sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

sábado, 14 de setembro de 2013

Tecidos de mil cores e padrões quatro vezes por ano no Kirchberg

Foto: José Luís Correia
Tem lugar este sábado, entre as 10 e as 17h, na Luxexpo, em Kichberg, mais um Mercado dos Tecidos. Esta feira dos tecidos tem lugar quatro vezes por ano no Grão-Ducado, em Fevereiro, Abril, Setembro e Novembro.

Numa área de 5 mil metros quadrados, a Luxexpo acolhe cerca de uma centena de expositores e stands de vendedores vindos da Holanda, Alemanha, Bélgica e França, que oferecem uma grande variedade de tecidos aos melhores preços.

"Cashemira a 40 euros o metro, 'Madame'", anuncia um vendedor, alemão, a adivinhar pela pronúncia. "No comércio custa mais de 100", avisa. A cliente, belga, deixa-se tentar.

O passeio pelo mercado é um mergulho num universo de mil cores e padrões garridos, são sedas, cetins, tafetás, organzas, tules, brocados, e até ganga a metro.

Aproximamo-nos das bancas e deixamo-nos envolver pelo bom cheiro a lã virgem, a linho, algodão, malha. Há stands onde essa experiência é mais "perigosa": mulheres de todas as idades acotovelam-se e perdem a paciência porque já esperam há demasiado tempo pela sua vez. "A bicha é aqui!", zanga-se uma cliente, em luxemburguês. Os vendedores não têm mãos a medir.

"É espantoso", confia-nos um vendedor holandês, da empresa TST. "Faço 440 km para vir a este mercado, mas vale a pena. Nunca pensei que logo depois das férias vendéssemos tanto. O dia está a correr muito bem."

"Antes, o mercado vinha só três vezes ao Luxemburgo, mas os clientes são tantos que já temos uma quarta data", diz satisfeito. E logo a atenção lhe é exigida por uma cliente portuguesa que pergunta pela origem de um tecido. "É pura lã virgem, da Itália, da melhor qualidade, 24 euros o metro." A cliente manda cortar um metro e meio e confia-nos que é costureira na reforma.

"Nesta feira, a qualidade dos tecidos é muito boa e os preços baixos, em relação aos praticados no comércio. "O 'polar' está a 3,95 euros o metro, já viu, são preços muito bons", diz por seu lado uma cliente francesa.
Foto: José Luís Correia

Há tecidos de todos os tipos e para tudo o que se quiser, para interiores, decoração, vestuário, desde cortinados, colchas, toalhas, pijamas, lençóis, saias, blusas, casacos, fatos, calças, vestidos de cocktail e de noiva e até pele para fazer malas de mão.

Há pessoas a comprar para costurar em casa e há costureiras a comprar para as encomendas das clientes. 

Há igualmente stands com tudo o necessário para a costura: botões, fitas, fechos "éclair", elásticos, linhas, agulhas, tesouras, fitas, máquinas de costura, acessórios.

Este mercado, que faz a ronda pelos Países Baixos (Maastricht, Gouda, Eindhoven, Roterdão, etc.) França (Mulhouse, Reims, Nancy), Bélgica (Mons, Namur, Louvain, Antuérpia, Gand, Brugges) e Luxemburgo, é uma organização da holandesa "Stoffen Spektakel".

O Mercado dos Tecidos regressa ao Luxemburgo a 16 de Novembro. A entrada é gratuita. O estacionamento no recinto da Luxexpo custa 3 euros. No P&R ao lado é gratuito.

Texto e fotos: José Luís Correia

(Mais fotos em www.wort.lu/pt), site onde este artigo foi originalmente publicado)

sábado, 29 de junho de 2013

Bailado de Moa Nunes dá corpo e movimento às palavras

Foto: Gerry Huberty/Luxemburger Wort
"Palavras e Palavras" é o título do mais recente espectáculo de dança contemporânea do coréografo brasileiro Moa Nunes, residente no Luxemburgo.

O bailado, que estreou ontem na Abadia de Neumünster, no Grund, contou com sala cheia. Esta noite há novo espectáculo e ainda há bilhetes.

O bailado é composto por duas dezenas de quadros, cada um transmitindo uma emoção, uma história, uma palavra, num todo plasmado na dança.

São sete os bailarinos em palco, seis mulheres e um homem. São ninfas, são "Petrussides", do rio que ali corre ao lado (Pétrusse)? Não! Os sete são um todo, como vogais e consoantes dos verbos que dançam. Os movimentos são palavras, são ondas, círculos, os olhares seduzem-se, as mãos tocam-se. É dança. É poesia.

Há momentos envolventes, sossegados, cativantes, outros alegres, barulhentos, saltitantes. As palavras em palco não são apenas as do título. O bailado também fala, sobe o tom, acalma-se, fica poético, vira, joga, sobressalta, os bailarinos gritam, ora acabam a discutir, ora a brincar uns com os outros. O espectador deixa-se levar, as canções tranquilas deixam-no introspecto, outras sacodem-no, o mundo gira ao ritmo dos gestos e dos passos dos bailarinos.

As palavras estão também presentes no lindíssimo poema "Self Love Poem", de Charlie Chaplin, dito por Christel Schockmel, entre dois quadros e que fala de autenticidade, respeito, maturidade, auto-confiança, simplicidade, valores pelos quais Moa se quis reger neste bailado.

Num momento o público tem de se conter para não dançar ao som da percussão afro-brasileira de Nyllo Canela e Xuxa Badou. Os bailarinos, esses, parecem possessos. Há também uma dança melancólica com dois véus vermelhos suspensos (do céu?). Ela dança com as nuvens? Num outro quadro, o bailarino dança sozinho em palco com cadeiras (acessório emprestado ao cabaret?), mas o grupo acompanha-o em diferido, em imagens filmadas como pano de fundo.

Todas estas novas linguagens e plasticidades da dança não são para despistar ou confundir o espectador, são para inovar, transmitir novas emoções, outras direcções e inspirações, dar corpo a novas palavras. As palavras estão também presentes nas canções escolhidas para acompanhar os bailarinos. Não são muito habituais para um bailado, onde a música instrumental é a banda sonora mais corrente, mas são prodigiosas, pela sua força e beleza. Com a plástica desenhada pela dança ficam ainda mais sublimadas e emocionam até o espectador mais desatento.

Os géneros fazem-nos viajar da música clássica ao pop, passando pelo jazz, a bossa nova, a música popular brasileira, o samba e até o forró. O leque é impressionante pela sua diversidade e vai desde Keith Jarret ("Köln January 24, 1974") a Elis Regina ("O que tinha de ser", de Tom Jobim), Caetano Veloso ("Sozinho"), Maria Bethânia ("Poema dos Olhos da Amada", lido por Jeanne Moreau, canção de Vinicius de Morais), Mónica Salmaso ("Mortal Loucura", de José Miguel Wisnik/Gregório de Matos Guerra), Tom Zé ("Xiquexique"), Jacques Brel ("Voir un ami pleurer") e I Muvrini, cantando em córsega ("L’emigrante"), até músicas de uma tradição mais clássica como as do anglo-germânico Max Richter ("Sarajevo"), do jovem polaco Abel Korzeniowski ("Stillness of the Mind"), do sino-americano Yo-Yo Ma ("Suite for solo cello"), do italiano Ludovico Einaudi ("Due Tramonti") ou do francês René Aubry ("Steppe").

Foto: Gerry Huberty/Luxemburger Wort

"A palavra é uma ferramenta poderosa" 

Este é o terceiro bailado que Moa Nunes compõe e apresenta no Luxemburgo, depois de "Meus Caminhos", em 2010, e "Um Olhar a Dois", em 2011.

"No primeiro [bailado] falei da minha vida, no segundo do Amor, neste é sobre a linguagem que é uma das ferramentas mais poderosas que temos. Mas não é só sobre as palavras, é sobre a palavra do corpo, do olhar, da poesia, a palavra que utilizamos diariamente, a palavra de conforto e de alegria, a palavra da brincadeira", explica Moa.

Sobre a mistura de géneros, musicalidades e plasticidades do bailado, Moa não admite logo, mas adora quebrar os códigos da dança contemporânea.

"Eu trabalho a música contemporânea com o moderno, o neoclássico, o jazz. Não me prendo numa só modalidade, porque venho dessa tradição, na linha de escolas como Martha Graham e Lehman" (n.d.R. escolas de dança americanas muito conceituadas).

"Trabalho para um público europeu e por isso quis incluir todos estes géneros musicais. Quero que entendam a minha história". "Num dos quadros, eu quis mostrar trabalhadores que saem da roça. Vêm sujos e preparam-se para tomar banho. Mas aí pintou a música e o brasileiro é assim mesmo, tem que dançar", explica Moa Nunes, evocando um dos quadros mais divertidos do bailado.

"É talvez difícil que o público entenda cada quadro exactamente, mas a mensagem, a energia, a poesia e a emoção que eu queria transmitir, acho que consegui passar".

Moa Nunes e os sete bailarinos 

Quisemos também falar com alguns dos bailarinos, que têm as mais diversas origens e nacionalidades: há uma portuguesa, uma brasileira, três belgas, uma luxemburguesa e um italiano.

A brasileira Grazi Furtado, que já trabalhou com Moa Nunes noutros bailados, explica onde nasce a energia que o grupo demonstra em palco. "É muito importante passar a emoção que temos em palco para o público. Essa emoção vem do Moa, mas como grupo essa energia vem de todos, e acabamos por conseguir transformá-la em algo muito belo e passer isso para o público através da dança".

A portuguesa Guida Maurício mora em Bruxelas e foi aí que Grazi lhe apresentou o coreógrafo. Guida concorda, "a dança é uma linguagem universal, as músicas falam muito e transmitem muito do que ele quis fazer passar".

"Conheço bem o Moa, a sua maneira de fazer, de pensar, de exprimir as coisas pela dança e isso ajudou-me a transmitir ao público o que ele queria. Dançar música contemporânea sobre canções brasileiras é muito envolvente e enérgico", diz por seu lado a belga Cathy Crols, que trabalhou com o coreógrafo em todos os seus bailados e o conhece desde quando este era seu professor de dança.

Também Govanni Zazzera, italiano residente no Luxemburgo e único homem do grupo de bailarinos, trabalhou com Moa em todos os seus espectáculos. "Somos todos de origens diferentes mas, na dança, não é preciso compreender as palavras, isso exprime-se pelos gestos, pelos movimentos e até pelo olhar. O que eu gosto no facto de trabalhar com Moa, é que ele se adapta aos bailarinos e procura as nossas qualidades e competências para saber como nos encaixar no que quer fazer. Dançar ao som de música brasileira é um mimo, pode ser muito enérgico e cativante, e depois muito poético e suave".

Christelle Renard também é belga, gere a companhia de dança Zoïa, e é a primeira vez que trabalha com Moa. "Este espectáculo fala da dificuldade de nos exprimirmos e isso é comum a todos nós. Por isso, penso que o público gostou e entendeu a mensagem".

"O Moa sabe muito bem dirigir os bailarinos, os movimentos são dele, a composição é dele, ele explica-nos exactamente o que espera de nós e o que o público tem de reconhecer na nossa dança, mas deixa que a nossa personalidade sobressaia também. Esta mistura entre música brasileira e dança contemporânea, com influências jazz, é mesmo muito gira. Muitas vezes, a dança contemporânea fica no cliché, é demasiado conceptual, por vezes já nem sequer há dança. Este tipo de bailado e o estilo do Moa Nunes podem reconciliar o público e a dança contemporânea".

Uma das bailarinas mais novas, Noelle Gerin, é luxemburguesa, mas também já trabalha há três anos com o coreógrafo. "Todos os espectáculos são muito pessoais, descobrimos mais sobre o Moa através de cada novo bailado. Nós, depois, é que tentamos contar ao público o que ele nos transmite".

"Uma das suas grandes qualidades é que vê a nossa personalidade e utiliza isso no espectáculo para nos valorizar. Ele não olha apenas o bailarino, mas interessa-se pela pessoa que somos. Faz-nos escutar a música, muitas vezes brasileira, depois faz a tradução da canção e explica-nos o que quer transmitir através da dança que compôs para essa música. Pode ser melancolia ou alegria, mas pede-nos acima de tudo para sermos sinceros na dança. Adoro trabalhar com ele". Esta paixão no olhar e nas palavras, quando falam de Moa, sentimo-la em cada bailarino com quem falámos.

E o público de ontem à noite, a julgar pela efusiva e barulhenta standing ovation no final, também. O próximo bailado deste coreógrafo brasileiro que mora no Luxemburgo desde 1997 (com um intervalo entre 2002 e 2009) chama-se "L’Autre Côté", revelou-nos ainda Moa Nunes, e deverá estrear em Outubro ou Novembro de 2014. Para o espectáculo de logo à noite ainda há bilhetes.

Mais informações pelo tel. 691 204 999. Bilhetes : 29 euros (palavras.tickets@hotmail.com) ou no site do CCRN-Abbaye de Neumünster (www.ccrn.lu).

José Luís Correia 

(Mais fotos em www.wort.lu/pt, site onde este artigo foi originalmente publicado)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O CONTACTO no Castelo de Berg com os Grão-Duques Henri e Maria Teresa e os Grão-Duques herdeiros Guillaume e Stéphanie

Fotos: Corte Grã-Ducal/Charles Caratini
Os Grão-Duques herdeiros, Guillaume e Stéphanie
O Grão-Duque Henri, Claude Feyereisen (Luxemburger Wort), José Luís Correia (Contacto) e Marc Thill (LW)
O Grão-Duque Henri, Claude Feyereisen (LW), José Luís Correia (Contacto) e Marc Thill (LW)
 Claude Feyereisen (LW), José Luís Correia (Contacto), Marc Thill (LW), Paul Meyers (LW)
O Grão-Duque Henri,Claude Feyereisen (LW), José Luís Correia (Contacto), Marc Thill,  Raphael Zwank e Paul Meyers (LW)
No passado dia 5 de Junho, a Família Grã-Ducal recebe imprensa no Castelo de Berg A família grã-ducal recebeu na quinta-feira a comunicação social luxemburguesa no castelo de Berg.

O jornal CONTACTO fez-se representar pelo chefe de Redacção, José Luís Correia, e pelos jornalistas Paula Telo Alves e Domingos Martins. Numa manhã ensolarada, a família grã-ducal convidou jornalistas de vários meios de comunicação social do Luxemburgo, na sua já habitual Recepção à Imprensa, que acontece uma ou duas vezes por década.

O CONTACTO não quis deixar de estar presente nesta recepção. Durante a recepção, a grã-duquesa Maria Teresa aproximou-se dos jornalistas portugueses presentes e quebrou o gelo dizendo também ser "uma latina". Em amena cavaqueira, disse aos jornalistas do CONTACTO que apreciou muito o filme "O Cônsul de Bordéus", que viu durante a inauguração da Quinzena de Cinema Português, na semana passada, onde esteve presente com o marido, o grão-duque.

 Maria Teresa contou aos jornalistas que o realizador João Corrêa lhe ofereceu o filme em DVD para ver com o sogro, o grão-duque Jean, uma das pessoas a quem o então cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, passou um visto, permitindo-lhe chegar a Lisboa para escapar ao regime nazi.

O grão-duque Henri também disse ter apreciado muito o filme e falou das relações que a sua família ainda mantém com a família Espírito Santo, que acolheu o pai, o grão-duque Jean, e a avó, a grã-duquesa Charlotte, em Cascais, quando chegaram a Portugal como refugiados, graças ao visto de Sousa Mendes. Mas o Grão-Duque ainda tinha uma grande revelação a fazer: "Esta casa foi construída por uma portuguesa, sabiam?", revelou o grão-duque aos jornalistas do CONTACTO, explicando que o Castelo de Berg foi construído pela sua bisavó, Mariana de Bragança (filha do rei D. Miguel de Portugal), casada com o então grão-duque do Luxemburgo, Guillaume IV. O castelo de Berg, residência oficial dos soberanos do Grão-Ducado, foi mandado construir pelos então soberanos entre 1906 e 1911, e é uma obra do arquitecto alemão Max Ostenrieder e do arquitecto luxemburguês Pierre Funck-Eydt. O grão-duque herdeiro Guillaume comentou, por seu lado, que o castelo tem "um aspecto muito alemão", o que se explica não só pela origem dos arquitectos, mas pelo facto de a sua tetravó, Mariana de Bragança, ter ascendência não só lusa, como alemã.

JLC 
in CONTACTO, 12/06/2013

quarta-feira, 5 de junho de 2013

(in)Tolerante

Vivemos tempos de tolerância, vivemos tempos de intolerância. Humanidade esquizofrénica. Parece que cada vez que damos um passo no sentido de nos sentirmos cada vez mais como uma só raça, a humana, mais certas franjas desse corpo se arrepiam e se retraem sobre si mesmas.

Vem isto a propósito de vários momentos que me marcaram nos últimos dias e semanas.

Primeiro, o julgamento de um grupo de jovens cabo-verdianos na semana passada, acusados de atacarem e roubarem um passageiro num comboio em 2011, na linha Luxemburgo-Rodange. Ao juiz, a vítima disse que os jovens tinham intenções de o assaltar assim que entraram na carruagem. Os jovens testemunharam que o homem os expulsou da carruagem de primeira classe e que isso desencadeou os insultos e a agressão. Quem provocou quem e porquê? E isso justifica uma tal violência?

 Enquanto isto decorria, a primeira-ministra do Ontario, Kathleen Wynne, assinalava os 60 anos da imigração portuguesa no Canadá, considerando "vital" o reconhecimento dos imigrantes "que adicionaram a sua distinção ao nosso tecido multicultural”. A ministra recomendava ainda que a comunidade portuguesa do Ontário perpetuasse a sua identidade e costumes.

"A nossa província é a soma total das suas diversas comunidades, os canadianos portugueses podem ter um grande orgulho em saber que ajudaram a moldar a nossa identidade colectiva e única”, disse a ministra canadiana.

A palavra-chave aqui é reconhecimento e não identidade.

Estivesse o Canadá ainda ligado à França e talvez o discurso fosse outro. Sem se aperceberam da sua arrogância, os franceses continuam a vangloriar-se de ser uma "excepção cultural" e a elogiar a assimilação cultural dos filhos dos imigrantes, considerando exemplar só esse tipo de integração. Por isso a segunda e terceira geração de portugueses em França é culturalmente invisível.

O país da igualdade e da fraternidade parece cada vez menos igualitário e fraterno. A violência dos protestos da extrema-direita e dos anti-casamento gay na semana passada em Paris, nos Champs-de-Mars (campos de Marte, Deus da Guerra! – por vezes, a História escolhe bem os seus teatros), provocaram-me arrepios. Seja-se a favor ou contra a lei do casamento para todos, isso justifica uma tal violência?

Sopram ventos xenófobos não só contrários aos estrangeiros mas a tudo o que é diferente, os extremismos e as intolerâncias exacerbam-se e muitos grupos e populações retraem-se, bacocos e primários, sobre si ou, pior, degeneram na violência.

Na Suécia, a morte "acidental" há duas semanas de um português pela polícia – que recebeu os agentes com um machado, quando estes bateram à porta de sua casa, onde o imigrante se tinha fechado com a companheira – provocou a fúria dos jovens do bairro, onde moram muitos estrangeiros, que atacaram a polícia e incendiaram carros. Em resposta, grupos de extrema-direita manifestaram-se contra os manifestantes e tiveram confrontos também com a polícia. A vaga de violência provocou um debate no país sobre a integração dos imigrantes, que representam 15 % da população (muito longe dos 46 % do Luxemburgo).

Não é o primeiro incidente deste tipo na habitualmente tranquila Suécia. Distúrbios semelhantes ocorreram em 2010 e 2008 naquele país, após o encerramento de um centro cultural islâmico. A reacção do Reino Unido e dos EUA aos distúrbios na Suécia foi desaconselharem os seus cidadãos a viajar para as zonas de conflito. Como se as ruas de Londres não tivessem sido dois dias antes palco de um degolamento em plena luz do dia de um soldado britânico por dois nigerianos jihadistas.

E que dizer dos EUA, onde menores desatam semana sim, semana não, aos tiros nas escolas, e o terrorismo "doméstico" faz mais de 9 mil mortos por ano, só com armas de fogo? Para fazer baixar estas estatísticas, Obama tentou fazer passar uma lei que obrigasse os vendedores de armas a verificar os antecedentes criminais dos compradores. Por escassos seis votos, a lei foi rejeitada no Senado, no que foi considerado por Obama como "um dia de vergonha para Washington".

Nem um Prémio Nobel da Paz consegue salvar uma nação-suicida. O poderoso lóbi norte-americano das armas argumentou que a lei "feria" a segunda emenda da constituição, que autoriza qualquer cidadão a ter uma arma, mas esquecem-se que data de uma remota época em que pistoleiros faziam a lei em povoações sem policiamento. Salve-se então a segunda emenda, mesmo que isso mate crianças inocentes e o país.

O nosso pacato e pequeno Grão-Ducado tem muitos defeitos e também destas intolerâncias internas. Mas gosto de pensar que são erupções cutâneas isoladas, de elementos enfermos da sociedade, e que nunca se converterão em movimentos de massa como em França ou na Suécia.

Ou será que essa violência está apenas latente, por eclodir? Ele há indícios que nos preocupam. Por enquanto, a paz social e a tolerância vão sendo alimentadas pela prosperidade e estabilidade do país. Mas se um dia esse frágil equilíbrio for rompido, a nossa sociedade continuará tão tolerante como diz ser?

José Luís Correia
in Jornal Contacto, 05/06/2013

terça-feira, 4 de junho de 2013

Novo bailado de brasileiro Moa Nunes na Abadia de Neumünster, sexta e sábado

A nova coreografia do brasileiro Moa Nunes sobe ao palco da sala Robert Krieps da Abadia de Neumünster (no Grund), na capital, esta sexta-feira e sábado (28 e 29 de Junho), pelas 20h.

Intitulado "Palavras e Palavras", este espectáculo "nasceu do desejo de explorar a linguagem e a necessidade humana de ser ouvido", segundo Moa Nunes.

"As palavras são geralmente consideradas como aquelas que são faladas ou escritas", diz o coreógrafo. Mas para Moa Nunes, coreógrafo brasileiro residente no Luxemburgo há 16 anos, as palavras são muito mais do que isso. "As palavras são preciosas: podem curar, podem magoar, podem ser verdadeiras e dóceis, podem mentir, podem ser destrutivas e traiçoeiras, podem ser vazias, mas também inspiradoras. Elas criam mundos e mudam a realidade", diz Moa Nunes.

Nesta obra, o coreógrafo brasileiro vai além das palavras e permite que a linguagem do corpo fale. Depois das obras "Um olhar a dois" e "Meus caminhos", Moa explora neste novo opus o poder das mesmas e como são utilizadas para construir ideias, emoções e memórias, e para contar uma história.

As reservas para ver este espectáculo devem ser feitas pelo tel. 691 204 999.

Mais informações sobre os projectos de Moa Nunes na internet (www.moadance.com).

JLC

Este artigo foi igualmente publicada no site www.wort.lu/pt

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Quem é que manda aqui, hein?



José Luís Correia, Álvaro Cruz, Domingos Martins e Paula Telo Alves, 22Maio2013

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Redacção do CONTACTO



Sentado: José Luís Correia, chefe de Redacção
De pé: Pedro Selas, José Henrique de Burgo, Domingos Martins e Álvaro Cruz
17/Maio2013

sábado, 11 de maio de 2013

Edição portuguesa da revista Granta nas bancas a 24 de Maio

O primeiro número da edição portuguesa da revista literária Granta, que irá publicar inéditos de Fernando Pessoa, é colocado à venda no dia 24 de Maio, revelou a editora Tinta da China, que a publica.

No dia 25 realiza-se um debate sobre a revista, às 17h, na praça Laranja da Feira do Livro de Lisboa, no parque Eduardo VII, entre Carlos Vaz Marques, director da Granta portuguesa, e John Freeman, director da Granta internacional e ex-presidente da associação britânica de Críticos Literários.

Segundo Carlos Vaz Marques, a revista tem o interesse de publicar um inédito de um autor desaparecido por cada número, mas a própria revista vai encomendar textos originais a autores de língua portuguesa.

A publicação de cinco sonetos de Fernando Pessoa, apresentados pelos investigadores pessoanos Jerónimo Pizarro e Carlos Pitella-Leite, insere-se no primeiro objectivo da revista, que “é o de publicar bons textos literários inéditos”, diz Vaz Marques.

Referindo-se à publicação dos sonetos de Pessoa, Vaz Marques afirmou tratar-se de “uma revelação absoluta” que “já justificaria, por si só, este primeiro número da edição portuguesa da Granta”.

Um outro objectivo desta nova publicação, que vai ter periodicidade semestral, “é o de publicar em português os textos de grandes escritores, escritos para a Granta de língua inglesa, e nunca editados em Portugal”.

“O baú da Granta é imenso e de grande qualidade, com autores tão importantes como Salman Rushdie ou Martin Amis, Saul Bellow ou Ryszard Kapuscinski”, acrescentou o director.

Vaz Marques falou ainda num terceiro objectivo, “mais ambicioso”, que é o de “dar a conhecer e de conseguir abrir portas noutros países a alguns dos autores que vão publicar na edição portuguesa”.

“Sendo a Granta, cada vez mais, uma família literária global, com edições em diversas línguas, temos esta ambição”, lança.

A Granta Portuguesa vai incluir, “em todos os números, um portfolio fotográfico, que, nesta primeira edição, vai ter a assinatura do fotógrafo Daniel Blaufuks”.

A Granta portuguesa, publicada pela editora Tinta da China, vai “seguir o modelo original da Granta, que já deu provas de grande qualidade”, disse Vaz Marques, que sublinhou que “será, acima de tudo, uma revista virada para a criação literária, na qual se tentará juntar nomes consagrados e novos talentos”.

À nova revista, Carlos Vaz Marques quer “chamar autores de todo o espaço de língua portuguesa”. 

Questionado sobre qual a ortografia escolhida, seguindo ou não o Acordo, Vaz Marques afirmou: “A Granta não vai ater-se a pequenas polémicas de circunstância. Será publicada na forma ortográfica escolhida por cada um dos autores que escrever para ela”. A Granta não deverá ter uma edição online.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ana Moura encantada do fado

No domingo, a fadista pisou os palcos do Luxemburgo pela quarta vez. Depois de ter actuado na place Guillaume II, na cidade do Luxemburgo, em directo na emissão "Portugal no Coração", em 2005, e de um espectáculo no Trifolion de Echternach, em 2009, passou pelo palco da Philharmonie em 2011. Agora regressou para apresentar o seu último álbum, "Desfado".

Os músicos são os primeiros a chegar ao palco. São cinco, todos bastante jovens. Que não engane a idade, vão revelar-se de uma estirpe tão talentosa que até assusta. À média luz do palco do Conservatório de Música da cidade do Luxemburgo, esperam por Ana Moura.

Segundos depois, a cantora entra, de vestido negro deslumbrante, com franjas que lembram o xaile das antigas fadistas das tabernas lisboetas, mas a sobriedade é ofuscada pelo colar de brilhantes, que realça o peito nu ilustre lusitano que canta. "Vestido negro cingido, cabelo negro comprido" é o que cantará minutos depois na sua música "A Fadista". Fala de si mesma?

Mas chamar-lhe fadista é redutor. Aos 33 anos, mais do que simplesmente marcar presença no fado há dez – o seu primeiro álbum saiu em 2003 –, Ana Moura tem-se revelado uma verdadeira força viva do fado em evolução e mesmo em revolução. E foi o que nos veio mostrar na apresentação do seu mais recente álbum.

A guitarra portuguesa dá a nota da primeira música: "Eu hei-de inventar um fado novo..." canta Ana Moura, e reconhecemos a canção "Havemos de acordar". E acorda-nos mesmo, depois de uma tarde solarenga de domingo. "Gudden Owend" [Boa noite] lança a coruchense num luxemburguês perfeito. Pede apoio ao público português para comunicar em francês com os outros espectadores: há luxemburgueses, franceses, alemães, ingleses, americanos, polacos e até um casal japonês. Porque, afinal, o fado é património da Humanidade.


Ana explica que o álbum "Desfado" tem influências do jazz, da música do norte de Portugal, mas não esquece o fado tradicional, em canções como "Com a cabeça nas nuvens" e "A Fadista". Da linha mais tradicional, Ana cantará ainda nessa noite dois fados de anteriores álbuns, "Porque teimas nesta dor" ("Guarda-me a Vida na Mão", 2003) e "Búzios" ("Para além da Saudade", 2007).
A surpresa boa (muito boa!) vai ser a canção que dá nome ao álbum, assinada por Pedro Silva Martins, dos Deolinda (que também compôs "Havemos de acordar"). Ter convidado o mentor dos Deolinda para este álbum prova o rumo insubmisso que Ana quer dar ao fado.

A cantora convidou ainda outros nomes da cena portuguesa, músicos da sua geração, que para ela compuseram "Fado Alado" e "Quando o sol espreitar de novo". São temas de dois insuspeitos fadistas: Pedro Abrunhosa e Manel Cruz (Pluto, Supernada, Foge Foge Bandido, ex-Ornatos Violetas). As letras são muito bonitas, algumas canções ficam longe do fado tradicional, mas a alma continua portuguesa.

A voz de Ana Moura seduz, parece rouca mas é grave, forte, firme, potente, quente, intensa. Amália aqui tão perto. As canções intimistas, como "Amor afoito", são cantadas à flor da pele. "A minha estrela" termina com Ana a tocar numa caixa de música a melodia de "La vie en rose", de Edith Piaf. Noutras, como em "Despiu a saudade", o jazz é não só patente como omnipresente.

A cumplicidade com os músicos instala um ambiente de clube nova-iorquino. Como em "Case of you", um lindíssimo original de Joni Mitchell, um dos ícones do jazz e do folk norte-americanos. fado novo Com Ana Moura, o fado viaja até Nova Iorque, passa por Braga e regressa a Alfama.

Há canções introspectivas, circunspectas e logo de seguida explosões de alegria. Numa canção, Ana quer seduzir-nos com voz sensual e na seguinte quer dançar connosco de mãos dadas. Os espectadores aderem. O fado também é festa. Como em "E tu gostavas de mim", o público acompanha a cantora com palmas. A canção é uma pérola, a meio caminho entre o fado bailado e o folclore, da autoria do talentoso e bem humorado Miguel Araújo, que conhecemos de canções como "Os maridos das outras", "Capitão Fantástico" ou "Fizz Limão". Mas será que o público se apercebe da letra?

Miguel Araújo é hoje o único músico português com coragem para fazer rimar "foguetões" com "neutrões", e de falar de cães em naves espaciais, microondas em Plutão, da banda larga em Arganil e do ciberespaço em Contumil, tudo isto... num fado! É ainda mais genial na voz de Ana Moura.

Nestas ousadias, no humor, nas incursões em outros géneros sente-se o fado a evoluir, a crescer, à nossa frente. Já não são os álbuns experimentais de Paulo Bragança ou de Mísia do início dos anos 1990, nem as influências dos Madredeus, que nem todos os fadistas assumiam. O fado de Ana Moura, como o de alguns dos jovens fadistas, é um fado definitivamente novo, que se assume com o seu q.b. de saudoso e tradicional, mas já não quer ser apenas isso, agora é planetário, transgride as regras, bem à portuguesa, com um sorriso, descomplexadamente, mas só graças a esse impulso espontâneo de libertação pode dar-se ao mundo e recordar-nos que foi assim que nasceu, rufião.

Num interlúdio musical, sem Ana, os cinco músicos – André Moreira (baixo), Pedro Soares (guitarra), João Gomes (teclas), Márcio Costa (bateria) e Ângelo Freire (guitarra portuguesa) – vão mostrar as razões porque a cantora os escolheu para a acompanharem desde Janeiro nesta digressão. Ângelo Freire, de apenas 21 anos, vai mesmo destacar-se e provar que é o virtuoso da guitarra portuguesa de que todos falam.

No encore, Ana vai cantar "Sou do fado" (Fado Loucura) e "Fado Serrano", temas que a ligam a Amália. E vai mesmo ousar acrescentar ao Fado Serrano uma sonora introdução luxemburguesa, "Gudd Nuecht Lëtzebuerg, muito boa noite, senhoras e senhores...", ao qual se rendem os últimos irredutíveis autóctones que estão na sala.

No final do concerto, nas poucas declarações que deu, Ana Moura disse-se contente por ter tanto público jovem aqui no Luxemburgo. "Alguns vierem dar-me os parabéns pela coragem e arrojo de ter feito este disco", diz lisonjeada.

A cantora confessa que estava um pouco "receosa" pela forma como os portugueses cá fora, talvez mais familiares do fado tradicional, reagiriam ao seu novo álbum. Mas, "curiosamente, têm reagido muito bem", garante , "talvez porque o álbum também integra fados mais tradicionais e uma vertente inspirada na música do norte de Portugal".

"Da última vez que vim ao Luxemburgo, trouxe um repertório um pouco mais tradicional. Este disco é realmente muito diferente. Fico muito feliz que os portugueses gostem destas nossas aventuras. É que para além de sermos fadistas, temos o nosso próprio percurso natural. Este disco fazia muito sentido neste momento da minha carreira, pelas colaborações que tenho feito nos últimos anos. Eu queria partilhar isso com o meu público". E explica o seu afecto ao jazz: "o fado e o jazz assemelham-se muito, porque se cantam ambos com a alma, são um canto muito mais interior do que exterior".

Ana Moura é uma voz do fado no jazz ou do jazz no fado? Na noite do concerto, demos por nós, por vezes, a ouvir uma cantora de jazz que se terá extraviado no fado, primo tão próximo da canção lusitana. A guitarra portuguesa entrava sem ser convidada, mas a viagem era tão natural que a canção só podia ser adoptada pelo público, que se deixava embalar. Noutras canções, era assumidamente um fado-jazz, mesmo quando cantado em inglês. Mas como explicar o fado em inglês? Escutar as canções de Ana Moura dispensam qualquer explicação.

Texto: José Luís Correia 
Foto: Tania Feller
(in jornal CONTACTO, 08/05/2013) 


segunda-feira, 6 de maio de 2013

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Uma dica útil para bloquear o telemóvel à distância, em caso de roubo.

DICA ÚTIL: Um truque (que funciona) para bloquear o telemóvel à distância, em caso de roubo. 

Pergunta: Porque razão esta dica não vem das operadoras telefónicas? 
Resposta: o que lhes interessa é vender.

Quando te roubam um telemóvel, sabe-se que recuperá-lo é quase impossível. Os ladrões vendem-nos muito rapidamente. A experiência é muito desagradável, mas os revendedores de telemóveis roubados substituem simplesmente o chip e depois disso nada há a fazer. 

Porém, existe algo muito interessante que se deve conhecer e que é uma forma de se "vingar" do larápio que o roubou.

Todos os telemóveis GSM (que têm um chip) têm um registo de série único a nível mundial, o Código IMEI.
As operadoras não o tem registado. 
Só os proprietários do aparelho podem ter acesso ao código. Para obtê-lo digite : *#06# 

Só isso e NÃO PRESSIONE "SEND/ENVIAR".
No ecrã aparecerá o código IMEI.

Anote-o e guarde-o em lugar seguro.

Se lhe roubarem o telemóvel, chame a operadora e indique o código. O telefone será bloqueado completamente e mesmo que o ladrão mude de cartão ou chip, não poderá ligá-lo.

Provavelmente, você não recupererá o telefone, mas pelo menos terá a certeza que quem o tenha roubado nunca o poderá utilizar. 


Se todos soubéssemos disto, o roubo de telemóveis diminuiria e muito, porque não tería sentido roubar um aparelho sem serventia. 

Envie esta dica a todos teus amigos e conhecidos e acabemos com os roubos de telemóveis!

DIVULGUE!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Editorial do jornal CONTACTO: Os heróis e os vilões assinalados


Portugal e os portugueses, que julgávamos tornados anímicos pelas sucessivas perfusões intraven(en)osas da troika , tiveram um sobressalto ressacado quando um velho demónio assomou à porta, gracejando como um guinhol justiceiro. Foi aplaudido, foi vaiado, mas deu umas quantas cacetadas a este e àquele, tanto à esquerda como à direita. A diferença entre esta fantochada "actuação" (política) e os teatrinhos de robertos é que esta não me deu vontade nenhuma de rir.

Quer se goste dele ou se execre o homem, a verdade é que o regresso de José Sócrates criou uma das ondas mediáticas com mais impacto dos últimos tempos na sociedade portuguesa.

Primeiro, com o rol das petições contra o convite que lhe foi dirigido pela RTP para ser comentador do canal público. Tantos signatários chegariam para que o assunto fosse debatido várias vezes no Parlamento (recorde-se que o mínimo requerido para que um abaixo-assinado chegue à Assembleia da República é de quatro mil assinaturas). Depois, com a entrevista que deu a Paulo Ferreira e Vítor Gonçalves, a 26 de Março, na RTP, e que mereceu reacções e comentários de ponta a ponta do espectro mediático, político e público.

É que toda a gente tem opinião sobre José Sócrates. Porque este é um "vilão" que nos deixou marcas.

Ser contra a presença de José Sócrates na RTP não é ser contra a liberdade de expressão, é reclamar o respeito pelos portugueses que pagam a taxa de televisão ao Estado e têm o direito de contestar a programação.

Ser contra José Sócrates na RTP é não querer ver nem pintado alguém que fez promessas eleitorais em 2005 e depois fez exactamente o contrário, cometeu um despesismo público leviano, que não abrandou com a crise económica e financeira, criou uma série de instituições inanes, outras fictícias, fez negociatas chorudas em proveito próprio, dos seus próximos e em detrimento do país, e foi também quem chamou a troika (é bom pôr os pontos nos iis), quando já era tarde demais. Adiou por mais de um ano a decisão, o que levou a que as medidas impostas sejam agora difíceis de amenizar no tempo. Quando finalmente chamou a ajuda internacional , lavou daí as mãos e deu de frosques...

Ser contra José Sócrates na RTP é simplesmente ter o direito de mandar calar quem se exilou em mordomias parisienses quando Portugal agonizava, debicando croissants no 16° arrondissement , autista à fome e ao desespero de muitos portugueses.

Nesse momento José Sócrates não se exprimiu, porque haveríamos de o querer ouvir agora? Que ninguém se (des)iluda, este come-back é por puro oportunismo político.

José Sócrates volta à política e o povo aguarda a palavra messiânica dos seus lábios. Mais uma vez, como em 2005, muitos vão erigi-lo em D. Sebastião. Aos que já já me respondem que isso não acontecerá, recordo que José Sócrates não é menos odiado do que Cavaco Silva foi nos dez anos que passou no Governo e, no entanto, os portugueses elegeram o professor algarvio duas vezes (duas!) para o cargo máximo da nação. Agora parecem surpreendidos por se revelar tão mau presidente (?).

José Sócrates só regressa porque o povo é mesmo assim, tem a memória curta e precisa de heróis, dons sebastiões montados em brancos alazões, um deus ex-machina que intervenha, o salve e lhe dê esperança.

Mas felizmente, nem todo os portugueses são assim. Há os que não esperam, agem. Há os que não aguardam, ousam, tentam, emigram. Enquanto uns vociferam e vituperam desde o Restelo, outros enfrentam o oceano. Não por simples aventureirismo, mas por necessidade e pragmatismo na acção, esse ímpeto que sempre foi a verdadeira alma dos portugueses ao espalharem-se mundo fora. Foi isso que nos fez grandes.

Cessem dos D. Sebastiões, do mito e da apatia que enaltecem, o futuro está na acção, o futuro está na nossa mão.

José Luís Correia

in CONTACTO, 03/04/2013

sábado, 9 de fevereiro de 2013

3933 Portugal é nome de asteróide

O asteróide 3933 Portugal (1986 EN4) foi descoberto em 12 de Março de 1986 pelo astrónomo dinamarquês Richard Martin West, no Observatório La Silla (ESO), no Chile.

É um pequeno corpo celeste, irregular e de cor escura, planetóide (troiano), proveniente da cintura principal externa de asteróides, tem cerca de 10 km de diâmetro, orbita o sol entre Marte e Júpiter, a 485 milhões de km do Sol (cerca de três vezes mais afastado do que a Terra), com uma órbita quase circular de 5,9 anos (2.137 dias) em torno da nossa estrela. Apresenta uma órbita caracterizada por um semi-eixo maior de 3,2479002 UA e com uma exentricidade de 0,0967363, inclinada de 1,70434° relativamente à elíptica.

Foi chamado Portugal em 1990 para comemorar a adesão de Portugal à organização astronómica do Observatório Europeu do Sul (ESO).

Segundo o Jet Propulsion Laboratory, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, da NASA, este asteróide foi avistado pela primeira vez em 1953 e pela última vez a 7 de Janeiro de 2013. Os astrónomos amadores Alberto Fernando, José Ribeiro, e Filipe Alves conseguiram captar imagens de 3933 Portugal em 2004, e em 2009 foi a vez de João Gregório também conseguir fazer fotos ao asteróide.

Mais informações em http://ssd.jpl.nasa.gov/sbdb.cgi?sstr=3933


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Gaffe Diplomática: Bruxelas iça bandeira de Portugal com pagodes em vez de castelos

A bandeira de Portugal na entrada da sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, foi substituída antes da cimeira de líderes de quinta-feira, depois de ter sido constatado que continha pagodes em vez dos tradicionais castelos.

O “defeito” foi detectado por eurodeputados do PCP, que repararam numa fotografia tirada ao presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, na última reunião dos ministros das Finanças da zona Euro: a bandeira portuguesa exposta na entrada do Conselho em vez de ter o escudo português com sete castelos tinha o que pareciam ser sete pagodes.

Comentando que “a adulteração não deixa de ser irónica à luz da recente alienação ao capital estrangeiro de importantes (estratégicas e lucrativas) empresas públicas portuguesas do sector energético, na sequência dos processos de privatização promovidos e apoiados pela UE e pelo FMI”, os deputados João Ferreira e Inês Zuber enviaram uma pergunta ao Conselho, questionando que medidas seriam tomadas para corrigir a situação e a que é que se devia tal adulteração.

A bandeira em causa, na chamada “entrada VIP”, entretanto substituída, tendo fonte diplomática confirmado que a representação de Portugal junto da UE solicitou aos serviços do Conselho que se procedesse à substituição das bandeiras defeituosas ainda antes da cimeira que decorre quinta e sexta-feira em Bruxelas.

A mesma fonte adiantou que, entre os vários “kits” de bandeiras no Conselho, aquele que apresentava o defeito na bandeira portuguesa havia sido oferecido pela presidência italiana da União Europeia em 2003, o que não significa que tenha sido sempre esse a ser utilizado desde então.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mesas de conversação para o desenvolvimento de língua estrangeira

Se procura uma excelente opção para acelerar o desenvolvimento de suas competências orais aprendendo a falar, a pensar e a sentir num idioma estrangeiro fluentemente, com desinibição e autonomia, a Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL) apresenta-lhe uma ótima solução.

Direccionadas para um público-alvo específico (desempregados, reformados…) as mesas de conversação para o desenvolvimento de língua estrangeira (francês, alemão, português e luxemburguês) tratam-se de um método que oferece uma extraordinária estimulação da aprendizagem que respeita e trata as pessoas como adultos, tendo sempre presente as suas reais necessidades diárias.

O objectivo fundamental é auxiliar a pessoa a ultrapassar a barreira e as dificuldades linguísticas ajudando-a a recuperar a sua autonomia, a autoestima e autoconfiança, reduzindo as situações de stress no seu processo de adaptação e integração no país de acolhimento.

Sob a orientação de um(a) dinamizador(a), as mesas de conversação serão compostas de 4-5 elementos que, através da simulação de situações reais do dia-a-dia, desenvolverão a dimensão oral da língua estrangeira.

As inscrições são gratuitas e limitadas e as actividades decorrerão semanalmente num período de cerca de 1-2 horas nos espaços de formação da Mediateca da Caixa Geral de Depósitos (Luxemburgo-Merl).

Todos os interessados deverão efectuar a sua inscrição junto dos serviços administrativos para a área da formação, no espaço da Mediateca da Caixa Geral de Depósitos - Luxemburgo (13h-19h), 180, route de Longwy - L-1940 Luxembourg-Merl (paragem de autocarros, n.°6 et n.°7 – sair em «Place de France». Para mais informações, contacte-nos através dos seguintes números: 264472412 /290075 ou através do e-mail: formation@ccpl.lu.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Luxemburgo / Byblos Club, 18 Jan.: Três portugueses, um acordeão, duas platinas, house e muito kuduro


A discoteca Byblos Club, na capital, recebe nesta sexta-feira, dia 18 de Janeiro, às 22h30, a dupla portuguesa Akordeon Deluxe e o DJ MC Y2K.

Os portugueses Akordeon Deluxe misturam sons de acordeão ao vivo com batidas de "house music" nas pistas de dança e têm vindo a fazer furor nas discotecas em Portugal e fora do país desde 2007. O mentor do projecto, DJ Celso Miguel, dá inicialmente ao grupo o nome de Akordeon Beat e convida o acordeonista PM. Juntos, percorrem os melhores clubes nocturnos portugueses.

Em 2008, a dupla BodyTalk convida PM para o tema "Akordeon”, tido como o sucesso desse Verão, o que vale à música ser incluída em algumas das colectâneas nacionais.

Por seu lado, Celso Miguel junta-se a um novo acordeonista, Rogérinho do Acordeon, e transforma o projecto em Akordeon Deluxe, tido pelos muitos clubes onde se produz como uma inovação em termos de "live act". Entretanto, o projecto habituou-se a convidar vários DJs com os quais actua ao vivo nas pistas de dança.

Nesta vinda ao Byblos (58, rue du Fort Neipperg, na cidade do Luxemburgo), junta-se-lhes nas platinas o DJ português MC Y2K, que mistura música latina, kuduro e house. Temas seus como "Ayeh Kuduro" (2009) ou "Mirame" (2011) extravasaram as pistas de dança, chegando aos tops das rádios e de vendas em Portugal. MC Y2K lançou entretanto temas como "El Ritmo Caliente", "Muevete" ou "Nena" (2012), que também têm vindo a conquistar os bares e clubes nocturnos. Recentemente, a dupla Akordeon Deluxe e MC Y2K lançaram o tema "Callor", que aqueceu o Inverno de 2012. Mais informações no site do Byblos (www.byblos.lu).

GANHE 10 BILHETES

O CONTACTO, o Byblos e o organizador da noite, António Rebelo, oferecem 10 bilhetes (5x2)
aos primeiros cinco leitores que enviarem um SMS com a palavra "akordeon" + apelido ("nom de famille") + nome ("prénom") para o tel. 64447 (custo de um SMS + 0,50 euros). Os vencedores do jogo serão contactados por SMS.

(in CONTACTO, 16/12/2012)