sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
-
cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Friday night: the fuck fucked...by the bell!

Sexta-feira à noite, 22h30.
"Quero mudar o karma da minha cama..." disse a ruiva de O Sexo e a Cidade à amiga e eu cortei o som e insurgi-me comigo próprio: "Foda-se, mas para que é que eu estou a ver uma cretinice destas?"

Bom, talvez porque é sexta-feira à noite e porque por uma vez o Gaspar decidiu ficar em casa, no aconchego do lar, gozando o regaço morno da Jenny, agora que cultivo há três meses a monogamia exclusiva compulsiva. Calma, não é contagioso, queria experimentar... e estou a gostar. Mas, claro que, como cada bela tem o seu senão, esta relação continuada alterou por completo o meu ritmo de vida. Diurno e nocturno.
Mas é por isso que numa sexta-feira à noite estou frente à televisão a ver lamechices destas? Não! O televisor nem estava aceso.
O serão começou com uma refeição ligeira, seguido de um duche sensual. Os beijos e amassos começaram na banheira, na sequência natural das brincadeirinhas com o champô nas partes pudibundas. O piso escorregadio do local fez-nos, no entanto, optar por outra faixa de aterragem. No sofá, enrolada no seu toalhão, a Jenny recostara-se languidamente para trás, na grande almofada e estendera as pernas nuas sobre um pouf. No movimento de as deixar deslizar uma na outra, como uma femme fatale num filme pulp, o tolhão ia descaindo e desvendava ambrósias apetecíveis.
A Jen estava pronta a ser colhida, como um pêssego maduro que só espera que dois lábios sedentos venham primeiro beijar-lhe a pele em flor e depois sugar-lhe a polpa sumarenta. Eu estava a escolher um cd de chill out tango como banda original sonora da dança horizomtal que se anunciava... e o telefone tocou.
É a Mandy, uma amiga da Jen, que precisa u-r-g-e-n-t-e-m-e-n-t-e falar com ela. E a Jen, eterna samaritana das causas perdidas, como sempre com o coração nas mãos, está lá dentro há 50 minutos a ouvir ladainhas.

Vai disto, peguei, mais por automatismo do que por costume (juro!), no telecomando e liguei o televisor no canal 6, como sempre. Estava a passar um milésimo trigésimo sexto episódio de O Sexo e a Cidade. Só não zappei logo porque uma das gajas da série tinha cruzado um gajo na rua que a convidou para ir beber um café e ela não só aceitou logo como no fim ainda lhe deu o n° de telemóvel ...sem que ele tivesse pedido!!!
E, numa deambulação do espírito, puramente sociológica (re-juro!), dei comigo a pensar: "Balelas! Mas quantas vezes é que este tipo de merdas acontece na realidade?" E antes que pudesse responder a mim próprio "Nunca!", lembrei-me da vez em que aquela francesa se meteu comigo no Marx. Em cima da hora de fecho do bar convidou-me para uma cerveja, depois para a seguir até ao (infame) "Tiffany's" em Metz. Duas horas e meia mais tarde estava no marmelanço com ela, no meu carro, frente a casa dos pais, num daqueles arredores residencais que se parecem todos uns com os outros.

Gasparices! Os tempos agora são outros, menos faustos em quantidade mas largamente compensados em qualidade. Que bom estar em casa à sexta-feira à noite, em vez de andar aos empurrões, com um copo de vodka na mão, num bar apinhado, com miúdas anoréxicas ou candidatas a tal, que nos fazem sentir pedófilos aos 34 anos, e com música de martelinhos insistente e enervante a dar a dar nas têmporas.

Estou a ficar entradote? Que se lixe. Assumo completamente os meus serões cocooning.

Voltei a devolver o pio à Carrie Bradshaw, a quem alguém dizia naquele preciso instante: "Não é que eu não tenha vontade de fazer amor. Mas tenho a impressão que as gerações antes de mim vulgarizaram tanto o sexo que banalizaram o acto!"


01h30 da manhã -

Mas como tão contrário a si é o próprio homem... quando o episódio estava no seu melhor - uma das amigas de Carrie ia começar um threesome - a Jen apareceu em lingerie sugestiva e veio sussurrar-me ao ouvido que queria compensar o tempo perdido.
Penitente, ajoelhou-se diante de mim, massajou-me os boxers, extraiu de lá o meu sexo que se fazia difícil, e prodigou-me uma convidativa felação. Eu até já nem queria. Não, não estava nada distraído com a série!!!... Mas a natureza teve razão de mim. O sangue subiu-me à cabeça e a coisa continuou com um 69 já no quarto. Não aguentando mais, ela ajustou-se em cima de mim para a grande cavalgada. Ouvi a generala Chester ordenar a carga e o tropel deflagrar sobre mim. Depois de ela se vir, pu-la de quatro para algumas investidas selváticas caninas, momento em que deixamos o bárbaro primitivo regressar a nós. Mas foi só depois de ela ficar deitada de costas, com as pernas por cima dos meus ombros e de mais algumas estocadas bem mandadas que consegui por fim também chegar à pequena morte e desfalecer afundado nela.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Luxemburgo versus Bommeleeër (Bombista)

Limpar o pó debaixo do tapete

A expressão pertence a um dos deputados luxemburgueses, reagindo em catadupa face às últimas (r)evoluções que conheceu o caso Bommeleeër , na semana passada.

Depois de dissipado o rumor que envolvia um dos membros da família grã-ducal nos atentados bombistas, os investigadores voltaram a interessar-se por uma das velhas teorias – a do insider [fonte interna, neste caso, "causa interna"]. Dois polícias são agora os principais suspeitos, revelava na semana passada o Procurador de Estado, que já se insurgiu várias vezes contra as negligências cometidas pela polícia ao longo da investigação. A defesa tomada em favor dos dois suspeitos pelo director-geral da Polícia, Pierre Reuland, valeu-lhe uma reprimenda por parte de Luc Frieden. Desconfortável na sua posição de ministro da Justiça e da Defesa (abrangendo esta última o Exército e a Polícia), Frieden sancionou Reuland, admoestando-o a não mais se pronunciar sobre o dossiê. Desconfortável porque Frieden sente que poderá perder a gestão das duas pastas se deixar intensificar o braço-de-ferro entre a polícia e o sistema judicial.

Depois de alguns lamentáveis episódios (tentativas de evasão, suicídios, etc) na prisão de Schrassig, Frieden não pode deixar que mais um dossiê manche o seu mandato.

As investigações sobre os atentados apontam cada vez mais para um ou mais bombistas saídos efectivamente das fileiras da polícia, que conheciam bem as idas e vindas das forças da ordem e os locais que não estavam sob vigilância policial, tendo assim a oportunidade de cometerem 19 atentados sem serem incomodados. Além disso, uma arma pertencente a um polícia havia sido encontrada num dos locais dos atentados, pormenor que, estranhamente, nem sequer constara, até recentemente, no dossiê. Entre outros esquecimentos e desleixos (intencionais?).

A questão é: quem beneficiou com os erros e negligências cometidos durante a investigação? Não é estranho que nem as colaborações do FBI e da polícia científica alemã tenham ajudado na investigação?

Se não for resolvido este espinhoso e opaco caso, em que dominou a falta de transparência voluntária ou involuntária por parte dos investigadores ao longo de mais de duas décadas, quem mais perde é, sem dúvida, o ministro Frieden. Muito mais do qualquer outro responsável da pasta antes dele. A própria polícia e justiça luxemburguesas ficarão profundamente desacreditadas. Se não o estão já! É que a população diz à boca fechada que os verdadeiros culpados nunca serão capturados, mesmo se todos sentem que nunca se esteve tão próximo do desenlace. O mesmo povo que cicia a meia-voz que a brigada encarregada de conduzir as investigações e que fora criada há pouco tempo na altura dos acontecimentos tinha dificuldades em canalizar verbas e efectivos para o seu serviço, reivindicações que foram largamente atendidas após o início dos atentados.

Nesta verdadeira crise de duas das mais importantes instituições luxemburguesas, só a verdade pode evitar que caia "a Gëlle Fra e o Palácio Grão-Ducal" (adaptação livre da expressão portuguesa o "Carmo e a Trindade"). Apenas a verdade, confortavelmente varrida para debaixo do tapete, acabará com os rumores. Mesmo que depois provoque algumas errupções cutâneas ou alergias colectivas.

José Luís Correia (in Contacto, 05.12.07)

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

the two reasons of my good mood

Spricket24...


Spricket24, (aka Karen) lives in Minneapolis (USA) and posts very funny videos. She's allready becoming a star in the US and i can't spend a day whitout watching one of her hilarious videos...and feel in a good mood. She 's very talented and funny...oh, I think I allready said that ;-) Look at her videos on youtube or on her site.


... and Terra Naomi


Terra Naomi is amazing. I believe she's to be next big thing in the independent pop-rock scene. Her debut album is coming out on December but I don't resist to put again here this song ("say it's possible"), my favourite (i allready had posted another version of this song in April on my blog). Until June of this year, she was living in the state of New York, when she was discovered on Youtube, where she posted her songs on video. She's now based, since July, in London, and finished yesterday her first UK tour. Terra Naomi's site here

terça-feira, 30 de outubro de 2007

carvão anacoreta



Desenho de Karla D. Jean (Carvão, 2004) (do site: The Lens Flare)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

scream



"Je longeais le chemin avec deux amis - c'est alors que le soleil se coucha - le ciel devint tout à coup rouge couleur de sang - je m'arrêtai, m'adossai épuisé à mort contre une barrière - le fjord d'un noir bleuté et la ville étaient inondés de sang et ravagés par des langues de feu - mes amis poursuivirent leur chemin, tandis que je tremblais encore d'angoisse – et je sentis que la nature était traversée par un long cri infini".

"Seguia pelo caminho com dois amigos - foi então que o sol se pôs - o céu ficou de repente vermelho cor de sangue - detive-me, encostei-me esgotado contra o portão - o fiord negro-azul e a cidade estavam inundadas de sangue e lavradas por línguas de fogo - os meus amigos continuaram a caminhar, enquanto eu ainda estremecia de angústia - e sentia que a Natureza estava a ser atravessada por um longo grito infinito."


Edvard Munch: Le_Cri (O Grito), 1893, Nordstrand, Norvège (Noruega)

terça-feira, 23 de outubro de 2007

How To Cope With Depression



"How To Cope With Depression" in Tales Of Mere Existence from the very talented Lev Yilmaz

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

mélancolie


le désir de vie m'ennuie,
l'ivresse des moments m'étouffe,
je ne suis ni le bateau ni le rivage
mais la rivière et je mes sens couler malgré moi
vers un immense destin certain qui m'engloutira
et je ne serais plus rivière ni fleuve ni rien
je hais la destinée, la mer, les nuages, la terre,
ce cycle inévitable, je fais du surplace
et n'arrive pas à m'arracher de mon lit,
à m'évaporer vers d'autres cieux,
à me laisser emporter par d'autres vents,
à me laisser dégouliner dans d'autres gueules,
à me laisser boire par d'autres gorges
je voudrais me tranformer en veines
et en sang et marcher et courir et m'enfuir

A. Weytjens 191007

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

nos meandros da dispersão

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
(...)
...nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(...)

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho, erro-
Não me acho no que projecto.

Regresso dentro de mim,
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

(...)

E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

(...)

E tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?...Ai de mim!...

Desceu-me n'alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida,
Eu sigo-a mas permaneço...

(...)

excertos de "Dispersão", de Mário de Sá-Carneiro, Maio de 1913 (Paris)

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

terça-feira, 18 de setembro de 2007

London calling

London, 18.07.2007, Tower Bridge, looking down on the river Thames and "the City"


London, 18.07.2007, Tower Bridge

London calling 2

London, 18.09.07: looking down from Tower Birdge on the East End and the new financial center, Canary Wharf

London, 18.07.09: Looking down from Tower Bridge to the "old" financial center "the City"

London, 18.09.07: Tower Bridge

18.09.07: Manhattan or London? Noooo...It's Canary Wharf!

London, 18.09.07: Downing Street? Nooo... quiet little houses in Wapping village.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Crítica de teatro

Teatro: Peça "Com pêlo do mesmo gato", no Castelo de Bettembourg

O mote, o dote e a deixa


Com o mote "Com pêlo do mesmo gato", o Centro Dramático de Viana do Castelo trouxe a peça do mesmo nome à sala de festas do Castelo de Bettembourg, no sábado.

Baseado na peça "Similia, Similibus", de Júlio Dinis (1839-1871), o mote da peça "Com pêlo do mesmo gato", trazido pelo Centro Dramático de Viana do Castelo, no passado sábado, à Sala de Festas do Castelo de Bettembourg, e que vai sendo repetido insistentemente durante todas as cenas, é um velho adágio latino professado por Paracelso (1493-1541). Este acreditava que "semelhante cura semelhante" ("similia similibus curantur").

A história faz-nos viajar até ao ano de 1857. Uma família da alta burguesia portuguesa tem uma filha donzela (Sílvia Santos) de 18 anos por casar. O noivo e primo (Ricardo Simões) está a terminar a formatura em Direito na Universidade de Coimbra. Mais versado em botequins e namoros do que em leis e fidelidades, quando este regressa para casar, o pai da noiva (Tiago Fernandes), furioso com os excessos do sobrinho, decide uni-la com um homeopata (Jorge Filgueiras) que o anda a curar com "copinhos de água", um charlatão mais interessado no dote e na criada (Francisca Lima) do que na virtude intacta da menina rica.

Ainda a meio da primeira cena, o ano de 1857 mistura-se com 2007. O espectador entra na comédia da comédia e é convidado a assistir ao ensaio geral da peça, às peripécias e nervos dos actores em véspera de estreia. O noivo garboso é afinal interpretado por um actor efeminado que não consegue beijar a jovem actriz que desempenha a donzela, uma miúda modernaça e com pouca pachorra para mariquices. Mas lá está a Dona Beta (Elisabete Pinto), a actriz principal e "chefona" do grupo de teatro, para pôr ordem em tudo. "The show must go on!" (o espectáculo tem que continuar!), exclama a "grande actriz" em extâse devoto.

O público, primeiro surpreendido pela volta dada ao texto de Júlio Dinis, deixa-se seduzir muito rapidamente, adere, ri e aplaude. A prova de que o público português no Luxemburgo também gosta de teatro se souber ser seduzido por este.

A ideia de promover este serão cultural nasceu de Orlando Pinto, proprietário da Sopinor, empresa de construção criada no ano de 2002, em Bettembourg. O empresário conta que cada vez que vai de férias a Portugal, a irmã, Elisabete Pinto, o convida sempre para ir ver as suas peças. "A vontade de trazer ao Luxemburgo o grupo de teatro em que ela trabalha existia há muito, mas só agora foi possível concretizá-la!", diz. Um investimento de seis mil euros que "valeu a pena", já que a sala, com capacidade para 280 pessoas, estava praticamente cheia. "Considerando que no dia da peça muitos portugueses ainda não tinham regressado de Portugal e tendo em conta que era um serão de futebol" (n.d.R.: o jogo Portugal-Polónia para as eliminatórias do Europeu de 2008 teve lugar nessa noite), "estou muito contente pela afluência do público", confiou Orlando Pinto, que não exclui a eventualidade de voltar a trazer a companhia ao Grão-Ducado (ver também o artigo em caixa).

José Luís Correia, in Contacto ,12.09.07

Ana Moura & The Rolling Stones