sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
-
cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Ministra da Família luxemburguesa admite alterar legislação sobre a adopção

A adopção volta a ser tema polémico no Parlamento. A discussão foi despoletada pela condenação do Estado luxemburguês no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, após o Luxemburgo ter recusado reconhecer a adopção de uma criança peruana por uma mãe luxemburguesa celibatária.

Aquestão da adopção foi uma das que mais apaixonou os debates na última sessão da Câmara dos Deputados, antes da pausa de Verão, a 12 de Julho.

O assunto volta a ser actualidade na sequência da condenação do Estado luxemburguês, num acórdão de 28 de Junho do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH), que condena o Grão-Ducado por este ter recusado reconhecer a adopção de uma criança peruana com o argumento de que a mãe luxemburguesa não era casada (ver nossa edição de 4 de Julho, pág. 5).

Os debates ficaram ainda mais "empolados" quando os deputados ligaram a questão à da adopção de crianças por casais do mesmo sexo. O assunto surgiu na sequência de o primeiro-ministro, Jean-Claude Juncker (do partido cristão-social), ter declarado, durante o encontro com a imprensa, a 6 de Julho, que não se opunha ao casamento civil para casais homossexuais, embora devesse ainda reflectir quanto à adopção de crianças por parte destes (ver nossa edição de 11 de Julho, pág. 3).

Na sua intervenção no Parlamento, na quinta-feira à tarde, o deputado socialista (LSAP) Marc Angel quis conhecer a posição actual do Governo cristão-social/socialista sobre a questão.

Para Angel, "nem o estado civil nem a orientação sexual deveriam ser critérios em matéria de adopção". Recordou, no entanto, que "há países que reconhecem o casamento homossexual sem terem dado o passo de reconhecer a adopção de crianças por casais homossexuais".

Na sua resposta, o ministro da Justiça, Luc Frieden (CSV), presente aquando do debate parlamentar, começou por afirmar que não se pode dizer que a lei luxemburguesa não respeita os direitos humanos e os direitos da criança. "A lei luxemburguesa, contrariamente ao que foi anunciado na imprensa, não foi posta em causa com a condenação do TEDH", frisou. Frieden chegou mesmo a admitir que uma pessoa celibatária tem as mesmas capacidades para adoptar uma criança que um casal.



OPTAR PELA
"ADOPÇÃO ÚNICA"

Também presente nesse dia, a ministra da Família, Marie-Josée Jacobs (dos cristãos-sociais do CSV), recordou que a legislação luxemburguesa na matéria foi elaborada baseando-se na Convenção sobre os Direitos da Criança e na Convenção de Haia relativa à Protecção das Crianças e à Cooperação em matéria de Adopção Internacional, assegurando ainda que estas são aplicadas nos cinco centros de adopção existentes no país.

Não obstante, a ministra reconhece que é preciso reflectir sobre eventuais alterações a introduzir na lei luxemburguesa. A ministra aventou a possibilidade de o Luxemburgo vir a optar por uma "adopção única", substituindo a actual legislação que prevê dois tipos de adopção (* ver caixilho em anexo).

Frieden , por seu lado, quis recolocar a discussão da adopção por parte de pessoas do mesmo sexo no seu contexto. O primeiro-ministro "pronunciou-se a favor da erradicação da discriminação contra os homossexuais, mas não disse que era a favor da adopção de crianças por casais do mesmo sexo", recordou.

O deputado Xavier Bettel, do Partido Democrático (DP), apresentou uma resolução onde pedia à Câmara dos Deputados que o reconhecimento do casamento civil homossexual fosse discutido no seio das comissões jurídica e da família. Bettel solicitou ainda que o Parlamento propusesse uma solução legal concreta para abrir a possibilidade do casamento civil aos casais homossexuais. Sem dissimular a sua impaciência, Bettel recordou que já aquando da votação da lei sobre o partenariado ("uniões de facto"), em 2004, o Parlamento luxemburguês adiara a discussão sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O deputado liberal disse não querer que o assunto fique novamente votado às "calendas gregas".

A moção de Bettel foi chumbada por 38 votos contra 22.

A ministra Jacobs deixou, no entanto, entender que a questão da adopção por casais homossexuais será discutida nas duas comissões por ocasião da discussão sobre uma eventual alteração da lei luxemburguesa em matéria de adopção.

Jacobs mostrou-se aberta a discutir a questão da adopção por pessoas solteiras e mesmo pelos casais homossexuais, embora antes de avançar para propostas concretas fosse necessário, disse, um consenso no seio do Governo. "As duas questões serão discutidas. Mas sem cedermos à pressão mediática. Vamos apenas pensar no interesse da criança!", fez questão de frisar.

Numa moção em que apela igualmente à luta constante contra a discriminação dos homossexuais, também o deputado luso-descendente dos Verdes ("Déi Gréng"), Félix Braz, considera que após as declarações de Juncker, "feitas num contexto oficial", o Governo deve assumir as suas responsabilidades e "clarificar, o mais rapidamente possível, a sua posição quanto ao casamento civil homossexual". Braz emitiu, também ele, o desejo de ver a questão discutida nas primeiras sessões da próxima rentrée parlamentar.

Segundo estipula a Constituição luxemburguesa, a rentrée parlamentar efectua-se na segunda terça-feira do mês de Outubro. Este ano, a data retida é dia 9 desse mês. Mais desenvolvimentos depois do Verão.

José Luís Correia (in Contacto, 18.07.07)

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Crítica de filme

Documentário "Plein d'Essence", de Geneviève Mersch

É para atestar, se faz favor!

Mais de 200 milhões de litros de combustível vendidos anualmente, 800 mil litros por dia, 24 bombas de abastecimento para camiões, 27 para automóveis, 74 lugares de estacionamento para pesados, 168 para ligeiros, 70 casas de banho e urinóis! Números que fazem da estação de serviço Shell em Berchem (auto-estrada A3), uma das maiores ou mesmo a maior do mundo. Números que impressionam, mas escondem outra(s) realidade(s). Uma estação de serviço por onde passam mais de cinco milhões de clientes por ano (estação Aral incluída), tem certamente uma dimensão humana, apesar do cheiro omnipresente e nauseabundo a carburante, do aspecto industrial, das bombas verticais, da horizontalidade dos veículos longos que a ela afluem 24 horas por dia, 364 dias por ano. E no meio... correm pessoas. Donde vêm, para onde vão, o que as trouxe aqui, a este canto de Luxemburgo, por um curto instante, tão pequeno quanto a rápida e breve incursão na auto-estrada que as leva de fronteira a fronteira?

"Vim comprar tabaco e gasolina, aqui é mais barato! Como se chama o país? Sei lá, só sei que aqui é mais barato!", lança um idoso num francês de pronúncia belga, com sacos de plástico cheios de embalagens de tabaco nas duas mãos.

Foram momentos destes que a realizadora luxemburguesa Geneviève Mersch quis captar no seu documentário "Plein d'essence". Deixou por isso os números astronómicos de lado, reduziu os mastodontes à escala humana e pôs-se a interpelar quem por ali transitava.

Em 26 dias (e noites) de filmagens ao longo de 15 meses falou com dezenas de fronteiriços, automobilistas, camionistas, caravaneiros, excursionistas, veraneantes de todas as nacionalidades, trabalhadores da Aral e da Shell, e viu todas as estações do ano passarem pela estação, chegando até a passar lá um Natal. Uma passagem que constitui um dos momentos mais comoventes do filme. Quem passa um Natal numa bomba de gasolina?

"Como reconhecer um camionista?" foi outra das questões existenciais para as quais a realizadora obteve resposta. Hoje é peremptória: "Os clichés existem, mas por vezes as aparências enganam. Há camionistas com tatuagens e cara de pouco amigos, mas depois são pessoas com quem tive conversas muito interessantes", conta. À realizadora, estes queixam-se das condições de trabalho. "Isto já não é o que era, com as deslocalizações ainda é pior!", resmungam. Não visitam países, vêem estrada e alcatrão, pouco mais. Falam das longas viagens, sempre a sós, longe das famílias, apenas com um gato ou um cão como companheiros. Os que nem isso têm, optam por pósteres de curvilíneas, siliconadas e mais-que-perfeitas manequins marotas em trajes menores para decorar as paredes da cabina do camião. Melhor que nada, sempre servem de companhia.

"É um filme de retratos", diz Mersch, "e não um documentário jornalístico, nem um filme de publicidade para as estações de serviço", faz questão de frisar. A partir de uma ideia que teve há dez anos, recuperada este ano no âmbito do Luxemburgo 2007 - Capital Europeia da Cultura, esta produção com o selo da Samsa Film estreia a 6 de Julho.

José Luís Correia (in Contacto, o4.07.07)

sábado, 12 de maio de 2007

MISSING Madeleine McCann AGED 3-PLEASE FORWARD TO EVERYONE


Uma menina britânica de três anos desapareceu dia 3 de Maio de um complexo turístico na praia da Luz em Lagos, Algarve, enquanto dormia - juntamente com dois irmãos gémeos, de dois anos - e os pais jantavam fora com amigos. Se tiver informações, contacte a Policia da sua zona.

Madeleine, verzweifelt gesucht Die Dreijährige wurde aus einem Hotelzimmer in Portugal entführt

Three year old British girl, Madeleine McCann, disappeared from the resort that her Madeleine McCann 2family was staying in Praia da Luz, Portugal, May 3. Police have initially speculated that she was abducted by a pedophile. Time is of the essence and the clock is running to save this child from a sexual predator. If you have informations, please call the police of your local area.

Une fillette anglaise, Madeleine McCann, de 3 ans, a été kidnappée de sa chambre, dans un hotel de la Praia da Luz, en Algarve (Portugal), le 3 mai, pendant que ses parents dînaient au restaurant. La fillette aurait été vu en Espagne dans une voiture avec deux hommes et une femme. Si vous des informations, contactez la police de votre région.

Una nina britanica Madeleine McCann (3 años) desapareció el 3 Mayo de un complejo turístico de la región del Algarve.

Bimba inglese scomparsa in Portogallo

Drie jaar oud Brits meisje, Madeleine Mccann, verdwenen van een hotel in Algarve, Portugal, Mag 3. Als jullie hebben informaties, gelieve te oproep de politie van uw indigeen gebied.

Trzyletnia Madeleine McCann została porwana z hotelowego łóżka. Rodzicie dziewczynki jedli w tym czasie kolację w pobliskiej restauracji - poinformowała portugalska policja. Brytyjczycy spędzali urlop w nadmorskim kurorcie.

Britský podnikateľ ponúkol milión libier za informáciu, ktorá pomôže pri nájdení trojročného anglického dievčatka, ktoré zmizlo počas rodinnej dovolenky v Portugalsku. Portugalská polícia prerušila prehľadávanie okolia letoviska Algarve, kde Madeleine McCannová zmizla pred viac ako týždňom, a zamerala sa na ďalšie stopy.

Три лет британская девушка, Madeleine Mccann, исчезнула из гостиницы в Algarve, Португалии, мая 3. Если вы имеете информацию, пожалуйста назовите полицию вашей местной области.

ثلاث السنة بريطاني كبيرة في السن البنت, McCann Madeleine, اختفوا من فندق ( في Algarve رجاء دعا الشرطة منطقتك المحلية لو لديك معلومات).

三岁英国的女孩,玛德琳McCann,从Algarve中的一家旅馆消失,葡萄牙,五月3日。如果你有信息,请打电话给你的当地的区域的警察。

영국 3 살의 소녀 (마드렌 McCann )는 Algarve, 포르투갈, 5월 3일 안에 호텔로부터 자취를 감췄다. 만일 당신이 정보를 가지고 있으면, 당신의 지방의 지역의 경찰을 불러 주세요.

בן שלוש שנים, ילדה בריטית, מדלין מככאן, נעלמו ממלון באלגארו, פורטוגל, מאי 3. אם יש לך מידעים, נא להתקשר למשטרה מהתחום המקומי שלך.

Üç tane yıl eski İngiliz kız,, mayıs 3 Portekiz Algarve içindeki bir otelden gözden kayboldu Senin bilgilerin varsa, senin yerel polis alanın çağır.

3歳の英国の少女、マドレーン・マッカン、が5月3日、 Algarve 、ポルトガル、のホテルから姿を消しました。 もしあなたが informations を持っているなら、どうかあなたのローカルなエリアの警察に電話をしてください。

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Les Bienveillantes - Jonathan Littel

Et pourtant, Emilie Besse (sur iTélé en Novembre 2006), Jonathan a gagné le Prix Goncourt!

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Luxemburgo, país-fantasma depois das 18h?

À noite, nem todos os gatos são pardos!

É muito comum ouvir-se dizer que não há vida nocturna nem verdadeiro pulsar cultural no Grão-Ducado. Mas como quase todas as ideias preconcebidas, a constatação parte de uma leitura demasiado superficial da realidade ou da falta de um bom guia.

Não se pode comparar a vida artística e nocturna da cidade do Luxemburgo à de outras capitais europeias, como Paris, Londres ou mesmo Bruxelas, mas, condicionado à dimensão geográfica, o Luxemburgo vai fazendo esforços proporcionais.

A capital europeia da cultura, título que o Luxemburgo recebeu pela primeira vez em 1995, ajudou muito para esse despertar da oferta cultural e nocturna. Em 2007, a cidade volta a assumir esse papel, alargando-o à Grande Região, querendo-se agora sobretudo desmistificador do rumor de que o Grão-Ducado é um deserto cultural, uma praça financeira com torres de vidro e betão, que morre depois das 18h, um país-fantasma.

Mas todo o borbulhar de ideias, eventos culturais, novos artistas, espaços de lazer e vida nocturna só existe verdadeiramente quando é devidamente divulgado.

OS PIONEIROS

Foi a pensar nisso que nasceu em 1997 um projecto inovador, a revista "Nightlife.lu", das "Mike Koedinger Editions" (mke), e, na mesma senda, em 2000, o site "alex.lu" (ainda hoje activo em www.alex.lu ), que começaram por fazer as primeiras foto-reportagens da vida nocturna luxemburguesa. Enquanto o portal do Alex, graças a uma equipa dinâmica e ao boca-a-boca, se tornava o melhor retrato da "noitadas" no Grão-Ducado, a revista "Nightlife.lu" passou a ser "o" guia obrigatório da noite para o público jovem.

Foi nesta onda e num formato mais abrangente do que o alex.lu que o site bomdia.lu, inaugurado a 10 de Junho de 2001, veio responder a essa necessidade de divulgação na internet da vida nocturna, espectáculos, bailes, eventos e cultura no seio da comunidade portuguesa.

Em Outubro de 2001, também a televisão TangoTV (depois TTV) se lançou na divulgação da "noite" com o programa "Clubbing", apresentado pela carismática Jacky Monteiro (hoje na rádio DNR), emissão que durou até 2004. Um ano mais tarde, é a vez de o programa de televisão "WonnerBar", do não menos famoso Dan Vinkowski, se interessar pelos eventos da vida nocturna. O programa estreou no canal dok em 2005, foi transferido alguns meses mais tarde para a TTV, onde o último programa foi difundido no Verão de 2006.

Mas já em 1999, na sua edição de Dezembro, a "Nighlife.lu" revelava que o pioneiro nestas andanças teria sido o enigmático "X-Non-Magazine", de Gino Ricca, um fanzine que existia desde 1984, distribuído em círculo restrito, "underground" e com periodicidade irregular.

Com o passar do tempo, a "Nightlife.lu" evoluiu para uma revista de corpo inteiro sobre tendências e actualidades, a "Nico" (em 2003), dotando-se de um grafismo arrojado, comparável ao que de melhor se faz no estrangeiro. Com a transformação em Novembro último da "Nico", de publicação mensal em semestral (a última edição saiu em Abril de 2007), a equipa de Mike Koedinger passou a ocupar-se da revista mensal "Rendez-Vous", editada pela autarquia da cidade do Luxemburgo.

Entretanto, já outros estão a tentar ocupar o lugar deixado vago no mundo da divulgação de eventos ligados à cultura, arte, moda e vida nocturna no Grão-Ducado.

Novos guias
dA CULTURA E DA NOITE

Exibindo como subtítulo "agenda cultural do Luxemburgo e da Grande Região", a última em data apareceu em Novembro de 2006 e responde pelo nome de "Artscene" (nada a ver com o bar do mesmo nome!). Publicada em língua francesa, com edição mensal e preço de capa de dois euros, a nova revista tem formato de bolso (A5). Vocacionada prioritariamente para a divulgação das artes cénicas, a revista não se deixa acantonar em rótulos e alarga-se à vida artística no Luxemburgo num plano mais geral. Assim, além de tratar dos concertos, peças de teatro, ópera, dança, café-teatro, filmes e exposições em exibição no país, inclui ainda uma secção dedicada às "noitadas" e às melhores moradas de restaurantes, bares e discotecas.

Editada pela edições "Euro-Editions", a "Artscene" tem uma tiragem de 10 mil exemplares.

Recorde-se que esta mesma editora tentara já em 2004 lançar uma revista de lifestyle . Contando com um responsável português à frente do projecto (Paulo Simões) e o sugestivo título de "Spoon" (colher), a revista (também em formato A5) terminou após poucas "colheradas" (uma dezena de edições!).

Uma outra aposta editorial , que foi dada a lume em Junho de 2006, é um jornal em língua inglesa que se dirige preferencialmente aos incondicionais da música. Com o irreverente título de "Up Front", o mensário pretende ser "o guia de orientação musical para o Luxemburgo e a Grande Região", como anuncia em primeira página.

Publicado pela "Clearbay Ltd" e distribuído gratuitamente, o jornal divide-se em várias secções que vão muito para além da música e respondem assim à procura de informação cultural da vasta comunidade anglófona: música e vida nocturna; arte e cultura; entrevista e palco; mente, corpo e alma; livros e filmes; 18-24; crianças; e desporto.

Existe ainda a revista mensal "Nightlife-Mag", que vai já na sua 22a edição e que aborda temas como novidades da tecnologia, automóveis, moda, cinema, desportos radicais, mas também notícias da música, clubbing e bares no Luxemburgo. Editado pela "Nightlife Belux", a revista tem formato A4 e é a edição luxemburguesa da revista francesa "Nightlife Metz", com assuntos e temas adaptados ao Luxemburgo.

Ponto comum entre todas estas publicações: podem ser encontradas, quase sempre gratuitamente, nos teatros, museus, galerias de arte, salas de espectáculo, bem como em pontos comerciais habituais onde param os jovens, desde salões de cabeleireiros na moda, a lojas de roupa, cafés, bares ou discotecas.

Na televisão, as emissões de Jacky Monteiro e Dan Vinkowski esperam um digno sucessor.

Na internet, portais sobre a "noite" como luxembourgnightlife.com party.lu ou winter-clubbing.lu , entre outros, encontram-se mais ou menos activos.

Até os representantes de uma cultura mais tradicional perceberam esta tendência e lançaram no Luxemburgo a Noite dos Museus em 2001, que tem desde então granjeado um sucesso crescente. O recém-chegado Museu de Arte Moderna (Mudam), no Kirchberg, resolveu mesmo "semanalizar" esse hábito e propor visitas nocturnas gratuitas às quartas-feiras, entre as 18 e as 20h.

Balanço da nossa deambulação nocturna: a vida cultural e artística está a florescer no Luxemburgo, foram feitas apostas nesse sentido com a edificação de novos "templos" – Sala Filarmónica, Centro Cultural-Abadia de Neumünster, Museu de Arte Moderna, Rockhal, Rotondes, etc. –, abriram novas galerias de arte, os bares e discotecas descentralizaram-se e multiplicam as "noites brancas", diversificam-se, apostam em música ao vivo, concertos, showcases , o bairro do Grund está a tornar-se o refúgio predilecto dos artistas, os eventos e happenings sucedem-se, a fauna nocturna está cada vez mais animada. É só preciso saber encontrar o "mapa" certo para aquilo que se procura!

José Luís Correia (in Contacto, 09.05.07)

terça-feira, 8 de maio de 2007

Radioscopia prévia da Era Sarkozy 2007-2012

Como vai evoluir a França até 2012, durante o Sarkozismo? Talvez o pequeno estadista apesar da sua estatura franzina incarne, com a sua personalidade pretensiosa, o salvador da nação para muitos franceses, talvez seja a pessoa certa para redinamizar a economia, revalorizar o trabalho, recentrar o país nos eixos, limpar a escumalha, voltar a dar orgulho à nação.
Permitam-me que duvide!

Sarko/Bush – as duas nádegas de um mesmo cu

Já ouvi este discurso populista e a descair perigosamente para o nacionalismo antes! Também plebiscitado democraticamente. Em Fevereiro de 1933 e em Novembro de 2000! O primeiro com as consequências que se conhecem. O segundo, actualmente, em plena fase de esfusiante expansão.
Se nos detivermos apenas no segundo exemplo, o que mudou desde o “golpe de estado” de Bush em 2000 (considero que mesmo se foi eleito e não re-eleito em 2004, ninguém pode ser candidato a um posto que ocupou ilegitimamente!)?

- Duas guerras (Afeganistão e Iraque), três (Israel-Líbano), se considerarmos que Telavive se sentiu suficientemente caucionado e protegido pelos EUA (a patrulhar na zona) para desencadear, no Verão de 2006, uma guerra em cima daquele barril de pólvora que é o Médio Oriente. Teme-se uma quarta guerra. Com o Irão. Espera-se que não aconteça uma nova invasão “à baía dos porcos”, e que o “homem do bretzel” se consiga controlar até às eleições presidenciais norte-americanas de 4 de Novembro de 2008.

- Dois novos muros da vergonha: um a Norte de Israel, logo imitado (ou terá sido o contrário?) pelo muro na fronteira sul dos EUA com o México. Temo que estes belos exemplos de intolerância e ultrasecuritarismo não serão certamente fomentadores de paz, muito pelo contrário.

- Uma 2ª Guerra Fria? – Os EUA insistem em montar na Polónia e na República Checa um escudo anti-mísseis, argumentando querer proteger-a si a aos países-amigos, contra a ameaça nuclear iraniana. A Rússia não quer ouvir falar em misseis americanos tão perto de Moscovo e avisou que se Washington não voltar atrás nesta decisão, retira-se do tratado de não-proliferação de armas nucleares. Esperam-nos umaa nova escalada nuclear?

- Intensificação do radicalismo islâmico que se considera o único contra-peso à potência mundial dos EUA

E Sarkozy subscreve toda esta linha política de Bush, como bem o fez perceber no seu discurso após o anunciar do resultado das eleições de domingo. Deu o sinal a Washington que a “Era Chirac” terminou. Bush pode contar com um novo aliado deste lado do Atlântico. E em demonstrações de força e deslizes políticos a cópia não fica nada a dever ao original.
Bush foi protagonista do maior número (131) de execuções na cadeira eléctrica ou por injeção letal enquanto foi governador (1985-2000) do Texas (o estado-campeão nas execuções), tendo apenas diferido um caso em 15 anos (em plena pré-campanha eleitoral para as presidenciais de 2000).
Durante a sua passagem no Ministério do Interior, Sarkozy incentivou as forças policiais a serem mais “firmes e convincentes” na ordem pública, com as consequências e derrapagens que se conhecem. E a recorrer sem pejo às administrações e serviços pagos pelo erário público para uso pessoal, como o episódio em que pediu análises de ADN para apanhar o larápio que furtara a lambreta ao filho. Ou a influência subreptícia de que usou para que a imprensa regional e o habitualmente independente Canal + não promovessem o debate Royal-Bayrou, depois da primeira volta das presidenciais francesas.

O pequeno príncipe


Apesar de se dizer próximo do francês médio do povo, tudo na sua atitude, ascendência e descendência indicam exactamente o contrário. Além de neto e bisneto de governadores de província húngaros de família nobre (lado paterno) e de judeus gregos de Salónica (do lado materno), Sarkozy cresceu e foi criado em Neuilly-sur-Seine, os arredores chiques parisienses. Um dos irmãos é um patrão poderoso do sector têxtil em França e ex-patrão do MEDEF (organização patronal mais forte de França) e dois dos seus meios-irmãos são banqueiros influentes em Nova Iorque.
Ninguém escolhe a família, admito, mas os gostos burgueses estão bem enraizados no “petit Nicolas”. Depois de anunciada a sua vitória nas presidenciais de domingo, passou a noite, com a esposa, no Hotel Fouquet’s (uma noite custa entre 1.500 e 2.590 euros) e na segunda-feira partiu para umas mini-férias milionárias a bordo de um iate ao largo de Malta, para “descansar da campanha eleitoral”. Um iate de um amigo seu, magnata dos media. Não só estas "férias" deixam um sabor amargo ao operário que votou para ele e que ganha, esse, pouco mais do que o salário mínimo francês (+- 1200 euros), como revela uma densa teia de relações de clientela entre o futuro presidente e os maiores empresários de França.
Quando, nas decisões, o prato da balança tiver que pesar entre trabalhadores e patronato, não há dúvidas para que lado Sarkozy fará força. E aí servirá o velho argumento ultraliberalista que tudo é feito para relançar a economia, mesmo que haja "baixas" pelo caminho. "Tudo pela França, nada contra os franceses", onde é que já ouvi algo parecido?

O clash em Maio de 2008?

A mim, assustam-me os antecedentes de Sarkozy e como este começou o seu reino, ainda antes de ser entronizado, o que deverá acontecer dia 16 de Maio. Ainda mais depois de este ter declarado na Radio France Inter, a 29 de Abril - dias antes da segunda ida às urnas, o que mostra que Sarkozy estava certo de vencer e já não tinha nada a ocultar – que repudiava os “herdeiros do Maio de 68”, que acusou de terem destruído “os valores e a hierarquia”.
O que me faz prognosticar que mesmo que o novo presidente engane a plebe com “pão e circo”, egalanando-se nos primeiros meses de mandato, podendo mesmo vir a vencer a eleições legislativas de Junho, o “clash” com a França-país real (ou “la France d’en bas”, como dizem os franceses) se dará o mais tardar em Maio de 2008. É que as festividades do 40° aniversário prometem ser, no mínimo, controversas. E o povo é quem mais ordena!
Em França, sempre que a geração nascida do “baby-boom” (a maioria, portanto!) se convulsionou, a sociedade revolucionou-se: em Maio de 1968, com estudantes e jovens operários; e nos anos 80, com as mulheres a reivindicarem e a conquistarem o mundo do trabalho monopolizado até então pelos homens.
Hoje, essa geração está a chegar ao “papy-boom”. Foi essa geração que, emburguesada e desabusada dos velhos ideais, se chegou à direita e elegeu Sarkozy. Mas acordará a tempo para dar um novo safanão na França, se Sarkozy derrapar? Ou terão que ser os filhos da geração de Maio de 68 a pegar no testemunho, como mostraram que o sabem fazer quando foi das manifestações anti CPE*?
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*CPE, Contrato Primeiro Emprego - projecto-lei proposto pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin (o mesmo governo de que fazia parte Sarkozy), em 2006, e que precarizava ainda mais o emprego jovem. O CPE destinava-se a jovens com menos de 26 anos e como o seu nome não indica, podia ser aplicado mesmo que não se tratasse do primeiro emprego do jovem. O CPE previa que depois de um período à experência, o patrão podia durante um período de dois anos despedir o jovem sem invocar quaisquer razões. Se nesse período o jovem se despedisse não poderia beneficiar do fundo de desemprego.

Caricaturas: "O amigo dos americanos", desenho de Bleibel, publicado no "Al Mustaqbal", Beirute; "Moi Napo, toi Jeanne", desenho de Pismestrovic, in site do "Courrier International".

quinta-feira, 3 de maio de 2007

perdido nos meandros da literatura e das viagens

As razões da minha ausência: literatura, viagens e a Primavera

O romance "Les Bienveillantes" de Jonathan Littell, Prémio Goncourt 2006 e tijolo de 900 páginas que levei seis meses a ler. Brevemente, deixarei as minhas imopressões sobre esta obra-prima da literatura mundial.



"Kölner Dom", catedral gótica (séc. XII/XIII) de Colónia

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Luxemburgueses discutem substituição da bandeira tricolor pelo estandarte com leão vermelho

Erupção cutânea ou sedativo?

Apesar da forte ades ão ao leão vermelho por parte da população autóctone e até da comunidade portuguesa, muitos são ainda aqueles que, nacionais ou não, se mostram dubitativos em relação à alteração de bandeira. Por consi derarem que o brasão e a bandeira devem ser dois emblemas bem distintos; ou por não desejarem que o país seja o único da UE a arvorar um brasão medieval como bandeira nacional, numa é poca em que se constrói a Europa das Nações.


Enquanto o primeiro-ministro luxemburguês qualifica a proposta de "simpática", não a considerando, no entanto, uma questão fundamental nem uma prioridade para o país, na recente Conferência Nacional para Estrangeiros alguns participantes mostraram preocupação, temendo que este "entusiasmo” derive de nacional para "nacionalista”.

Pareceu-me sobretudo intempestivo o facto de a proposta de Michel Wolter ter surgido apenas quatro meses depois d a exagerada "problemática das bandeiras", que tanta tinta fez correr nos jornais durante o últim o Campeonato Mundial de Futebol (Junho/Julho de 2006), e exactamente um mês após aapresentação do projecto-lei da dupla nacionalidade de Luc Frieden (4 de Setembro de 2006). Preocupa-me que a iniciativa, sob o argumento de um desejo de diferenciação com a bandeira holandesa, seja um a erupção cutânea de afirmação nacional. A não ser que se trate de uma acção concertada entre líderes do partido no poder para tranquilizar os autóctones de que, por mais que muitos temam que a lei de Frieden seja uma forma de "dar ao desbarato” a nacionalidade luxemburguesa, a nação continuará inteira e íntegra.

José Luís Correia (in Contacto, 02.05.07)


domingo, 29 de abril de 2007

Segundo António Costa, ministro da Administração Interna português:

Portugueses do Luxemburgo são "modelo de integração"

Os portugueses do Luxemburgo são um "modelo de integração", opinou o ministro da Administração Interna português, António Costa, durante um encontro com representantes da comunidade portuguesa.

"A integração dos portugueses na sociedade luxemburguesa é frequentemente citada no Conselho de Ministros da Justiça e Assuntos Internos como um modelo a seguir”, disse António Costa à cerca de meia centena de representantes da comunidade portuguesa presentes na recepção que teve lugar a 18 de Abril na residência da Embaixada, e à qual também assistiu o ministro da Justiça luxemburguês, Luc Frieden .

O ministro português adiantou que Luc Frieden , que conhece desde 1999, altura em que eram ambos titulares da pasta da Justiça, sempre lhe falou muito positivamente da comunidade portuguesa radicada no Luxemburgo.

"E eu ouvia isso com orgulho!", confiou António Costa.

"Encontrar-me com um português no Luxemburgo é como encontrar-me com um luxemburguês, tal é o grande número de portugueses que aqui residem. Estamos em Portugal ou no Luxemburgo? Portugal poderia sobreviver sem o Luxemburgo, já o Luxemburgo não poderia sobreviver sem Portugal. A nossa economia não funcionaria sem os portugueses", respondeu, por seu lado, o ministro luxemburguês.

Evocando a lei da dupla nacionalidade, que o Luxemburgo deverá votar no decurso do ano, Frieden explicou as razões e as vantagens que esta proporcionará à comunidade portuguesa, a mais numerosa do país, representando cerca de 15 % da população total e mais de 25 % da população activa.

"Os portugueses deram muito ao nosso país e nós também lhe queremos dar algo mais do que um bom nível de vida. Foi a pensar nisso que avançámos com o projecto-lei da dupla nacionalidade (n.d.R.: que permite aceder à nacionalidade luxemburguesa sem a perda da nacionalidade de origem), que foi concebido a pensar sobretudo nos portugueses", disse Frieden .

Para o ministro luxemburguês, "a dupla nacionalidade deve ser vista como uma ponte para a sociedade luxemburguesa, para a participação política e cívica".

Sobre a condição de residência (sete anos) para obtenção da naturalização como previsto no projecto-lei, o ministro da Justiça luxemburguês considera que "esta não afecta a maior parte dos portugueses que aqui estão há muito mais tempo”, explicou.

Durante o encontro, António Costa evocou igualmente a inauguração para breve das novas instalações do Consulado-Geral de Portugal em Merl, o lançamento do "Consulado Virtual" até ao final do ano, bem como o programa NetInvest, que visa apoiar o investimento directo em Portugal por empresários das comunidades portuguesas.

TODOS DIFERENTES, TODOS IGUAIS

Frieden revelou ainda que aproveitou a tarde desse dia para visitar com António Costa, no castelo de Clervaux, a exposição "The Family of Man".

A partir de uma ideia do fotógrafo americano de origem luxemburguesa, Edward Steichen, a mostra permanente junta fotografias enviadas dos quatro cantos do Mundo que retratam rostos de gente da grande família que é a Humanidade.

No encontro com representantes da comunidade portuguesa na residência da Embaixada, Frieden confiou que ao ver novamente com António Costa as obras reunidas por Steichen – que emigrou na primeira metade do século XX para os Estados Unidos, onde se tornou famoso a fotografar actrizes de cinema e individualidades da cultura e da política norte-americanas – , o interpelaram para o fenómeno dos migrantes.

"Na exposição, ficamos a perceber que somos todos mais parecidos do que poderíamos pensar à partida. Devemos por isso conseguir viver juntos. O modelo luxemburguês de integração da comunidade portuguesa deve servir de modelo para outros países com fortes comunidades imigrantes", considerou o ministro da Justiça luxemburguês, subscrevendo o que já dissera António Costa.

A incursão ao Norte do Grão-Ducado serviu também, segundo Frieden , para fazer descobrir a António Costa os encantos do Oesling, mais verde e viçoso do que a região da capital, onde costumam decorrer os conselhos europeus, e que o ministro português conhece bem.

Os dois ministros participaram nos dois dias seguintes, quinta e sexta-feira, no Conselho de Justiça e Assuntos Internos da União Europeia (JAI), que decorreu igualmente no Grão-Ducado.

José Luís Correia (in Contacto, 25.04.07)

domingo, 22 de abril de 2007

"Jeux Interdits" avec Brigitte Fossey et Georges Poujouley (1952)

Duas crianças, os olhos sinceros, os corpos entregues, comoventes, mas ausentes.
"Dá-me a mão..."
Um passeio, pela primeira vez, até à orla do bosque. O coração despido. Um beijo na face, um pouco a medo.
Fazer como os grandes.
"Essa coisa do amor é complicada. Dar um beijo é sempre assim?"
"Assim como? Molhado?...Sim!"
Voltaram à aldeia, tinham crescido pra aí meio-centímetro. Já são grandes agora. Aos oito anos, é importante.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Terra Naomi's "Say It's Possible"

É o que ando a ouvir. O âlbum (Island Records) sai a 11 de Junho. C'est ce que j'écoute en ce moment. L'album sort le 11 juin, avec le label Island Records.

terça-feira, 17 de abril de 2007

The Fray - How To Save A Life (Version #2)

Hoje não disparaste, salvaste-me a vida. Armaste o beijo, ameaçaste. Premiste o gatilho. O alvo à queima-roupa. O meu coração ardeu. (My Lili Song)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Quer mesmo, senhor primeiro-ministro?

O Governo luxemburguês anuncia que quer promover a inscrição dos não luxemburgueses nas listas eleitorais. Mas não adianta nada relativamente ao alargamento do prazo de inscrição para os não luxemburgueses que, recordo, continua a ser de um ano e meio (18 meses!) antes dos escrutínios.

Ou seja, os estrangeiros que desejem participar nas eleições europeias de Junho de 2009 devem inscrever-se até Dezembro de 2007!!! O que deixa, na prática, pouco mais de quatro meses de campanha ao Governo luxemburguês, se esta for lançada, na melhor das hipóteses, até Maio, a acrescer ao facto de nos dois meses de Verão os estrangeiros se ausentarem do país.

Será que até o cidadão estrangeiro mais bem informado, mais atento e interessado na "coisa política", sabe que já só tem até ao fim do ano para se inscrever?

Será que o Governo já boicotou o sucesso da campanha ao lançá-la tão tardiamente? Teremos direito depois ao habitual desfile dos políticos benevolentes, lamentando, lacrimosos, que tão poucos estrangeiros tenham aderido a tão generosa oferta?

E mesmo se Jean-Claude Juncker se diz a favor da "participação do maior número", mais uma vez "não bate a bota com a perdigota". O primeiro-ministro anuncia uma coisa, mas o Governo não mostra indícios de vontade de deixar os estrangeiros participarem nas eleições legislativas, como propuseram deputados socialistas e as juventudes partidárias socialistas e liberais.

As legislativas acontecem na mesma data das europeias, o que deveria ser a oportunidade ideal para colmatar a lacuna de democracia de que o país padece! Um país onde apenas 60% da população elege os membros do Parlamento.

José Luís Correia (in Contacto, 11.04.07)

quinta-feira, 22 de março de 2007

Ministério da Cultura luxemburguês
não apoia Salão do Livro e das Culturas

Insustentável incerteza de ler

Cresceu e já tem sete aninhos. Mas não se sabe ainda se sobreviverá!

Falamos do Salão do Livro e das Culturas que se realiza anualmente, desde 2001, no âmbito do Festival das Migrações, das Culturas e da Cidadania. Segundo o presidente da entidade organizadora, o Comité de Ligação das Associações de Estrangeiros (CLAE), Antoni Monserrat, é investido cada vez mais tempo e dinheiro no projecto.

Nesta edição, o Salão do Livro representa entre 15 a 18% do orçamento total do festival. Do Ministério da Cultura não chega nem um tostão para aquele que é considerado por muitos como o único certame do género do país. Monserrat põe em questão o futuro do salão e mesmo do festival.

Não obstante, o salãozinho tem aumentado, de ano para ano, em número de visitantes e participantes. Esta edição contou, por exemplo, com os recém-chegados stands romeno e croata, novas editoras e livrarias (como a "Libo", que trouxe livros portugueses) e mais representantes africanos. À semelhança do autor de banda desenhada congolês Serge Diantantu. Os escritores locais e vindos dos quatro continentes continuam a ser convidados e os autores da Primavera dos Poetas passam sempre pelo café do salão. Este ano, o destaque português foi para Rosa Alice Branco, que declamou poesia da sua autoria no domingo de manhã (ver também artigo na pág. 22)

Desta vez, a organização dotou-se também de mais meios, numa vontade de tornar o salão "menos frio" do que em anos anteriores, crítica recorrente dos que nem por isso deixam de acarinhar o certame. O esforço era visível nomeadamente no stand da Livraria "Altrimenti" que convidava o visitante a percorrer as estantes e a beber um café, folheando uma revista ou um livro italianos, confortavelmente recostado numa poltrona. Ou o stand português, que inovou com uma nova disposição dos escaparates, um cantinho convivial cheios de poufes e almofadas para os mais pequenos, e um espaço multimédia onde se podia escutar poesia.

Apesar disso, o salão do livro, bem como o stand português, acusavam uma menor afluência do público, que o festival em geral também sentiu.

Dois dos responsáveis do stand luso, Elsa Trindade e António Medeiros, confiavam que as vendas tinham ascendido em 2006 a mais de meio milhar de livros, enquanto que este ano se tinham vendido pouco mais de 300 livros. Os visitantes, esses, atingiram quase o milhar. Os livros infantis representam 20% das vendas e a literatura africana 10%. Os autores mais procurados continuam a ser nomes incontornáveis como Paulo Coelho, José Saramago e Margarida Rebelo Pinto. Depois de pagas as despesas, o grupo entrega todos os lucros à organização do festival. "Não queremos fazer dinheiro, o nosso intuito é divulgar a cultura portuguesa!", confiam. E não se queixam de falta de meios, mas de ideias para tornar o stand mais atractivo.

"O que faltou este ano, foram as pessoas!", desabafou Medeiros.

José Luís Correia, in Contacto, 21.03.2007Fotos: JLC/Paulo Lobo

quinta-feira, 1 de março de 2007

Fuga do Penitenciário de Schrassig

"Prison Break"

A verdadeira identidade do Superhomem parecia finalmente ter sido descoberta. Afinal, não era o Clark Kent! O novo homem de aço vivia muito mais perto: aqui mesmo, no Luxemburgo!

Era o que se podia pensar ouvindo a descrição que o ministro da Justiça, Luc Frieden, ainda visivelmente transtornado sob o efeito surpresa, fez da evasão de Nuka Kujtim, com tantos superlativos que apenas um ser com superpoderes podia ter escapado daquela prisão, voando por cima de muros de seis metros e vedações com arame farpado, subtraindo-se à atenção dos guardas e da vigilância das câmaras. O traficante de droga de origem albanesa teria seguido um treino militar especial no seu país, argumentou o ministro. Mesmo assim, seis metros! Mas se não é o Superhomem, terá o Nuka querido armar-se em Bubka e bater o recorde de salto à vara que este detém? Mas permanecia a pergunta: a vara, onde a teria adquirido? Na prisão? Encomendou-a por telemóvel? Comprou-a em troca de produtos ilícitos? Não, afinal, como todos sabemos, essas coisas não entram em Schrassig!

De lá só se sai... pela porta! É o que parece ter acontecido com Nuka, segundo adianta o "Quotidien", na edição de 24 de Fevereiro. Este teria aproveitado uma porta aberta e uma briga armada pelos outros detidos para se escapar.

Pela porta ou por cima do muro, as câmaras não filmaram a façanha? Estava muito nevoeiro nessa manhã? Talvez o recluso tenha inclusive consultado a meteorologia pelo telemóvel, antes de se evadir?

Esta fabulosa evasão, de fazer inveja aos reclusos da série "Prison Break", deixa muitas perguntas em aberto: porque respondeu o ministro tão atrapalhadamente aos jornalistas, sem estar devidamente preparado e informado de como ocorreu a fuga; porque razão as autoridades esperaram várias horas para transmitir os dados e a fotografia do fugitivo à imprensa, para que esta pudesse fazer seguir as informações para o público; para que servem câmaras de vigilância numa cidade, como defende Frieden, se as de Schrassig não serviram para evitar a evasão de um presumível perigoso criminoso? E porque razão o ministro não se exprime sobre o assunto há mais de uma semana?

Espera-se com suspense a sua intervenção nesta quarta-feira, diante da Comissão Jurídica do Parlamento, para mais alguns pormenores.

O deputado liberal Xavier Bettel chegou a sugerir a demissão de Frieden, "que é o que teria feito noutro país um ministro na sua situação", evocando assim as várias polémicas que o ministro da Justiça teve já de enfrentar em relação àquele centro penitenciário: o uso de telemóveis pelos presidiários, o tráfico de estupefacientes, os suicídios de detidos, entre outros.

Como estamos no Luxemburgo, o epílogo da grande evasão foi feliz... para as autoridades. O fugitivo foi apanhado depois de ter andado 15 horas a monte. Num país onde o sentido cívico de alguns extremosos cidadãos os leva a chamar a polícia por um carro mal estacionado à frente da porta de casa, como podia um recluso com cara de "bandido" escapar às atenções?

Ou seja, tudo está bem quando acaba bem. O Superhomem ainda é o Clark Kent e o Luxemburgo continua a ser aquilo que sempre foi.

José Luís Correia (in Contacto, 01.03.07)













No Luxemburgo, estes gajos não tinham a mínima hipótese de escapar!

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Sex And The Matrix

Bom domingo, com este super episódio misto: "O Sexo e a Matriz".

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Mika - "Grace Kelly"

Only 23 years old and simply fabulous! He's the next big thing!

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Aborto no Luxemburgo

Lei luxemburguesa prevê coimas para mulheres mas realidade é diferente

No Luxemburgo, as mulheres que recorrem à interrupção voluntária da gravidez (IVG) são penalizadas com uma coima que pode ir de 251 a 2 mil euros, excepto nos casos definidos na lei ou em caso do que esta apelida de "apuro particular” ("détresse particulière").

Segundo a lei luxemburguesa de 15 de Novembro de 1978, que regulamenta a IVG, o aborto não é penalizado nas 12 primeiras semanas de gestação em casos muito específicos de "necessidade”, à semelhança da lei portuguesa. São consideradas neste caso a gravidez que ponha em risco a saúde física ou psíquica da mulher, quando existe o perigo de que a criança venha a sofrer de doença grave, malformações físicas ou alterações psíquicas importantes, ou quando a gravidez é consequência de uma violação. A legislação obriga um médico qualificado a atestar por escrito um destes casos.

Nestes casos, as mulheres que desejam recorrer à IVG devem, além disso, residir legalmente no país há pelo menos três meses, ter consultado, no prazo máximo de uma semana antes do aborto , um médico qualificado – que tem o dever de as informar dos riscos inerentes à intervenção – e dar o seu acordo por escrito à IVG. Quando se trate de menores ou quando as mulheres "não estão em estado de manifestar vontade própria”, a lei exige o acordo do seu representante legal.

Estes "critérios” não entram em linha de conta no caso de existir "perigo iminente para a vida da mulher”. Após as doze semanas, são necessários atestados assinados por dois médicos qualificados para justificar um aborto urgente.

Nestes casos, e dentro do quadro legal, o aborto no Luxemburgo é reembolsado pela Segurança Social.

Se o aborto for praticado fora do quadro legal, os autores arriscam-se a uma pena de prisão que pode ir de dois a cinco anos e a uma coima entre 251 e 25 mil euros. Se os meios utilizados conduzirem à morte da mulher, os autores que os tiverem administrado podem ser condenados a uma pena de 10 a 15 anos de prisão, caso a mulher tenha consentido no aborto , e a semelhante período de trabalhos forçados, se esta não tiver consentido no acto.

"Nenhum médico pode ser obrigado a praticar a IVG, excepto em caso de perigo iminente para a vida da mulher”, estipula a lei.

A associação "Planning Familial” recebeu 184 pedidos de IVG em 2005, não havendo dados disponíveis quanto às intervenções efectivamente praticadas.

"Por manifesta falta de vontade do Governo”, revela Danielle Igniti, presidente do "Planning Familial”.

"Os dados são dificilmente quantificáveis devido à exiguidade do país e já que muitas mulheres preferem recorrer à IVG em países vizinhos com uma legislação mais liberal na matéria, como por exemplo a Bélgica ou a Holanda. Não temos conhecimento de mulheres que tenham sido penalizadas por terem praticado um aborto . Não conhecemos casos e não existem números”, refere.

"O que o Planning Familial lamenta e gostaria de ver mudado”, acrescenta ainda, "é que a Segurança Social não reembolse as IVG feitas no estrangeiro”.

Em 2005, o "Planning Familial”, serviço que presta sobretudo aconselhamento sobre educação sexual, atendeu 619 portuguesas, o que representa 22,8 % do número total de consultas registadas nesse ano.

JLC/LME (in Contacto, 14.02.07)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Simbolos maçónicos na Igreja de Mersch?


A Igreja decanal São Miguel de Mersch tem uma estranha arquitectura franco-maçónica. Além das estranhas colunas dóricas do frontispício, tem outros aspectos mais intrigantes...


...um frontão triangular com um olho de Hórus (olho da Providência ou olho que vê tudo maçónico) dentro de um delta luminoso, uma frisa com rosas-cruz e rostos taurinos


um quadrante solar...



...e baixos e altos relevos com figuras humanas que substituem as típicas imagens cristãs.
.
Alguém me explica?

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

la promenade / der Spaziergang

"Un matin, l'envie me prenant de faire une promenade, je mis le chapeau sur la tête et, en courant, quittai le cabinet de travail (...) pour dévaler l'escalier et me précipiter dans la rue. (...) Le monde matinal qui s'étalait devant moi parut si beau que j'eus le sentiment de le voir pour la première fois. Tout ce que j'apercevais me donnait une agréable impression d'amabilité, de bonté et de jeunesse. J'oubliai vite qu'un moment encore auparavant (...) je ruminais des pensées lugubres devant une feuille de papier vide. La tristesse, la souffrance et toutes les idées pénibles avaient comme disparus (...). J'éprouvais une curiosité joyeuse pour tout ce qui allait bien pouvoir se trouver sur ma route ou la croiser. Mes pas étaient mesurés et tranquilles..."
-
"La promenade", Robert Walser, livre acheté aujourd'hui chez Alinéa, pour joindre le geste à la parole

la promenade / der Spaziergang II



Si Steinbeck avait raison et nous nous trouvons à l'est du paradis, alors allons vers l'ouest...



... vers Septfontaines



Septfontaines!



Septfontaines, hum!



le château de Septfontaines



les sept "fontaines" de Septfontaines



clarière dans la valée de la Eisch



la rivière Eisch

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Happy Valentine's Day­

(korean song) k.i.s.s. -
"여자 이니까" (Because I'm A Girl), 2002

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

farniente dilettante

Nos períodos de pausa laboral prolongada, quando giro eu próprio os meus dias, acontece-me sempre o mesmo. Divago pelas horas, afastando para mais tarde as tarefas por fazer e quando chega a noite digo Amanhã.
A manhã foi gorda, um expresso e um caffe latte e uma torrada de queijo. Consultei os meus mails, vi algumas notícias de jornais digitais, derivei até ao Youtube. Pus o limewire a descarregar música - 1 Giant Leap, Robbie Williams, Kiss (as coreanas) e Kiss (os nova-iorquinos), John Mayer, Dixie Chicks, Gwen Stefani, Morcheeba e um episódio da segunda época de “Lost”.
Um amigo telefonou-me durante duas horas para me contar com todos os pormenores todas as maneiras e acrobacias como tinha feito sexo ontem à tarde com um bomba latina. Uma colega de trabalho que lhe anda a dar cabo do juizo e da conta bancária. “Mas que boa que a gaja é, f..da-se!” retorque ele. E mais argumentos nem são necessários.
O almoço foi sopa de legumes frente a um zapping das sinteses noticiosas do dia. Um telefilme alemão piroso como sobremesa e um passeio até Junglinster. O que há em Junglinster? Um restaurante oriental onde reservei um jantar romântico amanhã à noite. O nome do lugar, “trois quarts”, evoca, segundo o que o proprietário me explicou um dia, o verdadeiro equilíbrio zen. Vamos lá a ver se ainda me lembro da coisa... A filosofia do yin e do yang pode ser exemplificada pelo princípio do copo com água pela metade. Os pessimistas afirmam que o copo está meio-vazio e os optimistas metade-cheio. O copo é basicamente simbolo da nossa vida. Para os que professam a prática dos “três quartos”, o verdadeiro equilíbrio de vida está em encher a vida a “três quartos” e não deixar os objectivos de vida pela metade.
Além disso, o restaurante tem serviço esmerado e simpático, pratos típicos e cuidados, atmosfera vermelha e quente. Espero que a menina que lá levo aprecie o lugar e se sinta inspirada. Em casa, vou deixar o incenso a arder, Barry White na platina, just in case i get lucky too...
Já fora da localidade, parei numa “trattatoria mediterranica” para comprar “Dolcezza di Rumia” (doce da Sicilia) e verdadeiro pesto genovese. Isto não é nada bom para a dieta que já comecei 44 vezes desde o início do ano. Lá se foram as boas resoluções. Cedo sempre com a íntima convicção que controlo as tentações, quando nada é mais falso, porque a maioria das vezes, deixo-me ir por automatismo. É onde está o drama e o perigo.
No regressso à capital, passo pela livraria portuguesa para comprar o “novo” Público, as edições de ontem e de hoje. Gosto da primeira página, da nova ordem dos suplementos, do novo grafismo. Mas nada de radical. Mudar aos pouquinhos para não afugentar os adictos e conquistar novos leitores.
Já repararam em como os novos formatos e designs dos jornais seguem a tendência da net: tudo a cores, grandes fotografias, algumas de página inteira, a jogar com mini-tags, mini-fotos, medalhões, caixilhos de todas as cores, mini-caixilhos como se fossem pop-ups que saltam da página a duas dimensões, mini-notícias, breves, mini-breves, vários tamanhos de caracteres, das garrafais à micro-legenda apelativa. Os jornais perceberam que têm que mostrar a sua vantagem em relação à grande teia global. Em vez de avançar com a notícia fria e despachada, esta vem acrescentada, apoiada, apendiciada com a mais-valia da opinião, da reflexão. Multiplicam-se assim, páginas fora, os “influenciadores”, homens e mulheres não-jornalistas, dos mais variados quadrantes e uns com mais a dizer e outros com nada a apresentar, a quem foi dada a palavra. Para fazer pensar, observar, interpretar, traduuzir, digerir as notícias. Os jornais assumem-se cada vez mais descomplexadamente como formadores (e influenciadores) do que como simples informadores. Tentam ir onde a net ainda não (?) vai...Vai? Mais uma vez os velhos do restelo insurgiram-se para nada. Much ado about nothing! A net não anuncia a morte da imprensa, como a televisão não matou a rádio. Vem encaixar-se no mecanismo de rodas dentadas da nossa sociedade de informação. Juntar-se a ela é mais inteligente do que tentar combatê-la. E os jornais (alguns) perceberam isso.
Com o livreiro falámos pela enésima vez dos jornais portugueses que chegam demasiado tarde a estas terras distantes e a preços “dopados”.
"Há cada vez menos gente que lê e que compra jornais", lamenta.
"Mas as pessoas continuam a ler na net!", garanto-lhe.
"Não me venha cá dizer que é a mesma coisa, homem! Um ecrã não se dobra debaixo do braço, não tem cheiro a tinta e papel. As mãos já não namoram com as páginas...", argumenta ele, para quem o facto de haver mais internautas a ler o "Diário Digital" só prejudica o volume de negócios.
"Vai ver", digo-lhe para o sossegar, "os jornais não acabam, cada vez que fecha um independente, nasce outro sol".
Mas é debalde, porque para ele, a livraria tem os dias contados e "isto já não é como era, isto já deu o que tinha a dar!"
Chego a casa, preparo um cappuccino numa grande chávena de faiança vermelha. Folheio os jornais. Leio mais um excerto de “Les Bienveillantes” Jonathan Littell, que demoro a terminar. Provo o doce italiano numa fatia de pão de nozes. O "Magazine Littéraire" traz um artigo interessante sobre a Elfriede Jelinek e outro soporífero sobre os estóicos. A jornalista aplica a teoria filosófica estóica dos incorporais à prática singular de surfar na net porque a primeira define o espaço do mundo e dos possíveis da segunda. A net, como rede em constante e perpétua construção, que pensamos dominar mas que sempre nos ultrapassa, só é perceptível através desta definição do vazio de um estóico como Crisipo.
Humpf...Barro mais uma fatia com doce e ponho-lhe uma fatia de queijo diétético em cima. Define this!...
Os textos que eu devia ter corrigido first thing in the morning ainda lá estão, em cima da secretária e agora estou demasiado cansado para me pôr todo dobrado a escrevinhar aquilo. Amanhã.
“Morgen, morgen, nur nicht heute, sagen alle faule Leute!” *
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*("Amanhã, amanhã, hoje não, é o que dizem todos os preguiçosos!", máxima alemã)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

os amantes / les amants

desenhar com os dedos

Gostava de escrever como quem pinta. Escrever os tampos das mesas em madeira, o negro e os círculos concêntricos dos seus nós, escrever os eflúvios adocicados dos croissants desta pastelaria, as línguas misturadas e as papilas seduzidas a estalar, os cafés com leite, os éclaires, o papel de parede a imitar parede (nunca percebi o propósito), as conversas das pessoas, daquela mãe com a filha, “limpa a boca, minha querida!”, as duas velhas cabis-baixas a resmungar contra os vizinhos e a vida, o casal que agora chega e partilha assim um pequeno-almoço romântico, a rapariga ao fundo do salão de chá na minha oposta diagonal, que nervosamente bebe um café fumante, cabelo castanho claro em rabo-de-cavalo, rosto oval, branco, pequeno, olhos irrequietos e claros, casaco preto, blusa de gola alta bordeaux, peito que tenta passar despercebido mas ofega. Morde os lábios. Corre os contornos da mesa com a mão. Os dedos finos, alvos, frágeis, hesitantes. Há no seu olhar um apelo, uma procura, uma súplica, um pedido de socorro, uma interrogação constante. É o que gosto de pensar, sempre que cruzo desconhecidas sozinhas.
Ela observa-me, como perguntando: “É para mim que estás a olhar?” E eu respondo do meu canto, sustentando o seu olhar, esboçando um sorriso. Agora reparou com certeza em mim. Sorri também, disfarçando. Bastou um sorriso meu? Sorvo o café com leite.
.
Uma amiga senta-se à sua frente. Sorrisos, abraços, conversam. Mas o seu olhar regressa sempre ao meu. Eu escrevo, ergo o olhar, voltar a mergulhar o rosto no caderno, e continuo escrevendo. Trago a chávena aos lábios e no movimento volto a fitá-la, ela repara, vê, não se mexe, apenas as pupilas tremem como se tivesse ouvido a minha ordem de guardar a posição, os lábios púrpuros semi-abertos e suspensos para a eternidade no gesto da minha mão, na trajectória da minha pupila. Uma bela desconhecida numa manhã de Inverno.
O pulóver de gola alta escolheu-o esta manhã porque estava frio e a chover. Porque prefere sentir-se confortável a sexy. Sobretudo num dia como estes. Frio. Nada previsto. Uma manhã vazia, como tantas outras. O seu único prazer é o olhar de um estranho, um olhar prescrutador sem ser intimidante e impúdico, o olhar silencioso de um indivíduo alto e tenebroso, que não tem nada de conquistador, antes de familiar e apaziguador. Um olhar estranho de um estranho. Lá estou eu a confundir desejo e realidade.
Ela levanta-se. Vem na minha direcção. O olhar fixo em mim. Vai abordar-me, dirigir-me a palavra? Vai falar comigo, sentar-se na minha mesa? Vai perguntar se nos conhecemos? Ou perguntar-em o que desejo e pedir-me para parar com os meus olhares indecentes? Devo levantar-me, cumprimentá-lo. Ela lê a interrogação no meu rosto e sorri ligeiramente. Passa por mim, a amiga segue-a, para as traseiras da pastelaria e entram na cozinha. Afinal trabalham aqui e a amiga é uma colega. Reaparecem alguns minutos depois com um avental verde. Ela arruma os pratos atrás do balcão, limpa o tampo do armário, conversa com as outras empregadas, serve alguns clientes. Um pão de centeio, seis papo-secos, uma broa e dois suspiros.
Não me esqueceu. Num passo ligeiro, em elipse, serpenteando como um rio que não quer desaguar no mar, aproxima-se. Deseja saber se, além do seu sorriso aberto e luminoso (é o que percebo, mesmo se ela não proferiu as palavras), desejo mais alguma coisa.
“Mais café?...”
“Heu...sim, pode ser, obrigado!”
Três minutos depois satisfaz-me o desejo. Pede licença para encontrar lugar para a xícara na mesa cheia de revistas abertas, jornais dobrados e cadernos atravessados, mil folhas.
“Cuidado, não quero entornar café nas suas notas. Parece importante...”
Miro-a, olhos nos olhos.
“...o que está a escrever!”, completa, apontando com o queixo para a mnha sebenta.
“Não estou a escrever!”, acho oportuno rectificar.
Pestaneja como quem olha melhor e reitera:
“Heu...não está a escrever?”, insiste, perante o óbvio.
“Não!... Estou a desenhar!”, explico.
O seu olhar perscruta os meus rascunhos, as minhas frases ascendentes e descendentes, as minhas letras ora redondas ora angulosas e hieróglíficas. Resolve não me corrigir (é perigoso contradizer os maluquinhos, devem ter-lhe ensinado e muito bem!)
“E já agora, pode saber-se... está a desenhar o quê?
“Você!”

domingo, 11 de fevereiro de 2007

o aborto não deve ser um simbolo da "libertação" das mulheres

"Que a liberdade de dar ou não nascimento a uma criança esteja inscrito na lei a partir de agora é evidentemente capital no plano simbólico. Mas esta liberdade jurídica continua a ser formal se a liberdade psicológica continuar a faltar. Vejamos o exemplo da Holanda: é um país onde existe uma lei mais liberal em matéria de aborto, e ao mesmo tempo o que regista a taxa de aborto mais baixa do mundo… Prova que os dois não são contraditórios.
Na França, em contrapartida, o número de IVG (n.d.T.: interrupção voluntária da gravidez) continua a ser anormalmente elevado (13 a 14 por mil mulheres em idade de procriar). Porque razão isso acontece? Porque não se diz suficientemente às mulheres que se trata também de uma prova física e moral. Enquanto a IVG permanecer para as mulheres um símbolo de 'libertação', submeter-se-ão a esta sem protestar, por mais desagradável que seja. E o mesmo acontece com a contracepção. Os produtos vendidos às mulheres para controlar a sua fecundidade são fabricados por multinacionais dirigidas por homens, que se preocupam muito mais com os lucros que lhes darão esses produtos do que com a libertação das mulheres. Enquanto isso não mudar, as feministas não poderão elogiar-se de ter conquistado o controlo da sua fecundidade."

- Yvonne Knibiehler (84 anos), historiadora francesa e feminista assumida, numa entrevista intitulada "O feminismo tem que repensar a maternidade", de Catherine Vincent, publicada no "Le Monde", p. 12, suplemento "Le Monde des Livres", edição de 09/02/2007

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

slideshow do encontro de bloggers

Obrigado ao talentoso Atryu que postou um slideshow no flickr com 84 fotos do Primeiro Encontro de Bloggers do Luxemburgo e Grande Região.

Web 2.0 ... A Máquina somos/utiliza- Nós


"Ao mesmo tempo que o poder das máquinas aumenta, a cultura geral e a imaginação humanas parecem pauperizar-se. Se esta equação se confirmar, o que será de nós amanhã, na era da inteligência artificial?"
- Ivan Briscoe, jornalista do Correio da Unesco (artigo de Dezembro 2000)


Para reflectir!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

antes de adormecer

basta olhar para ti, menina, para o coração falar sozinho. E só reparo que disse que te amava quando me respondes: "Eu também!" Por vezes, acho que nem digo nada e respondes na mesma. Outras, acho que nenhum de nós fala, mas ambos ouvem... os olhos, espelhos da alma, em conversa despregada.

Na boca não ?

Menina,
Na boca não? És estranha...
A minha virtude também se foi num golpe de língua.
Tudo é permitido.
Estremeço nos teus lábios.
Nos lábios não?
Morde-me cru até ao sangue da nossa comunhão
lava-me o corpo com cerejas
despe o meu peito do pudor
a minha alma da impudência
nada mais tem importância
nada dura quando é duro e não resistes.

- AGW050207

O que ando a ouvir: Elodie Frégé - La Ceinture

Non pas sur la bouche
Même si c'est louche
Puisque ma langue
A le goût de ta vertu
De ton honneur perdu
Non pas sur les lèvres
Même si j'en rêve
Même si je tremble
Et bien que mon coeur soit nu
Mon âme est revêtue
De pudeur et d'impudence
Sans te faire offense
Mieux ne vaut pas tenter sa chance
Rien ne dure
Au-dessus de la ceinture
Non, pas sur la bouche
Même sous la douche
Même si c'est dur
Je te mordrai
C'est promis
Tous les coups sont permis
Non, pas sur les lèvres
Même pas en rêve
A sang pour sûr
Ou tu mangeras ton pain gris
Mon coeur est endurci
Ne tire pas sur l'ambulance
Garde la potence
Plus rien n'a plus d'importance
Rien ne dure
Au-dessus de la ceinture
Non, pas sur la bouche
Je sais, je touche
Le fond du lac
Le temps des cerises est mort
Le diable est dans le corps
Non, pas sur les lèvres
Non c'est pas mièvre
C'est pas le trac
Mais je préfère me donner crue
Sans revers, ni refus
Rendons nous à l'évidence
Tout est cuit d'avance
Mieux vaut pas tenter sa chance
Rien ne dure...
Au-dessus de la ceinture
Non pas sur la bouche
Je sais c'est louche
Puisque ma peau
A l'odeur de ton odeur
Au dehors il fait chaud
Non, pas sur les lèvres
Jamais de trêve
Et pas d'assaut
Le bonheur est en attente
Entre le sol et le vent
Entre l'oubli et l'oubli
Mais l'oiseau du paradis
Joue plutôt aux jeux interdits
Rien ne dure...
Au-dessus de la ceinture


- (Lyrics/Music:Benjamin Biolay)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

mais fotos do encontro de bloggers / more photos from the bloggers-meeting


1° Encontro de bloggers do Luxemburgo e Grande Região, no Bar "Autre part", em Differdange, 27 Jan. 2007 / First blog-meeting for Luxembourg and the Greater Region, Bar "Autre part", in Differdange (L), January 27, 2007


1° Encontro de bloggers do Luxemburgo e Grande Região, no Bar "Autre part", em Differdange, 27 Jan. 2007 / First blog-meeting for Luxembourg and the Greater Region, Bar "Autre part", in Differdange (L), January 27, 2007


Encontro de duas gerações de bloggers: Jean-Jacques Subrenat, antigo embaixador de França, blog político "Serenidee", com o jovem Thorben Grosser, do blog "where cookie monster commits suicide", e seus amigos/ Meeting of two generations of bloggers: Jean-Jacques Subrenat, former french ambassador, from the political blog "Serenidee", with the young Thorben Grosser, from the blog "where the monster commits suicide", and friends


A co-organizadora, Lola, do blog Lola2Luxe, com colaboradores da Culture Buzz, os outros co-organizadores do encontro / The co-organizer, Lola, from de blog Lola2deluxe, with colaborators of Culture Buzz, the other co-organizers of the meeting


Hugo Pinto e Raúl Reis "oficiando" no blog "Luxemburgo Oficioso", com Pavla Vydrzelova / Hugo Pinto and Raúl Reis working at their blog "Luxemburgo Oficioso", with Pavla Vydrzelova


Foi o Quinhe do Bombo ou o MC Piccolo que fizeram uma blogalhofa? / Was it Quinhe do Bombo or MC Piccolo who said a joke?


Pavla Vydrzelova, Hugo Pinto e Raúl Reis (ambos do blog "Luxemburgo Oficioso") em conversa animada comigo sobre flogging / Pavla, Hugo, Raul and me discussing about flogging


Raúl Reis do blog "Luxemburgo Oficioso" a falar-me do "love kit" que um Hotel de Bruxelas propõe para o S. Valentim ;-) / Raul telling me that an Hotel in Brussels will propose a "love-kit" for Valentine's Day ;-)

(Fotos gentilmente cedidas por M. Pinto) / (These photos were published with de kind agreement of their author, M. Pinto)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Blog Delux sur TTV (version luxembourgeoise)

Reportagem de Liliana Miranda na TTV (29/01/07).

Blog Delux sur TTV (version française)

Aqui está finalemente a reportagem da TTV (versão francesa) [difusão 29/01/07]

óraculo

"A melhor forma de imaginar o futuro é tentar resolver os problemas do presente."