sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
-
cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Madredeus é "uma fantasia musical de raiz portuguesa", diz Pedro Ayres Magalhães

Fotos: Paulo Lobo
Formaram-se no final de 1986 e da formação original com Rodrigo Leão (Vox Ensemble), Gabriel Gomes (Sétima Legião) e Francisco Ribeiro restam apenas Pedro Ayres Magalhães (ex-Heróis do Mar) e Teresa Salgueiro, hoje acompanhados por Fernando Júdice (ex-Trovante), José Peixoto e Carlos Maria Trindade (ex-Heróis do Mar).

Hoje são um dos expoentes máximos da música portuguesa e os melhores embaixadores de Portugal no estrangeiro, com a sua música à qual se rendem multidões em países espalhados nos quatro cantos do mundo. Passaram, na última sexta-feira, dia 21 de Julho, por Wiltz, para participar no "Festival de Música e Teatro" daquela cidade. Era a terceira vez que vinham ao Luxemburgo. E, mais uma vez, valeu a pena.

Valeu a pena ir até Wiltz e ver aquele ambiente de pequena cidade rústica, no meio de montes e vales verdejantes que já conhecemos, sublimado pela primorosa música dos Madredeus e pela magnífica voz de Teresa Salgueiro, que a todos encantou.

O espectáculo começou eram 21 horas, ainda o sol banhava Wiltz com uma média luz. O crepúsculo caía e também a música dos Madredeus se ia tornando mais intimista e mais próxima do público. Este, na sua maior parte composto por luxemburgueses (notavam-se também muitos portugueses, claro!), rendia-se de corpo e alma à voz doce de Teresa Salgueiro.

No final, o grupo não pôde sair de palco sem um "bis" obrigatório e mereceu uma "standing ovation" (ovação de pé) emocionante. Depois do concerto, a organização do Festival convidou uma pequena comitiva para uma recepção com o grupo. Entre conversas de admiradores e autógrafos, o CONTACTO conseguiu falar com Teresa Salgueiro, Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade.

Uma das perguntas que fizemos aos três foi como definiam o seu som, questão que tem atormentado muitos críticos de música quando tentam "rotular" o género de música interpretada pelos Madredeus. Como se fossem preciso "rótulos" ou denominações para classificar esta música e os Madredeus! Os Madredeus de quem Miguel Esteves Cardoso disse (em 1987), muito antes de ter chegado a hora da consagração nacional e internacional, que esta era a melhor esperança da nação e esta música "um dos géneros da verdade".

"Uma música dedicada à língua portuguesa" 

CONT: Esta é a terceira vez que vêm ao Luxemburgo. Foi bom voltar a vir actuar cá? 

Teresa Salgueiro: Já há alguns anos que não vinhamos ao Luxemburgo. Das outras duas vezes que viemos foi em situações muito diferentes e o lugar em que tocámos não era tão agradável. Desta vez, o cenário era mais propício, estava algum frio, mas penso que as pessoas gostaram e apreciaram a música com muita atenção. Eu, pessoalmente, gostei muito de cá estar. Vivi esta terceira passagem por aqui com alegria, mas esta é uma visita muito breve, porque amanhã já vamos embora.

CONT.: Este concerto no Luxemburgo fez parte de uma digressão mais larga pela Europa? 

T. S.: Sim, estamos a meio de uma viagem. Chegámos aqui vindos de Roma, fizemos seis concertos em Espanha, e do Luxemburgo seguimos para a Croácia. Depois da Croácia vamos fazer o último concerto da digressão espanhola, a Santiago de Compostela e por fim estaremos em Londres, no dia 30 de Julho. Daí seguimos para Lisboa. Este concerto foi estreado em Paris, passámos ainda por Bruxelas, Belgrado, Antuérpia (Anvers), Jerusalém, Telaviv, Berlim, Hanôver. Em Agosto vamos pela primeira vez fazer um mês de férias, algo que nunca conseguimos fazer nestes dez anos de viagem. Depois do mês de Agosto vamos ao Brasil (Manaus), México, Argentina, Finlândia. Em Novembro e Dezembro está prevista uma digressão em Itália.

CONT.: Como explica este sucesso internacional dos Madredeus? 

T. S.: Não me compete a mim explicar este sucesso, cabe ao público. Mas penso que as pessoas gostam do estilo original de música que criámos. Acho que se nota também o gosto que temos em fazer concertos e estas grandes viagens que temos feito com a nossa música é que nos têm merecido o entusiasmo do público em tantos países diferentes. Penso que o público aprecia o ambiente particular que se estabelece, acho que temos uma música muito transparente, com que as pessoas se identificam. Temos viajado muito, as pessoas já nos conhecem e voltam a ver-nos e nós também queremos voltar a vê-las e retribuir-lhes o interesse e o entusiasmo que nos dão, com novas músicas.

CONT.: Daí neste concerto terem apresentado muitas novas canções... 

T.S.: Este é o concerto que preparámos e que estamos a apresentar este ano. Gravámos um disco no início deste ano, o ano passado foi preenchido por uma digressão com muitos temas conhecidos. Este ano, optámos por apresentar novas músicas. Se por um lado as pessoas podem gostar de ouvir músicas antigas, penso que gostam de saber da criatividade e vontade que os músicos têm de responder ao seu entusiasmo com novas criações. Eu, pessoalmente, gosto muito das canções novas.

CONT.: Como é que define a música dos Madredeus? 

T. S.: Acho que é um estilo de música completamente original. É música portuguesa, dedicada à palavra, ao canto da língua portuguesa. É uma música que visita muitos ouros estilos, tem essa liberdade. Mas não encontro uma definição particular, não tenho um rótulo para lhe dar...

CONT.: Além dos Madredeus, pensa, no futuro, numa carreira a solo, ou em projectos diferentes? 

T. S.: Até ao fim do ano vou andar em viagens com os Madredeus. Para o ano, é lançado o nosso próximo disco. O trabalho com os Madredeus é muito intenso e tem sido, no fundo, a minha escola, tem sido através destas canções, que são feitas para mim, que tenho crescido e aprendido até que ponto é grande este meu gosto pela música. Há algumas coisas que eu gosto de cantar que não são Madredeus, como canções tradicionais. Gosto também muito de cantar fado, mas não sei se um dia se virá a justificar e se terei disponibilidade para fazer um trabalho. Gostaria de poder vir a fazê-lo, mas não tenho ainda nada de concreto previsto nesse sentido.

(cont. na pág. seguinte) 


"Uma orquestra de bolso" 

CONT: Como foi esta visita ao Luxemburgo, um país onde os esperam sempre muitos portugueses fãs do grupo? 

Pedro Ayres Magalhães: Foi muito boa, visto que tocámos no quadro de um festival como este e num sítio dedicado à Música, um local extraordinário. Nos concertos anteriores que demos aqui tocámos num pavilhão, onde não é tão aprazível tocar. O Luxemburgo tem esta particularidade de quando vimos cá, esperamos sempre a presença da comunidade portuguesa. Sente-se o entusiasmo e o ambiente, é por isso particular.

CONT: Como define o som dos Madredeus? 

P.A.M.: Essa é mais uma preocupação enciclopédica que eu não tenho muito. Por vezes pergunto-me se Madredeus é música clássica, se é fado? É, em todo o caso, uma música anti-académica, feita por estudantes de música, que toca influências vagas da música popular, do pop-rock, no fundo, da música contemporânea do nosso tempo. Procuramos criar um repertório para a poesia portuguesa cantada, bem como para a guitarra clássica, guitarra brasileira, guitarra portuguesa, guitarra flamenca, buzouki, harpa. Imaginamos o que podemos tocar com as nossas guitarras, o sintetizador e a voz da Teresa, tentando ser o mais criativos possível para explorar todas as potencialidades deste "ensemble". Quando cheguei aqui estava a perguntar-me se os luxemburgueses iam pensar que isto era mesmo fado ou não, enquanto que todos os portugueses sabem bem que isto não é fado. Para os portugueses Madredeus é Madredeus, ninguém precisa de explicações! O reportório dos Madredeus é uma tradução do fado, uma música feita inspirada nessa música de Lisboa, uma inspiração poética no feitio do fado. Cantamos inspirados na música de Lisboa, sem cantar a música de Lisboa! Eu gosto de chamar à música dos Madredeus: "uma fantasia musical de raiz potuguesa". Ou então "uma orquestra de bolso", porque afinal são apenas quatro músicos e uma voz.

CONT: Quando esta aventura começou em 1987, no antigo Convento da Madre de Deus, em Xabregas (zona oriental de Lisboa), imaginavam que poucos anos depois viriam a atingir este êxito internacional? 

PAM: Quando começámos queríamos apenas fazer música diferente. Decidimos que era música para uma voz feminina, que não havia de ter baterias, nem percussões, senão não se ouvia nada do que ela cantava. Queríamos explorar música do tipo "Madrigal", as canções alentejanas, o fado, as baladas pop-rock. Nessa altura não nos preocupava ser famosos, preocupava-nos criar um repertório. Depois a nossa preocupação foi gravar esse reportório e apresentá-lo ao vivo. Ao príncipio fazíamos 20 concertos por ano, era uma coisa amadora na nossa vida, um divertimento. Foi assim até 1991 em que fizemos a nossa primeira digressão em Portugal que foi um grande êxito. Começámos inclusive a receber convites do estrangeiro. As tantas tivemos que decidir se íamos ser profissionais ou não, e que isso implicaria a possibilidade da nossa música ser editada em todo o mundo. Evitámos sempre demasiada exposição na tv e na rádio, concentrámo-nos nos concertos e na construção do repertório, tentando melhorar a música, viajando com ela. Isto nunca foi previsível em nenhum momento. Neste momento o grupo é uma coisa revolucionária. Acabamos de vir de uma tournée de seis concertos em Espanha, onde os Madredeus com a sua pequena orquestra tocaram, como aqui, em espaços da melhor música que se faz no mundo. Isto nunca foi possível imaginar nesses primeiros anos.

CONT.: Para os admiradores da voz do Pedro Ayres Magalhães, saudosos desta dos tempos da Resistência, em que interpretava nomeadamente os temas "Nunca Mais" (álbum "Palavras ao Vento") e "Perigo" (álbum "Mano a Mano"), quando é que podem esperar voltar a ouvi-la? 

P.A.M.: (risos) Eu não tenho muito jeito para cantar, embora goste muito de cantar. Esses discos, em que cantávamos todos juntos, + foram muito felizes ...

CONT.: A Resistência acabou definitivamente? 

P.A.M.: Quando nos encontramos falamos sempre nisso. Algumas das bandas naquela altura ainda não eram tão famosas como são hoje. Era sempre muito difícil juntar toda a gente e hoje ainda mais. Mas continuamos a ter esse sonho porque foi para nós algo importante...

"Um som único" 

CONT: Foi bom voltar ao Luxemburgo no quadro deste Festival de Música e Teatro de Wiltz? 

Carlos Maria Trindade: Este festival é muito bem organizado. Para nós é sempre bom, porque costumamos fazer este circuito de festivais por toda a Europa. As pessoas que frequentam estes festivais são pessoas que gostam de música e que têm um espírito aberto. Não precisamos só de um público que vá ver os Madredeus porque são famosos, mas porque ouvem a música, e este público acho que ouviu a música...

CONT.: Faço-lhe a mesma pergunta que fiz à Teresa e ao Pedro Ayres, como é que definiria a música dos Madredeus?

C.M.T.: É um som único, um som baseado em composições originais cantadas em Português, para a voz da Teresa Salgueiro, que é o mais importante. Isso é Madredeus.

CONT.: E consegue ter tempo para os seus outros projectos, nomeadamente a solo? 

C.M.T.: O José Peixoto e eu trabalhamos a tempo inteiro para os Madredeus, mas sempre que podemos trabalhamos nos nossos projectos individuais. É importante, perante nós próprios sabermos que ainda podemos fazer música de autores individuais e explorando mais a técnica instrumentalista. Quando compomos para os Madredeus sabemos que vamos compor para aquele grupo, para aquela voz e trabalhamos de maneira específica para os Madredeus, que é um grupo semi-acústico muito interessante.

Festival de Wiltz 2001 com Gilberto Gil

A actuação dos Madredeus em Wiltz foi um dos maiores sucessos dos últimos tempos, confidenciava-nos, no final do espectáculo, um responsável da organização.

"O recinto estava lotado, estavam cerca de 1100 pessoas. É um record para o Festival de Wiltz, que costuma ter entre 600 e 900 pessoas quando temos casa cheia. Só o Miles Davis igualou este número em 1991, quando veio cá", disse o mesmo reponsável, visivelmente satisfeito, adiantando "para o ano já estamos a pensar em cá trazer o Gilberto Gil".

A toda a organização do Festival de Wiltz um bem-haja por este tipo de iniciativas e por ter trazido até nós um dos melhores grupos e o mais internacional da música portuguesa.

Texto: José Luís Correia
Fotos: Paulo Lobo 
in CONTACTO, 28/07/2000

quarta-feira, 20 de julho de 2005

No Conselho de Imprensa do Luxemburgo

Foto: Marc Wilwert

De 8 de Março a 11 de Maio decorreram na "Maison de la Presse", na capital, cursos organizados pelo Conselho de Imprensa do Luxemburgo sobre a Constituição Europeia, finanças comunais e outros temas de interesse que acabaram por enriquecer os frequentadores dos mesmos.

Na semana passada, os 22 jornalistas que ali se deslocaram semanalmente receberam os diplomas: Jean-Marie Backes (Tageblatt); Ulrike Botzler (Télécran); Marion Bur (La Voix du Luxembourg); José Luís Correia (CONTACTO); José Campinho (Correio); Ralph Di Marco (La Voix du Luxembourg); Maurice Fick (La Voix du Luxembourg); Marie-Paul Fischbach (de radio 100,7); Alex Fohl (Tageblatt); Pascal Hansen (Tageblatt); René Hoffmann (Le Jeudi); Diane Klein (RTL); Joseph Lorent (d'Wort); Lucien Montebrusco (Tageblatt); Sascha Seil (Tageblatt); Fabienne Pirsch (Télécran); Tom Reisen (Tageblatt); Max Theis; (RTL); Wolf von Leipzig (d'Wort); Patrick Welter (Lëtzebuerg Journal); Marc Willière (d'Wort) e Raphaël Zwank (d'Wort).

in CONTACTO
20/07/2005

sábado, 16 de julho de 2005

Concerto de Sara Tavares: Arco-íris musical em Wiltz

Aos 26 anos, Sara Tavares é já um valor seguro da música em Portugal 
Foto: Jos. Scheer 

A meio caminho entre a África e a Europa, e com influências que vão desde o gospel e o jazz à bossa nova, passando pelo fado e pela música portuguesa, as canções de Sara Tavares conquistaram a cidade alta de Wiltz, no passado domingo.

A assistência – cerca de 300 pessoas – deixou-se aquecer pela voz solar da cantora, apesar da chuva e do frio que insistiam. Sara soube, a cada instante – com músicas como "Chuva de Verão" e "Tu és o Sol" – aproveitar o lento entardecer bucólico do local, para transportar o público num arco-íris musical que durou cerca de uma hora e meia. Afinal, ela era a estrela, o novo sol.

A jovem cantora, hoje com 26 anos, provou que fez uma longa caminhada desde a "Chuva de Estrelas" (programa da SIC, onde foi revelada, em 1994). Cantou músicas dos seus dois álbuns com voz sempre sentida e como se estivesse entre amigos. E estava, porque o público, até aquele que não conhecia o seu trabalho, rendia-se. "Estrela Mãe" (já a noite caía), escrita por Paulo de Carvalho e composta por Ivan Lins especialmente para si, foi um instante sereno.

Sara ofereceu ainda ao público "Balancê", do seu próximo álbum. Alternavam músicas suaves e outras mais batucadas e houve quem não resistisse a dar um pé de dança e saltasse da plateia para junto do palco. Trocando a guitarra pela percussão com bastante à-vontade, Sara encantou sobretudo em momentos únicos como quando cantou a solo a canção de embalar "Barquinho da Esperança", do seu primeiro álbum ("Sara Tavares & Shout", de 1996), um original das "Doce" (escrito, em 1984, por Pedro Ayres Magalhães e Miguel Esteves Cardoso), que revisitou com a sua voz quente, ao mesmo tempo que tocava "calimba" (um instrumento africano feito a base de palhetas).

No fim, e com o seu sorriso, Sara conseguiu mesmo contagiar os mais fleugmáticos e irredutíveis do público a acompanharem-na em "Mi ma bô" (canção do álbum do mesmo nome de 1999).

Em conversa com a nossa reportagem, confia-se seduzida por Wiltz: "Quem organiza este Festival tem uma visão com muita sensibilidade. É muito bonito. Cantei a primeira canção a capella com os passarinhos (sorrisos)... Apesar de ser um recinto ao ar livre, as pessoas respeitarem silêncio absoluto. É um lugar fantástico. Adorei!"

Sara ainda se lembra bem da sua passagem, há quatro anos, por Kockelscheuer.

"Quando vim cá pela primeira vez, estava muito entusiasmada, o disco tinha saído há pouco tempo. Era das primeira vezes que eu saía de Portugal com aquele disco. Havia aquela euforia de mostrar a música às pessoas", recorda.

E fala-nos da sua evolução desde então: "Embora o projecto usasse as mesmas canções como base, é agora diferente. Hoje, estou numa fase mais intimista, estou preparada para explorar outras sonoridades. Estou mais próxima não só das minhas raízes culturais e familiares, mas das minhas raízes pessoais e espirituais. Sinto-me mais madura, embora saiba que é um processo e que ainda sou muita nova." Este processo explica-o, afirmando-se profundamente mediterrânica.

"Nasci e cresci em Portugal e a música portuguesa esteve sempre presente. Depois, quando comecei a trabalhar, interessei-me muito pela música cabo-verdiana. Em Cabo Verde sou aceite como crioula, mas também sou vista como uma europeia. A minha música está também a meio caminho desses dois continentes", diz. O próximo álbum já está na calha, mas "não há datas", e justifica-se dizendo que "diariamente trabalho nas ideias, nos arranjos, serão essencialmente composições minhas. Estou num processo muito grande de descoberta da minha musicalidade. É isso que eu quero agora apresentar e partilhar com as pessoas".

Tendo optado pelo gospel em determinado momento da sua carreira, hoje, os seus sons mudaram, mos o essencial ainda lá está: "Acredito muito em Deus. Acho que a minha música é uma oportunidade de abraçar as pessoas e de lhes passar uma mensagem. Será sempre a mensagem bíblica de paz e amor, e de libertação para todos os povos". Não gosta que lhe chamem nem se considera embaixatriz de Cabo Verde, ao mesmo título que Cesária Évora, por exemplo. Diz antes que a sua voz representa a "nova geração, dos que nasceram em Portugal, no Luxemburgo, na Holanda, na América, onde há grandes comunidades da segunda e terceira geração de cabo-verdianos".

"Eu não canto os estilos tradicionais de Cabo Verde. A minha música é mais contemporânea, mais europeia, mais mestiça ainda que aquela mestiçagem". No fim do concerto, o público não a deixou partir sem um "encore". Voltou com "Borboleta" e a esvoaçar se foi... para voos mais altos. Por cá, esperamos pelo seu regresso.

José Luís Correia 
in CONTACTO, 16/07/2004

quinta-feira, 16 de junho de 2005

Jornal CONTACTO galardoado com Placa de Mérito das Comunidades Portuguesas

(Da esq. p/ a dta.) Álvaro Cruz, correspondente desportivo do CONTACTO, Pe.Belmiro, editorialista do CONTACTO, Paul Zimmer, director-geral da ISP, o secretário de Estado, José Lello, Natália Morais, correctora/tradutora do CONTACTO, José Luís Correia, redactor no CONTACTO, com a Placa de Mérito atribuída ao nosso jornal,Manuela Geraldes, secretária do CONTACTO e Gaston Roderes, chefe de Redacção do nosso jornal Fotos: M. Dias
No passado domingo, dia 11 de Junho, teve lugar no Cercle Municipal, na Place d'Armes da capital, uma cerimónia para assinalar o "10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas", na presença do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Lello, do embaixador de Portugal, Paulo Couto Barbosa, do cônsul-geral, Mário Damas Nunes, do vice-cônsul, António Martins Antunes, do deputado Paulo Pisco, do conselheiro social e cultural da Embaixada, Rui Dias Costa, e do chefe dos Serviços Sociais do Conulado, José Araújo.

Depois de passar por Hanover e Bruxelas, José Lello deslocou-se ao Luxemburgo por ocasião deste "10 de Junho" para homenagear três instituições, "pelo seu trabalho para a boa integração da comunidade portuguesa no Luxemburgo", com a Placa de Mérito das Comunidades Portuguesas. Um dos galardoados foi o nosso jornal, pelo seu 30° aniversário.

Paul Zimmer, director-geral da Imprimerie Saint-Paul, editor do CONTACTO, recebeu o galardão das mãos do secretário de Estado.

José Lello homenageou ainda o Grupo Desportivo "Os Lusitanos" pelos seus 25 anos (comemorados em 1999), na pessoa do seu presidente demissionário António Cerqueira, e o Centro de Apoio Social e Associativo (CASA) pelos seus 20 anos, representado pelo seu presidente José Ferreira Trindade.

Recebeu ainda a Menção Honrosa do Prémio Camões, a autora Maria Teresa Pimentel.

Depois da alocução de boas-vindas do cônsul-geral Damas Nunes, realizou-se um pequeno recital com os pianistas Adriano Jordão, conhecido artista vindo de Portugal e o jovem Michel Lopes, residente no Luxemburgo.

Michel Lopes começou por interpretar uma obra de Franz Liszt, a "Primeira balada em ré bemol maior", enquanto Jordão interpretou a "Fantasia Triunfal" de Louis Gottschalk. Esta obra é "uma fantasia, são variações sobre o hino nacional brasileiro", como explicou o próprio Jordão ao público, "já que estamos a comemorar os 500 anos do Descobrimento do Brasil", disse ainda. Depois, as duas gerações, interpretaram uma obra de Ravel, a quatro mãos.

Seguiu-se a actuação da jovem cantora Raquel Barreira, que acompanhada pelos seus dois guitarristas interpretou dois temas: o já célebre "Menino de sua mãe", poema de Fernando Pessoa musicado por Thierry Kinsch e um original do seu primeiro álbum em preparação, "Sete Colinas", com letra da cantora e música de Kinsch.

José Lello declarou-se muito satisfeito ter vindo celebrar com a comunidade portugesa do Luxemburgo, esta festa do 10 de Junho, declarando que, graças às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo , "a nação portuguesa não tem fronteiras". Lello, evocou ainda o drama de Wasserbillig de há algumas semanas, "um dia de grande dor para a comunidade portuguesa".

O secretário de Estado teve ainda a oportunidade de se encontrar com representantes da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo, CCPL e do seu Grupo de Acção Jovem GAJ. Esta cerimónia terminou com um cocktail oferecido ao público presente.

JLC 
in CONTACTO, 16/06/2000

segunda-feira, 13 de junho de 2005

José Luís Correia condecorado




O nosso responsável de Redacção, José Luís Correia, recebeu o troféu das mãos de Lurdes Monteiro, membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social Foto: "Voz de Azeméis" (com a devida autorização)

Na cerimónia do 33° aniversário do jornal "Voz de Azeméis" e 15° da revista "Portugal" (vocacionada para emigrantes), que decorreu no passado dia 31 de Maio, em Oliveira de Azeméis, foram distinguidas três individualidades da Comunidade Portuguesa do Luxemburgo: Luís Barreira, Director da Rádio Latina, Joaquim Xavier, Presidente do Rancho "Amores Perfeitos" e José Luís Correia, responsável da Redacção do nosso jornal.

Os três homens receberam o Troféu "Prestígio e Dedicação/Comunidades Portuguesas", que são entregues anualmente, há já 12 anos, pelo jornal "Voz de Azeméis" e pela revista "Portugal" por ocasião dos respectivos aniversários. Pretendem também homenagear personalidades que se distinguem em prol da causa lusíada.

Foram ainda agraciadas 19 outras personalidades que trabalham em Portugal ou nas Comunidades Portuguesas espalhadas pelo Mundo: o "mayor" Paul Tavares - dos Estados Unidos; o professor universitário Elídio Brito - do Canadá; o dirigente associativo Hermano Sanches Ruivo - de França, foram outras três personalidades distinguidas com este troféu.

Na cerimónia deste ano, Aníbal Araújo, director das duas publicações, deu as boas-vindas a todos os presentes, entre os quais se destacaram o Secretário de Estado da Juventude e Desporto, Hermínio Martinho e do Deputado, ex-ministro do Desporto e Juventude e ex-secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Lello, bem como da deputada e ex-secretária de Estado da Emigração, Manuela Aguiar.

Um organismo para congregar os luso-descendentes 

O secretário de Estado das Juventude e Desportos, Hermínio Loureiro, anunciou, em Oliveira de Azeméis, o propósito de criar um organismo que congrege Luso-descendentes de todo o mundo.

Quanto ao antigo secretário de Estado das Comunidades, José Lello, defendeu que Portugal e os seus valores estão a seduzir a terceira geração de Luso-descendentes, invertendo uma tendência verificada com a segunda geração.

Portugueses lêem de forma diferente! 

Nesta cerimónia foram ainda abordadas questões como a importância da Imprensa regional em Portugal e os hábitos de leitura de jornais dos Portugueses. O Director da "Voz de Azeméis" e da revista "Portugal", Aníbal Araújo, admitiu ser "imprescindível" modernizar a Imprensa regional, "tornando-a atractiva".

O Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (API), João Palmeiro, contestou a ideia-feita de que Portugal é dos países europeus onde menos jornais se lêem.

"Não é verdade que lemos poucos jornais. Fazemo-lo é de maneira diferente dos outros", disse, explicando que Portugal é o penúltimo país europeu em leitura de diários, mas alcança a terceira posição na leitura de publicações não-diárias.

in CONTACTO,
13/06/2003

quarta-feira, 8 de junho de 2005

Que Europa queremos afinal?

Mas o que está afinal a levar os europeus a recusarem uma Constituição com a qual todos deveriam identificar-se?

Uma Constituição que pretende, sobretudo, dotar a União Europeia de uma voz política (política exterior comum), através da criação de cargos como o de Presidente ou o de ministro dos Negócios Estrangeiros da UE.

Tememos uma "ditadura europeia" como a viúva de Mitterrand, ou como o profetiza João Aguiar no seu romance de antecipação, "O Jardim das Delícias"?

A UE é o único espaço político de toda a Geografia e de toda a História a ter sido criado pelo consentimento mútuo dos povos e não pela força. E não há razões para que mude.

Os Estados Unidos perceberam que afinal tinham de contar com a UE quando o sempiterno e omnipotente dólar fraquejou face ao euro. A UE conseguia assim demonstrar que tinha algo a dizer no palco da economia mundial, em constante e rápida evolução. Também a China está a perceber que, economicamente, não pode impôr as suas regras à UE. Porque, nesta matéria, a UE consegue lutar com uma só e mesma voz.

Mas o Mundo já descortinou a fraqueza da UE: a sua divisão a nível político, a exemplo do que sucedeu recentemente na questão da Guerra do Iraque. Porque a UE não soube reagir em uníssono. Cada estado-membro preferiu adoptar a posição mais conveniente relativamente às relações que já teve, mantém ou pretende no futuro desenvolver com os EUA.

Se, muito rapidamente, a UE não souber munir-se de uma Constituição, não conseguir falar a uma só voz, não será tida nem achada nas decisões políticas, mas também económicas (umas dependendo das outras) do século XXI nascente.

Se conseguimos pôr-nos de acordo em matéria económica, porque não política? Ou estes "não" foram apenas ondas de contestação aos governos nacionais? É legítimo fazê-lo em referendos onde a construção europeia está em jogo?

É, porque os cidadãos sentiram que era a única maneira dos governantes os ouvirem, quando há tanto tempo se queixam de uma Europa que lhes parece cada vez mais abstracta, sem se preocupar com os seus problemas reais.

Estes dois „Não“ são sobretudo a prova da incapacidade dos governantes e dirigentes em explicar às populações o que está realmente em causa.

Os políticos falam-lhes do amanhã, de uma Europa que, face às potências económicas mundiais vigentes ou emergentes (EUA, China e outros países asiáticos), só conseguirá desenvolver-se, alargando-se, como o fez a Leste e como está a pensar fazê-lo para a Turquia – e, quem sabe até, um dia, para a imensidão da Rússia ou do Maghreb? E porque não, se estiver garantida a democracia e o respeito dos direitos humanos nesses países?

Os objectivos da UE sempre foram e serão, com esta ou outra denominação, a expansão de um espaço de paz e de estabilidade. Não se trata apenas de uma questão de identificação cultural – ser mais ou menos europeu –, trata-se de sobrevivência, num futuro comum.

Mas os trabalhadores não querem saber de amanhãs improváveis. Querem que se acabe hoje com o desemprego que os assombra, com os benefícios sociais ameaçados, com a precaridade que espreita. Temem as deslocalizações e a invasão de imigrantes de Leste que são pagos com metade dos salários. O medo que franceses e outros tinham do pedreiro português em 1986 reaparece em 2005, transfigurado em pavor do canalizador polaco. E é um medo compreensível! Mas são medos perigosos porque conduzem ao isolacionismo e ao radicalismo.

Mas alguém lhes explica que, se as empresas se deslocarem para Leste, é preferível a falirem se não houver alargamento? Alguém lhes diz que a população europeia está velha e que em 2013 haverá mais gente na reforma do que a trabalhar? Que para pagarmos esses reformados o Estado terá de reter dois terços dos salários da população activa ou simplesmente acabar com a Segurança Social estatal. Ou que teremos provavelmente de "importar" mão-de-obra chinesa ou até – será assim tão inacreditável – emigrar para a Ásia, única região ainda em franca expansão económica? Alguém lembra aos portugueses que, com a actual crise, se Portugal não estivesse na zona euro, estaria a pedir ao FMI para desvalorizar dramaticamente o escudo?

Há que explicar aos cidadãos europeus que, mesmo numa época de crise, somos a zona que garante mais direitos sociais no mundo. Que palavras como "liberal" e "concorrência" podem aparecer mais de 25 vezes no texto da Constituição, mas que a palavra "social" aparece quatro vezes mais.

A UE não é perfeita, mas foi o que de melhor se encontrou até agora. Tem garantido a paz e a estabilidade política e económica nos nossos países. Porque o seu objectivo tem sido e continua a ser: o nosso futuro comum.

Há que saber explicar às populações o que se pretende com a UE, em que sentido devemos evoluir e porquê. Mas também é necessário escutar o que os povos têm a dizer e o que querem da Europa . Um diálogo. Não monólogos e atitudes autistas de eurocratas!

A Constituição Europeia é uma necessidade, nesta ou noutra forma. Reveja e corrija-se. Chega de noções técnicas, fórmulas complicadas e de decidir projectos que os europeus não entendem. É necessário que todos sintamos que a Europa não é apenas Bruxelas. A Europa somos todos nós.

José Luís Correia, in Contacto, 08.06.2005

quinta-feira, 5 de maio de 2005

Heroína de Pina, uma das testemunhas privilegiadas do nascimento do CONTACTO

Heroína de Pina Foto: Teddy Jaans
Heroína de Pina é desde a primeira hora um membro activo das "Amizades Portugal-Luxemburgo" (APL). Enquanto esposa (hoje viúva) de Carlos de Pina, um dos principais fundadores e impulsionadores do CONTACTO, foi testemunha privilegiada do nascimento do jornal, em Janeiro de 1970.

Acompanhou o crescimento e a evolução do jornal até 1987 - altura em que este passou da alçada das APL para a responsabilidade da Imprimerie Saint-Paul (ISP) - partilhando os sonhos, o esforço, o "amor à camisola" do seu marido e de um pequeno grupo de "carolas" que iam dando tudo para que o jornal fosse publicado e chegasse às mãos dos leitores.

O CONTACTO foi falar com Heroína de Pina sobre os inícios dificeis do lançamento do jornal e os primeiros anos, como evoluiu e como o vê hoje, 30 anos depois.

CONTACTO: Enquanto uma das testemunhas privilegiadas do nascimento do jornal CONTACTO, pode dizer-nos um pouco como tudo aconteceu? 

Heroína de Pina: Antes de existir o CONTACTO propriamente dito, existia uma folha policopiada, a "Voz do Imigrante", que foi criada para permitir a comunicação entre portugueses, a passagem da informação, já que não havia imprensa portuguesa, nem meios de comunicação portugueses. Daí o desejo de se criar num primeiro tempo esta folha policopiada, para manter ao corrente os imigrantes do que se ia passando no Luxemburgo, e durou cerca de um ano. Essa folha foi criada essencialmente para ser um elo de ligação entre os portugueses aqui radicados e Portugal. Já na altura o Sindicato Cristão nos ajudava na elaboração dessa folha. Esta folha foi mais tarde substituída pelo jornal CONTACTO, que continuou sob a direcção das "Amizades Portugal-Luxemburgo".

CONT.: Como nasceu a ideia de criarem um verdadeiro jornal? 

H.P.: A folha não tinha uma periodicidade regular, nem grande qualidade gráfica. Fez-se um jornal para sair regularmente todos os meses e com outro tipo de grafismo, imagem e informações mais completas. Sentimos a necessidade de introduzir mais informação. As exigências eram outras, a comunidade portuguesa foi aumentando.

O jornal passou a ser distribuido não só aos sócios das APL (a ficha de inscrição às APL incluia uma assinatura anual), mas também nas igrejas e noutros locais ao público. O jornal tinha nessa altura muita importância para os imigrantes.

Através do CONTACTO os portugueses ficavam informados sobre certas questões administrativas, alterações de certas leis, modificações dos contratos de trabalho, períodos de férias e outras informações de interesse geral.

A nível do governo, existia apenas um Encarregado do Ministério que estava provisoriamente ao serviço da Imigração, só mais tarde foi nomeado um Comissário. Antes disso não havia quase nada e assim era necessário criar algo para informar os portugueses.

No príncipio era dificil, envíávamos os textos daqui para Portugal, depois este era impresso e paginado numa gráfica de lá e só depois regressava para poder ser distribuido aqui no Luxemburgo. Aconteceiam frequentemente atrasos ou por causa da tipografia ou devido aos correios. Os nomes e as moradas eram escritas à mão numa cinta em que eram envoltos os jornais, tudo isto era feito por um grupo de voluntários. Durante muito tempo o jornal esteve a cargo do meu marido.

Em 1976 teve problemas de saúde e deixou de poder continuar à frente do jornal. Sucederam-lhe o Pe. Manuel Fernandes e o sr. Huss.

Quando o meu marido e eu chegámos cá em 1964 não havia cá muitos portugueses, havia talvez cerca de 500 dispersos por todo om país. No príncipio quando ouvíamos falar português era uma coisa extraordinária. O meu marido sempre tentou que os portugueses não estivessem sozinhos, que os luxemburgueses reconhecessem, apreciassem e recompensassem o trabalho dos portugueses. E assim que chegou cá começou logo a pensar em fazer alguma coisa.

Em 1965, o meu marido juntou alguns portugueses que entretanto tinham chegado ao longo desse ano e a primeira coisa que ele fez foi organizar a Festa de Camões, o Dia de Portugal, na qual apareceram mesmo muitos portugueses.

Nos primeiros anos da imigração portuguesa o Dia de Portugal continuou a ser organizado pelas APL, das quais o meu marido foi também um dos fundadores. Multiplicou contactos com alguns luxemburgueses e portugueses e daí nasceram as "Amizades Portugal-Luxemburgo". Foi aliás no seio das APL que nasceram o primeiro grupo folclórico português "Flores de Portugal" e a primeira equipa de futebol portuguesa.

Mas o meu marido não quis ficar-se apenas pelas APL, e criou-se então uma folha informativa que tinha os mesmos objectivos das APL: veicular a informação e comunicação entre imigrantes portugueses do Luxemburgo, não deixar morrer o contacto destes com Portugal, fomentar o diálogo com os luxemburgueses e ajudar os portugueses na sua integração na sociedade de acolhimento. O espírito que levou à criação do CONTACTO é o mesmo espírito que tinha levado à criação das APL.

CONT.: Considera que o CONTACTO contribuiu à integração dos portugueses na sociedade de acolhimento? 

H. P.: O CONTACTO ajudou muito a integração dos portugueses no Luxemburgo. Os portugueses que recebiam o jornal estavam informados sobre o que se passava em Portugal e no Luxemburgo e as dificuldades e problemas que a imigração portuguesa enfrentava no seu dia a dia. A comunicação não era como agora, nem se ia com a mesma facilidade a Portugal como se vai hoje.

CONT.: Como viveu a transição do CONTACTO das APL para a ISP, em 1987 ? 

H.P.: Há muitos anos que se andava a tentar que o CONTACTO fosse tomado a cargo pelo grupo ISP, que edita o principal jornal do país, o “Luxemburger Wort”. Os custos do jornal foram durante 17 anos suportados unicamente pelas APL. O jornal também tinha muito poucos anúncios que pudessem ajudar nas despesas. O jornal tinha-se tornado demasiado dispendioso para poder ser suportado pelas APL e era difícil continuar a sua impressão, publicação e o seu envio de Portugal. As APL também não podiam pagar uma impressora aqui no Luxemburgo. A única e melhor solução era ser retomado por um grupo forte como o da ISP. E o facto do CONTACTO passar a ser publicado pela mesma casa que o “Wort” era afinal o reconhecimento da utilidade pública do próprio jornal.

CONT.: Com que olhos vê/lê hoje um jornal que ajudou a fundar há 30 anos? 

 H.P.: Não fui uma das fundadoras. Mas através do meu marido estive sempre ligada ao jornal de uma forma ou de outra. Participei muitas vezes com textos para a rubrica de culinária ou para a página feminina... Ao olhar hoje para o jornal vejo que houve uma grande evolução e penso naquela “folhinha” policopiada, nos primeiros números do jornal com apenas algumas páginas. Hoje o CONTACTO tem a sua própria Redacção. Antes de passar sob a alçada da ISP a redacção do jornal era constituida unicamente por membros das APL que com muito esforço iam escrevendo e aguentando o jornal. Mas muitas vezes era o meu marido que escrevia vários textos assinando com iniciais diferentes para parecer que o jornal era escrito por muita gente. Guardo em casa todos os jornais, do primeiro de Janeiro de 1970 ao último feito pelas APL, em Dezembro de 1986, e no outro dia passei com os olhos pelos velhos números, e vê-se a grande diferença que existe entre esses números e o jornal hoje em dia. Reparo por exemplo que o conteúdo do jornal mudou. Hoje traz assuntos que não abordava na altura e vice-versa. Percebo que as necessidades dos leitores do jornal nos anos setenta não são as mesmas de hoje, no ano 2000. Mas há problemas que continuam a estar na ordem do dia como os problemas de Ensino, deTtrabalho, etc.

CONT.:Como vê o futuro do jornal? 

H.P.: Não sou vidente... Mas o que eu desejo para o CONTACTO é que continue por longos anos, tornando-se cada vez melhor, já que este jornal foi um dos sonhos do meu marido. Espero também que o jornal continue aberto a tudo e a todos, foi também sempre algo que defendeu o meu marido.

José-Luís Correia 
in CONTACTO, 05/05/2000

domingo, 1 de maio de 2005

FESTA DO 30°ANIVERSÁRIO DO JORNAL CONTACTO


FESTA DO 30°ANIVERSÁRIO DO JORNAL CONTACTO: (Da esq. para a dta.:) Gaston Roderes, Chefe de Redacção do CONTACTO, o Vice-cônsul, António Martins Antunes, Rui Dias Costa, Conselheiro social e cultural da Embaixada, José Araújo, Conselheiro social e cultural do Consulado, José Luís Correia, redactor no CONTACTO, e Jean Vanolst, membro da direcção do grupo ISP 
Fotos: Tessy Hansen 
in CONTACTO, Maio de 2000


(Da esq. para a dta.:) Isabel Silva, colaboradora da Redacção, Paula Ferreira, redactora, Manuela Geraldes, secretária da Redacçâo, Natália Morais, tradutora/correctora; e José Luís Correia, redactor

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Manuel Luís Goucha: "Faz-me uma certa impressão ver portugueses a viverem em circuitos fechados"

Foto: Manuel Dias
O CONTACTO soube que um dos mais populares apresentadores da televisão portuguesa, Manuel Luís Goucha, estava de passagem pelo Luxemburgo. Não quisemos perder a oportunidade de trocar umas breves palavras com a companhia que nos preenche os fins das manhãs na RTPi, de segunda a sexta, em directo da cidade invicta, embora ele seja originário de Lisboa.

CONTACTO: Esta sua passagem pelo Luxemburgo é uma visita de trabalho para o programa „Praça da Alegria“... 

Manuel Luís Goucha: Para enriquecer o programa pensámos fazer uma série de reportagens sobre portugueses de sucesso nos países de acolhimento. Já fizemos umas dez em Paris. Vamos fazer umas quinze aqui no Luxemburgo. São conversas muito curtas, que passarão à razão de uma reportagem por programa.

CONTACTO: : Estão assim a pensar também nos espectadores que vos vêem pela RTP internacional ... 

M.L.G.: A 'Praça da Alegria' é primeiro um programa da RTP, que passa depois na RTP internacional. Os milhões de espectadores espalhados pelo mundo que nos vêem através da RTPi foram ganhando importância no programa. Deles recebemos chamadas diariamente. Mas o programa tem também uma componente muito ligada à cultura popular que é igualmente vocacionada para esse público. Estas rubricas, que estamos agora a fazer, estão, se calhar, até mais vocacionadas para o público que nos está a ver em Portugal continental e nas ilhas, porque estamos a dar a conhecer que há portugueses de sucesso por esse mundo fora nas mais diversas áreas. Não há só portugueses na construção civil e nos serviços de limpeza. É essa ideia que queremos passar para um público alvo, que neste caso é o de Portugal continental e ilhas.

CONTACTO: : Qual é a imagem que tem do Luxemburgo e da comunidade portuguesa aqui residente? 

M.L.G.: É a segunda vez que venho ao Luxemburgo. Passei por aqui uns três ou quatro dias há 25 anos. Fiquei com a ideia que a cidade do Luxemburgo era uma cidade muito bonita, muito verde, com uma grande qualidade de vida, também em termos ambientais. Tinha também uma imagem do Luxemburgo muito ligada a uma segunda geração de emigrantes. A comunidade portuguesa no Luxemburgo supreende-me muito porque na minha opinião é uma comunidade jovem, e os jovens já estão bem integrados neste país. Mas faz-me uma certa impressão ver ainda portugueses a viverem em circuitos fechados: frequentam as associações recreativas e os clubes desportivos portugueses, vão aos restaurantes de cozinha portuguesa ... Eu penso que a integração dos portugueses nos países de acolhimento tem que passar pela atitude que têm face às sociedades de acolhimento. Mas acredito que para a nova geração de portugueses, que já vai falando o luxemburguês, a integração vai ser mais fácil . A integração será plena quando os portugueses tiverem contactos diários com os luxemburgueses e quando fizerem parte de associações culturais luxemburguesas.
José Luís Correia entrevista Manuel Luís Goucha Foto: M. Dias


CONTACTO: Por seu lado, programas como o seu e a RTPi em geral têm dado uma outra imagem de Portugal aos jovens luso-descendentes... 

MLG.: Portugal é um país que evoluiu muito de há 25 anos a esta parte, é um país que se está a modernizar, é um parceiro privilegiado da União Europeia em termos históricos, com 800 anos de história, com muito para dar em termos de cultura. É importante que essa imagem seja passada para as comunidades de acolhimento.

CONTACTO: Como é que se sente a apresentar um dos programas mais populares das manhãs portuguesas? 

MLG: Sinto-me bem. São três horas em directo (mais três horas de preparação), é um programa divertido com muito ritmo, as conversas são muito curtas. É um programa onde me sinto bem, é o meu palco! É um programa que está para durar, vai fazer mil emissões em Setembro, e outras mil virão ...

CONTACTO: Numa carreira tão longa e diversificada como a sua, o que sente que ainda lhe falta fazer? 

M.L.G.: Falta fazer muita coisa ... Eu gasto o meu dinheiro todo em viagens. Eu vivo para viajar. Mas acho que não vou ter tempo de fazer as viagens todas que quero. Em termos profissionais ... não tenho grandes ambições. Vou seguir esta linha porque sei que o que estou a fazer agora é onde me sinto melhor e onde sou eficaz. Vou manter-me fiel a este tipo de programas de „conversa e de afecto“. Acho que encontrei o meu caminho na „Praça da Alegria“. Depois, vou continuar a aceitar outros convites especiais como para apresentar o Festival da Canção, o Natal dos Hospitais ...

CONTACTO: Continua a publicar livros sobre cozinha? 

MLG.: Sim , mas em parcerias. Tenho uma equipa de cozinheiros, de fotógrafos que trabalha comigo, e eu só tenho que fazer a parte de texto. Por isso continuo a sair com livros. Sai à razão de um livro por ano. Recentemente saiu um sobre massas, e já há um outro previsto para o ano ...

CONTACTO: Gostaria de deixar alguma mensagem especial para os portugueses do Luxemburgo? 

M.L.G.: Que se sintam orgulhosos de ser portugueses, mas que se integrem bem nas comunidades de acolhimento. Tem que ser feito um esforço para que se integrem para que não se sintam estranhos num país que não é o deles, e para conseguirem transmitir aos outros a imagem de um Portugal mais moderno e solidário. Têm tudo a ganhar em não viver em ghettos, em circuito fechado. Esta é a grande mensagem que gostaria de deixar ...
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Manuel Luís Goucha e a sua equipa estiverem no Luxemburgo a fazer uma série de reportagens sobre homens de sucesso no Luxemburgo para a „Praça da Alegria“. Estiverem na União Centro Cooperativo com José Trovão, depois passaram pelo Instituto Camões onde falaram com Rui Dias Costa. Visitaram igualmente a Rádio Latina, os Estabelecimentos Primavera, a loja Hugo Boss de Manuel Silva, o Restaurante The Good Friend. Manuel Luís Goucha pode ainda entrevistar „Os Apolos“, por ocasião dos 20 anos deste conjunto musical. Estas pequenas reportagens serão difundidas brevemente, pela RTPi, no programa „Praça da Alegria“ (de segunda a sexta, das 11h às 14 horas).

José Luís Correia 
in CONTACTO, 20/04/1999

sábado, 9 de abril de 2005

Adesão à UE a 1 de Maio: Eslováquia, optimismo moderado

O redactor do CONTACTO José Luís Correia (o primeiro, em cima, à esquerda), com um grupo de jovens eslovacos: Jana, Viera, Juraj e Daniel (da esq. p/ a dta) Fotos: JLC

Chegamos a Bratislava com a representação luxemburguesa da Comissão Europeia e do Ministério dos Negócios Estrangeiros luxemburguês que têm vindo a promover viagens de imprensa para apresentar os países que se tornarão membros da União Europeia (UE) a partir de 1 de Maio próximo.

Em Bratislava vivem 461.616 mil dos 5,4 milhões de habitantes (dados de 2003) que o país (com 49.035 km2) conta.

A capital, com mais de 2.000 anos de história, é também a cidade com mais jovens do país. Os prédios não muito altos, as charmosas ruas pedonais, os amplos e múltiplos largos e o rio Danúbio dão-lhe um ar de pequena cidade meridional.

A Eslováquia foi o últimos dos dez novos candidatos a provar que estava pronto a aderir à UE, depois de profundas reformas económicas e sociais, algo impopulares. O sistema das pensões foi reformado, a idade da reforma passou a ser mais tardia (aos 62 anos), os abonos familiares foram revistos em baixa, o ensino deixará de ser gratuito a partir de 2005, o custo das consultas médicas vai aumentar, os impostos também, enquanto que o ordenado mínimo continua a rondar os 150 euros/mês (cerca de 6.000 coroas eslovacas) e o ordenado médio não ultrapassa os 400 euros, o que deixa alguns eslovacos cépticos ou de um optimismo moderado quanto à futura adesão à UE.

Os eslovacos mais idosos argumentam que na época soviética não havia desemprego. que hoje ronda os 16%, com picos de 34% no leste do país. 50% dos eslovacos vive no limite da pobreza. Arrendar um apartamento pode custar entre 180 e 300 euros, o que faz com que a maioria dos jovens só saia de casa dos pais, casados. Não há habitações sociais, só casas e apartamentos privados. Quem não os possui, mal consegue pagar a sua renda.

Numa visita até Trnava, uma simpática pequena vila e centro católico do país, e logo à saída da capital, deparamo-nos com o "país real": pequenas aldeias que os jovens abandonam em prol da capital, uma população pobre que vive em casas vetustas e uma agricultura de subsistência marcada por pequenas hortas particulares.

Em Dubová, na planície ao sopé dos pequenos Cárpatos, encontramos Jaroslaw, de 43 anos, que está a cuidar das maçãs na sua horta. Como outros eslovacos com quem conversámos, Jarosloaw queixa-se dos salários baixos e que "na Europa ganha-se mais". Pensa por isso que a a UE "é capaz de ser uma coisa boa", mas não sabe bem o que espera o seu país e a sua gente num futuro próximo.

Mas se os eslovacos se queixam, mais mal ainda vive a minoria húngara (9,7% da população) no sul do país, que se sente discriminada e reivindica a autonomia em matéria de educação e cultura.
Bratislava, uma capital com um ar de pequena cidade meridional




O "problema cigano"

Pior ainda são os 400 mil ciganos, também discriminados no acesso ao emprego pela cor da pele ou porque têm um baixo nível de escolaridade. Segregados desde os anos 70 (pelo governo soviético e pelos que o sucederam) em mais de 600 ghettos urbanos no leste do país, mais de 150 mil ciganos passam fome e vivem na maior miséria (em barracas e casas sem as mínimas condições de higiene e de salubridade), sobretudo depois da reforma das ajudas sociais que foram diminuídas em cerca de um terço desde o início de 2004. Por vezes, a segregação degenera em marginalidade.

Em Fevereiro último houve vagas de pilhagens por parte de ciganos nas lojas de Kosice e Presov, o que fez aumentar ainda mais o forte sentimento anti-cigano dos eslovacos. "Os ciganos não fazem esforços para se adaptar à sociedade, pilham os campos, destroem as florestas para roubar a madeira", acusam.

Para Gunter Verheugen, comissário europeu para o alargamento, esta questão só se pode resolver pela educação e integração da comunidade cigana. Michal Vasecka, director do Instituto dos assuntos públicos, que se ocupa das minorias, denuncia os homens de estado eslovacos que não querem resolver o problema cigano, porque isso seria mal visto pela população e equivaleria a um suicídio político.

Lembra, no entanto, que o Conselho da Europa aprovou uma decisão para que os governos europeus favoreçam a ideia de que os ciganos são sobretudo cidadãos europeus, por forma a evitar que uma eventual futura emancipação identitária desta etnia resulte na reclamação de um espaço territorial no seio da UE.

Entretanto, todos esperam que a futura adesão e os dinheiros de Bruxelas sirvam para a inserção social desta comunidade. Jovens eslovacos optimistas com a UE Zuzana, 16 anos, diz que espera que a UE melhore a situação financeira do país, mas leu na imprensa que só em 2032 o seu país chegará ao nível europeu. Quando acabar os estudos não pensa emigrar, mas procurará trabalho na capital.

Numa esplanada, falamos com Tomas, 22 anos, empregado de mesa. Queixa-se do desemprego e da falta de dinheiro, mas gaba-nos a vida nocturna de Bratislava e "as mulheres mais bonitas da Europa de Leste". Afiança-nos que emigrará assim que puder para a Irlanda ou Reino Unido, únicos países que não impõem restrições à imigração dos novos estados membros de Leste. Os eslovacos emigram sobretudo para a República Checa, em melhor situação económica, Áustria e Canadá. Este último por incarnar o "sonho americano" e porque "continuamos a fornecer as equipas de hóquei em patins canadianas em novos talentos", gostam de lembrar os eslovacos.

Entrosamos conversa com Juraj, 24 anos, à porta da vetusta Universidade "Komenského" de Bratislava, que arbora uma sóbria arquitectura comunista de outros tempos. No átrio encontramos prospectos que gabam a continuação dos estudos na UE e nos Estados Unidos.

O estudante no 4°ano de Filsosofia começa por nos confiar que gostaria de se formar em Oxford. É originário de Tyrdosin (Norte do país) e estuda há sete anos na capital. Até agora, os estudos eram gratuitos, mas a partir de Janeiro próximo chegam as propinas. Juraj não está preocupado, diz simplesmente que terá que trabalhar mais para pagar os estudos, que poderão custar entre 3.000 e 20.000 coroas/ano.

O jovem reconhece que há lados positivos e negativos na adesão à UE. "A economia vai crescer, o desemprego está a baixar constantemente e deverá ainda baixar mais 2% nos próximos dois anos", diz-nos, convicto que não haverá emigração massiça após 1 de Maio.

Apesar de ser a favor da adesão à UE, diz que percebe o sentimento de optimismo moderado dos seus compatriotas, porque "as pessoas não sabem o que a UE vai mudar no seu quotidiano". Apesar de uma identidade milenar, a Eslováquia é independente há apenas 10 anos: a "Revolução de veludo" separou o país da República Checa, em 1993.

O jovem lembra-nos que a Eslováquia já foi húngara, turca, checoeslovaca, soviética, e que as pessoas consideram que, afinal, pertencer à UE é apenas mais um passo e esperam somente que lhes reserve uma vida melhor.

Entretanto chegam alguns amigos seus: Viera (29 anos), Janka e Daniel (27 anos). Janka é professora de Sociologia na mesma universidade, onde ganha pouco mais de 250 euros/mês. Consciente dos problemas que o país enfrenta, esta jovem fala-nos da UE com optimismo, porque acredita que as coisas só podem melhorar.

Surpeende-se pelo nosso interesse no seu país e propõe-nos uma visita guiada. Fala-nos dos cafés da rua Venturska, a Broadway de Bratislava, onde se encontram actores e artistas.

"Bratislava é a cidade mais jovem do país graças aos seus 45 mil estudantes e isso repercute-se na vida cultural e nocturna da cidade", conta.

Daniel, funcionário na administração da Universidade, elogia os bons vinhos brancos do seu país e propõe-nos que provemos a "borovicka" (álcool de genebra). Juraj apresenta-nos a "kofola" (refrigerante eslovaco) e gaba o queijo fresco "bryndza" da sua região, que devemos provar no pão ou com o prato nacional eslovaco, o "bryndzov é halusky", uma mistura de batatas com farinha, acompanhada de queijo de cabra fresco e toucinho frito. Saboroso, mas um tanto ou quanto pesado.

Indústria automóvel aposta no país 

Para muitos estrangeiros, a Eslováquia é um país propício para investimentos, considerado estratégico devido ao triângulo Praga-Viena-Budapeste, do qual é vizinha a capital eslovaca (a 60km de Viena).

Os eslovacos, esses, contam sobretudo com a indústria automóvel para sair o país da situação financeira onde se encontra actualmente. A Volkswagen está já fortemente implementada no país. Quanto ao primeiro automóvel a sair da fábrica Peugeot-Citroën na Eslováquia está previsto para 2006. E a Hyundai também optou pela Eslováquia, chegando em 2007, o que tornará o país o maior produtor de carros do mundo, per capita.

José Luís Correia,
in CONTACTO, 09/04/2004

sexta-feira, 1 de abril de 2005

Com Nuno Gama


José Luís Correia em entrevista com José Campinho e Nuno Gama, por ocasião da abertura da loja do estilista portuense na cidade do Luxemburgo Foto: Anouk Antony
in CONTACTO, Abril de 1997

terça-feira, 22 de março de 2005

Alunos de Grevenmacher visitam o jornal CONTACTO

Os alunos da turma "TOCM" do Liceu Técnico Joseph Bech de Grevenmacher foram recebidos, com os seus dois professores (os primeiros à direita) pelo Responsável da Redacção do CONTACTO, José Luís Correia (o primeiro à esquerda), aquando da sua visita às instalações do grupo "saint-paul", em Gasperich Foto: Á. Cruz

No quadro da iniciativa "Presse à l'Ecole", a Turma "TOCM" de 10e do Liceu Técnico Joseph Bech de Grevenmacher, acompanhada pelos professores Brigitte Pelé e Charles Bauler, visitou no passado dia 11 de Março de 2003, as instalações do grupo "saint-paul", em Gasperich.

Os jovens tiveram assim a oportunidade de visitar a Redacção do jornal diário "Luxemburger Wort", bem como a Rádio DNR e as rotativas da "imprimerie saint-paul".

Por último, e a especial pedido dos alunos portugueses da turma, passaram ainda pela Redacção do CONTACTO, onde puderam conhecer a equipa e onde o Responsável da Redacção, José Luís Correia, lhes falou brevemente sobre o nosso jornal.

in CONTACTO, 21/03/2003

segunda-feira, 21 de março de 2005

Festival das Migrações 2003


Stand do CONTACTO no Festival das Migrações 2003: (da esq. p/ a dta.) Linda Roehm, hospedeira do stand, Marc Willière, Encarregado de Direcção do CONTACTO, Álvaro Cruz, jornalista no CONTACTO, Jasmine Tintinger, hospedeira do stand, José Luís Correia, Redactor Responsável do CONTACTO, Paula Ferreira, jornalista no CONTACTO, Ana Maria Albuquerque e Maria José Freitas, correspondentes na cidade do Luxemburgo e em Diekirch respectivamente, Miguel Faria de Carvalho, cônsul-geral de Portugal no Luxemburgo, Sílvia Pedrosa, hospedeira do stand, e Luís Santos, correspondente desportivo Foto: M. Dias
in CONTACTO, 21/03/2003

quinta-feira, 17 de março de 2005

Opinion: Intégration d'hier et d'aujourd'hui au Luxembourg


Avec une insistance qui s'est accrue au même rythme que la proportion d'immigrés, le Luxembourg considère avoir réussi l'intégration des étrangers sans conflits sociaux.

Ces «non Luxembourgeois», comme maintenant on préfère les appeler à l'abri du politiquement correct, atteignent aujourd'hui 55% au sein de la population active et 37% de la population totale. Pour ce qui est des Portugais (environ 13% de la population active et 13% de la population globale) pendant longtemps ils ont été les bienvenus tant qu'ils travaillaient et consommaient, mais on préférait qu'ils ne se fassent pas trop remarquer pour le reste, et encore aujourd'hui on insiste pour qu'ils ne mettent pas trop en évidence les problèmes qui existent.

L'appel massif à la main- d'oeuvre portugaise s'est déroulé pendant longtemps sans politique d'accueil, de scolarisation et de logement. Politiques qui d'ailleurs laissent toujours à désirer.

La référence à l'intégration réussie des Italiens sert de justification pour l'absence de politique. Si la population luxembourgeoise ne se rend que peu compte de ce qui se passe dans les coulisses de «son» immigration, de nombreux travailleurs portugais en souffrent au quotidien. En fait, on peut se demander si, dans notre cas, intégration ne veut pas simplement dire «coexistence pacifique» de deux nationalités, cultures juxtaposées, sans contacts réels et au fond une certaine indifférence.

Ce mot «intégration» reste souvent un terme au contenu vide, et dans des domaines essentiels, des déficiences considérables subsistent. Dans la pratique, le système scolaire très sélectif en ce qui concerne les langues ne concède que des possibilités limitées d'ascension sociale aux enfants d'étrangers.

Pendant longtemps certains partis politiques établis se sont efforcés de créer des obstacles au droit de participation politique des étrangers, sous prétexte d'une mise en danger de l'identité nationale, ce qui cause de nombreux débats autour de ce sujet, et une certaine psychose de la part de certains Luxembourgeois de voir «déferler» les Portugais – car c'est bien d'eux surtout qu'il s'agit – dans la vie et les décisions politiques du pays.

Mais autant on peut se demander si certains Luxembourgeois refusent cette possibilité, autant la question se pose de savoir si les Portugais y sont intéressés et finalement, donc, si ce serait un bouleversement si complet et dangereux de la vie politique. Rappelons à ce sujet la faible participation des Portugais dans les dernières élections communales. De nombreuses associations prêtent assistance aux Portugais immigrés et organisent une partie de la vie sociale.

Ces associations sont un point d'attache pour les Portugais, un lieu de rencontre avec les compatriotes et de souvenir du pays natal. Mais il est vrai aussi que les Portugais s'y limitent volontiers. Si c'est – presque seulement – à travers ces associations que se font les contacts avec les Luxembourgeois, le plus souvent les manifestations organisées se limitent à une présence portugaise – chacun fait la fête de son côté. Pour en donner un exemple, pendant longtemps le culte de la Vierge Marie, commun aux deux nationalités, a été fêté séparément. Heureusement l'on remarque que chaque fois plus de Portugais fêtent l'Octave et qu'il y a chaque fois plus de Luxembourgeois qui se joignent au pèlerinage de Notre-Dame de Fatima à Wiltz. Mais l'image que ces deux sociétés et cultures ont l'une de l'autre continue d'être caricaturale et superficielle.

Comment se juger et se comprendre vraiment dans ces conditions, sans parler de la barrière que représente trop souvent la langue? L'intolérance n'est-elle pas fille de l'ignorance? Et dans notre cas, ne s'agit il pas d'indifférence? Le problème est de savoir si au moins il y a une volonté des deux parts de briser cette barrière d'indifférence. Les préjugés et les ressentiments se trouvent des deux côtés.

La première génération d'immigrés portugais, même si la durée de leur séjour s'est considérablement prolongée, beaucoup ne vivaient souvent que dans l'attente de l'occasion de repartir au Portugal et ne pensaient pas devoir faire d'efforts pour s'intégrer en apprenant le français ou le luxembourgeois par exemple: ils ne faisaient que s'adapter à un niveau minimum nécessaire.

De plus, le sentiment d'être défavorisés par rapport aux Luxembourgeois (plus riches, mieux logés, etc.) ne suscitait pas forcément la sympathie vis-à-vis de ceux-ci. Aujourd'hui beaucoup pensent rester ici, même après leur pension, puisque c'est à Luxembourg que leurs enfants ont décidé de vivre et de s'établir.

Étrangement, on retrouve le même comportement des premiers immigrés chez les nouveaux-venus qui arrivent du Portugal en pensant rester «quelque temps» par ici, mais voient souvent, eux aussi, leur séjour se prolonger. Les Luxembourgeois, de leur côté, sont aussi complètement isolés de «ces gens» dont ils ne connaissent pas vraiment la mentalité, et leur nature parfois réservée (et parfois «confortabiliste») ne les pousse pas vraiment aux contacts et à s'enquérir du malheur d'autrui.

Chaque nationalité a donc peur de perdre son identité, et cela peut-être par peur de ce mot d'«intégration», qu'elles assimilent à invasion ou renonciation, selon les cas. Il faut malheureusement constater que cette indifférence est plus hostile que favorable.

Les préjugés sociaux sont trop fortement ancrés pour être ignorés, et les reproches – déjà typiques pour l'immigration – se font entendre toujours plus des deux côtés. Et force est de constater que malheureusement, en 35 ans d'immigration, la situation des immigrés du point de vue social et intégration, a très peu évolué. On constate que les mieux intégrés sont les jeunes d'origine portugaise, encore qu'à la condition qu'ils soient nés ici ou arrivés en très bas âge.

Conclusion, il semblerait donc que la «solution» que l'immigration portugaise représentait pour le Luxembourg il y a 35 ans soit devenue un «problème».

Problème d'intégration surtout, et cela tant du côté portugais que du côté luxembourgeois. Chacun se tourne de son côté. Il est dommage que le Luxembourg qui, grâce à l'immigration, à sa position géographique, à sa situation sociale privilégiée, pourrait profiter de tous ces éléments différents pour bâtir une société multiculturelle, tout en respectant les différentes cultures, ne fasse d'effort visible et profond pour tirer un profit – non plus matériel, mais humain, «spirituel», culturel – de ce mélange si instructif et intéressant de différentes visions du monde, qu'il ne tente pas de le rendre au moins véritablement possible et actif.

En cela, l'effort ne doit pas venir uniquement des gouvernements; il doit venir, en premier lieu, de chaque personne, individuellement, qui vit dans ce pays. L'espoir d'une vraie entente et d'une vraie communication, de contacts spontanés et sans arrière-pensées, réside de ce fait surtout chez les jeunes des deux nationalités qui, espérons-le, sauront avoir l'esprit plus ouvert, plus positivement critique et constructif, plus compréhensif et tolérant que la génération antérieure.

JLCorreia/ECJ
in jornal CONTACTO, 17/03/2000

quinta-feira, 10 de março de 2005


Álvaro Cruz, Claude Ries, Patrick Wollner (Ppetz) e José Luís Correia, 
em plena paginação do CONTACTO, 10/03/2000 Foto: Tessy Hansen


Nas rotativas, Michelangelo Ferraro,
responsável do Layout, e o redactor José Luís Correia  Fotos: A. Matias 



José Luís Correia na Redacção do CONTACTO Foto: M. Dias

in CONTACTO, 20/03/2000

terça-feira, 1 de março de 2005

"Queremos criar um Ministro-Adjunto das Comunidades!", diz Carlos Gonçalves

 Carlos Gonçalves (à direita), entrevistado pelo nosso redactor José Luís Correia Foto: Á. Cruz 

O cabeça-de-lista do Partido Social-Democrata (PSD) pelo Círculo da Europa, Carlos Gonçalves, vai estar esta noite, pelas 20h30, no Foyer Européen, rue Heine, na capital, para a apresentação do Programa do Partido para as Eleições Legislativas do próximo dia 17 de Março, em Portugal.

O CONTACTO teve já oportunidade de falar com Carlos Gonçalves sobre a sua candidatura.

Carlos Gonçalves tem 40 anos, é Técnico de Serviço Social e Cultural em Nogent-sur-Marne (França). É natural de Sarnadas de Rodão (Vila Velha de Rodão, Castelo Branco). Gonçalves é licenciado em Geografia pela Universidade de Paris X e Secretário-Geral Adjunto do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas no Estrangeiro (STCDE).

Da sua candidatura disse-nos que é uma novidade o facto do PSD apresentar a um lugar de deputado na Assembleia da República um cabeça de lista pela Europa que seja da Emigração.

"Eu sou um quadro político da Emigração, vivo há 20 anos em França, os meus pais são emigrantes, os meus filhos têm as duas nacionalidades. Eu sou alguém que fiz vida e política nas Comunidades. Não quero dizer que eu seja melhor que os outros, mas acho que sendo eu alguém das Comunidades, sou mais sensível a algumas matérias que os outros. Acho que é algo de novo e que vem contrariar tudo o que tem sido feito em Portugal nesta matéria, até pelo meu Partido. Isto é um sinal de querer mudar. É querer ver as Comunidades Portuguesas como um complemento importante para o nosso país" começou por dizer.

CONT.: Pode considerar-se que passou pelo Luxemburgo em campanha? 

Carlos Gonçalves: Eu acho que a campanha se faz pelo trabalho que se teve oportunidade de fazer, durante os últimos tempos. Não vim agora, próximo do acto eleitoral, tentar descobrir quais são os problemas da Comunidade Portuguesa do Luxemburgo. Fizemo-lo atempadamente, já que estabelecemos um programa de trabalho, desde 1999, com o Presidente do meu Partido, de ouvir a estrutura do PSD e a estrutura do Luxemburgo. Viemos várias vezes ao Luxemburgo aquilatar a verdadeira situação da nossa comunidade e, depois, fazer o programa que corresponda não só às necessidades particulares do Luxemburgo, mas no que diz respeito ao conjunto das Comunidades Portuguesas espalhadas pelo Mundo. Acho que temos propostas que são verdadeiras reformas, reformas profundas. Por exemplo, a criação de um Ministro Adjunto das Comunidades, que terá a tutela do apoio às associações portuguesas, o apoio cultural, os Consulados na parte não-diplomática, o Ensino do Português no Estrangeiro, a Comunicação Social.

CONT.: Na sua óptica, quais são os principais problemas das Comunidades Portuguesas no Estrangeiro? 

C. G: O problema das Comunidades Portuguesas é que não temos peso político e tem ficado tudo na mesma, e isto já há muitos anos. O Dr. Durão Barroso e nós achamos que era altura do país virar-se para as Comunidades, perceber que a nossa única matéria prima é o material humano. As Comunidades Portuguesas são 4 milhões de pessoas com um potencial técnico, económico, empresarial e cultural invejável e temos que o aproveitar. O nosso projecto é reformista, queremos alterar tudo isto e damos uma possibilidade aos Portugueses, que aqui estão, de participar cada vez mais na vida política portuguesa, a possibilidade de votar nas Autárquicas e nas Juntas de Freguesia em Portugal, de forma a que os Portugueses tenham mais razões para participar. Estamos com uma situação de poucos recenseados, uma Comunidade pouco participativa no plano cívico. Uns dos grandes culpados de tudo isso somos nós, os políticos, os diferentes governos, os diferentes reponsáveis na área das Comunidades que não responderam às reais necessidades das Comunidades Portuguesas. Verificou-se um afastamento dessas Comunidades em relação ao poder político. Temos que inverter as coisas. O nosso projecto vai permitir aos Portugueses ter alguma pressão e peso político junto da entidade portuguesa que mais contactam, a Câmara Municipal. Há muitos emigrantes que se queixam que o facto de estarem no estrangeiro, o facto de não votarem faz com que muitos autarcas não tomem em consideração os emigrantes.

CONT.: Não acha incompatível votar nas Autárquicas em Portugal e nas "Comunais" no Luxemburgo? E como sensibilizar as Comunidades para isso, quando já há tão poucos Portugueses recenseados e mesmo entre os inscritos nos cadernos eleitorais, são poucos os que vão votar... 

C. G.: Acho que uma coisa pode servir a outra. As pessoas têm que perceber onde é que têm interesses localmente. Em Portugal, quantas autarquias devem o grau de desenvolvimento aos emigrantes? Depois, as decisões que são tomadas nas cúpulas das Câmaras nada têm a ver com os emigrantes. Os emigrantes com a sua participação económica, com investimento local, fazem crescer as suas Freguesias e Concelhos e depois nas decisões da Assembleia Municipal, a política municipal nunca é feita de acordo com os interesses das nossas Comunidades. Temos Câmaras Municpais que devem tudo aos emigrantes, mas não têm nem um só serviço de apoio, de colaboração, de enquadramento em relação às nossas Comunidades. Se os Portugueses entenderem que a participação em Portugal lhes pode trazer ganhos, vão recensear-se no Consulado. O problema da participação cívica tem a ver, muitas vezes, com a consciência que nós temos da importância de participar. O que falta nas Comunidades Portuguesas é razões para ir votar. Não tem havido atractivos, para os Portugueses no estrangeiro, irem votar. Este poderá ser um atractivo importante.

José Luís Correia
(excerto da entrevista publicada no CONTACTO, 01/03/2002)

sábado, 29 de janeiro de 2005

Na Redacção

José Luís Correia na Redacção do CONTACTO, Janeiro de 2005 Foto: Á. Cruz

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

CCPL: Uma equipa renovada e com um novo fôlego

Foto: CCPL
"Dado o ânimo em que decorreram o congresso e o início dos trabalhos do conselho, e por proposta da Direcção, achei que devia aceitar a responsabilidade de um segundo mandato". Foi com estas palavras que José António Coimbra de Matos explicou a sua recondução à presidência da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), decisão tomada por unanimidade dos membros da direcção, realizada a 16 do corrente, em Gasperich.

Os membros da direcção foram nomeados, aquando da primeira reunião do Conselho da CCPL, no passado dia 10 de Janeiro.

Nessa primeira reunião do Conselho estavam presentes a maioria dos conselheiros eleitos no Congresso. Estes começaram por se congratular pelo facto do congresso ter sido, acima de tudo, um "acto político", que provou aos políticos e representantes das autoridades portuguesas e luxemburguesas convidados, que o movimento associativo português no Luxemburgo, não está em degenerescência.

Foi unânime a constatação de que o Programa de Acção é ambicioso para os próximos dois anos, mas que o importante é a definição de linhas directrizes prioritárias.

Um dos objectivos principais, desta nova equipa, deverá ser a mobilização da Comunidade Portuguesa para a sua unidade e, simultaneamente, a sua melhor integração na sociedade luxemburguesa. Este último objectivo passa pela sensibilização e informação dos cidadãos portugueses quanto à importância da sua participação na vida cívica e política do país de acolhimento.

A persistência na continuação do trabalho iniciado com os jovens (segunda e terceira geração) e as mulheres foram outro dos objectivos delimitados para o mandato que agora começa.

A CCPL dispõe agora, tanto ao nível da direcção como do Conselho, de uma equipa renovada, com um número representativo de senhoras e jovens, que contam bem levar a bom porto a sua missão nestas matérias. Ao mesmo tempo que a CCPL deve lutar por ser a voz da Comunidade Portuguesa, junto das autoridades do Grão-Ducado, deve também multiplicar a colaboração com outras associações e comunidades em presença.

A questão de se encontrar uma sede própria é outro dos assuntos que preocupa alguns conselheiros. Lembre-se que as instalações onde funciona a CCPL actualmente, foram gentilmente cedidas pelo CLAE.

A direcção da CCPL ficou composta da seguinte forma: Presidente, Coimbra de Matos; Vice-Presidentes, Joaquina Carvalho e, por inerência, António Silva e Carlos Costa (respectivamente Presidentes da APIL e da Liga Portuguesa de Futebol no Luxemburgo); Relações Públicas, Acácio Pinheiro e Fausto Cardoso; Tesoureiros, Sérgio Cordeiro e Rogério de Oliveira; Grupo de Ensino, Joaquim Prazeres; Grupo de Acção Jovem, José Luís Correia e Manuela Lages; Patrícia Luz; Secretariado, Albina Nogueira, Augusta Camacho e Sandra Jacinto.

in CONTACTO, 24/01/2003

quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

Manuel Dias inaugura exposição sobre Família Grã-Ducal


Manuel Dias guia o Cônsul de Portugal, Faria de Carvalho, e sua esposa pela exposição, na companhia dos redactores do CONTACTO, Paula Ferreira e José Luís Correia 
in CONTACTO, 19/01/2001


segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

"A 'diplomacia do croquete' não chega!", defende embaixador de Portugal no Luxemburgo, Paulo Couto Barbosa



"Quando solicitados, os diplomatas devem ser facilitadores de contactos e encontros para auxiliar as empresas que desejam implementar-se no estrangeiro ou procuram investidores no exterior" disse o Embaixador de Portugal, Paulo Couto Barbosa (à direita) em entrevista ao nosso redactor José Luís Correia Foto: Guy Jallay 

Apresentar e incentivar os embaixadores portugueses, nomeadamente os que estão colocados na União Europeia e OCDE, a um novo modelo de Diplomacia, centrado na promoção da Economia nacional, foi o tema de um seminário que decorreu, no passado dia 6 de Janeiro, em Lisboa.

Foi o próprio primeiro-ministro Durão Barroso, que começou por se dirigir aos embaixadores presentes, expondo as razões desta nova definição e reorientação dos objectivos políticos da diplomacia portuguesa. Durão Barroso fez notar que é missão do Estado português, em geral e das embaixadas, em particular, promover a Economia Portuguesa no estrangeiro, por forma a atrair mais investimentos exteriores para o país.

Estiveram também presentes, neste seminário, o ministro da Economia, Carlos Tavares, o ministro dos Negócios Estrangeiros, António Martins da Cruz, o representante do Governo Português na Convenção sobre o Futuro da Europa, Hernâni Lopes, bem como o conhecido observador das questões internacionais e europeias, Francisco Sarsfield Cabral, além dos principais responsáveis de algumas das maiores empresas e grupos nacionais.

O embaixador de Portugal no Luxemburgo, Paulo Couto Barbosa, esteve presente neste seminário e falou com o CONTACTO sobre esta nova missão da diplomacia portuguesa.

Para Couto Barbosa, este seminário serviu, sobretudo, para estudar "em que medida a Diplomacia portuguesa pode ajudar a internacionalização das empresas nacionais e a afirmação destas no mundo".

A nível pessoal e profissional, Couto Barbosa considera muito importante estas novas directivas do Governo, já que permite aos diplomatas saberem precisamente qual a sua missão nos países onde estão, para além do que se costuma apelidar, caricaturalmente, de "diplomacia do croquete". (vulgo diplomacia representativa).

A diplomacia enquanto valor acrescentado "A diplomacia representativa é e continua a ser importante, mas não chega, nem deve ser um objectivo em si mesmo. Com estas orientações concretas do Governo, sabemos como devemos utilizar a diplomacia representativa para atingir certos fins, neste caso preciso, promover a economia portuguesa, geograficamente marginalizada e que está a lutar, em termos de competitividade, com um mercado muito grande", disse o embaixador, em jeito de explicação.

Couto Barbosa defende mesmo que "a diplomacia tem que ser um valor acrescentado ao que as empresas portuguesas já fazem no estrangeiro". Esta nova diplomacia económica, na qual o Governo português quer agora apostar para relançar a economia portuguesa era, para o embaixador do Luxemburgo, já corrente.

"Cerca de 90% das diligências que fiz, até hoje, no Luxembugo, foram de ordem económica. Tive vários encontros para falar com o Governo Luxemburguês sobre temas sensíveis para Portugal, como, por exemplo, a questão das Pescas, da Agricultura, das quotas do leite", recorda.

Segundo nos disse Couto Barbosa, esta nova directiva pede aos embaixadores que se tornem, quando solicitados, "não mediadores, mas antes consultores, facilitadores de contactos e encontros" para as empresas que desejam implementar-se no estrangeiro ou procuram investidores no exterior.

"Para auxiliarmos, da forma mais eficiente, os empresários que, por ventura, não conheçam um mercado, foi-nos pedido que tenhamos sempre, tanto quanto possível, um amplo conhecimento das condições e agentes económicos do país onde estamos colocados", revelou.

Para o embaixador e "tendo em conta as características da Economia Portuguesa, esse apoio deveria ser, sobretudo, direccionado às pequenas e médias empresas, que têm, em geral, menos meios e podem vir a precisar das estruturas do Estado Português, na conquista de novos mercados".

Rentabilização dos meios existentes 

À semelhança do que tem sido feito noutras áreas da diplomacia, também esta nova directiva deverá contar com "uma maior rentabilização dos meios físicos e humanos já existentes", adianta Couto Barbosa, mais do que propriamente com novos meios. Neste sentido, as delegações do ICEP deverão ser, gradualmente, localizados no mesmo edifício das Embaixadas, isto para evitar "a sobreposição da representação externa do Estado português".

No caso preciso do Luxemburgo haverá apenas uma maior concertação de esforços nesta matéria, entre a Embaixada no Grão-Ducado e o ICEP, localizado em Bruxelas. Pelas dimensões geográficas do país e características do seu mercado, o Luxemburgo não é, actualmente, considerado uma prioridade, em termos de investimento directo estrangeiro, pelo Governo português.

Para Couto Barbosa, existe antes uma certa complementaridade entre os mercados português e luxemburguês e, a nível comercial, as duas Economias não têm uma grande competitividade. Mas, dado a presença de uma numerosa Comunidade Portuguesa no Grão-Ducado, "há uma grande potencialidade para se sair do carácter 'étnico' das relações comerciais entre os dois países", considera. "E a recente iniciativa para a criação de uma Câmara do Comércio e Indústria Luso-Luxemburguesa (CCILL) é bem a prova disso", recordou, elogiando os impulsionadores deste projecto. Segundo o Embaixador, esta Câmara "vai permitir que se reflicta melhor sobre como poderemos trabalhar em conjunto e o que devemos fazer nesta matéria".

Assumindo, desde já, as novas directivas de Lisboa, Couto Barbosa convidou, no dia 16 de Janeiro, – dia da constituição da nova Câmara do Comércio –, uma comitiva desse organismo, bem como representantes da Imprensa, para um jantar na Residência da Embaixada, em Belair, no sentido de estabelecer bases, para um trabalho conjunto no futuro.

José Luís Correia,
in CONTACTO, 17/01/2003