sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Fragment of water
fighting the canyon
shortcuting trough rocks and falls
vain evasion to avoid the dispersion of atoms.
One morning I fell in love with the sedentary dew
of the riverside, but the dream
of a bee around a pomegrenate
broke paradise, teared me apart.
I wanted to go back in the inexorable
time which flows… but the next day
I was in another shore, kissing a different ground.
I’m running against my will
sliding trough the world and trough life.
Once I was pure spring, dissolvent rain,
simple mud in the waterfront.
Now I’im a river
longing for the sea,
my promised homeland.
When I arrive, I know you’ll be waiting for me
so that we can be a cloud again.
080204
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer."
"Ce qui nous importe c'est le lieu oú nous sommes. Il y a assez de beauté a être ici et pas quelconque ailleurs." - Alberto Caeiro (aka Fernando Pessoa)
estar noutra parte
to be elsewhere
être ailleurs
autre part
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Desta vez, o deserto não há-de vencer,
não há-de engolir-me os pulmões com pó.
O que foi depois daquela tempestade,
quando o rio desfez o convés antes de chegar à foz?
Já não queria lembra-me desse dia de mau augúrio,
o apóstolo mentiu, o fim do mundo voltou.
Avisto da torre de vigia,
as nuvens negras do juízo final
engordarem o céu ao horizonte
e anunciarem a trovoada.
Vale a pena enfunar as velas para salvar o navio?,
ele já viu tantas!
Hoje não sinto medo,
eu sabia que este dia ia chegar,
os meus dedos impávidos ainda cheiram a sangue e pólvora,
fiz demasiado mal para me safar daqui assim,
desta vez é a minha vez.
A onda de choque não me há-de arrancar do chão,
fecho as goelas ao maremoto, os olhos ao tufão,
a electricidade há-de correr-me o corpo,
e eu hei-de ficar de pé,
rindo patibular dos meus algozes e carrascos,
mesmo se a multidão em delírio de espectáculo,
já não escutar as minhas derradeiras palavras:
"25 men on a dead man's chest,
yo ho ho and a bottle of rum!..."
Tenho sede, mas nem o céu há-de vir em meu auxílio.
17012007
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
1 - Segundo o motor de busca norte-americano Tecnorati e o instituto de sondagem francês Ipsos, os blogs serão considerados, dentro de 10 anos, um meio de comunicação social ao mesmo nível dos outros.
2 - Os dois organismos falam de um novo poder do blogger: ser simultaneamente produtor e consumidor de informação, influenciando pro-activamente não só conhecidos e vizinhos como comunidades mais largas.
3- Segundo o encontro de bloggers Web3, que se realizou em Paris, em Dezembro, existiam 60 milhões de blogs no fim Setembro de 2006.
4- Estimativas do gabinete de estudos Gartner, o número de bloggers deve rondar os 100 milhões em Janeiro de 2007, revela Philippe Thureau-Dangin, director da Redacção do “Courrier International” (edição francesa), na edição de 4 de Janeiro de 2007.
5 - Para o responsável do semanário francês, os bloggers são “jornalistas do seu quotidiano”.
6- São criados 3 milhões de blogs por mês no Mundo

7 - Em 2005, foram criados 13 milhões de blogs, segundo uma crónica publicada em Dezembro de 2006 por Teresa Bouza, da agência espanhola EFE.
8- A revista norte-americana "Time" elegeu o internauta anónimo como "Personalidade do Ano 2006", decisão que se deveu, explicam, ao crescimento explosivo e à influência de conteúdos da internet como blogs, vídeos de sites como o YouTube e redes sociais como o MySpace, Hi5, Meetic.
9- A mui séria agência de imprensa internacional Reuters assinou em Novembro de 2006 uma parceria com a plataforma norte-americana Pluck (http://www.pluck.com/), que administra milhares de blogs. A Reuters começou a propôr, a par das suas notícias em linha, informações que fazem parte do conteúdo de blogues, promovendo o que apelida de “social networking” (teia de contactos e informacão social).
terça-feira, 9 de janeiro de 2007

O primeiro encontro de bloggers
do Luxemburgo e da Grande Região
Transmito a mensagem da parte do pessoal do "Blog Delux", que vai organizar uma iniciativa interessante, estreia absoluta no Grão-ducado, e que merece, a meu ver, ampla divulgação:
Com o objectivo de reunir gente em torno de uma paixão comum que é o blogging, uma comunidade de bloggers do Luxemburgo e da Grande Região, convida todos os interessados e curiosos para o primeiro encontro de bloggers do Grão-Ducado. Para dinamizar a comunidade dos blogs e criar o "Blog Delux", associaram-se à "Culture Buzz", uma agência de marketing alternativa.
Este encontro, terá lugar no sábado, 27 de Janeiro, a partir das 14h, no restaurante-bar-lounge "Autre Part" em Differdange, que nos acolherá num quadro elegante e contemporâneo. O primeiro encontro pretende ser um evento de convívio, aberto e animado para travar conhecimento com os bloggers do Luxemburgo e da Grande Região, mas também para todos os curiosos do fenómeno dos blogs. O estabelecimento está equipado com ligação gratuita à internet em modo wireless (sem fios), o que proporcionará a cada visitante participar de forma prática e partilhar esses momentos "ao vivo", de uma maneira interactiva.
O "Blog Delux" não tem vocação comercial e pretende ser uma oportunidade única de trocar, partilhar e comunicar ideias e opiniões sobre o fenómeno crescente dos blogs e do Web 2.0, esse famoso participativo internet de que todos falam... Nesse sentido, dois especialistas da "Culture Buzz" estarão igualmente presentes para fornecer alguns conselhos e responder a todas as eventuais questões.
Numa pequena sala de projecção que o estabelecimento possui, confortável e de livre acesso, terão lugar as discussões que se querem animadas e que serão subordinadas a diferentes temáticas:
- O que representa hoje o fenómeno blog
- Blog e vida profissional
- Como melhorar a visibilidade do seu blog
- Comparação das diferentes plataformas
- Como tornar o seu blog uma plataforma de convívio
- … etc
Para esta ocasião, a "Culture Buzz" criou um blog (http://www.blogdelux.lu) que contém todas as informações práticas e que será regularmente actualizado com informações sobre o país, eventos, blogs, internet... Um banner interactivo foi também já enviado aos primeiros bloggers que desejem juntar-se à iniciativa. Clique no banner na barra do lado para inclui-lo no vosso blog.
A propósito da "Culture Buzz"
A "Culture-Buzz", agência blog, viral e de buzz marketing do Grupo Vanksen, já trabalhou com numerosas marcas como a Warner Bros, Ubisoft, 20th Century Fox, Canal Plus, Sony e Nokia para a criação de acções ou aplicações virais ou aplicações virais online e offline. A "Culture-Buzz" é membro da "Viral & Buzz Marketing Association" (http://www.vbma.net), operando a nível europeu.
Com 700 artigos e 165.000 páginas consultadas/mês, o blog Culture-buzz.com tornou-se o primeiro portal francófono sobre temas urbanos, descodificando semanalmente o blog, o buzz e o marketing viral bem como todas as tendências alternativas: guerrilla e street marketing. "BuzzParadise" é a nossa plateforma internacional de relações entre as marcas e os "influenciadores".
Para mais informações:
http://www.blogdelux.lu
http://www.culture-buzz.com
http://lolastheme.typepad.com/
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Pensamento do dia para não-bloggers:
"Uma pessoa que não tem diário está numa posição errada para com o diário de outra!",
Franz Kafka, a propósito de falsas considerações que os leitores poderiam tecer do diário de Goethe (in "Diários", 29 de Setembro de 1911).
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Nota: blog é um diário íntimo cibernético (em linha na internet), palavra que deriva da contracção de "web-log" (internet e diário de bordo).
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
Juncker quer fazer omoletes sem ovos
Apesar de o primeiro-ministro, Jean-Claude Juncker, ter declarado no seu discurso sobre o Estado da Nação, em 2 de Maio de 2006, que pretende que o Grão-Ducado se torne, a breve trecho, o pólo comercial principal da Grande Região, mais uma vez foi pródigo em grandes ideias, mas revela-se parco em acções na hora de dar forma às promessas, como acontece há anos com a questão da penúria de alojamentos e a consequente inflação dos preços da habitação (!).
Juncker partilha da mesma opinião do ministro das Classes Médias, Fernand Boden (ver artigo principal), ou seja, que para que o Luxemburgo se torne um centro de passagem obrigatório para os onze milhões de consumidores que vivem no país e regiões fronteiriças, não é necessário alargar as horas de abertura do comércio (!).
Não será o mesmo que pedir para fazer omeletes sem ovos?
Enquanto se discute "abre? não abre?" e o lobby das lojas familiares e tradicionais impede a implantação de grandes multinacionais, como a FNAC e outras, as megastores de grandes marcas e as galerias comerciais crescem como cogumelos do outro lado da fronteira luxemburguesa, sitiando de olho guloso o poder de compra abastado do pequeno burgo.
E os consumidores luxemburgueses não se fazem rogados ao embater na porta de uma loja luxemburguesa encerrada depois das 18h ou ao domingo. Rumam cada vez mais frequentemente aos shoppings da periferia do país, com horários mais flexíveis e cosmopolitas.
Face a isso, Juncker – durante um dos seus habituais encontros com a imprensa, após o Conselho de Governo de 8 de Dezembro último – dizia que o Grão-Ducado dispõe de outros argumentos para se diferenciar dos seus concorrentes, avançando como exemplos o IVA, mais baixo no Luxemburgo do que nos países vizinhos. E supondo o alargamento de horários, avisava que este não deverá acontecer em detrimento das condições de trabalho dos empregados.
Mas horários mais flexíveis e menos provincianos não permitiriam criar mais postos de trabalho e combater o desemprego que tantas dores de cabeça tem dado ao ministro Biltgen, além de tornar a capital e o país mais atraentes para os consumidores da Grande Região e os turistas?
José Luís Correia, in Contacto, 03.01.2007
quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
Rasgos de luz vermelha, do néon lá fora, "rooms", transfiguravam-te o rosto, recortavam-te os ombros e os braços nus, os seios cheios, lambiam-te a duna morna da barriga, as coxas doces. Os meus dedos ledos desenhavam o aparado perfeito do triângulo isósceles, quero lá saber dos catetos de Pitágoras agora, como um geógrafo mapeando os continentes da utopia. Os teus seios na minha boca.
Fiz-me ao mar, em vagas sucessivas, a nau emproada, os lençóis enfunados, vencendo marés vivas e neptunos ferozes, dobrando cabos e promontórios, subindo estreitos e peninsulas, contornando ilhas, desbravando as terras prometidas, todas as atitudes e longitudes do teu corpo salgado.
As minhas mãos à deriva.
Os sóis ardendo, as constelações pulsando e desenhando nas estrelas o caminho sem astrolábio.
Abalroei na baía desejada inda não era madrugada, fundeei os meus flancos antigos, semelhantes às coxas cansadas de zeus em rhodes, no teu porto de abrigo. Beijaste as minhas cicatrizes de mar dos sargaços.
Num cansaço milenar, como se navegasse desde magalhães, num derrame rouco de boas esperanças, adormeci ancorado a ti. A espuma dos nossos dias.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Palestina
por Adalberto Alves
Podem pisar-te como à erva ruim
E dizer que essa terra não é tua,
Podem matar os teus, sacrificar-te,
Pretendendo que o teu reino é o da lua,
Podem forças obscuras conjurar-se
P'ra roubar o que desde sempre te cabia,
Podem queimar-te e arrasar-te
Mas não negar a luz do dia.
Podem erguer um muro de mentira
Para deter os ventos do deserto
Mas eles amam-te e são teus
Sempre voltarão e hão-de ficar perto.
Teus filhos hão-de saber salvar-te,
Terra mártir, altiva e beduína,
E a meiga pomba da paz e da alegria
Pousará, de novo, em ti, Ó Palestina.
Este poema foi lido pela primeira vez durante a Exposição Cultural Palestiniana levada a cabo em Beja, pela respectiva Câmara Municipal e pela Representação da OLP em Portugal, em 11 de Julho de 1986. O autor é poeta tendo-se dedicado ao estudo e tradução da poesia árabe clássica.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
6° Congresso da CCPL: Lutar por uma reforma do ensino e promover a participação política
| Coimbra de Matos deverá ser reconduzido à frente da CCPL Foto: Guy Wolff |
Um dos cavalos de batalha da CCPL tem sido lutar por uma reforma do ensino luxemburguês de modo a que este favoreça a igualdade de oportunidades para todos, diminuindo as desigualdades de base, sejam elas sociais ou culturais. Durante o congresso foi ainda reafirmada a vontade de abrir o acesso à função pública por parte dos residentes estrangeiros comunitários.
A CCPL quer também continuar a promover o reconhecimento das associações lusas para que estas usufruam do acesso aos mesmo subsídios, apoios e infra-estruturas que são facultados a todas as outras colectividades luxemburguesas. Da mesma forma, a organização quer fomentar o reforço de relações entre a comunidade portuguesa e as outras comunidades e a sociedade luxemburguesa, sensibilizando simultaneamente os portugueses para uma maior participação cívica e política.
A CCPL mostrou ainda uma posição forte em relação à questão da recente exoneração do director do Instituto Camões considerando-a „incomprensível e absurda“ e exigindo uma resposta do governo português quanto ao futuro daquele centro.
O papel da CCPL foi definido, hoje mais do que nunca, como preponderante, face ao crescimento da comunidade portuguesa nos últimos anos, passando de 60.000 no fim dos anos 90 para os 80.000 em 2005 e diante do surto migratório contínuo e crescente proveniente de Portugal em direcção ao Grão-Ducado.
O presidente e a nova direcção serão eleitos nos próximos dias pelos 26 conselheiros eleitos durante o congresso.
José Luís Correia
in CONTACTO, 13/12/2006
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
Bar-Lounge "Autre Part", Differdange, 27 Janeiro 2007
- acontecimento: encontro de bloggers do luxemburgo e grande região,
- participantes: bloggers profissionais, amadores, curiosos, qualquer que seja a sua língua
- data: sábado, 27 de Janeiro de 2007
- hora: a partir das 14h30
- local: restaurante bar-lounge "Autre Part" (tel : 26 58 65-1, fax : 26 58 65-2) 8, place du marché, differdange, sul do luxemburgo
- objectivo: travar conhecimento com outros bloggers, num ambiente descontraído e simpático, falar do novo fenómeno de sociedade que é o blogging (e actividades associadas como mlogging, flogging, vlogging, i-logging), trocar opiniões sobre aspectos pertinentes deste novo modo de comunicação moderna, falar de cultura, de informação, abrir o diálogo e os horizontes
- oportunidades: projectar em grande ecrã excertos de blogs do luxemburgo e grande região, iniciar os curiosos na aventura do blogging
- inscrições e informações: Lola
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
quem concebeu os homens à sua imagem
e lhes deu uma cor diferente
quem dividiu as águas e apartou os oceanos ?
que ninguém una o que deus separou
as naus rebeldes da subsistência
inventaram um outro hemisfério
romperam ventos e cabos
fundearam em praias, deram baías aos santos
todos do calendário e nomes ao xadrez dos dias
quem riscou o mundo
quem recortou as terras e os mares em gomos de laranja
quem foi buscar o tempo da gaveta universal
e dividiu o dia que sempre nasce inteiro
quem empurrou o mundo para o regaço da via láctea,
quem pôs tudo isto a rodopiar
quem puxou o cordel original
do insondável pião galático
quem perdeu todos os berlindes coloridos na toalha negra imensa ?
novas naus cruzam os céus
em busca do sentido de tudo isto
para explorar as migalhas que restam do piquenique original
como se uma explicação fosse precisa
para a perfeição que não existe.
sábado, 25 de novembro de 2006
Porto sentido, sentado no Grund
Chove há quantos dias? O Outono, que eu sempre idealizara romântico e ameno, em cores de auriverde, como num filme piroso com a Winona Ryder e o Richard Gere, destila-se em cheias e aguaceiros, em rajadas e trovoadas, escorre pelas paredes do mundo e pelas sarjetas da minha rua. “Água que Deus amanda”, oiço a minha mãe explicar-me, junto ao velho fogão a lenha, nas noites de tempestade em que eu não conseguia dormir a não ser no seu colo morno, como se a benignidade da benção divina servisse apenas para fertilizar a terra e não para assustar os homens.
Um passeio no Grund ou no Cais das Barcas, debaixo da ponte vermelha ou da ponte D. Luiz, uma Guinness no Scott's, atravessando o Alzette e a Pétrusse, ou um Calém Reserva, a caminho do Taylor's, como “quem vem e atravessa o rio, junto à serra do Pilar, vê um velho casario, que se estende até ao mar”.
A luz foge à manhã, que se esvai taciturna, moribunda e inane. Aqui, nas terras vermelhas, do promontório deste burgo ou na Foz do Douro... Não suporto crepúsculos a meio da tarde. Ou que as sombras comam os dias como os que eu quisera ledos em Wroclaw e Zakopane. Quero exorcizar de mim os velhos amores que me assombram, a depressão de Inverno, que sinto chegar por uma escada oculta. Escrevo à menina. Assedia-me o travo perfumado, a lembrança da sua língua, dos meus gestos antes tímidos, da linguagem muda das nossas bocas querendo deflagrar o Outono, dos nossos corpos hesitantes, que finalmente mergulham de olhos bem abertos um no outro, num hotel sem nome, junto a um aeroporto, cais moderno das novas partidas, que nos lembra com insistência que o nosso voo também será breve e que os amantes se deverão apartar. Para mais tarde se juntar, quis acreditar.

nova babel
Fui ver o filme “Babel” de Alejandro González Iñárritu (“Amores Perros”, 1999; “21 Grams”, 2003). A torre não chegou ao céu, mas mundializou-se. Uma espingarda norte-americana, comprada por um japonês viúvo, pai de uma jovem em plena crise de adolescência, é usada por uma criança marroquina que brinca nos planaltos do Atlas para alvejar uma turista americana, que correu meio-mundo atrás do marido, depois deste fugir da morte súbita do recém-nascido de ambos, enquanto os filhos do casal são levados pela baby-sitter mexicana, ilegal há 16 anos nos Estados Unidos, para uma casamento muy tipico para além do novo muro da vergonha.
Globalizou-se também a confusão das línguas e das culturas. É o que nos querem fazer querer, desde os deturpadores de Samuel Huntington aos seguidores de Alvin Toffler. Mas entre homens de boa vontade, a língua pode ser diferente, a linguagem é perceptível, a mensagem passa. Neste filme, entre a criada mexicana e os filhos do casal americano, entre o marido da turista americana e o jovem marroquino que o acolhe na sua aldeia perdida, ou entre a surda-muda e o polícia que não precisa de gestos para entender o pedido de socorro da jovem.
(Sempre pensei que os casos em que os pais falam aos filhos em árabe, berbere, italiano ou português e estes respondem em francês ou que quando eu falava à minha namorada em algarvio e ela me respondia, por graça, em luxemburguês, isto fosse uma caracterísitica que apenas existia em França ou no Luxemburgo. Na minha ingenuidade etnocentrista, esqueci que todas as comunidades emigradas, em qualquer que seja o país onde se encontram, tendem a reproduzir os mesmos mecanismos de integração na sociedade e cultura de acolhimento. Que rima, em maior ou menor grau, com assimilação, consoante o sistema social e educativo do país onde chegaram e do envolvimento dos pais na educação (no sentido lato) dos seus filhos.
Fechar parêntesis.)
No sentido inverso, nem sempre a mesma língua é uma condição sine qua non para que os homens se percebam, levantando a desentendimentos, depressões, brigas, confusões, mortes. No filme: o marido da turista e os outros turistas americanos e europeus (ocidentais!), pai e filha no Japão, esta e os outros jovens japoneses, a polícia marroquina e os aldeões, tia e sobrinho mexicanos.
Assim sendo, devemos atribuir à torre de Babel, a origem da confusão das línguas ou aos homens de má vontade?
A morte e o seu espectro pairam durante toda a história. Não sabemos quando acontecerá, mas presentimo-lo. Acaba por abater-se sobre um inocente. Uma morte ligada à compra de uma arma. Mesmo se o realizador escolheu (propositadamente?) um cenário do outro lado do
mundo, acaba por ser um piscar de olhos ao porte de arma permissivo nos Estados Unidos, que diz respeito a muitos jovens que são vítimas do “first amendement”, estejam do lado de cá ou do lado de lá do gatilho.
A torre de Babel, esta aldeia global na qual vivemos, está longe de chegar ao céu!
Se Fernando Pessoa disse que a sua pátria era a língua portuguesa, para o realizador mexicano, a "pátria" ou mesma a "mátria" (do latim "mãe") é... a mensagem. A mensagem é mais importante que a língua. As crianças, que vejo nos infantários e escolas luxemburgueses rirem e brincarem entre si sem falarem uma mesma língua, são as que no-lo ensinam melhor.
sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Àcerca do post de 24 de Novembro do meu caro amigo Paulo Lobo no seu blog «Voyages en suspens» (http://www.paulolobo.blogspot.com/), em que diz que hoje “somos todos canais alternativos da informação, nós os internautas, os bloguistas, os passadores de ideias, de opinião e, por vezes, de rumores”, queria reagir recordando que a mui séria agência de imprensa internacional Reuters assinou há dias (dia 11 de Novembro?) uma parceria com a plataforma norte-americana Pluck (http://www.pluck.com/), que administra milhares de diários cibernéticos pessoais (web-logs ou blogs). A Reuteres passará a propôr, a par das suas notícias em linha, informações que fazem parte do conteúdo de blogues, promovendo o que apelida de “social networking” (teia de contactos e informacão social).
Ponto positivo: as fontes de informação indepedentes diversificam-se em número e riqueza de conteúdo, ao contrário dos cada vez maiores conglomerados media, que monopolizam o sector, e que, apesar das posições firmadas que ocupam, trabalham muitas, quase sempre, sob a pressão de lobbys, influências e poderes.
Apreensão: banalizando-as, as fontes de informação perdem em fidignidade e pureza: risco de manipulação da opinião pública. O mesmo poder, afinal, que os grandes conglomerados já hoje detêm. Os profissionais da informação deixarão de ter o monopólio da mediação da informação. Única solução: formar a opinião pública para que adopte os reflexos dos profissionais da informação, ou seja: 1) duvidar, por princípio, dos media; 2) assegurar-se da credibilidade da fonte; 3) multiplicar, mais do que nunca, o cruzamento de fontes; 4) consumir informação onde seja respeitado o princípio do contaditório.
Nova missão dos profissionais da informação: não apenas “servir” à notícia numa bandeja, nem servir somente à mediação e veiculação da notícia, mas à sua decorticação, dissecação, descodificação, interpretação, análise.
terça-feira, 24 de outubro de 2006
"Tenho noção do mal que fiz
e do meu pecado.
Quero dizer a quem não disse
que estou arrependido.
Tudo passou e hoje sei
que não estou queimado..."
"Bemvindo ao Passado", NBC (de "Revistados", álbum tributo aos 20 anos dos GNR)
<
"Vidas são imperfeitas quando te deitas com o teu rancor"
(idem, ibidem)
segunda-feira, 9 de outubro de 2006
Anna Politkovskaja

sexta-feira, 6 de outubro de 2006
folheando a agenda
DATAS: 9 Out; 23 Out; 6 Nov; 20 Nov; 4 Dez
Local: Auditório da SPA (Rua Duque de Loulé, nº 31)
Horário: 18h 30m
Dia 9 de Outubro 2006 – Novos autores: Escrever, Publicar e Vencer
Painel
Rui Herbon, escritor
José Luís Peixoto, escritor
Sofia Monteiro, esfera dos livros
Filipa Melo, jornalista, escritora
.
Dia 23 de Outubro – Banda Desenhada: O Mundo aos Quadradinhos
Painel
Pedro Silva, Vitamina BD, BdMania
Maria José Pereira, Edições ASA
Sara Figueiredo Costa, crítica literária e de BD
António Jorge Gonçalves, autor de BD
.
Dia 6 de Novembro – Poesia e Teatro: Filhos de um Deus Menor?
Painel
Jorge Reis-Sá, Edições Quasi
Eugénia Vasques, Professora-Coordenadora na Escola Superior de Teatro e Cinema, crítica de teatro
Vasco David, Assírio & Alvim
Pedro Mexia, crítico literário, poeta
Ernesto Melo e Castro, poeta, ensaísta
.
Dia 20 de Novembro – Fundos de Catálogo: Velhos são os Trapos
Painel
António Pinheiro, Bertrand
José Pinho, Ler Devagar
Mário Zambujal, escritor
Carlos Veiga Ferreira, Teorema
.
Dia 4 de Dezembro – Best Sellers e Qualidade: Podemos ser amigos?
Painel
Manuel Alberto Valente, Edições ASA
Margarida Rebelo Pinto, escritora
Vasco Santos, Fenda
Maria João Lopo de Carvalho, escritora
Richard Zimler, escritor
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
A noite é bonita neste meridiano,
confunde-se com o oceano,
As pontas das estrelas queimam a lua crescente.
O céu em fogo risca a toalha dos deuses.
De oriente chegam novos reis
magos da palavra, mas nem tudo o que luz é ouro.
Ouço o ruído de lutas que começaram
ainda as águas do dilúvio não tinham secado as terras.
Hoje não secam do sangue.
E eu, entre o temor de novas invasões bárbaras
e as promessas vazias que o poente encerra,
aperto o crucifixo ouro-indigo às minhas novas vestes,
assisto mudo aos loucos que me empurram para o abismo.
A caravana impávida passa, enquanto os cães
não ladram, medram. Já cheira a deserto.
A minha boca sedenta de tangerinas,
prata, marfim, canela, chá de hortelã psicótico, açafrão.
Com as minhas malas aos pontapés,
desço pelas escadas do hotel.
Mas é com os tomates cheios de tesão
que percebo que a mocidade é refém da perfeição,
que a profundidade e a claridade do beco obscuro,
que é o idealismo dogmático acneico,
depende do amor-próprio que já houver brotado,
da tolerância e da luta que deve sempre começar cá dentro
com a minha própria djihad.
Não é erro, nem recuo. É balanço, horizonte mais abrangente,
para saltar mais adiante.
Assoma Sócrates à porta
e repete que nada sabe de nada.
Olho no meu relógio de eon as pontas do holoceno piscarem.
A brisa matutina retarda as suas asas.
A madrugada cinzenta e brumosa ainda vai demorar.
Rentrée parlamentar: Educação e política social são a preocupação dos socialistas do LSAP
| Alex Bodry, presidente do partido socialista luxemburguês, e Ben Fayot, presidente do grupo parlamentar do LSAP Foto: Guy Wolff |
O presidente do grupo parlamentar do Partido Operário Socialista Luxemburguês (LSAP), Ben Fayot, aproveitou a oportunidade para relembrar os desafios que se apresentam aos membros do Governo e da Câmara dos Deputados (Parlamento) na rentrée parlamentar, marcada para 11 de Outubro próximo.
No encontro, que decorreu em 26 de Setembro, Fayot começou por recordar o repto que o presidente de partido, Alex Bodry, lançara a algumas semanas: o LSAP tem como objectivo desafiar o Executivo a dar provas de que tem uma vontade real de efectuar as reformas que se impõem no país. Reformar aS leiS da nacionalidade, escola e imigração.
Para os socialistas, os projectos-lei mais importantes terão que ser entregues à Câmara dos Deputados o mais tardar até ao final do ano. É o caso dos diplomas sobre a reforma da lei da nacionalidade (que permitirá o acesso à dupla nacionalidade, ver artigo anexo), a reforma da lei de 1912 sobre a escola, a revisão da lei da imigração de 1972 e a lei sobre a formação contínua.
Neste âmbito, Fayot apelou o Executivo a "preparar de forma organizada e conscienciosa" os textos legislativos, de modo a permitir a aprovação mais rapidamente, dentro dos prazos exigidos no Parlamento. O presidente do grupo parlamentar socialista voltou a reiterar o apoio do partido ao projecto-lei sobre a reforma da nacionalidade, tal como esboçado pelo ministro da Justiça, Luc Frieden. Único senão: segundo Fayot, o LSAP gostaria que o Governo também pensasse em promover as vantagens do multilinguismo.
E exemplificou: "Um cidadão chinês que além da sua língua apenas falasse o Luxemburguês, teria dificuldades em viver no nosso país". Uma lei da imigração adaptada às novas realidades sociais e migratórias é uma das etapas no caminho para um Estado moderno, considerou aquele responsável. Em matéria de política educativa, Fayot defendeu a actual ministra da Educação, Mady Delvaux-Stehres, do LSAP, e lembrou que esta herdou muitos problemas da sua antecessora liberal, Anne Brasseur (DP).
O LSAP exige que, neste campo, o grande objectivo continue a ser a igualdade de oportunidades para todos os alunos, independentemente da sua origem nacional ou social. A luta contra o insucesso escolar é outra das prioridades. Fayot exortou ainda o ministro das Obras Públicas, Claude Wiseler, a realizar as construções de escolas previstas no plano director sectorial.
MAIS POLÍTICA SOCIAL
A transposição das medidas da Tripartida é igualmente prioritária aos olhos dos socialistas e um dos cavalos de batalha nas sessões parlamentares que se aproximam. O LSAP anuncia, desde já, que recusará que as decisões tomadas em matéria de política das pensões e reformas seja posta em causa nas discussões sobre o Orçamento de Estado.
Os socialistas também esperam avanços do Governo, em conjunto com os parceiros sociais, na questão do crédito fiscal, bem como na luta contra o desemprego. ...E EUROPEIA Trabalhar por forma a vencer os atrasos de que o país padece na transposição das directivas europeias será outra das preocupações dos socialistas. Fayot solicitou ainda que os deputados se interessem mais pela política europeia. Para o LSAP, os parlamentares deveriam contribuir para converter a política comunitária em tema de discussão no seio da sociedade civil. Sobretudo depois do resultado do referendo sobre a Constituição Europeia, os responsáveis do LSAP consideram que a população espera um maior empenho do Parlamento luxemburguês nas questões comunitárias.
José Luís Correia,
in CONTACTO, 04/10/2006
