sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
-
cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

esquisso - Viagem à volta de Lucilin

(primeiro esquisso, Natal 2006-Natal 2007)

Viagem à volta de Lucilin



Manhã de inverno, frio abaixo do zero
Pequeno-almoço em pijama
Nao consigo decidir-me frente aos cereais
Biolay, Frégé, Garrell ou Delerm.
Chupo pães de leite ensopados
Em capuccino caseiro
Numa grande xicara azul e branca de faiança
Comprada numa Primavera florida nas gargantas do Verdon
Mordisco pêssegos carecas
Os meus dedos vagabundeiam semi-distraidos
pelos jornais do fim de semana
absortos da noção de que não conseguirei ler nem metade
ou ia-se também já o próprio prazer,
que é tudo o que me resta numa manhã fria.



Les Livres do Le Monde, a página Culture do Soir,
o Libération tem uma nova paginação,
o Magazine Littéraire e a Lire panegiricam sobre Littell
e o jornal de Letras sobre os contos exemplares da Sophia.
Não devia ter comprado tudo tão bolimicamente,
sou como um miúdo, tonto no meio de tanta guloseima,
que ao encher os bolsos ávidos já sabe que encherá
a boca só para empanturrar-se de forma doentia,
nao sem antes exibir aos coleguinhas
os rebuçados mais coloridos, a barra de chocolate-novidade.
Do estômago sobe-me uma insustentável azia pelas goelas acima,
um vómito augado perante a abundância das doçarias, de tanto açúcar
das prateleiras cheias de arte e literatura em frasco
que se propagam azimut e exponencialmente
e me atrofiam e paralisam frente à página branca e ao ecrã negro,
uma azia que não sofre de memória olfactiva e papilar
e apreende a comparação.

Sobrevoo as notícias, gaza, al-qaeda, chéchénia, litvinenko, politkovskaja, a campanha eleitoral francesa, inflação, a deslocalização, a mundialização, os rtts, os ogms, as ongs, os clones, os políticos, a corrupção, os evaporitos do mar morto, as cordas que ameaçam a física, as catástrofes naturais, o aquecimento global, os acidentes áreos, a pala parcial da justiça, da crítica.

Semanalmente, invariavelmente, o último grande fenómeno,
os novos talentos incontornáveis, os futuros grandes vultos do século que cresce,
mas são sombras chinesas, os mesmos autores,
mudam as caras, às vezes os nomes,
mas lá vêm as palavras-chave, chaves-mestras da compreensão enlatada,
as frases-choque atiradas ao público como migalhas de filosofia de algibeira,
propaganda concentrada, as aulas de marketing propaladas
em todo o seu esplendor, o briefing aprendido na ponta da língua.

Passo a página. A sopa crick de kafka, o último best-seller do Ormesson,
As melomanias da Dombasle, os vértigos do marido,
um jogo intermitente entre os retratos
de Durer, Rubens e Deschamps na página da pintura.
Um cinema cruel e áspero, Cronenberg, o dogma já morreu,
anseio debalde por assistir à Coppélia
na Bastilha e ao impúdico Cândido do Bernstein no Châtelet.

Almoço no Petit Bouchon, rue des Bains,
salmão grelhado et pommes au four
um fotógrafo diz-me que vai passar o Natal à Finlândia
e o ano bom a S.Petersburgo, eu estou a ler a batalha de estalinegrade
e sorrio recordando a anita pettersen e as suas questões norueguesas.

Na grand-rue, miro de soslaio os novos tenho-que-ter
A Hermes, a Cartier, a Schroeders, a Dutti.
A Lacoste deu lugar a uma loja de roupa interior feminina.
hesito à soleira da papelaria Beaumont, refugio-me na
Alinea. O apart mudou-se em arco-íris. Q?

Na cinemateca decorre a retrospectiva de cinema espanhol.
O Centauro fita o veado azul fora de prazo, cheira a gaufres belgas,
a salsichas alemãs grelhadas de patronímico furtado.
A Bolsa continua serena, tranquila e quase despercebida, igual ao país.
Uma senhora em casaco raposa sai da Villeroy
e tenta vestir as luvas de cabedal
num malabarismo bambo entre o saquito bram e mala vuitton.

Comprei um oito no fisher
e os odores álacres a farinha padeira transportam-me
até ao adro de uma igreja que eu atravessava todas as manhãs.
Uma vez por semana, o catavento enferrujado (ou seria do pó vermelho?)
surpreendia-me a correr com sete francos
a tilintarem-me nervosas no bolso (não no roto!)
das calças castanhas de bombazine em boca de sino
para ir comprar uma tablete fina de chocolate e uma carcaça.
Depois, metodicamente, introduzia a primeira na segunda
para comer mais tarde na escola ao recreio, quando tinha oito anos.
Não gostava das sandes de presunto e manteiga
Que a minha mãe religiosamente me enviava na pasta quadrada.
Rico do meu lanche civilizado, contornava sorridente o quarteirão,
Como se já pudesse passear pelo mundo
sem vergonha das minhas origens e do presunto alentejano,
Parava na loja dos brinquedos e tudo me era permitido.
Fazia mentalmente a minha lista pra enviar ao pai natal seis meses depois,
e não esquecida nada. Cromos do diamantino e do bento para o meu álbum paninni,
puzzles da fauna africana, carrinhos matchbox, pistas de corrida,
comboios eléctricos, fortalezas playmobils, baldes de lego
para construir toda a minha frota de naves espaciais
e o indispensável fato Actarus para poder viajar até outras constelações
e o do Zorro para usar à civil...

E, como sabia que as cartas dos adultos
tinham sempre um PS, eu lembrava-me in extremis
de alguma coisa pra acrescentar nesse indispensável apêndice:
“Pai Natal, não me tragas os brinquedos
dentro de uma caixa com esferovite
que eu sou elérgico!”

Desço do camões à praça de armas,
pela mesma rua em que desaguei
um dia com um anjo loiro do daugava
e vem-me o perfume adocicado
de bolos de gengibre e chá preto que comemos no oberweiss
mistura-se à canela do vinho quente do mercado de natal
e dos churros da feira do glacis,
procuro lugar cativo no colors, quadrados a imitar ébano,
losangos policromáticos, empregados gay friendly,
o café custa mais barato que no coffee-lounge da rue de la poste
mas lá o alemão faz desenhos cubistas no cappuccino,
dá-me a provar chocolates de hortelã-pimenta e anis,
cakes, pepitas de amêndoa, a escolha entre açúcar branco ou amarelo.

No Casino há bolas espelhadas de discoteca na marquise.
No dierfgen os monólogos da vagina passam em reposição,
na cozinha do diabo fazem-se sopas divinas.
À noite, o urban e o whispers estão lotados,
discutem-se as trades e os trends
uma despedida de solteiro acabou em pancada cá fora
o tube entupido com inglesas lambendo sal nas costas das mãos e e emborcando tequila,
o artscène tem a cerveja mais barata e os adolescentes sabem-no bem
karamba, animação. os tempos em que eu dançava no adro do stiler já foram. yesterdays.

O museu de história e de arte medita, deitado, no sossego nocturno.
Passo pelo kastel aos saltos, dou com a tola na muralha do restaurante goethe
no encontro inopinado com os pedregulhos
que servem de soalho ao tiermchen.
contorno o palácio, o parlamento, o mercado das ervas-doces,
os rostos sobranceiros do café da imprensa
e ociosos nipónicos esporádicos assistem ao render da guarda,
aos turnos dos mancebos, quando a sentinela assoma da guarita
e enfrenta a corrente de ar gelada
que se enfia naquele vão de rua.

Passo pelo bocaccio, apetece-me um carpaccio i pomodoros
deslizo até ao museu da cidade onde ouvi o violoncelo do mergenthaler
e onde nunca compro o renert nem abdico de subir e descer a sala-elevador,
como um garoto num carrocel, ao descobrir um novo brinquedo...
Um restaurante vegetariano, um chinês, um brasileiro,
o espírito-santo sem espírito são numa praça, o ascensor para o vale,
No grund há artistas nas ruas, bebo uma cerveja preta no inglês,
atravesso fortificações, caio nas catacumbas,
tiro fotografias-postais a três amigas alemãs com a ponte vermelha
e as torres gémeas em pano de fundo.
Desço clausen até à cantina da cervejaria, cheira a cachaço de porco assado com
favas, o bar escocês, a taberna britânica, o bar do bob, o melusina,
venço a lomba, regresso à abadia,
na loja de neumunster compro um bloco-notas
com a abelha em torno de uma groselha do dali,
surpreendo um casamento na capela francesa,
extasio-me perante a via láctea e a deriva das galáxias
no primeiro andar do antigo presidio das mulheres

Passeio na petrusse, compro um gelado no mini-golf,
a fonte não espicha água, os joggers correm,
os namorados beijericam-se nos bancos
e eu pensando no meu amor, pensando no meu amor...

transepto


o olhar submetido e lascivo

os gestos devotos e gulosos

a língua proferindo verbos ansiados nos lábios sedentos

pele de rosáceas em flor


os corpos tocam-se, os sangues misturam-se

os cabelos na boca consagrando o peito

os dedos desejando a prece que se empolga

os dentes rasgam a hóstia negligente

as unhas cravam as nádegas azuis

o crucifixo engole o falo proeminente

as mãos rezam a um deus que cresce

o vinho é docilmente ofertado num cacho garboso,

a penitente toma o cálice em êxtase

e bebe piedosamente no genuflexório movimento

de se prostar e de ser penetrada pela fé que a inunda profundamente

o rosto e o queixo rojando nas lajes de mármore frio

por dentro a espinha arde, dobrada apenas para amar.


JLC2006

o homem seforo


Já fui

vermelho

impetuoso

petulante e

fogoso,

faísca,

corte-circuito.


Já fui invisível,

transparente

negro,

verde,

amarelo

laranja intermitente

luz sobresselente.


Hoje apenas

procuro

um pouco mais de

azul,

eu que nasci

para

arder.


JLC2005

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Escrever poesia

"O segredo não é escrever poesia, é vivê-la. Apenas se escreve com a vaidade de imortalidade. Projecto vão. O Homem, por mais imperfeito que assuma ser, tem o desejo indecente de não querer morrer nunca. Consciente dessa impossibilidade física, procura cumprir na sua vida algo para que o recordem mais tarde: filhos, eventos, construções, escritos. Penso que de todos estes projectos de vida o mais nobre deve ser o de dar a vida. Como ainda não fui abençoado, nem sei se serei um dia, escrevo. Considero-a também uma nobre missão. Os poetas sonham o mundo de amanhã, os Homens constroem-no. È apenas mais belo sonhá-lo porque quem o constrói tem sempre a tendência malsã de o perverter."

(Excertos do vol. 1 dos Cadernos , 03/02/2006)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Crónica de antecipação

Dia/Log: 14.30-20.05.2026 Adoro conduzir no campo, acelerar, ver o verde a desfilar cada vez mais rápido, de um lado e de outro, como nos velhos rallyes. Depois paro à bei ra do caminho, dou uns passos na relva, toco o orvalho com os dedos e respiro o ar puro. Ahhh, qu e bom é estar aqui!... Nas cidades já não existe ar puro. Apenas oxigénio reciclado, rarefeito, p obre.

Hoje é a primeira vez que estou verdadeiramente a disfrutar da “franquia verde”, imposto que adquiri o direito de pagar graças ao nível sócio-profissional que atingi ao fim destes anos todos a trabalhar em prol da sociedade que nos canibaliza. Graças a este privilégio, apanágio de uma reduzida minoria, posso conduzir fora das vias tubulares com a minha mais re

cente aquisição: o meu Seat Sintra G6 e o seu velho motor diesel.


As vias tubulares, bah... esses monstros canudóides de vidro e plástico que em poucos anos invadiram e desfiguraram as nossas paisagens verdes e serenas e não me deixam esquecer que vivo na pior década do século XXI, com as suas precaridades agrícolas, a escassez de água doce, a penúria dos combustíveis fósseis, as poluto-pneumonias, as sociedades

ultra-protectiras e controladoras, que vivem em redomas de vidro, temendo tudo.

As antigas auto-estradas foram primeiro isoladas com deflectores de ruído, depois esses muros foram aumentados com paredes poluto-absorventes. Finalmente e como isto não chegasse para travar o sobreaquecimento global, o cratera na camada de ozono e as chuvas químicas, as autoestradas foram hermeticamente fechadas. Nasceram assim, no fim da década passada, as vias tubulares, que é suposto absorverem os gases e fumos dos automóveis, sendo aliás o único sítio onde ainda se pode conduzir veículos poluentes (VPO). Único ponto positivo desta situação: a corrida desenfreada para o desenvolvimento da exploração das chamadas energias brancas renováveis: eólica, solar, térmica, hídrica, magnética e biodegradável. Com tantas energias disponíveis por aí, as sociedades usaram e abusaram dos carburantes fósseis. Estes esgotaram-se quase todos muito antes do prazo previsto, e fomos surpreendidos com esta situação calamitosa a que chegamos. Como diz o grande filósofo do nosso tempo: “O homem sempre foi um animal sem instinto!”.

Claro que nas grandes cidades e mega-metrópoles, os transportes comuns – de consórcios públicos, semi-públicos ou privados –, multiplicaram-se e desenvolveram-se mesmo muito com a proibição de acesso aos VPO. Mas eu destesto os tapetes urbanos, os magnéto-metropolitanos aéreos e o flexieléctricos de carruagens moles. Prefiro optar pelo meu mono-motor (MM) solar do que ir ao rent-a-bike , tirar a velha bicicleta enferrujada da cave ou deslocar-me de trotinete biónica. E para o overboard (skate magnético), já passei da idade!

Pelo menos, o MM negro-resina sempre tem aspecto de automóvel e eu tenho um estatuto a fazer respeitar no meu meio privado e sócio-profissional. O Mono também é prático para passar no shop&drive ou no cash&drive antes de regressar a casa no fim de um dia cansativo de labor. As desvantagens do MM é que se deve quase sempre conduzir em piloto-automático, não ultrapassa os 29km/hora e o motor é mudo. Parece que estou a conduzir um carrinho de choque das feiras para a quarta idade. É frustrante!

Durante muito tempo, não tive o direito de possuir um verdadeiro automóvel. Mas agora, a cada 60 dias, durante 182 minutos, desforro-me. Munido da minha nova licença, venho usufruir da Natureza, aproveitando para conduzir em verdadeiro asfalto, com cheiro a alcatrão e tudo, percorrer os velhos troços das estradas secundárias, há muito interditas ao trânsito, e que se destinam agora a corridas da elite que ainda possui carros a gasolina ou passeios de lazer para veículos a gasóleo com a franquia verde. É um hobby caro, eu sei, mas quero lá saber. Trabalho todas as semanas as minhas 70 horas legais também para poder usufruir de luxos como este.

Volto a subir no meu Seat Sintra G6. Ajusto o assento, girando-o em posição diagonal adaptada à condução desportiva que quero praticar. Hoje, nesta velha E125, quero tentar chegar aos 2km/minuto. É lento para uma velocidade radical, mas é o máximo autorizado na zona e esta velha peça de colecção também não dá para muito mais.

Ordeno a abertura dos vidros e do tejadilho. Solicito ao computador de bordo para poupar na temperatura interior adaptando-a à temperatura ambiente, que active o sonar telemétrico de infra-vermelhos anti-colisão e que ligue o sistema holográfico para que eu possa visualizar o itinerário seleccionado. Peço-lhe também a Nona de Beethoven, volume de som 8, periférico. Antes de arrancar, acciono o tacógrafo obrigatório, ligado à caixa negra do carro e que é passado em revista mensalmente pela CCVE, a Comissão de Controlo de Veículos Extra-urbanos. Da próxima vez, trago o meu 4x4 CRD, CitroRenault Donau, com tacógrafo traficado. Apesar de todos estes constrangimentos, conduzir depressa, fazer rugir este motor potente, levantar poeira e fumo neste meu carrinho é um prazer indiscritível. Sem o meu carrinho, nunca!

(JLC, in Contacto,
08.02.2006)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Poema-lampo

Diz-me, Amor
onde estão o Afonso, a Inês, o Telmo e o Samuel
os quatro cavaleiros de génio do meu genesis
e o professor, o astronauta, o arquitecto,
o balde de legos, o carnaval dos pobres,
e todo o rancho da minha infância de redoma
e todo o séquito de heróis dos mundos que me inventei
transviei-me nas viagens que não fiz
nem pelo equador nem pela via láctea,
nem pelo meu quarto?...

Onde paira o marinheiro do Ó
para que lado fica o crespúsculo no montado deitado
o apartamento novo de grandes janelas indiscretas
que deixavam o sol penetrar o teu vestido
onde estão as tuas canções, as promessas vãs,
o futuro do fruto do teu ventre bom
hoje são estrume amontoado pelo chão
folhas velhas que aprodeceram
no paço vazio e sombrio do meu Outono temporão?

Diz-me amor,
se o Amor é como os figos
doce, frágil, colorido e pegajoso
mas que não consegues parar de comer
lambuzando mãos, lábios, queixo e tudo
mas pedes mais e nunca te sentes enfastiado?

Diz-me Amor,
porque me falas das mulheres que me desejam
se me lembro apenas das que me traíram,
efeitos secundários da brisa que já sopra do Lethes?


JLC010208

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Deputados pela Emigração interpelam Ministro dos Negócios Estrangeiros

Sem-abrigo portugueses no Luxemburgo?

Carta enviada recentemente por Carlos Gonçalves, José Cesário e Carlos Páscoa, deputados do PSD pela Emigração ao Ministro dos Negócios Estrangeiros português:

"Através de um órgão de comunicação social de língua portuguesa publicado no Luxemburgo, o Jornal Contacto – tivemos agora conhecimento de que neste país, onde a nossa comunidade foi sempre um exemplo de integração, coexistem com os casos de sucesso, portugueses em total indigência que estão a merecer a atenção e o apoio de associações luxemburguesas de ajuda aos sem abrigo.

Com efeito, segundo a responsável do Centro de Apoio aos sem-abrigo de Bonnevoie – Stëem vun der Strooss – passaram pelas suas instalações no ano transacto 127 portugueses, o que corresponde a 12,65 % do número total de indivíduos que recorreram àquela instituição.

Acresce que estes números referem-se apenas ao Centro de Bonnevoie, admitindo a sua responsável que o número de portugueses residentes no Luxemburgo nesta situação pode ser bem mais elevado, dado que existem outros Centros semelhantes no Grão-Ducado.

Infelizmente, também fica claro no mesmo artigo que as autoridades portuguesas não têm meios para acompanhar esta realidade e prestar o apoio adequado, o que levou a responsável da estrutura de apoio luxemburguesa a tecer algumas considerações negativas sobre o papel do nosso Consulado nesta questão.

Assim, ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis vimos uma vez mais requerer, através de V.Exa, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que nos sejam dadas as seguintes informações:

1. Como justifica o Governo que exista no Luxemburgo um universo significativo de cidadãos portugueses em situação de total indigência e que não tenham merecido por parte das autoridades consulares portuguesas o acompanhamento e apoio que mereciam?

2. Está o Governo a ponderar alguma intervenção para pôr fim a esta situação?".



segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Grandes mudanças II


É como no fim de época de uma daquelas séries norte-americanas que contam as estórias cruzadas das personagens de um prédio, de um bairro ou de uma cidade. Uns ficam para a época seguinte, aparecem alguns novos, outros vão-se, morrem, casam, ou mudam de prédio, de cidade... ou de canal.
O mês em que deixo Gasperich, outras personagens há que também não continuam nesta série. A vizinha eslovena grávida do lado muda-se com o marido para um apartamento maior em Merl, já que a família vai crescer brevemente. Dois golden boys vieram substituir o casal. O meu vizinho esquizofrénico da frente (o senhor W.) foi definitivamente internado e o apartamento dele ficou livre. Não sei se a irmã vai querer alugá-lo. Nem sei a quem. Lá dentro está um enorme piano que vai ser difícil fazer sair pela janela. O casal romeno do andar de cima também se mudou, mas nem sei para onde. No último dia em que lá estive cruzei quem os veio substituir. Também um casal, de meia idade, luxemburgueses por sinal, ar de antipáticos, nem bom dia disseram. A família portuguesa da frente comprou uma casa maior e deixa igualmente o bairro. Aos domingos já não haverá o estonteante cheiro a churrasco... Também aí não sei quem vem ocupar a casa...
Quanto à garçonnière do Gaspar tornar-se-á agora o refúgio de uma Amélie (Poulain?), penso que bastante mais bem comportada do que eu, ...pelo menos a julgar pela primeira impressão que tive quando veio visitar o apartamento há duas semanas com o proprietário: estatura média, corpo frágil, pele alva, cabelo fino e curto, de um castanho muito brihante, olhos grandes, voz suave, personalidade algo tímida, mas dócil e simpática.
Já estou a ver os dois novos inquilinos do lado a disputar-se para ajudar a pequena a trazer as compras até ao segundo andar. Talvez seja o princípio de uma grande amizade. Ou quem sabe de algo mais ;-) Mas isso já são outros episódios, outras histórias, outras vidas. A senda do Gaspar vai continuar por aqui. Mudam apenas o pano de fundo e as personagens principais. A pedido de várias famílias (amigas do produtor deste blog), o protagonista assina por mais uma época.

CASA INANE

domingo, 13 de janeiro de 2008

Grandes mudanças



Está na hora das grandes mudanças. De deixar Gasperich onde morei durante quatro anos e meio. O meu apartamento mais parece uma zona sinistrada. Uso do capacete obrigatório. Tem sido uma estafa, uma lufa-lufa, estamos com os bofes de fora. Só de livros, 13 caixotes. Três de cds e dois de dvds. Agora está decidido, vou passar a descarregar mais música. Faltam as colecções de jornais, revistas e vinis que haviam sido deportados até agora para a cave, junto aos vinhos, e que terão no novo apartamento lugar de eleição na biblioteca-escritório.
Daqui a uma semana já estamos em Weimerskirch, num lugar maior, cujo aluguer será pago ao banco :-)

É o começo de uma vida nova, a minha nova vida nova, depois de em 2002 o destino me ter autorizado um novo recomeço. De algo planeado há muito e que só agora se concretiza. Como se fosse o fim do capítulo de todo o processo de mudança iniciado há seis anos e que apenas com este episódio fizesse sentido.
Acabaram-se a "garçonnière" e os amores contingentes...



22:57

sábado, 12 de janeiro de 2008

A minha preferência luxemburguesa



Uma canção do novo álbum "Petites chansons méchantes" da ex-jornalista, escritora, cantora e actualmente professora (no Neie Lycée) Claudine Muno (28 anos) e sua banda "The Luna Boots".
Influências de Olivia Ruiz, hum? Uma delícia, nunca a tinha ouvido cantar em francês. Prefiro este estilo mais solto às baladas dark & blues. Quem disse que não há talento nem se faz boa música no Luxemburgo?


Lançado a 9 de Novembro, a apresentação oficial do álbum ao público acontece a 18 de Janeiro, às 20h30, na Rockhal, em Esch-Belval.
Infelizmente não vou poder ir ver :-( estou em plenas mudanças.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Mais uma sobre o país que propagandeia a liberdade de expressão como se fosse detergente para a roupa

Graças à Analog Girl descobri um site sobre grandes intelectuais, escritores, políticos, artistas, homens e mulheres que os Estados Unidos rejeitaram, expulsaram, repudiaram ou excluiram.

Publicado com a devida vénia à Analog Girl, ao blog de quem fui "pescar" a ideia.

Indigência Poética... ou diagnóstico psicoclínico do autor numa noite de náusea


quão fútil me parece por vezes

a vida que à minha volta construo
quantas horas gastas a não escrever
de que vale passar os dias a desejar
escrever e não o fazer
fugir do lápis intimidado
pelo traço - que temo indelével - da mediocridade
escrever para quê? porquê?
a escrita em mim já não é vida nem fé
nem resistência nem convicção
nem onanismo sacro nem pagão
nem filosofia nem arte nem nada
nem amor nem sexo
e eu a ambicionar que fosse minha espinha dorsal, o meu nexo
a minha travessia quântica para além das eras

Escrever sobre não escrever para escrever
sobre essa lamentável astenia literária
que se manifesta por sintomas crónicos
de insuficiência de singularidade
e de carência notória e inveterada de talento

é estúpido!

e esta tinta tão somente
um prodigioso desperdício neurótico
!


JLC 110108,
Gasperich 23:13

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

As Primeiras Damas francesas em 2006 e em 2008

Primeira Dama de França, 1995-2007: Bernadette Chirac

Primeira Dama de França 2008: Carla Bruni

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Helena Noguerra "Minimum"




Esta é uma das minhas canções preferidas de Helena Noguerra. Irmã da famosa cantora luso-belga Lio (de seu verdadeiro nome Wanda Maria Ribeiro Furtado Tavares de Vasconcelos, nascida em 1962 em Mangualde), Helena Noguerra (Nogueira do pai já que as duas irmãs não têm o mesmo pai!) nasceu em 1969 em Bruxelas.
Dela adorei o segundo álbum "Azul" (de 2001 e produzido pelo seu companheiro Philippe Katherine), onde ousa as incursões no português. Ou a sua participação no álbum "Cinema" (2004) de Rodrigo Leão. Mas apaixonei-me verdadeiramente pela Helena quando descobri que era sua a voz por detrás de "Lunettes Noires" (1988), que serviu de genérico à emissão do mesmo nome de Thierry Ardisson.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Dos sacerdotes zoroástricos da Pérsia e de como interviram na génese dos cadernos do gaspar

Com o raio de nome com que meus progenitores e minhas tias me deram na pia baptismal, nunca me ocorreu falar do outro meu ilustre homónimo, senão o primeiro Gaspar de uma grande linhagem. A origem de meu digníssimo antecessor é dúbia e a primeira referência que se lhe faz não é na Bíblia, como se possa pensar. O Evangelho de S. Mateus (Mt 2,11) é aliás o único dos quatro evangelhos reconhecidos a evocar uns vagos "magos", sem dizer quantos eram nem revelar nomes. Um outro Evangelho, o texto apócrifo de S. Tiago (séc. II), também se refere a estes, mas sem acrescentar nada de novo ao texto de Mateus.

A primeira referência biográfica aparece num documento escrito por São Beda em inícios do século VIII. É ele quem tece uma biografia de Gaspar e dos seus dois companheiros de viagem. Estes teriam trazido do Oriente mirra, incenso e ouro ao menino Jesus. Talvez daí se tenha depreendido que eram três. É a estas ofertas que se deve a tradição da nossa troca de presentes no Natal.
Gaspar é descrito como o mais moço dos três. Uns textos dizem-no asiático, outros persa. São Beda diz que Gaspar seria originário de uma das regiões montanhosas nas margens do Mar Cáspio. Seria mago ou sacerdote zoroástrico. É ele quem traz o incenso ao menino.

Tenho em comum com esse ancestral homónimo o continente (Os Weytjens são originários de Goa) e o deleite de deixar-me, em serões zen, guiar pelas constelações e seduzir pelas fragrâncias tranquilizadoras desse extracto de terebintácea que é o incenso.

Ah, mas o ponto comum mais importante: mesmo se segundo algumas teorias, não há maior crime do que a libertinagem para a religião de Zaratustra, segundo estudos recentes de investigadores universitários franceses, alguns contos femininos zoroástricos teriam estado na origem dos contos eróticos de Sherazade. E não foram "As Mil e Uma Noites" (que o meu amigo Luís Castro - quando ele ainda morava no Montenegro - guardava entre a televisão e a velha consola Amiga Commodore) os primeiros livros a fazerem-me mergulhar, a puxarem-me, que digo, a sugarem-me para esses fabulosos mundos onde tudo era permitido e os tabus derretiam como neve ao sol.
Eu..., um adolescente borbulhento e intimidado...deparava-me de repente em plenos lupanares assistindo aos faustos e caprichos sexuais desses califas impotentes, por debaixo de clarabóias onde espreitava a lua crescente, os coitos arrebatados nos haréns das alas secretas dos palacetes ou nos jardins interiores floridos, junto à fonte de todos os amores, as princesas sófregas, as odaliscas mouriscas, os alcoices nos oásis perdidos, os prostíbulos nos dédalos dos souks, os eunucos aparentemente inofensivos mas de dedos prodigiosos e línguas hábeis...
Nesses tempos acneicos serviam-me essas leituras, heu, ...voluptuosas, de inspiração para as minhas poluções nocturnas. Nunca pensei eu próprio vir a escrevê-las.
Desenhos: "Point of Eternal Light" de Brian Whelan, "Odalisque Slave" de Dominique Ingres e "Odalisque" de Mariano Fortuny

sábado, 5 de janeiro de 2008

Lisboa-Dakar 2009: optar por outro destino!

Na sequência da anulação do Lisboa-Dakar 2008 e seguindo proposta de um concorrente do ráli e do co-bloguista António do blog Maracujá, venho por este meio publicamente exaltar o génio de improviso português que nos caracteriza para que Portugal lance uma alternativa ao Lisboa-Dakar, que já era uma versão "light" do Paris-Dakar. Porque não antes optar por um upgrading da prova, como o António propõe. António sonha num Costa à Costa: Lisboa-Macau. Eu acrescentaria Costa à Costa à Costa, propondo para 2009 o Ráli Lisboa-Vladivostok-Macau (ou Lisboa-Macau-Vladivostok).

Porque seria Dakar sempre o destino privilegiado deste ráli-aventura? Porque não alterar o itinerário todos os anos, um ráli transcontinental com destinos como a Sibéria, Mongólia, Índia, Tailanda, Vietname, Oman. Infelizmente, os destinos africanos ficam postos em causas pelos conflitos etnicidas que varrem o continente. Seria também uma grande aventura um ráli ligar a Lapónia à Cidade do Cabo, não?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

assuntos do dia

Mr Nicholas vs Prof Sarko
O Prof. Sarkozy quer anotar como alunos da escolinha os seus ministros. Talvez assim ele encontre um argumento de peso para demitir os ministros que não lhe obedecem. Como a querida e inteligente Rama Yade, secretária de Estado do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus, encarregada da pasta dos Direitos do Homem, que ousara dizer que "a França não é um capacho", quando criticou a visita do presidente líbio, Khadafi, a Paris, a convite do seu homólogo francês.
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Obama rules!
Destaca-se no pelotão, Barack Obama, candidato democrata que mais votos obteve no conservador Iowa, o primeiro estado norte-americano a proncunciar-se nas primárias das eleições presidenciais norte-americanas, previstas para 4 de Novembro.

Se a Hillary ganhar as preferências democratas, também torcerei por ela, mas parece-me que o espectro do Bill ainda paira. Ou talvez os norte-americanos entendam a candidatura dela como uma tentativa de sucessão hereditária dos Clinton no poder. Mas se isso os preocupasse deveras não tinham eleito e reeleito o filho de um ex-presidente.

No campo republicano, é pior a emenda que o soneto: ganhou as preferências do eleitorado iowano um outsider: o pastor ultra-conservador Huckabee. Sem a experiência e recursos financeiros dos seus concorrentes de partido, mas que se pode revelar um perigo por ser orador experimentado e saber tocar no americano médio nos temas sensíveis que mais sensibilizam a opinião pública norte-americana.
Guiliani não quis submeter-se ao voto do Iowa, mas já reiterou que a sua preocupação principal, se for eleito, será a guerra contra o terrorismo. Ou seja: Bush IV, o regresso de um novo Jedi.

Próximas primárias: New Hampshire! A observar com atenção.
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Aqui no burgo
Das manchetes do Essentiel que são cada vez mais no espírito da página 3 do Bild. Hoje, a sulfurosa Kelly Brook (nada a ver com a lindíssima Kelly LeBrook do filme "Woman in Red" de 1985), deu a volta à cabeça dos golden boys aqui da praça. Brook foi considerada, numa sondagem britânica, a mulher tendo as dimensões perfeitas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Ano Internacional
(da Lógica) da Batata


Quo vadis 2008? Para onde vais 2008? Ou melhor: Para onde nos levas?, poderíamos nós perguntar circunspectos da soleira deste ano bissexto que ainda agora se enceta.

A assembleia geral das Nações Unidas proclamou 2008 Ano Internacional do Planeta Terra, da Batata e das Línguas. Três temas que podem parecer secundários à primeira vista mas que são verdadeiras questões-pano de fundo da actualidade. A ONU pretende sensibilizar a opinião pública mundial para a preservação não só do meio ambiente como do próprio Homem.

A promoção da batata visa lembrar a importância que esta pode desempenhar na luta contra a fome e a pobreza mundiais, como este tubérculo já o havia protagonizado no século XVI, quando espanhóis e portugueses o importaram do Novo Mundo e resolveram – com um legume fácil de produzir e barato de consumir –, os problemas de má nutrição que subsistiam há séculos na velha Europa. E se a solução funcionou há quatro séculos porque não aplicá-la hoje nos países mais pobres? É a "lógica da batata" em todo o seu esplendor! A solução para a fome no Mundo era mais do que óbvia, só que teimávamos em não entender.

Promovendo simultaneamente neste ano as Línguas, a ONU pretende não só salvaguardar o Homem enquanto "sistema físico-químico" (como diria Fernando Pessoa), mas também o seu espírito, pela mais-valia socio-cultural que a diversidade linguística acrescenta ao património que este legará às gerações vindouras.

Na mesma senda, Bruxelas é mesmo mais arrojada, ao declarar 2008 Ano Europeu do Diálogo Intercultural. A União Europeia mostra que o caminho certo não está apenas em defender as línguas e as culturas dos diferentes povos, mas de os pôr a dialogar entre si. Foi este, aliás, um dos princípios que lhe deu origem e a consolidou como espaço de paz duradoura e de cooperação mútua entre os estados que a integram. Pudessem esses valores universalizar-se com os mesmos propósitos.

Na sua declaração "Urbi et Orbi" (à Cidade e ao Mundo), proferida a 25 de Dezembro e em antecipação ao Dia Mundial da Paz (que se assinala a 1 de Janeiro), o papa Bento XVI foi dos primeiros a dar o tom. Denunciando o uso abusivo dos recursos naturais e recordando os desastres ecológicos do passado, o Sumo Pontífice pediu aos governantes mundiais que encontrassem "soluções humanas, justas e duradouras" para os conflitos e crises que afectam o planeta, acrescentando que isso deveria ser conseguido "com sabedoria e coragem".

Mais fácil dizer do que fazer, pensarão muitos. Basta haver homens de boa vontade... política! Porque são fundamentalmente essas as qualidades a que a Humanidade deverá fazer apelo na encruzilhada política decisiva que 2008 prognostica ser.

Em Março, Putin passa o testemunho a Medvedev, mas deverá continuar a ser o marionetista-mor por detrás das grandes linhas directrizes da Rússia.

Em Novembro, as eleições norte-americanas revelarão com quem o pupilo de Putin deverá contar no xadrez político internacional para discutir espinhosos e sensíveis dossiês como o Iraque, o Irão, a Palestina, mas também o aquecimento global (Protocolos de Kioto e a Conferência de Bali).

Se os Estados Unidos voltarem a apostar num republicano (Rudy Giuliani, por exemplo, presidente da Câmara de Nova Iorque durante os ataques do 11 de Setembro de 2001), a linha política de Washington não deverá mudar de um palmo.

Em contrapartida, o mapa político mundial pode alterar-se significativamente se a Casa Branca for ocupada por um democrata (a ex-Primeira Dama, Hillary Clinton, que se tornaria a primeira mulher a ocupar o cargo; ou o mulato Barack Obama, que seria o primeiro cidadão de origem afro-americana a chegar ao gabinete oval). Como mudou quando os americanos catapultaram Bush para o poder, com a série de desencadeamentos políticos e económicos globais que hoje se conhecem. O seu sucessor terá de saber lidar não só com essas questões de política externa que influem directamente nos preços "inflamáveis" do petróleo, mas também com a crise dos empréstimos imobiliários que assola os EUA e ameaça atingir como um tsunami a economia britânica e consequentemente a europeia.

E a China? Após a euforia económica chinesa que está preceder os Jogos Olímpicos (que começam a 8 de Agosto), sofrerá o gigante económico um abrandamento conjuntural? Com que consequências para a economia mundial? Serão as Olimpíadas – encaradas este ano como um verdadeiro desafio político – boicotadas pelos defensores dos direitos humanos ou pelos ecologistas, assuntos que Pequim tem "olimpicamente" ignorado de forma arrogante e autista?

Se se souber discutir todas essas e outras matérias com mais "sabedoria e coragem", como preconiza Bento XVI, ficará assegurado o nosso futuro comum. Também isso parece óbvio como a "lógica da batata". A paz, afinal, é como as batatas: cultiva-se!

(José Luís Correia, in "Contacto", 02/01/08)



quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Uma das boas resoluções para 2008



















Pic enviado pela Beta
Sim, a J e eu, aqui no burgo, também tomámos essa boa resolução.
- Eu cá começo uma dieta todas as segundas-feiras.
- Às terças, juro que vou cumprir.
- Às quartas, prometo que a partir da próxima segunda-feira é que é mesmo! ;-)

Imagem: com a devida vénia ao blog www.penelope-jolicoeur.com

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007



Feliz Ano 2008
Bonne Année 2008
Happy New Year 2008
Ein gutes neues Jahr 2008
Felice Anno Nuovo 2008
laimīgu Jauno gadu 2008
E gudd neit Joër 2008
Feliz Año Nuevo 2008
Szczęśliwego Nowego Roku 2008
Gelukkig Nieuwjaar 2008
С Новым Годом 2008

domingo, 30 de dezembro de 2007

O x-ufo do meu irmão



O último hobby do meu irmão: um quadricóptero x-ufo que ele próprio construiu. É nisto que passam as suas economias e as horinhas todas dos seus tempos livres. À vista do resultado, valeu a pena. Posso dizer-vos que as emoções da velocidade do aparelho e os loopings fizeram esquecer os graus negativos na pradaria gelada de Belvaux, 25/12/07.

Concepção, montagem e realização: Fred Correia. Eu só filmei.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

EXPLICIT

Gaspar is back. Mentes inocentes e púdicas, abstenham-se!
Avisa-se que este blog pode derivar para extremos a que alguns leitores não estão habituados desde o volume 1.

Há cerca de mil sem-abrigo no Grão-Ducado

127 portugueses sem-abrigo no Luxemburgo,
que sobrevivem com quase nada

Pedro, Sónia e Humberto são alguns dos 127 portugueses sem-abrigo ou a viver em situação precária no Luxemburgo. Sobrevivem com garra, coragem e o apoio de instituições de ajuda aos sem-abrigo. O CONTACTO foi ao seu encontro.

Pedro (*) tem 31 anos. É recém-chegado ao país e à "rua". O seu rabo de cavalo debaixo do gorro amarelo e a barba de três dias encaixam na imagem preconcebida que temos das pessoas que vivem na rua. Ideias preconceituosas que frequentemente estalam como verniz ao primeiro contacto que temos com essas pessoas, seres humanos como nós. É o que acontece quando metemos conversa com o Pedro. Tem um jeito educado, palavras rebuscadas e exprime-se num português correcto. Emigrou há três anos de Santa Comba Dão para o Luxemburgo, com a promessa de um emprego no sector industrial da carne. Mas passado pouco tempo foi despedido.

"Desossava porcos, era um trabalho bem pago, mas difícil. Depois fiquei no desemprego e com tão pouco tempo de trabalho no Luxemburgo, não tive direito ao fundo de desemprego nem ao Rendimento Mínimo Garantido (RMG). Depressa fiquei sem local onde morar", conta ao CONTACTO. Por isso, tem vivido na rua e no centro para sem-abrigo "Abrigado", em Bonnevoie, onde disse que tem recebido "muito apoio".

"Não quero voltar a Portugal, pelo menos, por enquanto. Quero reencaminhar a minha vida por aqui", afirma. Pedro garante que "nunca" enveredou pela droga ou pelo álcool, mas admite que "é verdade que é fácil cair nesses vícios quando se vive na rua".

"É o caminho mais fácil para esquecermos o rumo que a nossa vida tomou. Mas nunca digo que estou mal e hei-de fazer tudo para sair desta situação", garante com garra e coragem no olhar.

De acordo com números da associação luxemburguesa de apoio aos sem-abrigo "Stëmm vun der Strooss" ("A Voz da Rua"), há cerca de um milhar de pessoas sem-abrigo no Luxemburgo, das quais 12,65 % são portugueses (ver artigo infra).

Foi precisamente nas instalações da associação em Bonnevoie que nos encontrámos com alguns sem-abrigo portugueses.

A associação tem uma portuguesa a trabalhar como empregada de limpeza. Maria (*) tem 42 anos, é natural de Mortágua e chegou ao Luxemburgo em 1970. Não gosta de falar dos caminhos que a vida lhe trocou e que a levaram até à "Stëmm". Não tem filhos nem é casada. Com alguma vergonha e timidez conta que chegou ali "simplesmente para combater a solidão". Recebe o RMG – "cerca de mil euros – mais 300 da 'Stëmm'", o que dá menos do que ordenado mínimo luxemburguês, que ronda os 1.503,42 euros mensais para pessoas não qualificadas e os 1.804 para as qualificadas.

Um dos voluntários que ali colabora gosta de ser chamado "Angolano". Tem 44 anos e trabalha no bar da associação desde a Primavera. É electricista de formação e conta orgulhoso ao CONTACTO que em Janeiro vai assinar contrato para exercer a sua profissão.

"Cheguei ao Luxemburgo em 1986, trabalhei na hotelaria, depois como electricista, e também tive alguns empregos 'a negro'. Passei por situações difíceis, mas nunca quis pedir o RMG. Tenho dois filhos, de 18 e 15 anos, que vivem com os meus pais, em Braga. Enquanto tiver forças, hei-de lutar", garante, mostrando que não baixa os braços apesar dos reversos da vida.

Sónia (*) tem 28 anos e a família é originária de Portimão. Está no Luxemburgo desde muito nova, fala por isso perfeitamente a língua do país. Mora sozinha num pequeno estúdio com o filho. Mãe solteira, viu-se na rua com uma criança nos braços mas mostra-se parca em palavras sobre esses tempos difíceis que viveu e que lhe deixaram marcas, por exemplo, no olhar, que é sempre bonito, mas triste, mesmo quando sorri. Na "Stëmm" faz serviço de voluntariado em regime de reinserção profissional. Entre as tarefas que ali desempenha, a que mais a satisfaz é o trabalho na Redacção da revista da associação.

Humberto (*), de 42 anos e 38 de Luxemburgo, é natural de Lisboa, também tem a nacionalidade luxemburguesa e foi aqui que viveu quase toda a sua vida. Tem dois filhos de 17 e 15 anos, que vivem com a ex-mulher. Explica ao CONTACTO que tinha uma vida normal até há cinco anos, quando um acidente lhe deu a volta à vida.

"Tinha acabado de encontrar emprego como motorista, mas depois de longos meses hospitalizado, fiquei no desemprego e após isso no RMG", lamenta.

"Gostava de encontrar um emprego adequado à deficiência que o acidente me deixou no pulso e que não me permite fazer todo e qualquer trabalho", diz, acrescentando que é pintor.

“Aqui na 'Stëmm' e noutras estruturas de apoio aos sem-abrigo sempre me trataram bem. Os luxemburgueses têm-me tratado melhor do que muitos portugueses. No Consulado português dizem-nos apenas que não podem fazer nada por nós e é para aqui que nos reencaminham”, lança ainda Humberto no final da conversa com os sem-abrigo que aceitaram partilhar as suas experiências de vida e a sua realidade com o CONTACTO.

Alexandra Oxacelay da "Stëem vun der Strooss", estrutura de apoio aos sem-abrigo, diz:

"O Consulado não sabe quantos portugueses estão sem-abrigo?
Nunca nos perguntaram nada!"

Entre Janeiro e Dezembro deste ano, o centro de apoio aos sem-abrigo "Stëmm vun der Strooss" ("A Voz da Rua") registou a passagem pelas suas instalações em Bonnevoie de 1.005 sem-abrigo: 789 homens e 216 mulheres. Desses, 127 (12,65 %) eram portugueses ou de origem portuguesa (mais um caso do quem 2006): 103 homens e 24 mulheres.

Os portugueses sem-abrigo são, segundo Alexandra Oxacelay, que dirige aquela estrutura, sobretudo "desempregados de longa duração ou ex-detidos, mas a maioria são toxicodependentes, entre os 25 e os 40 anos".

Quando confrontada com o facto de os serviços sociais do Consulado de Portugal no Luxemburgo terem declarado na semana passada ao CONTACTO que desconheciam o número de portugueses sem-abrigo que havia no Luxemburgo, Alexandra Oxacelay responde apenas: "Se nos tivessem perguntado, já faziam uma ideia. Mas nunca nos perguntaram nada!"

"É verdade que nunca perguntámos às estruturas de apoio aos sem-abrigo quantos portugueses lá iam. Quando algum se dirige ao Consulado, tentamos resolver o problema pontualmente e encaminhamo-lo para esses centros que possam auxiliar os mais desvalidos", admite José Araújo, adido social do Consulado.

"O Consulado não tem a possibilidade para dar resposta ao problema nem está assim previsto a não ser encaminhando essas pessoas para estruturas locais", acrescenta.

Recorde-se que, na nossa edição da semana passada, José Araújo tinha declarado ao CONTACTO que o serviço que dirige tinha "apenas conhecimento das pessoas com residência legal no Luxemburgo" e que o Consulado não dispunha de números relativamente aos portugueses que "estão em 'trânsito' ou que não têm domicílio fixo no país".

"O problema de alguns dos portugueses sem abrigo é que estão ilegalmente no país e não podem assim accionar todo o arsenal de mecanismos de ajuda que o Grão-Ducado tem à disposição dos mais desfavorecidos, como o Rendimento Mínimo Garantido (RMG) e outros", tinha ainda acrescentado o adido social.

Alexandra Oxacelay refere que o número exacto de sem-abrigo é difícil de determinar, porque não há dados oficiais. O número avançado pela "Stëmm" refere-se apenas à estrutura de Bonnevoie. A responsável admite que talvez existam até mais pessoas nesse caso, mas que passam por outras estruturas da capital como os centros "Abrigado", "Ulysse" e "Nuetseil" ou a "Abrisud" e a antena da "Stëmm" em Esch/Alzette.

"Cada estrutura tem os seus registos, mas não podemos simplesmente adicionar o número dos sem-abrigo de cada uma, porque há pessoas que dormem na Abrigado ou no Ulysse e também passam pela Stëmm. O número é por isso difícil de determinar", explica.

DAR VOZ A QUEM NÃO A TEM

"Cerca de 40 % dos sem-abrigo são luxemburgueses, mas há também muitos cidadãos dos países de Leste, num total de 76 nacionalidades diferentes. São na sua maioria pessoas solteiras e divorciadas, entre os 25 e os 39 anos. Toxicodependentes, alcoólicos, ex-detidos, desempregados de longa duração ou simplesmente pessoas que não foram bafejadas pela sorte.

Todos os anos há 50 % de novos casos, mas não sabemos o que se passa com os outros que não regressam. Voltam para o país deles, encontram emprego, uma vida melhor... ou morrem. Não sabemos!”, conta a responsável.

A associação, subvencionada pelo Estado luxemburguês, acolhe diariamente os sem-abrigo, nas suas instalações em Bonnevoie e Esch/Alzette, propondo-lhes refeições gratuitas, roupa, apoio moral e psicológico. A equipa de cinco pessoas conta com assistentes sociais e psicólogos, além de uma “mãozinha providencial de muitos voluntários", diz a responsável.

A "Stëmm", que existe há 10 anos, edita uma revista de dois em dois meses distribuída gratuitamente e que serve para sensibilizar a opinião pública para esta temática e "dar voz a quem não a tem". A associação dispõe ainda de um serviço de mediação entre os sem-abrigo e os proprietários potenciais de apartamentos por arrendar, assumindo-se como garante para que assim seja mais fácil a um ex-sem-abrigo arrendar um local para morar, o que lhes é muitas vezes negado pelos proprietários.

“Aqui na 'Stëmm' não dispomos de camas para que os sem-abrigo possam pernoitar. Para isso existem outras estruturas com as quais colaboramos. Mas a meia-dúzia de estruturas que existem no país não chegam para oferecer abrigo nocturno ao milhar de pessoas que precisa. O ano passado morreu um jovem durante o Inverno, porque passou a noite numa cabina telefónica. É dramático, sobretudo num país como o Luxemburgo”, lamenta a responsável, adiantando, no entanto, que consciente do problema, o Estado luxemburguês organiza anualmente de Dezembro a Março a “Acção Inverno” distribuindo vales para os sem-abrigo poderem pernoitar em certos hotéis.

”O problema são aqueles que não passam por estes centros, porque não querem respeitar as regras e já se habituaram a viver na rua”, lamenta.

José Luís Correia (in Contacto e Agência Lusa, 24.12.07)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Ménage à 3 X 2

Sempre gostei de matemática e sobretudo das multiplicações, de tentar novas fórmulas e equações. O Peter, eterno companheiro das minhas aventuras, sabe disso e convidou-me para a resolução de um problema bicudo: ménage à 3 X 2. Orgia em comité restrito portanto. "Uma coisa descontraída", disse-me ele. Para descansar das festas que fazem sempre estremecer a vizinhança e deixam o apartamento dele em estado de zona sinistrada, pensei eu. Convidou o R., que trouxe a Fati e uma amiga, a Barbara, e eu levei a Jen.

O serão começou como sempre, com conversa de chacha, uns filmes pornográficos a desfilar ininterruptamente na tela e uns copitos para quebrar o gelo entre aqueles que não se conheciam ainda, como era o caso de nós e da Barbara, uma italiana de 26 anos, professora no mesmo liceu que a Fati. A Fati, já a conheço demasiado bem (um dia conto!) e o R. também, mas não destas andanças. Mas não foi uma surpresa total encontrá-lo ali.

Música chill-out, acepipes apimentados, de gengibre e canela, chás de ginseng e pau de cabinda, cerveja belga, alcóois anisados para todos os gostos, uma caixa com anéis púbicos, dezenas de preservativos banalizados, às cores e de todos os sabores, a mesa pós-consoada estava bem posta. O Peter perguntou quem queria meio-comprimido de um produto-milagre que ele compra na net (não é viagra, mas parece!), que põe eréctil qualquer bicho morto em 20 minutos.

A única vez que experimentei, fiquei afinal sem dar a queca. Foi há uns dois anos. Uma francesa, que se me escapuliu por entre as mãos depois de me fazer andar atrás dela o serão todo no Marx! Foi com o rabo a dar a dar entre as pernas. Só me apetecia era enfiar o meu Johnny Thursday nem que fosse no buraco de um tijolo. Nem um duche frio e umas masturbanças frenéticas em catadupa me acalmaram...o ânimo. Depois de três horas, aquela porcaria começou mesmo a doer-me. Sentia o coração a bombear como uma locomotiva. Sei lá se sou cardíaco mas depois disso, merdas dessas, não muito obrigado.

"Hoje, passo!", declinei com a mão. O R. também não quis. O Peter engoliu sem hesitar. Depois, olhando para mim, sussurou qualquer coisa à Barbara num gracejo, que eu não ouvi, nem me interessou. Mas a gaja ficou com ela fisgada em mim, foi o que me pareceu. Gostei do olhar dela, do corpito provocante, mas no sorteio, ela afinal calhou ao R. O Peter com a Jen e eu com a Fatinha. Porra! Não é que a gaja não seja boa, mas é uma maluca que detesto aturar. Até durante as fodas nos fode o juizo. Saltou-me literalmente para cima. Calminha, menina!
Não me queixo, a Fati, desta vez, portou-se bem comigo. Quem sofreu com ela, foi o Peter.

Mas, felizmente que, depois das quecas regulamentares, foi tudo ao molho e com fé. A Barbara veio ter comigo. Já há algum tempo que não provava uma italiana. Cabelos pretos longos, corpo maneirinho, seios pequenos, pernas compridas e finas. Uma queca bem conduzida, bem puxada, a gaja era bastante elástica. Sobretudo quando se empalou em mim, numa espargata alucinante e se recostou para trás, os cabelos a roçar no chão. Disse-me que fazia dança. Foi bastante bom, devo admitir, apesar de ter começado por ficar com alguma apreensão quando me deu o primeiro linguado e colidi com o piercing que a gaja tinha na língua, artíficio cosmético metálico que pouco aprecio. No umbigo, ainda vai. Mas lingua, bico ou clitoris perfurado, foda-se, chega para lá! Com ela fiz abstração e, diga-se em abono da verdade, que a coisa se passou bem. A repetir, com certeza!

Melhor momento - Quando as três se ocuparam exclusivamente de mim. Divinal. Indescritível! Ou quando as três se puseram a divertir sozinhas depois de nos deixarem k.o.

Melhor momento II - A Fatinha, estava a ser comida forte e feio pelo Peter, em cima do grande sofá persa. O gajo estava a martelar-lhe com força, porque sabe que ela gosta assim ou por causa do efeito explosivo do comprimido. Só sei que o cio era tanto que a mola do sofá rebentou e espetou a nádega da gaja. Ela mandou um grito estridente que ele, pensando que ela se estava a vir, chamou-a de "grosse pute". A gaja furibunda deu-lhe com os pés, o gajo caiu de cu no chão. Risota geral.

O Peter tem sempre boas ideias para os dias feriados.

A "Neve" segundo os franceses Dionysos



"Neige" do álbum "Monsters in love" (Maio 2006) dos Dionysos. Recentemente este supreendente grupo gaulês lançou o fabuloso "La méchanique du coeur" (Novembro/2007) , adaptação do romance homónimo de Mathias Malzieu.
Todo um universo em que qualquer semelhança com o mundo de Tim Burton não é apenas pura coincidência.

Let it snow

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Luxemburgueses ajudam a criar Museu Chaplin

A mansão onde morou Charlie Chaplin durante os últimos 25 anos de vida, em Vevey, na Suiça, encontra-se à venda. A pretensão de transformar o local em Museu Chaplin, vai ser possível graças a dois investidores luxemburgueses que entram no projecto com 30 mil euros, foi revelado esta semana na imprensa suiça.

O nome dos investidores, que assinaram um acordo de compromisso a 20 de Dezembro, vai ser conhecido em Fevereiro, depois das autoridades locais analisarem e autorizarem a transacção.

O projecto data de há alguns anos, mas as autarquias locais não tinham conseguido juntar o montante necessário para a transformação do "Manoir du Ban" em Museu Chaplin.

O Museu (na foto em baixo) deverá ter várias salas de exposição sobre a vida e obra do criador de "Charlot" (foto ao lado), além de uma sala de cinema com 200 lugares, um palco exterior, uma loja e uma cervejaria.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Jen...Tudo o que quero pelo Natal, és tu!



"All I want for Christmas is you", do filme "Love Actually"

A magia do Natal



Canção "What's this" do filme "The Nightmare before Christmas" de Tim Burton.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Friday night: the fuck fucked...by the bell!

Sexta-feira à noite, 22h30.
"Quero mudar o karma da minha cama..." disse a ruiva de O Sexo e a Cidade à amiga e eu cortei o som e insurgi-me comigo próprio: "Foda-se, mas para que é que eu estou a ver uma cretinice destas?"

Bom, talvez porque é sexta-feira à noite e porque por uma vez o Gaspar decidiu ficar em casa, no aconchego do lar, gozando o regaço morno da Jenny, agora que cultivo há três meses a monogamia exclusiva compulsiva. Calma, não é contagioso, queria experimentar... e estou a gostar. Mas, claro que, como cada bela tem o seu senão, esta relação continuada alterou por completo o meu ritmo de vida. Diurno e nocturno.
Mas é por isso que numa sexta-feira à noite estou frente à televisão a ver lamechices destas? Não! O televisor nem estava aceso.
O serão começou com uma refeição ligeira, seguido de um duche sensual. Os beijos e amassos começaram na banheira, na sequência natural das brincadeirinhas com o champô nas partes pudibundas. O piso escorregadio do local fez-nos, no entanto, optar por outra faixa de aterragem. No sofá, enrolada no seu toalhão, a Jenny recostara-se languidamente para trás, na grande almofada e estendera as pernas nuas sobre um pouf. No movimento de as deixar deslizar uma na outra, como uma femme fatale num filme pulp, o tolhão ia descaindo e desvendava ambrósias apetecíveis.
A Jen estava pronta a ser colhida, como um pêssego maduro que só espera que dois lábios sedentos venham primeiro beijar-lhe a pele em flor e depois sugar-lhe a polpa sumarenta. Eu estava a escolher um cd de chill out tango como banda original sonora da dança horizomtal que se anunciava... e o telefone tocou.
É a Mandy, uma amiga da Jen, que precisa u-r-g-e-n-t-e-m-e-n-t-e falar com ela. E a Jen, eterna samaritana das causas perdidas, como sempre com o coração nas mãos, está lá dentro há 50 minutos a ouvir ladainhas.

Vai disto, peguei, mais por automatismo do que por costume (juro!), no telecomando e liguei o televisor no canal 6, como sempre. Estava a passar um milésimo trigésimo sexto episódio de O Sexo e a Cidade. Só não zappei logo porque uma das gajas da série tinha cruzado um gajo na rua que a convidou para ir beber um café e ela não só aceitou logo como no fim ainda lhe deu o n° de telemóvel ...sem que ele tivesse pedido!!!
E, numa deambulação do espírito, puramente sociológica (re-juro!), dei comigo a pensar: "Balelas! Mas quantas vezes é que este tipo de merdas acontece na realidade?" E antes que pudesse responder a mim próprio "Nunca!", lembrei-me da vez em que aquela francesa se meteu comigo no Marx. Em cima da hora de fecho do bar convidou-me para uma cerveja, depois para a seguir até ao (infame) "Tiffany's" em Metz. Duas horas e meia mais tarde estava no marmelanço com ela, no meu carro, frente a casa dos pais, num daqueles arredores residencais que se parecem todos uns com os outros.

Gasparices! Os tempos agora são outros, menos faustos em quantidade mas largamente compensados em qualidade. Que bom estar em casa à sexta-feira à noite, em vez de andar aos empurrões, com um copo de vodka na mão, num bar apinhado, com miúdas anoréxicas ou candidatas a tal, que nos fazem sentir pedófilos aos 34 anos, e com música de martelinhos insistente e enervante a dar a dar nas têmporas.

Estou a ficar entradote? Que se lixe. Assumo completamente os meus serões cocooning.

Voltei a devolver o pio à Carrie Bradshaw, a quem alguém dizia naquele preciso instante: "Não é que eu não tenha vontade de fazer amor. Mas tenho a impressão que as gerações antes de mim vulgarizaram tanto o sexo que banalizaram o acto!"


01h30 da manhã -

Mas como tão contrário a si é o próprio homem... quando o episódio estava no seu melhor - uma das amigas de Carrie ia começar um threesome - a Jen apareceu em lingerie sugestiva e veio sussurrar-me ao ouvido que queria compensar o tempo perdido.
Penitente, ajoelhou-se diante de mim, massajou-me os boxers, extraiu de lá o meu sexo que se fazia difícil, e prodigou-me uma convidativa felação. Eu até já nem queria. Não, não estava nada distraído com a série!!!... Mas a natureza teve razão de mim. O sangue subiu-me à cabeça e a coisa continuou com um 69 já no quarto. Não aguentando mais, ela ajustou-se em cima de mim para a grande cavalgada. Ouvi a generala Chester ordenar a carga e o tropel deflagrar sobre mim. Depois de ela se vir, pu-la de quatro para algumas investidas selváticas caninas, momento em que deixamos o bárbaro primitivo regressar a nós. Mas foi só depois de ela ficar deitada de costas, com as pernas por cima dos meus ombros e de mais algumas estocadas bem mandadas que consegui por fim também chegar à pequena morte e desfalecer afundado nela.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Luxemburgo versus Bommeleeër (Bombista)

Limpar o pó debaixo do tapete

A expressão pertence a um dos deputados luxemburgueses, reagindo em catadupa face às últimas (r)evoluções que conheceu o caso Bommeleeër , na semana passada.

Depois de dissipado o rumor que envolvia um dos membros da família grã-ducal nos atentados bombistas, os investigadores voltaram a interessar-se por uma das velhas teorias – a do insider [fonte interna, neste caso, "causa interna"]. Dois polícias são agora os principais suspeitos, revelava na semana passada o Procurador de Estado, que já se insurgiu várias vezes contra as negligências cometidas pela polícia ao longo da investigação. A defesa tomada em favor dos dois suspeitos pelo director-geral da Polícia, Pierre Reuland, valeu-lhe uma reprimenda por parte de Luc Frieden. Desconfortável na sua posição de ministro da Justiça e da Defesa (abrangendo esta última o Exército e a Polícia), Frieden sancionou Reuland, admoestando-o a não mais se pronunciar sobre o dossiê. Desconfortável porque Frieden sente que poderá perder a gestão das duas pastas se deixar intensificar o braço-de-ferro entre a polícia e o sistema judicial.

Depois de alguns lamentáveis episódios (tentativas de evasão, suicídios, etc) na prisão de Schrassig, Frieden não pode deixar que mais um dossiê manche o seu mandato.

As investigações sobre os atentados apontam cada vez mais para um ou mais bombistas saídos efectivamente das fileiras da polícia, que conheciam bem as idas e vindas das forças da ordem e os locais que não estavam sob vigilância policial, tendo assim a oportunidade de cometerem 19 atentados sem serem incomodados. Além disso, uma arma pertencente a um polícia havia sido encontrada num dos locais dos atentados, pormenor que, estranhamente, nem sequer constara, até recentemente, no dossiê. Entre outros esquecimentos e desleixos (intencionais?).

A questão é: quem beneficiou com os erros e negligências cometidos durante a investigação? Não é estranho que nem as colaborações do FBI e da polícia científica alemã tenham ajudado na investigação?

Se não for resolvido este espinhoso e opaco caso, em que dominou a falta de transparência voluntária ou involuntária por parte dos investigadores ao longo de mais de duas décadas, quem mais perde é, sem dúvida, o ministro Frieden. Muito mais do qualquer outro responsável da pasta antes dele. A própria polícia e justiça luxemburguesas ficarão profundamente desacreditadas. Se não o estão já! É que a população diz à boca fechada que os verdadeiros culpados nunca serão capturados, mesmo se todos sentem que nunca se esteve tão próximo do desenlace. O mesmo povo que cicia a meia-voz que a brigada encarregada de conduzir as investigações e que fora criada há pouco tempo na altura dos acontecimentos tinha dificuldades em canalizar verbas e efectivos para o seu serviço, reivindicações que foram largamente atendidas após o início dos atentados.

Nesta verdadeira crise de duas das mais importantes instituições luxemburguesas, só a verdade pode evitar que caia "a Gëlle Fra e o Palácio Grão-Ducal" (adaptação livre da expressão portuguesa o "Carmo e a Trindade"). Apenas a verdade, confortavelmente varrida para debaixo do tapete, acabará com os rumores. Mesmo que depois provoque algumas errupções cutâneas ou alergias colectivas.

José Luís Correia (in Contacto, 05.12.07)