também os que se encontram muito mais afastados das suas estrelas.

Arnaud Cassan (Institut d’Astrophysique de Paris), autor principal do artigo na Nature explica: “Durante seis anos procurámos evidências de exoplanetas a partir de observações de microlentes. Curiosamente, os dados mostram que os planetas são mais comuns na nossa galáxia do que as estrelas. Descobrimos também que os planetas mais leves, tais como as Super-Terras ou Neptunos frios, são mais comuns do que os planetas mais pesados.”

Os astrónomos utilizaram observações, fornecidas pelas equipas PLANET e OGLE (*2) ,  nas quais os exoplanetas são detectados pelo modo como o campo gravitacional das suas estrelas, combinado com o de possíveis planetas, actua como uma lente, ampliando a luz de uma estrela de campo de fundo. Se a estrela que actua como uma lente tem um planeta em órbita, esse planeta pode contribuir de forma detectável ao efeito de brilho provocado na estrela de fundo.

Jean-Philippe Beaulieu (Institut d’Astrophysique de Paris), líder da rede PLANET acrescenta: ”A rede PLANET foi fundada para seguir os efeitos de microlente que se mostravam promissores, com uma rede de telescópios em todo o mundo, situados no hemisfério sul, desde a Austrália e África do Sul até ao Chile. Os telescópios do ESO contribuíram de forma significativa para estes rastreios.”

As microlentes gravitacionais  são uma ferramenta poderosa, com o potencial de conseguirem detectar exoplanetas que não poderiam ser descobertos de outro modo. No entanto, é necessário o alinhamento, bastante raro, entre a estrela de fundo e a estrela que actua como lente para que possamos observar este evento. E para descobrir um planeta é preciso ainda que a órbita do planeta se encontre igualmente alinhada com a das estrelas, o que é ainda mais raro.

Embora encontrar um planeta por meio de microlente esteja longe de ser uma tarefa fácil, nos seis anos de procura utilizando dados de microlente para a análise, três exoplanetas foram efectivamente detectados nas buscas PLANET e OGLE: uma Super-Terra (planeta com uma massa entre duas a dez vezes a da Terra) e planetas com massas comparáveis à de Neptuno e de Júpiter. Em termos de microlente este é um resultado excepcional. Ao detectar três planetas, ou os astrónomos tiveram imensa sorte e acertaram no jackpot apesar da baixa probabilidade, ou os planetas são tão abundantes na Via Láctea que este resultado era praticamente inevitável

Os astrónomos combinaram seguidamente a informação sobre os três exoplanetas detectados com sete anteriores detecções e com um enorme número de não-detecções durante os seis anos do trabalho. A conclusão foi que uma em cada seis estrelas estudadas possui um planeta com massa semelhante à de Júpiter, metade têm planetas com a massa de Neptuno e dois terços têm Super-Terras. O rastreio era muito sensível a planetas situados entre 75 milhões de quilómetros e 1.5 mil milhões de quilómetros de distância às suas estrelas (no Sistema Solar estes valores correspondem a todos os planetas entre Vénus e Saturno) e com massas que vão desde cinco massas terrestres até dez massas de Júpiter.

A combinação destes resultados sugere que o número médio de planetas em torno de uma estrela seja maior que um. Ou seja, os planetas serão a regra e não a excepção.

“Anteriormente pensava-se que a Terra seria única na nossa Galáxia. Mas agora parece que literalmente milhares de milhões de planetas com massas semelhantes à da Terra orbitam estrelas da Via Láctea,” conclui Daniel Kubas, co-autor do artigo científico.

Comunicado de imprensa da ESO

Este trabalho foi apresentado no artigo científico, “One or more bound planets per Milky Way star from microlensing observations”, por A. Cassan et al., no número de 12 de Janeiro de 2012 da revista Nature.

[*1] A missão Kepler está a descobrir um número enorme de candidatos a exoplanetas, os quais não se encontram incluídos neste  número.
[*2] Sigla do inglês “Probing Lensing Anomalies NETwork”. Mais de metade dos dados do rastreio PLANET utilizados neste estudo foram obtidos com o telescópio dinamarquês de 1.54 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO./ OGLE: Sigla do inglês “Optical Gravitational Lensing Experiment”.

Foto: ESO

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

3 meses

In Memoriam Jorge
Jorge, il restera de toi, mon ami
tout ce que tu nous as donné,
ta joie, ton rire, ta vie,
ton cœur et ton amitié.

Oú tes pas t’on guidé ta vie durant

il restera de toi les traces de ton courage
et de ta générosité, comme des fleurs qui jamais ne fanerons,
comme le soleil qui renait à chaque nouveau jour sur la plage.

Rien de ce que tu as vécu n’a été vain

et tout l’ amour que tu as semé,
et toutes les passions que tu partageais
- Ines, ta famille, tes amis, U2, la vie et le vin -

Germeront et fleurirons en nous et en d’autres vies.

Et l’absence cruelle qui tu laisse
n’est rien à côté de tout ce que tu nous a appris.

Et avec cette amitié que tu nous as offert

nous aussi nous tendrons les bras aux mendiants du bonheur
pour partager avec eux les secrets de ton cœur.


José Luís Correia

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pessoa: As ideias, as sensações, a sociedade e arte

(...) As sociedades são conduzidas por agitadores de sentimentos, não por agitadores de ideias. Nenhum filósofo fez caminho senão porque serviu, em todo ou em parte, uma religião, uma política ou outro qualquer modo social do sentimento.

Se a obra de investigação, em matéria social, é portanto socialmente inútil, salvo como arte e no que contiver de arte, mais vale empregar o que em nós haja de esforço em fazer arte, do que em fazer meia arte.  (...)"
 
Fernando Pessoa, 
(Notas Autobiográficas e de Autognose)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

E se o Luxemburgo desaparecesse?

Nos seus novos romances, dois autores luxemburgueses imaginam o desaparecimento do Grão-Ducado nas tribulações económicas mundiais que vão assolar o mundo nos próximos anos e décadas.Em "La Troisième Crise" (Ed. Phi), de Jean-Louis Schlesser, a acção decorre no Verão de 2012 e activistas luxemburgueses fazem explodir uma bomba nos Jogos Olímpicos de Londres.

Tudo porque as instituições europeias desertaram o Luxemburgo, o que provocou a eclosão da bolha imobiliária e o aumento do desemprego para mais de 25 % no país. A única salvação do Grão-Ducado, acreditam estes activistas, é o Luxemburgo tornar-se a capital de um novo território, a Grande Região, numa espécie de "Império Europeu do Meio", que é um velho sonho medieval de uma grande Borgonha unida.

No romance "2129-Chasse à l'homme de l'art" (Éditions de l'officine), Enrico Lunghi imagina, no séc. XXII, um Grão-Ducado desmembrado, fazendo parte da província SarreLorLux.

Na capital grã-ducal, a Gëlle Fra foi substituída por uma estátua de Juncker, e apenas os funcionários públicos ainda falam luxemburguês. O centro da capital tornou-se uma kasbah multirracial, onde se fala mandarim, hindi e ... português. No Kirchberg, Pedro, um milionário ermita português, transformou o Mudam em palácio privado, de onde observa e manda na cidade, como se fosse o seu feudo reservado.


José Luís Correia
(in Point24-edição portuguesa, de 06/01/2012)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A década de euro, e agora ?

Há exactamente 10 anos guardei os francos luxemburgueses, franceses, belgas, os marcos, as pesetas e os escudos numa gaveta, saí eufórico e fui atestar o meu carro com euros pela primeira vez. O gasóleo custava então 0,7 euros. Dez anos volvidos, vale a pena eu continuar a ser um euro-optimista?

Quando hoje criticamos o euro pela subida dos preços, um aumento atestado por todos os estudos feitos sobre o assunto, esquecemos o positivo que a moeda única trouxe.

Nunca mais tivemos que transportar meia-dúzia de porta-moedas com diferentes divisas ao viajar pela Europa, nem nunca mais fomos « roubados »  no câmbio. Câmbio, aí está uma palavra que não digo há muito. Fazer parte da união económica e monetária protegeu-nos também da onda de choque da crise financeira de 2008, que chegou até nós, sim, mas muito mais tarde e já menos devastadora. Pertencermos ao euro permitiu também manter as taxas de juro baixas até 2010 e 2011, em certos países da zona euro, e isto apesar da crise.

Não esqueçamos também o prestígio que a nossa moeda comum adquiriu nos mercados internacionais, graças ao seu equilíbrio e ao peso político da Europa. Hoje o euro está ligado a 42 países do mundo : os 17 países da zona euro ;  os seis estados europeus não-comunitários que adoptaram o euro como moeda principal ou segunda moeda nacional ; e 19 países africanos (entre eles, Cabo Verde) e do Pacífico, que ligaram a sua moeda ao euro. O sucesso do euro fez até com que seis países do Golfo Pérsico se pusessem a pensar em criar uma moeda comum, que os libertasse do « dólar ».

Mas, passada a década de e(o)uro dos anos dois mil, a nossa moeda enfrenta agora, no início dos anos dez, uma grande crise, a « Grande Recessão », como lhe chamam já alguns economistas. A forma como vai ser resolvida esta crise, nos próximos meses e anos, vai reforçar ou fragilizar irremediavelmente a UE. O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, bem o clama : « A crise não é do euro, é de países como Portugal e Grécia », e é para esse problema que é preciso encontrar uma solução. 

Há os que são apologistas da « solução islandesa ». A Islândia, que viveu a falência do Estado em 2008, conseguiu reerguer-se, após três anos de rigor. Num momento em que a UE enfrenta 2012 ainda em recessão, a pequena ilha aponta para um crescimento económico de 3%. Qual é o milagre de Reykjavik ? O Estado islandês decidiu não salvar os bancos em crise, exactamente o contrário do que fez a UE. Melhor, o Estado islandês decidiu não salvar os accionistas, mas proteger os clientes. Mas fazer isso a nível europeu teria um efeito de contágio entre bancos, o que só contribuiria para alastrar ainda mais a crise.

Para escapar à crise da zona euro, há países que já equacionaram abandonar o euro e voltar às suas antigas moedas fortes nacionais, para se protegerem das turbulências dentro da eurozona . Outros falam em expulsar do grupo os maus alunos, como Atenas e Lisboa, e os que se seguirem. É a proposta Merkozy. Economistas como Barry Eichengreen (“The Breakup of the Euro Area », 2007), da Universidade de Berkeley, ou Michel Dévoluy (« L’euro est-il un échec ? », 2011), da Universidade de Estrasburgo, imaginaram o que poderia suceder se isso viesse a acontecer e ambos afirmam que a saída forçada do euro teria consequências nefastas para um estado-membro, mas também para a UE.
Foto:Anouk Antony/LW

Quer seja a Grécia, Portugal ou outro país, regressar, neste contexto de crise, à moeda nacional significaria forçosamente desvalorizar a divisa, e viver-se-ia uma corrida desenfreada aos bancos por parte dos clientes,  que não quereriam perder poder de compra. O que poderia conduzir à fragilização ou mesmo à falência de alguns bancos. Acrescente-se a isso uma forte inflação, fuga dos investidores, aumento das taxas de juro. Se a dívida fosse reestruturada (como fez a Argentina em 2002), por forma a que 1 euro passasse a valer, por exemplo, 20 escudos, em vez de 200 (fosse isso sequer possível !), a medida poderia parecer benéfica para o país, num primeiro tempo, porque diminuiria artificialmente a dívida, mas custar-lhe-ia a credibilidade junto dos mercados financeiros, e a economia sofreria uma forte travagem.  O regresso à divisa nacional custaria também extremamente caro em: fabrico da nova moeda fiduciária, a sua colocação em circulação, reconversão de todo o sistema monetário e financeiro, a redefinição de uma política monetária nacional. Recordemos o tempo e o dinheiro que custou a introdução do euro. A conversão de todos os preços e salários, só por si, poderia levar a tensões sociais ainda mais graves do que as que o país enfrenta hoje. E o élan nacional pretendido não aconteceria.

Nas relações exteriores, entre o estado « expulso » da zona euro e os que o teriam deixado à sua sorte, poderiam mesmo nascer tensões e novos nacionalismos, desaparecidos desde o séc. XIX e XX. O país expulso poderia mostrar-se cada vez mais reticente também em aceitar o controlo da UE e , in fine,  poderia até decidir sair da UE. É verdade que hoje há estados-membros dentro da UE e fora do euro, mas são-no por opção e sem contenciosos pelo meio. A saída forçada ou voluntária do euro seria profundamente negativa para a imagem da moeda única e da UE. A força e o prestígio da UE e da sua divisa vêm-lhe sobretudo da imagem de equilíbrio económico, geopolítico e de ajuda mútua que os seus estados-membros devem uns aos outros.

Para Dévoluy pode vir a ser decidida uma divisão da Eurozona em dois grupos. Por um lado, estados que optassem por uma governância económica comum e mais federalismo. Por outro, estados que regressassem às suas moedas nacionais. Mas esta Europa a duas velocidades, decidida em época de crise, poderia ser vista como a tentativa de salvar os bons alunos e de ostracizar os maus, o que descredibilizaria a UE.
Dévoluy considera que uma das soluções à crise do euro é mais federalismo, mas isso implica um novo paradigma político para a UE, mais do que propriamente económico. Dévoluy preconiza a troca da doutrina néoliberal da UE por uma « ordoliberal » , i.e., uma doutrina económica baseada na estabilidade dos preços e na « virtude orçamental ». Ou seja, liberal, mas com ordem, com regras, que evitem as derivas dos mercados. Foi esta « terceira via », situada a meio caminho entre o socialismo e o capitalismo, que permitiu “o milagre económico alemão » após a Segunda Guerra Mundial.

Mas a actual posição do Reino Unido, que bloqueou a possibilidade de uma maior governância económica comum, parece ter deixado o euro num impasse.

Tanto Eichengreen como Dévoluy alertam: é preciso salvar o euro, porque o seu fim provocaria a maior de todas as crises, e até conduzir ao fim da UE.

José Luís Correia
in CONTACTO, 04/01/2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Duas actrizes que sigo com muito interesse

Emma Stone, 23 anos, vista em "Easy A" (2010) e "Friends with Benefits" (2011)

Jayma Mays , 32 anos, vista em "Heroes" (2006-2010) e "Glee" (2009-)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal 1979, Luxemburgo

Um manto alvo cobre generosamente Rodange, e os moradores desbastaram a neve do chão criando grandes montes sujos de branco e negro entre o passeio e a estrada. Avisto a escola ao longe, mas estou feliz por estar de férias, e imagino que aqueles montes são os Himalaias gélidos e eu um intrépido explorador. Subo ao tecto do mundo e avisto o fundo da rua, onde moro, e calculo que a jornada vai demorar pelos menos mais algumas semanas. Escorrego numa ravina traiçoeira abaixo e a luta pela sobrevivência começa. Chego a casa sujo e molhado, com o nariz empendernido e vermelho, com medo da tareia que adivinho. Mas assim que entro em casa paira um agradável odor a filhozes, a leite quente com noz moscada.

Quando era criança, a época natalícia em minha casa começava muitas semanas antes da data festiva. A minha mãe cozinhava dias inteiros para fazer filhoses e outros doces. Fazia travessas e travessas. Dava para partilhar com os vizinhos, com os primos e cheguei até a levar para a escola, num dia em que tivemos que apresentar as tradições natalícias dos países de onde éramos originários. Os meus colegas de turma luxemburgueses faziam caretas ao pronunciarem a palavra “fi-lô-séch”, mas só à primeira, porque depois de provarem a pronúncia vinha-lhes com mais naturalidade.

Mais tarde, descobri que essas nuvens retorcidas, estaladiças e generosamente polvilhadas de açúcar em pó, que no Alentejo de onde a minha mãe é originária, se chamam filhoses, têm noutras terras portuguesas o nome de coscorõese, e podem ter as mais variadas formas e ingredientes.

Eu gostava de ver a minha mãe a cozinhar longas horas. Em casa, durante semanas pairavam aromas adocicados, que tornavam o Inverno luxemburguês lá fora menos frio.

Na noite da consoada, a casa enchia-se de família e amigos, risos e conversas soltas. Havia lombo assado e batatas no forno, sonhos, coscorões, Dom Rodrigos e pastéis de batata doce algarvios, e o meu pai servia o seu melhor Medronho, trazido secretamente no Verão anterior, escondido no fundo falso de uma mala de cartão para escapar aos agentes das alfândegas.

in "Diário Incidental"
Weimeriskirch, 24.12.2011
(foto: JLC)

Ho, ho, ho... Feliz Natal a todos! E Paz na Terra aos Homens e às Mulheres de boa vontade!


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Le Monde designa artista chinês Ai Weiwei como personalidade de 2011

O jornal francês Le Monde elegeu hoje o artista dissidente chinês Ai Weiwei a personalidade de 2011, num ano em que os protagonistas foram “as revoltas”.

O Le Monde destacou que mais do que ser uma “estrela da arte contemporânea, como Damien Hirst, Jeff Koons ou Maurizio Cattelan”, o artista chinês converteu-se no “arauto de uma nova dissidência que se expressa, sobretudo, através da Internet”.

“Como os anónimos de Tunis e do Cairo, os ‘indignados’ de Madrid ou Wall Street, Ai Weiwei representa, à sua maneira, lúdica e rebelde, o impulso que leva um homem sem qualidade a converter-se no sujeito da sua própria história”, resumiu o jornal.

O artista chinês realizou este ano uma exposição na Modern Tate de Londres e em abril foi detido quando se preparava para deixar a China, tendo ficado preso durante três meses, o que desencadeou uma onda de indignação e de solidariedade por todo o mundo.

Depois de libertado, foi acusado de fraude fiscal e intimado pelo fisco chinês a pagar 1,7 milhões de euros, mas conseguiu recorrer pagando cerca de metade do valor através de milhares de doações. O artista tem afirmado que o imposto foi uma forma de o silenciar.

Em outubro, Ai Weiwei, 54 anos, foi eleito a personalidade do ano mais influente do mundo da arte pela revista britânica Art Review.

Em 2010, o Le Monde elegeu o australiano Julian Assange, fundador do portal Wikileaks, como figura do ano. Um ano antes, em 2009, foi o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva quem inaugurou a distinção anual do diário francês.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Aníbal Coimbra, um campeão do mundo ignorado na Gala da Sportpress


Aníbal Coimbra coloca bem alto as cores da bandeira luxemburguesa e do seu clube, o Hamm, cada vez que compete no estrangeiro, que arrecada uma medalha, que bate um record, que brilha nos rankings internacionais. O nome é português, mas o hino que soa nos pódios dos quatro cantos do Mundo é luxemburguês.

O tondelense venceu já 14 títulos de campeão do Luxemburgo. 14! Seguiram-se os de campeão da Grande Região, e de campeão da Europa em 2007 e 2010. Em Novembro conseguiu, entre a elite mundial da modalidade, o título de campeão do Mundo.

No entanto, os seus feitos continuam a ser ignorados pelos responsáveis que dizem representar e dignificar o mundo do desporto no Luxemburgo.

O exemplo mais gritante foi a gala promovida pelos jornalistas da imprensa desportiva luxemburguesa "Sportpress", que teve lugar a 8 de Dezembro, em Mondorf (ver edição do CONTACTO de 14/12/2011), na qual estes distinguem anualmente os "melhores desportistas do ano no Luxemburgo". Em anos anteriores, ignoraram o palmarés nacional e europeu de Aníbal Coimbra. Este ano, o título de campeão mundial parece também não ter pesado!?...

Sem desprimor para os galardoados deste ano da Sportpress – entre os quais Andy Schleck (2° na Volta à França em Bicicleta em 2011), a tenista Mandy Minella (n°110 mundial) e a Selecção Luxemburguesa de Futebol (n°127 mundial) –, penso que não deviam ter esquecido Aníbal Coimbra. Afinal trata-se de um campeão mundial. A não ser que os prémios sejam apenas para "os melhores luxemburgueses do ano". Nuance difícil de entender para quem tanto prestígio traz ao Grão-Ducado. Ou foi esquecimento? O que é pior?

Talvez para reparar a injustiça, a Federação Luxemburguesa de Powerlifting resolveu homenagear o atleta português, uma semana depois da gala da Sportpress. Mas o ministro dos Desportos não se deslocou, como o fizera para a Sportpress, enviou um representante. Na gala da Sportpress estiveram presentes 700 convidados. Na discreta cerimónia de Aníbal, cerca de 30.

Em Novembro, a CCPL não esqueceu Aníbal Coimbra e distinguiu-o com um merecido Prémio Personalidade. Da comunidade, o atleta já tem o reconhecimento. Falta agora recebê-la das instâncias nacionais do Luxemburgo.  

José Luís Correia 
Foto: Á. Cruz
in CONTACTO, 21/12/2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Descobertos os dois mais pequenos planetas fora do Sistema Solar, em Kepler 20

Astrónomos descobriram os dois mais pequenos planetas fora do Sistema Solar, com dimensões semelhantes às da Terra e a orbitar uma estrela parecida com o Sol, revela esta semana a revista científica Nature, citada pelas agências internacionais.

O método de precisão usado permitiu à sonda norte-americana Kepler, da NASA, detectar os pequenos exoplanetas [planetas fora do sistema solar], que orbitam uma estrela baptizada Kepler 20.

O diâmetro de um dos pequenos planetas ultrapassa pouco mais (três por cento) o da Terra e o do outro é ligeiramente mais pequeno (três por cento) que o do ‘planeta azul’.

Bem mais próximos da sua estrela do que a Terra do Sol, os dois novos exoplanetas percorrem a sua órbita em menos de uma semana ou um mês. São rochosos como a Terra, mas as suas temperaturas à superfície são demasiado elevadas para permitir vida como a conhecemos.

O sistema extra-solar da estrela Kepler 20, situado a mil anos-luz da Terra, inclui mais três planetas, maiores, com tamanho similar ao de Neptuno.

Mais de 500 exoplanetas descobertos e confirmados desde 1995, mas a vida é apenas possível em... 3

De acordo com os astrónomos, actualmente apenas três exoplanetas se encontram na “zona habitável” (goldilock zone), onde a água pode ser detectada em estado líquido e, desta forma, a vida, como a conhecemos, ser possível: Kepler 22, a cerca de 600 anos-luz da Terra, e Gliese 581d e HD 85512b, a dezenas de anos-luz da Terra.

Lançada em Março de 2009, a sonda Kepler tem por missão observar mais de cem mil estrelas semelhantes ao Sol, visando a detecção de "exoplanetas-irmãos" da Terra susceptíveis de acolher vida.

A sonda já descobriu 28 exoplanetas e recenseou 3.326 “planetas candidatos”, que continuam por confirmar por outros métodos.

Fontes: NASA e LUSA

sábado, 17 de dezembro de 2011

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

As últimas revelações sobre as Pirâmides do Egipto - um filme de Patrice Pooyard



Este filme de 2011, de uma equipa francesa, narrado em inglês, fala das novas revelações matemáticas descobertas nas Grande Piramide de Khéops (construida há + de 4 mil anos) e de uma possível mensagem que esta pode incluir. Além de Pi e do número de ouro, a pirâmide integraria o valor da velocidade da luz, o valor do metro (invenção do séc. XVIII) entre outras revelações ... A ver, e depois cada um tira as suas conclusões. 
Um filme de Patrice Pooyard, baseado num livro de Jacques Grimault.
 



sábado, 10 de dezembro de 2011

Elisabeth Cardoso fala com vinte personalidades francesas sobre a morte


Personalidades francesas da televisão, das letras, das ciências, tão conhecidas como Philippe Bouvard, Jacques Duquesne, Albert Jacquard ou Claude Sarraute, falam do sensível tema da morte. Quem os entrevista é uma luxemburguesa de origem portuguesa, Elisabeth Cardoso, no seu livro "Espérance de Vie".

Em "Espérance de Vie" (Esperança de Vida), editado em Novembro pelas "Presses du Châtelet", Elisabeth Cardoso conversou com 20 individualidades francesas sobre a morte: Raymond Aubrac, Etienne-Emile Baulieu, Philippe Bouvard, Christian Cabrol, Gisèle Casadesus, Thérèse Clerc, François de Closets, Alain Decaux, Danièle Delorme, Jacques Duquesne, Josy Eisenberg, Albert Jacquard, Bernard Joinet, Amadou-Mahtar M'Bow, René de Obaldia, Monique Pelletier, Rémy Robinet-Duffo, Claude Sarraute, Frédérick Tristan e Michel Wagner. O mais "jovem" tem 78 anos, a mais idosa, 98. Todos já ultrapassaram a "esperança média de vida".

Elisabeth Cardoso Jordão nasceu em Esch/Alzette há 38 anos, de pais alentejanos. Fez os estudos universitários em França, depois ingressou na carreira diplomática luxemburguesa, primeiro na Direcção da Cooperação ao Desenvolvimento (responsável por Cabo Verde e pelas relações multilaterais) e depois como n°2 da Embaixada do Luxemburgo em Paris. Desde Setembro, trabalha na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos), em Paris, como "policy analyst".

Quando lhe perguntamos porque razão optou por escrever um livro sobre a morte, algo tão longe do seu universo profissional, e logo no seu livro de estreia, responde: "É a primeira pergunta que todos me fazem, como se fosse uma coisa estranha falar da morte. Ninguém pode dizer que nunca pensa nela, sem que isso queira dizer que está obcecado pelo tema. Quis fazer um livro com questões simples, mas que fale do medo da morte e do sentido da vida. Quando ouço falar em 'esperança média de vida', pergunto-me como se sentirão as pessoas que atingiram essa idade, e que, estatisticamente, deveriam estar a morrer? Como conseguem viver com a ideia que chegaram ao fim da vida, que vai acabar? Têm medo? E se têm, como fazem? Partiu daí a ideia do livro", conta.

O painel de entrevistados surgiu naturalmente. "O conceito era entrevistar pessoas de horizontes diversos que atingiram ou ultrapassaram a idade da esperança média de vida. Eu vivo em França e pareceu-me mais prático entrevistar personalidades francesas. A ideia inicial era misturar anónimos e famosos, mas por razões comerciais o editor achou que o livro devia conter só famosos. No final, consegui mesmo assim introduzir uma ou outra pessoa que não é conhecida do grande público."

Elisabeth diz ter escrito a uma centena de personalidades e estas 20 foram as que lhe responderam. São actores, políticos, intelectuais, artistas, jornalistas, cientistas. Alguns são ateus, outros agnósticos, há católicos praticantes e não praticantes, judeus (entre eles, um rabino) e muçulmanos. "Eu queria saber se com a idade a vida assume um certo sentido, e perguntar quais são as lições que as pessoas tiraram da vida, o que as fez feliz. Era essencial ter o maior número possível de pontos de vista: homens, mulheres, ateus e crentes, de religiões diferentes e das profissões mais diversas."

E a autora, pensa frequentemente na morte?, queremos saber. "Regularmente pergunto-me a mim mesma: estás a agir e a viver de maneira a não te arrependeres de nada quando morreres, ou quando as pessoas de quem gostas morrerem? Hoje, tenho menos medo da minha morte do que da dos meus próximos. Mas penso que quando chegar o momento de morrer, vou estar aterrorizada. O Albert Jacquard [ um dos entrevistados no livro, n.d.R. ] fala do 'prazer da lucidez'. Não gosto nada da ideia de ter que morrer, mas também não quero mentir-me a mim mesma. Sei que não vou escapar, então prefiro enfrentar a ideia e preparar-me para as coisas que posso prever (enterro, doação de órgãos, etc.), para depois já não precisar de pensar nelas. Falo sobre a minha morte com facilidade se penso nela, ou se me vejo confrontada com a morte dos outros. Mas, por vezes, o mais difícil não é falar, é encontrar uma pessoa que esteja à vontade para ouvir, dialogar. Até posso rir da morte. Mas francamente, a maior parte do tempo, penso e faço mil outras coisas. Vivo, simplesmente."

Este livro não foi, diz Elisabeth, uma busca existencial, mas admite que as suas próprias convicções saíram reforçadas. "A expressão 'busca existencial' tem uma conotação quase filosófica e um pouco grandíloqua. O meu objectivo não era encontrar respostas. Era mais curiosidade por ver como pensam os outros. Nesse sentido, foi um exercício muito interessante. Eu tenho a minha própria visão e as minhas convicções sobre a morte em geral, e a minha em particular. As respostas dos entrevistados, de uma certa maneira, fortaleceram nas minhas convicções. E talvez esteja um pouco mais serena por ver que se pode ser muito velho sem se estar desesperado, e que não vale a pena passar muito tempo a angustiar-se porque isso não muda nada."

Das entrevistas percebeu ainda que se a morte ainda é um tabu, também o é porque há medo e sofrimento ligados a esta.

"Ninguém sabe muito bem o que dizer a um adulto que tem medo ou que sofre além de 'deixa lá, isso vai arranjar-se', ou 'é a vida!'. Como não sabemos como reagir, sentimo-nos desconfortáveis e preferimos fugir à conversa, virar as costas, não pensar mais nisso. E isso, é tabu. É humano. Penso que confessar que se tem medo não é uma fraqueza, pelo contrário. E acho que aqueles que têm medo devem poder encontrar um ouvido que os ouça."

Stéphane Hessel, que assina o prefácio do livro de Elisabeth, conclui que a diversidade destas entrevistas mostra que "a morte não é uma, mas múltipla". "E o que pode a morte trazer-nos?", questiona Hessel. E responde, citando Goethe: "Mehr Licht!" (Mais luz!).

No Luxemburgo, o livro faz parte do catálogo da Livraria Ernster.

José Luís Correia
in CONTACTO, 07/11/2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Paulo Lobo lança hoje livro sobre arquitectura luxembuirguesa


O fotógrafo português residente no Luxemburgo Paulo Lobo lança hoje um novo livro, intitulado "12 bâtiments remarquables au Luxembourg" (12 edifícios de excepção no Luxemburgo).

Com o prefácio do historiador Robert Philippart, o livro apresenta uma selecção de 12 edifícios de excepção, castelos, cidades burguesas, fábricas e outros edifícios emblemáticos do Grão-Ducado do Luxemburgo. Um olhar fotográfico original, atento tanto às formas como aos materiais presentes na história. Um livro agradável que vai deliciar todos os amantes da história e da arquitectura.

Os 12 edifícios são o castelo de Vianden, o Liceu Clássico de Echternach, o castelo de Bourglinster, o castelo de Beggen, a Gare da cidade do Luxemburgo, a Villa Pauly, a Villa Louvigny, o castelo de Ansembourg, o castelo de Hollenfels, os "Rackés Millen", o moinho de Asselborn e a abadia de Saint-Maurice.

O Grão-Ducado está repleto de edifícios históricos que carregam consigo o testemunho de uma época, de um génio construtivo e de um estilo de vida que se perde no tempo. O livro "12 bâtiments remarquables au Luxembourg" é um reflexo de 12 manifestações vivas do património arquitectónico que se oferecem a uma revisita original, com um olhar fotográfico e contemplativo.

Os leitores são convidados a uma verdadeira passeata através de imagens reais em torno desses edifícios emblemáticos. Do majestático castelo de Vianden até aos recônditos da Villa Pauly, passando pela trepidação diária da estação central da capital, estes edifícios, públicos ou privados, industriais ou sagrados, fazem indubitavelmente parte da memória colectiva do país. Construídos para durar, foram postos à prova durante séculos e transmitidos de geração em geração, com maior ou menor respeito, maior ou menor integridade.

Hoje, os edifícios antigos são um legado de valor inestimável. A sua salvaguarda é certamente um investimento para o futuro, mas não basta preservar estas construções em termos materiais: é necessário também saber ver e ouvi-las. Este livro é tanto uma homenagem aos construtores do passado, como uma redescoberta poética de edifícios carregados de significado e vida.

Paulo Lobo nasceu em Portugal em 1964 mas vive no Luxemburgo desde os seis anos. Fascinado desde sempre pela fotografia, Lobo desenvolveu o seu olhar fotográfico principalmente como um autodidacta. Conta já com uma série de exposições individuais e colectivas. Desde 2007 trabalha como repórter e fotógrafo para a empresa LuxEdit.

"12 bâtiments remarquables au Luxembourg" está escrito em francês, alemão e inglês e encontra-se disponível a partir desta sexta-feira em qualquer livraria do Luxemburgo.  

Henrique de Burgo
in CONTACTO
07/11/2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011


Quo Vadis Europa?


Sopram ventos perigosos sobre a Europa. Parafraseando Nixon: "Isto vai piorar, antes de melhorar". Não é muito inteligente, mas ele acertou. Falava em 1969 e referia-se à guerra do Vietname, e efectivamente esta só viria a terminar seis anos depois, no que foi o maior desaire militar da história dos EUA.

Esperemos que o sonho europeu – esta União Europeia, que germinou na vontade e no espírito de grandes homens como Robert Schuman, Jean Monet, Paul Henri Spaak, que anos mais tarde outros da mesma estirpe, a exemplo de Jean-Claude Juncker, aceitaram como testemunho e ousaram levar ainda mais longe, essa União que actualmente reúne numa só comunidade mais de 500 milhões de europeus, facto por si já histórico e exemplar, porque conseguido por mútuo acordo entre 27 estados independentes –, não se transforme no maior desaire do velho continente.

A coisa vai por maus caminhos se deixarmos cegamente o casal Merkel-Sarkozy, que muitos já apelidam de "Merkozy", conduzir a Europa como pretendem. Os dois sonham-se nos novos Mitterand e Kohl, os pilares do novo eixo Paris-Berlim, e querem ditar à UE o caminho a seguir. Argumentando ser esta a resposta para fazer face à crise da dívida, em que estão mergulhados muitos países europeus e que ameaça outros, esse monstro "Merkozy" anunciou na segunda-feira que quer ver aprovado até Março um novo tratado europeu que risque do mapa o Tratado de Lisboa e inclua sanções automáticas para os países cujo défice ultrapasse 3 % do PIB. Um tratado a assinar a 27, com todos os estados-membros da União. Ou mesmo a 17, com os países da zona euro. O que é preciso é arranjar à pressa um tratado que reuna "os bons alunos" de um lado e "arrume" os maus do outro. Na sexta-feira, Merkozy apresenta o projecto aos 27 estados-membros, em Bruxelas. O Tratado Merkozy prevê também uma nova governância para a zona euro, no que é uma forma não-dissimulada de eliminar do tabuleiro político europeu um dos únicos governantes a ousar fazer-lhe frente: Jean-Claude Juncker, actual presidente do Eurogrupo.

Muito cedo nesta crise do euro, em Dezembro de 2010, Juncker preconizou outra solução: a criação de títulos de dívida soberana europeus, os chamados "eurobonds". A ideia foi recusada em uníssono por Berlim e Paris, mas elogiada pelo Prémio Nobel da Economia, Paul Krugman. E há cada vez mais adeptos da ideia de Juncker. Uma das últimas é a deputada Ana Drago (Bloco de Esquerda).

Mas outras sombras pairam.

Também na segunda-feira, a agência de notação financeira Standard and Poor’s ameaçou poder vir a baixar o rating da Alemanha, França, Holanda, Áustria, Finlândia e Luxemburgo, seis dos países considerados exemplares da zona euro.

Até quando as instâncias internacionais vão deixar as agências de rating ditar os altos e baixos da economia? Até porque essas agências estão elas próprias submetidas a interesses económicos (dos accionistas e não só) que querem ver a balança pesar de um lado ou do outro.

E depois há jogadas mais sub-reptícias ainda neste tabuleiro. Atente-se no novo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, no novo primeiro-ministro italiano Mario Monti, e no novo primeiro-ministro grego, Lucas Papademos. Draghi foi vice-presidente do banco americano Goldman Sachs Europa, Monti foi conselheiro da mesma empresa e tinha como missão defender os interesses do grupo no seio da UE, e Papademos foi governador do Banco Central grego, e ajudou a Goldman Sachs a "maquilhar" as contas da Grécia. Agora aparece como "salvador" dos helénicos? São peões estrategicamente posicionados, mas com que propósito? Até porque nenhum deles foi eleito, recorde-se, mas nomeados pelos respectivos governos ou instâncias europeias.

O que é a Goldman Sachs? Apenas um dos bancos mais poderosos do mundo e que, num momento em que podia tê-lo feito (como o Governo americano chegou a pedir), não ajudou a Lehman Brothers a safar-se da falência, o que arrastou a economia mundial para a crise financeira de 2008 e levou à consequente crise do euro. É caso para perguntar: Quem beneficia com a crise?

Se não atentarmos agora, se não opinarmos, se não nos interessarmos, se não barafustarmos, se não nos opusermos, se não utilizarmos o privilégio que nos oferece esta tribuna que é a imprensa, mas também os movimentos civis que se têm alastrado, para nos indignarmos, para clamarmos o que acreditamos ser a Europa e o que queremos que esta se torne – dentro de algumas semanas será tarde demais e daqui a alguns anos olharemos para o início desta década como o princípio do fim. Mas já será tarde demais e a Europa um sonho que se esfumou nos ditames da alta finança internacional.

José Luís Correia
(in CONTACTO, 07/11/2011)

sábado, 3 de dezembro de 2011

NASA encontra mais um planeta potencialmente habitável fora do sistema solar

A NASA confirmou esta semana a existência de um planeta na zona orbital habitável (the goldilock zone) do sistema planetário Kepler 22, a 600 anos-luz da Terra, no qual poderá haver condições para a formação de água em estado líquido.

Com esta descoberta, sobe para três o número de planetas fora do Sistema Solar em zona orbital habitável. Segundo as agências internacionais de notícias, é a primeira vez que a agência espacial norte-americana confirma a existência de um planeta numa zona orbital habitável fora do Sistema Solar.

A zona orbital habitável é a região perto de uma estrela que tem as temperaturas adequadas para que exista água líquida, principal componente da vida no ‘planeta azul’.

O novo planeta, Kepler 22-b, detetado pela sonda com o mesmo nome, é maior do que a Terra, mas desconhece-se ainda a sua composição. Para os cientistas, no entanto, está cada vez mais próxima a descoberta de um planeta parecido com a Terra.

O Kepler 22-b orbita em 290 dias uma estrela semelhante ao Sol, ainda que mais pequena e fria. Lançada em março de 2009, a sonda Kepler tem por missão procurar planetas-irmãos da Terra suscetíveis de ter vida, observando mais de cem mil estrelas parecidas com o Sol. Durante dois anos foram identificados 2.326 candidatos a planetas, dos quais 207 com um tamanho aproximado da Terra e 680 com dimensões maiores.

Em maio, o Centro francês de Investigação Científica anunciou que um dos planetas que orbita a estrela-anã Gliese 581 poderá revelar-se ‘habitável’, com um clima propício à presença de água líquida e de vida. Já em agosto, astrónomos suíços confirmaram a existência de um outro exoplaneta (planeta fora do Sistema Solar) em zona orbital habitável, o HD 85512b.

Fontes: LUSA e NASA

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Quando a ficção científica também é filosofia

Duas obras marcaram-me neste últimos dias: "Replay" e "The Man from Earth".

A primeira obra é um livro de Ken Grimwood (1987) e aborda a reincarnação de uma forma nova e original. Em vez de a alma "saltar" de corpo em corpo, ao longo das gerações e das eras, o personagem principal de Grimwood, Jeff Winston, um rádio-jornalista de 43 anos, morre em 1988 e volta a acordar em 1963 no seu próprio corpo, de 18 anos. Vinte e cinco anos depois, game over e replay. Over and over again...

Se a reincarnação serve para que a alma melhore e se aperfeiçoe em cada "descida" à Terra, acreditam os budistas, a personagem de Grimwood vai servir-se dos seus primeiros replays para não casar com a mesma miúda, fazer vida de hippie e sexo desregrado nos anos 60, sair da Universidade sem diploma, apostar nas corridas de cavalos das quais já conhece os resultados e com isso fazer fortuna, jogar na bolsa apostando providencialmente em pequenas empresas dos anos 70 como a Apple, arrecadar milhões e construir um império na boa tradição americana do self made man.

Ao longo dos replays, Jeff repara que apesar de ter escolhido de cada vez vias diferentes para chegar a 1988, isso não lhe traz a felicidade e a serenidade a que almeja.

O final é inesperado, até para mim que estou habituado a devorar tudo o que são livros, filmes e histórias sobre universos paralelos, realidades alternativas e viagens no tempo.

Atenção, spoiler: Depois de muitos replays, Jeff nota que acorda cada vez mais tarde ao regressar ao passado: em 1963, depois em 1965, depois nos anos 70 e no final, apenas a alguns momentos de voltar a morrer. A evidência impõe-se: chegará um momento em que deixará de haver replays e morrerá "de vez". No momento em que espera esse derradeiro replay... o tal ataque de coração, que já o fulminara centenas de vezes antes, simplesmente não acontece. E a vida continua, como se nada fosse...

Mas é só com toda a experiência das suas mil vidas diferentes que o jornalista vai perceber o que deve fazer para procurar a felicidade. E que nunca é tarde demais.

A Warner Bros comprou os direitos da obra de Grimwood, mas nunca chegou a realizar o filme. Sobretudo depois de em 1993 a comédia "Groundhog Day", com Bill Murray e Andie MacDowell, ter estreado. O autor tentou processar os produtores de "Groundhog Day", mas em vão. Grimwood morreu em 2003 de... um ataque de coração. Os fãs continuam à espera de um filme. Diz-se que Ben Affleck estaria a tratar da produção.



A segunda história chama-se "The man from Earth" e é um filme realizado por Jerome Bixby.

1998. Um professor de história, John Oldman prepara-se para mudar-se para outra cidade. Os amigos, quase todos também professores na Universidade, não entendem bem porquê, até porque o brilhante professor, apesar de ainda nos seus 30 e tais, chegou recentemente a chefe do seu departamento na faculdade.

John hesita, mas acaba por explicar aos amigos a razão da sua partida. E o que começa como uma brincadeira vai depressa tornar-se um momento alucinante para os que o pensavam conhecer.

John começa por contar que teve a oportunidade de viajar com Cristóvão Colombo, mas nessa época ele ainda acreditava que a Terra era plana e temia mesmo cair de uma das suas bordas.

Os amigos brincam com ele e riem-se da partida que este está a querer pregar-lhes. John confia que pensa ter mais de 11 mil anos - perdeu as contas, diz. Lembra-se de ter nascido ainda na Idade da Pedra, a sua "primeira vida" viveu-a com uma tribo das cavernas. E enquanto os outros iam envelhecendo e falecendo à sua volta, ele nunca morria.

A tribo começou por escolhê-lo como feiticeiro e chamane, mas temendo o que não compreendiam, expulsaram-no do grupo. Foi nómada, viajou a pé pelas florestas da Europa, trocou dezenas de vezes de tribo, seguindo em direcção aos territórios mais ricos em caça. John diz lembrar-se que o tempo aqueceu há cerca de 8 mil anos, viu as águas separar a França da costa britânica. Participou na construção das primeiras cidades, durante dois mil anos foi sumério, cidadão em Ur, conheceu o rei sumério Hamurabi pessoalmente. Viajou para o leste e foi discípulo de Buda, foi etrusco, assistiu à ascensão e à queda do império romano, foi amigo de Van Gogh...

O sorriso divertido dos amigos vai desaparecendo à medida que estes - eminentes professores de Biologia, Arqueologia, Psicologia, Antropologia - lhe fazem perguntas e as respostas parecem verosímeis.

Mas a revelação mais perturbante de todas está ainda para vir, quando John aproxima os ensinamentos de Buda dos que Jesus Cristo tentou transmitir.

Dois dos seus amigos ficam irritados com ele, os outros sentem-se perdidos, num misto de fascinação, curiosidade e incredulidade.

Preocupados com ele, três dos seus amigos já não o querem deixar partir, acham que ele precisa de ajuda psiquiátrica.

E é aí, que John diz que foi tudo uma brincadeira. A não ser que seja apenas para se ver livre dos seus amigos...


Gostei desta história porque explora a viagem no tempo, mesmo se neste caso é a eternidade que está em questão; a vivência de vidas diferentes, sem recorrer a reincarnação. Mas também aqui, as mil vidas de John Oldman (trocadilho) serviram para este ir aprendendo com a Humanidade. E por isso apreciei como, durante o decorrer da história, a serenidade de John nunca descai, como se fora realmente dotado de uma sabedoria não só antiga como sem idade. Ou como eu gosto de imaginar que fosse.

Outros dos aspectos desta história que apreceei é o facto de John dizer que os factos históricos que ficaram para a posteridade nos livros, nos manuais oficiais, nem sempre aconteceram como nos são elatados e como os estudamos. Ou foram deturpados voluntariamente ou o tempo foi limando, escolhendo, pormenores que não o são e que nunca o foram.

Um filme que pede um livro

O meu primeiro reflexo foi pensar: "isto dava uma peça de teatro hilariante". Depois procurei o livro e descobri que além de ser um recôndito filme que só saiu em DVD, o argumento não existe em versão impressa.

A obra estreou directamente em filme em 2007, mas passou completamente despercebida. Primeiro porque nem sequer saiu nas salas de cinema, saiu directamente em DVD. E só chegou à Europa este ano.

As grandes produtoras habituadas aos blockbusters não acreditaram no filme talvez pelo seu lado despojado em termos de cenários, porque não tem absolutamente nenhuma cena de acção, porque conta apenas com oito personagens, que se envolvem num diálogo surrealista. Demasiado surrealista para o grande público?

É, no entanto, esta história merece ser contada.

domingo, 13 de novembro de 2011

Passei ontem o serão com a Carmen...

...e com uma centena de cantores, dançarinos e músicos, que fazem parte da Ópera Nacional Búlgara de Ruse e que vieram actuar no Kinneksbond, em Mamer.



"Carmen" tinha desta segunda vez que a vi (a primeira foi na televisão, há alguns anos) a encenação da belga Dominique Serron, 136 anos depois da sua estreia, em 1875, na Ópera Cómica de Paris, e contou com adaptações cénicas contemporâneas que se enquadraram bem.

A cigana Carmen e o brigadeiro D. José aparecem fiéis a si mesmos, com vestes e modos da Sevilha do séc. XIX, mas Micaela (ex-namorada de José) e o toureiro Don Escamillo aparecem com roupas contemporâneas, fato cinza e óculos escuros para ele, saia travada e tailleur para ela. Como se fossem personagens extemporâneas, nos dois sentidos da palavras, fora do tempo e inoportunos.

Um dos momentos altos da ópera é, claro, a canção "L'Amour est enfant de Bohème" que a sulfurosa Carmen canta na taberna. Entra o toureiro Don Escamillo, que protagoniza outro momento alto com a canção "Toreador".

Segue-se a sedução de José, que se deixa levar pela endiabrada e irresistível cigana. "Si je t'aime, prends garde à toi...", avisou ela. José deserta do exército e segue o grupo de ciganos, para poder estar com a sua amada, como ela exigiu.

No terceiro acto, Carmen cansou-se do amor de José. Entretanto, quando cantou na taberna, a bela chamou a atenção de El Toreador.

Nas montanhas onde estão acampados, Carmen e duas ciganas lêem o futuro nas cartas. As amigas vêm amores, casamentos, jóias e glórias. Carmen apenas morte e mais morte... Lá fora, José monta a guarda e dispara sobre um intruso, mas não lhe acerta. É Don Escamillo que lhe confessa vir à procura de Carmen, por quem se apaixonou.

"Bem sei que ela estava há pouco tempo com um brigadeiro, mas os amores de Carmen não duram seis meses...", lança o toureiro. José sente-se insultado e os dois homens lutam. Escamillo leva a melhor sobre José, mas assegura-lhe: "Mato toiros, não homens". Mas o toureiro escorrega e quando José se prepara para lhe desferir o golpe fatal, Carmen trava-o no seu gesto.

Escamillo convida a cigana para vir assistir a uma das suas touradas. José, desfeito, avisa: "Carmen, cuidado contigo, porque estou farto de sofrer...". Entra Micaela que vem dizer a José que a sua mãe está muito doente e leva-o consigo. José não quer deixar Carmen com o novo amante, mas não tem escolha.

O último acto acontece junto à praça de touros de Sevilha. Escamillo e Carmen cantam apaixonadamente um dueto de amor e a multidão aplaude fascinada. Duas ciganas vêm avisar Carmen que tenha cuidado, José foi visto a rondar por aí. Enquanto Escamillo entra na arena, Carmen é interceptada por José. Este pede-lhe uma nova oportunidade, Carmen recusa, José ameaça-a e esta retorque: "Não cederei. Bem sei que me vais matar, mas nasci livre, morrerei livre...". E num gesto de desdém lança-lhe o anel que este lhe ofereceu. Louco, José esfaqueia Carmen, no mesmo momento que dentro da arena o público sauda ruidosamente mais um triunfo de Escamillo. Carmen morre nos braços de José. Cai o pano.

Refira-se as belas vozes e excelentes interpretações da mezzosoprano americana Carla Dirlikov (Carmen), do tenor italiano Francesco Medda (José), da soprano búlgara Mariana Panova (Micaela) e do baixo italiano Sergio Foresti (Escamillo).

Num cantor de ópera interessa não só a potência vocal, como o talento de interpretar bem como a forma de "dizer" as suas falas, o que nem sempre é evidente para um espectador de ópera leigo como eu. Mas sobretudo Dirlikov e Medda eram exímios em todos estes aspectos, o que ajudou a contar a história e a intensificar as passagens dramáticas.

Gostei dos elementos contemporâneos: ver turistas, com guias debaixo do braço, a disparar flashes à queima roupa às sevilhanas, transportou-me até uma viagem que fiz à capital andaluza nos anos 90. Aquilo é mesmo assim, há ali um décalage entre um certo autismo e obsessão por fazer fotos por parte dos turistas, mais preocupados em guardar momentos do que em vivê-los, que a encenadora soube bem reproduzir.

As cenas de multidão e de grupo, em que todos os actores cantam, foram sobretudo bem dirigidos e resultaram de forma excepcional.

Gostei também da personagem do guia (David Macalusa), que aqui tem também o papel de narrador esporádico porque assim sempre (romanticamente) me imaginei: contador de histórias para o povo pelos pueblos por onde passaria por esse Mundo fora, vestido como um Davy Crockett explorador, recolhendo mais histórias e experiências, para vivê-las e depois deitá-las no papel.

O mito do "Walden" de Thoreau - do homem que deixa a civilização para melhor se encontrar - ecoou em mim desde cedo, muito antes de o ter estudado na universidade. Talvez porque fui sobreprotegido, talvez porque as cartas ditaram a minha morte prematura mais do que uma vez, talvez porque tive duas mães superprotectoras, talvez para escapar a essa redoma de vidro que foi a minha infância, já pequeno escapava para o sótão e imaginava que este era uma floresta virgem e eu um explorador. De mochila à tira-colo, lápis no cinto a fingir facas, a chapka russa do meu pai a fazer de conta que era um chapéu em pele de castor, eu redescobria os cantos escuros da mansarda. E, para espantar os meus medos e os vultos fantasmagóricos das sombras que assomavam, entoava a canção "Maybe" (de Thom Pace), genérico da série "The Life and Times of Grizzly Adams", que diz exactamente isso que eu sentia:

"Deep inside the forest, is a door into another land (...), Maybe there's a world where we don't have to run (...) Take me home...". Mas esse lar não era a casa materna, era tudo o resto, a vida selvagem, a natureza, o mundo, e mais tarde ainda o espaço sideral e o universo...

Aquela personagem de "Carmen" fez-me viajar até à minha infância e a Grizzly Adams. A ópera de Bizet nada tem a ver com uma série hippie dos anos 70... a não ser talvez a exploração do tema da vontade extrema, epidérmica quase, da liberdade, de uma liberdade sem barreiras, sem fronteiras, do maravilhamento de descobrir novos horizontes, novas terras, povos, costumes e pessoas, ao mesmo tempo que alargamos os nossos próprios limites internos.

Gostei. Gostei e cantei. Gostei e viajei.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Das nossas origens

Há quem considere ingénuo e até "estúpido" o facto de muitos povos antigos adorarem o Sol como um deus ou como sendo a origem da vida.

Mas melhor analisado, essa atitude é tudo menos estúpida e muito menos ingénua.

Não só o Sol é a fonte de luz e da vida na Terra, como as estrelas são a fonte de tudo o que existe no nosso planeta.

A realidade é que é na "fornalha" de uma estrela que são criados os elementos, todos os elementos que conhecemos, desde o hidrogénio ao oxigénio, do ouro a ferro, passando pelo cobre e a prata.

Aliás, os cientistas sabem que o primeiro elemento criado na fusão de uma estrela é o hidrogénio e o ferro é o último, quando a estrela está a morrer quase já sem combustível. Depois, a estrela extingue-se ou explode numa supernova e aí os elementos são espalhados pelo espaço sideral até atingirem outros planetas ou formarem outros sistemas solares ou astros.

Foi também necessário que (pelo menos) uma estrela explodisse para que o nosso sistema solar se formasse a partir dos restos desse astro.

Quem melhor o resumiu foi o astrofísico Hubert Reeves quando disse que somos todos "pó das estrelas".

domingo, 6 de novembro de 2011

NASA avisa: Asteróide de grandes dimensões passa esta terça-feira (8 de Novembro 2011) perto da Terra. Sem riscos de colisão com a Terra ou com a Lua



Um enorme asteróide vai passar perto da Terra nesta terça-feira, uma aproximação rara que não representa risco de impacto para o planeta. O asteróide 2005 YU55 tem 400 metros de largura e vai aproximar-se da Terra mais do que a Lua, que se situa a 325 mil km de distância.

O asteroide deverá passar perto da Terra cerca das 18h28 (hora do Luxemburgo, GMT +1) de terça-feira.

A aproximação será a maior de um asteróide deste tamanho em mais de 30 anos e um evento similar não voltará a ocorrer até 2028. Apesar desta "curta" distância, o asteróide não será visível a olho nu, para avistá-lo é necessário um telescópio com uma lente de mais de 15 cm.

O 2005 YU55 é um asteróide de classe C (escuro e bastante poroso) e foi descoberto em 2005 por Robert McMillan, do projecto Spacewatch, um grupo de cientistas que observa o sistema solar desde Tucson (Arizona). Este asteróide faz parte de um conjunto de 1.262 asteróides considerados grandes, com mais de 150 metros de largura, e que a Nasa qualifica como potencialmente perigosos.

A passagem mais próxima de um asteróide junto à Terra está previsto acontecer em 2094, a uma distância de 269 mil km.

Fonte: NASA e AFP


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Para que servem os jornalistas? - O escritor madrileno Benjamín Prado responde

O escritor madrileno Benjamín Prado defendeu hoje a profissão de jornalista, destacando que “o jornalismo é a última possibilidade que temos de saber a verdade”, noticiou a agência EFE.

Prado, que deu a primeira conferência da nova edição do ciclo Segundas-feiras Literárias, promovido pela Obra Social da Caixa de Ávila, afirmou que “o jornalismo tem inimigos que proveem da política, da economia e da tecnologia, mas também é atacado a partir do seu próprio seio”.

Por tudo isso, aos jornalistas que, como a protagonista da sua última novela “Operación Gladio”, dão “literalmente a vida por uma notícia, havíamos de lhes erguer monumentos, como àqueles professores, que com o atual sistema educativo conseguem que (as pessoas) continuem a ler”, comentou o escritor.

Na conferência de hoje, intitulada “Se não querem que o contes é porque é uma boa estória”, centrou-se precisamente nas duas últimas novelas que escreveu, “Mala gente que camina” (2006), que fala sobre o roubo de crianças por parte da ditadura aos republicanos, e “Operación Gladio” (2011), é um livro de espionagem, em que se abordam alguns dos casos mais obscuros da Transição espanhola.

Sobre este último trabalho, Benjamín Prado manifestou que partilha a ideia de que a Transição “é um momento admirável da história espanhola, embora não perfeito, já que também houve vencidos e em certa medida se tratou de uma transação e vale a pena contá-la”.

Nestas últimas obras e numa anterior “No sólo el fuego” (1999), Prado pôs em prática a ideia de que a “literatura tem uma importância civil, porque os escritores, ao terem o privilégio de serem ouvidos, devem preencher alguns buracos na parede da História”.

A conluir, afirmou: “O que escapa aos historiadores, como Pauil Preston, é o que nós, novelistas, podemos contar, a história emocional dos países”.

domingo, 23 de outubro de 2011

Dois dos 30 satélites Galileo já em órbita

Os dois primeiros satélites operacionais do projecto europeu Galileo foram colocados na sexta-feira em órbita durante o voo inaugural do foguetão russo Soyuz, a partir do centro espacial da Arianespace, na Guiana Francesa.

Dez minutos depois da descolagem, deu-se a separação dos três primeiros andares, o andar superior Fregat com os dois satélites, de 700 kg cada um, acendeu pela primeira vez os motores. Após uma segunda ignição de apenas cinco minutos, o Fregat colocou os dois primeiros satélites do Galileo na sua órbita circular, a mais de 23 mil km de altitude sobre o Oceano Índico, assinalando o fim da primeira missão da Soyuz a partir do centro espacial da Guiana Francesa.

Dois outros satélites Galileo devem ser lançados em 2012 e seguem-se outros 10 em 2014.

O programa Galileo, uma iniciativa conjunta da Comissão Europeia (CE) e da Agência Espacial Europeia (ESA, sigla em inglês), é um projeto de construção de um sistema civil de navegação por satélite, com cobertura mundial, baseado em 30 satélites, e que visa concorrenciar o sistema de geolocalização norte-americano GPS e russo GLONASS.

Imagens: ESA

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Je viens de découvrir cette belle voix: Paloma Faith Blomfield

Paloma Faith Blomfield est une chanteuse et actrice anglaise. Elle est née le 21 juillet 1985 à Londres dans le district d'Hackney, d'un père espagnol et d'une mère anglaise. Elevée par sa mère à Stoke Newington, elle est encouragée pour prendre des cours de danse et en suit dans une classe de ballet à Dalston.

Elle continue ses études et se perfectionne en danse en suivant des cours de danse contemporaine à la Northern School of Contemporary Dance. En parallèle de ses études, elle fait plusieurs jobs à temps partiel dont celui de commercial pour la marque de lingerie Agent Provocateur, chanteuse dans un cabaret burlesque, assistante de magicien et modèle.

Ses premières approches avec la musique fut lorsqu'elle imita de célèbres chanteuses soul telles que Etta James et Billie Holiday, qu'elle admire et qu'elle cite comme ces principales influences.

Pendant son apprentissage, Faith travailla dans un pub où le patron lui demanda de monter son groupe, qu'elle appellera plus tard "Paloma and the Penetrators". Pendant une de ces prestation avec le groupe dans le cabaret, Faith fut repérée par un agent de Epic Records qui l'invita à chanter pour un manager du label. Après une audition, elle est rappelée neuf mois plus tard par ce manager pour un contrat.

Faith sortit son premier single, "Stone Cold Sober", au courant 2009, et se classe 17e dans le UK Singles Chart. Elle sort son deuxième single, "New York", en septembre 2009. La chanson atteint sa meilleure position début octobre, à la 15e place du UK Singles Chart. S'ensuit son premier album "Do You Want the Truth or Something Beautiful?", dont les deux premiers singles étaient extraits et qui est sorti le 28 septembre 2009. L'album débute à la 14e place du UK Albums Chart et atteint la 9e place.

sábado, 15 de outubro de 2011

Homens da Luta protestam hoje com os "indignados" na place d'Armes, às 16h - TRAZ UM AMIGO TAMBÉM!

Homens da Luta juntam-se aos "indignados" no protesto de HOJE, na cidade do Luxemburgo

A cidade do Luxemburgo vai ser palco, este sábado à tarde, dos protestos do Movimento dos Indignados. Os Homens da Luta, de passagem pelo Grão-Ducado, vão marcar presença.

Contra a crise da dívida e as medidas de austeridade impostas pelos governos europeus, jovens que se identificam com o movimento dos "indignados" ocupam hoje às 16h a place d'Armes, no centro da cidade do Luxemburgo. O grupo português Homens da Luta (na foto) vai estar presente.

O mesmo protesto estende-se a 60 países, entre eles Portugal. A manifestação chega também à City , o coração financeiro de Londres, à semelhança do que aconteceu em Nova Iorque, com o movimento "Occupy Wall Street". Em Espanha, os protestos estão marcados para a capital e para Barcelona. Na Alemanha, as manifestações acontecem junto à Bolsa de Berlim e são "contra o poder da alta finança". Em Bruxelas, os indignados estão acampados no Parque Elisabeth.

Foto: LUSA

sábado, 1 de outubro de 2011

As 3 leis de Arthur C. Clarke

1- Quando um cientista ilustre mas já velho considera que algo é possível, tem quase sempre razão. Quando ele afirma que algo é impossível, quase nunca tem razão.


2- A única forma de descobrir os limites do possível é aventurarmo-nos um pouco mais além, no impossível.


3- Toda a tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lenda centenária algarvia inspira filme que começa hoje a ser rodado na Ria Formosa

Uma lenda centenária algarvia sobre um rapaz sem sombra, inspirou uma curta-metragem que começa hoje a ser rodada nas ilhas da Ria Formosa, e que pretende retratar a comunidade piscatória de Olhão, disse à Lusa o realizador.

"Yakun", nome dado à sombra do protagonista na lenda, conta a história de um rapaz de 16 anos que, ao contrário de Peter Pan, quer desesperadamente crescer e fugir da sua própria sombra, contou André Badalo à Lusa.

"Descobrimos esta lenda na Fuseta [de onde o realizador é natural] e percebemos que era uma das histórias mais antigas" da região, refere, acrescentando que foi feita pesquisa documental e de registos fotográficos.

André Badalo, de 30 anos, natural desta vila piscatória, em Olhão, vê este trabalho como um "regresso às origens" e pensa conseguir através de uma história com pelo menos 100 anos retratar a atual comunidade da zona.

Durante uma semana, uma equipa com cerca de 30 pessoas irá andar por Olhão, pela Fuseta e pelas ilhas do Farol e dos Hangares, a rodar a curta metragem, com cerca de 20 minutos, que poderá ser lançada no início de 2012.

Em declarações à Lusa, o vice presidente da Câmara de Olhão, António Pina, confessou esperar que a exibição do filme nos circuitos internacionais cative outros produtores a filmar na região.

"É uma aposta que pode colocar Olhão no mapa e - quem sabe? - transformar esta zona da Califórnia da Europa", acrescenta.

O filme, produzido pela Original Features, irá competir em festivais internacionais de cinema tal como já aconteceu com "Shoot me", curta de André Badalo que venceu o prémio de melhor filme, em Milão, no ano passado.

"Yakun" conta com um elenco composto por Victoria Guerra, Rui Porto Nunes, Jessica Athayde, João Manzarra e José Pereira, jovem algarvio de 16 anos que irá desempenhar o papel do protagonista.

sábado, 24 de setembro de 2011

CERN prova que cientista português Magueijo estava certo e Einstein errado


Nem de propósito, no dia seguinte a ter postado o meu texto sobre João Magueijo, caiu uma notícia que, a ser confirmada, dá razão a Magueijo, que afirma desde o fim dos anos 1990 que Einstein estava errado quando estipulou que nada podia viajar mais rápido que a velocidade da luz.

CERN faz viajar neutrinos mais rápidos que a luz


Os neutrinos, partículas elementares da matéria, foram medidos a uma velocidade que ultrapassa ligeiramente a velocidade da luz, considerada até agora como um "limite intransponível", anunciaram quinta-feira físicos do centro de investigação europeu CERN.

Caso seja confirmado por outras experiências, este "resultado surpreendente" e "totalmente inesperado" face às teorias formuladas por Albert Einstein poderá abrir "perspectivas teóricas completamente novas", sublinha o Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS, na sigla em francês), em França.

As medições efectuadas pelos especialistas com experiência internacional desta investigação, a que se chamou Opera, concluíram que um feixe de neutrinos percorreu os 730 kms que separam as instalações do Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), em Genebra, do laboratório subterrâneo de Gran Sasso, no centro de Itália, a 300,006 quilómetros por segundo, ou seja, uma velocidade superior em seis quilómetros por segundo à velocidade da luz.

"Por outras palavras, para uma corrida de 730 quilómetros, os neutrinos cruzaram a linha de chegada com 20 metros de avanço" sobre a luz, caso esta tivesse percorrido a mesma distância terrestre, exemplifica o CNRS.

"Longos meses de investigação e de verificações não nos permitiram identificar um efeito instrumental que explique o resultados das nossas medições", reconheceu o porta-voz da investigação Opera, Antonio Freditato, que se mostrou "ansioso" por comparar estes resultados com outras experiências.

"Tendo em conta o enorme impacto que tal resultado poderá ter na Física, são necessárias medições independentes para que o efeito observado possa ser refutado ou então formalmente estabelecido", sublinha o CNRS.

"É por isso que os investigadores do projecto Opera desejam abrir este resultado a um exame mais amplo por parte da comunidade de físicos", acrescenta.

LUSA, 22/09/2011

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Neutrinos mais rápidos que a luz podem abrir portas para viajar no tempo

A confirmação da existência de uma partícula mais rápida que a luz vai abrir portas à hipótese de se poder "viajar no tempo", defendeu o investigador português do Conselho da Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN).

A existência de algo mais rápido que a luz não deveria acontecer de acordo com a teoria de Einstein que tornou famosa a equação “E=mc2”. No entanto, o CERN anunciou na quinta-feira uma experiência que defende que os neutrinos são 60 nanossegundos mais rápidos que a luz.

“Se esta experiência se confirmar haverá uma enorme revolução na física, que trará graves consequências, porque há uma quantidade de coisas que achávamos que estavam descobertas e afinal não estão”, disse à Lusa Gaspar Barreira, o cientista português que pertence ao Conselho do CERN.

Gaspar Barreira lembra que caso haja a confirmação da descoberta, esta vai “mexer com o princípio da causalidade” e até permitir a hipótese de se poder “andar para trás no tempo e condicionar no futuro uma ação do passado”.

"O mundo é muito mais complexo do que as nossas teorias científicas. Não fazemos a mais pequena ideia do que se passa com 95 por cento do universo", lembrou o também presidente do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP).

Gaspar Barreira estava na reunião mensal do CERN, em Genebra, quando soube os resultados da investigação, que só viriam a ser publicamente divulgados horas mais tarde.

“Há resultados que eu esperava, mas nunca este. Há poucas gerações que podem viver estas experiências”, disse, emocionado, o cientista, que acredita que os próximos anos sejam de grandes descobertas, "tal como aconteceu na viragem do século passado".

À Lusa o físico explicou a experiência agora revelada: "Foram disparados um feixe de neutrinos do acelerador de partículas situado perto de Genebra para um laboratório subterrâneo em Itália, a 730 quilómetros de distância". Resultado: o neutrino viajou 60 nanossegundos mais rápido que a velocidade da luz.

Os investigadores envolvidos neste projecto já pediram à comunidade científica internacional que confirmem ou excluam esta a experiência. “Isto não é uma descoberta, é um resultado experimental que é preciso confirmar”, sublinhou Gaspar Barreira.

O professor José Pedro Mimoso, do Departamento de Física da Universidade de Lisboa, explicou o "pedido" dos investigadores: um nanossegundo é mil milhões de vezes mais pequeno que um segundo e por isso tem de se colocar a hipótese de haver um “erro sistémico” e para isso "basta que haja um detector que não está bem calibrado”.

Os dois portugueses sublinham que estas descobertas não põem em causa nem destroem a teoria de Einsten. Caso se confirme, será uma informação adicional à teoria. "Em ciência não se deita por terra descobertas anteriores", lembrou Gaspar Barreiros.

E como é que a comunidade científica está a viver o momento? “Há três sentimentos: a perplexidade e o cepticismo, porque a teoria de Einsten já foi muitas vezes confirmada, mas também a excitação perante algo inesperado”, resumiu José pedro Mimoso.

Por enquanto, a velocidade da luz - 299.792 quilómetros por segundo - continua a ser considerada o limite de velocidade cósmica.

Lusa, 23/09/2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Big Bang segundo o cosmólogo português João Magueijo



... ou como um alentejano ousou pôr em causa a célebre fórmula E=mc2 de Albert Einstein.
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João Magueijo nasceu em Évora, em 1967. Magueijo integra o Grupo de Física Teórica do Imperial College, em Londres e é autor da polémica Teoria da Velocidade Variável da Luz (VSL, Varying Speed of Light).


João Magueijo licenciou-se em Física na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e mudou-se para Cambridge, em Inglaterra. Assegurou uma bolsa do Trinity College para fazer o mestrado e o doutoramento em Cambridge, onde acabou por permanecer como investigador mas desta feita no St. John's College.

Desenvolveu trabalho de investigação no St. John College, na Universidade de Cambridge.

Aos 11 anos o pai ofereceu-lhe um livro escrito por Albert Einstein e Leopold Infeld, o qual revolucionou sua vida, confiou em várias entrevistas.

É autor de uma teoria que põe em causa a premissa mais básica da Teoria da Relatividade de Einstein (E=mc2): a de que a velocidade da luz (300 mil km/segundo) no vácuo é sempre constante. O português ousou pôr em causa um dos pilares da Física moderna ao afirmar que a velocidade da luz nem sempre foi constante, questionando um dos pressupostos da Teoria da Relatividade formulada por Einstein, precisamente o postulado de que a velocidade da luz é imutável.

A sua teoria também lança uma nova explicação sobre o nascimento do universo, estando mais perto da "velhinha" Teoria do Big Bang do que da recente Teoria da Inflação Cósmica, o que lhe valeu as iras da comunidade científica que recentemente tinha aderido a esta última teoria.

Magueijo explica a sua luta para impor as suas ideias no livro "Faster Than The Speed of Light, The Story of a Scientific Speculation" (2003). Em 13 de Maio de 2008, o canal britânico Science deu-lhe a oportunidade de gravar um programa (que aqui postamos) para vulgarizar a sua teoria junto de um público mais leigo.

Presentemente lecciona Física Teórica no Imperial College de Londres.

sábado, 17 de setembro de 2011

Lixo espacial

O número de detritos que flutuam no espaço atingiu um “ponto crítico”, ameaçando cada vez mais os satélites e os astronautas.

A NASA contabilizou 22 mil detritos à deriva na órbita terrestre e estima em milhões o número dos que possam ser ainda registados. Destes, cerca de meio milhão devem ter entre um a dez centímetros de diâmetro e podem entrar em colisão e deteriorar ou destruir outros engenhos espaciais ou ferir astronautas.

A China foi mencionada como uma das fontes de aumento do número de detritos no espaço quando, há quatro anos, testou mísseis anti-satélites, que pulverizaram um satélite em 150 mil fragmentos.