sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Kinneksbond - há algo de novo a oeste do Luxemburgo

"Kinneksbond" é o nome do novo Centro Cultural de Mamer, que abre neste fim-de-semana de 30 e 31 de Outubro oficialmente ao público.

Um novo centro cultural com um programa e uma equipa ambiciosos, já que da agenda 2010/2011 fazem parte operetas, ballets, concertos sinfónicos e até uma peça de teatro em português e alemão: a "A Tempestade", de William Shakespeare, numa co-produção com A Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), de Faro, a estrear em Fevereiro e sobre a qual já aqui escrevemos na edição anterior.

"Os espectáculos agendados são co-produções ou foram comprados, mas no futuro queremos ter as nossas próprias produções. Temos de encontrar a nossa identidade e saber mostrar o que nos diferencia dos outros centros", diz a directora Sylvie Martin, que quer tornar o Kinneksbond num lugar não só de cultura, mas de inovação e criação. É nesse sentido que o centro vai ter, além de salas de ensaio e exposições, grupos residentes como a fanfarra "Harmonie Gemeng Mamer", uma escola de música da UGDA (Union Grand-Duc-Adolphe, federação luxemburguesa dos conjuntos de música), e a orquestra de câmara "Les Musiciens". Outro dos objectivos do novo centro é atrair o público tanto da capital como da região circundante e zonas fronteiriças, aproveitando a sua localização: Mamer fica logo a seguir a Strassen, a uma dezena de quilómetros da capital e de Arlon (Bélgica). Ao mesmo tempo, "o Kinneksbond pretende assumir-se como o grande centro cultural da região oeste do país", diz o burgomestre Gilles Roth.

Depois do liceu Josy Barthel e da nova Escola Europeia, ainda em construção, o Kinneksbond é a nova jóia da coroa da cidade. O centro custou 20 milhões de euros e foi concebido pelo arquitecto Jim Clemes, o mesmo que assinou a Gare de Belval e o novo Tribunal de Contas da UE, no Kirchberg. O centro cultural tem 2.300m2, linhas simples, amplas e modernas, grande vidraças, um foyer com cores quentes e acolhedoras, e um adro que dá directamente sobre a route d'Arlon. A acústica da sala esteve ao cuidado de Albert Yaying Xu, o mesmo que trabalhou na Rockhal e na Philharmonie. A sala tem capacidade para 434 pessoas, é modulável para espectáculos ou jantares de gala, dispõe de um fosso para orquestra, um dos únicos do país podendo acolher 62 músicos, e o palco pode abrir nas traseiras sobre um anfiteatro onde podem ser apresentados espectáculos ao ar livre, no Verão, por exemplo.

Para já, "o único senão é o orçamento anual de 250 mil euros anuais, metade dos quais vão para salários, e isto apesar de a equipa contar, por ora, apenas com três pessoas", admite o presidente do centro, Jean Morby, acrescentando que já escreveu à ministra da Cultura para pedir uma subvenção, como as que recebem outros centros culturais do país.

A directora mostra-se optimista. "Temos muitas ideias que queremos concretizar e para isso temos também que encontrar mais parceiros e patrocinadores", lança Sylvie Martin, como um repto.

Para apresentar ao público o centro, são organizados dois dias de "portas abertas" neste fim-de-semana. No cardápio, um programa ecléctico e variado, à imagem do que o centro se quer tornar, com concertos, teatro, dança, ateliês e sessões de leitura para os mais pequenos, entre outras atracções. Entre as actuações estão convidados de prestígio da cena artística nacional: a cantora Sasha Ley e o seu trio de jazz Kalima, o trompetista Ernie Hammes, o cabaretista Jay Schiltz, o quarteto de Greg Lamy, a bailarina Sylvia Camarda, o escritor Josy Braun, o único romancista luxemburguês a ter um livro publicado em Portugal, entre outros. O programa completo do fim-de-semana está disponível no site do centro cultural (em www.kinneksbond.lu ).

O centro dispõe também de um "Kinnekskaart", cartão anual que dá direito a descontos de 10 % em muitos espectáculos. Mais informações pelo tel. 26 39 51 00 ou no Kinneksbond, n°42, route d'Arlon, em Mamer.

José Luís Correia,
in CONTACTO de 27.10.10
Foto: Guy Jallay/LW

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Descoberto planeta semelhante à Terra, a 20 anos-luz de distância

Um exoplaneta (planeta exterior ao nosso sistema solar) com cerca de três vezes a massa da Terra e semelhante ao nosso mundo foi descoberto quarta-feira, por cientistas da Universidade da Califórnia e da Carnegie Institution de Washington.

Situado a 20 anos-luz (distância percorrida pela luz num ano; a luz desloca-se à velocidade de aprox. 300 mil kms por segundo) da Terra, na órbita da estrela Gliese 581, uma anã vermelha na constelação da Balança (ou Libra), os astrónomos dizem que a distância do planeta em relação à sua estrela (sol) faz com que este seja o primeiro exoplaneta descoberto a apresentar condições semelhantes às da Terra para acolher vida, mesmo se eventuais seres vivos ali existentes possam em nada ser semelhantes aos que conhecemos.

O planeta, baptizado Gliese 581g, pode conter água líquida, oceanos, rios, lagos e gozar de um clima ameno, com uma temperatura média na superfície a variar entre os 31 e os 12 graus Celsius negativos. A sua órbita dura um pouco mais de um mês terrestre, com as mesmas estações de ano que as nossas, mas estas devem durar apenas alguns dias, conjecturam os astrónomos.

Este não é o primeiro astro a ser descoberto na "zona habitável" da estrela Gliese 581. Há três anos, um outro planeta, com possibilidade de acolher vida havia sido detectado, mas não com condições tão semelhantes às da Terra.

Quase meio milhar de planetas descobertos desde 1990

O primeiro planeta exterior ao nosso sistema solar foi detectado em Setembro de 1990 por Aleksander Wolszczan, no rádiotelescópio de Arecibo (em Porto Rico), e situa-se em torno do pulsar PSR B1257+12.

Até hoje foram descobertos 490 exoplanetas, mas apenas alguns reúnem condições para acolher vida.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Lei do Efeito Borboleta Temporal

Teoricamente falando, muitos físicos quânticos consideram que a viagem no tempo não é possível devido ao célebre "paradoxo do avô", ou seja, não é possível viajar no tempo porque alguém que fosse visitar o seu avô quando criança e o matasse, isso implicaria que ele próprio nunca teria existido. Paradoxo, portanto!

No entanto, muitos outros cientistas e teóricos consideram que essa questão fica resolvida com a eventualidade da existência de realidades paralelas (universos paralelos ou multiverso). A viagem no tempo seria possível então. Teoricamente.

Reflexão minha de hoje em torno desta questão:

A ser possível na prática, qualquer viagem no tempo significaria uma alteração do passado e a criação de uma realidade paralela. Pelo menos, para o viajante. O restante universo continuaria a viver na linha temporal que o viajante deixou.

O que torna, portanto, a viagem no tempo perigosa é a dificuldade ou mesmo a impossibilidade de o viajante regressar ao seu presente, devido ao que resolvi chamar de "efeito borboleta temporal", e que ficaria formulado assim: "Os efeitos da viagem no tempo e a simples chegada e presença do viajante a um momento determinado no passado, mesmo se for apenas enquanto simples espectador, podem afectar a integridade e a continuidade da linha temporal".

Resolvi chamar a esta teoria, modéstia à parte, a Lei Correia ou a Lei do Efeito Borboleta Temporal.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"J'aurais préférais que le Luxembourg n'existe pas!"



Outrageantes les déclarations du sénateur Phillippe Marini sur France Culture, samedi dernier. Lundi, François Fillon s'est excusé au-prés de son homologue luxembourgeois en se démarcant des propos de Marini.

sábado, 18 de setembro de 2010

Fermer les bourses, la solution à la crise! - Frédéric Lordon sur France Inter



La version intégrale de l'entretien avec Frédéric Lordon sur France Inter ou lire son article dans le Monde diplomatique de février 2010,"Et si on fermait la Bourse ?"

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Horda anti-carros reconquista parques de estacionamento na cidade do Luxemburgo

Uma das iniciativas desenvolvidas pela autarquia da cidade do Luxemburgo no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade acontece hoje, sexta-feira, dia 17.

O projecto chama-se "Park(ing) Day" e visa literalmente "reconquistar" os parques de estacionamento ao ar livre (n.d.R.: estão vedados do projecto os parques de estacionamento subterrâneos que pertencem a empresas privadas) aos automobilistas.

Uma "horda" de anti-automóveis vai investir vários parques de estacionamento na cidade do Luxembrgo e utilizá-los durante o dia de hoje para actividades ao ar livre para os habitantes da cidade.

A ideia nasceu em San Francisco e estendeu-se rapidamente a outras cidades do globo.

Até ao momento em escrevo estas linhas não haviam sido descobertos os planos das invasões previstas, pelo que os automobilistas vão ter que contar com algumas supresas desgradáveis quando hoje chegarem aos parques onde costumam estacionar os seus automóveis. Reacção aconselhada: faça um sorriso e siga caminho, os activistas conseguiram a autorização da autarquia para o bloqueio. E pense no seguinte: é por uma boa causa e é só hoje.

José Luís Correia

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O (des)interesse do Luxemburgo pelo mundo lusófono

Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e o Luxemburgo vão participar num projecto tripartido em diversas áreas, mas particularmente nas ambientais, agrícolas e de desenvolvimento rural, e que também abrangerá a educação e a formação profissional.

A este propósito tenho reparado que o Grão-Ducado tem demonstrado cada vez mais interesse em alargar as suas relações com os países lusófonos, nomeadamente os africanos.

Cabo Verde figura desde 1993 num lugar de topo na lista dos países que beneficiam da ajuda financeira do Luxemburgo na cooperação ao desenvolvimento.

Mas recentemente o Luxemburgo abriu os seus horizontes.

Em Fevereiro último, dois responsáveis do Ministério da Economia luxemburguês – Jean-Claude Knebeler, director do Comércio Exterior, e André Kemmer, analista financeiro do mesmo ministério – deslocaram-se a Luanda para se encontrar com dirigentes angolanos. O objectivo, confiaram na altura os dois responsáveis em exclusivo ao CONTACTO, era "investir em Angola".

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros de São Tomé, Carlos Alberto Pires Tiny, esteve no Luxemburgo a 9 de Junho último, para uma primeira reunião de trabalho com o seu homólogo luxemburguês, Jean Asselborn. Um primeiro passo de aproximação entre os dois países e que dois meses depois resultaria no projecto tripartido já referido.

Outro indicador e não de somenos importância foi quando o Luxemburgo pediu para participar, em 23 de Julho, na cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP – a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa –, que teve lugar em Luanda. O Grão-Ducado enviou inclusive um representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros à dita cimeira. Na altura, os responsáveis desse ministério resguardaram-se de confirmar ao CONTACTO se o Luxemburgo pensava pedir ou não a adesão ao grupo de países associados (observadores) da CPLP.

Como se ainda houvesse dúvidas, o ministro da Economia luxemburguês, Jeannot Krecké, disse na semana passada, durante a visita de Estado dos grão-duques a Portugal, que "o Luxemburgo está interessado em investir em África", utilizando Portugal como uma ponte priviligiada para o fazer (ver também artigo sobre a visita de Estado, nas páginas centrais).



Além do óbvio interesse económico do Grão-Ducado nesses países, refira-se a facilidade para o Luxemburgo de penetrar nesses mercados emergentes recorrendo a uma mão-de-obra residente que é uma verdadeira mais-valia e cujas potencialidades ainda não foram utilizadas a cem por cento: os seus residentes lusófonos e o seu "know-how" inato, a Língua Portuguesa.

Residentes que representam quase um quarto da população. Senão vejamos: vivem actualmente no Grão-Ducado entre 95 e 100 mil portugueses (dados do Consulado de Portugal), que constituem cerca de 18 % da população total e 37 % dos residentes estrangeiros. A esses devem ainda ser adicionados os cidadãos dos países de língua portuguesa: cerca de nove mil cabo-verdianos, cerca de cinco mil brasileiros, 500 a mil guineenses e mais algumas centenas de outros lusófonos provenientes de países como Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, como apurou o CONTACTO no seu Suplemento Especial "Imigração Lusófona do Luxemburgo", que publicámos em 17 de Março último. Se ainda forem contabilizados os cidadãos de nacionalidade luxemburguesa mas lusodescendentes, estima-se que entre um quarto e um quinto da população do Luxemburgo fale português, ou seja, cerca de 110 a 115 mil pessoas num total de 506 mil. Números que, mesmo assim, devem estar aquém da realidade.

Que o número de lusofalantes no Luxemburgo era importante já se sabia, mas, na semana passada, foi a primeira vez que um alto representante do Estado luxemburguês – neste o caso o seu representante máximo, o chefe de Estado – falou sobre os 20 % da população que no Luxemburgo falam português, durante a sua visita a Coimbra (ver páginas centrais sobre a visita de Estado a Portugal).

Na véspera, o ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês, Jean Asselborn, reiterara em Lisboa, aos jornalistas que acompanhavam a visita de Estado dos grão-duques a Portugal, que o Luxemburgo não precisa de uma Escola Portuguesa.

Uma no cravo, outra na ferradura?

E por isso pergunto: quando um quarto a um quinto da população de um país fala português, pode-se falar em "país lusófono"?

Em Julho de 2007 a Guiné Equatorial adoptou o português como língua oficial, que se veio juntar ao espanhol, ao francês e ao "fang", mesmo se esta última é a língua nacional e a mais falada no país. Na Guiné Equatorial, esta medida foi claramente uma decisão económica, para uma aproximação aos países da CPLP.

E no Luxemburgo, que tem com certeza uma proporção maior de lusofalantes do que aquele país africano, que estatuto merece a língua portuguesa?


José Luís Correia
in CONTACTO, 15.09.2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Champions/Esta noite: Trio luxemburguês arbitra jogo Arsenal-Braga

O luxemburguês Alain Hamer vai arbitrar o encontro de estreia do Sporting de Braga na Liga dos Campeões frente ao Arsenal. O jogo (grupo H) tem lugar esta noite às 20h45, no Emirates Stadium, em Londres.

Hamer vai ser secundado pelos seus compatriotas François Manger e Christian Holtgen, como fiscais de linha.

Hamer tem 44 anos e este é já o sétimo jogo com equipas portuguesas que arbitra, contando-se entres estas o FC Porto, Boavista, Sporting e a Selecção Nacional. Nos seis encontros anteriores abritrados por Hamer, as equipas portuguesas perderam apenas um: quando o Sporting foi derrotado pelo Spartak de Moscovo por 1-3, na Liga dos Campeões (2000/2001). Nos outros jogos arbitrados pelo luxemburguês, o Sporting venceu duas vezes na Champions, frente ao Inter de Milão (2006/2007) e contra o Shakhtar Donetsk (2008/2009), ambas as vezes por 1-0; o Porto derrotou o Hamburgo por 4-1, também na Liga dos Campões (2006/2007); o Boavista venceu o Hertha de Berlim por 1-0, na Taça UEFA (2002/2003); e a Selecção Nacional levou a melhor sobre a Hungria por três tentos sem resposta, na fase de apuramento para o Mundial 2010.

Resultados que auguram um bom jogo para o Braga logo à noite.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Rentrée: agitar antes de usar!

A rentrée promete ser agitada. E não só a rentrée política.

1- Há algo de podre no reino do Luxemburgo! Muitos querem perceber que história é essa de investir o dinheiro das reformas dos cidadãos do Grão-Ducado em empresas da indústria militar americana! Hã?... Importa-se de repetir?

Leu bem. Em plena quietude de um tranquilo Agosto luxemburguês, o deputado André Hoffman, da "Déi Lénk", foi descobrir esta maçã podre nos pratos habitualmente limpos do Luxemburgo. Numa questão parlamentar, Hoffmann interpela os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Segurança Social recordando-lhes que o Estado luxemburguês ratificou em 2009 a convenção internacional contra o fabrico e uso de bombas de fragmentação que essas empresas produzem. O presidente do Fundo de Compensação da Segurança Social, organismo ao qual as acções nessas empresas pertencem, veio afirmar ao diário "Le Quotidien" desconhecer qualquer ligação da instituição com esses fabricantes de bombas e prometeu "corrigir" o investimento.

O facto de a questão ter surgido na pausa estival fez com que poucos jornais pegassem (ou ousassem pegar) no assunto. As reacções não se fizeram (ainda) sentir. Em qualquer outro país teria havido imediatas consequências políticas. No mínimo, os cidadãos teriam questionado: será que o presidente do Fundo podia não saber onde eram investidas as acções? Podia! Podia, mas não devia.

2- A França expulsou em 15 dias quase um milhar de ciganos ilegais para a Roménia, sob duras críticas nacionais e internacionais. O Vaticano considerou a atitude francesa "uma espécie de novo holocausto”. O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner, ameaçou demitir-se face às expulsões, mas acabou por dizer que, afinal, fica "para não desertar". Antes de se "sarkozizar", Kouchner foi um respeitável defensor dos direitos humanos. E eu que pensava que ele tinha aceite fazer parte do governo francês como um cavalo de Tróia para agir, precisamente, quando o menino Nicolas fosse assolado por este tipo de "xenófobices". E se a França tivesse expulsado nos anos 1950 o pai de Sarkozy de volta para a Hungria?

Bruxelas lavou daí as mãos, sacando de um "isso são assuntos da exclusiva competência das autoridades nacionais". Cláusulas destas dão sempre jeito num casamento a 27, que já esteve mais longe do divórcio. A luxemburguesa Viviane Reding, comissária europeia da justiça, dos direitos fundamentais e da cidadania, veio recordar a Paris o direito à livre circulação de pessoas na UE, espaço onde não se expulsam pessoas só por serem de certas etnias. Indignou-se, mas a coisa ficou por aí.

Em casa de ferreiro, espeto de pau! Nunca até agora Vivane Reding teve nada a apontar às expulsões perpetradas pelo Luxemburgo, cerca de três dezenas desde o princípio do ano. Será por se tratarem de cidadãos de países terceiros? Alguns têm aqui uma vida estabelecida, um trabalho, as crianças escolarizadas, como é o caso de uma família sérvia, que após sete anos no país se arrisca a ser expulsa esta semana com os filhos. O caso foi denunciado na segunda-feira pela ASTI.

O Luxemburgo age alheio à "polémica cigana" em França, até porque não tem que se preocupar com esse assunto até 2012. No ano passado, o Governo luxemburguês decidiu alargar por mais três anos o prazo para que romenos e húngaros possam residir no país.

3- Os alunos e os professores de Português chegam ao Luxemburgo, refeitos após umas merecidas férias, para descobrir que há uma nova coordenadora do Ensino. A anterior não teve tempo para aquecer o lugar. Fontes oficiais desmentem que a decisão esteja relacionada com os desentendimentos que Ana Costa teve com alguns docentes e até com o sindicato dos professores. A verdade é que a medida foi decidida por Lisboa e afecta os coordenadores de toda a Europa. A nova coordenadora entra hoje em funções, mas ainda não chegou. Nem se sabe quando e se chegará. Porque uma das novidades é que a coordenadora passará a ser responsável pelo ensino em todo o Benelux, não se sabendo se virá ou não para o Grão-Ducado.

Com o regresso às aulas mesmo à porta, tanta coisa por organizar e decidir, professores por colocar... Quem resolve? Perguntem a Lisboa.

Mas há outros assuntos fracturantes que vão agitar as águas. No Luxemburgo: a reforma da segurança social, a indexação automática dos salários, a mega-manifestação marcada para 16 de Setembro para protestar contra as restrições dos abonos de família aos trabalhadores fronteiriços por parte do Governo luxemburguês. Em Portugal: a desnecessária reforma da constituição, desejada pelo PSD, e, claro, a corrida para as presidenciais. Dar cavaco a Cavaco?

José Luís Correia
(in Contacto, 01.09.2010)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

sábado, 7 de agosto de 2010

Meu amor azul / My blue love


Fitas-me de outro século

com inocência e ousadia
sinto-te corar no azul
quando finalmente reparo em ti
não sabes quem sou
mas foi para mim que sorriste
e a tua presença iluminou o dia.

Olá! como te chamas?,
eu sou apenas um viajante
que ia por aqui passando
com destino sei lá já para onde
quando me deteve a cambraia do teu lenço
o horizonte dos teus ombros
a linha dos teus cabelos,
o movimento do teu rosto,
o desenho dos teus lábios
e o teu olhar.

Não rompes o silêncio estranho da estação,
tão estranho a esta hora da tarde,
Não respondes, continuas a sorrir-me.
E eu já perdi a correspondência.




Estação de São Bento, Porto, 2010
Foto e texto: JLC

domingo, 1 de agosto de 2010

Arnaud Fleurent-Didier "France Culture" - Deutsche Fassung von Dorothée de Koon



German version of Arnaud Fleurent-Didier's France Culture (La Reproduction)
by Dorothée de Koon

Gosto muito de ... Arnaud Fleurent-Didier



Canção "France Culture" de Arnaud Fleurent-Didier
do álbum "La Reproduction" (2009)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

No olho do ciclone

Tempo de férias significa tempo de descontração e lazer para uns, de reflexão e introspecção para outros. Embora uma coisa não impeça a outra.

A pausa estival não nos devia distrair da aparente estabilidade da economia mundial. "Águas paradas, cautela com elas", diz o velho adágio. Mas esta pequena bonança depois da tempestade económico-financeira de 2008 é mais frágil do que muitos spin-doctors economicistas querem deixar transparecer. Alguns falam até em lenta retoma, como se os seus prognósticos fossem verdades absolutas e pudessem por si só dopar a confiança dos consumidores e das empresas.

Pura ilusão. Estamos no olho do ciclone. Trata-se de uma acalmia de pouca dura. Mesmo nos EUA, onde Obama protagonizou a reforma fiscal mais profunda desde 1930, e apesar de as bolsas terem voltado a atingir valores em alta, o desemprego continua nos dois digitos e a propalada retoma não está a criar emprego.

A crise financeira de 2008 foi apenas um aviso. E se nada for profundamente alterado no actual sistema financeiro, outra crise pior se alevantará. Como se esta tivesse sido apenas o abalo de um terramoto mais forte que se pode prever facilmente.

Jacques Attali
, no seu livro "Tous ruinés dans dix ans" (Maio, 2010), defende que uma das urgências financeiras a aplicar a nível internacional é o saneamento das dívidas públicas dos estados. Estas nunca foram tão altas, excepto... em tempo de guerra! Muitos paises ainda correm riscos de falir, como aconteceu com a Islândia ou a Grécia, ou pior, a deixar essa dívida como herança aos nossos filhos e netos. Se nada for feito desde já, Attali teme que tenhamos pela frente 10 ou 15 anos de políticas de austeridade. Para o ex-conselheiro de François Mitterand, os mercados têm de entender que a economia deve crescer a par com o valor dos activos e não com o da produção porque, explica, "a verdadeira riqueza não é um fluxo, mas um património, seja este financeiro ou cultural."

Nunca gostei de velhos do Restelo ou de aves de mau augúrio, mas tão pouco sou apologista que o meu dinheiro sirva para jogatinas de casino por parte dos bancos. E se esses banqueiros golden boys – foliões loucos que brincaram imoralmente (ilegalmente alguns) com o dinheiro alheio como se fossem confettis no Carnaval –, querem restaurar a confiança nos consumidores vão ter que fazer muito mais do que andar a propagandear por aí alegremente e saltitantes: "É a retoma, é a retoma!"

O filósofo Edgar Morin escreve no seu recente livro "Culture et barbarie européennes" (2009) que "o capitalismo não deve ser deplorado", mas deve ser "muito mais autoregulado".

Isso mesmo está actualmente a tentar fazer a UE com os testes de stress a que submeteu 91 dos seus bancos. Uma proposta recente de Bruxelas para evitar outra crise financeira é a criação de um fundo monetário europeu que garanta a estabilidade financeira das suas instituições bancárias. Outra regra que a Comissão Europeia quer impor é a de dar o aval prévio aos orçamentos de estados antes de estes serem aprovados nos parlamentos nacionais. É o primeiro passo para um federalismo orçamental, que já provocou erupções cutâneas nacionalistas a muito boa gente, mas que pode ser uma das condições para proteger e reforçar o euro.

No Luxemburgo, a onda de choque da crise chegou mais tarde e as consequências continuam a sentir-se hoje: alguns bancos despedem indiscriminadamente e muitas empresas continuam a falir. O desemprego ronda os 6 %. A crise continua a ser a desculpa para que muitos patrões tentem lutar pela diminuição ou abolição de direitos sociais conquistados duramente no princípio do século passado.

Em Portugal, a situação ainda está pior, há 600 mil desempregados e 30 % da população activa encontra-se em risco de pobreza. Quem passeia pelas ruas do centro das grandes cidades nunca viu tanta gente a pedir como agora.

As empresas pedem esforços aos trabalhadores, mas muitas ainda não aboliram o sistema de pára-quedas dourado para os gestores. Os governos obrigam os cidadãos a apertar o cinto, mas o exemplo deveria vir de cima. Alguns governos, como o português, o britânico e o italiano, cortaram uma ínfima percentagem dos salários dos ministros, mas nem todos os paises seguiram o exemplo. No Luxemburgo, não se toca nesse assunto. No index pode-se mexer.

Mas o exemplo também pode vir de baixo, da sociedade civil para o Estado. Como? Basta que muitos de nós aprendam a conjugar a palavra solidariedade, responsabilidade à qual faz apelo a reforma da saúde e da segurança social que o Luxemburgo prepara. E que outros aprendam, por exemplo, a não gastar mais do que ganham, o que os obriga a viver no fio da navalha, a colocar a família à beira da precariedade devido a empréstimos intempestivos que contrairam para... ir de férias.

É urgente agir. Porque o pior pode estar para vir. De que tipo de cenários falamos? A falência do euro e do dólar, a hiperinflação, uma grande depressão que pode durar vários anos ou a criação de um tribunal internacional para condenar estados que faliram, proposta muito séria da economista norte-americana Anne Krueger.

Quando os historiadores do fim deste século estudarem a nossa época hão-de ofuscar-se sobre como terá sido possível não termos detectado os sinais anunciadores desta crise ou desta sucessão de crises que se abatem sobre nós. Quem lhes responderá melhor, a três séculos de distância, será Jonathan Swift: "Como é possível esperar que a humanidade ouça conselhos, se nem sequer ouve as advertências" ("Thoughts on Various Subjects", 1727).

José Luís Correia
(in jornal CONTACTO, 28.07.2010)

terça-feira, 27 de julho de 2010

The roaring 1920's

June 12, 1920. Evening at Moe's. The worst gangsters of the Luxembourg Mob are there with their dames. Il Padrino was also there...

But when Smokey Joe started to full around
with Ines
Hot Beat ...

...Lucky Giorgio really got pissed off.

But worse: Jessie the Cat threatned with divorce... by murder.

But in the end of the evening, like in the cinemascope, there was an happy end and all the hot molls and dolls got lucky, if you know what i mean...

...and even the gangsters (and a gangsta-girl,
in white, Jessie The Cat)

posed for the photo (
hats down) almost incognito



Story should be revisioned as the video turns




segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um dia na vida da Humanidade



“A vida num dia” é um projecto de filmagem lançado pelo You Tube, dirigido pelo escocês Kevin MacDonald e produzido pelo realizador Ridley Scott.

O desafio era que qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, podia filmar um ou mais vídeos sobre si ou a sua vida, a sua família, a sua cidade, ou outra coisa qualquer. Tinha era que ser no sábado, 24 de Julho de 2010.

Podiam ser enviados tantos vídeos quanto as pessoas desejassem. Para os enviarem bastava ir ao sítio do YouTube e preencher um questionário elaborado por MacDonald que inclui perguntas como: "O que gostas?, “De que tens medo?”, "O que te faz rir?”, “O que tens nos bolsos?”, “O que tens nos bolsos tem alguma história?”.

Filme será apresentado em Sundance em 2011

“A vida num dia” é o primeiro filme da história do cinema que será montado com vídeos de autores amadores, e que se forem seleccionados “aparecerão nos créditos do documentário como co-realizadores”, afirma numa nota à imprensa o YouTube.

Vinte desses “amadores” cujos vídeoos foram escolhidos receberão como prémio uma viagem a Park City (Utah) para a estreia do filme, “A vida num dia”, no Festival de Cinema de Sundance, em 2011.