sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
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cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

sábado, 21 de julho de 2007

tudo o que tenho de fazer é trocar o nome da gaja deste clip pelo da minha ex-namorada

black hole sun (cadafalso II)

quando a espada te atravessa tão repentinamente, ainda a sentes?
quando o punhal foi tão fundo que tu já não sabes se é dor que desatina sem doer, ainda é golpe?
quando o sangue te escorre das mãos e ainda está quente, ainda é teu?
quando já não ouves o estrondo do tiro e vês o buraco negro no teu peito fumegante, é a altura certa para saberes que deves morrer?
quando a queimada devasta mais uma vez a terra e ela já não é combustível, o que mais há para arder?
quando perdes pé e sabes que o mar te vai encher as goelas e as narinas e as órbitas dos olhos, ainda estás vivo para pensar nisso tudo?
quando o deserto te queima os pulmões com pó, ainda tens sede?
quando passas a voar pelo 10° andar a caminho do solo, ainda sentes as tuas veias a pulsar arrepiadas?
quando te desintegras num só sopro de explosão, para onde vais?
quando o sol fica negro e já não é dia nem é noite, onde estás?
quando todos te dizem que és um monstro, deves continuar a viver?
...
Docilmente, ajoelhas-te perante os teus carrascos,
de olhos bem abertos vês a verdade nos seus,
deitas a cabeça no madeiro,
entregas a nuca nua à justiça,
a multidão em delírio cala-se ofegante,
o céu respira uma, duas vezes,
durante uns breves instantes tens a sensação que consegues ouvir o sol a arder.
De repente já não ouves, não sentes nada.
A mão do anjo veio intervir por ti e paralisou o derradeiro momento?
Já podes levantar os olhos?
Se o teu sangue não escorre à tua volta, é bom sinal?
Quando já não há multidâo, nem gume, nem céu,
e o sol ficou como bréu e já não é dia nem é noite, onde estás?

AGW170107
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Segunda parte do poema postado em 17/01/2007 (e eu que sempre detestei ser clarividente!)

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Ministra da Família luxemburguesa admite alterar legislação sobre a adopção

A adopção volta a ser tema polémico no Parlamento. A discussão foi despoletada pela condenação do Estado luxemburguês no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, após o Luxemburgo ter recusado reconhecer a adopção de uma criança peruana por uma mãe luxemburguesa celibatária.

Aquestão da adopção foi uma das que mais apaixonou os debates na última sessão da Câmara dos Deputados, antes da pausa de Verão, a 12 de Julho.

O assunto volta a ser actualidade na sequência da condenação do Estado luxemburguês, num acórdão de 28 de Junho do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH), que condena o Grão-Ducado por este ter recusado reconhecer a adopção de uma criança peruana com o argumento de que a mãe luxemburguesa não era casada (ver nossa edição de 4 de Julho, pág. 5).

Os debates ficaram ainda mais "empolados" quando os deputados ligaram a questão à da adopção de crianças por casais do mesmo sexo. O assunto surgiu na sequência de o primeiro-ministro, Jean-Claude Juncker (do partido cristão-social), ter declarado, durante o encontro com a imprensa, a 6 de Julho, que não se opunha ao casamento civil para casais homossexuais, embora devesse ainda reflectir quanto à adopção de crianças por parte destes (ver nossa edição de 11 de Julho, pág. 3).

Na sua intervenção no Parlamento, na quinta-feira à tarde, o deputado socialista (LSAP) Marc Angel quis conhecer a posição actual do Governo cristão-social/socialista sobre a questão.

Para Angel, "nem o estado civil nem a orientação sexual deveriam ser critérios em matéria de adopção". Recordou, no entanto, que "há países que reconhecem o casamento homossexual sem terem dado o passo de reconhecer a adopção de crianças por casais homossexuais".

Na sua resposta, o ministro da Justiça, Luc Frieden (CSV), presente aquando do debate parlamentar, começou por afirmar que não se pode dizer que a lei luxemburguesa não respeita os direitos humanos e os direitos da criança. "A lei luxemburguesa, contrariamente ao que foi anunciado na imprensa, não foi posta em causa com a condenação do TEDH", frisou. Frieden chegou mesmo a admitir que uma pessoa celibatária tem as mesmas capacidades para adoptar uma criança que um casal.



OPTAR PELA
"ADOPÇÃO ÚNICA"

Também presente nesse dia, a ministra da Família, Marie-Josée Jacobs (dos cristãos-sociais do CSV), recordou que a legislação luxemburguesa na matéria foi elaborada baseando-se na Convenção sobre os Direitos da Criança e na Convenção de Haia relativa à Protecção das Crianças e à Cooperação em matéria de Adopção Internacional, assegurando ainda que estas são aplicadas nos cinco centros de adopção existentes no país.

Não obstante, a ministra reconhece que é preciso reflectir sobre eventuais alterações a introduzir na lei luxemburguesa. A ministra aventou a possibilidade de o Luxemburgo vir a optar por uma "adopção única", substituindo a actual legislação que prevê dois tipos de adopção (* ver caixilho em anexo).

Frieden , por seu lado, quis recolocar a discussão da adopção por parte de pessoas do mesmo sexo no seu contexto. O primeiro-ministro "pronunciou-se a favor da erradicação da discriminação contra os homossexuais, mas não disse que era a favor da adopção de crianças por casais do mesmo sexo", recordou.

O deputado Xavier Bettel, do Partido Democrático (DP), apresentou uma resolução onde pedia à Câmara dos Deputados que o reconhecimento do casamento civil homossexual fosse discutido no seio das comissões jurídica e da família. Bettel solicitou ainda que o Parlamento propusesse uma solução legal concreta para abrir a possibilidade do casamento civil aos casais homossexuais. Sem dissimular a sua impaciência, Bettel recordou que já aquando da votação da lei sobre o partenariado ("uniões de facto"), em 2004, o Parlamento luxemburguês adiara a discussão sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O deputado liberal disse não querer que o assunto fique novamente votado às "calendas gregas".

A moção de Bettel foi chumbada por 38 votos contra 22.

A ministra Jacobs deixou, no entanto, entender que a questão da adopção por casais homossexuais será discutida nas duas comissões por ocasião da discussão sobre uma eventual alteração da lei luxemburguesa em matéria de adopção.

Jacobs mostrou-se aberta a discutir a questão da adopção por pessoas solteiras e mesmo pelos casais homossexuais, embora antes de avançar para propostas concretas fosse necessário, disse, um consenso no seio do Governo. "As duas questões serão discutidas. Mas sem cedermos à pressão mediática. Vamos apenas pensar no interesse da criança!", fez questão de frisar.

Numa moção em que apela igualmente à luta constante contra a discriminação dos homossexuais, também o deputado luso-descendente dos Verdes ("Déi Gréng"), Félix Braz, considera que após as declarações de Juncker, "feitas num contexto oficial", o Governo deve assumir as suas responsabilidades e "clarificar, o mais rapidamente possível, a sua posição quanto ao casamento civil homossexual". Braz emitiu, também ele, o desejo de ver a questão discutida nas primeiras sessões da próxima rentrée parlamentar.

Segundo estipula a Constituição luxemburguesa, a rentrée parlamentar efectua-se na segunda terça-feira do mês de Outubro. Este ano, a data retida é dia 9 desse mês. Mais desenvolvimentos depois do Verão.

José Luís Correia (in Contacto, 18.07.07)

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Crítica de filme

Documentário "Plein d'Essence", de Geneviève Mersch

É para atestar, se faz favor!

Mais de 200 milhões de litros de combustível vendidos anualmente, 800 mil litros por dia, 24 bombas de abastecimento para camiões, 27 para automóveis, 74 lugares de estacionamento para pesados, 168 para ligeiros, 70 casas de banho e urinóis! Números que fazem da estação de serviço Shell em Berchem (auto-estrada A3), uma das maiores ou mesmo a maior do mundo. Números que impressionam, mas escondem outra(s) realidade(s). Uma estação de serviço por onde passam mais de cinco milhões de clientes por ano (estação Aral incluída), tem certamente uma dimensão humana, apesar do cheiro omnipresente e nauseabundo a carburante, do aspecto industrial, das bombas verticais, da horizontalidade dos veículos longos que a ela afluem 24 horas por dia, 364 dias por ano. E no meio... correm pessoas. Donde vêm, para onde vão, o que as trouxe aqui, a este canto de Luxemburgo, por um curto instante, tão pequeno quanto a rápida e breve incursão na auto-estrada que as leva de fronteira a fronteira?

"Vim comprar tabaco e gasolina, aqui é mais barato! Como se chama o país? Sei lá, só sei que aqui é mais barato!", lança um idoso num francês de pronúncia belga, com sacos de plástico cheios de embalagens de tabaco nas duas mãos.

Foram momentos destes que a realizadora luxemburguesa Geneviève Mersch quis captar no seu documentário "Plein d'essence". Deixou por isso os números astronómicos de lado, reduziu os mastodontes à escala humana e pôs-se a interpelar quem por ali transitava.

Em 26 dias (e noites) de filmagens ao longo de 15 meses falou com dezenas de fronteiriços, automobilistas, camionistas, caravaneiros, excursionistas, veraneantes de todas as nacionalidades, trabalhadores da Aral e da Shell, e viu todas as estações do ano passarem pela estação, chegando até a passar lá um Natal. Uma passagem que constitui um dos momentos mais comoventes do filme. Quem passa um Natal numa bomba de gasolina?

"Como reconhecer um camionista?" foi outra das questões existenciais para as quais a realizadora obteve resposta. Hoje é peremptória: "Os clichés existem, mas por vezes as aparências enganam. Há camionistas com tatuagens e cara de pouco amigos, mas depois são pessoas com quem tive conversas muito interessantes", conta. À realizadora, estes queixam-se das condições de trabalho. "Isto já não é o que era, com as deslocalizações ainda é pior!", resmungam. Não visitam países, vêem estrada e alcatrão, pouco mais. Falam das longas viagens, sempre a sós, longe das famílias, apenas com um gato ou um cão como companheiros. Os que nem isso têm, optam por pósteres de curvilíneas, siliconadas e mais-que-perfeitas manequins marotas em trajes menores para decorar as paredes da cabina do camião. Melhor que nada, sempre servem de companhia.

"É um filme de retratos", diz Mersch, "e não um documentário jornalístico, nem um filme de publicidade para as estações de serviço", faz questão de frisar. A partir de uma ideia que teve há dez anos, recuperada este ano no âmbito do Luxemburgo 2007 - Capital Europeia da Cultura, esta produção com o selo da Samsa Film estreia a 6 de Julho.

José Luís Correia (in Contacto, o4.07.07)

sábado, 12 de maio de 2007

MISSING Madeleine McCann AGED 3-PLEASE FORWARD TO EVERYONE


Uma menina britânica de três anos desapareceu dia 3 de Maio de um complexo turístico na praia da Luz em Lagos, Algarve, enquanto dormia - juntamente com dois irmãos gémeos, de dois anos - e os pais jantavam fora com amigos. Se tiver informações, contacte a Policia da sua zona.

Madeleine, verzweifelt gesucht Die Dreijährige wurde aus einem Hotelzimmer in Portugal entführt

Three year old British girl, Madeleine McCann, disappeared from the resort that her Madeleine McCann 2family was staying in Praia da Luz, Portugal, May 3. Police have initially speculated that she was abducted by a pedophile. Time is of the essence and the clock is running to save this child from a sexual predator. If you have informations, please call the police of your local area.

Une fillette anglaise, Madeleine McCann, de 3 ans, a été kidnappée de sa chambre, dans un hotel de la Praia da Luz, en Algarve (Portugal), le 3 mai, pendant que ses parents dînaient au restaurant. La fillette aurait été vu en Espagne dans une voiture avec deux hommes et une femme. Si vous des informations, contactez la police de votre région.

Una nina britanica Madeleine McCann (3 años) desapareció el 3 Mayo de un complejo turístico de la región del Algarve.

Bimba inglese scomparsa in Portogallo

Drie jaar oud Brits meisje, Madeleine Mccann, verdwenen van een hotel in Algarve, Portugal, Mag 3. Als jullie hebben informaties, gelieve te oproep de politie van uw indigeen gebied.

Trzyletnia Madeleine McCann została porwana z hotelowego łóżka. Rodzicie dziewczynki jedli w tym czasie kolację w pobliskiej restauracji - poinformowała portugalska policja. Brytyjczycy spędzali urlop w nadmorskim kurorcie.

Britský podnikateľ ponúkol milión libier za informáciu, ktorá pomôže pri nájdení trojročného anglického dievčatka, ktoré zmizlo počas rodinnej dovolenky v Portugalsku. Portugalská polícia prerušila prehľadávanie okolia letoviska Algarve, kde Madeleine McCannová zmizla pred viac ako týždňom, a zamerala sa na ďalšie stopy.

Три лет британская девушка, Madeleine Mccann, исчезнула из гостиницы в Algarve, Португалии, мая 3. Если вы имеете информацию, пожалуйста назовите полицию вашей местной области.

ثلاث السنة بريطاني كبيرة في السن البنت, McCann Madeleine, اختفوا من فندق ( في Algarve رجاء دعا الشرطة منطقتك المحلية لو لديك معلومات).

三岁英国的女孩,玛德琳McCann,从Algarve中的一家旅馆消失,葡萄牙,五月3日。如果你有信息,请打电话给你的当地的区域的警察。

영국 3 살의 소녀 (마드렌 McCann )는 Algarve, 포르투갈, 5월 3일 안에 호텔로부터 자취를 감췄다. 만일 당신이 정보를 가지고 있으면, 당신의 지방의 지역의 경찰을 불러 주세요.

בן שלוש שנים, ילדה בריטית, מדלין מככאן, נעלמו ממלון באלגארו, פורטוגל, מאי 3. אם יש לך מידעים, נא להתקשר למשטרה מהתחום המקומי שלך.

Üç tane yıl eski İngiliz kız,, mayıs 3 Portekiz Algarve içindeki bir otelden gözden kayboldu Senin bilgilerin varsa, senin yerel polis alanın çağır.

3歳の英国の少女、マドレーン・マッカン、が5月3日、 Algarve 、ポルトガル、のホテルから姿を消しました。 もしあなたが informations を持っているなら、どうかあなたのローカルなエリアの警察に電話をしてください。

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Les Bienveillantes - Jonathan Littel

Et pourtant, Emilie Besse (sur iTélé en Novembre 2006), Jonathan a gagné le Prix Goncourt!

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Luxemburgo, país-fantasma depois das 18h?

À noite, nem todos os gatos são pardos!

É muito comum ouvir-se dizer que não há vida nocturna nem verdadeiro pulsar cultural no Grão-Ducado. Mas como quase todas as ideias preconcebidas, a constatação parte de uma leitura demasiado superficial da realidade ou da falta de um bom guia.

Não se pode comparar a vida artística e nocturna da cidade do Luxemburgo à de outras capitais europeias, como Paris, Londres ou mesmo Bruxelas, mas, condicionado à dimensão geográfica, o Luxemburgo vai fazendo esforços proporcionais.

A capital europeia da cultura, título que o Luxemburgo recebeu pela primeira vez em 1995, ajudou muito para esse despertar da oferta cultural e nocturna. Em 2007, a cidade volta a assumir esse papel, alargando-o à Grande Região, querendo-se agora sobretudo desmistificador do rumor de que o Grão-Ducado é um deserto cultural, uma praça financeira com torres de vidro e betão, que morre depois das 18h, um país-fantasma.

Mas todo o borbulhar de ideias, eventos culturais, novos artistas, espaços de lazer e vida nocturna só existe verdadeiramente quando é devidamente divulgado.

OS PIONEIROS

Foi a pensar nisso que nasceu em 1997 um projecto inovador, a revista "Nightlife.lu", das "Mike Koedinger Editions" (mke), e, na mesma senda, em 2000, o site "alex.lu" (ainda hoje activo em www.alex.lu ), que começaram por fazer as primeiras foto-reportagens da vida nocturna luxemburguesa. Enquanto o portal do Alex, graças a uma equipa dinâmica e ao boca-a-boca, se tornava o melhor retrato da "noitadas" no Grão-Ducado, a revista "Nightlife.lu" passou a ser "o" guia obrigatório da noite para o público jovem.

Foi nesta onda e num formato mais abrangente do que o alex.lu que o site bomdia.lu, inaugurado a 10 de Junho de 2001, veio responder a essa necessidade de divulgação na internet da vida nocturna, espectáculos, bailes, eventos e cultura no seio da comunidade portuguesa.

Em Outubro de 2001, também a televisão TangoTV (depois TTV) se lançou na divulgação da "noite" com o programa "Clubbing", apresentado pela carismática Jacky Monteiro (hoje na rádio DNR), emissão que durou até 2004. Um ano mais tarde, é a vez de o programa de televisão "WonnerBar", do não menos famoso Dan Vinkowski, se interessar pelos eventos da vida nocturna. O programa estreou no canal dok em 2005, foi transferido alguns meses mais tarde para a TTV, onde o último programa foi difundido no Verão de 2006.

Mas já em 1999, na sua edição de Dezembro, a "Nighlife.lu" revelava que o pioneiro nestas andanças teria sido o enigmático "X-Non-Magazine", de Gino Ricca, um fanzine que existia desde 1984, distribuído em círculo restrito, "underground" e com periodicidade irregular.

Com o passar do tempo, a "Nightlife.lu" evoluiu para uma revista de corpo inteiro sobre tendências e actualidades, a "Nico" (em 2003), dotando-se de um grafismo arrojado, comparável ao que de melhor se faz no estrangeiro. Com a transformação em Novembro último da "Nico", de publicação mensal em semestral (a última edição saiu em Abril de 2007), a equipa de Mike Koedinger passou a ocupar-se da revista mensal "Rendez-Vous", editada pela autarquia da cidade do Luxemburgo.

Entretanto, já outros estão a tentar ocupar o lugar deixado vago no mundo da divulgação de eventos ligados à cultura, arte, moda e vida nocturna no Grão-Ducado.

Novos guias
dA CULTURA E DA NOITE

Exibindo como subtítulo "agenda cultural do Luxemburgo e da Grande Região", a última em data apareceu em Novembro de 2006 e responde pelo nome de "Artscene" (nada a ver com o bar do mesmo nome!). Publicada em língua francesa, com edição mensal e preço de capa de dois euros, a nova revista tem formato de bolso (A5). Vocacionada prioritariamente para a divulgação das artes cénicas, a revista não se deixa acantonar em rótulos e alarga-se à vida artística no Luxemburgo num plano mais geral. Assim, além de tratar dos concertos, peças de teatro, ópera, dança, café-teatro, filmes e exposições em exibição no país, inclui ainda uma secção dedicada às "noitadas" e às melhores moradas de restaurantes, bares e discotecas.

Editada pela edições "Euro-Editions", a "Artscene" tem uma tiragem de 10 mil exemplares.

Recorde-se que esta mesma editora tentara já em 2004 lançar uma revista de lifestyle . Contando com um responsável português à frente do projecto (Paulo Simões) e o sugestivo título de "Spoon" (colher), a revista (também em formato A5) terminou após poucas "colheradas" (uma dezena de edições!).

Uma outra aposta editorial , que foi dada a lume em Junho de 2006, é um jornal em língua inglesa que se dirige preferencialmente aos incondicionais da música. Com o irreverente título de "Up Front", o mensário pretende ser "o guia de orientação musical para o Luxemburgo e a Grande Região", como anuncia em primeira página.

Publicado pela "Clearbay Ltd" e distribuído gratuitamente, o jornal divide-se em várias secções que vão muito para além da música e respondem assim à procura de informação cultural da vasta comunidade anglófona: música e vida nocturna; arte e cultura; entrevista e palco; mente, corpo e alma; livros e filmes; 18-24; crianças; e desporto.

Existe ainda a revista mensal "Nightlife-Mag", que vai já na sua 22a edição e que aborda temas como novidades da tecnologia, automóveis, moda, cinema, desportos radicais, mas também notícias da música, clubbing e bares no Luxemburgo. Editado pela "Nightlife Belux", a revista tem formato A4 e é a edição luxemburguesa da revista francesa "Nightlife Metz", com assuntos e temas adaptados ao Luxemburgo.

Ponto comum entre todas estas publicações: podem ser encontradas, quase sempre gratuitamente, nos teatros, museus, galerias de arte, salas de espectáculo, bem como em pontos comerciais habituais onde param os jovens, desde salões de cabeleireiros na moda, a lojas de roupa, cafés, bares ou discotecas.

Na televisão, as emissões de Jacky Monteiro e Dan Vinkowski esperam um digno sucessor.

Na internet, portais sobre a "noite" como luxembourgnightlife.com party.lu ou winter-clubbing.lu , entre outros, encontram-se mais ou menos activos.

Até os representantes de uma cultura mais tradicional perceberam esta tendência e lançaram no Luxemburgo a Noite dos Museus em 2001, que tem desde então granjeado um sucesso crescente. O recém-chegado Museu de Arte Moderna (Mudam), no Kirchberg, resolveu mesmo "semanalizar" esse hábito e propor visitas nocturnas gratuitas às quartas-feiras, entre as 18 e as 20h.

Balanço da nossa deambulação nocturna: a vida cultural e artística está a florescer no Luxemburgo, foram feitas apostas nesse sentido com a edificação de novos "templos" – Sala Filarmónica, Centro Cultural-Abadia de Neumünster, Museu de Arte Moderna, Rockhal, Rotondes, etc. –, abriram novas galerias de arte, os bares e discotecas descentralizaram-se e multiplicam as "noites brancas", diversificam-se, apostam em música ao vivo, concertos, showcases , o bairro do Grund está a tornar-se o refúgio predilecto dos artistas, os eventos e happenings sucedem-se, a fauna nocturna está cada vez mais animada. É só preciso saber encontrar o "mapa" certo para aquilo que se procura!

José Luís Correia (in Contacto, 09.05.07)

terça-feira, 8 de maio de 2007

Radioscopia prévia da Era Sarkozy 2007-2012

Como vai evoluir a França até 2012, durante o Sarkozismo? Talvez o pequeno estadista apesar da sua estatura franzina incarne, com a sua personalidade pretensiosa, o salvador da nação para muitos franceses, talvez seja a pessoa certa para redinamizar a economia, revalorizar o trabalho, recentrar o país nos eixos, limpar a escumalha, voltar a dar orgulho à nação.
Permitam-me que duvide!

Sarko/Bush – as duas nádegas de um mesmo cu

Já ouvi este discurso populista e a descair perigosamente para o nacionalismo antes! Também plebiscitado democraticamente. Em Fevereiro de 1933 e em Novembro de 2000! O primeiro com as consequências que se conhecem. O segundo, actualmente, em plena fase de esfusiante expansão.
Se nos detivermos apenas no segundo exemplo, o que mudou desde o “golpe de estado” de Bush em 2000 (considero que mesmo se foi eleito e não re-eleito em 2004, ninguém pode ser candidato a um posto que ocupou ilegitimamente!)?

- Duas guerras (Afeganistão e Iraque), três (Israel-Líbano), se considerarmos que Telavive se sentiu suficientemente caucionado e protegido pelos EUA (a patrulhar na zona) para desencadear, no Verão de 2006, uma guerra em cima daquele barril de pólvora que é o Médio Oriente. Teme-se uma quarta guerra. Com o Irão. Espera-se que não aconteça uma nova invasão “à baía dos porcos”, e que o “homem do bretzel” se consiga controlar até às eleições presidenciais norte-americanas de 4 de Novembro de 2008.

- Dois novos muros da vergonha: um a Norte de Israel, logo imitado (ou terá sido o contrário?) pelo muro na fronteira sul dos EUA com o México. Temo que estes belos exemplos de intolerância e ultrasecuritarismo não serão certamente fomentadores de paz, muito pelo contrário.

- Uma 2ª Guerra Fria? – Os EUA insistem em montar na Polónia e na República Checa um escudo anti-mísseis, argumentando querer proteger-a si a aos países-amigos, contra a ameaça nuclear iraniana. A Rússia não quer ouvir falar em misseis americanos tão perto de Moscovo e avisou que se Washington não voltar atrás nesta decisão, retira-se do tratado de não-proliferação de armas nucleares. Esperam-nos umaa nova escalada nuclear?

- Intensificação do radicalismo islâmico que se considera o único contra-peso à potência mundial dos EUA

E Sarkozy subscreve toda esta linha política de Bush, como bem o fez perceber no seu discurso após o anunciar do resultado das eleições de domingo. Deu o sinal a Washington que a “Era Chirac” terminou. Bush pode contar com um novo aliado deste lado do Atlântico. E em demonstrações de força e deslizes políticos a cópia não fica nada a dever ao original.
Bush foi protagonista do maior número (131) de execuções na cadeira eléctrica ou por injeção letal enquanto foi governador (1985-2000) do Texas (o estado-campeão nas execuções), tendo apenas diferido um caso em 15 anos (em plena pré-campanha eleitoral para as presidenciais de 2000).
Durante a sua passagem no Ministério do Interior, Sarkozy incentivou as forças policiais a serem mais “firmes e convincentes” na ordem pública, com as consequências e derrapagens que se conhecem. E a recorrer sem pejo às administrações e serviços pagos pelo erário público para uso pessoal, como o episódio em que pediu análises de ADN para apanhar o larápio que furtara a lambreta ao filho. Ou a influência subreptícia de que usou para que a imprensa regional e o habitualmente independente Canal + não promovessem o debate Royal-Bayrou, depois da primeira volta das presidenciais francesas.

O pequeno príncipe


Apesar de se dizer próximo do francês médio do povo, tudo na sua atitude, ascendência e descendência indicam exactamente o contrário. Além de neto e bisneto de governadores de província húngaros de família nobre (lado paterno) e de judeus gregos de Salónica (do lado materno), Sarkozy cresceu e foi criado em Neuilly-sur-Seine, os arredores chiques parisienses. Um dos irmãos é um patrão poderoso do sector têxtil em França e ex-patrão do MEDEF (organização patronal mais forte de França) e dois dos seus meios-irmãos são banqueiros influentes em Nova Iorque.
Ninguém escolhe a família, admito, mas os gostos burgueses estão bem enraizados no “petit Nicolas”. Depois de anunciada a sua vitória nas presidenciais de domingo, passou a noite, com a esposa, no Hotel Fouquet’s (uma noite custa entre 1.500 e 2.590 euros) e na segunda-feira partiu para umas mini-férias milionárias a bordo de um iate ao largo de Malta, para “descansar da campanha eleitoral”. Um iate de um amigo seu, magnata dos media. Não só estas "férias" deixam um sabor amargo ao operário que votou para ele e que ganha, esse, pouco mais do que o salário mínimo francês (+- 1200 euros), como revela uma densa teia de relações de clientela entre o futuro presidente e os maiores empresários de França.
Quando, nas decisões, o prato da balança tiver que pesar entre trabalhadores e patronato, não há dúvidas para que lado Sarkozy fará força. E aí servirá o velho argumento ultraliberalista que tudo é feito para relançar a economia, mesmo que haja "baixas" pelo caminho. "Tudo pela França, nada contra os franceses", onde é que já ouvi algo parecido?

O clash em Maio de 2008?

A mim, assustam-me os antecedentes de Sarkozy e como este começou o seu reino, ainda antes de ser entronizado, o que deverá acontecer dia 16 de Maio. Ainda mais depois de este ter declarado na Radio France Inter, a 29 de Abril - dias antes da segunda ida às urnas, o que mostra que Sarkozy estava certo de vencer e já não tinha nada a ocultar – que repudiava os “herdeiros do Maio de 68”, que acusou de terem destruído “os valores e a hierarquia”.
O que me faz prognosticar que mesmo que o novo presidente engane a plebe com “pão e circo”, egalanando-se nos primeiros meses de mandato, podendo mesmo vir a vencer a eleições legislativas de Junho, o “clash” com a França-país real (ou “la France d’en bas”, como dizem os franceses) se dará o mais tardar em Maio de 2008. É que as festividades do 40° aniversário prometem ser, no mínimo, controversas. E o povo é quem mais ordena!
Em França, sempre que a geração nascida do “baby-boom” (a maioria, portanto!) se convulsionou, a sociedade revolucionou-se: em Maio de 1968, com estudantes e jovens operários; e nos anos 80, com as mulheres a reivindicarem e a conquistarem o mundo do trabalho monopolizado até então pelos homens.
Hoje, essa geração está a chegar ao “papy-boom”. Foi essa geração que, emburguesada e desabusada dos velhos ideais, se chegou à direita e elegeu Sarkozy. Mas acordará a tempo para dar um novo safanão na França, se Sarkozy derrapar? Ou terão que ser os filhos da geração de Maio de 68 a pegar no testemunho, como mostraram que o sabem fazer quando foi das manifestações anti CPE*?
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*CPE, Contrato Primeiro Emprego - projecto-lei proposto pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin (o mesmo governo de que fazia parte Sarkozy), em 2006, e que precarizava ainda mais o emprego jovem. O CPE destinava-se a jovens com menos de 26 anos e como o seu nome não indica, podia ser aplicado mesmo que não se tratasse do primeiro emprego do jovem. O CPE previa que depois de um período à experência, o patrão podia durante um período de dois anos despedir o jovem sem invocar quaisquer razões. Se nesse período o jovem se despedisse não poderia beneficiar do fundo de desemprego.

Caricaturas: "O amigo dos americanos", desenho de Bleibel, publicado no "Al Mustaqbal", Beirute; "Moi Napo, toi Jeanne", desenho de Pismestrovic, in site do "Courrier International".

quinta-feira, 3 de maio de 2007

perdido nos meandros da literatura e das viagens

As razões da minha ausência: literatura, viagens e a Primavera

O romance "Les Bienveillantes" de Jonathan Littell, Prémio Goncourt 2006 e tijolo de 900 páginas que levei seis meses a ler. Brevemente, deixarei as minhas imopressões sobre esta obra-prima da literatura mundial.



"Kölner Dom", catedral gótica (séc. XII/XIII) de Colónia

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Luxemburgueses discutem substituição da bandeira tricolor pelo estandarte com leão vermelho

Erupção cutânea ou sedativo?

Apesar da forte ades ão ao leão vermelho por parte da população autóctone e até da comunidade portuguesa, muitos são ainda aqueles que, nacionais ou não, se mostram dubitativos em relação à alteração de bandeira. Por consi derarem que o brasão e a bandeira devem ser dois emblemas bem distintos; ou por não desejarem que o país seja o único da UE a arvorar um brasão medieval como bandeira nacional, numa é poca em que se constrói a Europa das Nações.


Enquanto o primeiro-ministro luxemburguês qualifica a proposta de "simpática", não a considerando, no entanto, uma questão fundamental nem uma prioridade para o país, na recente Conferência Nacional para Estrangeiros alguns participantes mostraram preocupação, temendo que este "entusiasmo” derive de nacional para "nacionalista”.

Pareceu-me sobretudo intempestivo o facto de a proposta de Michel Wolter ter surgido apenas quatro meses depois d a exagerada "problemática das bandeiras", que tanta tinta fez correr nos jornais durante o últim o Campeonato Mundial de Futebol (Junho/Julho de 2006), e exactamente um mês após aapresentação do projecto-lei da dupla nacionalidade de Luc Frieden (4 de Setembro de 2006). Preocupa-me que a iniciativa, sob o argumento de um desejo de diferenciação com a bandeira holandesa, seja um a erupção cutânea de afirmação nacional. A não ser que se trate de uma acção concertada entre líderes do partido no poder para tranquilizar os autóctones de que, por mais que muitos temam que a lei de Frieden seja uma forma de "dar ao desbarato” a nacionalidade luxemburguesa, a nação continuará inteira e íntegra.

José Luís Correia (in Contacto, 02.05.07)


domingo, 29 de abril de 2007

Segundo António Costa, ministro da Administração Interna português:

Portugueses do Luxemburgo são "modelo de integração"

Os portugueses do Luxemburgo são um "modelo de integração", opinou o ministro da Administração Interna português, António Costa, durante um encontro com representantes da comunidade portuguesa.

"A integração dos portugueses na sociedade luxemburguesa é frequentemente citada no Conselho de Ministros da Justiça e Assuntos Internos como um modelo a seguir”, disse António Costa à cerca de meia centena de representantes da comunidade portuguesa presentes na recepção que teve lugar a 18 de Abril na residência da Embaixada, e à qual também assistiu o ministro da Justiça luxemburguês, Luc Frieden .

O ministro português adiantou que Luc Frieden , que conhece desde 1999, altura em que eram ambos titulares da pasta da Justiça, sempre lhe falou muito positivamente da comunidade portuguesa radicada no Luxemburgo.

"E eu ouvia isso com orgulho!", confiou António Costa.

"Encontrar-me com um português no Luxemburgo é como encontrar-me com um luxemburguês, tal é o grande número de portugueses que aqui residem. Estamos em Portugal ou no Luxemburgo? Portugal poderia sobreviver sem o Luxemburgo, já o Luxemburgo não poderia sobreviver sem Portugal. A nossa economia não funcionaria sem os portugueses", respondeu, por seu lado, o ministro luxemburguês.

Evocando a lei da dupla nacionalidade, que o Luxemburgo deverá votar no decurso do ano, Frieden explicou as razões e as vantagens que esta proporcionará à comunidade portuguesa, a mais numerosa do país, representando cerca de 15 % da população total e mais de 25 % da população activa.

"Os portugueses deram muito ao nosso país e nós também lhe queremos dar algo mais do que um bom nível de vida. Foi a pensar nisso que avançámos com o projecto-lei da dupla nacionalidade (n.d.R.: que permite aceder à nacionalidade luxemburguesa sem a perda da nacionalidade de origem), que foi concebido a pensar sobretudo nos portugueses", disse Frieden .

Para o ministro luxemburguês, "a dupla nacionalidade deve ser vista como uma ponte para a sociedade luxemburguesa, para a participação política e cívica".

Sobre a condição de residência (sete anos) para obtenção da naturalização como previsto no projecto-lei, o ministro da Justiça luxemburguês considera que "esta não afecta a maior parte dos portugueses que aqui estão há muito mais tempo”, explicou.

Durante o encontro, António Costa evocou igualmente a inauguração para breve das novas instalações do Consulado-Geral de Portugal em Merl, o lançamento do "Consulado Virtual" até ao final do ano, bem como o programa NetInvest, que visa apoiar o investimento directo em Portugal por empresários das comunidades portuguesas.

TODOS DIFERENTES, TODOS IGUAIS

Frieden revelou ainda que aproveitou a tarde desse dia para visitar com António Costa, no castelo de Clervaux, a exposição "The Family of Man".

A partir de uma ideia do fotógrafo americano de origem luxemburguesa, Edward Steichen, a mostra permanente junta fotografias enviadas dos quatro cantos do Mundo que retratam rostos de gente da grande família que é a Humanidade.

No encontro com representantes da comunidade portuguesa na residência da Embaixada, Frieden confiou que ao ver novamente com António Costa as obras reunidas por Steichen – que emigrou na primeira metade do século XX para os Estados Unidos, onde se tornou famoso a fotografar actrizes de cinema e individualidades da cultura e da política norte-americanas – , o interpelaram para o fenómeno dos migrantes.

"Na exposição, ficamos a perceber que somos todos mais parecidos do que poderíamos pensar à partida. Devemos por isso conseguir viver juntos. O modelo luxemburguês de integração da comunidade portuguesa deve servir de modelo para outros países com fortes comunidades imigrantes", considerou o ministro da Justiça luxemburguês, subscrevendo o que já dissera António Costa.

A incursão ao Norte do Grão-Ducado serviu também, segundo Frieden , para fazer descobrir a António Costa os encantos do Oesling, mais verde e viçoso do que a região da capital, onde costumam decorrer os conselhos europeus, e que o ministro português conhece bem.

Os dois ministros participaram nos dois dias seguintes, quinta e sexta-feira, no Conselho de Justiça e Assuntos Internos da União Europeia (JAI), que decorreu igualmente no Grão-Ducado.

José Luís Correia (in Contacto, 25.04.07)

domingo, 22 de abril de 2007

"Jeux Interdits" avec Brigitte Fossey et Georges Poujouley (1952)

Duas crianças, os olhos sinceros, os corpos entregues, comoventes, mas ausentes.
"Dá-me a mão..."
Um passeio, pela primeira vez, até à orla do bosque. O coração despido. Um beijo na face, um pouco a medo.
Fazer como os grandes.
"Essa coisa do amor é complicada. Dar um beijo é sempre assim?"
"Assim como? Molhado?...Sim!"
Voltaram à aldeia, tinham crescido pra aí meio-centímetro. Já são grandes agora. Aos oito anos, é importante.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Terra Naomi's "Say It's Possible"

É o que ando a ouvir. O âlbum (Island Records) sai a 11 de Junho. C'est ce que j'écoute en ce moment. L'album sort le 11 juin, avec le label Island Records.

terça-feira, 17 de abril de 2007

The Fray - How To Save A Life (Version #2)

Hoje não disparaste, salvaste-me a vida. Armaste o beijo, ameaçaste. Premiste o gatilho. O alvo à queima-roupa. O meu coração ardeu. (My Lili Song)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Quer mesmo, senhor primeiro-ministro?

O Governo luxemburguês anuncia que quer promover a inscrição dos não luxemburgueses nas listas eleitorais. Mas não adianta nada relativamente ao alargamento do prazo de inscrição para os não luxemburgueses que, recordo, continua a ser de um ano e meio (18 meses!) antes dos escrutínios.

Ou seja, os estrangeiros que desejem participar nas eleições europeias de Junho de 2009 devem inscrever-se até Dezembro de 2007!!! O que deixa, na prática, pouco mais de quatro meses de campanha ao Governo luxemburguês, se esta for lançada, na melhor das hipóteses, até Maio, a acrescer ao facto de nos dois meses de Verão os estrangeiros se ausentarem do país.

Será que até o cidadão estrangeiro mais bem informado, mais atento e interessado na "coisa política", sabe que já só tem até ao fim do ano para se inscrever?

Será que o Governo já boicotou o sucesso da campanha ao lançá-la tão tardiamente? Teremos direito depois ao habitual desfile dos políticos benevolentes, lamentando, lacrimosos, que tão poucos estrangeiros tenham aderido a tão generosa oferta?

E mesmo se Jean-Claude Juncker se diz a favor da "participação do maior número", mais uma vez "não bate a bota com a perdigota". O primeiro-ministro anuncia uma coisa, mas o Governo não mostra indícios de vontade de deixar os estrangeiros participarem nas eleições legislativas, como propuseram deputados socialistas e as juventudes partidárias socialistas e liberais.

As legislativas acontecem na mesma data das europeias, o que deveria ser a oportunidade ideal para colmatar a lacuna de democracia de que o país padece! Um país onde apenas 60% da população elege os membros do Parlamento.

José Luís Correia (in Contacto, 11.04.07)

quinta-feira, 22 de março de 2007

Ministério da Cultura luxemburguês
não apoia Salão do Livro e das Culturas

Insustentável incerteza de ler

Cresceu e já tem sete aninhos. Mas não se sabe ainda se sobreviverá!

Falamos do Salão do Livro e das Culturas que se realiza anualmente, desde 2001, no âmbito do Festival das Migrações, das Culturas e da Cidadania. Segundo o presidente da entidade organizadora, o Comité de Ligação das Associações de Estrangeiros (CLAE), Antoni Monserrat, é investido cada vez mais tempo e dinheiro no projecto.

Nesta edição, o Salão do Livro representa entre 15 a 18% do orçamento total do festival. Do Ministério da Cultura não chega nem um tostão para aquele que é considerado por muitos como o único certame do género do país. Monserrat põe em questão o futuro do salão e mesmo do festival.

Não obstante, o salãozinho tem aumentado, de ano para ano, em número de visitantes e participantes. Esta edição contou, por exemplo, com os recém-chegados stands romeno e croata, novas editoras e livrarias (como a "Libo", que trouxe livros portugueses) e mais representantes africanos. À semelhança do autor de banda desenhada congolês Serge Diantantu. Os escritores locais e vindos dos quatro continentes continuam a ser convidados e os autores da Primavera dos Poetas passam sempre pelo café do salão. Este ano, o destaque português foi para Rosa Alice Branco, que declamou poesia da sua autoria no domingo de manhã (ver também artigo na pág. 22)

Desta vez, a organização dotou-se também de mais meios, numa vontade de tornar o salão "menos frio" do que em anos anteriores, crítica recorrente dos que nem por isso deixam de acarinhar o certame. O esforço era visível nomeadamente no stand da Livraria "Altrimenti" que convidava o visitante a percorrer as estantes e a beber um café, folheando uma revista ou um livro italianos, confortavelmente recostado numa poltrona. Ou o stand português, que inovou com uma nova disposição dos escaparates, um cantinho convivial cheios de poufes e almofadas para os mais pequenos, e um espaço multimédia onde se podia escutar poesia.

Apesar disso, o salão do livro, bem como o stand português, acusavam uma menor afluência do público, que o festival em geral também sentiu.

Dois dos responsáveis do stand luso, Elsa Trindade e António Medeiros, confiavam que as vendas tinham ascendido em 2006 a mais de meio milhar de livros, enquanto que este ano se tinham vendido pouco mais de 300 livros. Os visitantes, esses, atingiram quase o milhar. Os livros infantis representam 20% das vendas e a literatura africana 10%. Os autores mais procurados continuam a ser nomes incontornáveis como Paulo Coelho, José Saramago e Margarida Rebelo Pinto. Depois de pagas as despesas, o grupo entrega todos os lucros à organização do festival. "Não queremos fazer dinheiro, o nosso intuito é divulgar a cultura portuguesa!", confiam. E não se queixam de falta de meios, mas de ideias para tornar o stand mais atractivo.

"O que faltou este ano, foram as pessoas!", desabafou Medeiros.

José Luís Correia, in Contacto, 21.03.2007Fotos: JLC/Paulo Lobo

quinta-feira, 1 de março de 2007

Fuga do Penitenciário de Schrassig

"Prison Break"

A verdadeira identidade do Superhomem parecia finalmente ter sido descoberta. Afinal, não era o Clark Kent! O novo homem de aço vivia muito mais perto: aqui mesmo, no Luxemburgo!

Era o que se podia pensar ouvindo a descrição que o ministro da Justiça, Luc Frieden, ainda visivelmente transtornado sob o efeito surpresa, fez da evasão de Nuka Kujtim, com tantos superlativos que apenas um ser com superpoderes podia ter escapado daquela prisão, voando por cima de muros de seis metros e vedações com arame farpado, subtraindo-se à atenção dos guardas e da vigilância das câmaras. O traficante de droga de origem albanesa teria seguido um treino militar especial no seu país, argumentou o ministro. Mesmo assim, seis metros! Mas se não é o Superhomem, terá o Nuka querido armar-se em Bubka e bater o recorde de salto à vara que este detém? Mas permanecia a pergunta: a vara, onde a teria adquirido? Na prisão? Encomendou-a por telemóvel? Comprou-a em troca de produtos ilícitos? Não, afinal, como todos sabemos, essas coisas não entram em Schrassig!

De lá só se sai... pela porta! É o que parece ter acontecido com Nuka, segundo adianta o "Quotidien", na edição de 24 de Fevereiro. Este teria aproveitado uma porta aberta e uma briga armada pelos outros detidos para se escapar.

Pela porta ou por cima do muro, as câmaras não filmaram a façanha? Estava muito nevoeiro nessa manhã? Talvez o recluso tenha inclusive consultado a meteorologia pelo telemóvel, antes de se evadir?

Esta fabulosa evasão, de fazer inveja aos reclusos da série "Prison Break", deixa muitas perguntas em aberto: porque respondeu o ministro tão atrapalhadamente aos jornalistas, sem estar devidamente preparado e informado de como ocorreu a fuga; porque razão as autoridades esperaram várias horas para transmitir os dados e a fotografia do fugitivo à imprensa, para que esta pudesse fazer seguir as informações para o público; para que servem câmaras de vigilância numa cidade, como defende Frieden, se as de Schrassig não serviram para evitar a evasão de um presumível perigoso criminoso? E porque razão o ministro não se exprime sobre o assunto há mais de uma semana?

Espera-se com suspense a sua intervenção nesta quarta-feira, diante da Comissão Jurídica do Parlamento, para mais alguns pormenores.

O deputado liberal Xavier Bettel chegou a sugerir a demissão de Frieden, "que é o que teria feito noutro país um ministro na sua situação", evocando assim as várias polémicas que o ministro da Justiça teve já de enfrentar em relação àquele centro penitenciário: o uso de telemóveis pelos presidiários, o tráfico de estupefacientes, os suicídios de detidos, entre outros.

Como estamos no Luxemburgo, o epílogo da grande evasão foi feliz... para as autoridades. O fugitivo foi apanhado depois de ter andado 15 horas a monte. Num país onde o sentido cívico de alguns extremosos cidadãos os leva a chamar a polícia por um carro mal estacionado à frente da porta de casa, como podia um recluso com cara de "bandido" escapar às atenções?

Ou seja, tudo está bem quando acaba bem. O Superhomem ainda é o Clark Kent e o Luxemburgo continua a ser aquilo que sempre foi.

José Luís Correia (in Contacto, 01.03.07)













No Luxemburgo, estes gajos não tinham a mínima hipótese de escapar!

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Sex And The Matrix

Bom domingo, com este super episódio misto: "O Sexo e a Matriz".