sebenta de anotações esparsas, pensamentos ociosos, reflexões cadentes, poemas difusos, introspecções de uma filosofia mais ou menos opaca dos meus dias (ou + reminiscências melómanas, translúcidas, intra e extra-sensoriais, erógenas, esquizofrénicas ou obsessivas dos meus dias)
-
cahier de notes éparses, pensées oisives, réflexions filantes, poèmes diffus, introspections d'une philosophie plus ou moins opaque de mes journées (ou + de réminiscences mélomanes, translucides, intra-sensorielles et extra-sensorielles, érogènes, schizophrènes ou obsessionnelles de mes journées)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Le blog qui a fait scandale en Chine

Le Livre "Journal sexuel d'une Chinoise sur le net", de Mu Zimei, a été fait a partir d'un blog qui retrace les aventures sexuelles d'une jeune Chinoise et qui a fait scandale en Chine depuis sa publication en 2003. Le livre est sortit en France, chez Albin Michel, en 2005.

La fille: "Tu veux coucher avec moi ce soir?"
Le garçon: "Pas possible. Je fais un blocage."
Elle: "Ah bon, pourquoi?"
Lui: "Tu es trop célèbre. (…) J'ai peur pour ma réputation."
Trop tard! Mu Zimei l'a déjà attrapé dans les filets de sa toile. Son blog ou weblog (journal intime sur le net) est devenu en quelques mois un des plus visités du cyber-espace chinois. Elle y raconte les rencontres et expériences sexuelles dans des soirées branchées de Canton - détails et dialogues croustillants à l'appui. Cela a fait scandale. Ses "performances sexuelles", mais surtout celles de ses amants, plus ou moins reconnaissables selon ses descriptions, sont devenues publiques et thèmes récurrents dans tous les magazines, journaux et émissions télévisées du pays.
Chinoises et Chinois accourraient au site quotidiennement. Curieux d'abord. Intéressés ou choqués ensuite.
La franchise déployée et le langage cru qu'utilise Mu Zimei - pseudonyme de la blogeuse - n'ont pas seulement bouleversé les moeurs religieuses et les traditions du peuple de l’Empire du Milieu, mais ont heurté de plein fouet la génération des anciens où les "non-dits" hantent les familles et finissent par les détruire.
Même l‘ establishment, en bon père de famille, s'en est mêlé. On soupçonna une journaliste d'un magazine branché. La fille fut intimidée, menacée d'être renvoyée, reçut des appels anonymes pendant la nuit pour fermer son blog, "honteuse fenêtre sur la débauche". Rien n'y a fait. Elle était déjà trop célèbre et les demandes d'interviews fusaient. Deux maisons d'éditions proposent de la publier. Elle finit par accepter et devient trop publique pour être la cible des pouvoirs.
Ce livre, qui raconte les aventures et mésaventures sexuelles d'une jeune Chinoise entre juin et novembre 2003, mérite d'être lu comme une radioscopie de toute la société chinoise en ce début de 21e siècle.
Mu Zimei parle de sexualité, sans tabou, si ouvertement que cela fait trembler une société aux moeurs en apparence candides et dociles, mais qui se révèlent vite débridées, parce que refouleés. Une société renfermée sur elle-même et où on ne discute jamais de ces choses-la (le sexe!), et surtout pas en dehors de la maisonnée.
Accompagnons donc les journées, qui se suivent et se ressemblent de cette jeune fille. Elle fume (de tout), boit sans relâche, sort toutes les nuits et plonge dans le monde du sexe pour se sentir à l'abri. Finalement elle se livre sur internet pour vivre, exister et oublier le suicide qui la hante.
Nous n'assistons pas simplement à une tranche de vie. La narratrice ne nous fait pas juste un compte-rendu de son quotidien mais nous rapporte aussi les histoires de ses amis et de sa famille. Ce qui nous permet un regard vu de l’intérieur d'une société qui se sent de plus en plus perdue. Une Chine avec de moins en moins de repères moraux et religieux. Des gens déchirés entre l'héritage lourd des ancêtres qui les contemplent d'un oeil réprobateur et le poids suffocant d'un État omniprésent, moralisateur et régulateur de la vie dans presque tous ses aspects. Le tout se heurtant à la vie moderne à l'occidental, à l'américaine, propagé de manière tapageuse par les magazines, télé, internet, comme seul accès au fameux happiness.
Un malaise qui atteint nos sociétés occidentales aussi. Ne serions nous finalement pas si différents de ces gens-la?...
A être lu sans un a priori voyeuriste. La Chine sur le divan freudien c'est dans le "Journal sexuel d'une Chinoise sur le net", chez Albin Michel.
Tenho saudades...

- da minha tia
- da Mina, da Mariana
- do meu amigo de infância, Pascal Grisius, que nunca mais vi
- do professor Gonzaga que me ensinou a gostar de Literatura e do professor Louro que me fez perceber o que era a poesia
- de construir naves intersiderais com lego
- da Quinta Dimensão e do "Lentes de Contacto" na RTP 2
- das conversas na cantina da escola
- das bicicletas BMX e da pista quebra-ossos que construimos na mata do Pontal
- do tempo em que ainda gostava de bollycaos
- das corridas de caricas na estrada de terra batida
- de cantar "oh, ivone, oh ivone, goodbye my love"
- de namorar as meninas da Quinta do Eucalipto em frente ao Paquete na praia
- da Sylvie me dizer que agora havia uma música nova chamada "acid" que viria a ser o techno
- das discotecas Sherazad, Olympus e Trigonometria
- da rua do Prior quando ainda era a rua do Crime
- da minhas intensas investigações nas bibliotecas e arquivos da cidade para provar que a Atlântida tinha existido
- de brincar ao pião e aos carrinhos no Ciclo D. Afonso III
- da visita de estudos a Santarém e à casa da Joaninha das "Viagens na minha Terra"
- dos concursos de break-dance na escola
- de ler os pregões do Blitz com entusiasmo genunino, às terças-feiras de manhã
- dos Duran Duran, Depeche Mode, Cure, Velvet Underground
- de brincar ao jogo da barra, às escondidas, ao stop no amendoal do Tio Cabrita
- de ver a Bélinha a nadar no tanque atrás da sua casa
- das longas conversas com o Emanuel sobre a vida, o amor e o futuro, enquanto coleccionávamos paus de gelado e tampas de canetas para construirmos naves
- da horta e da cabana que construi com o Luís
- do meu primeiro poema para a Zélia Santos
- do beijo que nunca dei no 7° ano
- do primeiro beijo na praia ao luar (mágico), anos mais tarde
- das aulas de desenho nesse mesmo 7° ano, ao sábado de manhã, que eu detestava por serem de desenho e ao sábado de manhã
- de jogar ao Pacman no ZX-Spectrum do meu irmão e do barulho das cassetes a entrarem o programa
- de juntar a merenda com os amigos e ir almoçar para o Jardim da Alameda
- de faltar às aulas à sexta-feira para ir para a Ilha do Farol
- dos locutores brasileiros nas rádios quando ainda não havia rádios brasileiras
- dos baile de fim de ano na escola a dançar ao som do grupo que viria a ser os "Entre Aspas"
- de comer figos de pita, pernas de pau, sumóis de laranja nas pequenas garrafas de vidro verde - de comprar chicletes Gorila na venda da Dona Bórinha
- da professora Idalécia e das aulas de teatro
- do Edgar Palma, timido, mas fanático por Pink Floyd
- da Coke, do João Pessoa, da Ana Serra, da Dora, do Cláudio (as nossas "filas" na rua de santo antónio!), da Susana Guerreiro, do Cuco, do Fernando Martinheira, da Patrícia Rita, da Kátia Silva, da Verónica Francisco, da Ana Portugal, da Margarete, da Sandra Rocheta e da minha querida, querida Susana Nogueira (kisses on the wind)

- Como a ideia original não é minha, aqui fica a devida reverência à Lis que me deu vontade de pensar em coisas bonitas :-) e que me fez reflectir que afinal é das pessoas de quem mais temos saudades

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

assola-me a noite inane

...são 22h13, um telefone que toca no vazio, não atender, quem será? a sensação de estar noutro lugar, alhures, não sei bem onde e viver uma cena que repudio, mas que adivinho, mais cedo ou mais tarde tudo acaba por acontecer, já sabemos, mas não queremos ver...

Flashback de seis horas. Sol de Inverno, lá fora. Na rádio Kelly Clarkson e eu a tentar concentrar-me no trabalho ao ritmo do teen spirit.
Um telefonema em plena tarde. Do outro lado do mar. Não é o Paulo de Nova Iorque. Uma mulher. Mas não é a Raquel, de Houston, nem tão pouco a Maria do Céu, do Leblon, no Rio. É Toronto. Uma voz do passado. Uma voz triste, apagada, magoada. Percorre-me o sangue o veneno que destilei numa manhã gelada de Janeiro e que apenas basta lembrar para me voltar a acicutar.
- Não leves a mal, já me esqueci da teu disparo, quase não morri, quase não chorei, fugi para outro hemisfério...
Fala-me do Líbano, do Egipto.
- Na Primavera, o México é tão bonito! E Marraquexe... Mas o Cairo... ah, o Cairo! Encruzilhada de rosas dos ventos, rosas do deserto, a Casbah atarefada, as ruelas, a turba dos mercadores, os cheiros mesclados, acafrão, caril e canela, chá de hortelã-pimenta no estio para resfrescar, os cantares alegres das mulheres, a oração, a vigília, o silêncio no deserto, o Nilo à noite, a madrugada sossegada e estrelada...

Foge para a frente. Voltar a quê, para quê? Nada faz sentido do que se faz ou se fez, excepto o que se fez com o sentido de ser. Um ocaso nos Cárpatos já tão longíquo...

- Se soubesses como lamento aquela manhã...
- Não peças desculpa! Se foste sincero no beijo, que mais posso querer?...

O que eu queria não era um perdão, era uma consciência tranquila. Nem no derradeiro momento fui corajoso. E hoje, que faço aqui, aguardando a noite inane? o telefone insiste e eu temendo saber quem é...
- Estou! Quem é?
O mapa cor de Kapuscinski

Faleceu ontem (23 Jan. 2007) de doença grave em Varsóvia o escritor e jornalist a polaco Ryszard Kapuscinski . Tinha 74 anos. Era considerado um dos melhores repórteres de guerra do Mundo e o autor contemporâneo de não-ficção mais corajoso sobre geopolítica, tendo sido diversas premiado com distinções internacionais e prestigiosas, várias vezes nomeado para o Prémio Nobel da Literatura. Em 1999, recebu o Prémio de Melhor Jornalista Polaco do século.

Ryszard nasceu em 1932, em Pinsk, na leste da Polónia (hoje situado na Bielorússia), para onde os pais de origem modesta, mas ambos professores do ensino básico, tinham sido enviados. Em 1945, a sua família mudou-se para a capital polaca, onde RK se formou em História. Começou no jornalismo aos 17 anos, tendo trabalhado para agência polaca de imprensa, para o maior diário polaco "Gazeta Wyborzca" e para os jornais e revistas mais prestigiados do Mundo.
A partir dos anos 50, foi correspondente de imprensa na Ásia, Médio Oriente, América Latina e África, tendo calcorreado mundo e meio. Mas foi a África que sempre regressou.

Pôs o pé em África pela primeira vez em 1957. E foi amor à primeira vista. Lá voltou a conforntar-se com a pobreza extrema da sua infância. "Eu sei o que é caminhar descalço, ainda hoje me sinto mal nos hóteis de luxo, prefiro a companhia dos nómadas", repetiu muitas vezes.
A sua grande ligação ao continente negro, onde voltou repetidas vezes, resultou em várias obras famosas como "Negus" e "Heban". Durante quase 40 anos, percorreu África de lés-a-lés, escreve no prefácio do seu livro "Heban" (Ébano), "evitando os intinerários oficiais, os palácios, os homens importantes e a grande política". Repetindo sempre que recusava o jornalismo do quarto de hotel com ar condicionado, lembra na nota introdutória deste livro que sempre preferiu deslocar-se "num camião em segunda mão, correr o deserto com os nómadas, ser o hóspede da savana tropical. A vida destes é um lamento, uma tormenta que suportam com uma resistência e uma serenidade incríveis", descreve.
Fala de África e das suas gentes como um olhar humanista, não de etnólogo frio e distante, mas deixando-se apaixonar pelo que ia descobrindo. As gentes e a terra. Mas detestava os políticos que (des)governam África.
Nas suas póprias palavras, "a África é um continente demasiado vasto para ser descrito. É um verdadeiro oceano, um planeta à parte, um cosmos heterogéneo e muito rico. Dizemos 'África' mas é uma simplificação sumário e cómoda. na realidade, à parte a noção geográfica, a África não existe."
No livro "Heban" assiste à descolonização mas também à vida quotidiana, algo destabilizadora para um europeu. Assistiu a guerras civis e tribais atravessando o Gana, Uganda, Tanzânia, Etiópia, Zanzibar, Libéria, Ruanda, Mali, Sudão, Nigéria e Senegal. Neste livro percebe-se, por exemplo, a origem complexa dos genocídios no Ruanda.
Era um poeta na linha da frente. Em 1981 começou também a fazer fotografias. Via o mundo transformar-se com um olhar de criança. Não um olhar ingénuo e infantil, mas puro e despojado de preconceito.
Recordo um artigo que escreveu há um no "Monde Diplomatique" sobre a tolerância e o nosso comportamento face a outros povos e culturas.
Escreveu mais de 20 livros não apenas sobre África, mas igualmente sobre a União Soviética, o Irão (Shah), a América Latina (The Soccer Wars).
Com 74 anos, planeava ainda escrever vários livros: um sobre a América Latina, outro sobre o Pacífico, bem como uma obra sobre Bronislaw Malinowski, um conterrâneo seu considerado o pai da Etnologia. Chegou a revelar que seria um tentativa de resposta a Huntington, que considera o choque de culturas como um perigo, enquanto que Kapuscinski via nesse encontro uma oportunidade para a Humanidade.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

cloud again

Fragment of water
fighting the canyon
shortcuting trough rocks and falls
vain evasion to avoid the dispersion of atoms.

One morning I fell in love with the sedentary dew
of the riverside, but the dream
of a bee around a pomegrenate
broke paradise, teared me apart.

I wanted to go back in the inexorable
time which flows… but the next day
I was in another shore, kissing a different ground.

I’m running against my will
sliding trough the world and trough life.
Once I was pure spring, dissolvent rain,
simple mud in the waterfront.
Now I’im a river
longing for the sea,
my promised homeland.
When I arrive, I know you’ll be waiting for me
so that we can be a cloud again.

080204

"Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer."

"Ce qui nous importe c'est le lieu oú nous sommes. Il y a assez de beauté a être ici et pas quelconque ailleurs." - Alberto Caeiro (aka Fernando Pessoa)

estar noutra parte


to be elsewhere


être ailleurs



autre part












estar en otra parte

é estar aqui, it's to be here, c'est être ici, es estar aqui!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

cadafalso

Desta vez, o deserto não há-de vencer,
não há-de engolir-me os pulmões com pó.
O que foi depois daquela tempestade,
quando o rio desfez o convés antes de chegar à foz?
Já não queria lembra-me desse dia de mau augúrio,
o apóstolo mentiu, o fim do mundo voltou.

Avisto da torre de vigia,
as nuvens negras do juízo final
engordarem o céu ao horizonte
e anunciarem a trovoada.
Vale a pena enfunar as velas para salvar o navio?,
ele já viu tantas!

Hoje não sinto medo,
eu sabia que este dia ia chegar,
os meus dedos impávidos ainda cheiram a sangue e pólvora,
fiz demasiado mal para me safar daqui assim,
desta vez é a minha vez.

A onda de choque não me há-de arrancar do chão,
fecho as goelas ao maremoto, os olhos ao tufão,
a electricidade há-de correr-me o corpo,
e eu hei-de ficar de pé,
rindo patibular dos meus algozes e carrascos,
mesmo se a multidão em delírio de espectáculo,
já não escutar as minhas derradeiras palavras:
"25 men on a dead man's chest,
yo ho ho and a bottle of rum!..."

Tenho sede, mas nem o céu há-de vir em meu auxílio.

17012007

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

O blogger como "influenciador"

1 - Segundo o motor de busca norte-americano Tecnorati e o instituto de sondagem francês Ipsos, os blogs serão considerados, dentro de 10 anos, um meio de comunicação social ao mesmo nível dos outros.
2 - Os dois organismos falam de um novo poder do blogger: ser simultaneamente produtor e consumidor de informação, influenciando pro-activamente não só conhecidos e vizinhos como comunidades mais largas.
3- Segundo o encontro de bloggers Web3, que se realizou em Paris, em Dezembro, existiam 60 milhões de blogs no fim Setembro de 2006.
4- Estimativas do gabinete de estudos Gartner, o número de bloggers deve rondar os 100 milhões em Janeiro de 2007, revela Philippe Thureau-Dangin, director da Redacção do “Courrier International” (edição francesa), na edição de 4 de Janeiro de 2007.
5 - Para o responsável do semanário francês, os bloggers são “jornalistas do seu quotidiano”.
6- São criados 3 milhões de blogs por mês no Mundo
7 - Em 2005, foram criados 13 milhões de blogs, segundo uma crónica publicada em Dezembro de 2006 por Teresa Bouza, da agência espanhola EFE.
8- A revista norte-americana "Time" elegeu o internauta anónimo como "Personalidade do Ano 2006", decisão que se deveu, explicam, ao crescimento explosivo e à influência de conteúdos da internet como blogs, vídeos de sites como o YouTube e redes sociais como o MySpace, Hi5, Meetic.
9- A mui séria agência de imprensa internacional Reuters assinou em Novembro de 2006 uma parceria com a plataforma norte-americana Pluck (http://www.pluck.com/), que administra milhares de blogs. A Reuters começou a propôr, a par das suas notícias em linha, informações que fazem parte do conteúdo de blogues, promovendo o que apelida de “social networking” (teia de contactos e informacão social).

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Blog DeLux
O primeiro encontro de bloggers
do Luxemburgo e da Grande Região


Transmito a mensagem da parte do pessoal do "Blog Delux", que vai organizar uma iniciativa interessante, estreia absoluta no Grão-ducado, e que merece, a meu ver, ampla divulgação:

Com o objectivo de reunir gente em torno de uma paixão comum que é o blogging, uma comunidade de bloggers do Luxemburgo e da Grande Região, convida todos os interessados e curiosos para o primeiro encontro de bloggers do Grão-Ducado. Para dinamizar a comunidade dos blogs e criar o "Blog Delux", associaram-se à "Culture Buzz", uma agência de marketing alternativa.

Este encontro, terá lugar no sábado, 27 de Janeiro, a partir das 14h, no restaurante-bar-lounge "Autre Part" em Differdange, que nos acolherá num quadro elegante e contemporâneo. O primeiro encontro pretende ser um evento de convívio, aberto e animado para travar conhecimento com os bloggers do Luxemburgo e da Grande Região, mas também para todos os curiosos do fenómeno dos blogs. O estabelecimento está equipado com ligação gratuita à internet em modo wireless (sem fios), o que proporcionará a cada visitante participar de forma prática e partilhar esses momentos "ao vivo", de uma maneira interactiva.

O "Blog Delux" não tem vocação comercial e pretende ser uma oportunidade única de trocar, partilhar e comunicar ideias e opiniões sobre o fenómeno crescente dos blogs e do Web 2.0, esse famoso participativo internet de que todos falam... Nesse sentido, dois especialistas da "Culture Buzz" estarão igualmente presentes para fornecer alguns conselhos e responder a todas as eventuais questões.

Numa pequena sala de projecção que o estabelecimento possui, confortável e de livre acesso, terão lugar as discussões que se querem animadas e que serão subordinadas a diferentes temáticas:

- O que representa hoje o fenómeno blog
- Blog e vida profissional
- Como melhorar a visibilidade do seu blog
- Comparação das diferentes plataformas
- Como tornar o seu blog uma plataforma de convívio
- … etc

Para esta ocasião, a "Culture Buzz" criou um blog (http://www.blogdelux.lu) que contém todas as informações práticas e que será regularmente actualizado com informações sobre o país, eventos, blogs, internet... Um banner interactivo foi também já enviado aos primeiros bloggers que desejem juntar-se à iniciativa. Clique no banner na barra do lado para inclui-lo no vosso blog.

A propósito da "Culture Buzz"

A "Culture-Buzz", agência blog, viral e de buzz marketing do Grupo Vanksen, já trabalhou com numerosas marcas como a Warner Bros, Ubisoft, 20th Century Fox, Canal Plus, Sony e Nokia para a criação de acções ou aplicações virais ou aplicações virais online e offline. A "Culture-Buzz" é membro da "Viral & Buzz Marketing Association" (http://www.vbma.net), operando a nível europeu.

Com 700 artigos e 165.000 páginas consultadas/mês, o blog Culture-buzz.com tornou-se o primeiro portal francófono sobre temas urbanos, descodificando semanalmente o blog, o buzz e o marketing viral bem como todas as tendências alternativas: guerrilla e street marketing. "BuzzParadise" é a nossa plateforma internacional de relações entre as marcas e os "influenciadores".

Para mais informações:
http://www.blogdelux.lu
http://www.culture-buzz.com
http://lolastheme.typepad.com/

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Pensamento do dia para não-bloggers:

"Uma pessoa que não tem diário está numa posição errada para com o diário de outra!",

Franz Kafka, a propósito de falsas considerações que os leitores poderiam tecer do diário de Goethe (in "Diários", 29 de Setembro de 1911).


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Nota: blog é um diário íntimo cibernético (em linha na internet), palavra que deriva da contracção de "web-log" (internet e diário de bordo).
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Juncker quer fazer omoletes sem ovos

Apesar de o primeiro-ministro, Jean-Claude Juncker, ter declarado no seu discurso sobre o Estado da Nação, em 2 de Maio de 2006, que pretende que o Grão-Ducado se torne, a breve trecho, o pólo comercial principal da Grande Região, mais uma vez foi pródigo em grandes ideias, mas revela-se parco em acções na hora de dar forma às promessas, como acontece há anos com a questão da penúria de alojamentos e a consequente inflação dos preços da habitação (!).

Juncker partilha da mesma opinião do ministro das Classes Médias, Fernand Boden (ver artigo principal), ou seja, que para que o Luxemburgo se torne um centro de passagem obrigatório para os onze milhões de consumidores que vivem no país e regiões fronteiriças, não é necessário alargar as horas de abertura do comércio (!).

Não será o mesmo que pedir para fazer omeletes sem ovos?

Enquanto se discute "abre? não abre?" e o lobby das lojas familiares e tradicionais impede a implantação de grandes multinacionais, como a FNAC e outras, as megastores de grandes marcas e as galerias comerciais crescem como cogumelos do outro lado da fronteira luxemburguesa, sitiando de olho guloso o poder de compra abastado do pequeno burgo.

E os consumidores luxemburgueses não se fazem rogados ao embater na porta de uma loja luxemburguesa encerrada depois das 18h ou ao domingo. Rumam cada vez mais frequentemente aos shoppings da periferia do país, com horários mais flexíveis e cosmopolitas.

Face a isso, Juncker – durante um dos seus habituais encontros com a imprensa, após o Conselho de Governo de 8 de Dezembro último – dizia que o Grão-Ducado dispõe de outros argumentos para se diferenciar dos seus concorrentes, avançando como exemplos o IVA, mais baixo no Luxemburgo do que nos países vizinhos. E supondo o alargamento de horários, avisava que este não deverá acontecer em detrimento das condições de trabalho dos empregados.

Mas horários mais flexíveis e menos provincianos não permitiriam criar mais postos de trabalho e combater o desemprego que tantas dores de cabeça tem dado ao ministro Biltgen, além de tornar a capital e o país mais atraentes para os consumidores da Grande Região e os turistas?

José Luís Correia, in Contacto, 03.01.2007

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

espuma psicadélica
O cheiro misturado dos nossos corpos suados pairava no quarto frio. A neblina surreal da noite esbatia-se indefesa contra a vidraça. Os meus dedos instintivamente percorreram todos os recantos do teu corpo antes dos meus lábios lhes seguirem o trilho traçado. Dançaste na minha boca acariciada pela luz indistinta da lua. Semi-ocultos na penumbra do quarto. Um no outro, num movimento brando.
Rasgos de luz vermelha, do néon lá fora, "rooms", transfiguravam-te o rosto, recortavam-te os ombros e os braços nus, os seios cheios, lambiam-te a duna morna da barriga, as coxas doces. Os meus dedos ledos desenhavam o aparado perfeito do triângulo isósceles, quero lá saber dos catetos de Pitágoras agora, como um geógrafo mapeando os continentes da utopia. Os teus seios na minha boca.
Fiz-me ao mar, em vagas sucessivas, a nau emproada, os lençóis enfunados, vencendo marés vivas e neptunos ferozes, dobrando cabos e promontórios, subindo estreitos e peninsulas, contornando ilhas, desbravando as terras prometidas, todas as atitudes e longitudes do teu corpo salgado.
As minhas mãos à deriva.
Os sóis ardendo, as constelações pulsando e desenhando nas estrelas o caminho sem astrolábio.
Abalroei na baía desejada inda não era madrugada, fundeei os meus flancos antigos, semelhantes às coxas cansadas de zeus em rhodes, no teu porto de abrigo. Beijaste as minhas cicatrizes de mar dos sargaços.
Num cansaço milenar, como se navegasse desde magalhães, num derrame rouco de boas esperanças, adormeci ancorado a ti. A espuma dos nossos dias.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006


Palestina
por Adalberto Alves

Podem pisar-te como à erva ruim
E dizer que essa terra não é tua,
Podem matar os teus, sacrificar-te,
Pretendendo que o teu reino é o da lua,
Podem forças obscuras conjurar-se
P'ra roubar o que desde sempre te cabia,
Podem queimar-te e arrasar-te
Mas não negar a luz do dia.
Podem erguer um muro de mentira
Para deter os ventos do deserto
Mas eles amam-te e são teus
Sempre voltarão e hão-de ficar perto.
Teus filhos hão-de saber salvar-te,
Terra mártir, altiva e beduína,
E a meiga pomba da paz e da alegria
Pousará, de novo, em ti, Ó Palestina.

Este poema foi lido pela primeira vez durante a Exposição Cultural Palestiniana levada a cabo em Beja, pela respectiva Câmara Municipal e pela Representação da OLP em Portugal, em 11 de Julho de 1986. O autor é poeta tendo-se dedicado ao estudo e tradução da poesia árabe clássica.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

6° Congresso da CCPL: Lutar por uma reforma do ensino e promover a participação política

Coimbra de Matos deverá ser reconduzido à frente da CCPL Foto: Guy Wolff
Foi sob estes lemas que decorreu o sexto congresso da Confederação da Comunidade Portuguesa do Luxemburgo (CCPL, criada em 1991 e que reúne mais de metade das associações portuguesas do país), que contou com a presença de representantes das autoridades luxemburguesas e portuguesas, representantes de partidos políticos, além de uma meia centena de participantes.

Um dos cavalos de batalha da CCPL tem sido lutar por uma reforma do ensino luxemburguês de modo a que este favoreça a igualdade de oportunidades para todos, diminuindo as desigualdades de base, sejam elas sociais ou culturais. Durante o congresso foi ainda reafirmada a vontade de abrir o acesso à função pública por parte dos residentes estrangeiros comunitários.

A CCPL quer também continuar a promover o reconhecimento das associações lusas para que estas usufruam do acesso aos mesmo subsídios, apoios e infra-estruturas que são facultados a todas as outras colectividades luxemburguesas. Da mesma forma, a organização quer fomentar o reforço de relações entre a comunidade portuguesa e as outras comunidades e a sociedade luxemburguesa, sensibilizando simultaneamente os portugueses para uma maior participação cívica e política.

A CCPL mostrou ainda uma posição forte em relação à questão da recente exoneração do director do Instituto Camões considerando-a „incomprensível e absurda“ e exigindo uma resposta do governo português quanto ao futuro daquele centro.

O papel da CCPL foi definido, hoje mais do que nunca, como preponderante, face ao crescimento da comunidade portuguesa nos últimos anos, passando de 60.000 no fim dos anos 90 para os 80.000 em 2005 e diante do surto migratório contínuo e crescente proveniente de Portugal em direcção ao Grão-Ducado.

O presidente e a nova direcção serão eleitos nos próximos dias pelos 26 conselheiros eleitos durante o congresso.

José Luís Correia 
in CONTACTO, 13/12/2006

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

encontro de bloggers do Luxemburgo,
Bar-Lounge "Autre Part", Differdange, 27 Janeiro 2007


- acontecimento: encontro de bloggers do luxemburgo e grande região,
- participantes: bloggers profissionais, amadores, curiosos, qualquer que seja a sua língua
- data: sábado, 27 de Janeiro de 2007
- hora: a partir das 14h30
- local: restaurante bar-lounge "Autre Part" (tel : 26 58 65-1, fax : 26 58 65-2) 8, place du marché, differdange, sul do luxemburgo
- objectivo: travar conhecimento com outros bloggers, num ambiente descontraído e simpático, falar do novo fenómeno de sociedade que é o blogging (e actividades associadas como mlogging, flogging, vlogging, i-logging), trocar opiniões sobre aspectos pertinentes deste novo modo de comunicação moderna, falar de cultura, de informação, abrir o diálogo e os horizontes
- oportunidades: projectar em grande ecrã excertos de blogs do luxemburgo e grande região, iniciar os curiosos na aventura do blogging
- inscrições e informações: Lola

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

da perfeição

quem concebeu os homens à sua imagem
e lhes deu uma cor diferente
quem dividiu as águas e apartou os oceanos ?
que ninguém una o que deus separou

as naus rebeldes da subsistência
inventaram um outro hemisfério
romperam ventos e cabos
fundearam em praias, deram baías aos santos
todos do calendário e nomes ao xadrez dos dias

quem riscou o mundo
quem recortou as terras e os mares em gomos de laranja
quem foi buscar o tempo da gaveta universal
e dividiu o dia que sempre nasce inteiro
quem empurrou o mundo para o regaço da via láctea,
quem pôs tudo isto a rodopiar
quem puxou o cordel original
do insondável pião galático
quem perdeu todos os berlindes coloridos na toalha negra imensa ?

novas naus cruzam os céus
em busca do sentido de tudo isto
para explorar as migalhas que restam do piquenique original
como se uma explicação fosse precisa
para a perfeição que não existe.

sábado, 25 de novembro de 2006

Porto sentido, sentado no Grund

Chove há quantos dias? O Outono, que eu sempre idealizara romântico e ameno, em cores de auriverde, como num filme piroso com a Winona Ryder e o Richard Gere, destila-se em cheias e aguaceiros, em rajadas e trovoadas, escorre pelas paredes do mundo e pelas sarjetas da minha rua. “Água que Deus amanda”, oiço a minha mãe explicar-me, junto ao velho fogão a lenha, nas noites de tempestade em que eu não conseguia dormir a não ser no seu colo morno, como se a benignidade da benção divina servisse apenas para fertilizar a terra e não para assustar os homens.

Um passeio no Grund ou no Cais das Barcas, debaixo da ponte vermelha ou da ponte D. Luiz, uma Guinness no Scott's, atravessando o Alzette e a Pétrusse, ou um Calém Reserva, a caminho do Taylor's, como “quem vem e atravessa o rio, junto à serra do Pilar, vê um velho casario, que se estende até ao mar”.

A luz foge à manhã, que se esvai taciturna, moribunda e inane. Aqui, nas terras vermelhas, do promontório deste burgo ou na Foz do Douro... Não suporto crepúsculos a meio da tarde. Ou que as sombras comam os dias como os que eu quisera ledos em Wroclaw e Zakopane. Quero exorcizar de mim os velhos amores que me assombram, a depressão de Inverno, que sinto chegar por uma escada oculta. Escrevo à menina. Assedia-me o travo perfumado, a lembrança da sua língua, dos meus gestos antes tímidos, da linguagem muda das nossas bocas querendo deflagrar o Outono, dos nossos corpos hesitantes, que finalmente mergulham de olhos bem abertos um no outro, num hotel sem nome, junto a um aeroporto, cais moderno das novas partidas, que nos lembra com insistência que o nosso voo também será breve e que os amantes se deverão apartar. Para mais tarde se juntar, quis acreditar.


nova babel


Fui ver o filme “Babel” de Alejandro González Iñárritu (“Amores Perros”, 1999; “21 Grams”, 2003). A torre não chegou ao céu, mas mundializou-se. Uma espingarda norte-americana, comprada por um japonês viúvo, pai de uma jovem em plena crise de adolescência, é usada por uma criança marroquina que brinca nos planaltos do Atlas para alvejar uma turista americana, que correu meio-mundo atrás do marido, depois deste fugir da morte súbita do recém-nascido de ambos, enquanto os filhos do casal são levados pela baby-sitter mexicana, ilegal há 16 anos nos Estados Unidos, para uma casamento muy tipico para além do novo muro da vergonha.

Globalizou-se também a confusão das línguas e das culturas. É o que nos querem fazer querer, desde os deturpadores de Samuel Huntington aos seguidores de Alvin Toffler. Mas entre homens de boa vontade, a língua pode ser diferente, a linguagem é perceptível, a mensagem passa. Neste filme, entre a criada mexicana e os filhos do casal americano, entre o marido da turista americana e o jovem marroquino que o acolhe na sua aldeia perdida, ou entre a surda-muda e o polícia que não precisa de gestos para entender o pedido de socorro da jovem.

(Sempre pensei que os casos em que os pais falam aos filhos em árabe, berbere, italiano ou português e estes respondem em francês ou que quando eu falava à minha namorada em algarvio e ela me respondia, por graça, em luxemburguês, isto fosse uma caracterísitica que apenas existia em França ou no Luxemburgo. Na minha ingenuidade etnocentrista, esqueci que todas as comunidades emigradas, em qualquer que seja o país onde se encontram, tendem a reproduzir os mesmos mecanismos de integração na sociedade e cultura de acolhimento. Que rima, em maior ou menor grau, com assimilação, consoante o sistema social e educativo do país onde chegaram e do envolvimento dos pais na educação (no sentido lato) dos seus filhos.
Fechar parêntesis.)

No sentido inverso, nem sempre a mesma língua é uma condição sine qua non para que os homens se percebam, levantando a desentendimentos, depressões, brigas, confusões, mortes. No filme: o marido da turista e os outros turistas americanos e europeus (ocidentais!), pai e filha no Japão, esta e os outros jovens japoneses, a polícia marroquina e os aldeões, tia e sobrinho mexicanos.

Assim sendo, devemos atribuir à torre de Babel, a origem da confusão das línguas ou aos homens de má vontade?

A morte e o seu espectro pairam durante toda a história. Não sabemos quando acontecerá, mas presentimo-lo. Acaba por abater-se sobre um inocente. Uma morte ligada à compra de uma arma. Mesmo se o realizador escolheu (propositadamente?) um cenário do outro lado do mundo, acaba por ser um piscar de olhos ao porte de arma permissivo nos Estados Unidos, que diz respeito a muitos jovens que são vítimas do “first amendement”, estejam do lado de cá ou do lado de lá do gatilho.

A torre de Babel, esta aldeia global na qual vivemos, está longe de chegar ao céu!
Se Fernando Pessoa disse que a sua pátria era a língua portuguesa, para o realizador mexicano, a "pátria" ou mesma a "mátria" (do latim "mãe") é... a mensagem. A mensagem é mais importante que a língua. As crianças, que vejo nos infantários e escolas luxemburgueses rirem e brincarem entre si sem falarem uma mesma língua, são as que no-lo ensinam melhor.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

(todos) repórteres sem fronteiras

Àcerca do post de 24 de Novembro do meu caro amigo Paulo Lobo no seu blog «Voyages en suspens» (http://www.paulolobo.blogspot.com/), em que diz que hoje “somos todos canais alternativos da informação, nós os internautas, os bloguistas, os passadores de ideias, de opinião e, por vezes, de rumores”, queria reagir recordando que a mui séria agência de imprensa internacional Reuters assinou há dias (dia 11 de Novembro?) uma parceria com a plataforma norte-americana Pluck (http://www.pluck.com/), que administra milhares de diários cibernéticos pessoais (web-logs ou blogs). A Reuteres passará a propôr, a par das suas notícias em linha, informações que fazem parte do conteúdo de blogues, promovendo o que apelida de “social networking” (teia de contactos e informacão social).

Ponto positivo: as fontes de informação indepedentes diversificam-se em número e riqueza de conteúdo, ao contrário dos cada vez maiores conglomerados media, que monopolizam o sector, e que, apesar das posições firmadas que ocupam, trabalham muitas, quase sempre, sob a pressão de lobbys, influências e poderes.

Apreensão: banalizando-as, as fontes de informação perdem em fidignidade e pureza: risco de manipulação da opinião pública. O mesmo poder, afinal, que os grandes conglomerados já hoje detêm. Os profissionais da informação deixarão de ter o monopólio da mediação da informação. Única solução: formar a opinião pública para que adopte os reflexos dos profissionais da informação, ou seja: 1) duvidar, por princípio, dos media; 2) assegurar-se da credibilidade da fonte; 3) multiplicar, mais do que nunca, o cruzamento de fontes; 4) consumir informação onde seja respeitado o princípio do contaditório.
Nova missão dos profissionais da informação: não apenas “servir” à notícia numa bandeja, nem servir somente à mediação e veiculação da notícia, mas à sua decorticação, dissecação, descodificação, interpretação, análise.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

bemvindo ao passado
"Tenho noção do mal que fiz
e do meu pecado.
Quero dizer a quem não disse
que estou arrependido.
Tudo passou e hoje sei
que não estou queimado..."
"Bemvindo ao Passado", NBC (de "Revistados", álbum tributo aos 20 anos dos GNR)
<
"Vidas são imperfeitas quando te deitas com o teu rancor"
(idem, ibidem)

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Anna Politkovskaja


in memoriam

Anna Politkovskaja assassinada


A jornalista russa Anna Politkovskaja foi assassinada sábado, dia 7 de Outubro, à porta de casa, em Moscovo. Segundo o jornal em que trabalhava desde 1999, o bissemanário Nóvaya Gazeta, a jornalista estava a preparar uma reportagem sobre as torturas sistemáticas na Chechénia.

Politkovskaja lutava há muito pela (verdadeira) liberdade de imprensa na Rússia, denunciando o que o presidente Valdimir Putin (ex-KGB) continua a apelidar de "democracia à maneira russa". Era uma das jornalistas mais críticas da política do Kremlin. Era perseguida e recebera ameaças de morte pelos serviços secretos russos, pelo exército e por outras agências de segurança de Estado, organismos que tinha criticado fortemente nos artigos que publicou. Escapou em 2005 a uma tentativa de envenenamento, um dos métodos kagebistas soviéticos mais frequentes para eliminar inimigos.


Desde que Putin chegou ao poder, no início de 2000, 12 casos de homicídio de jornalistas ficaram por resolver, segundo a União de Jornalistas da Rússia. O assassinato de Politkovskaja, que foi encontrada morta com quatro tiros à porta de sua casa, no centro da capital russa, foi condenado por todas as forças políticas russas e organizações internacionais como o Repórteres Sem Fronteiras (RSF).


Anna Politkovskaja nasceu em Nova Iorque em 1958. Fez carreira como jornalista de investigação e tornou-se conhecida fora da Rússia pelas reportagens críticas que fez na república separatista da Chechénia, onde escreveu sobre assassínios, torturas e espancamentos civis pelas forças russas. Por essas reportagens, Politkovskaja recebeu vários prémios de jornalismo, entre os quais a Caneta de Ouro (da União de Jornalistas da Rússia), em 2001, o de Pen Club International, em 2003, e o Prémio Jornalismo e Democracia da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE). A jornalista também escreveu um livro sobre a política de Putin para a Chechénia, no qual apresentava provas dos abusos generalizados cometidos pelas forças governamentais contra civis. O seu mais recente livro chamava-se "A Rússia de Putin".

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

folheando a agenda


Projecto de Debates na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) / Organização: Os Meus Livros (OML) e SPA
COM TODAS AS LETRAS
Livros, Autores e Editores em Debate

DATAS: 9 Out; 23 Out; 6 Nov; 20 Nov; 4 Dez
Local: Auditório da SPA (Rua Duque de Loulé, nº 31)
Horário: 18h 30m

Dia 9 de Outubro 2006
– Novos autores: Escrever, Publicar e Vencer
Painel
Rui Herbon, escritor
José Luís Peixoto, escritor
Sofia Monteiro, esfera dos livros
Filipa Melo, jornalista, escritora
.
Dia 23 de Outubro – Banda Desenhada: O Mundo aos Quadradinhos
Painel
Pedro Silva, Vitamina BD, BdMania
Maria José Pereira, Edições ASA
Sara Figueiredo Costa, crítica literária e de BD
António Jorge Gonçalves, autor de BD
.
Dia 6 de Novembro – Poesia e Teatro: Filhos de um Deus Menor?
Painel
Jorge Reis-Sá, Edições Quasi
Eugénia Vasques, Professora-Coordenadora na Escola Superior de Teatro e Cinema, crítica de teatro
Vasco David, Assírio & Alvim
Pedro Mexia, crítico literário, poeta
Ernesto Melo e Castro, poeta, ensaísta
.
Dia 20 de Novembro – Fundos de Catálogo: Velhos são os Trapos
Painel
António Pinheiro, Bertrand
José Pinho, Ler Devagar
Mário Zambujal, escritor
Carlos Veiga Ferreira, Teorema
.
Dia 4 de Dezembro – Best Sellers e Qualidade: Podemos ser amigos?
Painel
Manuel Alberto Valente, Edições ASA
Margarida Rebelo Pinto, escritora
Vasco Santos, Fenda
Maria João Lopo de Carvalho, escritora
Richard Zimler, escritor

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

djihad

A noite é bonita neste meridiano,
confunde-se com o oceano,
As pontas das estrelas queimam a lua crescente.
O céu em fogo risca a toalha dos deuses.
De oriente chegam novos reis
magos da palavra, mas nem tudo o que luz é ouro.
Ouço o ruído de lutas que começaram
ainda as águas do dilúvio não tinham secado as terras.
Hoje não secam do sangue.

E eu, entre o temor de novas invasões bárbaras
e as promessas vazias que o poente encerra,
aperto o crucifixo ouro-indigo às minhas novas vestes,
assisto mudo aos loucos que me empurram para o abismo.
A caravana impávida passa, enquanto os cães
não ladram, medram. Já cheira a deserto.
A minha boca sedenta de tangerinas,
prata, marfim, canela, chá de hortelã psicótico, açafrão.

Com as minhas malas aos pontapés,
desço pelas escadas do hotel.
Mas é com os tomates cheios de tesão
que percebo que a mocidade é refém da perfeição,
que a profundidade e a claridade do beco obscuro,
que é o idealismo dogmático acneico,
depende do amor-próprio que já houver brotado,
da tolerância e da luta que deve sempre começar cá dentro
com a minha própria djihad.
Não é erro, nem recuo. É balanço, horizonte mais abrangente,
para saltar mais adiante.

Assoma Sócrates à porta
e repete que nada sabe de nada.

Olho no meu relógio de eon as pontas do holoceno piscarem.

A brisa matutina retarda as suas asas.
A madrugada cinzenta e brumosa ainda vai demorar.

Rentrée parlamentar: Educação e política social são a preocupação dos socialistas do LSAP

Alex Bodry, presidente do partido socialista luxemburguês, e Ben Fayot, presidente do grupo parlamentar do LSAP Foto: Guy Wolff
O cavalo de batalha dos socialistas luxemburgueses nos próximos meses será a revisão das leis sobre a nacionalidade, a escola e a imigração. Foram estes os eixos delineados pelo grupo parlamentar do LSAP, na primeira reunião da sua rentrée parlamentar.

O presidente do grupo parlamentar do Partido Operário Socialista Luxemburguês (LSAP), Ben Fayot, aproveitou a oportunidade para relembrar os desafios que se apresentam aos membros do Governo e da Câmara dos Deputados (Parlamento) na rentrée parlamentar, marcada para 11 de Outubro próximo.

 No encontro, que decorreu em 26 de Setembro, Fayot começou por recordar o repto que o presidente de partido, Alex Bodry, lançara a algumas semanas: o LSAP tem como objectivo desafiar o Executivo a dar provas de que tem uma vontade real de efectuar as reformas que se impõem no país. Reformar aS leiS da nacionalidade, escola e imigração.

Para os socialistas, os projectos-lei mais importantes terão que ser entregues à Câmara dos Deputados o mais tardar até ao final do ano. É o caso dos diplomas sobre a reforma da lei da nacionalidade (que permitirá o acesso à dupla nacionalidade, ver artigo anexo), a reforma da lei de 1912 sobre a escola, a revisão da lei da imigração de 1972 e a lei sobre a formação contínua.

Neste âmbito, Fayot apelou o Executivo a "preparar de forma organizada e conscienciosa" os textos legislativos, de modo a permitir a aprovação mais rapidamente, dentro dos prazos exigidos no Parlamento. O presidente do grupo parlamentar socialista voltou a reiterar o apoio do partido ao projecto-lei sobre a reforma da nacionalidade, tal como esboçado pelo ministro da Justiça, Luc Frieden. Único senão: segundo Fayot, o LSAP gostaria que o Governo também pensasse em promover as vantagens do multilinguismo.

E exemplificou: "Um cidadão chinês que além da sua língua apenas falasse o Luxemburguês, teria dificuldades em viver no nosso país". Uma lei da imigração adaptada às novas realidades sociais e migratórias é uma das etapas no caminho para um Estado moderno, considerou aquele responsável. Em matéria de política educativa, Fayot defendeu a actual ministra da Educação, Mady Delvaux-Stehres, do LSAP, e lembrou que esta herdou muitos problemas da sua antecessora liberal, Anne Brasseur (DP).

O LSAP exige que, neste campo, o grande objectivo continue a ser a igualdade de oportunidades para todos os alunos, independentemente da sua origem nacional ou social. A luta contra o insucesso escolar é outra das prioridades. Fayot exortou ainda o ministro das Obras Públicas, Claude Wiseler, a realizar as construções de escolas previstas no plano director sectorial.

MAIS POLÍTICA SOCIAL

A transposição das medidas da Tripartida é igualmente prioritária aos olhos dos socialistas e um dos cavalos de batalha nas sessões parlamentares que se aproximam. O LSAP anuncia, desde já, que recusará que as decisões tomadas em matéria de política das pensões e reformas seja posta em causa nas discussões sobre o Orçamento de Estado.

Os socialistas também esperam avanços do Governo, em conjunto com os parceiros sociais, na questão do crédito fiscal, bem como na luta contra o desemprego. ...E EUROPEIA Trabalhar por forma a vencer os atrasos de que o país padece na transposição das directivas europeias será outra das preocupações dos socialistas. Fayot solicitou ainda que os deputados se interessem mais pela política europeia. Para o LSAP, os parlamentares deveriam contribuir para converter a política comunitária em tema de discussão no seio da sociedade civil. Sobretudo depois do resultado do referendo sobre a Constituição Europeia, os responsáveis do LSAP consideram que a população espera um maior empenho do Parlamento luxemburguês nas questões comunitárias.

José Luís Correia,
in CONTACTO, 04/10/2006

sábado, 30 de setembro de 2006

les damnés
os poetas malditos acreditam que só a tragédia é a verdadeira musa, que só o inferno conduz ao exorcismo das palavras-vómito, que só a catarse transmuta a alma sangrenta na magia das letras, dando finalmente corpo e sentido ao desequilíbrio dos sentidos.
já experimentei deitar a felicidade exacerbada no papel, em estado de êxtase quase eufóricó-orgásmico. Mas depois de deixar secar a tinta e ver a folha amarelar no outono dos dias, concluo tristemente que tudo o que a pena pingou foi torpe simualcro de literatura

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

EXtasy

A minha amante. Desejei-a tanto. Ao fim de muitos dias, ela cedeu. Finalmente. Trouxe-a até este quarto. Veio, dócil, pela minha mão.
A luz que penetrava pela janela recortava-lhe a silhueta perfeita. Deixou cair o vestido, pudicamente, pelo corpo abaixo. Revelou-me os seios redondos, belos, os ombros nus, o delta do sexo aparado, os pêlos, os poros, as rugas, as linhas da pele, as nódoas negras, as cicatrizes, as feridas das balas, o local e a história dos vestígios de fracturas, toda a geografia do seu corpo exposto.
"Não chores, não sou uma vítima!", confessou-me. Falou-me dos seus 250 assassinatos. Por encomenda, por dívida, por crime político, por droga, por diversão, por bebedeira (estrabismo etílico), por engano... Por enforcamento, afogamento, evenenamento, esfaqueamento, com beretta, revólver, à queima-roupa, com silenciador, carabina, espingarda, com objectiva, punhal, corda de pesca, electrocução, explosão, carro armadilhado...
Deu uns passos na minha direcção. Baixou os olhos, acendeu um cigarro, suspendeu-o aos lábios finos e prometeu-me, em voz serena, como se fosse um acto de contrição: "Amo-te! Se te matar, hás-de ser o meu último!"
O copo de uísque permanecia intocado na cómoda velha do quarto 381 quando a pequena morte inundou as veias de todo o meu sangue.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

regresso à rotina

Regresso à rotina

A "Schueberfouer", mercado medieval primeiro, depois feira, tornou-se com a tradição acrescentada dos séculos um dos encontros anuais obrigatórios dos habitantes deste pequeno país. Anunciava as víndimas, marcava o fim do Verão. Do ténue Verão luxemburguês, entenda-se. Sempre demasiado efémero, fugaz, sobretudo para nós, os austrais, quer tenhamos chegado com uma nova cor na pele ou aguentado estoicamente nestas latitudes um mês sem Verão.

Como apenas o estio é desculpa para o ócio, aqui no burgo, entre a meteorologia incerta e o calendário inane, houve quem encontrasse pano para mangas, mesmo num país desertado por parte da população. Provando que hoje em dia isso de rentrée política é coisa ultrapassada, porque afinal o mundo não pára para férias, os partidos ADR e DP, da Oposição, exigiram ao Governo, em Agosto, um debate alargado e profundo sobre a viabilidade do sistema de pensões. O tema é aliás uma preocupação constante. Compreende-se, num país cuja população envelhece rapidamente, com o mito do fim do Estado Providência sempre a espreitar. O propagandeado "Estado Mínimo", que o neoliberalismo radical apregoa, em que a instituição máxima do poder deveria apenas assegurar o "serviço mínimo" da justiça e pouco mais, aparece a muitos como a solução milagrosa para os rombos constantes que as caixas da Segurança Social acusam.

É uma ameaça que não paira (por enquanto) sobre o Grão-Ducado, graças sobretudo à imigração, que tem vindo a colmatar o débil crescimento da demografia dos nacionais. Os números são eloquentes: o número de reformas passou de 80 mil, em 1990, para 120 mil, em 2005, segundo o Statec. O que, numa população com 460 mil habitantes, significa que existem três assalariados para cada reformado. No mesmo período, o número de estrangeiros passou de 113 para 177 mil, enquanto os nacionais aumentaram apenas de seis mil indíviduos (de 271 para 277 mil).

Apesar de este reforço demográfico se ficar a dever em grande parte à imigração comunitária, uma sondagem veio revelar no princípio deste mês que os luxemburgueses (depois dos alemães) são dos que mais se opõem ao futuro alargamento da UE. A posição oficial do Governo luxemburguês e do primeiro-ministro Jean-Claude Juncker sempre foi, em contrapartida, a favor de um cada vez maior alargamento da União. Apesar deste aparente desfasamento entre as duas partes, 65% da população luxemburguesa – ou seja, exactamente a mesma percentagem que se pronuncia contra o alargamento –, diz confiar nas decisões do Governo!

Poderia ser antagónico. Mas atentemos no facto de o Grão-Ducado ser um dos doze países do mundo onde as pessoas são mais felizes, pelo menos a acreditar no estudo recentemente publicado pelo psicólogo social britânico Adrian White, da Universidade de Leicester. A capital luxemburguesa é mesmo uma das três mais prósperas do globo, revela, por seu lado, um inquérito do banco UBS. A única conclusão possível é ter a lição de Voltaire sofrido uma adaptação local: tudo está bem no melhor dos mundos... enquanto o nosso jardim continuar arrumadinho e cultivado.

Com a grande feira no Glacis, a vida volta verdadeiramente à capital e ao país, as crianças sabem que o regresso às aulas é para breve e espera-se com mais ou menos ansiedade e interesse a rentrée política. Mesmo quando as novidades não parecem abundar... a não ser que seja apenas uma ilusão de óptica.

O Conselho de Governo reuniu na sexta-feira. Decidiu, entre outros pontos, a participação luxemburguesa na Força Interina das Nações Unidas no Líbano (o envio de três homens!) e a criação, para 2007, de um novo liceu em Dommeldange. Abordaram-se ainda questões como a do desemprego endémico, que voltou a aumentar, depois de tímidas descidas no primeiro semestre do ano; bem como a lei da violência doméstica – apesar de ter sido votada há três anos, os números de mulheres e crianças espancadas continuam a rondar os mesmos valores de então. Os membros do Governo voltaram de férias mas, como ainda vinham de sandálias , limitaram-se a tratar do expediente. Mostraram que fizeram os deveres, mais nada.

Assuntos como a dupla nacionalidade, que deveria ter sido apresentada ainda antes do Verão, ficam relegados para a rentrée parlamentar, no Outono. Nenhum elemento do Executivo achou por bem fazer uma referência à sugestão no mínimo curiosa (para não dizer duvidosa) do círculo de reflexão Joseph Bech (próximo do CSV e do Governo!), que considerou oportuno propor, em pleno Agosto, na ausência da maioria dos estrangeiros (mas é apenas um detalhe!), que a cidadania europeia funcionasse como alternativa à dupla nacionalidade. Como se uma pudesse substituir a outra. Como se a cidadania europeia fosse um facto político consumado e a UE um Estado próprio. Uma proposta infeliz e anacrónica que, espera-se, não atrase (ainda mais!) os futuros debates.

Quando a feira desce à cidade, até os portugueses voltam da sua migração estival para Sul. Repousados, bronzeados, sorridentes, com maresias e saudades no olhar. Trocam a praia pela roda gigante e operam com esta transmutação do lazer o regresso à rotina. Devagarinho! Seria desejável que no acto guardassem o sebastianismo tipicamente luso no bolso, aproveitassem para alargar o seu horizonte, inquirissem sobre o que se passou nesta sua outra "terrinha" durante as semanas em que estiveram fora e participassem mais nas discussões de política e sociedade que se aproximam e que também lhes dizem respeito.

(José Luís Correia, in Contacto, 30.08.06)

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

livros lidos este Verão
- "La mémoire et le feu - Portugal: l'envers du décor de l'Euroland", Jorge Valadas. Ensaio político que se resume a apedrejar os recentes governos, da esquerda à direita, dos comunistas aos bloquistas. Ninguém escapa. Não ousa porém tocar na efígie do "el-comadante" Álvaro Cunhal. A leitura que faz da actual política e das politiquices portuguesas é, diga-se em abono da verdade, inteligente e certeira. Mas o discurso sobre a "utopia portuguesa", com que se seduz o leitor na introdução e na contracapa, e que eu debalde esperei, não acontece. Li gato por lebre.
- "Planisfério Pessoal", de Gonçalo Cadilhe. A volta ao Mundo por terra e por mar do antigo jornalista da Grande Reportagem, publicada no Expresso, entre Dezembro de 2002 e Julho de 2004.
- "O cartógrafo do Infante", de Frank G. Slaughter. Romance com um bom enredo e que prende o leitor desde as primeiras páginas e que aproveita os vazios da História para romancear alguns mitos dos Descobrimentos Portugueses. Aventura, sexo, amor, traição, histórias e História. Boy meets girl, boy gets in trouble, girl saves boy. Em paralelo, o cartógrafo veneziano André Bianco, com ligações à família dos Médicis, feito escravo por corsários árabes, navega enquanto tal até aos mares da China e Cipango (Japão), cem anos antes de qualquer europeu lá chegar (os primeiros, os portugueses, chegariam em 1540!), e entra depois ao serviço do Infante D. Henrique, ao mesmo tempo que se apaixona, numa enseada de Sagres, por Leonor Perestrelo, filha do futuro governador da Madeira. Toda e qualquer semelhança com Cristovão Colombo é, evidentemente, pura coincidência.
- "Minto até ao dizer que minto", de José Luis Peixoto. Episódio "blasé" sobre a passagem amorfa das deambulações vagas e desilusórias pós-adolescentes à vida adulta nesta primeira década do século.
- "Um homem sem pátria" de Kurt Vonnegut. O autor de origem alemã, naturalizado norte-americano, que se celebrizou com "Matadouro 5" (sobre o Holocausto), escreve aqui artigos corrosivos (já o foi mais!) e com bastante humor (já também foi melhor!). Entre memórias da sua infância (nos anos 30) e críticas à actual administração Bush, é o regresso de um autor que está a gastar os últimos cartuchos para mostrar que a sua verve ainda vive.
- "A Máquina do Arcanjo", Frederico Lourenço. É o último capítulo de um tríptico, mas pode ser lido separadamente. O amor e o sexo gays no Portugal dos anos 80. Pequenos toques de humor deliciosos.
- "Sete Noites" de Alina Reyes. Pequena história sem muito enredo, escrita noite após noite, na primeira pessoa, com sensualidade tântrica e erotismo feminino.
- "Em Paris" de Ramalho Ortigão. Relatos das impressões e dos encontros do dia-a-dia do literato português na capital francesa em 1868. As comparações do mundo parisiense com uma sociedade portuguesa burra, casmurra, analfabeta, analfabruta e empertigada são inevitáveis e de uma aflitiva actualidade.Ramalho, o irmão-gémeo de Eça.
- "Quatro Gigantes" de Ramalho Ortigão. Textos do autor sobre Camões, Garrett, Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz. O título, pobre de conteúdo, duvido que pertença ao autor e seja antes uma escolha publicitária e infeliz da editora. Isso nota-se aliás pelos textos escolhidos. Enquanto os ensaios sobre Camões e Camilo se revelam bastante interessantes e completos, nota-se que a parca página e meia sobre Garrett não passa de um texto recuperado de uma petição da altura para tresladar o corpo de Garrett para o Panteão Nacional; os textos sobre Eça fazem parte da correspondência privada do autor e que, não obstante o seu interesse inequívoco sobre a vida e obra de Eça, não são biográficos nem completos nem a tal pretendiam.
- "Profecias do Bandarra", de Gonçalo Anes Bandarra. As trovas do Sapateiro de Trancoso. Boa introdução que situa o autor no seu contexto social e histórico.
- "Future Perfect", Ed. Jim Heimann. Cartazes, desenhos, ilustrações de cores berrantes, artigos e capas de revista de ficção científica sobre o que os nossos contemporâneos dos anos 1940-1960 imaginaram sobre um futuro que nunca chegou a acontecer: comboios para a lua, túneis subterrâneos sob o Atlântico, aviões de passageiros de quatro andares, submarinos privados, etc.

BDs e novelas gráficas
- "Cité de Verre", com textos de Paul Auster, ilustrações de Paul Karasik e David Mazzucchelli. Excelente enredo e desenhos. Adinha-se a dificuldade que os desenhadores tiveram para imaginar as partes mais elípticas e opacas da história. Sairam-se com nota 10.
- "Catálogo de Sonhos", de José Carlos Fernandes (JCF)
- "O Depósito dos Refugos Postais", de JCF
- "Pessoas que usam bonés-com-hélice", de JCF
- "A última obra-prima de Aaron Slobodj", de JCF. Todas as histórias de JCF se desenrolam num mundo paralelo onde os habitantes até se parecem connosco mas o mundo evoluiu prolongando um não-sei-quê négligé e blasé dos anos 40 e 50, como se tivesse sido preservada a nossa ingenuidade pré-Segunda Guerra Mundial. De episódio para episódio, descobrimos uma nova personagem, uma nova cidade, um novo promenor, uma nova história. Histórias deliciosas, humanas, trágicas, delirantes, loucas, tresloucadas, mas tão verdadeiras...mesmo quando são (apenas?) pura ficção e poesia gráfica.

em leitura
- "Contos Satíricos", contos do Oeste de Mark Twain
- "Pobre e Mal Agradecido", ensaios políticos de Rui Tavares
- "Os Livros da Minha Vida", Henry Miller
- "Ninfomaníacas e Outras", Irwing Wallace
- "Os Cento e Vinte Dias de Sodoma", Marquês de Sade
- "Todos os Dias", Jorge Reis-Sá

leitura incidental

- "A noite abre os meus olhos", colectânea poética de José Tolentino Mendonça
- "O Teu Rosto", António Ramos Rosa (foto infra)
- "Mundos Paralelos", teses recentes da Física explicada em miúdos por Michio Kaku

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Madredeus na Abadia de Neumünster: 20 anos a cantar a alma portuguesa

É a quarta vez que os Madredeus actuam no Luxemburgo Fotos: Guy Wolff
O grupo português com o maior reconhecimento internacional – os Madredeus – , passou pelo Grão-Ducado, no seu quarto concerto memorável neste país, desta feita no Grund, num lugar de encanto: o adro da Abadia de Neumünster.

Cantam Lisboa, a alma e a poesia portuguesa. Uma guitarra portuguesa alada (José Peixoto), uma viola clássica sublimada (Pedro Ayres Magalhães), um baixo providencial (Fernando Júdice) e teclas inspiradas (Carlos Maria Trindade) enquadram a composição para uma voz única e inconfundível, a de Teresa Salgueiro.

Um domingo ao entardecer, num cenário idílico. Os Madredeus são o grupo português mais internacional de sempre e a prová-lo, mais uma vez, foi o público – 1.200 pessoas das mais diferentes nacionalidades e origens – que assistiu no domingo ao concerto no adro da Abadia de Neumünster, no Grund, no âmbito do Festival OMNI 2006, promovido pelo Centro Cultural de Encontro (CCRN).

É a quarta vez que os Madredeus passam pelo país, do qual guardam a boa recordação do concerto em Wiltz, em 2000, e do primeiro, em 1992, "porque era uma das duas primeiras actuações que faziamos fora de Portugal", conta-nos Pedro Ayres Magalhães, mentor do grupo.

"Do palco, não fazemos distinções entre o público. É normal em Paris ou no Luxemburgo haver mais portugueses do que noutras cidades, mas os portugueses até costumam ser a minoria. A obra do grupo – temos cerca de 120 canções –, continua a ser pouco conhecida, mesmo se o nome é famoso!", lamenta Pedro Ayres, mentor e membro-fundador do grupo.

Lisboa e Teresa

Os Madredeus são uma fantasia musical erudita de raiz genuinamente portuguesa, segundo uma definição de Pedro Ayres. Move o grupo o culto da composição em português. A grande fonte de inspiração é Lisboa. Mas também a própria Teresa Salgueiro.

"Fazemos música para guitarra, para a voz da Teresa e para ser cantada em português", explica o guitarrista. Virtuoso, para quem o soube apreciar no domingo, e que continua a ser, 20 anos depois da criação do grupo, o principal letrista e compositor das canções.

Em 20 anos mudaram muito? "Não mudámos, evoluímos!", corrige. E acrescenta: "Cultivámos um estilo, apurámos, sofisticámos um tipo de encenação, a solenidade nos concertos, a importância da voz, da poesia e da guitarra clássica".


"Madredeus é uma orquestra de bolso", diz Pedro Ayres Magalhães
"Os Madredeus querem estimular o conhecimento da cultura portuguesa através de um reportório musical versátil, familiarizar os povos do mundo com a nossa língua e a nossa nação. Motiva-nos também criar uma expressão da diáspora portuguesa no Mundo. Já o conseguímos de certa maneira, mas devíamos continuar nesse sentido. Ainda não chegámos a essa fase, não sei se vamos conseguir fazê-lo... O que falta também à obra dos Madredeus é criar descendência, outros grupos com uma arte como a nossa. Mas não nos cumpre a nós fazer isso...", diz o líder do grupo, com saudades do futuro.

Esta "orquestra de bolso", como Pedro Ayres lhe costuma chamar, "já atingiu tudo ou quase tudo o que havia para atingir".

"Em termos de popularidade e de reconhecimento internacional conseguimos o que nenhum outro grupo português conseguiu. Fizemos música para cinema (n.d.R.: Wim Wenders e Maria de Medeiros, por exemplo), tocámos com orquestras, em catedrais, em salas das mais prestigiadas do mundo. Em Portugal, somos um dos grupos cujos concertos mais bilhetes vendem e mesmo a nível europeu, somos os únicos no nosso género a tocar em 36 países há 20 anos."

Actualmente, todos os elementos do grupo evoluem noutros projectos colectivos ou a solo. O único a dedicar-se totalmemte aos Madredeus é Pedro Ayres, que foi também quem teve a ideia de criar o grupo em 1986. E lembra a génese, para juntar ao mito do grupo: "Quando eu andava em concerto pelo país (n.d.R.: leia-se, no tempo dos Heróis do Mar), via os teatros fechados e fiquei com vontade de criar um grupo com guitarras acústicas que pudesse tocar nesses sitíos." O resto já faz parte da história oficial. Foi assim que nasceu a ideia. Vinte anos depois está mais do que nunca viva e recomenda-se.

Depois de mais de 120 cidades do mundo, foi a vez do Luxemburgo ficar a conhecer o concerto onde divulgam as músicas dos dois últimos álbuns: "Faluas do Tejo", de 2005 e "Um Amor Infinito", de 2004. Isto porque não há temas novos nem estão a preparar nenhum álbum para celebrar os 20 anos de carreira.

Num incontornável "bis" no final da noite, regressaram ao palco para oferecer ao público temas de álbuns anteriores como "No céu da Mouraria" e "Haja o que houver".

José Luís Correia,
in CONTACTO, 19/07/2006

quinta-feira, 6 de julho de 2006

tous les matins
Tous les matins, douce décevance, j'aspire aux confessions de ton âme, aux céléstes pourpris de ton coeur, mais tu n'a pas écris, mon bel enfant. N'importe, j'attendrais jusq'au petit matin tes lettres d'amour.
"We followed the snake, the endless snake, trough the desert of our commun faith. My pretty child, my lovely child, the blue bus is calling us, where is he taking us?..." (Jim Morrison, The Doors, "The End")

quarta-feira, 5 de julho de 2006

promesse du jour suivant
La promesse m'avait parue absurde, enfantine, obsolète, chimère d'un passé utopique effacé. Il y a des choses importantes que l'on oubli sans trop sans rendre compte, tant le quai de la gare nous semble froid et nous glace les muscles jusq'au os.La nuit paraissait infranchissable, mais j'ai suivi, comme les rois d'antan, les étoiles de l'enfant, mais sans trop y croire.Mais soudain, une pluie d'étoiles s'est deversée sur la voie lactée. La nuit devint pâle d'abord, translucide ensuite. J'ai cru y perdre mes sens. La rosée sucrée s'est posée sur mes lêvres et l'aube inattendue arriva enfin. La lumière finit par m'éclabousser et une merveilleuse et belle journée, comme un nouvel amour, s'est levée.
o interseccionismo segundo Orfeu, antes da chuva oblíqua
Os domingos s.o.s.

Os domingos à tarde,

que costumávamos passar a fazer amor
misturando os nossos corpos insuspeitos e cadentes
deitando a nossa alma insustentável
no cobertor infinito das nossas promessas à flor da pele
maltratando as horas ciumentas e vis
que nos fitavam de soslaio do canto escuro do quarto da mansarda
e nós alheios a esses mecanismos
que teimam em dividir o dia mesmo se ele sempre nasce inteiro,

são indolentes sem ti
são cascas de noz vazias
que estalam na cova da minha mão
e me devolvem o eco fragmentado
dos teus passos no soalho velho do meu passado.

A sós, entregue à turba cruel
das minhas vozes que se amotinam,
deixo-as morderem-me os dedos, roerem a mordaça,
comerem o pano, cravarem-me os dentes nas jugulares
e destilarem-me veneno nas artérias.

Num gesto violento
faço um garrote à minha alma
aperto-o bem
dedilho a veia sediciosa
espeto a seringa
como uma lança de guerra
e injecto afecto no objecto cardíaco.

Sei que para salvar-te basta abraçar-te.
Mas quem me resgata a mim?
A geografia explicada ao amor

Não descures o fogo, amor
que é a verdadeira razão do mundo
e o eixo incandescente desta esfera
e a dorsal atlântica dos meus paralelos.

É o fogo, amor
que atrai os dois pólos opostos
e os sustenta em frágil equilíbrio
e toda a terra em volta.

É o fogo, amor
que mantém este continente
e evita a deriva,
apesar dos tsunamis na minha boca
e dos sismos que me atravessam como cicatrizes.

Mas nem a insistência dos ventos
nem a memória das marés
nem o sopro das águas
hão-de extinguir as chamas
que lavram esta queimada
e preparam a terra prometida.
A floresta virgem foi lá atrás no meu passado.

É o fogo, amor
e precisa arder
como o sol teimoso
agrarrado a este braço de galáxia.

Sou fogo, amor
e preciso arder
e das tuas águas
que lavem as minhas feridas abertas
e dêem de beber ao meu chão em pousio.

E as águas hão-de ser sangue
e penetrar as camadas profundas do meu corpo
e os aluviões da minha alma.

E a alma é fogo, amor
que na rota das tuas mãos
na nebulosa da tua nuca
e na travessia do teu peito
sofre de combustão espontânea
deflagra e perpetua o ciclo.

1

ervas daninhas comendo o chao, derramando seiva na terra arida

2

dança da chuva, céu que não responde por despeito, nuvem arrogante que esqueceu a memória da água, gotas como gumes gelados que se suicidam sobre a minha pele, infiltram os meus poros

meu sangue transvasado, minhas células explodindo como supernovas no vazio sideral do meu corpo, universo do meu verso único em mim, árido e estéril como um deserto de sal, almejo

3

luzes mortas que me penetram, passageiros petrificados, soltos os capuzes e os lábios despertos, espero o vento morno na nuca, virás para alem do mar?, e eu reconhecerei o teu sorriso?, o ganges ainda corre?, e as nuvens atormentadas?

adornos incontornáveis a que tento escapar, tento fugir ao pântano que teima em me atrair, as sombras que me assombram, os teus dedos acalentam-me, cobres-me com o teu corpo, sossegas a minha intranquilidade, terias feito bem ao bernardo

sim, quero acreditar nos dados, no tapete verde, nos números, sai o 9, volto a jogar, o 1 gira até esbarrar contra a tabela, ganhei? tens a certeza? pensas que jogo todos os dias? apenas na tua roleta russa, meu amor!

Fórum "Luxemburgo, terra de acolhimento": Mais apoio aos alunos e um diálogo sistemático entre pais e professores


Marion Bur (La Voix du Luxembourg), Pierre Lorang (Luxemburger Wort), Luís Barreira (Rádio Latina) e José Luís Correia (CONTACTO) moderaram o debate Foto: Guy Jallay
Vários media do grupo saint-paul lançaram um fórum de discussão em torno do desafio escolar dos alunos portugueses no sistema de ensino luxemburguês.

Uma maior participação e incentivo dos pais na carreira escolar do aluno, professores mais sensibilizados para ajudar as crianças em dificuldade e um maior diálogo entre os corpos docentes e os encarregados de educação foram alguns dos principais pontos discutidos num debate livre e aberto promovido pelo CONTACTO, Rádio Latina, "Wort" e "Voix du Luxembourg", que decorreu no edifício-sede do grupo, em Gasperich, em 29 de Junho último.

Neste primeiro fórum "Luxemburgo, terra de acolhimento" sobre a temática dos alunos portugueses que frequentam o sistema de ensino luxemburguês, foram também vários os intervenientes a sublinhar a importância de adaptar melhor a escola luxemburguesa à chegada constante de alunos estrangeiros (e não apenas portugueses!), de forma a não os canalizar inevitavelmente para o insucesso escolar.

Para isso, o Luxemburgo deve definitivamente assumir-se como país de acolhimento, opinaram os participantes, e não apenas com uma terra de imigração e de passagem. Alertou-se ainda para que os pais tomem também consciência de que, ao emigrarem, se torna necessário acompanhar com maior atenção o percurso escolar dos seus filhos.

Para estes, a mudança é vivida, frequentemente, de forma perturbadora. Dependendo da idade, a maior ou menor dificuldade de adaptação ao novo país passa sobretudo pelo sucesso escolar, que continua a ser a melhor garantia de integração, de realização pessoal e de bases sólidas para o futuro.

A questão das línguas na escola luxemburguesa, as turmas de acolhimento, a escola de tronco comum, as aulas integradas de Português, as barreiras culturais e sócio-políticas, foram igualmente abordados. Um suplemento detalhado sobre este debate será publicado brevemente no CONTACTO.

Marcaram presença neste fórum mais de duas dezenas de convidados, entre representantes das autoridades portuguesas no Luxemburgo e do Ministério da Educação luxemburguês, Coordenação do Serviço de Ensino do Português, Centro de Psicologia e de Orientação Escolar (CPOS), associações de pais de alunos portugueses, associações federativas que trabalham com o movimento associativo português (CLAE, ASTI, CASA, APL, etc.), sindicatos, além de outras entidades e colectividades.

Os próximos fóruns "Luxemburgo, terra de acolhimento", previstos para Setembro e Novembro próximos, abordarão a integração sócio-política da comunidade portuguesa e a problemática do movimento associativo português.

in CONTACTO, 05/07/2006