sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
-
cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Autofestival 2009 - de 31 de Janeiro a 9 de Fevereiro

Dez regras para uma condução mais ecológica e económica

Em tempo de crise, os conselhos práticos, sobretudo para economizar, são sempre bem-vindos. Foi talvez a pensar nisso que o Automóvel Clube do Luxemburgo (ACL) lançou recentemente informações no sentido de aconselhar os automobilistas para que adoptem, através de várias práticas fáceis de aplicar, uma condução mais ecológica e económica.
Amensagem é simples: se é bom para o Ambiente, também é bom para a sua carteira. Conduzir de forma mais económica e ecológica é – todos concordarão – a única forma inteligente de utilizar hoje o automóvel. Não só devido à crise económica mundial o bolso de todos afecta, sendo por isso cada vez mais necessário fazer também atenção ao que se gasta em combustível.
Há que pensar igualmente nas consequências nefastas das emissões de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono (CO2, um dos gases que os automóveis expelem em maior quantidade), no aquecimento da Terra e nas alterações climáticas.
As regras que ACL preconiza são simples e começam logo no momento da aquisição de um carro novo ou em segundo mão.

Regra n°1 - Verifique os desempenhos ambientais do veículo: quanto gasta e que níveis de gases emite. Basta consultar o EcoTeste da Federação Internacional do Automóvel (FIA) em www.ecotest.eu, sítio internet que testa e lista os últimos modelos saídos no mercado. A cada modelo é atribuído um número de estrelas (à semelhança dos testes EuroNCAP para as questões de segurança) consoante vários factores: não só o consumo, como as emissões de CO2, incluindo as de outros gases poluentes como o monóxido de azoto e o dióxido de enxofre.

Regra n°2 - A ACL aconselha a planificação prévia do itinerário que se vai fazer: escolher o caminho mais curto é uma maneira rápida e simples de chegar ao destino, em segurança, reduzindo, simultaneamente, as emissões de gás supérfluas e o risco de acidentes. Saiba que 10 minutos a mais a conduzir representam, em geral, a perda de 14 % do rendimento energético de um veículo. Sem contar mais cansaço para o condutor.

Regra n°3 - Ter pneus com a pressão certa para o tipo de veículo que possui reduz a resistência ao piso e aumenta o rendimento global do carro. Pelo contrário, pneus com menos do que 50 quilopascais (kPa), o que equivale a 0,5 kg por cm3, podem representar uma perda de 2 a 4 % do rendimento energético de um veículo.

Regra n°4 - Reduza, tanto quanto possível, o material pesado dentro do habitáculo, dentro da bagageira e mesmo no tejadilho, quando não for absolutamente necessário nas suas viagens diárias. Por exemplo, um reboque serve o mesmo propósito do que as barras no tejadilho e permite ao automóvel utilizar menos carburante. O transporte de 100 kg de carga suplementar num automóvel de gama média, reduz o rendimento energético do veículo em cerca de 6 %. Uma bagagem pesada ou caixas de transporte no tejadilho de um veículo podem levar este a gastar mais 20 % em combustível.

Regra n°5 - Não vale a pena aquecer o motor antes de partir, excepto em caso de frio extremo, mas é aconselhado conduzir em baixo regime nos primeiros minutos de condução, o que tem o mesmo efeito e se revela mais eficaz.
Regra n°6 - Quando o tempo está quente, evite colocar o seu ar condicionado em temperaturas demasiado baixas, porque quanto mais utilizar o climatizador, mais carburante é gasto: as perdas de energia podem ir até aos 6 %. Sem falar nas consequências para a sua saúde se se der um "choque térmico" quando sair do habitáculo, como, por certo, já deve ter feito a amarga experiência.

Regra n°7 – Ao acelerar, faça-o num movimento constante e sem brusquidão. É também importante arrancar devagar: atingir os 20km/hora em cinco segundos permite economias de 20 % do combustível. Consegue economizar o mesmo se evitar acelerações bruscas e sustentadas e não estiver sempre a recorrer à mudança mais alta.
Regra n°8 – O uso do motor como travão é também aconselhado pela ACL. Ao largar o pedal do acelerador quando está a reduzir a sua velocidade está a cortar a alimentação do combustível e é assim possível economizar até 2 % em energia no rendimento do seu veículo, sem contar que está assim a poupar o sistema de travagem.
Regra n°9 – Não deixe o motor ligado demasiado tempo quando estiver parado: após um minuto, está consumir mais do que um arranque; e ao fim de 10 minutos, é, em média, um decilitro de combustível que se evaporou.

Regra n°10 – Este não é um conselho directo da ACL, mas discorre do mais puro bom senso e está implícito em todos as regras anteriores: adopte uma condução preventiva, ou seja, abdique de uma condução agressiva ou desportiva. Travagens súbitas, ultrapassagens bruscas ou altas velocidades só levam o seu automóvel a consumir ainda mais e a expelir uma maior quantidade de gases para a atmosfera. Além disso, o seu itinerário não é um circuito de Fórmula 1 e há outros utentes na estrada com os quais deve contar, porque é a sua vida e a dos outros automobilistas e peões que está a pôr em risco.

José Luís Correia, in Contacto, 28.01.2009

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Projecto "Vivre Ensemble" / FLAA propõe cursos de língua e integração

Alunos africanos aprendem língua do país no seio de uma família luxemburguesa

A Federação Luxemburguesa das Associações Africanas (FLAA) está à procura de famílias luxemburguesas, ou lares em que o Luxemburguês seja a principal língua falada, que possam acolher alunos africanos. O que se pretende é possibilitar a estes alunos uma imersão na língua e na cultura luxemburguesas, uma vez por semana.
A FLAA ainda tem um certo número de estudantes que não encontraram uma família de enquadramento, bem como um professor africano reconhecido pelo Ministério da Educação Nacional e da Formação para Adultos luxemburguês.
Esta iniciativa insere-se no âmbito do projecto "Vivre Ensemble" que visa acompanhar cidadãos originários de países africanos, na procura de um trabalho digno e na participação na vida económica, social e política do Grão-Ducado.
O projecto proporciona aos alunos africanos seguirem aulas de integração, língua luxemburguesa e de educação cívica, no que inclui o contacto directo com uma família autóctone. As aulas começaram a 17 de Janeiro e têm lugar aos sábados, entre as 16 e as 18h, no centro social situado na rue de Strasbourg (n° 29, 1°andar), na cidade do Luxemburgo.
De seis em seis semanas, alunos e "coachs" (apoiantes) encontram­se, informalmente, para fazer um ponto da situação. O objectivo é que cada participante desenvolva capacidades de escuta e respeito pelos outros, tendo em conta a riqueza inerente à diversidade cultural própria ao Luxemburgo. Segundo os dirigentes da FLAA, "as aulas são também úteis aos alunos que queiram candidatar-se à dupla nacionalidade".
Paralelamente, a FLAA recorda que continua a querer contactar presidentes de associações africanas activas no Grão-Ducado.
As inscrições nas aulas são gratuitas para alunos de países africanos e para membros da FLAA. Mais informações pelo tel. 26 19 62 16 e/ou 621 224 648 (ou ainda pelo e-mail: faalasbl@googlemail.com).

JLC in Contacto, 28.01.2009

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Para que serve a FAPL?

A propósito do 30° aniversário que a Federação das Associações Portuguesas no Luxemburgo (FAPL) está a preparar para este sábado, 24 de Janeiro, em Clausen (ver artigo na pág.) , permitam-me algumas reflexões.

Criada em 1978 no seio do CASA (Centro de Apoio Social e Associativo), a FAPL constituíra-se com a ambição de unir todas as associações portuguesas do Grão-Ducado, para que falassem a uma só voz junto das autoridades luxemburguesas.

Mercê de rivalidades bairristas que, infelizmente, quase sempre caracterizaram o movimento associativo português no Luxemburgo, por apreensão desse terrível verbo "federar" (que aterroriza de igual modo as populações quando se evoca o futuro da União Europeia) ou por incompatibilidade(s) com o presidente da então recém-criada federação, José Ferreira Trindade (e que ainda hoje a preside), muitas foram as associações que não responderam ao apelo de união da FAPL no fim dos anos 1970.

Para além disso, depressa a federação se tornou um organismo em que estavam inscritos mais clubes de futebol lusos do que associações ou grupos de outra índole e assim a instituição passou a gerir, quase naturalmente, o campeonato de futebol português do Luxemburgo.

Esta competição paralela ao campeonato da Federação Luxemburguesa de Futebol (FLF) e que nunca conseguiu receber o reconhecimento da parte deste órgão supremo do futebol grão-ducal (o que levou muitos clubes portugueses do burgo a procurarem na última década a fusão com congéneres luxemburgueses), era, no entanto, muito seguida pelo público lusófono e jogos havia que contavam mais espectadores do que os encontros oficiais luxemburgueses. O campeonato português chegou a ter, recorde-se, duas divisões disputadas por 25 clubes de norte a sul do Grão-Ducado.

Depois da extinção do Campeonato da FAPL em 2002, foi a Liga Portuguesa de Futebol no Luxemburgo (LPFL) que passou a agendar os jogos entre os clubes portugueses. Mas novas disputas, desta feita entre a FAPL e a Liga, quanto a desacordos relativos ao pagamento do aluguer no n°15 Montée de Clausen (sede da FAPL) levaram a LPFL a ficar sem sede e a suspender sine die o campeonato em 2006.

No entanto, os jogos não pararam e seis equipas continuaram a disputar um Torneio (ou Taça) do Sul até Dezembro de 2008. Actualmente, os clubes do Sul e a Liga discutem uma eventual retoma do campeonato alargado a mais equipas a partir de Março. Mas nada é menos certo.

Entretanto, e porque com o passar dos anos as autoridades grã-ducais continuavam a pedir (insistir) para que a comunidade falasse em uníssono, surgira, em 1991, a Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL).

Como a FAPL, nesses idos, estava ocupada quase exclusivamente com o futebol, foi a este último organismo de cúpula que se juntaram dezenas de associações e centenas de membros, inclusive José Trindade, que chegou a fazer parte da direcção da CCPL.

Foi por isso que, após 2002, despojada da sua "camisola futebolística", que lhe valera honra e pergaminhos, a FAPL se viu reduzida a uma federação inane e sem carta de marear.

A "instituição-irmã", CASA, também presidida por Trindade, é activa no registo do apoio associativo e a Comissão da Comunidade Portuguesa do Luxemburgo (CCPL), presidida pelo mesmo dirigente e sediada na mesma morada, representa as associações portuguesas da capital.

O que sobra assim à FAPL? Ainda tem futuro, após três décadas gloriosas? Que objectivos se propõe agora? É a essa e outras questões que deverá responder o presidente "three-in-one" Trindade, no sábado à noite.

José Luís Correia, in Contacto de 21.01.2009

United Colors of America

" A justiça exige que nos lembremos que, quando um cidadão americano renega um dos seus compatriotas afirmando 'ele não é da mesma cor que eu' ou 'as suas crenças são estranhas e diferentes', está a trair a América, mesmo se foram os seus antepassados que a fundaram".

Presidente norte-americano Lyndon Johnson (1965)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Confraria de Financeiros Lusitanos no Luxemburgo organiza jantar

15 de Janeiro/Restaurante Jordão
Jantar da Confraria de Financeiros Lusitanos no Luxemburgo

A Confraria de Financeiros Lusitanos do Luxemburgo organiza um jantar na quinta-feira, 15 de Janeiro, às 19h30, no Restaurante Jordão (20, rue du Curé), na capital.

O jantar servirá para discutir entre os membros como desenvolver o projecto da recém-criada Confraria de Financeiros Lusitanos do Luxemburgo, conversar sobre novas ideias e novos desafios.

Dois dos fundadores da Confraria dos Financeiros de Paris, João da Silva e Ricardo Ferreira (também membro da Confraria dos Financeiros de Lisboa) marcarão presença.

O proprietário-chefe de cozinha Mike Jordão, português nascido no Luxemburgo e que à força de trabalho e de ter aprendido a sua arte nos melhores restaurantes e com os melhores chefes do Luxemburgo (Léa Linster, La Bergerie, L'Agath, La Mirabelle, Favaro, etc.), instalou-se por conta própria.

O jantar custa 40 euros. Para mais informações e eventuais reservas ou inscrições, os interessados devem contactar Francisco Silva ( francisco.silva@pt.lu ) e/ou Custódio Portásio (custodio.portasio@ hotmail.com ) da organização.

JLC in Contacto, 14.01.09

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Le jour de la mort de Johnny



Suite au refus du principal intéressé et par voie de conséquence de Warner - maison de disque des Fatals Picards, mais qu'ils aiment bien quand même - de voir figurer sur leur nouvel album la chanson sobrement intitulée "Le jour de la mort de Johnny", Les Fatals Picards ont décidé de l'offrir en téléchargement gratuit pour que le monde entier sache qu'un jour, l'idole des jeunes nous quittera. En fait, cest un peu comme une psychanalyse de groupe préventive et gratuite...
Pour télécharger gratuitement le titre il faut se rendre sur le site des Fatals Picards.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

o apocalipse dos trabalhadores / l'apocalipse des ouvriers

"(...) o senhor ferreira pegara no volume das poesias de rainer maria rilke (...) todo traduzido do alemão com jeito de discurso divino, é um livro sagrado, dizia-lhe ele. isto que aqui está é melhor do que a bíblia. com coisas destas se matam de maior humanidade as religiões. ela perguntava, quem mata as religiões. e ele respondia, os artistas. fazem com que as religiões sejam intuitivas paixões pela vida, que é o que devia ser uma religião, apenas isso, uma profunda e tão intuitiva paixão pela vida. os artistas são o que de mais perto existe da humanidade. que, mais do que isso, só estamos ainda nas aproximações a essa ideia, a da humanidade. a maria da graça dizia, que coisa tola, senhor ferreira, que agora nem somos humanos, é o que quer dizer. e ele respondia, pois não, nós não. alguns artistas sim, porque chegam muito mais depressa do que nós a todas as coisas."

maria da graça recordando o senhor ferreira, depois de este se suicidar
in "o apocalipse dos trabalhadores" (pág. 58/59), de valter hugo mãe (Ed. Quid Novi, 2008)

-------------------------------------
VF (traduction libre)

"(...) monsieur ferreira pris le volume des poésies de rainer maria rilke (...) traduit en complet de l'allemand dans un style de discours divin, c'est un livre sacré, lui disait-il, ceci est mieux que la bible. avec des choses comme celles-ci on tue avec une plus grande humanité les religions. elle demandait, qui tue les religions. et il répondait, les artistes. ils font en sorte que les religions soient des passions intuitives pour la vie, c'est d'ailleurs ce que la religion devrait être, juste celá, une profonde et si intuitive passion pour la vie. les artistes c'est ce qu'il y a de plus proche de l'humanité. car, bien plus que ça, nous nous rapprochons à peine de cette idée, celle de l'humanité. maria da graça disait, quelle sottise, monsieur ferreira, maintenant nous ne sommes même plus humains, c'est ce que vous voulez dire. et il répondait. biensûr que non, pas nous. certains artistes oui, car ils arrivent bien plus vite que nous a toutes choses."


maria da graça se souvenant monsieur ferreira, aprés que celui-ci se soit suicidé
in "o apocalipse dos trabalhadores" (pages 58/59) (l'apocalipse des ouvriers), de valter hugo mãe (Ed. Quid Novi, 2008)

Foto: valter hugo mãe por/par Nelson d'Aires

Futuro sobrelotado (The future is overbooked)

"(...) sabes que hoje em dia se armazena informação que nunca, em toda a eternidade, vai voltar a ser consultada (...) é que com isto da informática tudo se regista, do mais importante ao mais insignificante. desde as coisas do estado até à rotina dos adolescentes. e muito do que se regista não será mais consultado, porque não haverá ninguém com interesse ou sequer com tempo para o fazer. que angústia. é como haver muita gente a querer deixar uma marca para o futuro e o futuro estar sobrelotado. está cheio, não é suficiente para toda a gente...(...)"

Conversa entre a quitéria e a maria da graça
in "o apocalispe dos trabalhadores" (pág. 35), de valter hugo mãe (Quid Novi, Julho 2008)

----------------------------------
V.F. (traduction libre)

(...) tu sais aujourd'hui l'on stocke de l'information qui plus jamais, dans toute l'étérnité, ne sera plus consultée (...) avec ce truc de l'informatique on enregistre tout, du plus important au plus insignifiant. des choses de l'état à la routine des adolescents. et beaucoup de ce qui est enregistré ne sera plus consulté, parce qu'il n'y aura personne avec assez de curiosité ou assez de temps pour le faire. c'est angoissant. c'est comme s'il y avait plein de gens qui voudraient laisser une marque pour l'avenir et que l'avenir soit plein. plein et pas assez grand pour tout le monde... (...)"

Discussion entre quitéria et maria da graça
in "o apocalipse dos trabalhadores" (page 35), de valter hugo mãe (Ed. Quid Novi, Juillet 2008)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Coreógrafa e bailarina Né Barros, 08.01.2009, no 3C-L

Foto: Balleteatro do Porto


Coreógrafa Né Barros traz "Segundo Plano" ao Luxemburgo

A coreógrafa e bailarina portuense Né Barros apresenta quinta-feira, dia 8 de Janeiro, pelas 20h, o espectáculo "Segundo Plano", no Centro de Criação Coreográfica 3C-L, no n°20 A, rue de Strasbourg, na cidade do Luxemburgo.

A peça visa "mostrar as novas abordagens que se fazem na dança contemporânea em Portugal", disse Né Barros ao CONTACTO. A coreógrafa está desde segunda-feira no Grão-Ducado a trabalhar na adaptação da peça para o espaço do 3CL (a peça estreou em Dezembro no Porto). Conhecedora de que há muitos portugueses no Luxemburgo, Né Barros convida-os a comparecerem, até porque a sua obra é, garante, "algo acessível a qualquer pessoa, o público pode mergulhar no universo que criei, a coreografia foi concebida de forma apelativa".

A música é da autoria de Alexandre Soares, ex-GNR (a voz no célebre tema "Portugal na CEE"), ex-Zero (banda de João Loureiro, após a extinção dos Ban) tendo ainda passado pelos Três Tristes Tigres. Soares, que trabalha com Né Barros desde 1999, integra o elenco de artistas que se deslocaram ao Grão-Ducado. O espectáculo conta ainda com quatro bailarinos – Bruno Teixeira, Joana Castro, Pedro Rosa e Sónia Cunha.

O título "Segundo Plano" é emprestado ao mundo cinematográfico, e o espectáculo é, segundo explicou Né Barros, "uma confluência e uma concorrência de planos que constroem a dramaturgia, micro-narrativas em torno de questões como a hierarquização da percepção e o sentido da construção do que é observado, as linhas e lugares ambíguos de primeiro e segundo plano, e o grau de importância das coisas".

Este espectáculo faz parte de uma parceria entre o Balleteatro do Porto, do qual Né Barros é uma das fundadoras, e o Centro 3C-L. Assim, dentro de uma semana será a vez da bailarina e coreógrafa luxemburguesa Sylvia Camarda actuar na cidade invicta.
A entrada é livre para o espectáculo "Segundo Plano", mas aconselha-se reserva de lugar pelo tel. 40 45 69 ou no site do 3C-L (www.danse.lu).

José Luís Correia, in Contacto, 10.01.2009

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Reformas e pensões aumentam 2 %

A 1 de Janeiro de 2009, as reformas e pensões de invalidez aumentam 2 %.

Os sindicatos OGB-L e LCGB congratularam-se desde logo com a medida, esperando que isso signifique um aumento do poder de compra dos reformados.

O Governo luxemburguês anunciou a decisão a 10 de Outubro após o Conselho de Ministros ter aprovado o relatório governamental apresentado ao Parlamento sobre a evolução do nível médio dos salários desde 2006: 3 % no biénio 2006/2007: 1,3 %, em 2006, e 0,7 %, em 2007.

Com este aumento de 2 %, o Executivo quis elevar o factor de ajustamento das reformas e pensões de 1,352 para 1,379.

De dois em dois anos, o Governo luxemburguês analisa o nível médio dos salários da população activa nacional, cálculo que inclui os ordenados da Função Público (considerados mais elevados do que a média dos restantes trabalhadores), mas excluindo os 20 % de trabalhadores que recebem os salários mais baixos e os 5 % que auferem os ordenados mais elevados do país. Calculada a média, o Governo decide se há que adaptar as reformas aos vencimentos.

Estes ajustamentos decididos por regulamento grão-ducal estão previstos no artigo 220 do Código da Segurança Social.

A medida vai custar ao Estado luxemburguês cerca de 51,7 milhões de euros.

JLC, in Contacto 31.12.08

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

The Future is Now : 2009 - Year of Innovation, Creativity and Discovering the Universe



Em 2009, a Humanidade comemora 400 anos da publicação da “Astronomia Nova“, a obra de Johannes Kepler (primeira imagem) que, ao divulgar as leis fundamentais das órbitas planetárias elípticas mudou radicalmente a nossa visão do Mundo e do Universo.

O ano de 1609 foi também importante para a astronomia pois foi quando se deram as primeiras observações astronómicas por Galileo Galilei (segunda imagem). Com o primeiro telescópio, construído, por si mesmo, observou as primeiras montanhas lunares, manchas solares, as fases de Vénus e os satélites de Jupiter.

Ambas as descobertas impulsionaram de modo definitivo a Física clássica ao levar Isaac Newton a propor a Lei da Gravitação Universal, apenas seis décadas depois.

Em Dezembro de 2007, sob proposta do Governo italiano, a Unesco, organismo da ONU para a Educação, as Ciências e a Cultura, declarou 2009, “Ano Internacional da Astronomia“. A União Astronómica Internacional (IAU) declarou o ano subordinado à temática "Universo, descobre os seus segredos".

O objectivo primeiro desta celebração é transmitir o entusiasmo pela descoberta pessoal, o prazer de partilhar conhecimento sobre o Universo e o nosso lugar nele e a importância da cultura e da investigação científica.

No Luxemburgo o Fundo Nacional da Investigação (Fonds National de la Recherche) criou o Comité IYA2009-LU e até já puseram um blogue em linha em www.astronomy2009.lu. O lançamento oficial está marcado para 7 de Março no Grão-Ducado, mas a primeira actividade tem já lugar a 17 de Janeiro: trata-se de um estágio de astronauta para jovens dos 13 aos 15 anos no Euro Space Center, na Bélgica.

O lançamento oficial do Ano Mundial está marcado para 15 e 16 de Janeiro na sede da Unesco, em Paris.

Relembro a este propósito a existência de uma agência turística espacial portuguesa e recomendo a leitura do blogue de David Marçal, o candidato a primeiro astronauta português.

UE promove inovação e criatividade

Em paralelo, por coincidência ou talvez nem tanta assim, a União Europeia resolveu dedicar o ano olhando também para o futuro.

A Direcção Geral para a Educação e Cultura da Comissão Europeia declarou 2009-Ano Europeu da Inovação e da Criatividade cujo objectivo é promover a criatividade junto de todos os cidadãos enquanto motor de inovação e factor essencial do desenvolvimento de competências pessoais, profissionais, empresariais e sociais, contribuir para o intercâmbio de experiências e boas práticas, estimular a educação e a pesquisa e promover o debate político e o desenvolvimento.

Sob o lema, "Imaginar-Criar-Inovar", o lançamento oficial do Ano Europeu terá lugar em Praga, a 7 de Janeiro.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

E Schéint Neit Joër 2009


Happy New Year 2009
Feliz Ano Novo 2009
Bonne Année 2009
E Schéint Neit Joër 2009

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Spigelglat

Après les températures négatives des derniers jours, ce dernier matin de 2008 (- 3°, à 6h30) nous nous sommes réveillés avec les trottoirs et les routes transformés en miroirs verglassants. Accidents, carambolages, accrochages par dizaines et bouchons qui s'en suivent. À 7h du matin la plupart des bus ne circulaient pas encore. Les services d'aides à domicile non plus. Les facteurs étaient restés cloués au sol, jusqu'à quelle heure, on ne sait pas encore...

"Salz wierkt lues!" (les effets du sel prennent du temps) annoncent les radios nationales.

J'habite une rue en pente, alors les avertissements de l'ACL "Bierg erop, bierg erof... evitéiren", c'était déjà trop tard. Au premier essai pour sortir de chez moi, j'ai fait du patinage artistique les pattes en l'air, on aurait dit un dessin animé. Et pour me relever, j'ai du m'accrocher a un poteau jusqu'auquel j'ai du... glisser. Je suis donc ... coincé chez moi!

...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Editorial: 2009, Ano de Ressaca ou Do capitalismo de casino ao hipercapitalismo


Do capitalismo de casino ao hipercapitalismo

O ano de 2009 será, sabe-se já, o primeiro da ressaca que nos deixou a crise financeira provocada pelo capitalismo de casino, crise sintomática de uma economia de mercado rota. Apoiando-se na auto-regulação advogada por Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal americana, a economia tornou-se esquizofrénica ao ponto de estimular o sobreendividamento, a bolha imobiliária, os investimentos especulativos, quem detem os bens e o capital já não é quem verdadeiramente os detem, os preços passaram a ser virtuais, mas as facturas e as dívidas reais.

Na Europa, foi a moeda comunitária e a "euroeuforia" que, apesar das benesses que trouxeram (foi graças ao euro, por exemplo, que alguns países da zona euro não roçaram recentemente a bancarrota, como aconteceu à Islândia), despoletaram a subida virtual dos preços de bens e serviços nos últimos seis anos.

Assistimos agora, e assim continuará a ser nos próximos meses, não a uma baixa dos preços, mas a um reajustamento dos bens e serviços ao seu verdadeiro valor, à semelhança do que acontece com o petróleo, que depois de subir aos históricos (histéricos!) 145 dólares há uns meses desceu agora para os 35. O resto da economia deverá seguir a mesma tendência.

Mas deflação significa também menos consumo, diminuição da procura, recuo da produção, as fábricas funcionam ao ralenti ou abrem falência. É para evitar que esta deflação não caia na espiral de 1929, que os governantes anunciaram medidas que visam relançar a economia: redução das taxas de juro e baixa dos impostos. O Luxemburgo decidiu inclusive antecipar grandes obras que estavam apenas previstas para o início da próxima década e começar a assumir totalmente os salários do desemprego parcial, quando actualmente paga 80% do salário dos trabalhadores a quem o empregador pede uma redução do horário de trabalho.

Estas medidas não passam de remendos, visam colmatar brechas encontradas num momento de crise. O que é verdadeiramente necessário não é relançar a economia, mas lançar as bases de uma economia sustentável, ou seja, que considere os verdadeiros interesses e necessidades do consumidor e que sejam simultaneamente os da sociedade, criando, por exemplo, empregos no sector da tão propalada ecologia (gestão ambiental, cursos de formação ecológica, mais investimento na agricultura biológica por forma a reduzir os preços desses produtos, etc.), revitalizando economicamente zonas mais pobres de uma cidade, país ou região, apostando na economia solidária (comércio equitável, etc.).

Penso que, infelizmente (ou felizmente), esta crise não foi suficientemente grave para que a Humanidade tirasse daí as suas primeiras lições de solidariedade. Ou seja, as coisas deverão piorar antes de melhorar.

É que apesar de Greenspan ter admitido “uma falha” na sua ideologia ultraliberal, um outro economista, Jacques Attali (que foi conselheiro directo de François Mitterand), avisa que o capitalismo ainda não exalou o seu último estertor. Arrumem-se pois então os santos óleos da extrema-unção.

Para Attali, o capitalismo antes de se tornar moderado, colocando o homem no centro da sociedade, ficará ainda mais pernicioso do que é hoje. Attali acredita que nos próximos anos este se desenvolverá em « hipercapitalismo ». Num porvir hipotético, os conglomerados multinacionais tornar-se-ão supranacionais, acima dos Estados e da Justiça, tão poderosos que disporão dos seus próprios órgãos reguladores e sancionadores, evidentemente coniventes, e poderão apoiar ou derrubar governos, elegendo-os ou depondo-os à sua conveniência mercantil.

Quando se vê quem pagou as campanhas presidenciais de Bush e os pretextos que depois este evocou para fazer deflagrar duas guerras (Afeganistão e Iraque), percebemos que as coisas já começaram a funcionar assim.

Com esta crise económica e financeira, a Humanidade já poderia ter aprendido algumas lições. Mas é a História que nos ensina que há etapas que não se podem queimar, e processos de evolução que são inevitáveis de contornar.

José Luís Correia, in Contacto, 31.12.2008


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Tempo de férias, tempo de pôr a leitura em dia :-)

O que ando a ler (não obrigatoriamente por esta ordem):















- "A Viagem do Elefante", de José Saramago (Out./2008): A história romanceada da viagem de um elefante que D. João III resolveu oferecer em 1551 ao seu primo Maximiliano da Áustria. O Solimão tinha vindo da Índia há dois anos e depois da curiosidade inicial do Paço e dos lisboetas em torno de tão fabuloso animal, já ninguém ligava ao pobre paquiderme, que com o seu cornaca levava uma existência passiva e pacífica algures num cercado em Belém, quando El-Rei decide lançá-lo num périplo através meia-Europa.

- "Gödel, Escher, Bach: an Eternal Golden Braid", de Douglas R. Hofstadter
(1979): Nesta obra que recebeu o Prémio Pulitzer em 1980, o autor estabelece ligações entre as gravuras de M.C. Escher, a música de Johann Sebastian Bach e a lógica matemática de Kurt Gödel. O livro não é de todo sobre estes três génios, mas parte destes para abordar temas e disciplinas que vão da física à informática, passando pela biologia, psicologia, genética, geometria, gramática, para, no final, o autor tentar responder a uma das questões filosóficas fundamentais da Humanidade: a nossa aparente incapacidade em compreender a Natureza que nos rodeia unicamente pelos nossos próprios processos mentais.
Construído em vários registos, um dos mais lúdicos é, sem dúvida, a parte dos diálogos entre o semi-deus grego Aquiles e a tartaruga, num piscar de olhos ao filósofo Zenão de Eleia (que está na origem da técnica lógica da "redução ao absurdo") e ao romancista inglês Lewis Carroll (autor de "Alice no País das Maravilhas"), que utilizaram estes mesmos personagens.

- "Dreams from My Father, A Story of Race an Inheritance", de Barack Obama (1995): Relato na primeira pessoa do singular feita pelo primeiro presidente afro-americano dos Estados Unidos quando ainda nem sonhava ser eleito para o Congresso. Desde o seu nascimento no Havai às ruas de Chicago, passando pelos bancos da Universidade de Columbia e pelo Quénia paterno. E da sua decisão de, depois de licenciar-se em Direito, optar por ser um trabalhador social até à sua eleição para o Senado em 2004.

- "Une brève histoire de l'avenir", de Jacques Attali (2006)- A "provável" história do próximo meio-século contada por um escritor, economista e ensaísta, que foi também um dos mais próximos conselheiros do presidente francês François Mitterand. O autor parte dos conhecimentos actuais da ciência, da tecnologia, das preocupações climáticas, das emergências fundamentalistas, das agitações e conflitos entre nações e evoluções na política internacional, para tentar desenhar o mapa europeu e mundial no horizonte de 2060.
Attali estabelece o conceito de que o mundo evoluirá em três fases possíveis e distintas: a nível económico, bélico e político. Primeiro aventa o aparecimento de um "hiperimpério", já hoje em plena construção, um mercado global extremo em que a única lei será o dinheiro e que estará acima de qualquer país, estado ou potência política.
Se esta globalização extrema for interrompida pela violência desencadeará, segundo Attali, a segunda fase, o "hiperconfito", guerra última entre estados e/ou grupos religiosos e/ou grupos terroristas e/ou piratas informáticos, em que serão utilizados novos métodos e armas hoje impensáveis e que podem evar ao desaparecimento da civilização como a conhecemos.
Finalmente, se a Humanidade conseguir o frágil equilíbrio entre conter esta globalização sem a refutar completamente, a democracia poderá tornar-se planetária e dar origem a um governo ou entidade governativa mundial, época a que o autor apelida de "hiperdemocracia".


Como é bem de ver, percebem em qual dos livros vou com a leitura mais avançada ;-)

Para ler um excerto do livro do Attali que traduzi para o blogue, clique aqui

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

My last 10 Christmases - Os meus últimos 10 Natais



Christmas/Natal 2007 - Shania Twain "When You Kiss Me"




Christmas/Natal 2006 - Aaron "U Turn"




Christmas/Natal 2005 - Jorge Palma "Escuridão"




Christmas/Natal 2004 - Leonard Cohen "In my Secret Life"





Christmas/Natal 2003 - Blue Cafe "You may be in Love"




Christmas/Natal 2002 - Norah Jones "Come away with me"




Christmas/Natal 2001 - GNR "Popless"





Christmas/Natal 2000 - Madredeus "Haja o que houver"






Christmas/Natal 1999 - The Dave Matthews Band "Stay"






Christmas/Natal 1998 - Radiohead "Creep"

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Recordando uma noite de tempestade na Primavera de 1993



Paulo Conte, "Vieni via con me"




Spin Doctors, "Two Princes"



4 Non Blondes, "What's Up"

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Falling Slowly



Muito bonito este "Falling Slowly", cantado aqui por Glen Hansard (da banda irlandesa The Frames, a quem a canção pertence) e a cantora checa Markéta Irglová, no filme "Once" (2007), que vi ontem.
Em 2008, o casal ganhou com esta música o Grammy assim como o Óscar para a Melhor Canção Original. Este Óscar musical nunca tinha sido atribuido a alguém com apenas 19 anos (a idade de Markéta, na altura).